segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Um balanço de 2009

O que vai abaixo é um artigo do autor do blog para o Correio da Cidadania. Com este texto, vamos terminando as atividades de mais um ano - o quarto destas Entrelinhas. A publicação deste comentário final faz com que 2009 feche em 860 posts - um belo aumento em relação aos 498 comentários escritos em 2008.

Aos leitores que brindaram o blog com recorde de audiência neste ano, ficam os votos sinceros de um excelente 2010, com muita paz, saúde e prosperidade - é realmente difícil ser criativo em momentos como esses. Como diria o poeta, navegar é preciso, viver não é preciso. Olhar para frente e construir o futuro também não é fácil, mas no fundo é o que nos move e mantém vivos - a esperança de dias melhores, para cada um e para o país como um todo. Que 2010, portanto, seja mais um ano de muitas realizações e avanços para todos nós.


Um ano improvável
Por Luiz Antonio Magalhães


2009 já se vai e a sensação que fica no Brasil é de alívio. Ninguém em sã consciência poderia prever, em dezembro de 2008, uma situação como a que se verifica neste fechamento de ano. Sim, porque se a crise bateu forte no começo primeiro trimestre, a profecia do presidente Lula de que as turbulências internacionais provocariam apenas uma "marolinha" no Brasil se concretizou, especialmente ao se comparar a performance do país com a das economias desenvolvidas.
De fato, até os críticos da atual política econômica reconhecem que, de maneira um tanto surpreendente, os problemas financeiros da maior potência capitalista não afetaram o Brasil da maneira que se esperava. O PIB encolheu um pouco ou ficou praticamente estável em relação ao ano anterior – só será possível saber com precisão a variação do produto interno bruto no início de 2010 –, mas as primeiras previsões eram de um colapso completo, recessivo, com uma depressão econômica de magnitude jamais vista. Isto simplesmente não aconteceu.
É bem verdade que a economia mundial também não sucumbiu como se esperava em dezembro de 2008, graças sobretudo à ação determinada dos tesouros dos países ricos, que irrigaram o sistema financeiro de dólares e euros, impedindo uma quebradeira ainda maior ou uma falência sistêmica. Nos Estados Unidos e Europa, porém, a crise bateu mais forte e a maior parte dos países desenvolvidos está assistindo a um significativo encolhimento de suas economias.
No caso brasileiro, a performance econômica teve conseqüências óbvias na política e o presidente Lula termina o ano com aprovação recorde, superando inacreditáveis 80% de popularidade. Quem lê com sabedoria o recado do povo percebe que não há a menor possibilidade de tamanha sustentação acontecer se a situação da vida real das pessoas tivesse piorado neste período. Lula cresceu porque conseguiu explicar para a população que por aqui os problemas foram menores do que lá fora, sinalizando também um ano de 2010 de crescimento robusto. Evidente que o carisma também conta, mas, se o desemprego tivesse aumentado e a renda, diminuído, não haveria carisma que segurasse a popularidade presidencial. E a verdade é que o presidente saiu maior da crise do que entrou, coisa rara, muito rara.
Lula à parte – e seu governo neste ano não apresentou grandes novidades –, 2009 foi o ano da improvável vitória de Barack Hussein Obama na eleição presidencial nos Estados Unidos. O primeiro negro a se tornar presidente dos EUA vai enfrentando lá os seus problemas, todos gravíssimos, mas o que vale aqui é lembrar o fator simbólico da eleição de Obama. Um paradigma importante foi quebrado em um país que assassinou Martin Luther King, na pátria da Klu Kux Kan. Não é pouca coisa e, ainda que Obama não consiga levar à frente os seus projetos, a eleição por si só fez história. Se Collin Powell fosse o presidente, ou seja, um negro de direita, este colunista estaria escrevendo as mesmas linhas – o que vale para Chico vale para Francisco -, pois o que merece destaque é a carga simbólica, não o conteúdo ideológico.
Feito o parênteses norte-americano, vale a pena aprofundar um pouco mais na conjuntura brasileira. E 2009 foi um ano improvável não apenas na economia e não só pela incrível resiliência do presidente Lula. Em dezembro de 2008, muitos analistas apostavam em uma guinada à direita – crises são ambientes ideais para o florescimento de soluções de força. É bom lembrar que o resultado do crash de 1929 foram os anos do fascismo, nazismo, das ditaduras na Espanha e Portugal, regimes de exceção em quase toda América Latina.
Pois 2009 chega ao fim com a direita brasileira esfacelada pelos reais nas meias e cuecas dos Democratas. E este parece ter sido o golpe de misericórdia, pois o eixo político no Brasil virou para a esquerda, deixando um espaço residual para as propostas ultra-liberais ou de caráter autoritário. Sim, porque Dilma Rousseff e mesmo José Serra são políticos com perfil muito mais estatizante, desenvolvimentista, para usar uma palavra já fora de moda, do que o próprio presidente Lula. É possível que pela primeira vez uma eleição presidencial seja disputada sem representantes legítimos da direita brasileira, que por ora tenta se abrigar na candidatura de Serra. Ciro Gomes e Marina Silva também não representam, nem de longe, a direita tradicional, de maneira que, se os quatro forem para a disputa, apenas um ou outro nanico pode ocasionalmente ocupar este espaço.
Por outro lado, no campo da ultra-esquerda o ano parece ter sido bastante complicado: mesmo com toda a conjuntura de crise séria do sistema capitalista, não houve quem conseguisse vocalizar uma crítica diferenciada e se aproveitar do momento delicado para apresentar uma plataforma alternativa. Heloísa Helena poderia ter feito este papel, mas simplesmente sumiu, talvez mais preocupada com cálculos eleitorais em Alagoas. Outras personalidades do PSOL, PSTU e PCB parecem ter preferido a tática do avestruz e colocaram a cabeça debaixo da terra, perdendo uma chance ímpar de expor a crítica mais profunda do sistema, chance esta que só aparece uma vez por décadas.
Com tal cenário, dá para entender melhor por que Lula nada de braçada. Claro, o presidente tem méritos e talento, mas a verdade é que os que lhe fazem oposição têm sido de uma tacanhez e falta de criatividade impressionantes. O principal candidato da oposição, governador José Serra (PSDB), acaba de conseguir um consenso, meio torto, é verdade, em torno de seu nome para a disputa de 2010, com a desistência do colega Aécio Neves (MG), mas ainda assim reluta em aparecer como candidato e procura evitar críticas ao governo federal, apostando na tal "comparação de biografias" para vencer a eleição. É pouco, muito pouco, e a política brasileira infelizmente caminha para um marasmo em termos do debate de idéias. Os projetos são semelhantes, com discordâncias pontuais. As mudanças, qualquer que seja o eleito em 2010, serão pequenas.
2009, este ano improvável, parece ter aprofundado no Brasil esta tendência para a "conciliação por cima", que em diversos momentos marcou a história do país e abafou o contraditório. Neste momento particular, no entanto, é justo reconhecer que esta conciliação está promovendo alguns avanços importantes, tanto no campo social quanto no desenvolvimento estratégico do país.
Obras de infra-estrutura, mercado interno reforçado e mais robusto com a política salarial implantada para o mínimo e o funcionalismo público, uma política externa mais arejada são os pontos fortes da gestão Lula. O futuro que está sendo engendrado pela atual administração inclui o marco regulatório do pré-sal, investimentos para a Copa do Mundo e as Olimpíadas e, é claro, um projeto de permanência no poder. Mas tudo isto é assunto para o próximo artigo, sobre as perspectivas para 2010.

domingo, 20 de dezembro de 2009

Na Carta Capital: mídia em mutação

Abaixo, matéria do autor do blog para a revista Carta Capital desta semana. Na íntegra, para os leitores do Entrelinhas. Com este post, voltamos ao batente. Análises sobre Datafolha e a desistência de Aécio Neves de disputar a presidência da República serão temas dos próximos posts.

Luta na Idade Média

Luiz Antonio Magalhães

Igrejas, operadoras de telefonia e novos empresários em busca de influência política. Esses três exércitos, cada um por um flanco, estão destruindo as muralhas da cidadela onde ainda se refugia a mídia tradicional brasileira. Nos últimos dez anos, os velhos barões, fortalecidos à sombra da ditadura, perderam espaço. Alguns, como as famílias Mesquita (O Estado de S. Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Levy (Gazeta Mercantil) foram obrigados a vender totalmente ou a repassar o comando dos negócios a credores. Outros, como os Civita (Editora Abril), não detêm mais o controle acionário das empresas.

Ainda a se refazer do baque da crise após a desvalorização do real em 1999, o pior momento do setor na história recente, os meios de comunicação entraram na guerra da convergência e da revolução tecnológica e de hábitos do consumidor com um arsenal bem inferior do que as dos novos concorrentes. No caso da telefonia, é uma questão de escala: só o lucro da espanhola Telefônica ou da brasileira Oi chega a superar todo o faturamento da Globo. No das igrejas, é uma questão de acesso a recursos: é quase impossível competir com quem obtém o financiamento mais barato de todos, o dízimo dos fiéis. E há ainda empresários de pouca tradição no ramo, como J. Hawilla, que montou uma rede de pequenos jornais no interior de São Paulo e recentemente adquiriu da família Marinho o Diário de S. Paulo,- -um dos principais da capital paulista.

A primeira consequência dessa transformação parece ser a perda de influência da mídia tradicional. Uma década atrás, um pequeno grupo de meios de comunicação exercia controle quase absoluto sobre a opinião pública. A última eleição de Lula e seu segundo mandato mostram, porém, a decadência desse poder: apesar da maciça oposição desses grupos, o metalúrgico não só foi reeleito como mantém os maiores índices de aprovação alcançados por um presidente, na casa dos 80%.

Reza a lei da física que dois corpos não ocupam um mesmo lugar no espaço. Se os antigos barões da imprensa brasileira estão em baixa, alguém andou puxando a turma do lugar em que se encontrava. Edir Macedo, Nelson Tanure, J. Hawilla, Destak, MetroNews, Telefónica de España, Oi e a Claro-Embratel são alguns dos principais novos players do mercado de mídia brasileiro. A presença das operadoras- de telefonia chama a atenção e é de fato a maior novidade, com poder de fogo para mudar substancialmente toda a organização do setor de mídia no País.

No momento, as forças se enfrentam no tabuleiro do Congresso Nacional. Mais precisamente na Câmara dos Deputados, na qual tramita o PL 29, marco regulatório para os setores de telecomunicação, produção audiovisual e tevê paga. O projeto foi aprovado no início de dezembro na Comissão de Ciência e Tecnologia e seguiu para análise na Comissão de Constituição e Justiça. Se aprovado, ainda terá de tramitar no Senado.

O deputado federal Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE), relator do PL 29, afirma que a entrada das teles no setor de mídia é “inexorável”. Segundo Lustosa, o relatório final do PL 29 é fruto de um longo processo de debates e resultou de um “acordo possível” entre as partes interessadas – emissoras de rádio e televisão, de um lado, e as operadoras de telefonia, do outro. A questão em jogo, diz o parlamentar, é estabelecer um modelo de negócios para a tevê paga, radiodifusão e telecomunicações que leve em consideração o desenvolvimento das novas tecnologias. “No mundo todo, as teles estão entrando na distribuição de audiovisual. Uma telecom cobra pelo tráfego e no futuro o grosso desse tráfego será em audiovisual, que é muito mais pesado e rentável, e não voz ou dados.”

O relator do PL 29 explica que o projeto preservou a produção nacional ao estabelecer cotas para a distribuição, o que inicialmente contava com a oposição das empresas de telecomunicações. Também foram estabelecidos princípios para o fomento dessa produção nacional, outra medida polêmica, ao lado das regras para evitar a concentração excessiva no mercado de tevê paga – hoje as principais operadoras (Net, Sky Brasil, TVA/Telefônica) dominam cerca de 65% de um mercado de 6,5 milhões de assinantes que, em 2008, faturou 9,4 bilhões de reais.

Para o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), autor do projeto original, apresentado em 2007, o PL 29 foi desvirtuado com as mudanças aprovadas no relatório de Lustosa. “O projeto original tinha como objetivo estabelecer um marco regulatório básico para a convergência tecnológica. É importante notar que a convergência está prevista nas discussões que precederam a privatização das telecomunicações. Todos sabíamos que ela viria. Apresentei o projeto em fevereiro de 2007, quando haviam sinais claros de que a convergência estava próxima. Perdemos três anos de discussões, e o que eu previa acontece agora. A convergência é um fato e ela se insinua pelas frestas da ausência de uma legislação básica. E o que era um projeto que tratava de tecnologia se transformou em um confuso tratado ideológico”, diz o parlamentar.

Bornhausen chama a atenção para o problema da propriedade cruzada, outro tema delicado para as redes de televisão. “A questão da propriedade cruzada é tratada na legislação da radiodifusão. No meu projeto, não tratei de radiodifusão. A Lei do Cabo, por exemplo, não é radiodifusão, por isso eu simplesmente a revoguei, já que a atual situação do mercado não justifica instrumento de reserva. E no substitutivo aprovado, a Lei do Cabo é revogada parcialmente, o que vai gerar discussões que extrapolam o Legislativo e poderão chegar ao Judiciário”, afirma.

Um executivo da Oi ouvido disse a CartaCapital que a operadora está pronta para aproveitar a capilaridade de sua rede e investir recursos na universalização da banda larga, mas aguarda a definição do novo marco regulatório em discussão no Congresso. A operadora iniciou atividades em tevê paga com a OiTV e realiza investimentos vultosos para reposicionar o iG, portal de internet absorvido pela companhia após a fusão com a Brasil Telecom. De acordo com o executivo da Oi, todos esses movimentos – na internet, tevê paga e banda larga – são uma pequena amostra do apetite para o setor de mídia da operadora, única no mercado de capital predominantemente nacional (a Telefônica é espanhola, a Vivo possui capitais portugueses e espanhóis –, a Claro e a Embratel são controladas pela Telmex mexicana de Carlos Slim, a TIM é italiana e, concretizada a compra da GVT, a Vivendi francesa chega ao mercado brasileiro em 2010).

A desigualdade na capacidade de investir vai pesar no futuro do setor de mídia. É bem verdade que a Rede Globo, em especial, tem conseguido, com seu prestígio político, manobrar a favor de seus interesses, seja no Exe-cutivo ou no Legislativo, bem além do seu poder de fogo relativo, comparado aos novos competidores. Projetando para um prazo mais longo, no entanto, é difícil acreditar que uma companhia que fatura pouco mais de 7 bilhões de reais ao ano possa competir em pé de igualdade com empresas com faturamento superior a 50 bilhões de euros, como é o caso da espanhola Telefônica.

Se muita coisa ainda vai acontecer com a entrada das teles no mercado de mídia, também é verdade que a dinâmica interna da disputa mudou após a crise iniciada em 1999. A ascensão da Rede Record, sob o comando da Igreja Universal do Reino de Deus, é talvez o melhor exemplo desses novos tempos. Além da rede de televisão, a Record hoje possui um portal de notícias na internet, o R7, um canal exclusivo de notícias (Record News), vasta rede de emissoras de rádio e três jornais – o Correio do Povo, Hoje em Dia e a Folha Universal, este último com tiragem de 2,7 milhões de exemplares.

Outro fenômeno recente é o dos jornais gratuitos – Destak e MetroNews –, que aportaram no Brasil com um modelo de negócios em expansão na Europa e nos Estados Unidos. Também em 2009, o mercado de jornais foi surpreendido pela chegada do grupo português Ongoing, que espertamente driblou a cláusula dos 30% de capital nacional ao beneficiar a mulher brasileira do lusitano dono do grupo com a propriedade do Brasil Econômico, jornal de economia que, desde outubro, tenta abocanhar a fatia de mercado da falecida Gazeta Mercantil.

Não deixa de ser irônico que as entidades de classe tenham se mobilizado na Primeira Conferência Nacional de Comunicações, a Confecom, para discutir as questões da mídia com os olhos no presente – e até no passado, como ocorreu na questão do diploma obrigatório para o exercício da profissão. Do ponto de vista dos profissionais de mídia, seria bem mais urgente um amplo debate para entender melhor o que vem pela frente e quais são as possibilidades de obter contrapartidas que garantam a real democratização dos meios de comunicação em um cenário claramente inclinado a manter a oligopolização.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Explicação relevante

Um leitor pergunta se o autor do blog foi contratado pelo governo estadual de São Paulo, ou se desistiu do Entrelinhas. Nem um, nem outro. Apenas excesso de trabalho, coisa de final de ano. Garantir o Papai Noel gordinho não é moleza, então o blogueiro está na batalha. Até o final desta semana, voltamos ao pique de sempre, porque assunto naturalmente não falta. Ademais, um pouco de silêncio não faz mal a ninguém. O recesso será breve e já antecipamos que janeiro será um mês de trabalho normal no Entrelinhas. Mais uma vez, o blog aproveita para agradecer a preferência e audiência.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Zapatero: El hombre que asombra al mundo

Em espanhol, não é uma leitura complicada. E vale a pena ler. O príncipe da sociologia não teve nada parecido durante seu mandato. A frase final é lapidar: "A mí no me extraña nada que este hombre asombre al mundo."

PERFIL

El presidente de Brasil se ha convertido en el líder indiscutible de América Latina y una referencia para todos los políticos. Brasil ha pagado este año toda su deuda, crece a buen ritmo y se ha llevado los Juegos de 2016

JOSÉ LUIS RODRÍGUEZ ZAPATERO

Este es un hombre cabal y tenaz, por el que siento una profunda admiración. Lo conocí en septiembre de 2004, tras la incorporación de España a la Alianza contra el Hambre que él lideraba, en una cumbre organizada por Naciones Unidas en Nueva York. No podía haber sido mejor la ocasión.
Luiz Inácio Lula da Silva es el séptimo de los ocho hijos de una pareja de labradores analfabetos, que vivieron el hambre y la miseria en la zona más pobre del Estado brasileño nororiental de Pernambuco.
Tuvo que simultanear sus estudios con el desempeño de los más variopintos trabajos y se vio obligado a dejar la escuela, con tan sólo 14 años, para trabajar en la planta de una empresa siderometalúrgica dedicada a la producción de tornillos. En 1968, en plena dictadura militar, dio un paso que marcó su vida: afiliarse al Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo y Diadema.
De la mano de este hombre, siguiendo el sendero abierto por su predecesor en la Presidencia, Fernando Henrique Cardoso, Brasil, en apenas 16 años, ha dejado de ser el país de un futuro que nunca llegaba para convertirse en una formidable realidad, con un brillante porvenir y una proyección global y regional cada vez más relevante. Por fin, el mundo se ha dado cuenta de que Brasil es muchísimo más que carnaval, fútbol y playas. Es uno de los países emergentes que cuenta con una democracia consolidada, y está llamado a desempeñar en las décadas siguientes un creciente liderazgo político y económico en el mundo, tal y como ya viene haciendo en América Latina con notable acierto.
Lula tiene el inmenso mérito de haber unido a la sociedad brasileña en torno a una reforma tan ambiciosa como tranquila. Está sabiendo, sobre todo, afrontar, con determinación y eficacia, los retos de la desigualdad, la pobreza y la violencia, que tanto han lastrado la historia reciente del país. Como consecuencia de ello, su liderazgo goza hoy en Brasil del respaldo y del aprecio mayoritarios, pero mucho más importante aún es la irreversible aceptación social de que todos los brasileños tienen derecho a la dignidad y la autoestima, por medio del trabajo, la educación y la salud.
Superando adversidades de todo orden, Lula ha recorrido con éxito ese largo y difícil camino que va desde el interés particular, en defensa de los derechos sindicales de los trabajadores, al interés general del país más poblado y extenso del continente suramericano. Sin dejar de ser Lula, en esa larga marcha ha conseguido, además, ilusionar a muchos millones de sus conciudadanos, en especial aquellos más humillados y ofendidos por el azote secular de la miseria, proporcionándoles los medios materiales para empezar a escapar de las secuelas de ese círculo vicioso.
Al mismo tiempo, en los siete años de su presidencia, Brasil se ha ganado la confianza de los mercados financieros internacionales, que valoran la solvencia de su gestión, la capacidad creciente de atraer inversiones directas, como las efectuadas por varias compañías españolas, y el rigor con que ha gestionado las cuentas públicas. El resultado es una economía que crece a un ritmo del 5% anual, que ha resistido los embates de la recesión mundial y está saliendo más fortalecida de la crisis.
Tras convertirse en el presidente que accedía al cargo con un mayor respaldo electoral, en su cuarto intento por lograrlo, Lula manifestó que es inaceptable un orden económico en el que pocos pueden comer cinco veces al día y muchos quedan sin saber si lograrán comer al menos una. Y apostilló: "Si al final de mi mandato los brasileños pueden desayunar, almorzar y cenar cada día, entonces habré realizado la misión de mi vida".
En ese empeño sigue este hombre honesto, íntegro, voluntarioso y admirable, convertido en una referencia inexcusable para la izquierda del continente americano al sur de Río Grande. Tiene una visión del socialismo democrático que pone el acento en la inclusión social y en la justicia medioambiental para hacer posible una sociedad más justa, decente, fraterna y solidaria.
Brasil ocupará pronto un lugar en el Consejo de Seguridad de Naciones Unidas, está a punto de convertirse en toda una potencia energética y en 2014 albergará el Campeonato Mundial de Fútbol. Cuando nos vimos en octubre en Copenhague, Lula lloraba de felicidad, como un niño grande, porque Río de Janeiro acababa de ser elegida ciudad organizadora de los Juegos Olímpicos de 2016. La euforia que le inundaba no le impidió tener el temple necesario para venir a consolarme porque Madrid no había sido elegida y fundirnos en un abrazo.
A mí no me extraña nada que este hombre asombre al mundo.

José Luis Rodríguez Zapatero es presidente del Gobierno español.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Chuvas e chuvas

O tempo está mesmo ruim para o DEM: a cidade do prefeito Kassab está submersa, já no Distrito Federal o problema é que chove dinheiro...

Recordar é viver

Geraldo Alckmin era governador de São Paulo e candidato a presidente da República. Inundou a cidade com faixas com os dizeres "Três anos sem enchentes no Tietê". A sua aposta era na obra de aprofundamento da calha do rio, mas muitos especialistas diziam que não iria funcionar. Alckmin chegou a dizer que o Tietê transbordaria apenas em casos muito excepcionais "Só temos 30% da obra pronta e o Tietê nunca mais saiu da calha. Já trabalhamos hoje com um prazo de recorrência de 10 anos", afirmou o então governador, em 2004.

Como se pode ver pela foto abaixo, da manhã desta terça-feira, é um profeta, este Geraldo... A próxima vez, só daqui a dez anos?

Tudo na vida é relativo

São Paulo está debaixo d'água, literalmente. Se Marta Suplicy fosse prefeita, o nome dela estaria estampado em todos os portais e nos jornalões, sempre com viés negativo: "Marta diz não ter culpa por alagamentos", "Limpeza de bueiros está em dia, diz Marta". Só que o prefeito se chama Gilberto Kassab (DEM) e seu nome simplesmente não aparece no noticiário. Quando é o caso, as chamadas dos portais e jornalões se referem sempre à esta etérea entidade chamada "prefeitura". Então fica assim: "Prefeitura diz não ter culpa por alagamentos", "Limpeza de bueiros está em dia, diz prefeitura", e por aí vai. Imprensa isenta e equilibrada é isto aí, nas empresas de comunicação corporativa a coisa se chama "estratégia de redução de danos à imagem". Kassab está dispensado de contratar este tipo de serviço, já dispõe da coisa de graça.

domingo, 6 de dezembro de 2009

Conforme o esperado: a cariocada vingou

O Flamengo sagrou-se campeão brasileiro, como já esperavam 10 entre 10 analistas esportivos. Só um lunático acreditaria que o Grêmio entregaria o título de mão beijada para o Inter. Era óbvio demais. O tricolor finalmente jogou com o time titular, enfiou 4 no Sport. Se tivesse jogado com Dagoberto nos últimos jogos, a taça estaria no Morumbi. O Inter também fez a sua parte, é um time aguerrido e forte, mereceu terminar na segunda colocação. Mas o bonito e justo mesmo foi ver a porcada fora do G4 e da Libertadores. Realmente não tem preço ver o Palmeiras apanhar do Fogão e acabar na quinta colocação após 19 rodadas liderando o campeonato... Mas tudo na vida tem explicação: quem botou a liderança e a Libertadors a perder foi a diretoria, que trouxe o tal Love por um salário exorbitante e concedeu aumentos nos vencimentos de apenas parte do elenco. Claro que não podia dar certo...

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Mais uma da FSP

Abaixo, chamada para matéria da Folha Online:

ECONOMIA BRASILEIRA
Produção de veículos cai 8% de outubro
para novembro, mas cresce 48% ante 2008

De acordo com dados da Anfavea, exportação de veículos
voltou a crescer e número de empregados também.


Interessante a formulação: primeiro vem a queda de 8%, depois o crescimento relativo ao mesmo mês do ano anterior, de 48%. Que número é mais relevante? Evidentemente, o segundo, que mostra a brutal recuperação da economia brasileira em relação ao pior momento da crise global. Mas a Falha prefere destacar o primeiro número, que revela apenas uma acomodação com o fim do IPI reduzido. Lembra um pouco a famosa Lei Ricúpero, invertida, é claro: "o que é bom (para Lula) a gente esconde, o que é ruim a gente mostra"...

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Nem Arruda nem Temer, a vez é de Leila

Não tem para ninguém. Abaixo, a lista das matérias mais lidas do site G1. A da Folha Online é rigorosamente igual. Erra quem aposta no alto Ibope das roubalheiras de Brasília. Política não é tudo na vida...

1 Atriz Leila Lopes é achada morta em apartamento
2 Polícia investiga causa da morte de Leila Lopes
3 Silvio Santos se despede de Lombardi em velório
4 Corpo de Lombardi será enterrado nesta quinta
5 Casal faz filme pornô para pagar casamento

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Azenha, Benjamin e a esquerda sem povo

Este blogueiro subscreve o brilhante artigo de Luiz Carlos Azenha, que vai reporoduzido na íntegra, para os leitores do Entrelinhas. Saiu primeiro no blog do autor, é claro, mas merece ser copiado e lido do começo ao fim. De povo, caro Azenha, Benjamin não apenas não entende como guarda uma providencial distância. O negócio dele é mesmo a retaguarda da vanguarda, ou vice-versa, a depender do momento. Já o Otavinho joga em qualquer posição, conforme ele mesmo já admitiu em livro que escreveu sobre os seus grandes dramas existenciais. Gente estranha, com gostos esquisitos. Mas, enfim, não será este blog a emitir qualquer juízo sobre as escolhas de cada um... O que vale mesmo é ler o texto de Azenha.

A patética esquerda sem povo

O episódio envolvendo César Benjamin, a Folha de S. Paulo e o "estupro" do frágil militante do MEP (Movimento de Emancipação do Proletariado) tem um caráter didático.
Antes de avançar, no entanto, recorro à memória de meu pai, o seo Azenha, que um dia foi militante comunista no interior de São Paulo. Era, o seo Azenha, a contradição ambulante: empresário durante o dia, militante clandestino durante a noite. Fez muita besteira na vida. Mas, curiosamente, como imigrante português tinha uma surpreendente capacidade de rir de suas próprias besteiras. E das dos outros.
Durante a ditadura militar o seo Azenha costumava frequentar reuniões clandestinas em um sítio nas proximidades de Bauru. Tinha a disciplina dos stalinistas (só tocou nesse assunto em casa muitos anos depois, quando a ditadura tinha acabado). Mas talvez por ter sido empresário tinha uma visão não dicotômica do mundo. Gostava de rir do fato de que os militantes que vinham de São Paulo traziam cartilhas com as quais pretendiam doutrinar os locais para aplicar o comunismo chinês ou soviético ao Brasil.
Esse preâmbulo tem o objetivo de dizer que seo Azenha, como militante, jamais tirou proveito pessoal do fato de ter sido preso pela ditadura militar. Jamais usou isso para se fazer de herói. Ou para obter vantagens, materiais ou de status.
O que me leva de volta ao artigo de César Benjamin, uma construção "literária" em que o autor tenta estabelecer uma conexão sentimental com os perseguidos pela ditadura militar, com o objetivo de "desclassificar" Lula, o recém-chegado que, no mínimo, grosseiramente despreza os militantes históricos como o jovem do MEP e, no extremo, estupra o idealismo do jovem militante com o seu pragmatismo.
Pois é disso que se trata: do antigo embate entre a vanguarda -- à qual César Benjamin alega pertencer -- e o povo, essa massa disforme que não sabe bem o que quer e que depende das luzes da vanguarda para perseguir o seu caminho.
O que Lula fez, na prática, foi "roubar" o povo de César Benjamin.
Eu deveria escrever O POVO, essa construção mítica da cabeça da esquerda, cujas vontades devem ser moldadas e apropriadas para a construção de um FUTURO igualmente mítico e glorioso.
O problema de Benjamin é que Lula é esse POVO. Ao dirigir os metalúrgicos do ABC, Lula fez mais para destruir a ditadura militar que todas as reuniões e assembléias da esquerda brasileiras multiplicadas por dez. Pelo simples fato de que o POVO, na cabeça da esquerda brasileira, nunca foi mais que massa de manobra. A esquerda brasileira é, na essência, tão elitista quanto a direita.
Lula, gostem ou não dele, representa a política do possível. Do incrementalismo -- etapismo, diriam os outros. Do tomaládácá. Faz parte da tradição do "pai dos pobres", do "pai da Pátria", perfeitamente integrada à história brasileira.
É por isso que Lula, o estuprador, satisfaz a fantasia sexual da esquerda e da direita brasileiras. Ele é o predador, que precisa ser contido a qualquer custo. O predador que ameaça a ideia de que O POVO não sabe o que quer e precisa ser conduzido ao nirvana pela vanguarda. De esquerda ou de direita, tanto faz. Este é o nexo entre Otávio Frias Filho e César Benjamin. Ambos querem conduzir O POVO. Só falta combinar com ele.
Nota do Viomundo: O fato concreto é que a esquerda de hoje é uma esquerda eleitoral. Que depende de 50% + 1 para se manter no poder, no Brasil, na Venezuela ou no Uruguai. Ao aceitar esse jogo parte da esquerda abdicou de seu caráter revolucionário "a qualquer custo".

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Números e versões

Por que será que a Folha Online não publicou a matéria abaixo com o título "Venda de veículos sobe 41% e bate recorde histórico"? Em quase todas as chamadas, a Folha comparava dados do mês contra o mesmo mês do ano anterior. Mudança editorial?

Venda de veículos recua 14,5% no mês,
mas registra melhor novembro da história

Contra mesmo mês do ano passado, acréscimo foi de 41,6% devido aos efeitos da crise internacional na ocasião.

DEM nas cordas

O governador José Roberto Arruda colocou o seu partido nas cordas. Ameaçou "radicalizar" se o DEM decidir pela sua expulsão. É óbvio que ele tem bala na agulha para disparar contra cabeças democratas coroadas. O DEM, portanto, está naquela situação muito confortável do ditado popular: se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...

Frias pai não teria publicado artigo, diz Santos

Como diz a propaganda do cartão, tem coisa que não tem preço. Ler o trecho abaixo, de reportagem de Folha de S. Paulo, é dessas coisas. O herdeiro do jornal não deve ter gostado nem um pouco da referência ao seu velho e saudoso pai. Não nesses termos.

Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.
Santos pediu que fosse publicado que ele conheceu o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista.
Ele também pediu que fosse publicada sua declaração de que os herdeiros de Octavio Frias de Oliveira na Folha "não seguem o exemplo do pai." Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal "este artigo não teria sido publicado".


E eis a reportagem, na íntegra:

Ex-preso do MEP afirma que artigo de Benjamin é "um horror"

FÁBIO AMATO
DA AGÊNCIA FOLHA, EM CARAGUATATUBA

O eletricista João Batista dos Santos, ex-militante do MEP (Movimento pela Emancipação do Proletariado) e um dos homens que estiveram presos com o então sindicalista Luiz Inácio Lula da Silva em 1980, durante a ditadura militar (1964-1985), chamou de "um horror" o artigo do colunista César Benjamin, publicado pela Folha na semana passada.
Ao ser questionado se, conforme Benjamin relata ter ouvido de Lula, o então sindicalista tentou "subjugá-lo", num contexto sexual, quando foram companheiros de cela, Santos declarou: "Não tenho nada para comentar sobre o assunto".
No artigo "Os filhos do Brasil", Benjamin relatou um comentário que diz ter ouvido do próprio Lula, então candidato nas eleições presidenciais de 1994. Segundo Benjamin, naquela época filiado ao PT, Lula afirmou, numa reunião da campanha, que, no período em que esteve preso no Dops, em 1980, tentou "subjugar" um companheiro chamado por ele de "menino do MEP", cujo nome não foi citado.
Santos recebeu a reportagem da Folha no final da noite de domingo em sua casa, em Caraguatatuba, no litoral norte de São Paulo, onde vive há cerca de um ano e dez meses com a mulher e dois de seus oito filhos. Ele não permitiu que a entrevista fosse gravada nem aceitou ser fotografado.
A reportagem chegou à cidade no sábado e tentava ouvi-lo desde então. No início da madrugada de domingo, Santos fez o primeiro contato, por e-mail. Na mensagem, disse que havia outros "companheiros do MEP" naquela cela do Dops e, portanto, não entendia o motivo de o jornal procurá-lo.
Santos escreveu ainda no e-mail que não tinha nada a dizer sobre o episódio narrado por Benjamin e que estava "convertido em uma religião que não me permite mentir". Finalizou o texto dizendo que ficou "muito emocionado" com os relatos de Benjamin sobre o tempo em que ficou preso na ditadura, "sendo que aqueles mais ferozes da prisão foram amigáveis para com ele".
No texto de sexta-feira, Benjamin relatou sua experiência na prisão durante a ditadura e contou que não foi molestado pelos presos comuns.
Na entrevista à Folha, que durou cerca de 40 minutos, Santos, 60 anos, mudou a versão e afirmou que era o único integrante do MEP entre os homens presos na cela do Dops em que também estava Lula. Disse que continua filiado ao PT, mas abandonou a militância após se mudar para o litoral.
Santos disse que soube do artigo de Benjamin no dia seguinte à sua publicação, quando passou a receber telefonemas de jornalistas e antigos companheiros. Segundo ele, a situação foi "constrangedora".
Em seguida, contou que nasceu na cidade de Cristina (411 km ao sul Belo Horizonte), onde trabalhou como agricultor nas terras da família antes de se mudar para a casa de parentes em São José dos Campos (SP), por volta dos 17 anos.
Santos disse que ficou pouco tempo em São José e se mudou para São Bernardo (ABC paulista), onde se tornou metalúrgico. Na década de 1970, teve contato com o MEP, organização de esquerda que lutou contra a ditadura e, mais tarde, disse que ajudou a fundar o PT.
Segundo ele, sua função no MEP era "fazer a conscientização política" de trabalhadores em algumas fábricas da cidade.
Além dos 30 dias de prisão em 1980, disse que já havia passado um período de dois dias preso no Dops, em 1978. Quando deixou a prisão pela segunda vez, mudou-se novamente para São José dos Campos e foi "cuidar da vida." Militou ativamente pelo PT e, em 1983, ajudou a eleger um dos 14 irmãos, Braz Cândido Santos, hoje com 62 anos, vereador na cidade.
Em 2003, obteve a anistia e, há cerca de um ano e dez meses, mudou-se para o litoral.
Segundo o site do Ministério da Justiça, ele teve deferido pedido em 30 de abril de 2003 para receber remuneração mensal de R$ 2.030,70.
O anistiado disse que não conhece Benjamin. E afirmou acreditar que Lula "deve estar chateado" com o relato feito pelo colunista no artigo. Santos se negou a fazer qualquer comentário sobre o presidente ou o seu governo. O anistiado falou que voltou a encontrar o ex-companheiro de cela apenas uma outra vez, antes da vitória nas eleições de 2002, mas não soube precisar a data.
Para Santos, o jornal deveria tê-lo procurado antes da publicação do artigo.
Santos pediu que fosse publicado que ele conheceu o publisher da Folha, Octavio Frias de Oliveira, morto em 2007, quando prestou serviços em uma granja mantida pela família em São José dos Campos, na década de 1990. Segundo ele, nas conversas entre os dois, o publisher elogiava Lula e se mostrava simpático a um governo do petista.
Ele também pediu que fosse publicada sua declaração de que os herdeiros de Octavio Frias de Oliveira na Folha "não seguem o exemplo do pai." Segundo Santos, se o publisher ainda estivesse no controle do jornal "este artigo não teria sido publicado".
A mulher de Santos, Márcia Cristina Muniz, disse que, quando o marido falou de Lula, "foi sempre de maneira positiva", e que nunca tinha ouvido relatos sobre uma possível tentativa de abuso na prisão. Criticou ainda o artigo, que chamou de "baixaria", e disse temer que os filhos, em idade escolar, possam ser vítimas de chacotas por parte dos colegas.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Dines sobre Benjamin: lixo em estado puro

Palavra de mestre não se discute. Dines locuta, causa finita...

LEITURAS DA FOLHA
Lixo em estado puro

Por Alberto Dines em 30/11/2009
Comentário para o programa radiofônico do OI

Vamos criar uma igreja e deixar de pagar impostos? A manchete da Folha de S.Paulo de domingo (29/11) foi a mais comentada dos últimos tempos. Nem parecia ser o mesmo jornal que dias antes, na sexta-feira, produziu um lixo jornalístico dos mais repugnantes e que desde então está ocupando a seção de cartas dos leitores quase inteira.

A propósito da estréia do filme Lula, o filho do Brasil, a Folha publicou um depoimento do seu colunista Cesar Benjamin, dissidente do PT, a propósito de um comentário cabeludo feito há 15 anos pelo então candidato à presidência Lula da Silva (FSP, 27/11, pág. A-8).

Como foi constatado no dia seguinte, o comentário foi efetivamente feito mas em tom de troça, conversa de fim de expediente. A Folha rasgou e tripudiou sobre todos os seus manuais de redação, pisoteou 20 anos de trabalho dos seus ouvidores ao aceitar como verdadeira uma fofoca estapafúrdia sem qualquer diligência sobre a sua veracidade.

Não foi desatenção, erro involuntário, tropeço de um redator apressado: a Folha reservou uma página inteira para que o colunista contasse a sua saga nos cárceres da ditadura iniciada quando contava apenas 17 anos. Seu relato é impressionante, mas de repente, para desqualificar os 30 dias em que Lula passou no xadrez, Cesar Benjamin conta a sua anedota em três enormes parágrafos e com ela fecha o artigo.

Imprensa marrom

À primeira vista, parece mais um golpe publicitário da família Barreto (que produziu o filme), em seguida percebe-se que a denúncia é a vera, fruto de um ressentimento pessoal que um jornal do porte da Folha, que se assume "a serviço do Brasil", não tem o direito de perfilhar.

A direção da Folha simplesmente não avaliou o tamanho do desatino. No dia seguinte, tentou consertar: mancheteou uma de suas páginas com o justo desabafo de Lula classificando o texto como "loucura" (FSP, 28/11, pág. A-10). No domingo, certamente arrependida, a direção da Folha providenciou a evaporação do assunto. Ficou apenas a reprovação do seu ouvidor Carlos Eduardo Lins da Silva.

Tarde demais. Já no sábado (28/11) o Estado de S.Paulo repercutia o episódio com destaque e, no mesmo dia, a Veja já o incorporara à sua edição. O Globo manteve-se à distância desta porcaria.

Se o leitor não sabe o que significa "imprensa marrom", tem agora a oportunidade de confrontar-se com este exemplo – em estado puro – do jornalismo de escândalos e achaques.

domingo, 29 de novembro de 2009

Ratos abandonam o barco

Desnecessário comentar, revela a alma do PPS de Roberto Freire. A nota é do blog de Josias de Souza, da Folha de S. Paulo. Um leitor que escreveu para este blog tem certa razão: o PT pelo menos sabe ser solidários com os seus aloprados...

Após escândalo, PPS decide deixar o governo Arruda
A direção do partido determinará a todos os filiados que ocupam cargos na gestão de José Roberto Arruda (DEM) que se exonerem.
O posto mais relevante confiado por Arruda ao PPS é a secretaria de Saúde do GDF. Ocupa-o o deputado federal Augusto Carvalho (PPS-DF).
Na última segunda-feira (23), Augusto retomou o seu mandato de deputado.
Voltou à Câmara por uma semana, só para apresentar dois projetos de lei (aqui e aqui).
Seu retorno à secretaria de Saúde estava previsto para esta segunda (30). Na sexta (27) estourou o caso do 'Demensalão', o mensalão do DEM.
Na curta ausência de Augusto, a pasta da Saúde do GDF foi tocada pelo secretário adjunto Fernando Antunes, também filiado ao PPS.
Deve-se a decisão de desembarcar o PPS do governo Arruda ao presidente nacional da legenda, o ex-deputado Roberto Freire (PE).
Para Freire, as evidências de corrupção na gestão Arruda impedem que o PPS continue colaborando com o governo do DF.
Na noite passada, Freire trocou idéias sobre o escândalo do GDF com o deputado Raul Jungmann (PPS-PE).
Jungmann encontra-se em Tegucigalpa. Foi à capital de Honduras como observador das eleições presidenciais que ocorrerão neste domingo (29).
Tomara conhecimento da confusão que eletrifica a cena política brasiliense pela web. Impressionado, decidiu tocar o telefone para Freire.
Segundo disse Jungmann ao blog, o rompimento do PPS com Arruda será formalizado em reunião da Executiva do PPS, nesta semana.
Além do PPS, integram o governo Arruda o DEM, partido do governador, e o PSDB, parceiro da tribo ‘demo’ no Congresso Nacional e na sucessão presidencial.
O tucanato, por ora, não se manifestou sobre os descaminhos de seu aliado no DF.
Quanto ao DEM, revelou-se aturdido com a implosão da gestão de Arruda, o único governador que a legenda conseguiu eleger.
Na última sexta, dia em que Arruda foi às manchetes em situação vexatória, os ‘demos’ esboçaram apoio ao governador.
José Agripino (RN), líder do DEM no Senado, dissera: "Não conheço as denúncias, sei que é sobre licitações envolvendo os secretários...”
“...Portanto, até que surjam fatos posteriores, o partido mantém a confiança no seu governador".
O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente nacional do DEM, ecoara Agripino: "O STJ está fazendo as investigações e vamos esperar essas apurações...”
“...Temos a total confiança no governador Arruda [...]. Nos estranha a posição da Polícia Federal dias depois de o presidente Lula pedir para que ela tenha operações com mais cuidado".
Na virada do sábado (28) para o domingo (29), o DEM levou ao seu portal na internet uma nota vazada em timbre menos condescendente:
“As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda exigem esclarecimentos convincentes...”
“...O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar”.
O texto é assinado por três grão-demos: o presidente Rodrigo Maia e os líderes Agripino (Senado) e Ronaldo Caiado (Câmara).
Arruda não deu, por enquanto, um mísero pio. Alegou que só falaria depois de conhecer o teor do inquérito que perscruta sua administração.
O processo já é, a essa altura, coisa conhecida à farta. Relator do caso, o ministro Fernando Gonçalves, do STJ, levantou o sigilo das peças.
A demora de Arruda já não encontra amparo no desconhecimento. O governador apenas tenta construir explicações para o inexplicável.

Para bom entendedor...

... meia palavra basta. A nota oficial do DEM, reproduzida abaixo, significa o seguinte: o partido abandonou José Roberto Arruda à própria sorte. Vai lavar as mãos e se livrar do abacaxi. Mas o estrago está feito, complicou bastante o jogo de 2010 para o antigo PFL. No mínimo. E, naturalmente, também ficou ruim para José Serra (PSDB), que planeja ter o DEM ao seu lado no próximo ano.

Nota oficial do DEM
"As graves denúncias feitas contra o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, exigem esclarecimentos convincentes. O partido tem o compromisso com a verdade e aguarda a manifestação oficial do governador para poder se pronunciar.

Brasília, 28 de novembro de 2009.

Rodrigo Maia - Presidente nacional do Democratas
José Agripino - Líder do Democratas no Senado
Ronaldo Caiado - líder do Democratas na Câmara

sábado, 28 de novembro de 2009

Entrevista esclarecedora

Não é preciso nem comentar. Só mesmo um... César Benjamin para escrever o que escreveu, só mesmo a FSP para publicar o que publicou. Do Terra Magazine:

Tendler: Benjamin vai ganhar o prêmio "loura do ano"

Bob Fernandes, no Terra Magazine

César Benjamin, 55 anos, é ex-preso político e um dos fundadores do PT. Na sexta-feira, 27, Benjamin escreveu um artigo na Folha de S. Paulo e acusou o hoje presidente Lula de ter revelado, em 1994, uma tentativa de estupro dele, Lula, contra um "menino do MEP". Tentativa que teria acontecido em 1980, quando o então líder sindical Lula esteve preso por 30 dias, e na mesma prisão, com o jovem da organização de esquerda que já não existe, o MEP. César Benjamin cita, em seu texto, uma testemunha, "um publicitário brasileiro que trabalhava conosco cujo nome também esqueci".

O "publicitário" é o cineasta Silvio Tendler, que em 1994 trabalhou na campanha de Lula à presidência da República. De início, afirma Tendler:

- Ele diz não se lembrar de quem era o "publicitário", mas sabe muito bem que sou eu. Eu estava lá e vou contar essa história...

Sobre os fatos e a acusação, gravíssima, o cineasta, o documentarista Silvio Tendler conta o que viu e o que recorda daquele almoço em meio à campanha presidencial de 1994:

- Era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era um marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara...só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira...

Silvio Tendler já fez cerca de 40 filmes, entre curtas, médias e longas-metragens. Além de vários prêmios é detentor das três maiores bilheterias de documentários na história do cinema brasileiro: "O Mundo Mágico dos Trapalhões" (1 milhão e 800 mil espectadores), "Jango" (1 milhão de espectadores) e "Anos JK" (800 mil espectadores).

Na 33ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, neste 2009, Silvio Tendler lançou o documentário "Utopia e Barbárie", no qual trabalhou durante 19 anos. Dentre os personagens ouvidos pelo documentarista mundo afora, o general vietnamita Vo Nguyen Giap, que derrotou os exércitos francês e americano. "Giap, o maior general do século XX", segundo o cineasta.

Na conversa que se segue, o documentarista Silvio Tendler recorda a história da história de Lula e o "menino do MEP".

Terra Magazine - Silvio Tendler, é você o publicitário citado por César Benjamin no artigo na Folha de S.Paulo?
Silvio Tendler - Eu mesmo, em pessoa.

Você estava lá? Você, o Lula, o César Benjamin, o publicitário Paulo de Tarso e o tal marqueteiro dos Estados Unidos?
Na verdade eu não me lembro é do César Benjamin lá no almoço (...) e, sim, o publicitário que ele diz não lembrar era eu. E ele, se estava lá, sabe e se lembra que era eu; não tinha mais três publicitários na campanha, portanto ele sabe que era eu quem estava lá...mas eu não sei se ele estava, não me lembro, de verdade, se ele tava na sala. Ele agora diz não se lembrar do "publicitário" porque sabe que eu não iria corroborar essa maluquice, até porque eu vi, testemunhei, a quantidade de erros, de bobagens que ele cometeu durante a campanha...

Ele, César Benjamin?
Ele, Benjamin...por exemplo: já tava tudo perdido, um dos poucos apoios que o Lula ainda tinha depois daqueles erros de ataques da campanha ao Plano Real, era o da Igreja. E de repente o César resolveu botar como pauta do dia o quê?

O quê?
O aborto! Só isso. Esse cara montava e desmontava os programas como se fosse um expert em comunicação... e não era. Me lembro de outra história dele. Tinham inventado uma legislação casuística, criada para segurar o Lula, que tinha feito aquelas caravanas pelo Brasil. Não podia ter imagem externa em movimento... então fizemos um video-clip, eu e minha ex-mulher, a jornalista Tânia Fusco. Ela fez o texto, e eu, com as fotos dele na caravana e outras imagens, fiz, fizemos um clip, uma biografia do Lula a partir de fotos...

E aí?
Aí fui dar aula no Rio de Janeiro por dois dias, o comando da campanha era em São Paulo, e quando voltei o clip estava desfigurado pelo gênio da comunicação. Onde havia poesia o César colocou chavões do tipo "arrocho salarial"...

Por quê?
Porque se acha um gênio, melhor do que todo mundo... peguei meu boné e fui embora pro Rio...

E o César?
Ele continuou com suas trapalhadas. E quinze anos depois ele segue em campanha, agora contra o Lula diretamente. Ele atrapalhou o Lula em 94 e segue tentando atrapalhar o Lula.

Ok, esses detalhes à parte, você estava à mesa do almoço no dia da tal conversa do Lula?
Eu estava lá, sentado à mesa. Eu sou o publicitário "anônimo" que estava lá. O Lula, um cara que foi brincalhão durante toda a campanha, mesmo quando já tava tudo perdido. Eu até pensava "esse cara passa a noite pensando em como sacanear os outros", porque todo dia tinha uma piada, um brincadeira, uma vítima de gozação... nesse dia o Lula queria chocar o tal marqueteiro americano...

O James Carville era...
O James Carville tinha sido contratado para ajudar na campanha do Fernando Henrique e nós tínhamos o nosso americano também. O Lula brincava: "O americano do Fernando Henrique fez a campanha do Bill Clinton, o nosso americano fez a campanha do Daniel Ortega" (NR: Ex e atual presidente da Nicarágua). Bem, o Carville já tinha ou tava sendo mandado embora da campanha do FHC e a campanha do Lula também ia despachar o "nosso" americano.

E o que aconteceu?
...e aí, nesse dia, o Lula, claramente num clima de brincadeira, tava a fim de sacanear, de chocar o americano com essa história dele "seco" na prisão, todos na mesa, nós todos, sabíamos que aquilo era uma brincadeira, era gozação, sacanagem, e imaginando como seria se fosse traduzido pro cara...

Você tem, teve então a certeza de que era uma brincadeira? Não teve e não tem nenhuma dúvida?
Nenhuma. Era claro, óbvio que era uma brincadeira, mais uma piada, mais uma gozação do Lula, nenhuma dúvida. E além disso a história, a cena toda não teve de forma alguma esse ar, essa dramaticidade que o César enfiou nesse texto melodramático. É incrível essa história... todos sabíamos que aquilo era uma brincadeira, como tantas outras feitas durante a campanha...

As tais "conversas de homem"...
Nem era esse clima "conversa de homem", era brincadeira, pura gozação, nenhuma responsabilidade, nunca, nunca com esse tom de "confissão" que o Benjamin fez parecer que teve. E você acha que se isso fosse, soasse verdadeiro, todos nós não ficaríamos chocados? Todos ali da esquerda, com amigos presos, ex-presos e tudo mais, você acha que nós ouviríamos aquilo com tom de verdade, se assim fosse ou parecesse, e não reagiríamos, não ficaríamos chocados?

Na sua opinião, que conhece os personagens dessa história, o que aconteceu?
O César Benjamin guardou ressentimentos por 15 anos para agora despejar todo esse rancor. Ele pirou com o sucesso do Lula. Ele transformou uma piada num drama, vai ganhar o troféu "Loura do ano".

O Paulo de Tarso estava lá?
Estava. E estava o americano... pensa só uma coisa: você acha que o Lula, logo o Lula, tão pouco esperto como ele é, em meio a uma campanha presidencial, vai chegar na frente de um gringo que ele mal conhecia, um gringo que vai voltar pro país dele e contar tudo o que viu, você acha que o Lula vai chegar pra um gringo que nunca viu, na frente de testemunhas, e vai contar que tentou estuprar alguém? É, foi óbvio, evidente, que aquilo era gozação, piada, brincadeira, sem nada desse drama todo do Benjamin de agora... rimos e ninguém deu a menor importância àquilo...

Você, um cineasta, um documentarista que viveu a cena, relembrando-a quadro a quadro, o que verdadeiramente pensa, o que diria hoje?
O Lula adorava provocar... era óbvio para todos que ouvimos a história, às gargalhadas, que aquilo era uma das muitas brincadeiras do Lula, nada mais que isso, uma brincadeira. Todos os dias o Lula sacaneava alguém, contava piadas, inventava histórias. A vítima naquele dia era o marqueteiro americano. O Lula inventou aquela história, uma brincadeira, para chocar o cara... como é possível que alguém tenha levado aquilo a sério?

Então...
Isso não tem, não deveria ter importância nenhuma. Só um débil mental, um cara rancoroso e ressentido como o Benjamin, guardaria dessa forma dramática e embalada em rancor, durante 15 anos, uma piada, uma evidente brincadeira...

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Sobre Arruda e Cesinha

Notas rápidas, o dia foi quente e a próxima semana promete:

* José Roberto Arruda, governador do Distrito Federal, pode começar a ensaiar as mesmas lágrimas de crocodilo que apresentou no Senado, antes de renunciar no episódio da violação do painel. Seu governo acabou, se ele vai renunciar ou assistir ao desgaste de um processo de impeachment, é questão de cálculo político. Não há, porém, escapatória. A reeleição certa virou agora uma aventura, missão impossível. É só ir aos blogs de direita e ler o que os comentaristas, todos simpáticos ao DEM e PSDB, andam dizendo: "Zero um, pede prá sair..."

* Este blogueiro conhece pessoalmente César Benjamin. Já viajou com Cesinha de São Paulo a Itaici, pernoitou no mesmo alojamento que o editor, em um evento do MST e outras entidades da Consulta Popular, em 1998. Esteve com ele em outras reuniões, todas ligadas ao MST. Há duas considerações a serem feitas sobre Benjamin: primeiro, o autor deste blog não conhece nenhuma outra pessoa, nem mesmo Diogo Mainardi ou Reinaldo Azevedo, que tenha pelo presidente Lula o mesmo ódio professador por Cesinha. O que ele diz em privado sobre Lula supera em muito o que escreveu para a Folha de S. Paulo nesta sexta-feira. Desde Itaici, o autor destas Entrelinhas avalia que tanto ódio é uma questão para ser examinada à luz da psicanálise, não da política. Em segundo lugar, o blogueiro se espantou com a quantidade de comprimidos ingeridos pelo personagem em questão. Bem, talvez resida aí a explicação para o artigo: Cesinha pode ter esquecido de tomar algum dos seus tarja preta antes de batucar a excrescência publicada pela Folha de S. Paulo.

Falando sério, o que espanta não é César Benjamin ter escrito o que escreveu, mas a Folha ter publicado o que publicou. Talvez o pessoal lá também tenha esquecido de tomar algum medicamento... No mais, é certo que não vai dar em nada, o acusador é tão desqualificado, já tentou os mesmos golpes no passado, sempre sem sucesso. No fundo, no fundo, César Benjamin gostaria de ter sido um Zé Dirceu. Não conseguiu, frustrou-se. É uma pobre alma atormentada, "a loser", como diriam os norte-americanos. Nada mais do que isto.

Em tempo: nem o PSTU acredita em César Benjamin, conforme reportagem da Agência Estado, no trecho a seguir: "Lula foi detido pela polícia política no dia 19 de abril de 1980 e libertado no dia 20 de maio. Nesses 31 dias chegou a dividir a cela com até 18 pessoas. Um de seus companheiros mais jovens, com 23 anos, era o atual presidente do PSTU, José Maria de Almeida - na época militante da Convergência Socialista. Ontem, após ler o artigo, ele comentou: "Tenho motivos para atacar o Lula. O seu governo é uma tragédia para a classe trabalhadora. Mas isso que está escrito não aconteceu. O Benjamim viajou na maionese."

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

O PMDB não muda jamais

Tem muita gente dando bola para a candidatura própria do PMDB à presidência da República, lançada na semana passada, desta vez com o nome do governador Roberto Requião (PR). Levar a sério este movimento equivale a acender muita vela para um defundo que não merece tanta cerimônia. A questão é simples: o PMDB não terá candidato próprio por uma única razão - a falta de unidade partidária.

A elite do partido, digamos assim, está fechada com Dilma e tem força para controlar a Convenção Nacional, evidentemente com a ajuda do governo. Hoje, quem manda no PMDB de verdade são os deputados Michel Temer (SP), Eduardo Cunha (RJ), Eliseu Padilha (RS) e Henrique Eduardo Alves (RN), além dos senadores José Sarney (AP) e Renan Calheiros (AL). E estão todos muito mais próximos do governo do que se imagina por aí. Sim, existe uma dissidência importante, capitaneada por Orestes Quércia, presidente do diretório de São Paulo, que prefere apoiar José Serra.

No meio deste jogo, há os "independentes", que não têm força alguma - o senador Pedro Simon (RS) é o maior expoente da turma. A movimentação pela candidatura própria ganhou o apoio tático de Quércia e seu grupo porque serve para desgastar a ideia de apoio à Dilma. E ganhou também o apoio de parlamentares ligados ao grupo que de fato manda no partido, porque esta jogada cai como uma luva no velho ditado de que é preciso criar dificuldade para vender facilidade. Requião não será candidato à presidência, nem o PMDB apoiará José Serra.

Da mesma maneira que aconteceu em 2002, o PMDB irá para a eleição rachado e em alguns estados seus líderes apoiarão Serra, em outros o apoio será para Dilma. Mas o tempo na televisão, que é o que de fato importa, ficará com a candidata do PT. É bom lembrar que em 2002 o PMDB indicou o vice na chapa do mesmo José Serra, e Quércia, por exemplo, apoiou Lula. Agora o jogo virou: o ex-governador paulista, mais Jarbas Vasconcellos e outras lideranças regionais darão suporte à candidatura tucana de Serra, se ele vier mesmo a ser candidato.

No fundo, a única coisa que pode embaralhar o jogo é uma eventual candidatura de Aécio Neves, governador de Minas Gerais. Neste caso, a ala governista do partido pode pender para o tucanato, pois Aécio tem mais capacidade de convencimento para agregar apoios. Ainda assim, este blog aposta que o PMDB estará formalmente casado com Dilma, pulando a cerca aqui e acolá. É da natureza do partido e ninguém no meio político acredita seriamente em outra hipótese. Nem José Serra...

Serra vai mesmo para a luta?

Abaixo, artigo de Fernando Rodrigues para a Folha de S. Paulo. O colunista é dos bons, bem informado e com boa capacidade de análise. O que o autor destas Entrelinhas tem ouvido por aí, no entanto, é o oposto do que escreve Rodrigues: Serra estaria mais relutante do que nunca com a candidatura presidencial. Com a sua própria base despedaçada, quer esperar as pesquisas de janeiro e fevereiro para decidir se fica em São Paulo, resolvendo assim a questão da sucessão estadual - para ele, Geraldo Alckmin ou Ciro Gomes são igualmente inimigos - e deixando a disputa pela sucessão de Lula para Aécio Neves ou quem mais se anime a enfrentar a candidata do presidente. Não dá ainda para apostar, mas, como dizem os italianos, "se non è vero, è bene trovatto"...

Serra entra em campo

BRASÍLIA - O tucano José Serra continua usando a expressão "se eu vier a ser candidato", mas ontem falou como se já estivesse em campanha pelo Planalto. Analisou pesquisas, criticou adversários e tentou construir um curioso raciocínio sobre a eleição de 2010 e o crescimento econômico.
"Economia não decide eleição", declarou Serra ao conceder longa entrevista à rádio Jovem Pan. É uma inversão da teoria popularizada pelo norte-americano James Carville, marqueteiro de Bill Clinton nos anos 90 -a famosa frase "é a economia, estúpido".
No novo figurino de quase candidato a presidente, Serra até usou uma metáfora. A alegoria poderia ter saído da boca de Lula. Se a economia está em boas condições, afirmou o tucano, a eleição de 2010 será como decidir sobre a substituição do motorista de um ônibus que está andando bem. O eleitor escolherá quem estará mais apto a continuar a conduzir o ônibus.
Mais adiante, Serra defendeu o direito de FHC criticar Lula. Perguntou por que só alguns ex-presidentes poderiam falar, como José Sarney e Fernando Collor, ambos pró-PT. Ofereceu então uma provocação: "Se você pudesse votar no passado [num ex-presidente], você votaria em quem? Fernando Henrique, Collor ou Sarney?".
Para arrematar suas alfinetadas, o governador paulista desdenhou o encontro entre Aécio Neves e Ciro Gomes -este, o maior produtor de diatribes anti-Serra da política brasileira. A possível e anunciada joint-venture Aécio-Ciro não teria "consequência nenhuma", até porque "[Ciro] não vai fazer nada que o Lula não queira".
Tudo considerado, Serra entrou em campo. Mas sua teoria de a economia não decidir eleição soa exótica, para dizer o mínimo. Só se explica pela necessidade de o tucano tentar calibrar o discurso pré-eleitoral. Por enquanto, como fica óbvio para quem escuta, ele está na fase de tentativa e erro.

domingo, 22 de novembro de 2009

Deus é grande

A justiça divina às vezes acontece: o Flamengo só empatou e o tricolor segue na liderança. Agora são dois jogos, um ponto de diferença. E o tal "mengão" tem de encarar o gordômeno Ronaldo. Este blog reitera o pedido ao Juvenal que providencie um passe livre para o atacante corintiano no Bahamas, em caso de vitória alvinegra. Mas é bom lembrar aos desavisados que se o tricolor ganhar as duas restantes, não vai precisar da mão amiga de ninguém.

Vale a pena conhecer

Está no blog Com Texto Livre e é sensacional o post sobre um novo movimento que emerge no Brasil: "Eu também sou filho de FHC".

Este blog inveja a criatividade e lamenta não ter pensado antes em fundar e levar adiante a tal jornada cívica. O Pai da Pátria certamente ficará orgulhoso de seus filhos todos, que não fogem à luta nem adoram a própria morte, mas preferem Barcelona, Lisboa ou um cantinho discreto no Senado Federal de banânia mesmo. E mais não dizemos.

PS: Aliás, dizemos sim: não é fácil o que já tem de cineasta por aí querendo fazer um filme sobre FHC, para rivalizar com o de Lula. O nome seria: "Todos os filhos do presidente"... Gente maldosa.

Cariocada em curso

Como era de se esperar, o tricolor foi "operado" no Engenhão. Agora o Flamengo vai ganhar do Goiás com a mãozinha amiga. Tudo como dantes no quartel de abrantes...

Apesar da "gandulagem", 1 a 1:
nem a cariocada segura o tricolor?

Vamos ver o que vem por aí: o clima não está bom no Engenhão. Gandulas que não devolvem a bola é uma coisa tão antiga, tão amadora, tão... carioca! Não dá nem para comentar. Apesar dos percalços, o São Paulo já empatou e se continuar no mesmo ritmo (impossível nos 35 graus do Rio), poderia golear. Se ganhar, está ótimo. Se empatar, está bom. Naturalmente, o Flamengo já está sendo beneficiado - vai jogar à noite. Depois o pessoal acha que o blog pega no pé dos cariocas... Enfim, se a "gandulagem" e a arbitragem não virarem gatunagem no segundo tempo, a liderança permanece. E aí, é contagem regressiva para o caneco, porque problema mesmo é o jogo de hoje.

Lula, FHC e Caê, tudo a ver...

Está muito engraçado o vídeo abaixo. Atenção para a surpresa final, é realmente hilária, o blog não vai estragar o deleite dos leitores contando o que é, então vale mesmo a pena assistir.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Afinal, quem manda no PSDB?

A nota abaixo está no blog do jornalista Ricardo Noblat. Vale a leitura, antes das conclusões:

Serra diz que só vai se envolver com eleições em 2010

Em resposta ao pedido dos diretórios estaduais do PSDB que querem antecipar a escolha do candidato a presidente pelo partido, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB) reforçou nesta quinta-feira, 19, em Curitiba que não vai se envolver em campanha eleitoral "até o momento em que nos aproximemos da época da desincompatibilização". O outro presidenciável do partido, o governador mineiro, Aécio Neves, aproveitou a cobrança dos tucanos nos Estado para voltar a pedir a antecipação do processo de escolha.

Bem, é simples a questão: quem, afinal, manda nesta esbórnia chamada PSDB? O jogo agora parece meio surreal: no PT, não há ninguém, neste momento, contestando a candidatura da ministra Dilma Rousseff. Já no ninho tucano, o clima é meio parecido com o que rolou ontem no Estádio Olímpico. Serra deve ser o Obina, Aécio tem jeito de Danilo. O fato é que os dois companheiros se estapearam em público e este blog está curioso para ver até quando vai a paciência do governador paulista. Serra gostou de ser chamado de "coiso" por Ciro Gomes, ao lado de Aécio Neves? Não, certamente não gostou.

Mas calou o bico, em nome de seu próprio desejo de se tornar o sucessor de Lula. Este blog avalia que, até aqui, Aécio tem jogado muito melhor do que Serra. Muito é pouco neste caso, porque o governador prefere se decidar a questões menores, que acha grandes. Até agora, porém, não resolveu o básico - Febem (Fundação Casa) e Segurança Pública, atributos do governo do Estado. O que é de Lula, Serra manda brasa; em seu quintal, comporta-se como se estivesse fora da disputa. Não está, e terá que dar a cara para bater. Pode não ser bom.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Ano sabático para o tricolor

O campeonato brasileiro ainda não acabou, mas o jornalista Ricardo Kotscho, em seu blog, escreveu em uma linha a solução para os problemas do futebol nacional: é preciso que o São Paulo Futebol Clube tire um ano sabático em 2010 para que as demais agremiações tenham alguma chance de se tornarem campeãs do Brasileirão. Do contrário, perde a graça.

Este blog concorda: o tricolor deveria disputar, como convidado, algum campeonato na Europa. Talvez por mais de um ano - um giro completo seria o ideal: Inglaterra, Espanha, Itália e França. Se bobear, o clube volta para o Brasil com quatro canecos. Enquanto isto, curintians, parmeira, santus, framengo e fruminense poderiam medir forças e treinar muito para a volta do Campeão. Sim, é preciso sempre lembrar: o Campeão voltou! Sorry, periferia, mas é simples assim.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Quem avisa, amigo é

Corre o boato que foi o palmeirense José Serra quem aconselhou Obina a não levar desaforo para casa. E que ele mesmo, o governador, estava no Olímpico nesta fatídica noite de quarta-feira. Deve ser tudo verdade, mas o fato é que este blog aposta um Red Label na desclassificação do poderoso alviverde do G4. É isto mesmo: o time de Muricy não vai para a Libertadores de 2010. Quem viver, verá! E quem quiser apostar pode mandar um e-mail para o blogueiro. Se a nação alviverde for tão esperançosa como a corintiana, o autor destas Entrelinhas vai passar 2010 tomando scotch de graça...

Palmeiras patético

Não dá para não rir. Coitado do professor Belluzzo, vai ter muito trabalho pela frente para amainar as coisas no Parque Antártica. O time perdeu a cabeça. Pode até virar o jogo contra o Grêmio, mas está com uma cara de fim de festa inacreditável. Até briga de rua os jogadores estão aprontando no gramado do Olímpico. Entre eles, o que é pior...

Um Lugo brasileiro?

Este blog nem vai reproduzir, quem quiser saciar a curiosidade, que vá lá no Cláudio Humberto e leia a nota "Ex-empregada afirma ter um filho com FHC". Só não dá para não comentar: se as coisas continuarem neste ritmo, logo mais Fernando Henrique Cardoso ganhará o garboso apelido de "Lugo brasileiro". Segundo ponto, muito importante: pelo que descreve o ex-porta-voz de Collor de Mello, a célebre frase "eu tenho um pé na cozinha" já está devidamente explicada. Ou, pensando melhor, não é bem o pé que foi para a cozinha...

Tudo somado, a verdade é que o senador Renan Calheiros é realmente um grande injustiçado. Sortudo, mas injustiçado...

Justiça errou: cariocada a caminho

A suspensão, no STJD, dos jogadores Jean, Dagoberto e Borges por três partidas é um absurdo completo e absoluto. É evidente que está em curso uma armação para tirar o tetracampeonato do glorioso tricolor do Morumbi. E o Flamengo é o candidato a, literalmente, roubar a taça que, por merecimento, já deveria estar sendo despachada para a sede do São Paulo, no bairro do Morumbi. Ok, é bem verdade que não é bom para o marketing do campeonato brasileiro que um mesmo time leve quatro vezes seguidas a taça para casa, mas a verdade é que ninguém conseguiu ser mais competente que o tricolor paulista. Sim, é simples assim, só a ladroagem - que já começou - pode tirar o hepta-tetra do SPFC neste ano da graça de 2009. E o palpite do blog é que, apesar das tentativas, a taça vai mesmo é para o Morumbi.

Justiça acertou: decisão é de Lula

Muito natural e correto o entendimento do STF de que cabe ao presidente da República a decisão sobre a extradição de Cesare Battisti. Estranho seria o Judiciário decidir a questão e mandar executá-la. Claro que a execuçãodo que foi decidido cabe ao poder... Executivo. Analistas de direita estão dando como certo que Lula vá negar a extradição e manter Battisti no Brasil. Bem, é o cenário mais provável, mas este blog não está tão certo de que isto realmente venha a ocorrer. Talvez o presidente prefira seguir a decisão do Judiciário justamente para que ninguém diga que ele resolveu a questão sozinho. Melhor esperar e ver o desfecho da história.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Aécio: se Serra vence, o Brasil para

Com amigos assim, o governador José Serra deveria dispensar os inimigos. Só para lembrar: Aécio Neves é tão tucano como Serra e não pode mais deixar o partido para disputar a eleição de 2010. No PSDB está, no PSDB ficará. A nota é da jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo.

NUNCA MAIS
Em conversa recente com empresários, Aécio Neves (PSDB-MG), cada vez mais empenhado em convencê-los de que teria mais condições de governabilidade na Presidência da República do que José Serra, insinuou que, se o tucano paulista ganhar as eleições de 2010, “o governo pode parar”. Tudo por causa da radicalização do PT e dos movimentos sociais. “E aí vai ser aquela saudade imensa [do presidente Lula]. Em quatro anos, ele [Lula] volta e nós nunca mais ganhamos as eleições neste país.”

Iglecias: semana boa ou semana ruim?

A seguir, mais uma colaboração do professor Wagner Iglecias para o Entrelinhas. Como sempre, direto ao ponto.

Semaninha dificil para nossos principais políticos a que passou, não?

Tudo caminhava bem para o Planalto, com Lula recebendo o titulo de estadista do ano na Europa, Dilma subindo nas pesquisas e manchetes elogiosas ao Brasil aparecendo na imprensa internacional. Mas eis que veio o apagão, nos lembrando que nem tudo entre nós funciona na base do "nunca antes na História deste país".

Ato contínuo, a oposição vislumbrou a oportunidade de desgastar o governo, jogando-o na vala
comum dos apagões do passado, e, mais do que isto, carimbar em Dilma Roussef, responsável pela área das Minas e Energia no primeiro mandato de Lula, a pecha de má gestora. Mas eis que o "sobrenatural de Almeida" parece ter entrado em cena e a vingança dos governistas veio
a cavalo, ainda que involuntária, obviamente. Em plena sexta-feira 13 cairam as pesadíssimas vigas das obras do trecho sul do rodoanel, menina dos olhos das obras que o governador e candidato a presidente José Serra provavelmente exibirá no horário eleitoral da campanha do
ano que vem.

Como diz o outro, "yo no creo en las brujas, pero...".

Superstições a parte, Lula saiu-se com algo como "se Deus quiser isso (o apagão) não vai acontecer novamente", enquanto Serra mandou algo na linha do "pelo menos ninguém morreu", sobre o impressionante acidente no rodoanel.

O cidadão, atônito, vê os dois principais governantes do país demonstrarem a fragilidade do discurso da eficiência diante de dois fatos tão espetaculosos. Quem sabe, melhor assim. Quando Lula e Dilma chamarem para si um cabedal de sucessos na campanha de 2010 não faltará quem lembre a sociedade que naquelanoite de terça-feira boa parte do país ficou às escuras, à mercê do
acaso.

Quando Serra e os demo-tucanos perfilarem para o eleitor suas qualidades de gestores responsáveis e competentes não faltará quem recorde o eleitor que já não foi a primeira vez que uma obra pública em SP apresentou falha inacreditável. A semana passada foi boa, afinal, de fato, ninguém morreu. E nossos homens públicos se mostraram, ainda que a contragosto, bem menos perfeitos do que pensam.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor de Gestão de Políticas Públicas da USP

Alô, Serra, Cesar Maia quer carinho

A matéria abaixo está na Folha de S. Paulo desta terça-feira. Ao que parece, o pessoal do DEM e PSDB está precisando discutir a relação. Não fica bem para o governador José Serra ter no partido aliado um dos líderes mais importantes, pai do presidente nacional da legenda, tão crítico de sua pessoa. Este blog acha que Cesar Maia está carente, precisando de uma boa conversa e de um ouvido compreensivo. Se Serra não der atenção ao ex-prefeito, vai aparecer quem dê. Lá em Minas, por exemplo, há alguém cheio de amor para dar. Abre o olho, José Serra...

Serra lembra os "piores caudilhos", diz Cesar Maia

Democrata endossa discurso de seu filho de apoio a Aécio

DA REPORTAGEM LOCAL

A relação entre PSDB e DEM sofreu novo abalo ontem. A exemplo do filho, o presidente nacional do DEM, Rodrigo Maia (RJ), o ex-prefeito do Rio Cesar Maia disse que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), "lembra os piores caudilhos" ao avocar para si a decisão sobre a candidatura do PSDB à Presidência.
Hoje, Serra lidera as pesquisas para presidente. Mas, assim como o filho, Cesar Maia elogia o governador de Minas, Aécio Neves. Em entrevista ao portal iG, Maia chamou Serra de personalista. Procurado pela Folha, reiterou as críticas.
"O Serra diz que quer ser candidato, que será candidato, que pode ser candidato, e o partido parece não ter nada a ver com isso. É um populismo descarado. Lembra os piores caudilhos. Um caudilho do passado apontava o dedo para o candidato. Agora o próprio candidato aponta o dedo para si", disse, queixando-se da disposição de Serra de só se manifestar sobre a eleição em março.
Contrariado, Serra não quis comentar a declaração. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), cobrou um discurso mais construtivo. "O esforço agora é juntar todas as energias. A contribuição de Maia é fundamental. E isso implica um discurso de maior colaboração e mais construtivo."
Em Alagoas, Aécio defendeu que a escolha aconteça até janeiro e disse que "gostaria muito" de ter Ciro Gomes (PSB-CE) -desafeto de Serra- como aliado. Afirmou ser "concreta" a possibilidade de Serra não concorrer à Presidência.
(CATIA SEABRA)

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cadê a crise que estava aqui?

Parece mesmo que o gato comeu a crise financeira global, pelo menos no Brasil. Mas é claro que Míriam Leitão vai achar um jeitinho de dizer que o melhor outubro da história para o mercado de trabalho formal no país não é lá essas coisas... Ou então que é mérito dos "fundamentos" erigidos pelo gigante FHC.

Brasil gera 230 mil empregos e tem melhor outubro da história

LORENNA RODRIGUES
da Folha Online, em Brasília

O mercado formal brasileiro registrou a criação de 230.956 vagas em outubro deste ano, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), divulgados nesta segunda-feira pelo Ministério do Trabalho. É o melhor resultado da série histórica, que começa em 1992.

No ano, foram registrados 1,163 milhão de empregos de janeiro a outubro deste ano. No mesmo período do ano passado, foram criados 2,147 milhões.

Maluf quer Serra presidente do Brasil

O que vai abaixo está no blog do Josias de Souza, jornalista da Folha de S. Paulo. Sim, apoio não se recusa, se Maluf apoiar Dilma, ela certamente aceitará de bom grado a força que doutor Paulo pode dar. Mas a questão não é esta. A questão é quem Maluf prefere, isto diz muito dos candidatos que estão na disputa presidencial. E o coração dele bate mais forte por José Serra...

Presidente do PP-SP, Maluf pende para apoio a Serra

A depender da vontade do deputado Paulo Maluf, presidente do diretório do PP em São Paulo, o partido fecha com José Serra, não com Dilma Rousseff.
Em privado, Maluf diz: “Não tenho nenhum problema com o Serra. Se houver um acordo político que abra espaços para o PP, podemos negociar tranquilamente”.
Nesses diálogos reservados, Maluf realça os laços que o unem também ao DEM, parceiro de Serra na política de São Paulo.
Considera-se um impulsionador das carreiras políticas de Gilberto Kassab, prefeito da capital, e de Guilherme Afif, secretário de Emprego da gestão Serra.
“Não digo que os dois são minhas crias porque eles já atingiram a maioridade. Mas eles começaram na política comigo”.
Maluf dá de barato que o candidato do PSDB será Serra, não Aécio Neves. Acha que a sucessão de Lula será decidida no maior colégio eleitoral do país.
“São Paulo tem 22,5% dos eleitores do país. São 30 milhões de eleitores. Se o Serra levar 20 milhões de voto, sobram 10 milhões para a Dilma...”
“...Sinceramente, será muito difícil tirar essa diferença”. Lembra que, “em 89, o Lula perdeu a eleição para o Fernando Collor graças a São Paulo”.
“O Lula ganhou no Rio. Mas perdeu em São Paulo. A diferença foi de 4 milhões de votos. Na soma nacional, Lula perdeu por 1 milhão de votos”.
Recorda, de resto, que Lula foi batido em São Paulo nas duas eleições em que FHC prevaleceu sobre ele, em 1994 e 1998.
Afirma que, mesmo nas duas eleições em que triunfou, Lula perdeu em São Paulo –em 2002, para Serra; em 2006, para Geraldo Alckmin.
“O PT, com Lula, perdeu em São Paulo até para o Alckmin. É humilhante, mas é verdade”, diz Maluf. Acha que Dilma terá maiores dificuldades que o chefe.
Assediado pelos dois lados, o PP administra o seu patrimônio eletrônico com a barriga. Empurra a decisão para meados de 2010.
Há 20 dias, a bancada de congressistas da legenda jantou com Dilma, em Brasília. O repasto não resultou em apoio à presidenciável oficial.
Uma semana depois, o senador Francisco Dornelles (RJ), presidente do PP, almoçou, em São Paulo, com os grão-tucanos FHC e Sérgio Guerra. E nada.
Sócio minoritário do consórcio governista, o PP dá suporte congressual a Lula. Mantém na Esplanada um ministro: Márcio Fortes (Cidades).
A despeito disso, frequenta a ante-sala de 2010 dividido em três partes. Um pedaço da legenda quer a aliança com Dilma. Outra parte prefere Serra.
Um terceiro grupo advoga a tese de que o partido não deve fechar com nenhum dos dois, privilegiando as alianças estaduais.
No caso de São Paulo, a dúvida é: o apoio explícito de Maluf ajuda ou atrapalha?

domingo, 15 de novembro de 2009

Pausa esportiva

Hepta ou tetra? Este é o doce dilema tricolor. Porque salvo o advento de uma cariocada absurda, mas que não se pode nunca descartar, o São Paulo Futebol Clube está com a mão na taça do Brasileirão. Tem duas paradas duras pela frente - Botafogo e Goiás fora de casa -, mas com o time jogando de maneira convincente e com raça, como ocorreu neste sábado, fica difícil para os adversários.
É, parece que a coisa está como a torcida grita: "voltou, o campeão voltou". E talvez nunca tenha sido tão fácil. Sim, o blog concorda: torcer para o São Paulo é mesmo uma grande moleza.
Em tempo: este blog prefere falar em hepta. Um número bonito, o sete...

sábado, 14 de novembro de 2009

Dois pesos, duas medidas

Manchete do UOL nesta tarde de sábado:

Rodoanel (SP)
Petistas usam acidente
para atacar José Serra


Este blogueiro não viu no UOL a manchete:

Apagão
Tucanos usam blecaute
para atacar Dilma Rousseff


Por que será?

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Duas capas

Credibilidade é tudo no jornalismo. O leitor escolhe o que prefere ler...

A comunista The Economist:



Ou a sempre correta Veja:

Choque de gestão: Rodoanel desaba

Está no Estadão.com, dispensa comentários. O bom é que quando a coisa acontece com o PSDB paulista, sempre há uma explicação clara e lúcida para este tipo de evento. O buraco do metrô de Pinheiros está aí que não nos deixa mentir...

Obra do Rodoanel desaba sobre rodovia Régis Bittencourt em SP

Maíra Teixeira, da Central de Notícias

SÃO PAULO - Pelo menos três pessoas ficaram feridas na noite desta sexta-feira, 13, após a queda de vigas de sustentação de um viaduto em construção no Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, em Embu das Artes, na Grande São Paulo.
Três vigas caíram sobre um caminhão e dois carros de passeio no km 279 da Rodovia Régis Bittencourt, no sentido São Paulo. Segundo os bombeiros, há vítimas leves e graves. Não há informações se houve alguma morte.
As três vigas que desabaram fazem parte de um lote de dez. Essas vigas foram içadas recentemente, entre os dias 7 e 10 de novembro.
O tráfego está interditado na pista do acidente, sentido São Paulo, e um desvio foi feito 800 metros antes do local do acidente, obrigando os motoristas a passar por dentro do município de Embu para seguir viagem. O tráfego está liberado no sentido Curitiba, que enfrenta lentidão.

Mudanças na mídia: teles em ação

Conforme adiantado neste blog – ainda não era possível contar a história toda –, vale a pena comentar um pouco as mudanças em curso no sistema de comunicação do Brasil. Muita gente já percebeu, mas talvez não tenha ainda a real dimensão do que está ocorrendo. A cada dia que passa, fica mais claro o posicionamento das operadoras de telefonia - fixa e móve -, que apenas aguardam modificações na legislação para entrar de cabeça no mercado de mídia - televisão, especialmente. Na internet, veículo em que as teles já podem atuar, é possível perceber o movimento de forma bastante clara. Vamos aos fatos concretos.

Na semana passada, o Observatório da Imprensa, site do qual este blogueiro é Editor Executivo, foi comunicado pelo portal iG, hoje umbilicalmente ligado à operadora Oi, que o contrato de hospedagem e fornecimento de conteúdo não seria renovado. A partir de dezembro, o Observatório estará hospedado em outro servidor e deixará de receber a mensalidade que o iG pagava - um recurso importante para a operação do site. E não foi só o Observatório. Praticamente todos os parceiros do iG em situação semelhante à do OI já foram avisados (ou estão sendo) sobre a não-renovação dos contratos. A ideia do portal iG agora é reforçar a sua marca. Para tanto, contratou o jornalista Eduardo Oinegue, ex-Veja, que comanda a reestruturação, ou, em palavras mais chiques, o "reposiconamento da marca".

Desde que assumiu, Oinegue vem provocando um verdadeiro terremoto no mercado de trabalho jornalístico, contratando profissionais com salários bem altos. Um repórter que cobrirá o Congresso Nacional em Brasília vai receber R$ 12 mil mensais. Somando os encargos trabalhistas, é o mesmo que o iG pagava ao site parceiro Congresso em Foco, que possui uma redação bastante aguerrida e vem recebendo prêmios de jornalismo pela excelência do seu trabalho. Com dinheiro para gastar, Oinegue, porém, preferiu montar sua própria redação em Brasília, sob o comando do experiente Tales Faria. Contratou Matheus Leitão, filho de Marcelo Netto e Míriam Leitão, o repórter que deu o "furo" do caso Francenildo para a Época, e Christiane Barbieri, ex-Folha, com passagem relâmpago pelo Brasil Econômico. Em São Paulo, Eduardo Oinegue já tirou Guilherme Barros da mesma Folha e deu a ele uma coluna no portal, com dois repórteres - repórteres mesmo, não estagiários.

Mas tudo isto é na verdade apenas a ponta do iceberg, para usar um jargão proibido em qualquer redação séria. O iG está rico e forte porque por trás dele está a Oi. Isto é fato. Pouco tempo atrás, a revista Veja deu uma notinha na coluna Radar, de Lauro Jardim, informando que a Oi estaria procurando um jornal impresso para comprar. E pelo que este blog apurou, tão logo a legislação permita, a operadora entra também no mercado de televisão.

A Telefônica, aliás, já oferece TV por assinatura e também não está parada e embora seu investimento em internet seja bem mais comedido que o do iG, o modelo é o mesmo: aposta no conteúdo próprio.

É evidente que em poucos anos o panorama da mídia brasileira será outro. A Oi nasceu com faturamento de R$ 30 bilhões ao passo que a Rede Globo, líder entre as emissoras brasileiras, não consegue mais do que R$ 8 bilhões por ano. A diferença é brutal. A Telefonica de Espanha, por exemplo, tem de lucro o que a Globo fatura por ano. Não há competição possível, é óbvio que as teles vão engolir as emissoras nacionais todas e dominar este mercado. Os mais espertos - e a Globo é espertíssima - poderão se tornar fornecedores de conteúdo para as teles, que não têm, ainda, know how neste ramo.

E, afinal, como será o futuro da mídia brasileira com a preponderância das teles? Não dá, ainda, para saber. Vai circular mais dinheiro, porém haverá tembém muita sinergia entre as empresas subsidiárias, no campo de mídia, das enormes empresas de telefonia, cujo core business sempre será telefonia mesmo...

Alguns românticos terão saudade do tempo das empresas familiares, talvez esquecendo o quão ruim também foram as administrações deste tipo no jornalismo brasileiro. A questão das teles não é de todo nefasta para o mercado de trabalho dos jornalistas, por exemplo, mas o é para a construção de uma nação soberana e dona de seu próprio nariz. Nada contra a participação de estrangeiros na mídia brasileira, que de resto, pelo menos no que se refere à televisão a cabo, já existe, é uma realidade, porém uma boa regulamentação que imponha certos limites ao gigantismo das teles pode equilibrar o jogo e permitir que o Brasil possua um sistema de mídia mais parecido com o europeu do que o norte-americano.

Em tempo: o repórter Matheus Leitão não participou da cobertura do caso Francenildo. A reportagem foi assinada por Gustavo Krieger e Andrei Meireles. Este blogueiro errou - e isto acontece no jornalismo. Errar é humano, persistir no erro é burrice.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Serra repete Paulo Maluf e escolhe o 2°

A notícia abaix está na Folha Online e é a cara do governador José Serra (PSDB): ao invés de fazer como fizeram Franco Montoro, Orestes Quércia, Fleury Filho, Mário Covas e Geraldo Alckmin, preferiu usar a prerrogativa que possui - não fez nada de errado, portanto - e imitou Paulo Salim Maluf, escolhendo o segundo colocado na votação na Universidade de São Paulo. Tal fato, portanto, não ocorria desde a ditadura militar. Como se pode ver, o governador mais uma vez dá mostras de toda a sua propalada habilidade política: vai colher crise onde crise não haveria. É simples assim.
Aécio Neves deve ter gostado. Muito.

Serra escolhe 2º colocado em votação para reitor da USP

DIÓGENES MUNIZ
editor de Multimídia da Folha Online

O professor João Grandino Rodas foi escolhido pelo governador de São Paulo, José Serra (PSDB), para o cargo de reitor da USP (Universidade de São Paulo). Segundo apurou a Folha Online, a decisão foi tomada nesta noite pelo político tucano e só deve ser anunciada oficialmente amanhã.
Rodas disputava o cargo com Glaucius Oliva e Armando Corbani Ferraz --ambos receberam apoio extraoficial da atual reitora, Suely Vilela, com quem Serra possui divergências. O escolhido pelo governador foi o segundo mais votado.
Serra tem autonomia para escolher qualquer um dos três candidatos. Mas, tradicionalmente, a escolha recai sobre o primeiro da lista --a última vez que a tradição foi quebrada ocorreu em 1981, quando o então governador Paulo Maluf optou por Antônio Hélio Vieira, quarto de uma lista sextupla feita na época.
João Grandino Rodas, diretor da Faculdade de Direito recebeu apoio de três ex-reitores (Guerra Filho, Fava de Moraes e Adolpho Melfi) e de ex-ministros (três de Estado, um do Supremo Tribunal Federal e um do Superior Tribunal Militar).