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Dica da semana: Monsieur e Madame Adelman, filme

Comédia romântica “subversiva”: um casal em quatro décadas

Quando Sarah (Doria Tillier) avistou Victor Richemont (Nicolas Bedos) pela primeira vez, ela soube que sua vida giraria para sempre em torno dele, estava atraída “como uma mariposa a uma lâmpada”. Aspirante a escritor, ele afogava as mágoas num bar após seu livro ter sido recusado para publicação. Determinada, ela não descansa até engatar um papo que terminaria na casa dele. Embriagado, ele cai no sono e acorda com a jovem terminando a leitura e anotações em seu romance manuscrito – agora, sim, em condições de ser publicado, diz ela, pronta para debaterem as correções – exagero na citação de autores, erros em estruturas de parágrafos e outros. Ele perplexo. Ela em casa, aluna de doutorado em Letras Modernas.
Este poderia ser o início do romance, mas não ainda no caso de Monsieur e Madame Adelman (França, 2017). A história de amor de Sarah com Victor custou a ela um esforço maior. E este empenho feminino, primeiro em conquistar…
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Piauí: greve, motim e chantagem pelo poder

O fato da semana sem dúvida foi o inacreditável ataque ao senador Cid Gomes, baleado enquanto enfrentava policiais amotinados na quarta-feira, 19/2.  Renato Sérgio De Lima e Arthur Trindade Maranhão Costa publicaram na Piauí uma análise do que ocorreu:  o atentado sofrido na última quarta-feira (19) pelo senador Cid Gomes (PDT), em Sobral, no Ceará, trouxe à tona mais uma vez o debate sobre a incapacidade de os governadores controlarem suas polícias e sobre a influência do projeto populista de poder do presidente Jair Bolsonaro junto aos policiais brasileiros. Cid Gomes sofreu duas perfurações por arma de fogo quando, em seu estilo pouco afeito a contemporizações, pilotava uma retroescavadeira na tentativa de furar o bloqueio de supostos policiais encapuzados diante de um batalhão da PM em Sobral. Horas antes, os encapuzados já haviam circulado pela cidade a bordo de carros da polícia exigindo que o comércio fechasse suas portas. A segurança da população ficou refém da política e viro…

O adeus a Zé do Caixão, o pai do terror nacional

Diogo Magri faz uma bela homenagem no El País ao grande cineasta morto nesta semana. Publicado em 20/1, fica também nossa homenagem a José Mojica Martins, gênio, cult, diferente e sobretudo, brasileiro.

Unhas assustadoramente grandes, barba, cartola e roupas pretas compõem a aparência de uma figura inconfundível. Zé do Caixão se tornou tão famoso que o personagem se confunde com o criador. Considerado o pai do cinema de terror brasileiro, estrela de seis filmes e premiado internacionalmente, Zé é obra de José Mojica Marins, ator e cineasta que morreu na tarde desta quarta-feira, 19 de fevereiro, aos 83 anos, em São Paulo, em decorrência de uma broncopneumonia. Marins estava internado há cerca de 20 dias no hospital Santa Maggiore, desde que contraiu uma infecção que evoluiu para pneumonia. Ele deixa sete filhos, 12 netos e uma carreira que o coloca entre os cineastas mais notórios da história.
Dos 83 anos de vida, foram 71 atrás (e na frente) das câmeras. Mojica, cujos pais eram espan…

Hussein Kalout na Época: Bloomberg correndo por dentro

Agora a visão brasileira sobre as eleições americanas, publicada na Época em 19/2; Escreve o colunista: ao investir numa corrida paralela às prévias, o candidato chega na reta final com intensidade e com o índice de popularidade ascendente, aproveitando-se do derretimento de alguns de seus competidores, em particular Biden e Warren.
A eleição americana de 1960 entre o Democrata, John F. Kennedy, e o Republicano, Richard Nixon, ficou marcada na história política dos EUA como um dos mais acirrados duelos pelo inquilinato da Casa Branca.
A disputa entre Kennedy e Nixon colocava sob os holofotes dois desafios que, naquela época, constituíam o pano de fundo desse épico confronto. No cerne do teatro político estava, de partida, o inglório desafio de suceder o Presidente Dwight Eisenhower, um herói da Segunda Guerra Mundial e um dos mais populares presidentes da história americana. Não menos relevante, ambos os candidatos estavam diante da tarefa nada trivial de convencer o eleitorado de que…

FT: Bloomberg e Sanders fazem uma disputa de soma zero

Publicamos duas visões sobre a disputa democrata nos EUA: a que vai abaixo, do Financial Times, e outra, no próximo post, um visão brasileira. Boa leitura.

Por Edward Luce — Financial Times
Nos acidentes em câmera lenta, é possível vislumbrar as rotas de colisão um bom tempo antes. Infelizmente, não temos como apertar o botão do controle remoto. O debate democrata de quarta-feira à noite nos EUA foi o mais agressivo até agora - e Michael Bloomberg foi o claro perdedor. Em algum momento, porém, a corrida democrata deverá resumir-se a uma luta entre ele e Bernie Sanders.
Há poucas maneiras de uma disputa do tipo soma zero entre um velho bilionário autofinanciado e um velho socialista teimoso acabar num armistício amigável. Mas há muitas maneiras de acabar de fato em colisão. Quase nenhuma teria um fim feliz para os democratas, a não ser que aconteça o menos provável, isto é, uma vitória arrasadora de um sobre o outro.
As similaridades entre a campanha de Sanders e a de Donald Trump em 2…

Época: a aposta alta na legalização dos jogos no Brasil

Este blog é totalmente favorável à legalização do jogo no Brasil. Apenas Brasil, Cuba e Venezuela não permitem o jogo nas américas e, no mundo, só os países islâmicos nos acompanham. É uma completa perda de oportunidade, inclusive para incremento no turismo. Como reporta a revista, depois de sete décadas de proibição, o lobby do jogo ganha força, impulsionado pela possibilidade da volta dos cassinos. Íntegra do texto publicado nesta sexta, 21/2, abaixo:

Por Thais Arbex, Marco Grillo e Bruno Góes
Não funcionaram mais os cassinos”, estampou a manchete do jornal O Globo do dia 2 de maio de 1946, uma quinta-feira. “O decreto extinguindo o jogo em todo o território nacional, assinado na manhã de terça-feira, já à tarde aparecia no Diário Oficial, e, assim, entrava, automaticamente, em vigor. Por isso mesmo, os cassinos do Rio, por deliberação de seus diretores e obedecendo às determinações da lei moralizadora, já não funcionaram naquele dia”, informava o jornal. Passados quase 74 anos, e d…

Livros para entender o mundo de hoje

A convite do Valor, 20 personalidades indicam livros que consideram fundamentais para entender estes tempos conflituosos e a lista ficou muito boa! Abaixo e na íntegra a matéria publicada hoje no jornal.

Por Vitor Pamplona

Por muitos séculos, os livros foram a forma central de entretenimento e de transmitir ideias na humanidade. Na virada para a terceira década do terceiro milênio, o mundo hiperconectado e dependente da internet deixou de ser uma promessa futurista, concretizando previsões de ficção científica mais ou menos catastróficas para o leitor de livros.
Acuado por telas e distrações de todos os tamanhos, tendo como única arma pós-moderna de defesa os dispositivos eletrônicos de leitura, o livro enfrenta uma de suas crises periódicas de identidade.
Dúvidas se amontoam nas páginas dessa história. Com o faturamento dos mercados editoriais encolhendo nos últimos anos até mesmo nas principais economias do planeta, qual relevância social os livros terão no futuro? No mundo da dispe…

Maria Cristina Fernandes: O voto num enclave bolsonarista em Pernambuco

Diretamente de Santa Cruz do Capibaribe, a colunista - pernambucana da gema - do Valor escreveu um texto maravilhoso, publicado nesta sexta, 21/2. E vale muito a leitura, na íntegra abaixo.

Na única cidade de Pernambuco em que o presidente venceu, a economia segue em lenta recuperação, mas os pré-candidatos evitam críticas ao bolsonarismo

No segundo turno de outubro de 2018, o presidente Jair Bolsonaro venceu em uma única cidade em Pernambuco, Santa Cruz do Capibaribe, encravada no maior polo têxtil do Nordeste. A cidade de 107 mil habitantes, no agreste do Estado, se anuncia pelos outdoors gigantes com propaganda de marcas locais de jeans, produto da qual a região é a segunda maior fornecedora do país, com 14% da produção nacional.
A paisagem é marcada pelo Moda Center, entreposto que reúne dez mil lojistas e por onde passam, anualmente, dois milhões de pessoas, e por motos a carregar fardos com peças de roupas entre as facções. É este o nome que se dá às fabriquetas familiares subco…

Azevedo: Congresso tem de cassar Eduardo e Flávio e de convocar Heleno

Mais uma boa análise do colunista Reinaldo Azevedo, da Folha de S. Paulo, publicada nesta sexta, 21/2.  Escreve o jornalista: os democratas têm de convocar a coragem contra os ladrões de institucionalidade, contra os milicianos que assombram a vida democrática, contra os pistoleiros que miram a sociedade de direitos. É preciso cassar Eduardo e Flávio porque, reitero, incorreram, sim, em quebra do decoro parlamentar, mas também para evidenciar que a democracia não aceitará que licenças civilizatórias se convertam em inimigas da civilização.
Íntegra abaixo:

É chegada a hora de dizer 'daqui não passarão'
Câmara e Senado, como entes e pilares fundamentais da democracia, têm de cassar os respectivos mandatos do deputado Eduardo Bolsonaro e de seu irmão, o senador Flávio. Imputação: quebra do decoro. A imunidade parlamentar prevista no artigo 53 da Constituição não existe para acobertar crimes, assim como as prerrogativas do artigo 86 não podem servir de instrumentos para que o pres…

Dica da Semana: Era uma vez em... Hollywood, filme

Quentin Tarantino na sua melhor forma; Brad Pitt e Leonardo di Caprio arrasando

Ao contrário do que o autor desta Dica apostava, Era uma vez em Hollwood não levou o Oscar de melhor filme em um ano de safra excepcional. Ainda assim, a dica é boa porque temos aqui cinema da melhor qualidade e atuações maravilhosas da dupla Brad Pitt – que levou para casa a estatueta de melhor ator coadjuvante na semana que passou – e Leonardo di Caprio, protagonista que só não levou porque ninguém tiraria o Oscar de melhor ator de Joaquim Phoenix neste ano, o melhor Coringa que já houve.
Em um ano normal, Quentin Tarantino certamente seria agraciado, mas este não foi um ano normal e Parasita acabou levando a melhor. Tudo que Tarantino faz merece ser visto, e com Era uma vez... não seria diferente. O diretor, aliás, também escreveu o roteiro e produziu a fita. O enredo é um dos pontos altos, em princípio o público entende que Tarantino vai contar, a sua maneira, a trágica história do assassinato de Sharo…

Paul Krugman: Bernie Sanders não é socialista

Candidato favorito na disputa pela vaga do Partido Democrata é um social-democrata, diz o economista em artigo publicado sexta, dia 14/2, no NYT e reproduzido no Estadão. Vale a pena ler a análise, bastante contundente. Na íntegra, abaixo:

Os republicanos têm um longo histórico de confundir qualquer tentativa de melhorar a vida americana com os males do “socialismo”. Quando o Medicare foi proposto pela primeira vez, Ronald Reagan o chamou de “medicina socializada” e declarou que isto destruiria nossa liberdade. Hoje, se você reivindica algo como assistência universal à infância, os conservadores o acusam de querer transformar os EUA na União Soviética.
É uma estratégia política cínica e desonesta, mas seria difícil negar que muitas vezes foi eficaz. Agora, o primeiro colocado nas prévias democratas – não um candidato imbatível, mas claramente a pessoa que tem a maior probabilidade de vencer – é alguém que cai nessa estratégia, declarando que é, de fato, socialista.
O negócio é que Ber…

Marcos Lisboa: “País não vai crescer só com juro baixo”

Muito boa a matéria publicada por Geraldo Samor e Pedro Arbex no Brazil Journal nesta sexta-feira, 14/2. Vale a leitura, na íntegra, abaixo:

Marcos Lisboa continua pregando o evangelho das reformas no deserto da complacência brasileira.
Hoje o economista de fora do Governo com maior trânsito em Brasília, Marcos insiste há anos na necessidade de uma agenda estrutural que nos leve ao crescimento sustentável e acabe com os vôos de galinha na economia.
Foi o primeiro a apontar a ‘meia-entrada’ — a pulsão dos grupos de interesse em exigir tratamento diferenciado — como o problema político fundamental que separa o Brasil que temos daquele que juramos desejar. (A meia-entrada transfere o custo do ajuste para ‘o outro’.)
Com uma cabeça que funciona a mil e uma língua corajosa (não importa quem esteja no Poder), Marcos ganhou o apelido de ‘Diabo Loiro’. E de tanto desconstruir as sucessivas ondas de otimismo infundado desde o Governo Dilma, também ganhou fama de pessimista.
“Minha fala não é p…