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Decisão unânime

O corte de meio ponto percentual na Selic já era esperado pelo mercado, o que chamou atenção desta vez foi a decisão unânime no Copom, ao contrário da última reunião, quando a queda de um ponto foi por 6 votos a 2. Agora, com a taxa em 8,75%, será preciso resolver a questão do rendimento da caderneta de poupança para que os juros básicos possam ser reduzidos ainda mais. Resta saber se o nobre e chiliquento deputado Raul Jungmann (PPS-PE) vai deixar... Em tempo: quando o presidente Lula assumiu o governo, em 2003, a Selic estava em 26,5%. Só para lembrar, o atual patamar é o mais baixo, em termos nominais e reais, desde que a Selic foi criada.

Bolão da Selic

Quanto cairá a taxa básica de juros nesta quarta-feira? Na última reunião do Copom, o mercado esperava um corte menor do que o praticado pelo Banco Central. Agora, a expectativa é de um corte de meio ponto percentual, que seria a última do ano, de acordo com as previsões. Como as matérias dos grandes jornais sobre o assunto estão contaminadas pelo blá-blá-blá dos operadores do mercado financeiro, fica difícil separar o que é wishfull thinking – desejo puro e simples – e o que é análise justa e correta. Este blog tende a crer em um corte de meio ponto, mas não ficará surpreso se o Copom determinar 0,75 ou mesmo um ponto. Por uma razão simples: a atividade industrial continua muito fraca e não há risco de inflação para 2010. A ver.

Ainda sobre o Copom

O leitor Alexandre Porto é dos que acompanha o Entrelinhas com frequência, manda comentários e dá palpites sobre o blog. Ontem, após a decisão do Copom, ele mandou o comentário abaixo, que merece ser reproduzido aqui. É uma análise muito interessante e instigante Luiz, Acho que em dezembro eu escrevi no meu blog que com essa crise tinha um cidadão feliz: Henrique Meirelles. Sem ela, o Brasil ainda estaria com aquele cenário de crescimento de 6%, inflação na casa dos 7%, 8%, déficits em conta corrente etc. Tudo isso teria que ser combatido via política monetária. E já estava em andamento um aperto monetário no segundo semestre de 2008, aperto que seria radicalizado ainda mais. Sem a crise, a gente estaria discutindo hoje uma Selic na casa dos 16, 17% e o Meirelles teria que andar com vários ternos na bolsa, para ir trocando os manchados pelos tomates. Hoje ele está rindo a toa. Está sendo elogiado até pela CNI (FIESP, CUT e Força Sindical não contam, pois reclamar faz parte do estatuto)...

Copom surpreende com corte de 1 ponto

Henrique Meirelles e companhia desta vez aprontaram para o lado do bem. O corte de um ponto percentual na Selic não era absolutamente esperado pelo mercado - a expectativa variava entre um corte de meio ponto a no máximo 0,75. O corte maior indica duas coisas: o BC vê a inflação sob controle; e a queda da atividade econômica pode ser mais grave do que o governo gostaria. De qualquer maneira, foi uma medida positiva e arrojada diante da crise econômica mundial. Agora o Brasil finalmente chega a uma taxa de juros básica de um dígito e caminha para o juro real próximo das economias emergentes. Não é nada, não é nada, boas notícias não acontecem todo dia.

Amanhã Brasil terá Selic de um dígito

Dificilmente o Copom abaixará a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual ou menos na reunião desta quarta-feira (10/06), de maneira que o Brasil amanhecerá na quinta com a menor taxa nominal da história, pela primeira vez inferior a 10%. Mais um feito para Lula deitar e rolar. Em termos estritamente econômicos, a taxa pode até ser ainda muito alta, mas o efeito dos 9% para o marketing todo mundo conhece, ou não seriam tantos os anúncios de produtos custando R$ 9,99 ou valores deste tipo, com um centavo a menos do arredondamento. Na mão de Lula, é o tipo da coisa que vai render bastante e por um bom tempo.

Meirelles mudou o jogo?

A decisão do Copom desta quarta-feira de reduzir a taxa básica de juros em um ponto percentual revela que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, finalmente decidiu mudar a condução da política monetária e iniciar um ciclo de flexibilização. Alguns criticam a medida e acham a diminuição de um ponto percentual insuficiente diante da crise. Este blog acha que Meirelles pode ser muita coisa, mas burro não é. Senão vejamos: a decisão de reduzir a taxa em um ponto percentual, partindo de um Copom sabidamente conservador, já indica que nas próxima reuniões o processo de flexibilização monetária deverá continuar, com o juro básico apontando para pelo menos 11% já no primeiro semestre. Se isto de fato ocorrer, o Brasil terá o menor juro nominal desde o início do Plano Real (não é possível comparar com períodos anteriores), e a menor taxa real deste mesmo período (considerando uma inflação na casa de 5,5%, a taxa real cairia para pouco mais de 6%). Como se vê, não é pouca coisa. ...

Copom: uma ata do outro mundo

O conservadorismo dos homens que comandam a política monetária do Brasil é mesmo impressionante. A ata da última reunião do Copom (Conselho de Política Monetária), colegiado do Banco Central responsável entre outras coisas por estabelecer a taxa de juros básica do país (Selic), foi divulgada na manhã desta quinta-feira com uma advertência surreal: se a inflação fugir da meta, a taxa de juros no Brasil poderá ser elevada. A hipótese da inflação fugir do controle é hoje remota, mas o simples fato do Copom cogitar um aumento na taxa de juros impressiona, porque o centro do debate macroeconômico atualmente gira muito mais em torno de medidas para evitar que o "derretimento" do dólar frente o real não prejudique as exportações brasileiras e a balança comercial. Ora, a melhor medida para evitar a valorização excessiva do real neste momento é justamente abaixar a taxa de juros , e não aumentá-la, uma vez que a tendência é uma nova redução nos juros norte-americanos na próxima semana...

Crise aérea ofusca queda da taxa de juros

O Brasil não é o país com a mais alta taxa de juros do planeta, conforme bradavam empresários e sindicalistas contrários à política monetária do Banco Central. Com a decisão do Copom de reduzir a taxa básica (Selic) para 11,5% ao ano, o país fica agora em um suposto segundo lugar, considerando uma pesquisa que na verdade não engloba todas as nações. Se o avião da TAM não tivesse explodido em São Paulo, este certamente seria um tema de destaque nos jornais, mas a tragédia naturalmente ofuscou o movimento do Banco Central. Mais importante do que a redução em sim foi o montante reduzido, de meio ponto, que sinaliza a continuidade da política de redução, ainda que em ritmo menor. Se nas próximas três reuniões o Copom abaixar a Selic em 0,25 pontos percentuais, o Brasil pode fechar o ano na faixa dos 10%, com juro real de 7%. Para as condições da economia brasileira, é quase uma revolução. Em 2008, o crescimento vai refletir este novo patamar de juros, bem mais convidativo aos investiment...