Pular para o conteúdo principal

Uma notícia, duas manchetes

O pessoal da Folha está se esmerando em aumentar o tamanho dos efeitos da crise global no Brasil. Abaixo, a manchete do portal UOL, do Grupo Folha, e em seguida a chamada do site da revista Veja, que não é propriamente uma publicação "lulista". É chocante a diferença de tratamento dada à mesmíssima notícia. O leitor pode tirar suas próprias conclusões.

UOL: Produção de veículos cai 20% em relação a 2008
Lide: As montadoras apresentaram leve recuperação na produção de veículos em fevereiro na comparação janeiro deste ano, mas ainda apontam forte recuo em relação ao mesmo mês do ano passado, segundo informado nesta segunda-feira pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores).

Portal Veja: Venda de carros teve alta de 1% em fevereiro
Lide: No total, foram vendidos 199.400 veículos mês passado. A produção de automóveis subiu 9,2%, atingindo seu 2º mês consecutivo de alta. Exportações cresceram 27,1%.

Comentários

  1. Bem....
    Não vejo lógica nem na comparação....
    Para que comparar com o mesmo mês do ano passado?

    ResponderExcluir
  2. Perdoe-me por discordar de seu ponto-de-vista, mas fico com a FOLHA dessa vez. O melhor parâmetro para comparação é o mesmo período do exercício anterior, pois desconta-se a sazonalidade. Ademais, é muito simples apresentar crescimento sobre o mês imediantamente anterior, que contabilizou fortíssima queda. Não é questão de otimismo ou pessimismo. 20% de queda não é pouca coisa não, temos que ficar atentos. Encarar pelo lado do "crescimento de 1%" eu vejo como "tapar o sol com a peneira" demais. Na contabilidade, existe o princípio da prudência, que, em síntese, diz que no planejamento, entre dois cenários possíveis, devemos considerar o mais conservador, no caso, o mais realista.

    ResponderExcluir
  3. Rodrigo, prefiro o que foi reproduzido no site da Veja (sic), pois os números mostram recuperação (principalmente porque é o segundo número de uma escalada que já se aprecia). Porque, também, se formos pelo critério da Folha, até setembro deste ano teremos manchetes de queda em tudo em relação ao mesmo período do ano anterior, pois, lógico, a crise derrubou fortemente todos os números. Assim, podemos ter, até setembro, dois cenários: o de noticiar que os números deste ano serão menores que os do mesmo período do ano passado (e provavelmente serão mesmo) ou o de noticiar que, mês após mês, os setores vão se recuperando aos poucos, que é o que pode estar acontecendo com a produção de veículos no Brasil.

    ResponderExcluir
  4. Concordo com sua visão, Anônimo(?). Talvez a melhor saída fosse a conciliação das manchetes, em algo do tipo: "Venda de carros aumenta 1%, mas ainda é 20% menor que mesmo período do ano passado"
    Mas, sabemos que, infelizmente, cada jornal segue uma corrente política, portanto, serve a diferentes interesses, o que, por sua vez, vai determinar o viés da notícia.

    Abraço.

    ResponderExcluir

Postar um comentário

O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.

Postagens mais visitadas deste blog

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Política mundial? Leia o blog do Argemiro

Política internacional jamais foi o forte deste blog, que prefere manter o foco nas análises da mídia e da política brasileira. Para quem gosta de acompanhar o noticiário internacional em português e está cansado de ler o pouco que os nossos jornalões reproduzem por aqui, uma boa dica é o Blog do Argemiro Ferreira , um dos mais experientes correspondentes brasileiros trabalhando nos Estados Unidos. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa , Argemiro faz excelente análises e traz informações diferenciadas, especialmente sobre a corrida eleitoral nos EUA. Um bom exemplo é o post abaixo, que começa com futebol e termina em Karl Rove. Quem quiser ler mais é só dar um pulo lá ... A promiscuidade no jornalismo político Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedí-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria...