sexta-feira, 3 de abril de 2009

Mundo injusto

O coronel Agripino Maia deu uma entrevista ao blogueiro Reinaldo Azevedo, da Veja, para defender o seu partido, o DEM, das acusações que vem sendo feitas sobre o tipo de financiamento que a legenda conseguiu obter nas últimas eleições. É comovente o relato do senador democrata, vale a pena dar uma espiada. A entrevista também foi muito corretamente conduzida e revela toda a imparcialidade do jornalista. O mundo é mesmo muito cruel para os probos e impolutos. O fato é que o professor Hariovaldo Almeida Prado está ganhando concorrentes à altura...

AGRIPINO APRESENTA A PROVA. E DIZ AO BLOG: “O ABSURDO É TAL QUE NÃO TEM BASTADO NEM MESMO O INOCENTE PROVAR QUE É INOCENTE”

O senador José Agripino Maia (RN), líder do DEM no Senado, antecipou em 28 dias a entrega da prestação de contas do Diretório Regional do partido ao TRE. Torna pública, assim, a lista de doadores aos candidatos a prefeito e vereador do partido. Na conta 10.989-4, na agência 0222-1 do Banco do Brasil, aparece a doação LEGAL de R$ 300 mil feita ao partido pela Camargo Corrêa. Falei há pouco com Agripino:

Blog - Por que o sr. antecipou a prestação de contas e tornou pública a lista de doadores e até a conta do partido?
Agripino – Porque estão usando um procedimento legal para lançar suspeição contra quem nada fez de errado. Cadê as informações sobre a refinaria Abreu e Lima? Agora dizem que o alvo da investigação não era a questão eleitoral. É mesmo? E por que, então, o clima de suspeição contra os partidos de oposição? Não tenha dúvida: ou os dados sobre a Abreu e Lima vêm a público, ou uma CPI vai se impor.

Blog – O sr. acha que consegue um terço de assinaturas no Senado para uma CPI?
Agripino - Com absoluta tranqüilidade.

Blog – O sr. está tornando pública a conta bancária do DEM do Rio Grande do Norte, além de apresentar a relação de doadores. No ambiente em que o senhor o faz isso, fico com a impressão de que está tendo de provar que é inocente.
Agripino – E estou mesmo, não é? Mas preciso passar essa história a limpo. No dia em que, no Brasil, que é uma democracia onde vigora o estado de direito, a gente tiver de se envergonhar de fazer o que é legal, o país acabou. Faço isso para mostrar que o país não acabou.

Blog – A que o sr. atribui essa história toda?
Agripino – Atribuo a um misto de incompetência com má-fé. A Polícia Federal tinha alguma desconfiança sobre a doação feita ao Diretório Regional do DEM? Por que não investigou a conta bancária? Era fácil, simples e rápido. Mas não! Optou-se por outro caminho.

Blog – Isso é resultado de aparelhamento da PF ou de puro e simples destrambelhamento?
Agripino – A Polícia Federal já prestou grandes e relevantes serviços ao Brasil e tem, nos seus quadros, pessoas da mais alta competência. Mas parece que, infelizmente, hoje em dia, está sendo monitorada por grupos. Não é possível que pessoas inocentes fiquem expostas a noticiário negativo durante 10 dias sem que tenham feito nada de errado.

Blog – O senhor acha que, agora, o seu nome será retirado da história, com a comprovação da doação?
Agripino – Você sabe como essas coisas funcionam. Sempre que vocês, jornalistas, forem fazer uma memória do caso, lembrarão que o despacho do juiz cita o DEM etc. Infelizmente, o absurdo é tal, que já não tem bastado nem mesmo o inocente provar que é inocente.

Um comentário:

  1. Sobre Agripino "Rabo de Palha" Maia escrevi em maio do ano passado:

    O VERDUGO DOS MILITARES

    Ainda atordoado com a resposta da Ministra Dilma Rousseff, Agripino “Rabo de Palha” Maia – para entender a alcunha de “Rabo de Palha” recomendo a revista Caros Amigos edição 133 de abril desse ano – discursou na quinta-feira (08/05/2008) do plenário do Senado para relembrar um pouco de sua história na vida pública, enaltecendo a si mesmo. Fiquei comovido com a narração mnemônica sobre a forma heróica como o "Rabo de Palha" egresso da Arena se desvencilhou dos militares e foi o "primeiro" governador nordestino a apoiar a impoluta postulação de Tancredo Neves a presidência da República. Como testemunhas da verossimilhança de sua odisséia, ato exemplar de desprendimento pessoal, desprovido de qualquer tipo de ambição e dum civismo e patriotismo nunca dantes visto – chegaria, eu, a dizer que se trata mais que uma odisséia, mas sim de uma imolação –, arrolou os nomes de Garibaldi (não o Giuseppe, mas o de sobrenome Alves, hoje presidente de nossa Câmara Alta) e do califa do Maranhão, José Sarney (santo Deus, dois paladinos da democracia). Agripino do alto de sua modéstia concluiu que sem seu aval a Frente Liberal não se consumaria e ainda estaríamos vivendo o jugo do estado de exceção. Desta feita foi ele o verdugo dos militares e a subjugação foi enfim prosternada. Ao terminar seu pronunciamento enxuguei as lagrimas de meu pranto e postei-me a rogar por misericórdia a Deus por existir debaixo do firmamento povo tão ignóbil e uma nação que se nega a reconhecer seus próceres egrégios. A minha ilação para expiar tanto sacrilégio foi de que deveríamos erguer em cada rincão desse país uma praça com o nome do nobre senador. O nosso Thomas Jefferson tupiniquim.

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