terça-feira, 19 de maio de 2009

Terceiro mandato avança... na Colômbia

A oposição aqui no Brasil vai ter que rebolar para explicar a notícia abaixo. Essa história de terceiro mandato não era coisa de caudilhos como Hugo Chávez ou de gente desqualificada como o índio Evo Morales? Pois parece que Álvaro Uribe, o darling de dez entre dez conservadores brasileiros, também é chegado num golpinho básico para permanecer no poder. Nunca é demais lembrar que Geraldo Alckmin se inspirou justamente em Uribe ao montar o figurino de sua candidatura presidencial, em 2006. Bom moço, amigo dos americanos, implacável e vitorioso na luta contra as drogas e contra a criminalidade, Uribe era tudo que Alckmin queria ser (e o PCC não deixou, diga-se de passagem). Se passar a possibilidade do terceiro mandato de Uribe na Colômbia, este blog acha que Lula deveria evocar os mesmos argumentos e partir para o enfrentamento. Afinal, porque o Brasil deveria ser exceção na América Latina? A seguir, a notícia do dia, na versão publicada pela Agência Estado.

Senado da Colômbia abre caminho para terceiro mandato de Uribe

Senadores aprovam convocação de referendo sobre reeleição; texto será conciliado com projeto aprovado pela Câmara.

De Caracas para a BBC Brasil - O Senado da Colômbia aprovou, nesta terça-feira, o projeto de referendo de reeleição que poderá abrir caminho para que o atual presidente, Álvaro Uribe, concorra a um terceiro mandato presidencial.

Após meses de embates internos entre a bancada governista, o referendo foi aprovado na última das quatro votações a que foi submetido, por 62 votos a favor e cinco contra.

Os partidos opositores Liberal e Polo Democrático deixaram o plenário no momento da votação, afirmando que o ministro de Interior, Fábio Valencia, estaria "de bancada em bancada, comprando a votação".

O projeto de referendo esteve a ponto de ser barrado devido a denúncias de irregularidades no financiamento da campanha que promoveu a proposta.

Entre estas denúncias, está a suposta ajuda de um dos principais acusados no escândalo das pirâmides financeiras, David Murcia, à campanha.

Murcia afirmou ter doado US$ 2 milhões para a campanha de coleta de assinaturas, requisito necessário para levar a proposta a debate no Congresso. Redação

Agora, o texto do projeto aprovado pelo Senado deve ser conciliado com a versão que foi aprovada pela Câmara, em dezembro do ano passado.

Na Câmara, o uribismo pode enfrentar certa resistência entre a própria base governista, por causa da redação do projeto.Um suposto erro de redação na proposta que foi apoiada por quase 5 milhões de assinaturas estabelece que o presidente da República poderia candidatar-se a um terceiro mandato somente nas eleições de 2014.

Uma coalizão de partidos governistas, por sua vez, pretende modificar o texto para permitir que Uribe possa candidatar-se à sua segunda reeleição já em 2010.Quando o texto for ajustado nas duas casas legislativas, será levado à Corte Constitucional, órgão que determinará a validade ou não da proposta. Se for aprovado, o presidente deverá sancionar a lei e em seguida o referendo deve ser convocado.

Reforma constitucionalDepois disso, a batalha seria nas urnas. Para que a Constituição seja modificada, é preciso que cerca de 7,5 milhões de votos - 25% do total de eleitores - aprovem a emenda.Se isso ocorrer, será a segunda reforma realizada no mesmo artigo da Constituição sob o governo Uribe.

A primeira mudança ocorreu em 2004, para permitir que o presidente colombiano, eleito em 2002, concorresse a uma primeira reeleição presidencial em 2006.

Contra o tempoA base governista corre contra o tempo, pois o referendo precisa ser convocado até o mês de novembro, quando termina o prazo legal para que Uribe anuncie sua candidatura a um novo mandato.Uribe até agora não disse se pretende ou não disputar uma nova eleição.

Entre outros aliados do presidente, o ex-ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, que renunciou na segunda-feira, também está de olho na cadeira presidencial.

Visto como um dos principais protagonistas da política de enfrentamento às guerrilhas, Santos disse que não competirá com o atual presidente e que concorrerá à Presidência somente se Uribe não se candidatar.

"Minha candidatura depende do presidente Uribe", disse a uma rádio local.

O ex-ministro de Defesa afirmou, porém, que sua "intuição" diz que Uribe não irá se candidatar a um terceiro mandato.

Gozando de altos índices de aprovação, o governo de Uribe tem sido marcado pela dura política de combate às guerrilhas e por supostos vínculos de aliados do governo com grupos de narcotraficantes.

Um comentário:

  1. Curiosidade: O twitter da Band sobre transito segue três contas: duas do jornalismo da Band e a outra... bem, adivinhem vocês...

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