Pular para o conteúdo principal

Dilma: viés de alta

A nota abaixo está no blog do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo. Os números da pesquisa estão em linha com os que vem sendo comentados nos bastidores políticos. Até o final do ano, a ministra da Casa Civil deverá romper a barreira dos 30% de intenção de votos. A partir daí é que realmente começa a disputa eleitoral de 2010. Serra tem uma boa vantagem, mas é ilusório achar que o número do governador paulista é garantia de eleição fácil no próximo ano, até porque Serra é conhecido por 95% dos eleitores e é beneficiado, neste momento, pelo efeito "recall". Inteligente que é, o governador deve estar bastante preocupado com os números da pesquisa, pois o ritmo de subida de Dilma está acima do que seria esperado pelos petistas mais otimistas. Abaixo, a nota de Josias de Souza.

PT divulga pesquisa que mostra ‘ascensão’ de Dilma

Foi feita pelo instituto Vox Populi. Considerou cinco cenários. No melhor, Dilma ostenta 25% das intenções de voto. No pior, 19%.

José Serra, o tucano mais bem posto na pesquisa amealha 36% no cenário menos auspicioso. No embate direto com Dilma, sem outros contendores, vai a 48%.

A sondagem é nacional. Ouviram-se 2 mil pessoas entre os dias os dias 02 e 07 de maio. A margem de erro é de 2,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

O trabalho de campo foi fechado 13 dias depois de Dilma ter anunciado, em 25 de abril, que estava às voltas com o tratamento de um câncer linfático.

Vão abaixo os resultados da pesquisa:

- Cenário 1: com Dilma (PT), Aécio (PSDB), Ciro (PSB) e Heloisa Helena (PSOL)

Ciro: 23%
Dilma: 21%
Aécio: 18%
HH: 10%
Brancos e nulos: 19%

Comparando-se com pesquisa realizada pelo Vox Populi há um ano, em maio de 2008, Dilma subiu 10 pontos, Serra despencou 10 pontos e Ciro caiu 6.

- Cenário 2: Com Dilma, Ciro, José Serra (PSDB) e Heloísa Helena

Serra: 36%
Dilma: 19%
Ciro: 17%
HH: 8%
Branco e nulos: 19%

Comparação com maio de 2008: Dilma subiu 10 pontos; Serra caiu 10 pontos; e Ciro caiu 6 pontos.

- Cenário 3: Com Dilma, Aécio e HH. Sem Ciro

Dilma: 25%
Aécio: 20%
HH: 16%
Brancos e nulos: 40%

Não há levantamento anterior para comparação.

- Cenário 4: Com Dilma, Serra e HH. Sem Ciro

Serra: 43%
Dilma: 22%
HH: 11%
Brancoa e nulos: 24%

- Cenário 5: Só Dilma e Serra

Serra: 48%
Dilma, 25%
Brancos e nulos: 37%

O petismo ficou exultante. Estimava-se que Dilma só fosse roçar a casa dos 20% mais perto do fim do ano. Decidiu-se divulgar os dados para acalmar os ânimos dos potenciais aliados e esfriar o diz-que-diz sobre "Plano B". Na próxima semana, a cúpula do PT reúne-se em Brasília para trocar idéias sobre a pesquisa. O otimismo é atenuado pelas incertezas que rondam o quadro de saúde de Dilma. Algo que vai perdurar pelo menos até o final de agosto. Embora neguem, dirigentes do PT analisam alternativas à candidata oficial. Dois nomes frequentam com maior intensidade os diálogos feitos a portas fechadas: o do ex-ministro Antonio Palocci e o do governador baiano Jaques Wagner.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Um pai

Bruno Covas, prefeito de São Paulo, morreu vivendo. Morreu criando novas lembranças. Morreu não deixando o câncer levar a sua vontade de resistir.  Mesmo em estado grave, mesmo em tratamento oncológico, juntou todas as suas forças para assistir ao jogo do seu time Santos, na final da Libertadores, no Maracanã, ao lado do filho.  Foi aquela loucura por carinho a alguém, superando o desgaste da viagem e o suor frio dos remédios.  Na época, ele acabou criticado nas redes sociais por ter se exposto. Afinal, o que é o futebol perto da morte?  Nada, mas não era somente futebol, mas o amor ao seu adolescente Tomás, de 15 anos, cultivado pela torcida em comum. Não vibravam unicamente pelos jogadores, e sim pela amizade invencível entre eles, escreve Fabrício Carpinejar em texto publicado nas redes sociais. Linda homenagem, vale muito a leitura, continua a seguir.  Nos noventa minutos, Bruno Covas defendia o seu legado, a sua memória antes do adeus definitivo, para que s...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...