quinta-feira, 7 de maio de 2009

FHC, um "expert" em PT

Está interessante a matéria abaixo, da Agência Estado, reproduzindo uma entrevista com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre cenários para 2010. Cardoso poderia cuidar primeiro do ninho tucano, onde a confusão é grande, antes de dar palpite na seara alheia. Dizer que Lula "atropelou" o PT é uma bobagem, porque para quem conhece o partido de perto, é evidente que Dilma Rousseff consegue hoje ser unanimidade no partido justamente por não ser vinculada a uma determinada corrente. Lula, é óbvio, está bancando a candidatura da ministra, mas se não estivesse, é provável que ela própria acabasse sendo a candidata, até porque o PT não tem nenhum outro "nome natural" para a eleição. O nome do coração de Lula era Antonio Palocci, mas o ministro se estrepou no Caso Francenildo e precisa de tempo para se recompor.

Lula 'atropelou' o PT para indicar Dilma, diz FHC

Sem tomar partido sobre possíveis candidatos do PSDB, FHC salientou que Aécio tem de ser levado em conta

JAIR RATTNER - Agencia Estado

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou nesta quinta-feira, 7, que o PT foi "atropelado" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na definição da candidatura à sua sucessão. Em entrevista concedida à Agência Estado, antes de participar da Conferência do Estoril sobre globalização, em Portugal, FHC exemplificou com o que ocorreu com o Partido Revolucionário Institucional (PRI), do México, vencedor da revolução de 1917 e que durante dezenas de anos foi hegemônico no país. "Não foi o PT quem decidiu o candidato. Foi o Lula que decidiu quem é o candidato. Nós voltamos a uma situação como no México, que é o destapar o tapado. Foi o presidente que atropelou o PT e colocou a Dilma (ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff) como candidata", afirmou.

Ainda nas críticas ao PT, FHC disse que falta uma mensagem política para o PT. "Num País como o nosso, com 100 milhões de eleitores, com partidos que não são muito organizados, a eleição depende muito da mensagem do candidato. Hoje, a mensagem do candidato do presidente Lula é o Lula". Ele considera que a popularidade do presidente Lula não é fundamental nas eleições de 2010. "É uma questão que vai depender da transferência (dessa popularidade). Depende também de saber se vai durar, o que está relacionado com a situação econômica. E, pelos dados que nós temos até hoje, não há transferência. Nas municipais não ajudou muito."

Fernando Henrique acredita que a definição dos candidatos para a Presidência só vai ocorrer a partir do começo de 2010. "Acho que o jogo político não está montado ainda, o povo ainda não está alerta para a eleição. Acho que a situação só vai ficar clara no ano que vem e vamos ver quais potenciais candidatos terão realmente uma mensagem para o País", afirmou.

Tucanos
Sem tomar um partido na disputa entre os governadores de São Paulo, José Serra e de Minas Gerais, Aécio Neves, FHC salientou que o governador mineiro tem de ser levado em conta. "Nós temos que entender que Minas tem uma reivindicação importante. Você não pode simplesmente dizer que vamos dispensar Minas. Não é só o Aécio, é Minas. Então tem que chegar a uma solução com o apoio efetivo de Minas e de São Paulo".

Questionado se acreditava numa chapa ''puro-sangue'' do PSDB (Serra e Aécio), respondeu: "Não é questão de acreditar. Temos de ver se é possível. Primeiro, não sei se interessa a um dos dois ser vice. Não sei se não existem mais vices que poderiam dar mais força. Não é uma coisa que assuste a mim. O Brasil está de tal maneira que as pessoas não vão votar por partidos, vão votar por pessoas. E o presidente Lula transformou mais ainda o jogo político brasileiro numa coisa personalista."

A respeito do apoio do PMDB, disputado pelo PT e pelo PSDB, Fernando Henrique explicou a discussão dentro desse partido. "O PMDB é um partido amplo, de enraizamento local e que vai ter que discutir muito as questões locais para poder ver com quem ele se alia. Além disso, o PMDB é um partido sensível às pressões do governo federal, até porque está muito entrosado. Não sei para qual dos dois desses polos ele vai pender mais fortemente", afirmou FHC. "Provavelmente, o que vai acontecer é o que acontece sempre: vai se dividir. Uma parte apoia um setor e outra parte apoia outro setor. Acho que a decisão vai ser em função de dois fatores: a força do governo federal, para oferecer mais, e os interesses eleitorais dos Estados, para saber que aliança é mais vantajosa", completou o ex-presidente.

2 comentários:

  1. Tirando a análise pra lá de óbvia sobre o PMDB, o que sobra dessa entrevista? Comparar eleições nacionais com municipais, sinceramente, é até uma vergonha pra um sociólogo do naipe de FFHH fazer isso. E quanto a dizer que falta mensagem política ao PT!!! Será que ele não se enganou de legenda, afinal quem não tem discurso para a próxima eleição é o PSDB. Algumas bandeiras defendidas pelos tucanos foram apropriadas pelo PT (que, gostemos ou não, o PT colocou em prática com muito mais competência), e as que sobraram, caíram por terra com a derrocada do neoliberalismo. Chamou-me a atenção também, na verdade não entendi, FFHH comparar a chegada do PT ao governo central com a revolução mexicana e ao PRI. Carece de maiores explicações tal analogia.
    www.dissolvendo-no-ar.blogspot.com

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