Quem acha que o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) "perdeu a cabeça" ao usar palavras de baixo calão para se referir ao Ministério Público está enganado. Ciro já é bem crescidinho e sabe muito bem o peso das palavras. O que ele fez foi deliberado. Entender isto não é difícil: o deputado socialista está tentando viabilizar a sua candidatura à presidência da República e para tanto veste um figurino que não cabe nem em Dilma e muito menos em Serra, qual seja o de político arrojado e destemido, do tipo que não tem medo de cara feia. Para compor o personagem, são necessárias ações e palavras fortes. Foi o que Ciro fez. Mas errou na mão. Saiu mais forte do que deveria. O presidente Lula, por exemplo, sabe colocar bem um palavrão em público sem parecer excessivamente vulgar. Na boca de Ciro, a coisa pareceu até meio ridícula, uma fala de um menino contrariado que chama o irmão (menor, de preferência) para briga. Claro, já virou munição para os adversários da candidatura do deputado socialista...
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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