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Mostrando postagens com o rótulo jornalismo

Mudanças na mídia: teles em ação

Conforme adiantado neste blog – ainda não era possível contar a história toda –, vale a pena comentar um pouco as mudanças em curso no sistema de comunicação do Brasil. Muita gente já percebeu, mas talvez não tenha ainda a real dimensão do que está ocorrendo. A cada dia que passa, fica mais claro o posicionamento das operadoras de telefonia - fixa e móve -, que apenas aguardam modificações na legislação para entrar de cabeça no mercado de mídia - televisão, especialmente. Na internet, veículo em que as teles já podem atuar, é possível perceber o movimento de forma bastante clara. Vamos aos fatos concretos. Na semana passada, o Observatório da Imprensa , site do qual este blogueiro é Editor Executivo, foi comunicado pelo portal iG, hoje umbilicalmente ligado à operadora Oi, que o contrato de hospedagem e fornecimento de conteúdo não seria renovado. A partir de dezembro, o Observatório estará hospedado em outro servidor e deixará de receber a mensalidade que o iG pagava - um recurso im...

Jornal Oi?

Segundo informação do jornalista Lauro Jardim, da coluna Radar (revista Veja ), a operadora Oi está com a intenção de comprar um jornal. A Oi é dona do iG e recentemente contratou Eduardo Oinegue, ex- Veja , para comandar uma reestruturação do jornalismo do portal. A informação de Jardim é boa e o mercado de jornalismo deverá ter outra boa mexida no ano que vem. Um novo jornal é uma operação arriscada, comprar uma marca já conhecida torna as coisas mais simples. Há alguns títulos disponíveis ou cujos acionistas aceitam conversar sobre o assunto. No fundo, muita coisa vai mudar no cenário da mídia brasileira com a entrada das teles no jogo. Até aqui, elas têm sido bem tímidas, aguardando a definição do marco regulatório do setor (PL 29, especialmente), antes de começar a investir.

Informação relevante

Está no blog do jornalista Reinaldo Azevedo: IMPRENSA – Mudança no iG Este blog apurou que o jornalista Eduardo Oinegue vai dirigir o portal iG, de Carlos Jereissati. Oinegue, no seu tempo de Veja , era da tropa de choque antilulista. O iG abriga, entre outros blogs, os de Luis Nassif e Ricardo Kotscho. Não é preciso ser um gênio para concluir: ou mudou Oinegue ou mudou o iG. A informação destas Entrelinhas é que la plata muda muita coisa neste mundão de Deus.

Jornalista também tem ficha corrida?

Comentário interessante de Roberto Jefferson, em seu blog . Animal de estimação Com o Senado prometendo mais uma semana de crise depois das declarações da ex-secretária da Receita Federal, Lina Maria Vieira, um velho animal de estimação é colocado na Casa: a capivara. A capa da Folha de S. Paulo diz que um terço dos senadores responde a algum tipo de processo perante a Justiça. A matéria traz a capivara destes 27 membros do Senado. Aliás, a capivara, não é de hoje, é a melhor amiga dos jornais. Imagina se a moda pega e só pudesse escrever em jornal os profissionais que não tivessem processos contra si na Justiça... É para se pensar...

Precisão é tudo

Esta lá no G1, portal da gloriosa Rede Globo: Espírito Santo Homem é suspeito de engravidar menina de 11 anos Bom, mulher é que não poderia ser... Agora, cá prá nós, o chapéu "Espírito Santo" de fato levanta uma ligeira dúvida sobre o verdadeiro autor da maldade.

Para ver e pensar

Foto "gentilmente retirada" do blog Nos dias de hoje . É uma frase e tanto, bom tema de reflexão para os coleguinhas, diplomados ou não...

Furo da Folha: Simonal era dedo-duro, sim

O que vai abaixo é uma boa contribuição do repórter Mário Magalhães, da Folha de S. Paulo , sobre o "Caso Simonal". Há um filme em cartaz sobre a história do cantor e muita gente saiu por aí reclamando da injustiça das esquerdas com o já falecido artista. Bem, parece que a coisa não foi bem assim, conforme revela o furo da Folha . Simonal 3.540/72 PROCESSO A QUE A FOLHA TEVE ACESSO EXPLICITA COLABORAÇÃO ENTRE CANTOR E O DEPARTAMENTO DE ORDEM POLÍTICA E SOCIAL; EM VIDA, ARTISTA DESMENTIA VÍNCULO COM ÓRGÃOS DE SEGURANÇA MÁRIO MAGALHÃES , DA SUCURSAL DO RIO Wilson Simonal de Castro, um dos mais talentosos cantores do Brasil em todos os tempos, declarou formalmente em 1971 que era informante do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), a polícia política do antigo Estado da Guanabara. Seu depoimento na polícia foi avalizado reiteradamente em processo judicial por seu advogado Antonio Evaristo de Moraes Filho. A declaração de Simonal e a confirmação de Evaristo nunca foram d...

Coisa rara: a Folha está certa

O editorial do jornalão paulista sobre a questão do diploma está corretíssimo e merece ser reproduzido aqui. É tão simples esta questão que causa realmente um certo estranhamento a reação destemperada dos estudantes de jornalismo e de certos coleguinhas sindicalizados. Não há razão para pânico, pessoal, jornalistas com e sem diploma já convivem nas redações há muito tempo. Na hora de contratar, os jornais farão como as agências de publicidade fazem: olham o currículo, realizam provas e entrevistas, e escolhem os melhores, independente do curso que fizeram. Que diferença, afinal, existe entre as profissões de publicitário e jornalista? Nenhum estudante enfurecido até agora conseguiu explicar... Abaixo, o editorial da Folha . E vamos em frente. Um jornalismo melhor Extinguiu-Se finalmente, numa decisão histórica tomada pelo Supremo Tribunal Federal, a exigência de diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão. Originária de um decreto-lei promulgado pelo regime mi...

Um jornalista entre fatos e astros

O que vai abaixo é mais um artigo do autor do blog para o Observatório da Imprensa . Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas . GETULIO BITTENCOURT (1951-2009) “Boa tarde, juventude!” Durante oito anos, entre 2000 e 2008, me acostumei ao cumprimento diário e sempre eloquente de Getulio Bittencourt, primeiro no site PanoramaBrasil e logo em seguida no DCI – Diário do Comércio, Indústria e Serviços. Foi um convívio longo e intenso, durante o qual aprendi alguns dos muitos segredos da profissão, que ele dominava como poucos. Mais do que jornalismo, porém, o que ficou da convivência, interrompida de forma definitiva com sua morte, na noite de sábado (6/6), foi um exemplo de caráter e sensibilidade, além do enorme respeito por sua história de superação, ao longo de toda uma vida. Getulio era um jornalista excepcional, vê-lo trabalhando foi um privilégio e um aprendizado. A célebre entrevista com o general João Figueiredo que lhe valeu o Prêmio Esso, realizada em 1978 para a Folha de ...

Um bom artigo sobre o futuro dos jornais

O professor Bernardo Kucisnki escreveu para a Agência Carta Maior o texto que vai abaixo. É uma interessante reflexão sobre a crise dos grandes jornais mundo afora. Um cenário infelizmente bastante difícil para os impressos, especialmente nos países desenvolvidos. No Brasil, vale lembrar que o espaço para crescimento é bem maior em função da aumento do mercado leitor, que era muito pequeno dado o enorme contingente de analfabetos (funcionais ou não) e pessoas sem renda suficiente para poder comprar jornais. Com a universalização da educação e aumento da renda dos mais pobres, surge um novo público, como atesta o crescimento dos jornais populares, que crescem muito mais do que os títulos tradicionais. Ainda assim, é provável que os três fatores apontados por Kucinski (concorrência com a internet, estrangulamento do crédito e retração do mercado publicitário) tenham efeito por aqui também. Aliás, tais efeitos já começaram a ser sentidos. Abaixo, a íntegra do artigo do professor. De repen...

Ótima idéia de Haddad

O ministro da Educação, Fernando Haddad, teve uma excelente idéia: liberar o exercício da profissão de jornalismo para todos que possuam diploma de ensino superior em qualquer área. Este blog defende que todo brasileiro alfabetizado possa excercer a profissão, mas isto os dinossauros da Fenaj não aceitam de maneira alguma. Assim, a idéia de Haddad pode ser um avanço, embora também vá provocar arrepios nos defensores do canudo exclusivo (que poderia ter outros usos, aliás bem mais apropriados, a julgar pelo que escrevem tantos diplomados). E antes que alguém pergunte, o autor destas Entrelinhas está na profissão desde 1994 e graças ao bom Deus não tem deproma de jornalista. É formado em História pela Universidade de São Paulo e fez 3 anos de Administração Pública na Fundação Getúlio Vargas, curso que abandonou para trabalhar na redação da Folha de S. Paulo , onde aprendeu o que precisava para seguir na carreira como jornalista.

Barrigão, dos grandes

Depois do papelão de anunciar a queda de um avião na zona sul de São Paulo no site G1, bem que a Globo podia abrir a escalada do Jornal Nacional com a manchete estrondosa: "Avião não cai em São Paulo". Barriga tão grande faz lembrar uma história que os jovens e os não iniciados em jornalismo talvez não se conheçam: o saudoso Notícias Populares , que tanta falta nos faz, certa vez publicou, na capa, a insinuação de que o cantor Ronnie Von seria homossexual. Era uma acusação bem direta, mas a legítima esposa do cantor pediu direito de resposta. O NP , que perdia o amigo, mas não a piada, não deixou por mesmo e deu logo na manchete: "Mulher diz que Ronnie Von não é veado"...

Ainda sobre a despedida do Ombudsman

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para a edição desta semana do Observatório da Imprensa . Na íntegra, para os leitores do blog. LEITURAS DA FOLHA A estranha despedida do ombudsman A despedida do jornalista Mário Magalhães do cargo de ombudsman da Folha de S.Paulo, em artigo publicado no domingo (6/4), está com toda a cara de ser o prenúncio de uma mudança bastante significativa na linha editorial do jornal, que de certa forma já vem tomando corpo há algum tempo. Não é possível, neste momento, afirmar que a "não-renovação" do contrato de Mário Magalhães é um "marco divisório" porque as mudanças ainda não foram totalmente concretizadas, mas o futuro provavelmente dará razão a quem apostar que a Folha está encerrando um ciclo neste início de ano. Em primeiro, é bom analisar as alegações formais contidas no texto de Mário Magalhães para o rompimento do contrato – o primeiro desde que o jornal instituiu o cargo de ombudsman, em 1989. De acordo com...

Ombudsman deixa o cargo por discordar
de decisão da direção da Folha de S. Paulo

Este blog sempre elogiou muito o trabalho do ombudsman da Folha de S. Paulo , Mário Magalhães, cujo mandato terminou e não foi renovado pela direção do jornal. Segundo o agora ex-ombudsman, a Folha lhe propôs a renovação do mandato com a condição de que ele deixasse de publicar as críticas internas na internet, medida com a qual ele não concordou. Com o impasse, Magalhães deixou o cargo. Ainda segundo o que escreveu Mário Magalhães, a direção da Folha alega que a crítica interna estava sendo aproveitada por jornais concorrentes, o que acaba prejudicando o diário da Barão de Limeira. Ora, se isto é verdade, ocorria desde 2000, quando a crítica passou a ser publicada na internet. Ademais, Magalhães argumenta que é impossível manter o sigilo de uma crítica interna que passará a ser distribuída por e-mail a uma centena de pessoas (os jornalistas e a cúpula da Folha ). A motivação do jornal para tirar da internet a crítica interna pode até ter sido de ordem comercial ou estratégica, conf...

Uma nova Escola Base?

O episódio da morte da menina Isabella Oliveira Nardoni, de 5 anos, que está comovendo o país, e é um desses casos policiais repletos de mistérios e que pode até ter um final surpreendente. A partir da história contada pelo pai e pela madrasta da menina à polícia, as suspeitas se voltaram justamente contra o casal, especialmente o pai: segundo o relato, ele teria subido para o apartamento com Isabella já adormecida, colocado ela na cama, trancado a porta e retornado para a garagem a fim de ajudar sua mulher a subir com os dois filhos do casal, meio-irmãos da garota. Quando enfim os dois voltaram ao apartamento com as crianças, a porta estaria aberta, a luz do quarto dos irmãos de Isabella, acesa e a rede de proteção, cortada. Por ali a menina teria sido jogada para a morte. Uma série de indícios, porém, colocaram em xeque a versão do pai e da madrasta: havia vestígios de sangue no apartamento, Isabella parece ter morrido por asfixia e quebrou apenas um pulso na queda. Há também o rela...

Morre Sérgio de Souza, da Caros Amigos

O bom jornalismo brasileiro perdeu Sérgio de Souza, 73, na madrugada desta terça-feira. Editor da revista Caros Amigos e com uma folha de excelentes serviços prestados à democracia e ao país, ele será cremado nesta tarde em São Paulo. Leia abaixo a nota da Caros Amigos sobre o falecimento de Sérgio de Souza. Foi-se Sérgio de Souza, o nosso Serjão "Morreu em São Paulo aos 73 anos o jornalista Sérgio de Souza, o Serjão. Operado dia 10 de março de 2008 em razão de uma perfuração no duodeno, morreu em decorrência de complicações na madrugada de hoje, terça-feira, 25 de março, no Hospital Osvaldo Cruz. Sérgio deixa viúva a jornalista Lana Nowikow, com quem teve três de seus sete filhos. Nascido em 1934 no Bom Retiro, bairro tradicional no centro da capital paulista, Serjão era um autodidata. Não chegou ao curso “superior”, mas fez-se na rua e nas redações “doutor” em jornalismo. Bancário, recém-casado, viu uma notícia na Folha de S. Paulo no fim da década de 1950, do tipo “você quer...

Jornalismo e (falta de) sensibilidade

Vale a pena ler o comentário abaixo, do jornalista Luiz Weis, no blog Verbo Solto : Uma atrocidade e duas notícias A banalidade do mal é um problema para a imprensa. Se o homicídio fosse uma raridade, cada caso seria manchete. Em São Paulo, faz pouco, houve um dia sem uma única morte violenta. Foi notícia. Agora, para virar notícia de chamar a atenção, um crime precisa ser distinto – literalmente. Essa, pelo menos, é a lógica do jornalismo “que vende”. Por esse critério, violência polícial é notícia velha. Que pode haver de essencialmente novo na história de um adolescente preso por suspeita de roubo e que aparece morto – a choques elétricos? Nada, deve ter raciocinado quem decidiu reduzir a 11 linhetas, na seção de pirulitos Pelas Cidades, do Estado de hoje, a história de Carlos Rodrigues Júnior, 15 anos, morto pela PM na madrugada de sábado, em Bauru, no interior paulista. Mas a repetição dos horrores do gênero não embotou a sensibilidade dos editores da Folha, que deram meia página ...

Caso Lancellotti: dois pesos e duas medidas

Está impecável o comentário de Luiz Weis sobre o comportamento da Folha de S. Paulo na cobertura do episódio envolvendo o padre Júlio Lancellotti. O jornalista do Estadão observa em seu blog Verbo Solto que a Folha deu o título "Ex-interno diz que fazia sexo por dinheiro com padre" chamada de primeira página (saiu acima da dobra e com destaque), no último dia 28/10. Na edição desta quinta-feira, continua Weis, a mesma Folha publica matéria no caderno Cotidiano com o título "Polícia conclui que padre Júlio sofreu extorsão". "Na primeira página, nada, nem uma única palavra sobre o caso", conclui o jornalista na nota "Depois da apelação, a omissão"

Ainda sobre o diploma de jornalismo (2)

Quem acompanha essas Entrelinhas sabe o que pensa o autor do blog sobre o diploma de jornalismo. Ainda mais brilhante do que um inteligente comentário de Carlinhos Brickman, reproduzido aqui , sobre o fim da exigência do canudo para o exercício da profissão é o texto do experiente jornalista Paulo Sotero, publicado sábado no Estadão e reproduzido abaixo, na íntegra. Aliás, o pessoal da Fenaj devia olhar em volta e tentar achar algum grande jornalista que defenda o deproma ubrigatório . Do jeito que as coisas andam, vai ser difícil... Pelo bom senso e a democracia Paulo Sotero Equivocam-se os sindicatos e associações de jornalistas em sua campanha para reverter a decisão preliminar do Supremo Tribunal Federal que declarou inconstitucional a exigência do diploma de curso superior de jornalismo para o exercício da profissão. As transformações que as inovações tecnológicas produzem nos meios de comunicação e o interesse inerente dessas organizações no aprimoramento da imprensa e na preser...