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Mostrando postagens com o rótulo análise

Wagner Iglecias: azul e amarelo

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, o professor Wagner Iglecias analisa a última rodada de pesquisas sobre a avaliação do governo Lula. A seguir, a íntegra do texto. Pesquisas de avaliação de desempenho do governo são cada vez mais comuns no Brasil. Tradição em democracias mais antigas, as pesquisas vão se tornando uma rotina entre nós. Embora a variação dos números relativos ao humor da população brasileira em relação a Lula e a seu governo não seja das maiores nas sondagens recentes, feitas inclusive por empresas diferentes, interpretações sobre elas há para todos os gostos. Como seria natural, quem apóia ou simpatiza com o governo destaca os números mais favoráveis ao presidente e ao Palácio do Planalto, enquanto aqueles que lhe fazem oposição buscam destacar os índices menos vistosos. O fato é que, independentemente dos olhos que lêem as pesquisas, os números de todas elas vêm atestando, desde pelo menos meados de 2006, uma franca recuperação na popularidade de Lula e a man...

Wagner Iglecias: Oposição em crise?

Em mais uma colaboração para o blog, o cientista político Wagner Iglecias analisa as dificuldades do PFL e PSDB em fazer uma oposição responsável ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A seguir, a íntegra do texto de Iglecias. Definitivamente, ser de oposição no Brasil não é fácil. O presidencialismo brasileiro, embora não confira maioria automática ao presidente de turno no Congresso Nacional, dá ao Poder Executivo um poder de atração para si sobre as mais diversas correntes políticas, sempre sequiosas em dividir o poder com aquele agraciado pelas urnas para o cargo de primeiro mandatário da nação. Isso tem ocorrido em nossa história recente de forma cíclica, e no caso específico do atual governo, o sistema político parece ter como referência primeira e última a figura do presidente Lula, eleito e reeleito com uma enormidade de votos. Num modelo assim é dificil resistir nas trincheiras da oposição, tal como vemos com alguns partidos que ou vem encolhendo desde o final do ...

Boaventura de Sousa Santos: Lula e a esquerda

Este blog recomenda vivamente a leitura do artigo abaixo, de Boaventura de Sousa Santos, publicado nesta quarta-feira na Folha de S. Paulo. Trata-se de uma lúcida análise da situação que emerge após a reeleição do presidente Lula. A seguir, a íntegra do artigo. DEPOIS DA inesperada fragilidade revelada no primeiro turno, a vitória retumbante de Lula no segundo deixou o mundo estupefacto. É um acontecimento político notável, e o mérito cabe por inteiro a Lula. Só ele poderia reacender o entusiasmo da mobilização em milhares de militantes magoados e desiludidos pelos desacertos da sua política durante o primeiro mandato. Mas as razões do seu êxito são bem mais profundas e merecem reflexão. A vitória de Lula representa um "choque de realidade" para as elites políticas que governaram o Brasil até 2002. A distância e a arrogância que as separam do país real e a acumulação histórica de ressentimento que isso criou entre as classes populares não lhes permitiram aproveitar as fr...

Jorge Rodini: o rodapé da história

Aos poucos, o blog vai voltando à rotina. O intuito dessas Entrelinhas, é sempre bom lembrar, é o de oferecer um espaço para o debate sobre política e mídia. A participação dos colaboradores – o blog já tem a honra de contar com os cientistas políticos Wagner Iglecias e Ricardo Musse e o diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, Jorge Rodini – é salutar para que este debate ocorra. No comentário de hoje, Rodini comenta o cenário pós-eleitoral. Publicamos também o texto de Jorge Rodini enviado logo após as eleições e que em função das férias acabou não saindo. Embora se refira a um contexto que já parece distante, o texto continua vivo como explicação para a consagradora vitória do presidente nas urnas em 29 de outubro. A seguir, os dois comentários. O segundo mandato já começou, em clima de férias, porém também de negociações. Controladores de vôo descontrolados, deputados e senadores pensando em mudar de partido, o Presidente querendo consertar erros do início da gestão ...

Maestri 1: esquerda do PT x PSOL/PSTU

Os trechos do texto de Mário Maestri seguirão em corpo normal e os palpites do blog, em azul. Vamos aos comentários. Nas eleições apenas concluídas, o que valeu mesmo foi a nota preta, como assinalam sem pudor os dados publicados pela grande imprensa. As urnas reelegeram sem dificuldades eminências petistas acusadas de corrupção, que gastaram comumente mundos e fundos na campanha, e dizimaram a social-democracia de esquerda, sem o mesmo acesso franco aos grandes doadores – DS, Articulação de Esquerda, Força Socialista, O Trabalho, etc. O professor comete aqui duas injustiças no mesmo parágrafo. Várias "eminências petistas" envolvidas com o escândalo do mensalão não se elegeram (Professor Luizinho, João Magno e Josias Gomes) e não dá para comparar a performance das tendências de esquerda do PT com o desempenho dos governistas do partido. Muito mais correto seria comparar o desempenho de cada uma dessas tendências com o PSOL e PSTU. Neste caso, restaria provado que permanecer n...

Falta de projeto derrotou Alckmin

A eleição presidencial caminha para o desfecho esperado, com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ampla margem de votos. É bem verdade que o percurso foi mais complicado para Lula do que se imaginava, com a disputa sendo postergada para o 2° turno após o episódio da tentativa de compra de um suposto dossiê contra políticos tucanos. No PSDB, poucas lideranças ainda tentam disfarçar algum otimismo com a eleição de domingo, mas nos bastidores o que se vê é o início de uma crise – situação natural em qualquer derrota, é bom que se diga – para lavar a roupa suja e achar os culpados para o desfecho infeliz. O senador Álvaro Dias (PR), por exemplo, se antecipou e já encontrou um: o marqueteiro Luiz Gonzáles. Segundo relato de Ricardo Noblat, em seu blog, Dias afirmou o seguinte: “O programa do Alckmin é inferior ao programa do Lula. Faltou emoção, indignação e criatividade. Faltou estratégia e comunicação competente.” O senador certamente entende muito de eleição – acaba de...

Jorge Rodini: a importância dos debates

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas envia um comentário sobre o debate de ontem entre Geraldo Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Rodini, os debates podem, sim, mudar uma eleição. Leia abaixo o comentário do especialista. O debate entre os presidenciáveis, ontem, na Rede Record foi o melhor dos três realizados neste segundo turno. Um debate pode, sim, mudar os caminhos de umna campanha eleitoral. Muito mais pelo que os candidatos não dizem do que pelo que afirmam. Alckmin, ontem, foi incisivo sem ser grosseiro. Conseguiu atacar, nas entrelinhas. Foi programático, sem ser muito detalhista. Lula tentou manter seu enorme eleitorado usando emoção quando falava do Nordeste. Foi cansativo na repetição de algumas expressões e tropeçou na gramática em várias situações. Alckmin pareceu um pouco nervoso no início e Lula irônico demais no meio do debate. Alckmin achou o tom e Lula está muito senhor de si, e...

Jorge Rodini: a campanha no Maranhão

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, analisa a situação do segundo turno no Estado do Maranhão. Supreendentemente, a situação de Roseana Sarney não é nada confortável, conforme indica a análise de Rodini e as pesquisas divulgadas hoje. Jackson Lago, embora tenha ido mal no primeiro turno, tem, sim, chance de virar o jogo. Leia a seguir o texto de Rodini: A análise dos dados relativos as eleições no primeiro turno no Maranhão revela: 1. Dos 102 municípios maranhenses com até 10 mil eleitores, Roseana ganhou em 85, Jackson Lago em 13 e Edson Vidigal em apenas 4. 2. Em cidades com mais de 10 mil eleitores e menos de 30 mil, a ex-governadora teve mais votos em 75 delas, o pedetista em 14 e Edson Vidigal em 3. 3. Nos redutos com mais de 30 mil eleitores e menos de 50 mil, Roseana faturou em 9 municípios e Dr. Jackson em 6. Roseana também foi vitoriosa em 5 das 6 cidades com eleitorado entre 50 e 100 mil. O ex prefeito de Sã...

Janio de Freitas: Collor + Lacerda = Alckmin

O colunista Janio de Freitas escreve nesta terça-feira uma interessante análise do debate de domingo, realizado na TV Bandeirantes. Como o site da Folha de S. Paulo só permite acesso aos textos para assinantes do UOL ou da Folha , este blog reproduz abaixo a íntegra da matéria. Também vale a pena ler o texto do líder do MST João Pedro Stédile, publicado hoje na seção Tendências e Debates do mesmo jornal com o sugestivo título "É preciso barrar a direita e derrotar Alckmin". Do debate à discussão SE O DEBATE Lula x Alckmin na Bandeirantes levou alguém a mover-se com sua preferência de um para outro candidato, o imaginável é que se trate de um portador de hiperatividade, à espera sempre de um pretexto. As votações de internet que aí estão, para sugerir vencedor, não têm representatividade, expostas que são a mobilizações organizadas para amplificar determinar apoio. Não só votações de sentido político, aliás, sujeitam-se na internet às deformações de representatividade. Não h...

Wagner Iglecias: Lula, Alckmin e o Sobrenatural de Almeida

O professor Wagner Iglecias envia mais uma colaboração para blog, a primeira após o desfecho do primeiro turno. Wagner comenta os resultados da pesquisa Datafolha que apontou o favoritismo do presidente Lula, mas recomenda bastante cautela aos petistas. Leia a seguir o texto de Iglecias. Os últimos dias foram marcados por rumores sobre as pesquisas de intenção de voto para presidente neste segundo turno. Alguns diziam que a candidatura Lula estaria se esfacelando em vários estados e que Alckmin já apareceria a frente do presidente-candidato na primeira rodada de pesquisas. Outros sopravam que Lula é quem manteria a dianteira, sendo sua diferença para Alckmin variável como variáveis são tais rumores, podendo situar-se entre um e até dez pontos. Na sexta-feira, finalmente, surgiram as duas primeiras pesquisas para este segundo turno. Segundo o Datafolha Lula teria 50% do total de votos, contra 43% de Alckmin. Se considerados somente os votos válidos, Lula bateria nos 54% contra 46% do e...

Jorge Rodini: tendências para o 2° turno

O primeiro turno já acabou, mas este blog continuará tendo a honra de publicar as sempre perspicazes análises de Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia, sobre o complicado universo das pesquisas eleitorais, tão criticadas nos últimos dias. Desta vez, o especialista analisa as primeiras tendências para a eleição presidencial do próximo dia 29. Pelo que escreve Rodini, os cardíacos do PT e PSDB deverão continuar tomando seus remedinhos religiosamente, pois não vai faltar emoção nesta reta final. Leia a seguir o comentário de Jorge Rodini A análise da última pesquisa Datafolha, realizada antes das eleições, permite fazermos projeções para o segundo Turno. 1. Lula e Alckmin estariam praticamente empatados entre os eleitores mais jovens e entre as mulheres: a partir do eleitorado de 25 anos para frente, Lula teria vantagem entre 5 e 7 pontos percentuais. 2. Alckmin ganharia, em segundo turno, no Sudeste (48% a 45%), no Sul ( 59% a 34%), empataria no Norte/Centro-Oeste (47% a 47...