quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Pérola de fim de ano

Está rolando no tucanato: "coitado do Serra, ninguém mais dá bolinha nenhuma para ele..."
Tucano é mesmo um bicho ruim!

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Boa notícia de fim de ano

Manchete da Folha de S. Paulo, a reportagem abaixo ajuda a explicar por que a grande imprensa tem uma certa má vontade, para dizer o mínimo, com o presidente Lula. Os donos dos jornalões, para usar uma analogia bem simples, não gostam muito da mensagem bíblica do "vamos dividir o pão agora, para merecer quem vem depois"...

Lula coloca publicidade estatal em 8.094 veículos

Desde 2003, aumento é de 1.522% em rádio, TV, jornal, revista e blog atendidos

Neste ano eleitoral, 1.047 novos meios de comunicação passaram a receber recursos de publicidade federal

FERNANDO RODRIGUES
DE BRASÍLIA

Quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora, o número foi para 8.094.
Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e "outros" estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios.
Só neste ano eleitoral de 2010, o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para 1.047 novos veículos de comunicação.
A categoria "outros" inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.
Chama a atenção o aumento do número de "outros". Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512. A informação do governo é que a maioria é composta por sites e blogs na internet.
Lula e sua equipe de comunicação não escondem a simpatia pelo novo meio digital. O presidente foi o primeiro a conceder uma entrevista exclusiva dentro do Planalto para o que a administração petista chama de "blogs progressistas".
Lula da Silva avançou na transparência em relação ao governo do tucano Fernando Henrique Cardoso.
Nunca existiu esse tipo de estatística até 2003. Ainda assim, há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha.
O valor total gasto nos dois mandatos de Lula, até outubro deste ano, foi R$ 9,325 bilhões. Dá uma média anual de R$ 1,2 bilhão.
Essa cifra não inclui três itens importantes: custo de produção dos comerciais, publicidade legal (os balanços de empresas estatais) e patrocínio -dinheiro para financiar projetos esportivos e culturais, entre outros.
Produção e publicidade legal consomem cerca de R$ 200 milhões por ano. No caso de patrocínio, o governo gastou uma média anual de R$ 910 milhões de 2007 a 2009.
Tudo somado, Lula gasta R$ 2,310 bilhões por ano com propaganda. Os valores são semelhantes aos do governo FHC, embora inexistam estatísticas precisas à disposição.
A diferença do petista para o tucano foi a dispersão do dinheiro entre os atuais 8.094 jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e sites na web. Um espetáculo de 1.522% de crescimento de veículos atendidos.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um ano sem surpresas

Abaixo, artigo do autor  para o Correio da Cidadania. Um balanço de fim de ano em um blog cada vez mais bissexto e com algumas novidades para 2011.

Muita gente se surpreendeu com o ano de 2010 na política nacional. A vitória nas urnas de Dilma Rousseff na eleição presidencial, porém, só foi surpresa para os que desconhecem o Brasil ou para quem vive pautado pelo que corre nos (des)caminhos da internet, esses sim, cada vez mais surpreendentes.
Na verdade, o ano de 2010 foi "mais do mesmo". Curiosamente, o que marcou o período foi a falta de surpresas, ausência do inesperado, dos fatos novos com força para modificar um cenário que contava com o protagonismo absoluto do presidente Lula, cujo mandato vai se encerrando com aprovação popular superior a 80%. No fundo, o resumo do ano é este mesmo: nada de novo aconteceu, logo, Lula fez seu sucessor, elegendo a primeira mulher presidenta do Brasil.
Análise reducionista? De maneira alguma, mas realmente para explicar o que ocorreu em 2010 é preciso retroceder um pouco e realizar uma reflexão sobre os oito anos do governo Lula. De fato, a eleição de Dilma foi a vitória do lulismo, um movimento político que ainda precisa ser reconhecido como tal pelos historiadores, mas que para o jornalismo que se pratica por ai já se configura como uma entidade sociológica ou histórica de peso no Brasil.
Pois tentemos então verificar as razões para o sucesso do lulismo. Quais seriam, afinal, os elementos basilares que sustentaram os dois mandatos do primeiro presidente oriundo das classes populares e que o fizeram capaz de vencer a batalha contra a grande mídia, com a reeleição em 2006 e a eleição neste ano da sua sucessora? O que explica tamanha força de Lula na população, especialmente nos estratos mais humildes?
Na verdade, há dois modos de explicar o sucesso do lulismo. Um valoriza as virtudes de seu projeto político. O outro valoriza as deficiências dos adversários e oposicionistas do atual regime. Na soma deve residir a melhor explicação para o que se passou no Brasil nos últimos oito anos.
De fato, 2010 talvez tenha condensado com precisão essas duas linhas explicativas – Dilma Rousseff se elegeu pelas virtudes de Lula e pelas deficiências patentes das oposições. Senão vejamos, voltando à análise retrospectiva:

Virtudes econômicas e políticas
Do ponto de vista dos méritos do governo Lula, há duas considerações a serem feitas, uma de ordem política, outra econômica, ambas igualmente relevantes. No campo econômico, o sucesso do lulismo advém em parte da conjuntura favorável, entre os anos de 2004 e 2008, que permitiu o crescimento do país em um ritmo mais acelerado do que o verificado na década anterior, e da adoção, durante a crise de 2008 e 2009, de medidas de incentivo à economia que possibilitaram ao país manter estabilidade e, na saída da crise, alcançar um crescimento significativo, apesar das fortes turbulências internacionais. Nas arriscadas palavras do presidente, a crise no Brasil não passou mesmo de marolinha – ainda que não tenha sido exatamente assim, esta foi a percepção geral da população, acostumada aos colapsos diante de qualquer turbulência lá fora, como ocorria nos anos tucanos.
Sim, há muita controvérsia sobre a real participação do governo federal durante a crise e também nos momentos anteriores, mas é visível e patente que o Brasil está em situação muito melhor do que oito anos atrás. Os números gerais da economia mostram este crescimento, o país deu um salto qualitativo ainda por ser criteriosamente mensurado, mas provavelmente tão importante quanto o ocorrido durante o varguismo, nas décadas de 30 a 50 do século passado. Em mais alguns anos, se as previsões estiverem corretas, o Brasil deverá se tornar a quinta economia do mundo.
Não há, portanto, como negar que o país mudou. Sob Lula e por causa dele, o que mais mudou foi o Nordeste, que vem crescendo a taxas chinesas, e a vida dos mais pobres, que melhorou muito. As classes C, D e E foram de fato as maiores beneficiárias do lulismo, que, por meio de políticas de transferência de renda e de aumento continuado no salário mínimo, foi bem sucedido no intento de reduzir a pobreza absoluta no país.
Como resultado, o governo Lula tirou da miséria milhões de famílias que viviam à margem da sociedade, incorporando-as não apenas ao mundo das bolsas assistenciais, mas em seguida ao mercado de bens de consumo, via crédito facilitado e outros incentivos ao fortalecimento desses novos consumidores, que até então eram vistos como meros subcidadãos.
A força do Nordeste e dos mais pobres se refletiu no voto. Dilma Rousseff abriu 12 milhões de votos sobre José Serra no segundo turno, dos quais 10 milhões no Nordeste. Nas grandes cidades, a diferença também foi evidente: Serra ganhou em todas as regiões ricas, perdeu de lavada nas periferias ou morros, regiões de menor renda. O corte sociológico do voto repetiu e aprofundou, em alguns casos, o que ocorreu em 2006, com os mais pobres e menos escolarizados votando no PT e os mais ricos e escolarizados, no PSDB. Lula venceu em todos os segmentos, mas abriu maior margem entre os mais pobres; Dilma praticamente empataria com Serra se o Nordeste não existisse e deve aos mais pobres e menos escolarizados a sua eleição.
E como o assunto voltou para a política, vamos à análise dos méritos do governo neste campo. Ao longo dos oito anos de mandato, o presidente conseguiu impor a sua agenda e, nos momentos mais difíceis, superar as crises com uma estratégia muito própria e particular, evitando o confronto direto e guardando as energias para os embates que realmente importavam.
Ao assumir o governo em 2003, Lula começou a matar a oposição que lhe era mais incômoda – o PSDB – ao incorporar em seu governo as bandeiras daquele partido. Os tucanos não perceberam no primeiro momento, mas depois se deram conta de que ficaram sem discurso, sem programa, sem o que dizer ao eleitorado. Nem mesmo a denúncia do "mas fui eu quem iniciou tudo" colava, pois Lula conseguiu alardear muito bem a tal "herança maldita" dos anos FHC, o que lhe deu inclusive uma boa zona de conforto para governar, já que na memória de boa parte dos brasileiros, especialmente os mais jovens, os anos sob o tucanato foram os mais desastrosos já vividos.
O lulismo, porém, não se preocupou apenas em matar as ambições tucanas. No campo de esquerda, fortaleceu o PT, o que seria previsível, mas também tratou de fazer um embate direto e pesado com eventuais opositores, até para não pairar dúvida alguma sobre quem teria a hegemonia da esquerda no país. Assim, não foi à toa que nem Heloísa Helena em 2006 ou o diretor deste Correio, Plínio de Arruda Sampaio, em 2010, conseguiram êxito eleitoral.
Lula de fato conseguiu reunir em seu apoio praticamente todo o movimento social organizado (sindicatos urbanos, MST e outros representantes dos trabalhadores do campo, centros acadêmico-estudantis etc.), restando apenas pequenas dissidências desses movimentos sob influência do PSOL ou PSTU, em setores muito localizados e pouco relevantes do ponto de vista da política de massas.
Cabe aqui uma ressalva, um parênteses, sobre a Igreja Católica. Por razões diversas, este importante alicerce do Partido dos Trabalhadores chegou em 2010 dividido e praticamente rompido com o lulismo, que se ainda conta com a simpatia de muitos nomes importantes na Igreja, já não é hegemônico como foi no passado. Interessante notar que a cisão se deu tanto nas alas progressistas como nas conservadoras. As primeiras, incomodadas com a questão ética, já há algum tempo vêm transferindo apoio ao PSOL de Plínio Sampaio. Já os conservadores se preocupam com as posições do atual governo no campo comportamental, condenando avanços como a discussão sobre o aborto, direitos dos homossexuais, presença dos símbolos religiosos em prédios públicos etc.
Parênteses fechado, a verdade é que do tripé que sempre sustentou o PT, simbolizado na união de operários, intelectuais e militantes católicos, Lula fechou o seu ciclo no Poder ampliando enormemente a sua influência no movimento sindical e hegemônico no meio universitário, em que pesem as críticas pontuais oriundas de intelectuais mais à esquerda.
Perdeu o apoio entre os católicos, é bem verdade, mas conquistou por outro lado setores que sempre lhe foram hostis, como parte dos evangélicos e algumas camadas mais conservadoras da sociedade que já não temem o PT e vêem na palavra do presidente a garantia de paz social.
Além de toda a movimentação do aparato de Estado para conquistar o espectro de centro, comumente associado ao PMDB, e até uma parte da direita (PP e PTB), cabe por fim ressaltar o carisma e a presença do próprio presidente à frente de seu governo. Com boa parte da imprensa fazendo oposição à sua gestão durante os dois mandatos, Lula fez ele mesmo a defesa do governo, ocupando inteligentemente os espaços concedidos à figura do presidente e aproveitando esses momentos para dirigir seu discurso a quem é chamado a cada quatro anos para decidir sobre o futuro – o eleitorado. Esta comunicação direta, dispensando os intermediários, nem sempre foi bem compreendida, mas funcionou a contento, mesmo nos momentos mais tensos do governo e nas campanhas eleitorais.

Os erros da oposição
Como descrito acima, Lula e seus aliados tiveram sorte e foram eficientes na ampliação da rede de apoio ao governo. Mas contaram com a decisiva colaboração das oposições, à esquerda e à direita, que passaram anos sem rumo e sem estratégia para realizar qualquer tipo de combate ao governo. Noves fora zero, o que mais se viu foi a radicalização de um discurso neoudenista - com Heloisa Helena, Alckmin e Serra -, que no fim das contas apresentou parcos resultados.
De fato, o PSDB, supostamente o mais forte dos adversários do lulismo, passou os últimos anos negando sua própria história, escondendo o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e tentando, sem nenhum sucesso, se apresentar como "melhor gestor" do capitalismo brasileiro. No desespero, nas duas campanhas, o partido acabou apelando para uma patética guinada à direita, na tentativa de satanizar Lula e o PT. Melhor acreditar na hipótese do desespero, porque se foi estratégia pensada, além de ineficiente, jogou o partido em uma crise existencial que hoje enseja a tal "refundação" do tucanato.
No final de 2009, muitos analistas apostavam na vitória de Serra nas urnas, desde que ele se apresentasse como o "pós-Lula". O ex-governador de São Paulo até que tentou manter o figurino de continuador da obra do atual presidente, mas o discurso não colou e seus marqueteiros rapidamente perceberam o erro – a candidata de Lula era Dilma e o povão não entendia por que raios deveria votar em um candidato de oposição que se dizia situação.
Sem ter muito o que dizer contra Lula e ultrapassado por Dilma nas pesquisas, Serra adotou o neoudenismo como mote de campanha e foi em frente, conseguindo ao menos provocar um segundo turno ao evocar o tema do aborto na campanha, mobilizando o voto religioso contra a candidata petista. No segundo turno, porém, mais uma vez a força dos movimentos sociais se fez presente e garantiu a mobilização necessária para evitar o "retrocesso". No fundo, o discurso udenista de Serra ao mesmo tempo em que garantiu o segundo turno, impediu a sua vitória nas urnas, pois afastou o eleitorado que votou em Marina Silva e Plínio Sampaio...
Do ponto de vista da oposição de esquerda, hoje capitaneada pelo PSOL, é possível falar em dois momentos. Na eleição de 2006, com Heloísa Helena, a crítica se limitou ao mesmo neoudenismo do tucano Geraldo Alckmin. A então senadora até fez algum sucesso localizado, conseguiu boa votação, mas não agregou coisa alguma ao partido e nem sequer ao próprio capital político, posto que não conseguiu se eleger senadora neste ano que finda.
Já a candidatura de Plínio Sampaio não teve o mesmo impacto nas urnas, porém certamente cumpriu o objetivo de fortalecer a mensagem de esquerda do partido e disseminar a crítica de esquerda para o público geral. Com muito bom humor, inteligência e disposição, Plínio parecia um daqueles meio-de-campo veterano que passeia em campo sabendo exatamente onde a bola vai e para onde deveria ir, dando os toques necessários para a melhor evolução da equipe. Porém, e há sempre um porém, vale a ressalva de que é até surreal que um partido do tamanho do PSOL já reproduza em seu nanismo os mesmos problemas que se verificavam no PT, com a disputa interna entre correntes corroendo a unidade e coesão necessárias para uma disputa política de maior envergadura.
Como se pôde ver até aqui, o presidente Lula e sua candidata Dilma Rousseff tiveram suas tarefas bastante facilitadas pela oposição que enfrentaram nas urnas e, antes, no cotidiano do governo. Se a coalizão montada para eleger Dilma Rousseff vai se mostrar sustentável nos próximos quatro anos são outros quinhentos, tema para outro artigo que fica desde já prometido para janeiro.
Por ora, este analista cada vez mais bissexto gostaria de desejar aos leitores do Correio um feliz Natal e um 2011 repleto de felicidade e realizações. Gostaria também de deixar um fraterno e público abraço ao diretor deste Correio por um ano que certamente foi cansativo, de muito trabalho, mas também recompensador. E viva o Brasil!

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Mas que calor!

Passeata de tucano é outra coisa. Hoje, em São Paulo, os principais líderes do PSDB, acompanhados por seus amigos do DEM, caminharam pelo centro da capital. Conforme relato do UOL, “às 13h, exata uma hora depois do início da caminhada, o ato terminou na praça da República sem as presenças de FHC, Kassab e Alckmin. Eles já haviam deixado a passeata meia hora antes.”
Explicação: o sol estava forte e a temperatura, alta.
Pena que não há mais jornalismo investigativo no Brasil: um pulinho dos coleguinhas ao restaurante Le Casserole, ali do lado, renderia uma das mais contundentes imagens da campanha deste ano...
E a pergunta que não quer calar: de que ano era a safra do Sauvignon Blanc escolhido para refrescar os ânimos dos grãos-tucanos??

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Serra foi “agredido” no Rio de Janeiro?

Não, não foi desta vez. Faltou morrer um major para o aprendiz de Carlos Lacerda repetir 1954. O que o PSDB e a ultradireita quer não é a bala de prata. É o tiro no peito. De Lula, não de Dilma. 
Até dia 31, vai ser um verdadeiro tudo ou nada, porque a direita está em um despesero de dar dó. Quem viver, verá...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Serra: acidente no Playcenter teve o dedo do PT

Candidato só não disse se a culpa foi da turma do Zé Dirceu ou do Palocci. Logo mais o Reinaldo Azevedo esclarece...

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Desespero e baixaria

Está rolando na internet uma tentativa de "marketing viral" contra a candidata Dilma Rousseff que usa como "argumento" a sexualidade da ex-ministra. A coisa é horrorosa e circula, por enquanto, em blogs anônimos ou marcadamente antipetistas, como o Ucho.com. Depois o Serra reclama dos "blogs sujos" do PT...

A explicação para a derrota de Serra

A nota abaixo, do sempre atento e competente Vinicius Torres Freire, colunista da Folha de S. Paulo, revela o motivo exato pelo qual a oposição será derrotada na eleição deste ano - atenção para os dados em vermelho. É a comparação que o eleitor médio faz - entre um governo e outro -, e o resultado é muito favorável à gestão de Lula na Presidência. Com isto, não tem escândalo ou cara feia que derrube a popularidade do presidente e o favoritismo de sua candidata. Quem viver, verá...

PIB de 2010: quem dá mais

A consultoria MB Associados acaba de revisar sua estimativa de crescimento do PIB em 2010 para 8%. “Estimativas são estimativas, nada mais do que estimativas”, diria um Odorico Paraguaçu econométrico, mas a MBA é uma das consultorias mais precisas e ponderadas do mercado, além de prestar sempre muita atenção ao mundo da economia real _não vivem apenas de torturar séries de dados em programas de estatística.

Como se dizia, 8%. Com recessão e tudo no ano passado, 8% é colossal.

Ontem mesmo, a “Economist Intelligence Unit” soltou sua previsão nova para o PIB em 2010, 7,8%. Os economistas dos maiores bancos do Brasil prevêem alta de em torno de 7,5%, 7,6%. Na mediana do mercado, segundo a pesquisa Focus do BC desta semana, 7,42%.

Abaixo, os números do PIB desde 1995 e as médias de cada governo deste então. Os dados para 2010 e para a média de Lula 2 são, claro, estimativas _no caso, usou seu o crescimento do PIB estimado para 2010 segundo a pesquisa do BC com o mercado.

Menos consumo, mais investimento

Do comentário de Sérgio Vale, da MBA: “Replicando esses cálculos para os oito anos de governo [Lula], nota-se que o consumo de fato foi o maior responsável pelo crescimento da absorção doméstica nesse período, seguido da Formação Bruta de Capital Fixo [investimento ‘na produção’]. A característica do governo Lula foi essencialmente de estimular consumo, o que se viu plenamente com as transferências de renda [como INSS e Bolsas sociais]. Nos próximos anos, essa equação terá de ser revertida na direção de crescimento do investimento em relação ao consumo das famílias para que o crescimento de fato se torne mais sustentável”.

Os números a que Vale se refere são os da participação dos componentes da absorção doméstica (itens do PIB) no crescimento total do PIB:

* Consumo das Famílias: 56,3%
* Formação Bruta de Capital Fixo: 32,1%
* Consumo do Governo: 11,5%

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Até tu, Eliane?

"Ao ameaçar largar a entrevista na CNT no meio, sem motivo, Serra mostra que lhe falta algo fundamental a um presidente da República: equilíbrio emocional." (Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S. Paulo, em sua coluna de hoje)

José Serra anda perdendo apoios até mesmo na linha de frente da sua tropa. Assim fica difícil.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Bateu o desespero

Quando as coisas chegam neste nível, é porque não tem mais volta. O candidato tucano perdeu a cabeça e alegou falta de "café da manhã". Resta imaginar o que seria feito, em um eventual governo Serra, no dia em que o presidente deixasse de tomar café da manhã...
Falando sério, o problema todo é que esta postura vai se refletir na reta final da campanha, especialmente se Dilma continuar a resistir aos ataques que vem sofrendo. É, se já degringolou agora, imaginem daqui 10 dias...

***

Serra se irrita e ameaça deixar entrevista de TV

Priscila Tieppo, TERRA

Em gravação do programa Jogo do Poder, da CNT, o candidato do PSDB à presidência da República, José Serra, se irritou com perguntas sobre a quebra de sigilos de tucanos e pesquisas e ameaçou deixar a entrevista.

O candidato disse que eles "estavam perdendo tempo falando daqueles assuntos", enquanto podiam dar ênfase aos programas de governo dele.

Após a apresentadora Márcia Peltier citar que a quebra de sigilo teria acontecido em 2009, antes do anúncio das candidaturas à presidência, Serra subiu o tom:

- Que antes da candidatura, Márcia? Nós estamos gastando tempo aqui precioso, estamos repetindo os argumentos do PT, que você sabe que são fajutos, estamos perdendo tempo aqui.

Márcia tentou contemporizar, mas não conseguiu acalmá-lo. "A candidata do PT virá aqui?", perguntou. Após a afirmativa de Márcia, ele retrucou: "então, pergunta para ela".

"Agora nós vamos falar sobre programas", tentou prosseguir a apresentadora. Neste momento, Serra levantou-se e ameaçou sair do estúdio. Tentando arrumar o fio do microfone, disse: "eu não vou dar essa entrevista, você me desculpa".

Márcia insistiu dizendo que eles falariam de programa de governo, mas ele se manteve firme. "Faz de conta que eu não vim". "Mas porquê, candidato?", disse, ainda sentada. "Porque não tem nada a ver com pergunta, não é um troço sério. (...) Apaga aqui". "O que o senhor quer que apague?", perguntou Márcia. "Apague a TV pra gente conversar".

Márcia pediu que as câmeras fossem desligadas e as luzes do estúdio apagadas, mas Serra continuou falando: "porque isso aqui está parecendo montado". "Montado para quem? Aqui não tem isso", defendeu a jornalista.

O candidato voltou a reclamar da pauta das perguntas - que até então, havia se fixado nos acessos fiscais e sobre as pesquisas. "Me disseram que eu ia falar de política e economia".

Depois de conversar reservadamente com Márcia e o apresentador Alon Feuerwerker, Serra voltou ao estúdio e respondeu a questionamentos sobre economia, saúde e saneamento básico.

Ao final da gravação, Serra foi questionado pelos jornalistas que estavam no local sobre sua irritação. O candidato negou ter se irritado e afirmou que apenas estava "com estômago ruim" porque não tinha tomado café da manhã.

Segundo a assessoria de imprensa da emissora, as perguntas feitas ao candidatos sobre os assuntos que o incomodaram serão mantidas na edição que irá ao ar nesta quarta-feira (15), às 22h50.

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Iglecias analisa o debate na Rede TV!

Abaixo, mais uma colaboração do professor Wagner Iglecias para o blog, desta vez analisando o último debate entre candidatos à presidência da República. Na opinião do autor desta Entrelinhas, Dilma agora só perde a eleição se for encontrada na cama com um homem morto ou com uma mulher viva. Pensando bem, talvez nem assim...

***

Neste domingo (12) ocorreu mais um debate entre os principais candidatos à presidência da República. Desta vez na Rede TV!, onde nos domingos a noite o telespectador está mais acostumado a ver o humor nonsense do pessoal do Pânico. Desta vez o que se viu foi o embate chocho entre os três principais postulantes ao Palácio do Planalto, e mais o octagenário Plinio de Arruda Samapio.

Plinio, aliás, que já é vitorioso apenas por conseguir participar dos debates. Como se sabe há vários outros candidatos à presîdência, mas apenas ele, entre os chamados "pequenos", tem sido convidado a medir forças com Dilma, Serra e Marina nestas ocasiões. No encontro da Rede TV! portou-se livremente, quase que como um franco-atirador, embora sua mira estivesse muito mais voltada para Dilma do que para Serra, o que é mais ou menos surpreendente em se tratando do candidato de um partido de extrema-esquerda. Afinal, o que foram aqueles momentos como "O Zé (Serra) tem razão" e "Dilma, vc não responde minhas perguntas...vc topa ou não topa?". Enfim, Plinio parece a vontade nos debates, como aquele tio velhinho que vem nos visitar no domingo e começa a dizer o que bem entende na mesa de almoço.

Marina Silva, por sua vez, pareceu apagada. Sabe que ganhou uns pontinhos em algumas faixas do eleitorado nas últimas semanas, e talvez quisesse partir para o confronto com Dilma para mostrar-se ao eleitor como uma alternativa a Serra. Não pareceu muito bem-sucedida em sua estratégia.

Serra aproveitou a oportunidade para fustigar Dilma. Sabe que tem pouca bala na agulha, ainda que tantos falem na tal bala de prata que poderia vir por ai e levar a eleição para o segundo turno. Tentou associar Dilma e sua campanha à questão do vazamento dos dados da Receita Federal e à questão das recentes denúnicas envolvendo a Casa Civil. No horário eleitoral Serra claramente perde de Dilma. Sua chance são os debates. Foi incisivo com a adversária, quase agressivo, mas perdeu-se mais uma vez quando questionado sobre sua posição em relação ao presidente Lula. O tucano está naquela sinuca de bico, não pode bater e não pode elogiar. Entrou para nocautear Dilma e quase foi nocauteado quando confrontado com a simples menção à figura de Lula.

Dilma, por sua vez, saiu-se melhor que nos debates anteriores. Quase sempre dá a impressão de não olhar diretamente para a câmera, mas acabou mostrando que sabe se defender sozinha. Está longe, muito longe, no entanto, de ter a fluidez verbal de um líder carismático como Lula. Ou como Brizola, Maluf, Jânio e tantos outros que davam colorido e imponderabilidade aos debates do passado. No frigir dos ovos, encaixou alguns golpes em Serra, levou outros dele e, na pior das hipóteses, saiu dos estúdios da emissora de Alphaville na mesma situação em que entrou. Melhor pra ela, que atua como um time ganhando por 3 a 1 aos 37 minutos do 2o. tempo, tocando a bola de lado e esperando o apito final. Outros debates virão, em emissoras de maior audiência, e se o formato engessado e a dinâmica fria do debate deste domingo se repetirem, nada de novo deve ocorrer no cenário eleitoral.

A iniciativa da Rede TV! foi auspiciosa, mas provavelmente seu telespectador cativo dos domingos a noite deve achar Charles, Vesgo, Silvio, Bola, Sabrina e cia. mais surpreendents que os quatro presidenciáveis.

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Os neoaloprados e o futuro da eleição

Até onde a vista alcança, não houve alteração significativa na intenção de voto dos brasileiros depois do “escândalo” da quebra de sigilo fiscal da filha do candidato José Serra (PSDB). Aparentemente, ninguém deu muita bola. O fato do presidente Lula ter ido à televisão ontem para defender Dilma Rousseff (PT) e contra-atacar os argumentos de Serra, porém, podem se um indicativo de que a campanha petista já aferiu o tamanho da encrenca e resolveu usar seu melhor antídoto: Lula. Esta é apenas uma hipótese, pois pode bem ser que a presença do presidente no programa da candidata seja meramente preventiva.
A verdade, porém, é que ainda está cedo para medir a repercussão dos fatos divulgados exaustivamente nos últimos dias. E também é fato que Serra pode radicalizar a estratégia “massaranduba” de campanha, incluindo mais ataques ao governo e sua candidata.
É bobagem dizer que “quem bate perde”, a história está cheia de vitórias baseadas em ataques bem conduzidos, de forma que o problema não é bater, é como bater e em quem. Nesta altura do campeonato, porém, resta claro que se Serra partir para a agressão e tentar vender Lula como um tiranete ou corrupto, ele mesmo, Serra, está lascado. A altíssima aprovação do presidente criou de fato uma blindagem, e as críticas mais duras tendem a ser rechaçadas pela população.
O que restou a Serra agora é tentar posar de vítima e rezar para que o povão tenha compaixão pelo que foi feito com o presidenciável. Também restou bater duro em Dilma, mas esta já é uma estratégia complicada. Bater em Lula seria quase suicídio político, e isto nem Gonzales, o marqueteiro, e muito menos Serra querem neste momento.
No fundo, o grande problema da oposição é aquele já apontado aqui diversas vezes; não há um projeto político sustentando o PSDB, razão pela qual o partido pouco ataca o governo e tenta vencer a eleição com a ideia de que seu candidato “pode mais”, e escondendo o passado do partido na presidência. Deste jeito, ao menos até aqui, as lideranças e os estrategistas tucanos deixaram uma avenida para o crescimento de Dilma ,que se aproveitou com gosto da porteira aberta, evidentemente contando com a ajuda providencial do presidente Lula. Se nenhum fato realmente novo (e inteligível para os brasileiros) ocorrer, é possível dizer que a fatura está liquidada.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Em casa que falta pão...

... todo mundo grita e ninguém tem razão.

A nota reproduzida abaixo, do blog do ex-deputado e presidente do PTB Roberto Jefferson é prova cabal deste conhecido ditado. A campanha de José Serra (PSDB) à presidência desandou porque está faltando voto. Na política, quando falta voto, todos gritam e ninguém tem razão. Ou todos têm...

Mal nas pesquisas, os apoios a Serra começam a rarear e mesmo um presidente de partido aliado já se sente à vontade para dar os seus pitacos na propaganda e no teor da própria estratégia de campanha tucana.

Bob Jefferson pode ser muita coisa, mas um estúpido ele não é. Entende bem mais de política do que o marqueteiro Gonzales e deveria ser ao menos ouvido pelo staff de Serra, hoje mais preocupado em tentar fazer da violação do sigilo de Verônica Serra uma tábua de salvação para o segundo turno.

As pesquisas diárias do iG mostram que este esforço não está dando resultado: hoje Dilma seria eleita com 54% dos votos e Serra teria pouco menos de 25%. Uma diferença e tanto, e é isto que está abalando a campanha tucana.

Devagar com o andor...

Desconheço os motivos pelos quais o tucano José Serra passou a desferir golpes abaixo da linha da cintura na TV contra o senador Fernando Collor (PTB), candidato ao governo de Alagoas. Nós, do PTB, estamos coligados ao PSDB na campanha nacional e, além de sistematicamente deixados de lado na discussão de estratégias e caminhos para a candidatura, ainda somos vítimas de ataques no tempo de TV ao qual contribuímos. Repudiamos as agressões contra um dos nossos. O que os tucanos estão querendo com os insultos, uma ruptura?

Postado por Roberto Jefferson às 12:04
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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Sensus: Dilma abre 18 pontos sobre Serra

No blog do jornalista Ricardo Noblat:

CNT/Sensus: Dilma 46%, Serra 28,1% e Marina 8,1%

Pesquisa CNT/Sensus divulgada há pouco em Brasília mostra a candidata Dilma (PT) com 46%, José Serra (PSDB) com 28,1% e Marina Silva (PV) com 8,1% das intenções de votos.

Não sabem ou não responderam, brancos e nulos representam 16,8%.

Neste levantamento foram apresentados aos entrevistados todos os candidatos que disputam a sucessão de Lula.

Se as eleições fossem hoje, Dilma venceria no primeiro turno.

Em comparação com a última pesquisa estimulada CNT/Sensus do início de agosto, Dilma subiu 4,4%, Serra caiu 3,5% e Marina teve queda de 0,4%.

Na pesquisa espontânea (em que não é apresentado o nome do candidato), Dilma tem 37,2 %, Serra 21,2 %, Marina 6 %. Os demais candidatos não atingiram 1%. Lula também foi citado por 2,1% dos entrevistados.

No último levantamento realizado no início de agosto, a pesquisa espontânea apontava Dilma com 30,4%; José Serra 20,2%; Marina Silva 5,0% e Zé Maria 3,0%.

Em um cenário de segundo turno entre Dilma e Serra, a pesquisa CNT/Sensus de hoje aponta Dilma com 52,9 % contra 34% de Serra. Ainda não têm candidato 13,2% dos entrevistados

Segundo a pesquisa de hoje, Marina apresenta o maior índice de rejeição com 47,9 %, Serra 40,7 % e Dilma 28,9 %.

Dos entrevistados, 42,9% afirmam ter assistido aos programas eleitorais de rádio e Tv dos candidatos. Dentre eles, 56% disseram que Dilma apresentou a melhor propaganda eleitoral, 34,3% afirmaram que foi de Serra e 7,5% o de Marina

A margem de erro é de 2,2 % para mais ou para menos.

A pesquisa foi encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e realizada entre os dias 20 e 22 de agosto em 136 municípios de 24 estados. Foram feitas 2 mil entrevistas.

domingo, 22 de agosto de 2010

Eleição não depende mais de Serra

O resultado da pesquisa Datafolha apontando a disparada de Dilma Rousseff, que agora se posiciona 17 pontos percentuais acima de José Serra e poderia levar a eleição já no primeiro turno é um marco na campanha. A partir de agora, Dilma só não será a próxima presidente do Brasil se errar muito. Já não depende mais dos acertos de Serra, mas dos erros da candidata petista. Sim, porque Serra pode fazer tudo certo e ainda assim perder a eleição - inclusive no primeiro turno. Com tamanha dianteira, Dilma só perde se fizer muita bobagem. Muita mesmo. Um amigo do blog escaldado em campanhas revelou neste final de semana: olha, ela precisa fazer muita besteira para perder esta eleição.
E o problema todo, para o PSDB, é que não bastassem os acertos da brilhante propaganda eleitoral de Dilma, o marketing de Serra é todo errado e errático. Afinal, Serra é amigo de Lula ou seu opositor? Este nó está na cabeça de todos os eleitores que assistem o horário eleitoral. Não dá para ser as duas coisas. Ou bem se diz que Serra será continuador da obra do presidente ou se parte para uma ação agressiva contra o atual mandatário. O que não dá é para fazer as duas coisas ao mesmo tempo, como Luiz Gonzáles parece ter plenejado. É isto que está ocorrendo - Serra bate e assopra, beija e morde. Ninguém gosta de gente assim, dúbia, traiçoeira.
Faltam 40 dias para a eleição. Não é muita coisa. Se este blogueiro fosse José Serra, a partir de agora a luta seria para manter, ao menos, a votação obtida contra Lula em 2002. Menos votos será um vexame grande. Menos do que obteve Geraldo Alckmin em 2006 será um vexame enorme.
Tudo somado, Serra está sem rumo, abandonado pelos seus próprios aliados. O ex-governador de São Paulo já se via recebendo a faixa de Lula e não deu a atenção necessária à montagem dos palanques regionais, que é, sim, importantíssima no Brasil. Lula, ao contrário, abriu mão de diversas candidaturas petistas - Minas Gerais é o caso mais emblemático - em nome da aliança com o PMDB. O futuro vai mostrar quem teve melhor juízo.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

Portelinha tucana

A favela cenográfica apresentada no programa eleitoral de José Serra (PSDB) já se tornou o primeiro "fato político" da reta final da campanha deste ano. Se continuar assim, o povão vai começar a chamar o candidato tucano de Juvenal...
Durante o debate desta quarta-feira, Serra evitou o assunto, ao ser questionado por Marina Silva. Mas coçou a cabeça e demonstrou irritação. O que o marqueteiro Luiz Gonzalez deve ter ouvido do chefe não está escrito. É, foi mal...

sábado, 14 de agosto de 2010

Datafolha, cartomantes e realejos

Está cheio de gente por aí vaticinando que a eleição presidencial acabou, vai dar Dilma Rousseff mesmo, não tem mais jeito. E está cheio de gente por aí dizendo também que o Datafolha não vale nada porque em 2006 Lula estava bem à frente de Geraldo Alckmin neste mesmo momento da campanha, e dali para frente Alckmin subiu muito e Lula não ganhou um único voto. Ou então, o que é pior, que o Datafolha só deu o que deu porque não "captou" a performance de Serra no Jornal Nacional.

Bem, há argumentos para todos os gostos e este blog lamenta dizer que estão quase todos furados.

Em primeiro lugar, a eleição não está decidida ainda. O horário eleitoral na televisão e no rádio é fundamental e decisivo. Se a propaganda de Dilma for um desastre, se a candidata chamar eleitor de burro, como fez Ciro Gomes, se for flagrada com R$ 2 milhões em cash, como ocorreu com Roseana Sarney, é óbvio que perde a eleição, talvez até no primeiro turno. Se nada disto ocorrer, porém, a tendência é mesmo de Dilma vencer o pleito, pois tem sido assim em eleições presidenciais desde 1989 - quem largou na frente no início do horário eleitoral, ganha a eleição. Foi assim com Collor, Fernando Henrique, duas vezes, e Lula, duas vezes.

Os argumentos oposicionistas chamam atenção pelo ridículo. Alckmin nada tem a ver com Serra e só subiu nas pesquisas graças à lambança dos "aloprados", às vésperas do primeiro turno. E também, em parte, à ausência de Lula nos debates finais, da rede Globo. O que aconteceu em 2006 foi um acidente: Lula teve de enfrentar o segundo turno graças aos erros do PT, muito mais do que aos acertos da oposição, que já nem esperava a passagem para o segundo escrutínio e ficou meio mês pensando no que fazer...

Agora, o cenário é bem diferente e a lógica desta eleição é simples: o povão quer continuar na mesma toada, gostou do que viveu nos últimos anos. E a cada dia que passa, Dilma Rousseff é associada, por Lula, pela mídia, pelos demais atores do processo, como a candidata do presidente. Serra tentou uma estratégia, inteligente, até, de não bater em Lula e se apresentar como mais preparado para tocar o barco. Ocorre que a associação de seu nome com o de Fernando Henrique Cardoso derruba esta idéia de "continuismo pela oposição", e, ademais, o que o povão queria mesmo era a permanência de Lula, de maneira que ele se tornou o Grande Eleitor deste processo.

Ao contrário do que imaginam os mais exaltados, não há nada de errado nisto. É do processo democrático o presidente lutar para fazer o seu sucessor. É o que Lula tem feito. Quem não o fez, porque não queria a vitória de Serra, foi Fernando Henrique Cardoso. Fosse Pedro Malan o candidato, FHC estaria em cada birosca pedindo votos para Malan...

Tudo somado, a coisa está mais para Dilma, mas Serra ainda tem chances, cada vez mais remotas. O maior risco para o tucano é Marina começar a levantar uma onda de simpatia no campo da oposição. Se nas próximas pesquisas Marina cresce e Serra cai, pode haver um fenômeno semelhante ao que elegeu Luiza Erundina, mas desta vez apenas provocando a desidratação da candidatura do PSDB. Na melhor das hipóteses, Serra consegue "desconstruir" Dilma logo nos primeiros dias, correndo o risco de uma estratégia que utiliza o ataque como arma e deixa a adversária como vítima. E por fim cumpre lembrar que o tempo agora corre a favor de Dilma, contra José Serra.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Homenagem

Abaixo, o texto escrito e lido pelo autor destas Entrelinhas na missa de sétimo dia do professor Luiz Eduardo Magalhães, realizada no domingo, no Colégio Santa Cruz. É um texto bem pessoal e particular, reproduzido aqui a pedidos de alguns amigos que o ouviram durante a missa.

Na sexta-feira passada, o meu pai, depois de retomar uma conversa que havíamos tido dias antes, sobre literatura, imprimiu algumas poesias e um aforismo que estavam arquivados em seu computador e me deu as cópias. Uma das poesias, de autoria de Manuel Bandeira, leva o título de Consoada e diz o seguinte:

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com os seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

***

Meu pai deixou o campo lavrado, a casa limpa, cada coisa em seu lugar. Mas muito mais importante do que isto foi ter nos ensinado a lavrar o campo, limpar a casa e deixar a mesa posta, com as coisas todas em seus lugares.
Para cada um de nós, que estivemos ao lado dele ao longo de toda uma vida, este é o legado mais forte, mais presente. Para ensinar, é preciso aprender, e meu pai tinha uma capacidade admirável de aprender ouvindo o outro, entendendo o que era preciso explicar. Ele também aprendeu lendo, pesquisando, foi um curioso por natureza, mas este dom de escutar e perceber as questões dos seus interlocutores era algo muito próprio dele. Para cada filho, amigo, colega havia uma conversa, um interesse particular, uma palavra generosa.
Eu gostaria de dar um testemunho pessoal. Na minha relação com meu pai, sempre conversávamos muito, discutíamos sobre quase tudo que havia para ser discutido. E muitas vezes eu gostava de testar os meus argumentos, quando ia escrever um texto, um artigo. Ele era um debatedor sempre atento e ágil, usava a lógica para reafirmar suas posições, de maneira que se eu conseguisse convencê-lo, tinha certeza que os meus argumentos eram fortes e consistentes. Bem, devo confessar que só consegui realmente convencer o meu pai umas duas ou três vezes...
Voltando ao poema, pode parecer paradoxal, mas na verdade meu pai se foi com a casa em ordem, porém em construção. Aqui neste Colégio, no extremo oposto deste Teatro que era um de seus grandes orgulhos, correm as obras de um novo pavilhão. E muito mais importante do que a iniciativa de melhorar as instalações físicas desta escola, o que esteve em permanente construção, nesses anos todos que ele dedicou ao Santa Cruz, foram os esforços para aprofundar os ideais dos padres Corbeil e Charbonneau de oferecer aqui uma educação de fundo humanista, voltada para a formação de cidadãos éticos e atuantes, com consciência crítica do mundo em que vivemos.
A contribuição que meu pai deu para esta comunidade do Colégio Santa Cruz certamente não termina com o seu desaparecimento. Ele deixou seu legado, mas deixou também muitas tarefas. Afinal, as obras continuam e a vida segue seu curso, o futuro é hoje.

***

Já estou com muita saudade do meu pai. E carrego também comigo um sentimento forte de orgulho dele. Nos últimos quatro anos e meio, ele nos revelou uma outra característica, bonita de se ver. A obstinação com que lutou pela vida e a aproveitou, mesmo nas adversidades; a firmeza com que enfrentou as privações que a doença foi lhe impondo eram comoventes para todos os que acompanharam as batalhas que travou. Só que ele não lutou sozinho. Ao lado do meu pai havia uma verdadeira tropa de elite, corajosa e competente, comandada pelo doutor Antonio Carlos Buzaid.
Em nome da minha mãe e dos meus irmãos, eu quero aqui fazer um agradecimento muito especial aos doutores Buzaid, Rodrigo Guedes e demais assistentes. A Antonio Carlos Buzaid, em particular, gostaria de dizer que foram dois os guerreiros, dois os gigantes. Obrigado, doutor, pela parceria.
Gratidão, aliás, é um sentimento que nós, da família, temos por muita gente. Nesses últimos anos, e na verdade ao longo dos 11 anos da luta contra a doença, meu pai sempre esteve acompanhado e cercado de muita energia positiva. Aqui no Santa, eu gostaria de personificar a nossa gratidão em relação a todos vocês, diretores, professores, funcionários e alunos, na figura do Valdir Aparecido dos Santos, que esteve tão próximo em todos os momentos, bons e ruins, na dor e na alegria, diariamente. Como diria o Paulo Mendes Campos, “o que a gentileza gentilmente oferece, agradecimento nenhum pode pagar”.
Eu gostaria de finalizar com um breve texto, do livro Encontro Marcado, que meu pai leu bem jovem, de uma sentada, viajando de ônibus de São Paulo para o Rio de Janeiro. Texto, aliás, de outro mineiro – e meu pai era filho de mineiro –, o Fernando Sabino, autor que ele me recomendou cedo, para aprender a gostar de ler.

De tudo na vida ficam 3 coisas:
A certeza de que estamos sempre começando
A certeza de que precisamos continuar
E a certeza de que seremos interrompidos antes de terminar.

Portanto, devemos fazer da interrupção um caminho novo
da queda, um passo de dança
do medo, uma escada
do sonho, uma ponte
E da procura, um encontro

Luiz Eduardo, muito obrigado por tudo. Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Luto

Abaixo, texto da Folha de S. Paulo desta terça-feira. Antes, dois poemas que ele gostava muito, do Manuel Bandeira e do Mário de Andrade. Perder o pai, depois de tanto tempo de batalha contra o câncer, não é mesmo nada fácil. Fica a saudade, muita, e também a certeza de que valeu a pena, apesar do sofrimento, pois as adversidades e a provação também revelam a força e o caráter das pessoas. E nesses últimos quatro anos, quando a doença começou a se agravar, ele nunca perdeu a esperança nem a vontade de lutar pela vida.

Cada coisa estava e está em seu lugar, sim, pai. A dor é grande, enorme, mas saiba que maior ainda é o orgulho por uma vida toda, pelo exemplo que não se vai, ao contrário, que já é cada vez mais presente.

Obrigado aos tantos amigos que estiveram ontem no velório e sepultamento e também ao doutor Antonio Carlos Buzaid e sua equipe, que desde 2006 o acompanhavam com uma garra indescritível. E vida que segue...



Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
[Não sei se dura ou coroável],
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
[A noite com os seus sortilégios.]
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa.
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.

***

Quando eu morrer quero ficar,
Não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na rua Aurora,
No Paissandu deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
O meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
Direito, o esquerdo nos Telégrafos,
Quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
A língua no alto do Ipiranga
Para cantar a liberdade.
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
Assistirão ao que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
Que desvivam como viveram,
As tripas atirem pro Diabo,
Que o espírito será de Deus.
Adeus.

***

LUIZ EDUARDO CERQUEIRA MAGALHÃES (1945-2010)

Uma vida ligada ao Santa Cruz

ESTÊVÃO BERTONI, DE SÃO PAULO

Dentro da sala de aula, Luiz Eduardo Cerqueira Magalhães era para os alunos o Eduardão, professor de matemática. Por ser grande, ter 1,91 m e voz grossa, aparentava ser muito severo. Mas, no fundo, era um brincalhão.
Logo após ter se formado em física pela USP, no final dos anos 60, ele começou a lecionar em colégios, como o Visconde de Porto Seguro.
Em 1969, casou-se com a psicopedagoga Maria Antônia, que conhecera na época da faculdade. No mesmo ano, entrou para o Santa Cruz, de onde não mais saiu.
O colégio no qual seguiu carreira, fundado em 1952 por religiosos, iniciou nos anos 70 um processo para que os padres abandonassem os cargos de direção.
A etapa se encerrou em 1993, quando Luiz Eduardo assumiu o posto de diretor da instituição, função que teve até a semana passada.
Paralelamente, deu aulas em faculdades, e, desde 1986, atuou no Conselho Estadual de Educação, que chegou a presidir. Sua vida, porém, foi mesmo o Santa Cruz.
Como diretor, priorizava a formação humanística dos alunos, que têm aulas de ética e filosofia. Construiu um teatro e, recentemente, levou até a escola o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, para falar sobre drogas.
Hoje, o Santa Cruz é o terceiro melhor colégio particular de SP, segundo dados do Enem 2009. Para ele, isso não dizia muita coisa - achava que a escola tinha que se nortear pela formação, e não pela posição num ranking.
Ontem, morreu aos 65, de câncer. Deixa viúva, quatro filhos e cinco netos. Também ontem foi seu enterro, em SP.

domingo, 11 de julho de 2010

Cadê o Álvaro Dias que estava aqui?

O gato comeu o quase-vice de José Serra. Sim, o senador Álvaro Dias anunciou que não vai mover um dedo para eleger Beto Richa, seu desafeto, para o governo do Paraná. Faz sentido, o rival do tucano é o irmão do senador, Osmar Dias. Engraçado lembrar que os blogs do tucanato garantiram que Álvaro faria campanha para Serr ano Paraná...

Pausa esportiva

Deu Espanha. Até que enfim acabou a chatice, a tal Copa do Mundo. Este blog não vê a hora do futebol voltar aos torneios sérios - Libertadores da América à frente. Como se sabe, o tricolor do Morumbi passou o mês treinando para o embate do ano - contra o Internacional. Fernandão e Dagoberto estão com fome de gol. Dia 28 deste mês e 5 de agosto, o duelo promete.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Jogo duro

As recentes pesquisas dos institutos Datafolha e Ibope animaram o tucanato ao mostrar um empate técnico entre o candidato à presidência do partido, José Serra, e a candidata do presidente Lula, Dilma Rousseff. Serra vinha perdendo fôlego e os novos números mostraram que ele continua forte após a rodada de propaganda na televisão dos partidos que compõem a sua aliança.
O jogo oficialmente começa amanhã, mas já faz muito tempo que a campanha começou. E desde o início, a tendência vinha sendo de crescimento de Dilma e estagnação de Serra. O que as pesquisas mostraram agora foi uma parada de crescimento de Dilma e ligeira recuperação de Serra. Tendo em vista a propaganda do tucano na televisão e rádio, faz todo o sentido.
É cedo, porém, para comemorações em qualquer dos lados da disputa deste ano. O empate ainda é mais favorável para Dilma porque revela a força do presidente Lula na campanha, porque a grande verdade é que ninguém jamais soube direito quem é a tal da Dilma, ou Vilma, ou ainda, a “muié” do Lula, como se diz em alguns estados do Nordeste. Serra está onde sempre esteve, Dilma cresceu bastante. O que vai acontecer daqui em diante é uma incógnita, pois a eleição deste ano carrega a grande novidade da política brasileira desde 1989: Lula não estará na urna eletrônica.
Sim, faz toda a diferença. O presidente, que hoje conta com a aprovação quase unânime dos brasileiros, sempre conseguiu mais de 30% dos votos (em 1989, só obteve este percentual no segundo turno, é bem verdade), de maneira que é, sim, correto dizer que um terço do eleitorado é fiel ao PT ou a Lula e percentual semelhante em geral vota contra o partido (ainda que aprovando a atual gestão). A eleição, portanto, será decidida pelos 30% mais volúveis, que esperam para decidir no último momento e não têm lá grande definição ideológica, no sentido estrito da palavra.
Ou seja, quem vai decidir a eleição o fará assistindo aos programas eleitorais e tomando o pulso da situação pelas conversas ao correr da campanha. É evidente que a propaganda terá força e também é óbvio que a maior exposição da candidatura de Dilma deve favorecê-la. Mas isto não é uma regra acabada, pois muitas vezes quem teve menos tempo, como o próprio Lula, venceu o pleito com boa folga. Esta campanha tende a ser particularmente acirrada e não é nenhuma novidade para ninguém que Serra é mais conhecido do que Dilma, tem uma carreira pública de maior exposição, e portanto larga na frente. Aparentemente, a ex-ministra já conseguiu tirar a diferença, está partindo para a campanha oficial em pé de igualdade com seu rival direto.
O que vem pela frente, portanto, é um jogo bem duro; não há aposta fácil neste momento. Será também um jogo em que quem errar menos ganhará mais. Agora é para valer, os candidatos podem sair às ruas e pedir votos. Até agosto, quando a propaganda eleitoral começa, se dá um momento de posicionamento das candidaturas. Este blog aposta que nada vai mudar muito até lá. A partir de setembro será possível de fato dizer se há favorito neste ano...

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Análise racional, do ponto de vista tucano

Abaixo, uma excelente e bem escrita análise do atual estágio da campanha eleitora, assinada bela blogueira Nariz Gelado. Vale a pena ler na íntegra, é um pensamento claro e honesto, bastante antenado. Ao contrário de outros blogueiros, que preferem se dedicar a esconder os problemas e fazer campanha, NG faz mesmo análise política, e das boas. Evidentemente, nem é preciso dizer que este blog discorda de boa parte das avaliações da colega. Mas recomenda a leitura.

Hora da verdade

Alguns persistentes – obrigada pela fidelidade -perguntam por que eu parei de postar.

Antes de qualquer coisa, há a questão do tempo. Neste último ano, um ritmo mais intenso de trabalho não está me permitindo atualizar o blog como antes. Também é verdade que o Twitter caiu como uma luva para este novo momento. Aqueles 140 toques podem não permitir profundidade, mas são melhores do que o silêncio absoluto. Mais do que isso: permitem que se faça muitas coisas em pouco tempo – opinar, saber dos amigos e debater brevemente a pauta do dia.

Mas o que realmente está pegando é que eu não tenho coisas muito agradáveis para dizer. Na verdade, sei que o que eu tenho a dizer vai desagradar a grande maioria dos leitores. Medo de perder, leitores? Não. Se fosse isso, era só seguir escrevendo elogios oposicionistas feito uma matraca – e, acreditem, eu sei fazer isso como poucos. O que eu me pergunto é se vale à pena perder as raras horas de lazer para comprar briga com quem superestima o poder da internet na conquista de votos – e que, por isso mesmo, sugere que a gente dê uma de avestruz e não aponte publicamente os erros da oposição.

Eu não tenho vocação para avestruz. Criei este blog em março de 2003 para dizer o que penso. E é assim que ele vai continuar. Mais lento em épocas em que não estou com tempo ou com paciência. Mas jamais servil a qualquer linha de pensamento que não seja a minha – ou a reboque de certa militância oposicionista que, pelo que ando vendo por aí, virou torcida apaixonada. Incapaz de ver os erros do time, mesmo quando as derrotas estão se acumulando. Preferem chorar sobre o leite derramado no final do campeonato do que apontar agora os erros que poderiam mudar o destino do time.

E porque não nasci para avestruz – e, mais ainda, porque concordo com a máxima rodriguiana de que “toda unanimidade é burra” – dedico as linhas abaixo a todos os leitores: aos que reclamam do meu silêncio e aos que preferem que eu me cale.

Vamos às verdades

1 – Sem Aécio Neves na chapa, perdemos Minas Gerais. E esqueçam as histórias da carochinha. Se o PSDB não conseguiu enquadrar o mineiro para aceitar a vice-presidência não conseguirá enquadrá-lo a trabalhar por um resultado diferente daquele obtido no segundo turno de 2006: 66% dos votos daquele estado foram, então, para Lula.

2 – Sem Minas, é prioritário buscar um vice que traga votos novos. Quem é ele? Não sei. Mas Álvaro Dias não é. Quem vota em Álvaro dias já votaria em Serra de qualquer maneira. Estou dizendo isso porque quero um vice do DEM? Não. Vou repetir para que fique bem claro: quero Aécio de vice – chapa pura, pois não? Tenho algo contra Álvaro Dias? Também não. Acho que é um dos bons quadros do PSDB. Mas ele não serve para vice porque oferece uma sobreposição de votos quando é preciso conquistar votos novos. É fácil falar isso sem indicar outro nome? Não, não é fácil. É triste. Principalmente quando penso que a obrigação de indicar outro bom nome que não Aécio nunca foi minha – e que quem deveria fazê-lo, ao que parece, não se preocupou com o assunto ao longo dos últimos quatro anos.

3 – Dilma é ruim de discurso? É péssima. Qual a influência concreta disso nas urnas? Quase insignificante, meus caros. O programa do PT na TV e as negativas de participar de debates e entrevistas já apontaram a linha a ser seguida pelo marketing da candidata: pouca exposição. O programa vai ser muito Lula – esqueçam o TSE, ok? -, muitas realizações de governo, muito jingle e pouca Dilma. E os debates? Claro, claro… Serra vai dar um banho nos debates. Mas informem-se sobre os índices de audiência dos debates – principalmente depois do terceiro bloco, quando a coisa realmente esquenta – , antes de contar com eles para virar qualquer tendência. Dilma gaguejando no Jornal Nacional funciona como piada interna da oposição. Mas desconfio que não lhe tire um voto.

4 – Dilma ontem agradou aos socialistas, hoje às socialites? Uma vergonha do ponto de vista ideológico, né? Tema sensacional para inflamar o debate em blogs e fóruns oposicionistas. Mas, no que diz respeito às urnas, é ponto positivo para ela que aprendeu, com louvor, a lição do “mestre” Lula: eleição se ganha dizendo o que as pessoas querem ouvir. Uma ideologia por dia é receita de sucesso eleitoral no Brasil. Não adianta chorar. Tem é que aprender como ser cara-de-pau assim – e como fazer isso melhor do que eles.

5 – As obras do PAC são fictícias? São. Mas espero que não deixem de falar disso nos programas. E não adianta só falar. Tem que ir até lá, mostrar quão fictícias elas são, DESDE A PRIMEIRA SEMANA DE PROGRAMA. Porque Dilma vai mostrá-las quase concluídas, lindas, bem filmadas. Aquela célebre frase de José Serra é uma síntese maravilhosa do jeito tucano de fazer campanha: “Quanto mais mentiras eles disserem sobre nós, mais verdades diremos sobre eles”. É um alento aos corações cansados de tanta baixaria eleitoral, certo? Mas, sinto dizer, sem qualquer efeito eleitoral se quem mente for mais competente em vender o peixe do que quem fala a verdade. A verdade não tem poder, por si só, de operar milagres. É por isso que o vulgo diz: “mais cedo ou mais tarde, a verdade aparece”. Na política, normalmente a verdade aparece mais tarde – tarde demais, arrisco dizer.

6 – O PT mente bem. Usa verossimilhança para mentir. Aprendeu, depois de perder três eleições presidenciais, que só se ganha eleição no Brasil mentindo. Querem ganhar falando a verdade? Ok, isso é mesmo maravilhoso do ponto de vista da ética – embora eu tenha minhas dúvidas sobre a concreta possibilidade de tal coisa funcionar. Mas, se insistem, acho bom encontrarem uma fórmula milagrosa para tornar a verdade mais atraente que a mentira. Estou sendo cínica demais? Pode ser. Fiquei assim depois de ver Geraldo Alckmin vestir uma jaquetinha cheia de logotipos para combater a boataria mentirosa das privatizações. Desculpe se a cena não me sai da cabeça. Mas é o exemplo mais acabado de como a verdade mal explorada é, por si só, impotente diante de uma mentira brilhante.

7 – Mentira, verossimilhança e estética luxuosa. Eis uma coisa que os marqueteiros petistas aprenderam como poucos. Desde o “advento” Duda Mendonça, eles sabem que ninguém quer ver pobre desdentado na televisão. A estética “jornalismo verdade” não conquista votos. Mais uma vez, vamos voltar a 2006: o pobre, nos programas do Lula, era bonitinho, bem arrumado, penteado e banhado. As imagens, coloridas ao exagero. Nunca me esqueço de uma fabriqueta de fundo de quintal – acho que de roupas para bebês – que foi mostrada com tamanha cor e capricho de produção que mais parecia a “Fantástica Fábrica de Chocolates”. Verdade? Não. Verossimilhança. O segredo é oferecer uma imagem na qual o pobre queira se projetar – e não o mundo cão que ele vê todos os dias no Jornal Nacional. Por que estou trazendo o tema? Porque tive calafrios ao assistir o último programa do PSDB. Tecnicamente perfeito, discurso afiadíssimo, o maldito do programa repetia a estética de 2006. Se não estiverem escondendo o jogo e insistirem nisso durante a campanha, estamos perdidos.

8 – Finalmente, as pesquisas. Há maracutaias? Há. Mas, queiram me desculpar, não há tanta maracutaia assim. Uma negociaçãozinha de margem de erro aqui e acolá até aceito. Dirigir um pouco a pesquisa mediante a escolha de determinadas cidades e bairros, ok. Agora, dizer que todos os institutos estão vendidos é um pouco demais para a minha cabeça. É inegável que Dilma cresceu. E as razões são óbvias: qualquer criatura minimamente esclarecida sabe que um governo com 70% de aprovação sugere uma eleição de continuidade. Brigar contra esta realidade é uma rematada burrice – principalmente quando ela se apresenta estável há mais de quatro anos. Achar que Lula não transferiria votos para Dilma foi uma aposta inacreditável de tão amadora. Portanto, se eu quisesse realmente ganhar esta eleição, partiria do pressuposto de que Dilma cresceu e que ela e Serra estão tecnicamente empatados. E trataria de descobrir os motivos da evidente queda de José Serra. Ficar dizendo que ela não existe é loucura. E, pelo-amor-da-santinha esqueçam o tracking. Muita gente acha que, em 2006, se divulgava tracking fictício favorável a Alckmin só para animar a torcida. Não é verdade. O que aconteceu, então, é que o tracking nunca batia com as pesquisas dos institutos. Portanto, não se fiem nesta ferramenta. Não me interessa se é porque ela é “um retrato de momento” e “não pode ser comparada com as pesquisas tradicionais”, blá, blá, blá”. Esqueçam esta merda porque ela não é confiável.

Tendo dito tudo o que penso a respeito da campanha presidencial tucana, aviso que não pretendo mais voltar ao tema. Vou, no máximo, remeter links para este post sempre que considerar adequado – e é por isso que os parágrafos foram numerados. Não tenho tempo, nem paciência, para ficar apontado os mesmos erros de quatro em quatro anos. Vou seguir, claro, falando de política. Mas de estratégia de campanha? Esqueçam. O PSDB que tome suas decisões e faça suas escolhas. De minha parte, vou me limitar a votar em Serra, pedir votos para ele e torcer para que, em outubro, a gente possa comemorar uma vitória.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Índio no país da piada pronta

O comando da campanha de Dilma Rousseff deve estar realmente boquiaberto com o festival de barbaridades cometidas pelo adversário mais forte da ex-ministra na disputa eleitoral deste ano. Para quem sonhava com uma chapa fortíssima, juntando Serra e Aécio, a indicação do deputado de primeiro mandato Índio da Costa para a vice-presidência é realmente um balde de água fria. O democrata de 39 anos já foi três vezes vereador no Rio de Janeiro e subprefeito na gestão de Cesar Maia. Uma bagagem e tanto...

Pode ser que o vice de Serra seja um menino prodígio e este blog esteja totalmente errado. Mas pode ser também que Índio da Costa acabe representando na chapa da aliança demista-tucana um mero badulaque decorativo, imposto por exclusão de outros nomes melhores cotados. Aliás, na verdadeira trgédia que se tornou a escolha do vice, conta menos o perfil pessoal e político de Índio e muito mais o processo que levou à escolha, equivocado desde o primeiro momento. Deixar para escolher o vice aos 45 do segundo tempo é de um amadorismo que espanta qualquer observador.

Os animadores da campanha de Serra na internet cumprem agora o patético papel de dizer que o jovem vice vai agregar votos e trazer sangue novo à campanha, mas eles próprios sabem que o jogo ficou mais difícil a partir de agora. Imaginar que Aécio Neves, o DEM como um todo, Geraldo Alckmin e outras tantas lideranças vão suar a camisa para eleger Serra é tão verdadeiro quanto uma nota de 3 reais. O candidato tucano vai ter que se virar sozinho. Se vencer, poderá massacrar seus pseudo-aliados e governar como quiser. Perdendo, entra na história como mero apêndice de um tempo cujos protagonistas serão bem outros.

Nunca antes neste país...

... alguém fez tanta besteira quanto José Serra na escolha de seu companheiro de chapa.

Difícil imaginar uma lambança maior do que a que ocorreu, ou melhor, ainda está ocorrendo, pois o desfecho não é conhecido. Osmar Dias, irmão de Álvaro, o tucano indicado para vice de Serra, decidiu se aliar ao PT e PMDB e disputar o governo do Paraná. Serra teria escolhido Álvaro para evitar esta hipótese. Comprou uma briga homérica com o DEM, aliado de primeira hora do PSDB. Agora, não faz mais sentido algum manter Álvaro Dias como candidato, uma vez que o efeito desejado não vai acontecer. Se recuar, no entanto, terá passado o recibo de uma humilhação política de enormes proporções. Este blog avalia que Serra perdeu já eleição, como disse Rodrigo Maia, presidente do DEM, e corre o risco de perder também a dignidade. Em 2002, Serra perdeu para Lula no dia em que a PF entrou na Lunus e enterrou a candidatura de Roseana Sarney. O mesmo filme está se repetindo, oito anos depois: Serra peitou o DEM, trucou seis e, ao que parece, vai morrer na praia, sozinho, muito sozinho. Não foi por falta de aviso...

PS: Serra pode ganhar a eleição? Sim, pode, o jogo está apenas começando. Mas Dilma vai ter que fazer muita besteira, muita mesmo para perder.

domingo, 27 de junho de 2010

Ainda sobre o vice

Tucanos parecem gostar de muita emoção. A cada passo, a cada nova frase, a aliança PSDB-DEM-PTB-PPS está realmente fazendo água. Só não vê, quem não quer. Roberto Jefferson diz no Twitter que o DEM é "uma merda", depois apaga a mensagem, sob a alegação de que estava respondendo privadamente a um interlocutor. Não desmentiu o teor, apenas disse que não pretendia tornar pública a sua avaliação. Muito bom...

A verdade é que a candidatura de José Serra à presidência tem um problema de origem que é muito difícil de ser sanado. Serra não gosta do DEM, convive com o partido por conveniência. Sim, é verdade que trabalhou pelo democrata Kassab contra seu correligionário Alckmin, mas Kassab não é propriamente um demista de quatro costados, ao contrário, é mais um tucano no partido errado. E Alckmin, por sua vez, também não é da turma de Serra, tanto que já esboça em seu plano de governo ações bem contrárias às diretrizes de Serra no governo paulista. Alckmin tem a sorte de efrentar Mercadante, um verdadeiro mico em loja de louças, portanto está com um pé no Bandeirantes. Pelo que este blog apurou, porém, vai se limitar a "ajudar" Serra nas agendas que se provarem realmente inadiáveis ou impossíveis de recusa. Assitir jogo da seleção, por exemplo...

A oposição tem pela frente um desafio descomunal. Derrotar uma candidata de um governo aprovado por 85% da população. Para isto, é preciso um mínimo de unidade. Pois unidade, neste momento, não há nenhuma. E as chances desta unidade ser construída durante a campanha estão minguando a cada dia, a cada frase dos líderes do PSDB, a cada movimento de Serra. A escolha de Álvaro Dias, que apoiou Lula contra Serra em 2002, é apenas mais um sinal de uma situação realmente muito complicada para o PSDB. Hoje Serra está como Alckmin em 2006: "o jogo só começa quando a Copa termina". Eleição não é bem assim. Reza a tradição que desde 1945 nenhum presidente se elegeu com chapa pura. Reza a tradição que quem chega em junho na frente, ganha a eleição.

Serra pode ganhar? Sim, pode. Mas pode também acabar em terceiro lugar, a desconhecida do momento é Marina Silva e por menos tempo que ela tenha na TV, será suficiente para que o eleitorado saiba que ela é candidata. Este blog, olhando o cenário e a estratégia possível da oposição, acha que teria sido muito, mas muito mais produtivo o PSDB lançar Aécio com Ciro Gomes de vice do que concorrer com Serra na cabeça da chapa. Aécio também poderia perder, claro, mas seria um belo lançamento de uma alternativa de poder forte e com reais perspectivas de vencer a eleição. Com Serra, isto parece cada vez mais distante.

sábado, 26 de junho de 2010

Degringolou

Quando Lula escolheu Dilma Rousseff para ser a sua candidata à presidência, sabia que era uma aposta de risco. Já o PSDB decidiu apostar no candidato com maior recall, no favorito. Todos os cientistas políticos e analistas especializados diziam que José Serra era o favorito. Este blog sempre achou que Aécio Neves era um nome muito mais forte do que Serra porque conseguiria agregar mais, é um político hábil, afável e com trânsito até mesmo no PT - está lá na prefeitura de Belo Horizonte a prova viva disto, uma vez que Márcio Lacerda foi eleito com apoio do PSDB e PT. Pois a confusão que se instalou após a "decisão" tucana de fechar a chapa com um vice do partido, o senador paranaense Álvaro Dias, revela que este blog estava certo. Serra está cometendo um dos maiores erros políticos de qualquer campanha, desde 1989, e ainda que uma solução alternativa seja arranjada, o mal já está feito.

Sim, porque a aliança com o DEM está contaminada, as desconfianças de parte a parte são insanáveis. Causa espanto que um homem público com a experiência de Serra tenha cometido tamanha estupidez? A este blog, não causa espanto algum. Serra sempre foi assim. Já era estranha a longa espera pela definição do vice, pior ainda saiu a escolha e o modo de divulgação. Tancredo Neves dizia que só se faz reunião política depois que todos os detalhes estão combinados e acertados. José Serra parece ter decidido inverter o sábio conselho: não decide nada, anuncia as decisões e... colhe o que plantou. Se insistir na besteira, perde o DEM e perde a eleição, porque não há cristo que possa eleger alguém que passará a campanha tendo de responder perguntas sobre a falta de capacidade para selar uma mera aliança política. Se não é capaz de unir sua tropa, como poderá governar um país complexo como o Brasil?

Definitivamente, a coisa degringolou. O que se espera daqui em diante é uma sucessão de crises internas na campanha tucana, para dizer o mínimo. Se o DEM cantar "você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão", desta vez o tucanato terá que fazer coro...

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Pesquisas e a tendência eleitoral para presidente

Euforia contida de um lado, desalento completo de outro. A pesquisa CNI/Ibope que revelou a virada no cenário eleitoral, com Dilma Rousseff cinco pontos à frente de José Serra está provocando uma verdadeira guerra nos bastidores da pré-campanha.

No QG tucano, este blog apurou que o clima anda pesado e o marqueteiro Luiz Gonzalez já sofre alguns questionamentos internos. De fato, alguma coisa não está funcionando muito bem, ou Serra ainda estaria na frente da ex-ministra. O problema todo é identificar o que vai mal, e é aí que o bicho pega, porque nem sempre a culpa é do pobre marqueteiro. As reclamações contra "o espanhol" são mais um sintoma do que propriamente a solução dos problemas da candidatura presidencial tucana, errada em sua essência ao apostar tão fortemente no recall do ex-governador de São Paulo. Recall, como se sabe, não é tudo e este blog acredita que fosse Aécio Neves o candidato, o cenário seria bem outro.

Do lado petista, porém, vale a pena lembrar que caldo de galinha e um pouco de prudência não fazem mal a ninguém. Imbatível, neste momento, só o presidente Lula e seus 80% de aprovação popular. Um terceiro mandato seria a coisa mais fácil de se obter, mas o presidente preferiu preservar a sua biografia e vai jogando dentro das regras que já haviam sido estabelecidas, ao contrário de seu antecessor, que virou a mesa durante a partida. Mas também nunca é demais lembrar que a eleição de Lula estava garantida para o primeiro turno em 2006 e só não aconteceu por causa da montanha de dinheiro que apareceu no colo dos aloprados do partido.

Tudo somado, resta evidente que existe, sim, uma tendência em curso, qual seja a do crescimento de Dilma e estagnação ou até certa queda de Serra nas pesquisas. Além do paulistanês marcado do candidato do PSDB, o carisma, ou a falta dele, também não ajuda muito. Marina Silva ainda não disse a que veio, mas conta com a expressiva preferência de 9% do eleitorado. Não é pouca coisa para alguém com baixa exposição na imprensa e mídia em geral.

Este blog continua apostando que em um cenário como o atual, a eleição será decidida no primeiro turno. Dilma já é a favorita, e salvo uma hecatombe que afete profundamente a economia nacional - cenário altamente improvável -, a tendência é mesmo a de mais um mandato petista no comando do país. Serra pode vencer, mas vai precisar acertar todos os seus movimentos e ainda esperar que a adversária erre bastante. Realmente, está ficando complicado para o PSDB e cada vez que as coisas se tornam dificeis no ninho tucano, é grande a chance de desavenças internas que só pioram as coisas para o candidato. Quem viver, verá...

Dunga e a imprensa: much ado about nothing

Muita gente está escrevendo análises profundas sobre o comportamento de Dunga nas recentes entrevistas coletivas e também sobre a "coragem" ou "arrogância" do treinador do escrete nacional. Bem, este blog acha que há um clima artificial de Fla-Flu em torno da questão, que é na verdade muito mais simples do que aparenta. Dizer que Dunga é um herói das esquerdas porque desafiou a poderosa Rede Globo é de um reducionismo ridículo, da mesma maneira que vincular o estilo grosseirão do técnico a um "espírito do tempo", como andam fazendo certos colunistas alinhados ao tucanato é simplesmente uma bazófia.
De fato, a questão parece ser muito mais simples: Dunga é apenas um gaúcho esquentado, com pavio bem curto e que não gosta de convescotes e acordos escusos que distraiam seus comandados da difícil tarefa que têm pela frente: vencer a Copa do Mundo. É preciso ter paciência de Jó para aguentar certas coisas que aparecem na imprensa esportiva, porque qualquer mané travestido de jornalista se acha mais competente do que o técnico da seleção brasileira, seja o técnico quem for. Alguns aguentam firme e relevam as críticas - Carlos Alberto Parreira é um desses homens com coração gelado que preferiam evitar o confronto.
Pois Dunga tem outro perfil e costuma devolver os absurdos que escuta. Daí para dizer que o ex-capitão da seleção é um revolucionário a serviço da democratização dos meios de comunicação é, como diriam os jovens, meio muito. O oposto é ainda mais risível: associar o estilão grotesco do treinador ao modo de operar do presidente Lula, como já saiu por aí, simplesmente não tem pé nem cabeça.
Dunga é ele mesmo, autêntico. De tão grosseiro, chega a ser simpático, caricatura do comandante que "fechou o grupo" e está levando o time da maneira como imaginou desde que assumiu a seleção. Se vencer, palmas para ele, burros são os outros - coleguinhas da imprensa esportiva, inclusive e principalmente. Se perder, sabe que sua cabeça vai rolar e que será o bode expiatório da vez. É do jogo, e Dunga conhece as regras.
Tudo somado, este blog acha que o Brasil tem um time bastante forte e ainda não viu outra seleção capaz de enfrentar os 11 canarinhos de igual para igual. A Argentina, é bem verdade, está fazendo bonito, mas não foi realmente testada (nem o Brasil, diga-se logo). Semana que vem começa a Copa de verdade, ninguém em sã consciência diria que Brasil, Argentina, Alemanha, Itália e Inglaterra ficariam de fora das oitavas...
Ademais, analisando friamente, a aposta do blog para zebra desta Copa é o time do Uruguai, que conta com Diego Lugano, talvez o melhor zagueiro da atualidade, e Forlan, filho de um grande jogador e cujo talento parece ser genético. Desnecessário lembrar que Lugano se projetou no São Paulo Futebol Clube, mesmo time em que jogou o pai de Forlan... O blog, é claro, torce pelo Brasil. Mas já adotou os irmãos do sul como segundo time nesta Copa. Com o Brasil de Kaká, Fabiano, Júlio Batista e Josué ou com o Uruguai de Forlan e Lugano, o tricolor do Morumbi vai acabar bem na fita neste ano de 2010. Evidentemente, ninguém espera uma nova final com os hermanos do sul, porque vai lembrar 1950, uma memória que merece ser apagada da brilhante história do futebol brasileiro. Portanto, força, Dunga, estamos com você!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

O clima não anda bom

Notinhas em colunas publicadas nesta quarta-feira dizem mais sobre a pré-campanha eleitoral do que mil análises de especialistas. Os ventos parecem estar mudando e já anunciaram problemas graves para a candidatura presidencial tucana. Que o candidato esteja curioso para saber o nome de seu próprio vice é bem mais do que uma situação exdrúxula, é um verdadeiro emblema de algo que não tem muito como dar certo. A chapa pode até vencer em outubro, o que nesta altura do campeonato está se apresentando como hipótese remota, mas governar seriam outros quinhentos. Sem vice, sem apoios, sem carisma, o que sobra? É a pergunta que muita gente anda se fazendo Brasil afora. Abaixo, as notas.

Do Relatório Reservado:
Nas hostes tucanas, já há quem esteja devolvendo convite para participar do eventual ministério de José Serra.

Da coluna de Mônica Bergamo:
POÇO DE DÚVIDAS - Fernando Henrique Cardoso confidenciou a interlocutor de sua mais absoluta confiança recentemente que tem sérias dúvidas sobre a possibilidade de José Serra (PSDB-SP) vencer a eleição presidencial. "E olha que estou tentando ajudar", disse o ex-presidente, atualmente em tour pelo exterior -com retorno previsto para o dia 2.


Aos simpáticos leitores que cobram as notas e a frequência do blogueiro neste espaço, fica registrado o sincero agradecimento. Os tempos andam mais corridos, mas a vontade de voltar por aqui para escrever é grande. Antes que perguntem, haverá, sim, post sobre a polêmica da hora: Dunga vs. Globo. Por enquanto, o blog está se divertindo com a briga entre Davi e Golias...

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Perguntar não ofende

O sujeito que tocou a reforma gráfica do jornal Folha de S. Paulo e do site Folha Online (agora Folha.Com) por acaso é o mesmo que criou as palavras cruzadas "Vista Alegre, Olho Grande, Letrão Médio e Letrão Colorido" para o grupo Coquetel?

Dornelles sumiu

Depois que o candidato do PP para assumir a vice na chapa de José Serra (PSDB) sujou o ficha limpa, parece que os tucanos perderam o interesse no minuto e meio a mais que a aliança proporcionaria ao partido na campanha eleitoral no rádio e televisão. Terá sido realmente assim ou tem alguma coisa mal contada nesta história? Afinal, Dornelles era a cereja no bolo para carregar Rio e Minas ao mesmo tempo, agora tucano algum fala mais nele. Fica a dica: a pauta é ótima, ainda há bons repórteres investigativos do país.

Boa análise sobre as pesquisas eleitorais

O ex-prefeito do Rio de Janeiro Cesar Maia é um bom analista de pesquisas. É do DEM, mas não costuma brigar com números, ao contrário, prefere estudá-los. Vale a pena ler o que el escreveu em seu ex-blog. Pelo que se pode perceber do cenário, está faltando sementes fortes e adubo na campanha tucana. É isto que Maia, muito delicadamente, insinua ao longo de seu texto. Se Dilma crescer mais, pode começar a baixar o despespero no campo oposicionista.

DATAFOLHA TAMBÉM MOSTRA EMPATE ENTRE SERRA E DILMA! E DAQUI PARA FRENTE?

1. Usando a lista completa de candidatos, Serra e Dilma empatam em 36% e Marina fica em 10%. Em parte se explica pela maior exposição de Dilma/Lula/PT na TV, nos programas e comerciais partidários. Mas há que se ir além disso. O fato de Dilma ser governo e isso implicar riscos para aqueles que ocupam cargos ou contam com recursos do governo em suas OraNGes, a mobilização desses, pedindo apoio a sua candidata, é muito mais intenso na fase inicial que a mobilização dos que apóiam Serra.

2. Este Ex-Blog já explicou o processo que transforma intenção de voto em decisão de voto, através do 'jogo de coordenação', ou conversa entre conhecidos sobre eleição até amadurecerem seu voto. Lula antecipou esse processo entre os seus, com a campanha que fez apresentando a sua candidata pelo Brasil afora e pela cobertura natural da imprensa.

3. Serra optou por deixar seu lançamento para o momento da desincompatibilização. Com isso, eliminou riscos de desgaste. Com as patinadas iniciais de Dilma, reforçou-se a ideia de seu acerto. Mas, com isso, também atrasou o 'jogo de coordenação'. Para compensar, ao se apresentar como candidato, priorizou a presença nos meios de comunicação. Por essa razão, deixou para um segundo momento a impulsão dos multiplicadores de opinião, ou militância com capacidade de liderança e mobilização.

4. Dilma chegou num ponto previsível de 1/3 do eleitorado ou pouco mais. A curva de seu crescimento tem taxa decrescente, mas essas pesquisas mostram que ainda não se anulou, tornando-se uma reta. Ou seja, pode crescer mais alguma coisa na margem. A Copa do Mundo é uma grande oportunidade para Serra. Os fluxos tardianos de opinamento (Gabriel Tarde, comentado aqui semana passada) tendem a sofrer um desvio em sua atenção. O mais provável é que a pesquisa do final da primeira semana de junho seja semelhante à pesquisa da segunda semana de julho.

5. Os candidatos se inibem durante a Copa para não serem considerados oportunistas pelos eleitores. Assim é um bom momento para as reuniões internas com militância, estimulando o 'jogo de coordenação', que foi retardado pela tática de não pré-lançamento. Para tanto, há necessidade de programação pelo tamanho do país. Claro, exclua-se SP, onde, pelas mesmas razões de Dilma no nível do governo federal, o 'jogo de coordenação' já começou.

6. É tempo, e vale para os dois, de se mergulhar em pesquisas e reflexões, de forma a se testar a Agenda que tem potencial de vitória para um e para outro. Agenda no sentido de tema-ambiente que chega ao imaginário do eleitor. Se a oposição não acertar na Agenda, prevalecerá a Agenda residual da continuidade.

7. Registre-se que, em 2006, o atual patamar em que se encontra Serra foi a votação de Alckmin no primeiro turno (incluindo brancos e nulos), ou 37%. Os carros ainda estão dando as voltas no circuito em busca do melhor posicionamento no grid de largada. Mas lembre-se que, na F1, definido o grid de largada, tudo para e se recomeça com os carros parados no dia seguinte. Nas eleições, os carros nunca param de correr, para frente ou para trás ou no mesmo lugar ou em diagonal.

8. Propaganda é irrigação. Sem sementes fortes e adubo, nunca será suficiente.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Tarde para uns, cedo para outros

Aconteceu de novo, como bem reparou um amigo do blog. O presidenciável José Serra voltou a se irritar com a imprensa e até seus aliados atribuiram o fato ao horário da coletiva - 9h da madrugada. Este blog está curioso para ver a performance do tucano no Bom Dia Brasil, mas já desconfia que neste dia ele só irá dormir após a entrevista...
A seguir, o relato da Folha Online sobre o novo piti de Serra. Relaxa, candidato!

Serra afirma que vai criar Programa de Aceleração da Saúde e da Segurança

GABRIELA GUERREIRO
da Sucursal de Brasília
da Reportagem Local

O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou em entrevista coletiva em Brasília que, caso seja eleito, vai criar o PAS (Programa de Aceleração da Saúde e da Segurança).

Sem dar detalhes sobre como seria o programa, Serra disse querer retomar melhorias na área da Saúde, como a realização de mutirões.

O tucano já disse em outras oportunidades que vai criar o ministério da Segurança caso chegue ao poder.

Serra afaga prefeitos, critica PT e promete criar força nacional contra calamidades
Prefeitos sabatinam presidenciáveis em Brasília
Marina defende comprometimento ético e critica governos na questão ambiental

Serra demonstrou irritação durante a entrevista, concedida logo após sabatina com prefeitos. O ápice do mau humor foi ao responder a um repórter sobre a possibilidade de extinguir o Bolsa Família. "Por que a pergunta? Eu gostaria de saber a fonte. Isso é uma mentira. Vou fortalecer o Bolsa Família."

O ex-governador de São Paulo também disparou contra o governo federal. "Toda a máquina pública está leiloada entre os partidos." Para ele, as agências reguladoras viraram lugares de "apadrinhamento político" com "gente despreparada" para enfrentar questões de governo.

Aliados de Serra dizem que o ex-governador estava mau humorado esta manhã porque teve que acordar cedo. O debate com os prefeitos estava marcado para às 9 horas. Serra estava no Twitter ontem até de madrugada.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Deixa o homem descansar!!

Tá explicada a falta de educação de Serra com a jornalista e tucana Míriam Leitão: a entrevista foi as 8h da madrugada. Ele mesmo reconheceu, como segue abaixo:

Da Agência Estado.
O pré-candidato do PSDB à Presidência da República, o ex-governador José Serra (PSDB), defendeu hoje que o presidente da República acompanhe de perto a atuação do Banco Central (BC). “O BC deve ter autonomia para o seu trabalho dentro de certos parâmetros, que são os interesses da estabilidade de preços e do desenvolvimento da economia nacional”, disse o tucano após participar, na capital paulista, da abertura da APAS, feira do setor de supermercados.
Em entrevista à rádio CBN, na manhã de hoje, Serra disse que se eleito, daria opiniões sobre a atuação do BC. De acordo com o tucano, o BC “não é a Santa Sé” e não está “acima do bem e do mal”. “Agora quem acha que o Banco Central erra é contra dar autonomia de trabalho dele?”, disse o presidenciável. Questionado agora à tarde sobre o assunto, Serra esclareceu que não pretende, se eleito, mudar a relação entre o governo federal e o BC.
“O presidente nomeia a Presidência e a diretoria do Banco Central. Naturalmente, acompanha (o trabalho da instituição). Como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez, como o presidente Luiz Inácio Lula da Silva faz e como qualquer presidente da República faz também”, disse. “Você escolhe presidentes (do BC), então você sempre tem condições de dialogar”, acrescentou. Para o tucano, a gestão atual do BC “trabalha direito”, e Lula acompanha a atuação da autoridade monetária.
De acordo com Serra, o fato de o presidente da República indicar a diretoria do BC já mostra a proximidade que haverá entre eles. “Você vai escolher alguém com quem tenha uma razoável proximidade. Não vejo nenhuma relação conflitiva nisso”, esclareceu.
Depois de responder de forma ríspida sobre a questão monetária à jornalista Miriam Leitão em entrevista na CBN, Serra tentou, agora à tarde, contemporizar. Disse ser “um grande admirador” da jornalista e atribuiu o tom de suas respostas ao horário. “Não fiquei incomodado (com as perguntas). Eram oito horas da manhã. Você espera que eu chegue sorrindo, como eu chego aqui?”, questionou.


Realmente, a CBN está a serviço de Dilma Rousseff: marcar entrevista com Serra às 8h é inconcebível. O Bom Dia Brasil, então, é um verdadeiro QG petista. Se ele aparecer por lá às 7h, é capaz de malhar até os colegas Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo...

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Míriam vs. Serra, na íntegra

Direto do blog de Míriam Leitão, que NÃO comentou o embate, a íntegra da refrega. O que espanta é o mau jeito com uma jornalista tão simpática ao tucanato. Dá para imaginar como o ex-governador Serra trataria alguém que realmente discordasse de suas opiniões? Melhor nem pensar no assunto...

NA CBN
Serra: "Tripé da política econômica veio para ficar"

Vejam abaixo, na íntegra, a entrevista na CBN com o pré-candidadato do PSDB, José Serra.

Míriam Leitão - A grande dúvida na economia é se o senhor vai respeitar a autonomia do BC. O senador Sérgio Guerra já disse que o senhor mudaria a política cambial e monetária, depois tentou se explicar, mas ficou essa dúvida no ar. A dúvida também é por declarações suas feitas no passado e por declarações feitas agora também. A sensação que se tem é que, se por acaso o senhor for eleito, vai ser também o presidente do BC. Queria saber isso.

José Serra - "É brincadeira de que eu eleito presidente da República vou ser presidente do BC. É preciso não me conhecer. Quem faz um rumor assim é falta de assunto, desejo de criar outros problemas.

ML - O senhor respeitará a autonomia do BC?

JS - A questão dos juros, a questão do câmbio... Ninguém, em sã consciência, pode defender a posição de que, quando há condições para baixar a taxa de juros, o BC não baixa, está certo. Isso não significa infalibilidade. A questão do tripé famoso que veio do governo passado que, se não me engano, fui eu até que apelidei de tripé (câmbio flutuante, responsabilidade fiscal e meta de inflação) veio para ficar. Não baixar os juros num contexto que não tinha inflação simplesmente foi um erro. As pessoas que conhecem melhor, mesmo dentro do mercado financeiro, sabem disso. Agora, se alguém se assusta porque eu acho que a taxa de juros deve cair quando a inflação está caindo, quando tem quase deflação, é porque tem uma posição muito surpreendente do ponto de vista dos interesses do Brasil. Por outro lado, a mesa da economia brasileira, que estava no chão, eu ajudei a erguer. Todo mundo que me conhece sabe que eu não vou virar a mesa coisa nenhuma.

ML - Mas a dúvida é exatamente esta. Quando o senhor fala que foi um erro do BC, se por acaso o senhor for presidente ...

JS- Espera um pouquinho.

ML - Deixa eu completar a minha pergunta.

JS - Espera um pouquinho. O Banco Central não é a Santa Sé. Você acha isso, sinceramente, que o Banco Central nunca erra? Tenha paciência.

ML - Governador, deixa eu fazer a minha pergunta.

JS - Agora, quem acha que o Banco Central erra é contra dar condições de autonomia e trabalho ao Banco Central? Claro que não. Agora, de repente, monta-se um grupo que é acima do bem e do mal, que é o dono da verdade e que qualquer criticazinha já vem algum jornalista, já vem o outro e ficam nervosinhos por causa disso. Não é assim. Eu conheço economia, sou responsável, fundamento todas as coisas que penso a esse respeito. E, a esse propósito, você e o pessoal do sistema financeiro podem ficar absolutamente tranquilos que não vai ter nenhuma virada de mesa.

ML - Governador, deixa eu fazer a minha pergunta que eu não consegui completar. A questão não é se o BC é infalível, ninguém é. Mas se o senhor, quando se deparar com um erro do BC, caso seja presidente, ficará apenas com sua opinião ou vai interferir. A questão não é a taxa de juros.

JS - Imagina, Míriam, o que é isso? Mas que bobagem. O que você está dizendo, você vai me perdoar, é uma grande bobagem. Você vê o BC errando e fala: "Não, eu não posso falar porque são sacerdotes. Eles têm algum talento, alguma coisa divina, mesmo sem terem sido eleitos, alguma coisa divina, alguma coisa secreta tal que você não pode nem falar: Ó, pessoal, vocês estão errados". Tenha paciência".


Serra: arrogância ou firmeza?

A reportagem abaixo descreve a entrevista de José Serra à rádio CBN. O leitor pode tirar as conclusões, mas chama a atenção o fato de, pela segunda vez, o ex-governador José Serra ter perdido a paciência com um jornalista. Na semana passada, acusou de "partidária" uma repórter que procurava saber a opinião do presidenciável tucano sobre o mensalão do DEM, no Distrito Federal. Amigo de Arruda, Serra respondeu rispidamente. O que chama atenção agora é que Serra perdeu a paciência com Míriam Leitão. Não chegou a acusá-la de partidária porque soaria ridículo - Míriam é uma das colunistas mais críticas do governo Lula em atividade na imprensa brasileira.

Bem, os candidatos sabem o que fazem e são bem grandinhos para lidar com a repercussão de seus atos. Ou bem Serra quer vencer os jornalistas no grito - não vai conseguir - ou está mal assessorado, pois na tentativa de passar uma imagem firme, acaba parecendo arrogante, o que fica bem mais claro no áudio da entrevista.


Serra diz que BC não é a Santa Sé e se rotula candidato de esquerda

da Reportagem Local
Atualizado às 10h28.

O pré-candidato do PSDB à Presidência, José Serra, afirmou nesta segunda-feira que a taxa de juros no país deveria ter sido reduzida no passado e destacou que o Banco Central não é a Santa Sé, ao comentar sobre a autonomia do BC.
Serra demonstrou irritação ao ser questionado sobre também agir como presidente do BC, se eleito. O tucano defendeu a autonomia do BC, mas afirmou que se houver "erros calamitosos", o presidente deve interferir e opinar. "O presidente tem que fazer sentir sua posição."
"O Banco Central não é a Santa Sé. Não sou contra incentivos tributários, mas é preciso um mecanismo que não puna os municípios", disse ele em entrevista à rádio CBN.
Segundo ele, o Brasil continua com a maior taxa de juros do mundo. Como alternativa, defendeu uma política de médio e longo prazo para evitar a alta da taxa como mecanismo de conter a inflação.
Serra foi questionado sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter dito, em entrevista ao jornal espanhol "El País", sobre a certeza da vitória do PT nas eleições. O tucano afirmou que isso é normal, estranho seria Lula ter dito o contrário, e destacou que mais importante foi a declaração de que qualquer candidato que vencer as eleições não trará "nada de absurdo" para o Brasil.
Para o tucano, essa foi uma afirmação importante porque é quase um "jogo de terrorismo" dizer que se o candidato do PT não vencer, haverá uma calamidade no país. "O Lula não deve estar preocupado, tanto como imaginam, se a candidata dele [Dilma Rousseff] não ganhar."
Serra também defendeu um estado forte, "musculoso, mas não obeso", e afirmou que do ponto de vista da análise convencional, é de esquerda. "Defendo um projeto de desenvolvimento nacional para o Brasil, defendo o ativismo governamental."
O tucano afirmou que, se eleito, irá criar o Ministério da Segurança. "É uma coisa indispensável no Brasil, o consumo de drogas e o tráfico de armas é alimentando no exterior. O governado federal tem que jogar, não pode se esquivar mais."
Serra destacou como suas prioridades a segurança, a saúde e a educação. Segundo ele, o Bolsa Família deve ser mantido. "Ele ajuda os necessitados, mas precisa ser fortalecido."
Vice
O tucano evitou comentar sobre o nome que irá compor sua chapa como vice. "Não estou me metendo muito nesse assunto. Vai ser alguém da base aliada, mas qualquer coisa que eu disser aqui vai dar margem à fofoca."
Serra afirmou que não vai lotear cargos e nem aparelhar o Estado com o PSDB.