Pular para o conteúdo principal

Terceiro mandato avança... na Colômbia

A oposição aqui no Brasil vai ter que rebolar para explicar a notícia abaixo. Essa história de terceiro mandato não era coisa de caudilhos como Hugo Chávez ou de gente desqualificada como o índio Evo Morales? Pois parece que Álvaro Uribe, o darling de dez entre dez conservadores brasileiros, também é chegado num golpinho básico para permanecer no poder. Nunca é demais lembrar que Geraldo Alckmin se inspirou justamente em Uribe ao montar o figurino de sua candidatura presidencial, em 2006. Bom moço, amigo dos americanos, implacável e vitorioso na luta contra as drogas e contra a criminalidade, Uribe era tudo que Alckmin queria ser (e o PCC não deixou, diga-se de passagem). Se passar a possibilidade do terceiro mandato de Uribe na Colômbia, este blog acha que Lula deveria evocar os mesmos argumentos e partir para o enfrentamento. Afinal, porque o Brasil deveria ser exceção na América Latina? A seguir, a notícia do dia, na versão publicada pela Agência Estado.

Senado da Colômbia abre caminho para terceiro mandato de Uribe

Senadores aprovam convocação de referendo sobre reeleição; texto será conciliado com projeto aprovado pela Câmara.

De Caracas para a BBC Brasil - O Senado da Colômbia aprovou, nesta terça-feira, o projeto de referendo de reeleição que poderá abrir caminho para que o atual presidente, Álvaro Uribe, concorra a um terceiro mandato presidencial.

Após meses de embates internos entre a bancada governista, o referendo foi aprovado na última das quatro votações a que foi submetido, por 62 votos a favor e cinco contra.

Os partidos opositores Liberal e Polo Democrático deixaram o plenário no momento da votação, afirmando que o ministro de Interior, Fábio Valencia, estaria "de bancada em bancada, comprando a votação".

O projeto de referendo esteve a ponto de ser barrado devido a denúncias de irregularidades no financiamento da campanha que promoveu a proposta.

Entre estas denúncias, está a suposta ajuda de um dos principais acusados no escândalo das pirâmides financeiras, David Murcia, à campanha.

Murcia afirmou ter doado US$ 2 milhões para a campanha de coleta de assinaturas, requisito necessário para levar a proposta a debate no Congresso. Redação

Agora, o texto do projeto aprovado pelo Senado deve ser conciliado com a versão que foi aprovada pela Câmara, em dezembro do ano passado.

Na Câmara, o uribismo pode enfrentar certa resistência entre a própria base governista, por causa da redação do projeto.Um suposto erro de redação na proposta que foi apoiada por quase 5 milhões de assinaturas estabelece que o presidente da República poderia candidatar-se a um terceiro mandato somente nas eleições de 2014.

Uma coalizão de partidos governistas, por sua vez, pretende modificar o texto para permitir que Uribe possa candidatar-se à sua segunda reeleição já em 2010.Quando o texto for ajustado nas duas casas legislativas, será levado à Corte Constitucional, órgão que determinará a validade ou não da proposta. Se for aprovado, o presidente deverá sancionar a lei e em seguida o referendo deve ser convocado.

Reforma constitucionalDepois disso, a batalha seria nas urnas. Para que a Constituição seja modificada, é preciso que cerca de 7,5 milhões de votos - 25% do total de eleitores - aprovem a emenda.Se isso ocorrer, será a segunda reforma realizada no mesmo artigo da Constituição sob o governo Uribe.

A primeira mudança ocorreu em 2004, para permitir que o presidente colombiano, eleito em 2002, concorresse a uma primeira reeleição presidencial em 2006.

Contra o tempoA base governista corre contra o tempo, pois o referendo precisa ser convocado até o mês de novembro, quando termina o prazo legal para que Uribe anuncie sua candidatura a um novo mandato.Uribe até agora não disse se pretende ou não disputar uma nova eleição.

Entre outros aliados do presidente, o ex-ministro de Defesa, Juan Manuel Santos, que renunciou na segunda-feira, também está de olho na cadeira presidencial.

Visto como um dos principais protagonistas da política de enfrentamento às guerrilhas, Santos disse que não competirá com o atual presidente e que concorrerá à Presidência somente se Uribe não se candidatar.

"Minha candidatura depende do presidente Uribe", disse a uma rádio local.

O ex-ministro de Defesa afirmou, porém, que sua "intuição" diz que Uribe não irá se candidatar a um terceiro mandato.

Gozando de altos índices de aprovação, o governo de Uribe tem sido marcado pela dura política de combate às guerrilhas e por supostos vínculos de aliados do governo com grupos de narcotraficantes.

Comentários

  1. Curiosidade: O twitter da Band sobre transito segue três contas: duas do jornalismo da Band e a outra... bem, adivinhem vocês...

    ResponderExcluir

Postar um comentário

O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.

Postagens mais visitadas deste blog

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Política mundial? Leia o blog do Argemiro

Política internacional jamais foi o forte deste blog, que prefere manter o foco nas análises da mídia e da política brasileira. Para quem gosta de acompanhar o noticiário internacional em português e está cansado de ler o pouco que os nossos jornalões reproduzem por aqui, uma boa dica é o Blog do Argemiro Ferreira , um dos mais experientes correspondentes brasileiros trabalhando nos Estados Unidos. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa , Argemiro faz excelente análises e traz informações diferenciadas, especialmente sobre a corrida eleitoral nos EUA. Um bom exemplo é o post abaixo, que começa com futebol e termina em Karl Rove. Quem quiser ler mais é só dar um pulo lá ... A promiscuidade no jornalismo político Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedí-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria...