terça-feira, 8 de maio de 2007

Fenaj: mais um papelão

O autor destas Entrelinhas discorda de praticamente tudo que o jornalista Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, escreve. Algumas vezes, porém, Reinaldo acerta na veia. É o caso das análises que fez sobre a fraqueza da candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB) à presidência. O texto abaixo, reproduzido de seu blog, é especialmente feliz. A Fenaj há muito tempo se transformou em um verdadeiro estorvo, tendo inclusive prejudicado o governo do presidente Lula no episódio do natimorto Conselho Federal de Jornalismo.

A direção da Fenaj de fato revela a sua total falta de caráter com a nota sobre a morte do jornalista Luiz Carlos Barbon – ao invés de demonstrar indignação com o assassinato, acusa a vítima de exercício ilegal da profissão. A covardia dos sindicalistas é evidente: Barbon não está aqui para se defender das acusações que lhe foram feitas. O oportunismo da Fenaj é também óbvio, mas realmente causa espanto a desfaçatez dos diretores da entidade em usar uma morte para lembrar a questão da "regulamentação" da profissão de jornalista. Reinaldo apenas resvalou no fato, mas o que move a Fenaj nesta nota asquerosa é a sua luta pela obrigatoriedade do diploma e decorrente delimitação de um "lugar" exclusivo para os formados no mercado de trabalho. Um corporativismo tacanho e ultrapassado, que certamente dará seu último suspiro muito em breve.

Felizmente, pois, essa gente acovardada que hoje se encontra encastelada na Fenaj está perdendo a guerra em torno da obrigatoriedade do diploma, seja no Judiciário, no debate público da sociedade brasileira e também no mundo real – a internet em breve enterrará de vez qualquer possibilidade de limitação da atividade jornalística em função do canudo que a Fenaj tanto preza e para o qual terão de arrumar um uso alternativo. Que façam bom proveito.

Abaixo, a íntegra do texto de Reinaldo, contendo, inclusive, a nota da Fenaj.

O esgoto moral dos jornalistas sindicaleiros

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de São Paulo resolveram emitir uma nota conjunta sobre o assassinato de Luiz Carlos Barbom. Há muito tempo eu não lia nada tão asqueroso. Não que me surpreenda. Vindo de quem vem, espero sempre o pior. Ocorre que “eles”, com efeito, perderam qualquer noção de vergonha ou de limites. Leiam o texto, que segue em vermelho, volto depois. Ah, sim: a nota segue com todos os índices do analfabetismo que caracterizam essa gente.

A morte de qualquer cidadão nas circunstâncias ocorridas na cidade de Porto Ferreira, interior de São Paulo, onde Luiz Carlos Barbom Filho, de 37 anos, foi assassinado a tiros, obviamente, gera indignação, repulsa de toda a sociedade. Inicialmente, é preciso exigir o esclarecimento, bem como a punição dos responsáveis e hipotecar toda a solidariedade aos familiares e amigos da vítima.

Luiz Carlos Barbom Filho, apesar de se auto-intitular, não era jornalista de fato e de direito. O jornal de sua propriedade, Realidade, foi fechado pois nunca esteve regularizado e Barbom Filho não possuía o registro de jornalista, tendo sido, inclusive, processado por exercício ilegal da profissão.

No entanto, esses fatos não justificam nenhum ato de violência contra sua pessoa e tampouco desabonam as denúncias que eventualmente tenha tornado públicas contra desmandos de autoridades ou grupos.

Esse episódio exige uma reflexão profunda sobre o atual estágio de fragilidade social à qual está exposta a profissão de jornalista e grande parte da população.

Não é possível que crimes e ilegalidades só sejam alvo de ação efetiva do poder público, após se tornarem fenômenos midiáticos. A população não pode ter suas demandas atendidas pelo Estado somente após terem se tornado manchetes dos veículos de comunicação. É preciso existir canais abertos para que o povo exerça a cidadania, denuncie os desmandos dos poderosos, exija o cumprimento da Lei, enfim, faça valer seu direito à cidadania.

Para a realização plena dessas condições básicas de liberdade, os jornalistas têm um papel fundamental a cumprir. Isso é obvio, mas é doentio pensar que todo cidadão, para poder exercer esses direitos, deva se arvorar à condição de jornalista.

Estamos diante de uma prova de “déficit de cidadania” no País, que precisa ser solucionado, sob pena de jamais ser uma democracia de fato e de direito!

São Paulo e Brasília, 07 de maio de 2007.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo
Federação Nacional dos Jornalistas

Voltei

Os jornalistas da Fenaj e do sindicato, se jornalistas, vivem de quê? De escrever. Mas eles não conhecem as regras mínimas da pontuação. Eles não conhecem regência — “arvorar-se a” alguma coisa é analfabetismo universitário. Eles não conhecem nada da língua portuguesa. Se fossem cirurgiões, arrancariam o apêndice do paciente para lhe extrair as amígdalas. Se fossem engenheiros, as casas cairiam sobre as nossas cabeças. Entendo: na juventude, foram remelentos. Não tiveram tempo de estudar, de ler, porque estavam muito ocupados invadindo prédios públicos e fazendo justiça com as próprias mãos peludas...

Leiam o que vai acima. Prestem especial atenção ao que vai em negrito. Se Luiz Carlos Barbom Filho fosse um jornalista reconhecido pelas duas entidades, a realidade seria outra? Mais: a nota é um manifesto em favor da ilegalidade. O diploma de jornalista não é mais obrigatório. Essa batalha, os analfabetos já perderam. Doentia é a nota da Fenaj e do sindicato: fica a um passo de culpar a vítima pela própria morte.

Não é por acaso que as duas entidades tenham constituído a linha de frente na defesa do Conselho Federal de Jornalismo, aquele órgão de censura. A Fenaj, é bom lembrar, foi a autora da proposta. Arrumou até um deputado laranja para assiná-la. Se bem se lembram, no período de implantação do órgão, ela se oferecia para o sacrifício. A iniciativa naufragou, e agora teremos a TV Pública de Franklin Martins.

Alguns reclamam da minha dureza quando chamo esses caras de “esquerdopatas”. Ora, como classificá-los? Fico cá imaginando: reuniram-se os representantes das duas entidades para escrever a nota, produziram essa miséria, leram, releram e acharam que estava bem assim. Eles se ofereciam para ser nossos censores. Querem que escrevamos como eles. Querem ser nossos modelos, nossos guias, nossos mestres, nossos conselheiros éticos.

Eu tenho um nojo profundo desses “coleguinhas”. Falo deles porque são burocratas que vivem com o dinheiro do imposto sindical, que lhes é garantido em razão de uma legislação ainda fascistóide. Não são jornalistas. Todos têm diploma, mas a maioria nunca pôs os pés numa redação e vive da assessoria que fazem para estatais e órgãos públicos, as famosas boquinhas arranjadas pelos “companheiros”.

A nota sobre a morte de Luiz Carlos Barbom Filho é um esgoto moral.

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