quarta-feira, 9 de agosto de 2006

Duas opiniões sobre Heloísa Helena no JN

Vale a pena ler a opinião de dois especialistas em televisão, cada qual de um lado do balcão, sobre o desempenho de Heloísa Helena no Jornal Nacional: um é o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), que além de entender de mídia pelo lado prático de ser também um político, é um estudioso da questão; o outro é o jornalista Mário Marona, ex-editor chefe do Jornal Nacional e ex-diretor da TV Globo em Brasília. O comentário de Marona foi retirado de seu blog e o de Cesar Maia, do "ex-blog" do prefeito, uma newsletter que circula por e-mail para quem se cadastrou no antigo blog que ele manteve até o início do ano.

1. A nota de Mário Marona:

Helô e Alckmin no JN: uma análise diferente

Para a maioria dos comentaristas de política, nos jornais e nos blogs, Geraldo Alckmin foi emparedado e Heloisa Helena saiu vitoriosa nas entrevistas ao Jornal Nacional.

Quem sou eu para discordar de análises tão qualificadas? Respondo: sou um chato, que gosta de discordar de opiniões qualificadas. Devo ter visto entrevistas diferentes da maioria ou estou corrompido em meu poder de percepção porque não acho que Alckmin tenha se saído tão mal, assim como não vi uma Heloisa Helena tão superior.

A candidata do PSOL foi, na verdade, beneficiada por perguntas que permitiam fugas táticas para conceituações genéricas. Foi beneficiada, também, por uma certa ansiedade dos entrevistadores, que pareciam preocupados em interrompê-la. Pôde, com isso, assumir ares de uma arrogância gentil, digamos assim, dirigindo-se a Fátima Bernardes e Willian Bonner com expressões como "meu amor", "minha filha" e "meu querido".

— Eu tenho que entender de reforma agrária mais do que você, meu amor - disse a certa altura a uma Fátima quase atordoada.

Heloisa falou o que quis e fugiu do que não lhe interessava. Deu oportunidade para réplicas que os entrevistadores não tiveram tempo de apresentar: quando disse que programa de partido não tem nada a ver com programa de governo permitiu que se perguntasse porque, então, rompeu com o PT, a ponto de ser expulsa, já que sua crítica corresponde exatamente à distância existente entre as idéias petistas e as práticas do presidente Lula.

Quanto a Geraldo Alckmin, é difícil perceber durante a entrevista o constrangimento que os analistas dizem ter visto. Mesmo sendo obrigado a responder a perguntas específicas e complicadas sobre a violência do dia em São Paulo, o candidato tucano esteve calmo durante todo o tempo. Nesta primeira entrevista, Fatima e Bonner não estavam tão ansiosos para interromper o candidato, como fizeram ontem com pessolista.

Soou estranha a insistência do JN na pergunta sobre os gastos de publicidade da Nossa Caixa com revistas de pequena circulação. Passou a impressão de que a Globo, que detém 70 por cento da verba publicitária do mercado, estava reclamando, pautada pelo departamento comercial, o que, tenho certeza, não e verdade.

Não voto em Alckmin e considero a hipótese de votar em Heloisa Helena, menos por ela do que por seu vice, César Benjamin, a quem admiro, mas considero muito esquemática a conclusão de que o tucano foi derrotado e a candidata do PSOL venceu o duelo com o JN.

2. O comentário de Cesar Maia

SENADORA HELOISA HELENA: NOTA 1.000 POR SUA ENTREVISTA NO JN!

Tudo perfeito: o sorriso, o olhar para a câmera da TV, a tranquilidade,a resposta rápida, a oferta de sua condição de mãe e mulher, tudo, tudo, tudo. E ainda fez o expectador se lembrar de você todas as noites no JN com seu buquê de flores e o carinho.

Para ganhar o grande prêmio Clinton de TV ou Blair de TV, faltaram duas coisas. Uma não é culpa sua. Fale com seu publicitário. As lentes de seus óculos refletem as luzes do estúdio. Ele tem que comprar uma dessas lentes que os locutores da TVG usam. Não dão reflexo. Outra foi um mínimo deslize ter falado com a Fátima Bernardes que você entende mais de reforma agrária que ela. Fátima explicou que ela representa o público ali. Mas serviu para o casal: é provável que eles estejam inquirindo como se fossem eles mesmos e não interlocutores dos expectadores. É capaz de você ter ajudado a eles a ajustar o tom.

Parabéns senadora. Este Ex-Blog está orgulhoso de você. A tempo: aquele "meu amor" para Fátima e Bonner, foi o máximo. Nem Clinton, nem Blair. Vou mais longe: nem Reagan que foi o mestre de todos.

2 comentários:

  1. O fraco desenpenho do Alckmin no jornal nacional nao foi causado pelo canditado.
    Alckimin ate se saiu bem nas respostas. Entretanto a pauta da entrevista foi que prejudicou-o. Fatos que estavam "escondidos" pela midia e nao eram conhecido pelo grande eleitorado foram expostos.(nossa caixa, educacao e Cpi na assembleia)

    ResponderExcluir
  2. O fraco desenpenho do Alckmin no jornal nacional nao foi causada pelo canditado.
    Alckimin ate se saiu bem nas respostas. Entretanto a pauta da entrevista foi que prejudicou-o. Fatos que estavam "escondidos" pela midia e nao eram conhecido pelo grande eleitorado foram expostos.(nossa caixa, educacao e Cpi na assembleia)

    ResponderExcluir

O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.