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Sobre a reeleição sem limites

Ainda é cedo para saber, mas parece que Hugo Chávez venceu o plebiscito sobre a reeleição ilimitada na Venezuela. A mídia conservadora vai malhar o presidente venezuelano até mais não poder, é claro, mas a questão de fundo nesta história toda é uma só: o sistema democrático de governo deve limitar a vontade popular? Não se trata aqui de defender a perpetuação de um homem no poder, mas de uma questão teórica: se um povo decide, pelo voto nas urnas, que a regra do jogo deve permitir reeleições sucessivas para determinados cargos, porque esta decisão, tomada dentro das regras democráticas, deve ser ignorada em nome de uma suposta defesa deste mesmo povo? Há muitos exemplos históricos de presidentes ou líderes que duraram muito mais do que dois ou três mandatos, em regimes democráticos. Na Europa, há os casos de Miterrand e Tatcher, ninguém jamais acusou a França e Inglaterra de ditaduras. Ok, há quem diga que no parlamentarismo o sistema é outro e permite este tipo de permanência do chefe...