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Um esclarecimento necessário

O colega Eduardo Castro, em comentário postado na nota Cadê a crise que estava aqui?, escreveu o seguinte:

Sou gerente executivo de jornalismo da EBC, gestora da Agência Brasil. E juro que fiquei chocado com o comentário pretensamente gracioso que o autor fez sobre a procedência da nota acima. Ainda mais em se tratando de alguém do Observatório da Imprensa. Observatório, por sinal, produzido e apresentado pela TV Brasil e pela Rádio Nacional. Só reforça um esteriótipo falso acerca do trabalho da EBC. Realmente poderia ter passado sem essa.


Este blogueiro gostaria de esclarecer que respeita a opinião do colega e ainda mais o trabalho realizado pela Agência Brasil, uma das fontes de referência utilizadas pelo Entrelinhas para o trabalho de análise do grau de manipulação da grande imprensa nacional. O que Eduardo talvez não tenha compreendido ao ler a nota em questão foi a ironia, não com a Agência Brasil ou Carta Capital, mas com a Veja, veículo que adota uma postura e um viés nitidamente anti-governista.

Se a ironia não foi bem compreendida, porém, a culpa deve ter sido mais do emissor do que do receptor, portanto cabe aqui uma explicação, a fim de que não reste nenhuma dúvida sobre o teor da mensagem: a notícia de que a produção de veículos bateu recorde histórico seria corretamente publicada na Agência Brasil e provavelmente de alguma forma deturpada em veículos da grande imprensa, com o viés de Veja. A ironia estava na insinuação de que não haveria a menor possibilidade do inverso ser verdadeiro – Veja publicar a notícia corretamente e a Agência Brasil ou Carta Capital deturparem o acontecido. O estranhamento, portanto, era com a boa e correta informação do jornalista da revista da Abril. De qualquer forma, fica já registrado o pedido de desculpas ao colega da EBC.

Comentários

  1. "Se a ironia não foi bem compreendida, porém, a culpa deve ter sido mais do emissor do que do receptor"

    Isso tem acontecido muito.
    Luis Nassif, Paulo Henrique Amorim... vivem fazendo piadas que só eles entendem.

    Olha, eu não culpo o pessoal por não entender: um texto mais aberto e irônico sobre política é um direito recentemente adquirido. Não se tinha nada disso quando a vida era só ler veja e folha de são paulo.

    Acho que as vezes os blogueiros tem que ser mais diretos.

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  2. Para não dizer que o colega da EBC não entendeu a piada, vamos dizer que o autor deste blog não foi claro o suficiente.

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  3. Dê uma lida em: http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/04/01/da-serie-se-piorar-melhora/
    A manchete é da Folha:“Queda na taxa de juros alivia piora fiscal”

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  4. Prezado Luiz,

    Agradeço a atenção em me responder e em me esclarecer. Confesso que escrevi "a quente" - talvez, noutra cirscunstância, teria sido menos rígido. Acontece que nós da EBC (Agência Brasil, Rádios Nacional e MEC e Agência Brasil) somos vítimas contumazes de patrulhamento, preconceito e pré-julgamento. Geralmente feito por gente que posa de independente e corajoso mas, na verdade, apenas nos mede pela própria régua, sem nem ver, ler ou ouvir o que estamos fazendo. Gente que não acredita na comunicação pública independente porque enxerga o Estado como propriedade de alguém e por muitos anos esteve no poder fazendo do Estado sua propriedade.
    Conto com quem pensa diferente, e se dispõe a nos ver, ler e ouvir, para desfazer essa imagem fabricada pelos interesses dessa minoria. Críticas, claro, são bem vindas e levadas em conta. Mas desde que baseadas em fatos concretos. No caso aqui, como seu próprio texto indica, é sinal de isenção, não de partidarismo ou inclinação de qualquer ordem. Posso assegurar, com base no que já fizemos, que se a notícia fosse inversa estaria na Agência Brasil do mesmo jeito.
    Obrigado mais uma vez,
    EC

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  5. Aproveitando que Eduardo Castro lê este blog, gostaria de dirigir-lhe a pergunta: Naquela matéria em que deram voz a um diretor da Fiesp, que fez uma conta absolutamente maluca (até hoje não entendi como ele conseguiu chegar a tais resultados) para mostrar que o PIB brasileiro tinha sido supostamente o 2º que mais caiu no mundo (ele fez um "cálculo" da variação da variação, o que claramente é um caso bizarro de manipulação da informação), quem sugeriu a pauta ou a deixou passar? Há um editor que checa o tipo de informação que vai ao ar, sobretudo por se tratar de um veículo fonte de inúmeros jornais e sites que reproduzem seu conteúdo? Aguardo resposta, já pedindo licença ao autor deste blog...

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  6. A ironia leve foi tão clara que assusta a reação do cara da EBC. Paquidérmica a reação! Espero que a Carta Capital, minha revista semanal, seja mais inteligente e sorria ao ler o texto do blogueiro.

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