quinta-feira, 12 de março de 2009

Juros: o debate vai mudar

Se o "calcanhar de Aquiles" da gestão Lula para muita gente sempre foi a política monetária, comandada pelo ex-deputado tucano Henrique Meirelles, a partir de agora este debate vai mudar. Com a taxa Selic em 11,25% e apontando para baixo, é altamente provável que a partir da próxima reunião do Copom, no final de abril, o juro real brasileiro fique na faixa dos 5%. A taxa nominal será a mais baixa da história (a Selic foi criada em 1996) e apenas em tempos de hiperinflação o juro real ficou abaixo dos 5% porque a inflação era tão alta e crescia tão rapidamente que os juros acabam negativos.

É bastante provável que o Banco Central prossiga, depois de abril, a política de diminuição da taxa básica, o que levaria o país a ter um juro real inferior a 5% em 2010. O discurso do "juro mais alto do mundo" brandido hoje pela oposição não fará mais sentido. Ao contrário, o governo Lula terá sido o que mais reduziu a Selic na história do país – isto pode até acabar virando mote da campanha de Dilma Rousseff.

É bom a oposição começar a pensar no assunto, porque essa história de dizer que o tucano Meirelles joga mal não apenas revela a hipocrisia em criticar "um dos seus" (privadamente, tucanos e democratas adoram elogiar Meirelles, que recebe pau mesmo é dos integrantes de partidos de esquerda), como também vai acabar se revelando uma péssima estratégia.

Este blog avalia que Meirelles poderia, sim, ter começado a abaixar a taxa de juros mais cedo, mas não vê nas ações do BC nenhuma grande barbeiragem. O país caminha para um juro básico civilizado que deve proporcionar maior fomento ao crédito e à produção. No fundo, Fernando Henrique Cardoso tem certa razão quando diz que a oposição precisa encontrar um discurso, hoje não tem nenhum. No campo conservador, mais gente vem fazendo esta advertência: do jeito que a coisa vai, será muito difícil derrotar a candidata de Lula.

Um comentário:

  1. O outro ponto vulnerável do governo Lula - e bota vulnerável nisso - atende pelo nome de Daniel Dantas.
    Só que esse é o ponto fraco de TODOS os partidos, da extrema direita à extrema esquerda. Todos têm telhado de cristal, inclusive o PiG, o Partido da Imprensa Golpista, termo criado por PHA.
    Assim, não há como os demotucanalhas atingirem Lula nesse ponto sem atingirem - fortemente - a si próprios.
    É como uma arma poderosa que dá dois tiros, um para frente e outro para trás. Atinge o alvo e o atirador.

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