quinta-feira, 31 de agosto de 2006

Lula sobe 5 pontos e vai a 50% no Vox Populi

Acaba de ser divulgada mais uma pesquisa sobre o cenário da disputa presidencial, realizada pelo instituto Vox Populi para a revista Carta Capital. Se as eleições fossem hoje, Lula se reelegeria no primeiro turno, batendo Geraldo Alckmin (PSDB) com 25 pontos percentuais de diferença. Lula teria 50% do total contra 25% de Alckmin. No levantamento anterior do instituto, Lula tinha 45% e Alckmin, 24%. Heloísa Helena caiu de 11% para 9% e Cristovam Buarque (PDT) subiu de 1% para 2%. Os outros candidatos não atingiram 1% das intenções de voto. Votos em branco, nulos, ou eleitores que não opinaram somam 14%.

A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram ouvidos 2005 eleitores em 121 municípios brasileiros. A pesquisa está registrada sob o protocolo 14782/2006.

Para lembrar Chico Anysio


Charge do Agê que estará na edição desta sexta-feira do DCI

Jorge Rodini: coitado dos marqueteiros!

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, sócio do instituto Engrácia Garcia, comenta a diferença entre as pesquisas feitas pelos institutos Sensus e Datafolha – Geraldo Alckmin aparece com 19% no Sensus e 27% no Datafolha. Leia a seguir o comentário de Rodini.


O eleitor mais informado deve estar confuso ao notar a grande diferença entre as pesquisas dos institutos Sensus e Datafolha. Fico a imaginar qual foi a reação de Geraldo Alckmin ao receber, no final da manhã de terça-feira, o resultado da Sensus. Pavor, desânimo, início de depressão? E seu marqueteiro, então... Deve ter pensado na hora: estratégia errada, devo bater ou devo seguir a mesma linha?

Enquanto a casa caía, deve ter havido uma alegria incontida na morada palaciana. Uma euforia, a mesma sensação ao ver nosso time ganhando do maior rival por 5 a 2, faltando meio tempo para acabar o jogo decisivo...


Na noite do mesmo dia, porém, saiu o resultado Datafolha. Alckmin oscilou positivamente dois pontos dentro da margem, mas 8 pontos percentuais acima da pesquisa Sensus. Lula variou um ponto acima e Heloísa caiu um ponto, tudo dentro da margem de erro. Ficou a sensação de que o rival reagiu e fez o terceiro gol, passando a impressão ao favorito de que pode haver prorrogação.

Barbas de molho, discursos mais ou menos ríspidos. Reclamação de impedimentos não marcados e entradas mais violentas. Será que vai ser assim até o apito final das urnas? Haja sangue-frio. Estou com pena dos marqueteiros, tanto do favorito como do maior rival.

Alckmin continua caindo em São Paulo

Se o PIB não está ajudando o presidente Lula, o eleitorado de São Paulo também parece reagir mal às críticas de Geraldo Alckmin ao candidato petista. Depois que começou a bater em Lula no programa eleitoral, o tucano perdeu 3 pontos percentuais no Estado de São Paulo, revela pesquisa que será divulgada nos próximos dias. A diferença entre os dois está agora em 7 pontos, a favor de Lula. Há uma semana, essa diferença era de 4 pontos. Há um mês, quem estava na frente era Geraldo Alckmin, com dianteira de 3 pontos percentuais.

quarta-feira, 30 de agosto de 2006

Queda de Helena é problema para Alckmin

O candidato do PSDB à presidência da República, Geraldo Alckmin, recebeu com alívio o levantamento do Datafolha divulgado ontem, que o colocou com 27% das intenções de voto contra 50% de Lula. Ainda é uma diferença grande, mas menor do que a apontada pelo instituto Sensus (51% a 19%). Porém, o Datafolha confirmou uma tendência que, a se confirmar nos próximos dias, pode ser fatal para Alckmin: a queda de Heloísa Helena. Se a candidata do PSOL não reagir, é lícito supor que termine a campanha com algo em torno de 5%, que deve ser o eleitorado genuinamente de extrema-esquerda do Brasil.

Hoje, Helô tem cerca de 10% porque conquistou uma parcela da burguesia que está inconformada com "tudo que está aí" e diz que votará na senadora alagoana. À medida que Heloísa explica seu projeto para o Brasil, no entanto, esse tipo de eleitor se assusta e repensa seu voto. A tendência é que parte do eleitorado de Heloísa migre para Alckmin, apenas para tentar derrotar Lula, e outra parcela acabe anulando ou votando em branco. Desta forma, mesmo que Alckmin seja beneficiado com votos de Helena, a desitratação da candidatura do PSOL favorece muito mais o presidente Lula, já que o pleito teria mais chances de acabar no primeiro turno.

Cesar Maia, que entende do riscado das pesquisas, andou dizendo que para haver segundo turno, Heloísa precisa subir para a casa dos 15%. A conta é simples: o prefeito do Rio não acredita que Lula caia abaixo dos 40% das intenções de voto. Os demais candidatos precisariam superar esta marca. Se ele crava Heloísa com 15% e Cristovam Buarque com 3%, Alckmin teria que chegar a 32% para empatar. Os demais nanicos garantiriam a sobra e levariam a disputa para o segundo turno. Se Heloísa ficar com 5%, Alckmin teria que virar o jogo sozinho, subir para 42%. Neste caso, levaria a eleição também no primeiro turno, mas talvez nem o próprio Alckmin aposte suas fichas em uma virada tão espetacular. Assim, quanto mais Heloísa Helena cair, melhor para Lula.

terça-feira, 29 de agosto de 2006

Wagner Iglécias: um programa horizontal

Em mais uma colaboração para este blog, o professor Wagner Iglécias analisa o programa do governo Lula, lançado nesta terça-feira, em São Paulo. A seguir, a íntegra do artigo.

O programa de governo de Lula

Na semana em que as pesquisas apontam para o aumento da probabilidade de que venham a conquistar a reeleição já em primeiro turno, Lula e o PT lançam o programa de governo para um eventual segundo mandato. É um documento de características mais horizontais do que verticais. A horizontalidade está no rol de temas abordados, que vão da reforma política à modernização da legislação penal, da conclusão da criação da Super Receita ao fortalecimento do Sistema Único de Saúde, dos direitos das minorias étnicas à duplicação da malha rodoviária. A verticalidade da proposta, que residiria em metas concretas e factíveis de serem alcançadas num novo mandato de quatro anos, não é tão clara. Apesar de poder ostentar o inegável trunfo da criação, durante seu governo, de 5 milhões de empregos formais nesses tempos de vacas tão magras para a classe trabalhadora a nível mundial, Lula parece escaldado com a camisa-de-força que se constituiu a promessa de criação de 10 milhões de postos de trabalho feita em 2002.


Além de genérico, o programa embarca num espírito de "segundo tempo", pelo qual um novo mandato serviria para buscar o desenvolvimento social e a distribuição de renda, após os quatro anos em que Lula teria "arrumado a casa". Neste quesito também não há muita novidade, já que todo candidato a reeleição apresenta esta justificativa para descolar junto ao eleitor mais quatro anos de gestão. Para não dizer que tudo ficou em tons pastéis, o programa bate duro no governo de FHC e na dupla PSDB-PFL. Sugere que o tal "choque de gestão" de Geraldo Alckmin poderia não passar de economia de dinheiro público feita à base de cortes de recursos destinados às políticas sociais. Afirma ainda que com o PSDB a política externa era marcada pela submissão aos países desenvolvidos e faz troça da envergadura moral da oposição quando recorda as dezenas de CPIs engavetadas pelo governo paulista, comandando pelos tucanos há doze anos.


Ainda que não seja nenhum arroubo novidadeiro, o programa de Lula para um eventual novo mandato deixa nas entrelinhas a seguinte impressão: embora PT e PSDB tenham governado o país, desde 1994, sob o pano de fundo da limitada margem de manobra que governos de países do Terceiro Mundo possuem hoje em dia para formular e implementar políticas públicas, dados os constrangimentos impostos a eles pela globalização econômica, parece que Lula e o PT crêem no Estado como um instrumento ainda muito relevante para o desenvolvimento. Pelo que foi o governo FHC e pelo pouco que se sabe, até o momento, do programa de Alckmin, parece que os tucanos creditam aquele papel mais às forças de mercado, tendo no Estado um ente mais regulador do que interventor. Se vier a ser reeleito, e se, de fato, fizer um governo de acordo com o que promete em seu programa, Lula poderá demonstrar se há realmente diferenças significativas em termos de projeto de desenvolvimento entre PT e PSDB. Não seria sem tempo, já que essa distinção, pelo menos pelo que foi seu mandato até aqui, para muita gente não ficou clara.


Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades de USP.

Voa, Geraldinho, voa...

Desespero da oposição começa a aparecer

O Datafolha ainda não confirmou os números do instituto Sensus, mas o desespero parece já ter tomado conta de algumas das mais importantes lideranças do PSDB e PFL. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso falou em "botar fogo no palheiro"; o senador Álvaro Dias (PR) disse que já está mais do que na hora de mudar a postura da campanha de Alckmin; e o velho cacique baiano Antonio Carlos Magalhães vocifera impropérios na tribuna do Senado.

Geraldo Alckmin, de sua parte, ficou com Santo Antônio de Pádua e evitou comentar as pesquisas: "quando não puder falar nada de bom, não diga nada", afirmou o ex-governador de São Paulo.

O que está afligindo a oposição não é a derrota de Alckmin, que a maior parte dos líderes tucanos e liberais já dão como líquida e certa. O problema agora é o tamanho da derrota. Se Lula for reeleito no primeiro turno com mais votos do que teve no segundo turno de 2002, será uma consagração que só tem paralelo com o sucesso de Hugo Chávez na Venezuela, onde o povão fechou com o coronel e a elite está até hoje procurando um jeito de dividir a massa para tirar Chávez do cargo. Assim, se a vitória de Lula já é dada como impossível de ser evitada, a articulação tucano-pefelista em curso tem o objetivo de tirar alguns votos de Lula e tantar vitaminar minimamente a candidatura natimorta de Geraldo Alckmin. O problema é que o desespero não é bom conselheiro. Bater demais poderá fortalecer ainda mais o presidente, que terá nas mãos o discurso que pediu a Deus – de vítima das elites. O problema todo é que não resta outra opção à oposição: agora, é bater ou bater.

Lula vence no 1° turno com 62%, diz CNT/Sensus

Foi divulgado há pouco o resultado da primeira pesquisa do dia, do instituto Sensus, realizada para a Confederação Nacional dos Transportes. Na simulação de primeiro turno, Lula subiu 3 pontos para 51% das intenções de voto, Alckmin e Heloísa ficaram estáveis (19% e 8%). Em termos de votos válidos, descartando os brancos e nulos, o presidente Lula já chegou a 62% do total. No improvável cenário de segundo turno, Lula bateria o tucano por 56% a 30%. À noite, no Jornal Nacional, será divulgada a enquete do Datafolha.

Se os números do Sensus forem confirmados na tela da TV Globo, Geraldo Alckmin terá mais uma semana turbulenta pela frente, tendo de lidar com a pressão dos aliados para que sua campanha parta para o tudo ou nada contra Lula. Ainda não dá para dizer que foi a pá de cal na candidatura de Alckmin, mas a falta de boas notícias para o tucano já começa a contaminar de pessimismo até os aliados mais empedernidos.

Leia a seguir os detalhes sobre a pesquisa CNT/Sensus, em versão da agência Reuters.

Lula cresce e aumenta vantagem sobre candidatos--Sensus

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cresceu nas intenções de voto para a eleição de outubro e ampliou sua vantagem sobre os demais adversários, confirmando a vitória no primeiro turno, mostrou pesquisa do instituo Sensus nesta terça-feira.

Segundo a sondagem, encomendada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), a intenção de voto no candidato Lula subiu de 47,9 por cento para 51,4 por cento, enquanto Geraldo Alckmin (PSDB), ficou praticamente estável, váriando de 19,7 por cento para 19,6 por cento. A senadora Heloísa Helena (PSOL) também oscilou dentro da margem de erro da pesquisa, de 3 pontos percentuais, passando de 9,3 por cento para 8,6 por cento.

"A eleição, passados 15 dias do programa eleitoral (gratuito no rádio e TV), com os candidatos já tendo mostrado suas propostas, já está praticamente definida", disse Ricardo Guedes, responsável pela pesquisa CNT/Sensus.

Em um hoje improvável segundo turno, Lula bateria o tucano por 56,7 por cento contra 30,8 por cento. Na pesquisa anterior, realizada no início deste mês, o petista vencia por 52,5 por cento a 29,8 por cento.

Outro dado positivo em favor de Lula foi o crescimento, apontado pelo levantamente, da rejeição a Alckmin, que subiu de 37,6 por cento para 42,0 por cento. Enquanto isso, a rejeição ao presidente oscilou dentro da margem de erro, mas no sentido contrário, passando de 27,0 por cento para 25,5 por cento.

O Instituto Sensus entrevistou 2.000 pessoas entre os dias 22 e 25 de agosto, em 195 municípios do país.

(Por Natuza Nery)

Só Plínio esquentou o debate paulista na Band

O signatário deste blog esteve ontem no debate realizado pela TV Bandeirantes entre os candidatos ao governo de São Paulo. Foi um programa sem grandes emoções, marcado pela ausência do tucano José Serra, líder nas pesquisas, que foge de debates como o vampiro foge da cruz. Os poucos momentos de confronto foram proporcionados pelo candidato do PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, que deixou o senador petista Aloizio Mercadante encostado nas cordas ao comparar os investimentos dos governos Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva. O pastor Carlos Apolinário, do PDT, também se destacou ao usar quase todas as suas respostas para cobrar a presença de Serra e bater forte nos 12 anos de gestão tucana em São Paulo.

Se as performances de Plínio e Apolinário foram as que mais chamaram atenção do público, é preciso também atentar para a estratégia de cada um dos candidatos e tentar perceber se os objetivos foram cumpridos. Muitas vezes, o candidato parece ter ido bem para olhos leigos, mas não cumpriu o papel que seu staff de campanha havia combinado.

Assim, pode-se dizer que o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) foi para a TV Bandeirantes como o objetivo de mostrar que é, entre todos os competidores, o mais experiente, o único que tem realizações de governo, enfim, o melhor preparado para assumir o cargo que um dia já foi seu. Em alguns momentos, Quércia pode ter parecido repetitivo ao falar de Educação, Segurança e Emprego, mas a repetição é forçada, proposital, pois são esses os eixos da campanha peemedebista, que pretende criar um "círculo virtuoso" no Estado (melhor educação possibilita ao jovem que conquiste uma boa vaga de trabalho; e o menor desemprego melhora os problemas da violência).

Já o candidato Aloizio Mercadante pedeceu ontem de uma estratégia clara no debate. Não forçou o embate com o ausente José Serra, caiu na armadilha de provocar o ex-petista Plínio Sampaio e também não "grudou" a sua imagem à de Lula. No fundo, tudo que o senador fez foi desfilar números à exaustão, certamente com o intuito de provar que é quem melhor domina a "ciência" de governar. O problema todo é que o eleitor já deu mostras de que não está tão interessado nesses qualificativos "técnicos" – do contrário o presidente Lula não estaria à frente de Geraldo Alckmin.

Quanto a Plínio e Apolinário, certamente os dois também cumpriram seus objetivos: Plínio polarizou com Mercadante e saiu do programa como o único a se diferenciar verdadeiramente das teses neoliberais. Sua performance também fugiu do feijão com arroz dos demais e o o candidato do PSOL conseguiu atrair atenção para si, outro objetivo importante para quem tem tão pouco tempo na propaganda eleitoral gratuita. Já Apolinário foi ao debate para se apresentar como o "anti-Serra". Com sua retórica inflamada de pastor, também conseguiu passar esta imagem. Resta saber se conseguiu com tal estratégia ganhar algum voto para si ou apenas irritou o eleitor de Serra.

segunda-feira, 28 de agosto de 2006

Tudo que sobe cai


Charge do Agê que estará na edição de terça-feira do DCI

Semana começa complicada para Alckmin














O presidenciável tucano Geraldo Alckmin acaba de tomar mais um golpe duro: terminou há pouco a reunião do governador do Ceará, Lúcio Alcântara, também tucano, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O encontro deve render boas imagens nos telejornais da noite e belas fotos nos jornais de amanhã. Na prática, o civilizado aperto de mãos entre Lula e Lúcio tem dois efeitos: por um lado, revela que boa parte do tucanato já abandou o candidato do PSDB e correu para o abraço do presidente quase reeleito; e de outro lado serve de antídoto contra eventuais ataques da campanha de Alckmin, que ficará em situação complicada se baixar o nível contra Lula, pois restará provado que há dois tipos de tucanos – os civilizados, como Lúcio, e os selvagens, como Alckmin e o Serra de 2002. Ademais, Lúcio, ao dizer que não é um traidor, mandou um recado diretamente ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati, que no Ceará apóia Cid Gomes, o candidato de Lula no pleito. Leia baixo mais detalhes da reunião entre Lula e Lúcio na versão da Agência Estado.


Após encontro com Lula, Alcântara afirma não ser traidor


BRASÍLIA - O governador do Ceará e candidato à reeleição, Lúcio Alcântara (PSDB), rebateu nesta segunda-feira, 28, críticas de setores do seu partido de que teria traído a legenda ao manifestar apoio à candidatura de Lula à reeleição para a Presidência da República.

Ao deixar o Palácio do Planalto, onde se encontrou por cerca de meia hora com Lula, Lúcio Alcântara insistiu que a audiência foi institucional e administrativa. "Se houver algum traidor, certamente não sou eu", afirmou Alcântara, sem citar os nomes de quais seriam os eventuais traidores.

Sobre o uso da imagem de Lula na campanha tucana ao governo do Ceará, Alcântara defendeu-se: "O meu opositor pretende monopolizar a figura do presidente", reclamou, referindo-se ao candidato pelo PSB, Cid Gomes. Alcântara disse que colocou a imagem de Lula em seu programa eleitoral porque considerou importante uma manifestação que o presidente fez a seu respeito em uma solenidade oficial.

Ao justificar sua audiência com o presidente, o governador cearense disse que não ia fazer "às escondidas" um encontro para discutir "interesses do Estado". Ele disse que discutiu com Lula apenas investimentos do complexo portuário de Pecém, cujo valor não soube responder.

Após o auxílio de assessores, Alcântara disse se tratar de uma parceria no valor de R$ 500 milhões. "Eu que pedi a audiência. O presidente é candidato, mas é presidente. E eu sou candidato, mas sou governador".

Bem recebido

Alcântara minimizou os danos à campanha de Geraldo Alckmin com a aparição de Lula no programa eleitoral do PSDB no Ceará. O candidato à reeleição explicou que é preciso dar importância às relações institucionais (no caso, sua relação como governador de um Estado com o presidente da República). "Não vejo assim (como conflito partidário). Sou do PSDB e apóio o governador Geraldo Alckmin. Ele (Alckmin) tem sido muito bem recebido e tratado por mim, no Ceará", afirmou.

O governador disse que Lu Alckmin, esposa do candidato tucano, também foi bem recebida no Ceará, durante evento eleitoral, há algumas semanas. O governador, contudo, se irritou ao ser provocado por um jornalista de que se fosse dona Marisa Letícia, mulher de Lula, seria melhor recebida. "Não vou comentar ironias", respondeu o governador.

Ao ser questionado se o presidente era um bom puxador de votos, respondeu: "Bom? Olha as pesquisas lá", afirmou Alcântara, referindo-se às pesquisas eleitorais que mostram que Lula tem mais de 70% da preferência no Estado. "Se ajuda ou não ajuda (na campanha) isso é uma questão que temos que avaliar", desconversou.

domingo, 27 de agosto de 2006

Heloísa cai e Lula venceria no 1° turno, diz Ibope

Mais uma pesquisa com números bons para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e especialmente ruins para Geraldo Alckmin (PSDB). Desta vez, o levantamento é do Ibope e foi feito para o jornal Estado de S. Paulo: Lula subiu 2 pontos e foi a 49% enquanto Alckmin oscilou 1 ponto, para 22%. A má notícia para o tucano é que Heloísa Helena caiu 3 pontos e ficou em 9%. Com essas mudanças, Lula subiu para 60% dos votos válidos e seria reeleito no primeiro turno. Mais detalhes sobre a pesquisa, abaixo, em matéria do Estadão.


Lula sobe para 49%, Alckmin vai a 22% e Heloísa cai para 9%, diz Estado/Ibope

Pesquisa Estado/Ibope mostra queda de Heloísa e aumento de quatro pontos na diferença entre Lula e os demais

Carlos Marchi

SÃO PAULO - A 34 dias das eleições, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vive num mar de rosas e o oposicionista Geraldo Alckmin (PSDB) entra num redemoinho que pode deflagrar uma crise em sua campanha: pesquisa Estado/Ibope que foi a campo entre quarta e sexta-feira mostra que Lula subiu 2 pontos porcentuais e chegou aos 49% (47% há 9 dias), enquanto Alckmin subiu 1 ponto e foi para 22% (21% há 9 dias). O novo resultado não deixa dúvidas: o horário eleitoral, que segundo Alckmin mudaria tudo, após duas semanas foi insuficiente sequer para arranhar a vantagem de Lula.

O mais complicado para o tucano é que, se ele e Lula subiram dentro da margem de erro da pesquisa, a terceira colocada, a candidata Heloísa Helena (PSOL), caiu 3 pontos e desceu para apenas 9%, diminuindo ainda mais a possibilidade de haver um segundo turno. Agora, a vantagem do presidente sobre os demais adversários é de 15 pontos porcentuais (11 pontos há 9 dias); ele tem 49% e a soma dos adversários é de 34%, diferença que ameaça consolidar uma decisão no primeiro turno.

Apesar da vantagem, a intenção de voto em Lula continua a ser muito heterogênea: ele segue sendo imbatível no Nordeste (onde alcança 68%), fortaleceu-se muito no Norte/Centro-Oeste (onde subiu de 47%, há 9 dias, para 52%), cresce substancialmente no Sudeste (de 37% para 43% em 9 dias), mas continua com uma intenção de voto modesta no Sul, onde demonstra sua pior performance nesta eleição (tem 35%).

Alckmin avança pouco

Alckmin não avançou muito nos últimos 9 dias: foi de 11% para 14% no Nordeste (seu melhor índice na região desde o começo da campanha), subiu um pouco no Norte/Centro-Oeste (de 21% para 23%) e ficou estável no Sul (de 26% para 25%, dentro da margem de erro) e no Sudeste (25%). Este último número talvez seja o pior para Alckmin - na região que abriga São Paulo, Estado em que tem excelente avaliação, ele perde para Lula por 43% a 25%. Em meados de julho, Lula vencia apertado na região por 37% a 34%.

Heloísa Helena perdeu pontos em todas as regiões: caiu de 15% para 9% no Norte/Centro-Oeste, de 10% para 7% na sua região de origem, o Nordeste, de 12% para 10% no Sudeste e de 14% para 12% no Sul. Lula vence em quase todos os segmentos e regiões, menos entre os que têm escolaridade superior (41% a 28% para Alckmin) e entre eleitores de renda familiar superior a 10 salários mínimos - no grupamento, Alckmin tem 52% e Lula, 19%. Entre os que ganham entre 5 e 10 salários mínimos, os dois estão empatados em 36%.

Em compensação, no segmento dos que ganham até 1 salário mínimo - o núcleo central do Bolsa-Família - Lula vence por 56% a 16%; nos que ganham entre 1 e 2 salários mínimos, o presidente lidera por 52% a 21%. Houve larga vantagem do presidente entre os que têm até a 4ª série do ensino fundamental - 54% a 19%.

Nos válidos, 60%

O presidente tem agora 60% dos votos válidos (excluindo os que pretendem votar em branco ou nulo e os que ainda estão indecisos), enquanto Alckmin conseguiu chegar aos 26% e Heloísa Helena ficou nos 11%.

A despeito do favoritismo, Lula continua a ter a maior rejeição entre os candidatos. Nos últimos 9 dias ela voltou a subir: na pesquisa anterior, 27% diziam que não votariam nele de jeito nenhum; agora, esse número chegou a 32%, um terço do eleitorado. Já a rejeição de Alckmin caiu, na mesma medida: 17% dos eleitores (22% na anterior) afirmaram não votar no tucano. Curiosamente, a rejeição de Heloísa também caiu, apesar da queda na sua intenção de voto: agora, 19% não votariam nela (24% na anterior).

Na simulação de segundo turno - hipotética, porque hoje Lula venceria no primeiro -, o presidente bateria Alckmin por 54% a 32% (53% a 32% na pesquisa anterior). A pesquisa Estado/Ibope entrevistou 2.002 eleitores entre os dias 23 e 25 de agosto, em 140 municípios, com uma margem de erro de 2 pontos porcentuais.

sexta-feira, 25 de agosto de 2006

Folha endurece o jogo para tentar evitar a reeleição do presidente Lula no primeiro turno

A edição desta sexta-feira da Folha de S. Paulo já reflete a postura de seu diretor de redação, Otavio Frias Filho, explicitada em artigo publicado ontem no jornal. Otavio escreveu, com todas as letras, que considera a eleição de Lula já no primeiro turno uma "anistia" do povo ao presidente. Parece pouco? Tem mais: diz Otavio que "se o veredicto for esse, dispensando o segundo turno, a afoiteza do eleitor terá prejudicado a qualidade democrática desta eleição." O que ele entende por "qualidade democrática" não está claro, mas claríssimo está que neste país, como gosta de dizer o presidente Lula, é preciso ouvir a opinião do diretor de redação da Folha para saber se a eleição deve decidida no primeiro ou segundo turno... No caso de São Paulo, onde o candidato das Folhas pode levar no primeiro turno, porém, a "qualidade democrática" do pleito está certamente garantida, pois Otavio nem mencionou o assunto.

O diretor passou o pito e o pessoal da redação parece ter entendido bem o recado. Na edição de hoje, a manchete foi para o "aumento" do desemprego (na verdade, o que aumentou foi o número de brasileiros que, estimulados pelo aumento das vagas, resolveu voltar ao mercado de trabalho) . Nas páginas do caderno Brasil, o jornal praticamente "comemora" o que se supõe ser o início de críticas mais duras de Alckmin a Lula. Logo depois, vem um abre de página que não faria feio na revista Veja: Classe artística repercute e reprova desprezo à ética de lulistas"
. Aguardem: Diogo Mainardi vai tratar do mesmo assunto neste domingo.

Parece jornal da campanha do Alckmin? Parece, mas tem mais: no caderno Cotidiano, abre de página para o secretário Saulo de Castro Abreu Filho, aquele um dia afirmou que matara o PCC, afirmar que o PT e o PCC são velhos conhecidos.

Está certo que o pessoal deve ter exagerado um pouco no primeiro dia "pós-bronca" do diretor de redação, mas a tendência é que a Folha cerre fileiras junto com Veja contra a reeleição de Lula. Do jeito que a coisa vai, o Estadão vai parecer um jornal moderado, de centro...

A sorte de Lula é que provavelmente a ação da Folha será ineficaz: o eleitor indeciso não lê jornal, o que torna a "campanha" do diário da Barão de Limeira uma gota no oceano. Além disto, vale notar que do ponto de vista mercadológico, trata-se de uma opção burra, pois o assinante da Folha que já decidiu votar em Lula ficará irritado com o jornal – alguns certamente cortarão suas assinaturas.

Para quem não leu, segue abaixo a íntegra do artigo de Otavio Frias Filho:

Anistia para Lula

CERTOS OU errados, nove entre dez colunistas políticos prevêem vitória de Lula no primeiro turno da eleição. O próprio presidente se esbalda no "já ganhei", chegando ao cúmulo de marcar compromissos para 2008. A 37 dias da votação, seu favoritismo segue impávido nas pesquisas.
É evidente que a decisão do eleitor será soberana (não existe um Carlos Lacerda propondo melar as regras do jogo). Mas se o veredicto for esse, dispensando o segundo turno, a afoiteza do eleitor terá prejudicado a qualidade democrática desta eleição.
A experiência mostra que só existe alguma discussão de programas de governo no segundo turno, quando o presidente se desgasta demais se não participar de debates e a sociedade se galvaniza em torno de duas personalidades, dois estilos, duas visões em confronto.
Isso é mais verdade ainda no caso de um presidente que, no governo, traiu quase todas as idéias-feitas que pregava nas duas décadas anteriores. E no caso de um partido ideológico cuja cúpula, uma vez no poder, converteu-se em verdadeira "quadrilha", como a definiu o procurador-geral da República.
A população mais carente tem boas razões para estar satisfeita com os preços, com o aumento do salário mínimo, com as transferências de renda (e de votos...). Nem por isso a reeleição do atual presidente, se de fato ocorrer, deixará de ter um significado sinistro. A mais alta corte do país, o próprio povo, terá anistiado o escândalo do mensalão.
Um presidente macunaímico, que se orgulha da própria falta de estudo, seria reconduzido sem trauma nem esforço. O partido que lhe serviu de alavanca, o PT, pode não sair destroçado das urnas, mas será um fantasma do que já foi.
Políticos sem doutrina, a maioria, farão fila para apoiar um chefe de governo novamente forte. Semanas atrás, o presidente lançou a proposta marota de uma "Constituinte" para fazer a reforma política no ano que vem. As reações vigorosas mataram o assunto, por enquanto. Mas a idéia é perigosa e pode voltar tão logo Lula se sinta reinstalado no posto, com mais força ainda se não tiver de enfrentar um segundo turno.
Constituinte para fazer a reforma política? Por que não aproveitar e prorrogar seu mandato, garantir o direito a nova reeleição, decretar que só poderão concorrer candidatos "progressistas"? Estamos longe de ver essas fantasias se concretizarem. Mas não custa alertar.
A oposição estava certa, hoje ficou claro, quando evitou insuflar o impeachment de Lula. Teria provocado um mártir, um Getúlio vivo. Não que Lula não soubesse de nada: é evidente que sabia, embora provas irrefutáveis não tenham, ainda, aparecido. Reeleito, estará anistiado.
OTAVIO FRIAS FILHO é diretor de Redação da Folha

A volta dos que não foram...


Charge do Agê, que estará na edição do DCI de segunda-feira

Jorge Rodini: o messianismo do presidente

Em sua segunda colaboração para este blog, Jorge Rodini, sócio do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta o favoritismo de Lula na campanha deste ano. Rodini vê um traço de messianismo no presidente e revela as fragilidades que a campanha de Alckmin não está aproveitando até aqui.

Analisando pesquisas quantitativas e qualitativas no País todo, podemos concluir que Lula é o ovo Messias para os Nordestinos.Sua pregação é ouvida da Bahia até o Maranhão, passando pelo Sertão, pelo Agreste e pela Zona da Mata. Especialmente para os mais desassistidos, o presidente se revelou alguém muito preocupado com suas mazelas.

Lula oferece, a todo instante, um pouco de conforto material e muito de presença física e carisma pessoal.Para quem tem tão pouco e minguadas esperanças, esses gestos são alentadores, gerando um sonho longíquo para um Povo distante de informação, de educação, de saúde e de cidadania.

A contradição mais reveladora desta liderança frágil é que os próprios nordestinos enxergam a falta de comando e de autoridade no traço de Lula.Ora, o presidente é como eles, foi ingênuo, deixou-se enganar pelos seus amigos subalternos, seguidores do primeiro mapa petista. Então uma segunda chance foi dada ao presidente. Independentemente da corrupção percebida, dos desmandos e dos projetos pessoais de seus amigos, Lula, para os nordestinos, foi o último a saber. E como os mais pobres são sempre os últimos a saber, a se informar, a Lula foi dado o benefício da dúvida. Porém, já existe uma dúvida, e quando ela existe, é difícil haver a terceira chance.

Quem quiser destituir o Messias, tem que alavancar a dúvida.E disseminá-la. O Nordeste representa 27% do eleitorado brasileiro. Bahia, Ceará e Pernambuco têm, juntos, 60% dos eleitores nordestinos.Os mais desinformados eleitores brasileiros residem no Interior do Maranhão e do Piauí. Não é difícil, portanto, concluir onde está o nó do entendimento desta leitura do Lula messiânico.

Uma imagem vale mais do que mil palavras

O blog do Noblat deu primeiro, mas não dá para não reproduzir.
É a imagem do dia, sintetiza o momento de Geraldo Alckmin. A foto é do repórter Jonne Roriz, da Agência Estado.

quinta-feira, 24 de agosto de 2006

Serra cai; Mercadante e Quércia avançam

A matéria abaixo estará no DCI desta sexta-feira. A análise dos pesquisadores é de que Serra ainda leva no primeiro turno, mas se a campanha continuar como está, o governador de São Paulo só será conhecido dia 31 de outubro, na segunda votação. A conferir.


Aloizio e Quércia sobem e José Serra cai, revela pesquisa

Os candidatos a governador de São Paulo Aloizio Mercadante (PT) e Orestes Quércia (PMDB) continuam crescendo na preferência dos eleitores, enquanto o tucano José Serra está em queda. É o que revela a 3ª rodada da pesquisa DCI/Engrácia Garcia, realizada entre 19 e 22 de agosto com 2.000 eleitores e registrada com o número 305921/20066 no TRE-SP. De acordo com o levantamento, Mercadante subiu de 15,6% aferidos na semana anterior para 18,2% e Quércia foi de 12,9% para 13,8%. Já o tucano José Serra caiu de 49% para 47,9%.
O candidato do PDT, Carlos Apolinário, oscilou de 1,5% para 1,2%. Todos os demais candidatos somados não ultrapassaram 1% e 7,5% dos entrevistados afirmaram que votarão em branco ou nulo no dia 1° de outubro. Outros 10,5% do total ainda não escolheram. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos.
Os números do instituto Engrácia Garcia são praticamente iguais aos do levantamento realizado nos dias 21 e 22 de agosto pelo Datafolha e divulgados ontem no jornal Folha de S. Paulo. Segundo o Datafolha, Serra caiu de 49% para 48% e Aloizio Mercadante subiu de 17% para 18%.
O único dado discrepante se refere ao candidato do PMDB, ex-governador Orestes Quércia. No Datafolha, ele teria permanecido em 10%. A diferença de quase 4 pontos pode ser explicada pela metodologia adotada pelo Datafolha, que realiza um menor número de entrevistas no interior (616, quando pela proporção populacional deveriam ser 1.002) do que o DCI/Engrácia Garcia. Desta forma, a margem de erro do Datafolha no interior é maior do que suas margens na capital e Grande SP. Ao equilibrar as amostras de acordo com a proporção correta, a conta final do instituto “embute” a margem de erro maior do interior e provoca tal diferença.
De acordo com Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia, o favoritismo de Serra já não é mais tão forte: embora o tucano pudesse hoje vencer a eleição já no primeiro turno, a tendência é que ocorra um segundo escrutínio em São Paulo. Segundo Rodini, a diferença entre Serra e os demais candidatos somados na Grande São Paulo já está em apenas 1 ponto percentual (41% a 40% em favor do tucano); na capital, são 6 pontos (46% a 40%); e no interior, 22 pontos (51% a 29%). Há uma semana, complementa Jorge Rodini, essas diferenças eram bem maiores em favor de Serra na capital e Grande São Paulo. No interior, os índices se mantiveram estáveis em relação ao último levantamento.
O diretor do instituto Engrácia Garcia, com base também em pesquisas qualitativas, afirma que a queda de Serra deve continuar e que os votos no tucano não estão tão consolidados quanto, por exemplo, os do presidente Lula na eleição presidencial. De acordo com Rodini, o crescimento de Mercadante na Grande São Paulo se deve especialmente ao apoio de Lula e à frase infeliz de Serra atribuindo a má educação nas escolas paulistas à presença de migrantes. “Na Grande São Paulo, a maioria tem origem nordestina”, explica o pesquisador.
Sobre o desempenho de Orestes Quércia, Rodini também vê consistência na subida e acredita que o ex-governador tem uma avenida para crescer ainda mais. No interior, por exemplo, Quércia e Mercadante estão empatados com 14%. Além disto, o programa eleitoral de Quércia vem sendo bem avaliado pelos eleitores entrevistados nas pesquisas qualitativas realizadas pela Engrácia.
Senado
A pesquisa DCI/Engrácia Garcia também perguntou aos eleitores paulistas em quem eles votarão para a vaga de senador. O petista Eduardo Suplicy ficou com 40%. Afif tem 12,2%, Dr. Cury, 1,1%, Elza Pereira, 0,8% e Alda Marco Antônio 0,7%.

Lula amplia vantagem sobre Alckmin no Paraná

Mais uma pesquisa boa para Lula, desta vez no Paraná. Números abaixo, em matéria reproduzida da Agência Estado.


Pesquisa mostra que Lula tem 41% das intenções de voto e Alckmin 30%

Evandro Fadel


CURITIBA - O início do horário eleitoral gratuito aparentemente foi mais benéfico para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, no Paraná. Pesquisa do Ibope, divulgada pelo jornal Gazeta do Povo, nesta quarta-feira, 24, mostra que ele ampliou a vantagem que tinha sobre o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, na corrida presidencial, em relação aos números do dia 6. Ambos subiram, mas enquanto Alckmin ascendeu de 28% para 30%, Lula saltou de 35% para 41%.

Entre os 1.008 eleitores ouvidos entre os dias 20 e 22, 10% optaram por Heloísa Helena (PSOL), dois pontos porcentuais abaixo do que conseguira anteriormente. Cristovam Buarque (PDT) manteve o quarto lugar, passando de 1% para 2% das intenções de voto. A candidata do PRP, Ana Maria Rangel, conseguiu 1%, enquanto os demais candidatos não atingiram este índice.

Os votos brancos e nulos baixaram de 7% para 5%, e aqueles que não sabem ou não opinaram reduziram-se de 14% para 11%. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais para mais ou para menos.

Num possível segundo turno entre Lula e Alckmin, houve inversão dos números. Enquanto na primeira pesquisa, o tucano venceria com 42% dos votos contra 40% de Lula, desta vez os eleitores confeririam 45% dos votos ao petista e Alckmin manteria os mesmos 42%.

A rejeição a Lula também caiu de 35% para 30%, enquanto o tucano subiu de 11% para 12%. Os eleitores aumentaram a rejeição sobre Heloísa Helena, de 12% para 17%, e sobre Cristovam Buarque, de 8% para 11%.

Alckmin: "agora é para cima e para o alto"


Charge do site do Lailson desta quinta-feira

Editorial do Estadão ajuda a explicar o recorde de popularidade do governo do presidente Lula

Ainda sobre as razões da crescente taxa de aprovação ao governo Lula, vale a pena refletir sobre o comentário abaixo, do jornalista Jasson de Oliveira Andrade. Realmente, o Estadão, alquimista desde a primeira hora, anda bem irritado com seu candidato que achava mais viável para derrotar Lula. Se perder o apoio da mídia, Alckmin caminha para uma situação bem complicada. Ademais, na semana que vem, Heloísa Helena começará a bater nos tucanos – até aqui o alvo principal foi Lula – e isto poderá se refletir nas primeiras pesquisas de setembro.

Realmente é difícil explicar a popularidade do presidente Lula. Talvez possamos encontrar a explicação nesse pito que o Estadão, em Editorial, passou no Alckmin: "Querendo, mas aparentemente sem saber como, elevar o tom de suas críticas ao candidato à reeleição, Alckmin o chamaou na segunda-feira de "exterminador de empregos". Mais ou menos na mesma hora, a mídia noticiava que a geração de empregos com carteira assinada cresceu em julho 31% a mais do que no mesmo mês de 2005. A infeliz coincidência ainda é o menor dos males. O erro maior é recorrer ao tema do emprego como arma contra Lula. (...) Isso porque o eleitor sabe, talvez até por experiência própira, que a oferta de trabalho no Brasil de hoje é MUITO MAIOR (destaque meu) do que há quatro anos [governo FHC]. Em conseqüencia, declarar que o emprego diminuiu - a intenção de Alckmin era dizer que podia ter aumentado mais - é um motivo para esse eleitor desconfiar de tudo mais que o candidato diga de seu oponente" (Dissensões no comando tucano, Editorial do Estado de S. Paulo, 23/8/2006).
É como você afirmou: o motivo deve ser a comparação com o governo FHC.

Sozinho

A notinha abaixo, do Painel da Folha de S. Paulo de hoje, confirma a análise deste blog: Geraldo Alckmin está cada vez mais isolado e sua campanha já está fazendo água. Dá tempo de reverter este quadro? Ainda dá, mas será realmente muito difícil.

Um homem só - Enquanto o noticiário discute se a propaganda de Geraldo Alckmin mudará ou não, o tucano assiste à rápida corrosão de seus apoios regionais, e um clima de desânimo contamina o comando da campanha. O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, dedica-se no momento a um roteiro de dez dias pelo interior do Ceará, agenda algo incompatível com a missão de arbitrar os vários conflitos nos Estados. Jorge Bornhausen (PFL) passará a semana toda em Santa Catarina. Ontem, em Brasília, nem o candidato a vice acompanhou Alckmin. No início da noite, José Jorge não sabia se seria hoje o lançamento do pacote anticorrupção alardeado pelo candidato -ninguém o avisara. No QG semideserto, Alckmin se "reuniu" com Sérgio Guerra e Eduardo Jorge para analisar pesquisas.

quarta-feira, 23 de agosto de 2006

Afinal, de quem é o recorde?

A aprovação recorde do governo, detectada na última pesquisa Datafolha, é um sinal importante sobre o humor dos brasileiros nesses tempos pré-eleitorais. O instituto aferiu que a soma de avaliações “ótimo” e “bom” dos entrevistados sobre o governo federal superou 52%. Foi a maior aprovação não apenas da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas de todos os presidentes da República desde Fernando Collor de Mello, quando o instituto Datafolha começou a fazer os seus levantamentos.

Um recorde deste quilate será comemorado aos quatro ventos pelo governo, ainda mais em véspera de eleição, mas o que cabe aos analistas é tentar entender as motivações dos entrevistados. E a aprovação recorde é realmente algo difícil de explicar, pois poucos governos foram tão atacados como o de Lula – talvez apenas Fernando Collor de Mello tenha recebido mais críticas do que o atual presidente. Nesta semana mesmo, um ex-presidente da República de triste lembrança veio a público para dizer que cabia o impeachment de Lula, mas que “faltou um Carlos Lacerda” para que o movimento ganhasse força no ano passado.

Também é interessante notar que embora a economia brasileira esteja em situação bem melhor do que há quatro anos, não houve, no período compreendido pela gestão Lula, uma taxa de crescimento econômico notável ou aceleração da atividade acima do que se verificou em períodos anteriores. Ao contrário, os críticos da gestão petista gostam de dizer que o Brasil “perdeu oportunidades” e poderia ter crescido mais. Críticas à parte, a verdade é que não houve um “milagre econômico” para alavancar a avaliação do governo federal.

Qual seria, então, a mágica deste governo para obter uma avaliação recorde em meio a tantas críticas, sem contar com nenhuma grande obra para apresentar, e ainda por cima aplicando uma política econômica ortodoxa, bem diferente daquela prometida
pelo presidente no passado?

O carisma de Lula e a identificação do povo brasileiro com a saga deste homem que saiu do interior do Nordeste, veio a São Paulo, venceu como líder sindical, apostou no sonho de se tornar presidente até a sua persistência ser recompensada explicam apenas parcialmente o fenômeno da alta popularidade do governo.

É preciso ajuda de uma pesquisa qualitativa para descobrir os demais fatores, mas uma hipótese a se testar é a de que os brasileiros se desencantaram com a política, com os políticos e suas promessas vãs. Estão mais pragmáticos e percebem que não existe muitas alternativas ao jeito que Lula escolheu para tocar o governo. Assim, na hora de avaliar a gestão e levando em conta os velhos problemas de um País pobre e cheio de contradições, os brasileiros reconhecem o esforço do presidente.

Por fim, a todos esses fatores – carisma, crescimento possível e identificação popular com o presidente – é preciso somar um outro, também importante: a tragédia que foram os 8 anos de governo tucano-pefelista. É comparando que as pessoas fazem as suas avaliações e ao colocar lado a lado os governos de Lula e Fernando Henrique, os números são de tal forma favoráveis ao petista que a população acaba sendo até um pouco condescendente com a atual gestão. Não deixa de ser irônico: a ruindade dos tucanos está sendo a grande salvação dos petistas.

No mundo da lua

A hora e a vez dos traidores

A matéria reproduzida abaixo foi publicada no DCI desta quarta-feira e revela alguns dos motivos pelos quais a candidatura do tucano Geraldo Alckmin não deslancha. Depois da pesquisa Datafolha divulgada ontem, o maior problema de Alckmin será conseguir manter alta a moral da sua tropa. Como se poderá ler a seguir, se os aliados do ex-governador já não estavam muito confiantes antes dos números favoráveis a Lula, agora, então, a taxa de confiança deve estar perto de zero...


Geraldo Alckmin já perdeu o apoio de 5 aliados estaduais

Eduardo Bresciani
A formação de alianças fortes nos estados não tem garantido palanques ao presidenciável Geraldo Alckmin. Com a deserção do governador cearense Lúcio Alcântara (PSDB), são cinco os candidatos que se aliaram a PSDB ou PFL e simplesmente não apóiam Alckmin. Assim como Alcântara, Roseana Sarney (PFL-MA), Mendonça Filho (PFL-PE), Paulo Hartung (PMDB-ES) e Blairo Maggi (PPS-MT) lideram as pesquisas em seus estados e mantêm distância do tucano.
O comando da campanha de Alckmin vem realizando um trabalho de convencimento dos candidatos para evitar novas baixas e tentar recuperar apoios perdidos. Membro do conselho político, o líder tucano no Senado, Álvaro Dias, diz que a debandada de aliados é resultado de “oportunismo eleitoral” e faz um chamado aos colegas: “Vamos fazer um apelo baseado na lealdade partidária. O eleitor gosta de políticos ousados e afirmativos e rejeita os dúbios. Quem ficar com Alckmin será recompensado nas urnas”.
Dias evita falar em intervenção nos diretórios e afirma que os apoios só virão com o crescimento do candidato nas pesquisas. “O problema é o desinteresse da população pelos programas de TV. Como o Alckmin vai empolgar sem platéia?”, questiona. O senador defende que a coordenação de comunicação da campanha nacional passe a orientar os marqueteiros nos estados para aproveitar melhor os programas regionais. “Precisamos orientar os aliados sobre como incluir o Alckmin nas campanhas estaduais”, diz.
Dissidentes
Último a abandonar o barco, Lúcio Alcântara ensaiava o gesto há meses. Rompido com o presidente nacional do partido, Tasso Jereissati, o governador do Ceará não fazia referências a Alckmin.
Na segunda-feira a posição foi escancarada, quando Alcântara pregou a continuidade da parceria com o governo federal. “Eu e o presidente Lula temos um ótimo relacionamento, baseado no respeito às nossas diferenças e na consciência comum de que os interesses do povo do Ceará e do Brasil estão acima de tudo”, disse o governador na TV.
Líder nas pesquisas para o governo do Maranhão, a senadora pefelista Roseana Sarney (PFL) é outra que não dá palanque a Alckmin. Filha do ex-presidente José Sarney (PMDB), aliado de Lula, ela prega a neutralidade, mas seus correligionários trabalham abertamente pelo presidente. O apoio da pefelista tem gerado conflito entre os aliados de Lula no estado. Para tentar desvincular o presidente da senadora, o candidato do PSB, Edson Vidigal, exibiu um vídeo de 2000 em que o petista critica Roseana.
A “disputa por Lula” acontece também em Pernambuco. Oficialmente o presidente tem dois candidatos: os ex-ministros Humberto Costa (PT) e Eduardo Campos (PSB). Mas a surpresa ficou por conta de Mendonça Filho (PFL), que tem o PSDB em sua chapa e lidera as pesquisas. Ele iniciou a propaganda eleitoral com imagens suas ao lado do presidente em uma inauguração. Mendonça é aliado de José Jorge (PFL-PE), companheiro de chapa de Alckmin. Outro que abandonou o tucano foi o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi (PPS). Irritado com a candidatura de Antero Paes de Barros (PSDB) ao governo e agraciado com verbas do governo federal, Maggi apóia a reeleição de Lula, apesar de ter o PFL em sua chapa.
A situação no Espírito Santo é mais emblemática. Aliado freqüente de Lula, Paulo Hartung (PMDB) conseguiu montar uma ampla aliança para garantir sua reeleição. Dessa forma atraiu PSDB e PFL à chapa e fez um acordo informal com o PT. O candidato declara neutralidade, mas sua ligação com Lula é evidente. O estado foi o primeiro a aceitar ajuda da Força Nacional de Segurança Pública e participa de uma força-tarefa para combater os problemas na área, idéia que o petista tenta “vender” ao governador de São Paulo, Cláudio Lembo (PFL).
Paraná
Mais forte na Região Sul, Alckmin abriu mão do palanque do líder das pesquisas do Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB). Em uma convenção tumultuada, o diretório regional tucano aprovou a aliança com o peemedebista. A executiva nacional, no entanto, duvidou do apoio de Requião ao presidenciável e cancelou a coligação.
Sem candidato ao governo, Alckmin não tem palanque no estado. Osmar Dias (PDT), apoiado informalmente pelo PSDB, não declara voto no tucano, apesar de também estar fora da campanha de seu correligionário Cristovam Buarque. Rubens Bueno (PPS), que conta com apoio do PFL, tem focado sua campanha em temas regionais e também dá pouca atenção a Alckmin.

Cesar Maia: oposição se "auto-arrincou"

A interessante análise sobre os programas eleitorais é do prefeito Cesar Maia, do Rio de Janeiro, que jantou ontem com o candidato tucano Geraldo Alckmin. Maia deve ter dito tudo o que escreveu abaixo e mais um pouco. Se Alckmin vai seguir as instruções do "coach" carioca são outros quinhentos. Quem não gosta de Maia adora lembrar que a candidata dele ao governo do Rio, Denise Frossard, empacou nas pesquisas, apesar de seguir a linha do prefeito-marqueteiro.


E O PROGRAMA-ELEITORAL?

Lula e Alckmin voltaram a disputar a eleição para Prefeito do Brasil, com temas sócio-municipais-estaduais, como assistência social e ensino de primeiro e segundo graus. Até aqui não há candidato estadista. Quem se lembra da entrada do programa de Lula com Duda Mendonça com a tomada de cima numa sala de intelectuais e profissionais trabalhando, sente a diferença e a mudança de foco de presidente para prefeito.

Uma tática defensiva cuja chance de desmontar seria muito grande pela fragilidade da figura do presidente-prefeito. Temas como ética, Chávez, mentiras (-ele te enganou...), desmandos, riscos de autoritarismo futuro,desemprego num segundo governo, etc... passam batidos pelo programa. Curiosamente nas entrevistas aos jornais, TVs e Rádios, Alckmin se solta e trata de bater e criticar. No programa de TV onde tem vantagem do tempo, está engessado num telepromter com texto bem comportado.

Na próxima semana se entra naquele período em que o eleitor já acortumado ao programa não dá muita bola, e acelera o processo de troca de opiniões -jogo da coordenação, como dizem os especialistas- com seus conhecidos, e as informações recebidas. E entra neste jogo sem informação inoculada de desconstrução de Lula. Volta a dar atenção aos programas nos últimos dez dias. Pode não ser suficiente. Especialmente porque os candidatos a governador, senador, deputados, vão para um salve-se quem puder que vimos nos ultimos dias em estados do nordeste, e que acentuam a imagem de Lula. Em dezembro, Lula estava arrinconado. Oito meses depois a oposição quase se "auto-arrinconou".

terça-feira, 22 de agosto de 2006

Aprovação ao governo Lula bate recorde e presidente seria reeleito no 1° turno, diz Datafolha

As notícias não são realmente muito boas para o tucanato. Com o Datafolha desta terça-feira, cujos números seguem abaixo, Alckmin viverá o pior dos mundos: sua equipe de marketing dirá que está tudo sob controle e que é assim que ele vai crescer: devagar; e os aliados, especialmente do PFL, vão começar a exigir sangue. Alckmin, sempre tão "zen", pode sentir a pressão. Ainda nesta semana deverá sair mais uma pesquisa, do instituto Sensus. Emoções à vista, especialmente no ninho tucano.


Lula tem 49% e Alckmin 25%, diz Datafolha

A primeira pesquisa realizada pelo instituto Datafolha sobre o cenário de intenção de voto para presidente da República após o início do horário eleitoral mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição pelo PT, segue na liderança absoluta e mantém a chance de vencer o pleito já no 1º turno. Lula também obteve na pesquisa aprovação recorde de seu governo.

Na intenção de voto dos eleitores entrevistados, o petista cresceu de 47% para 49% da preferência. O candidato tucano Geraldo Alckmin também oscilou para cima: passando de 24% para 25%. Já a terceira colocada, senadora Heloisa Helena (PSOL) oscilou para baixo: indo de 12% para 11%. O senador Cristovam Buarque, candidato do PDT à presidência continuou com 1% das intenções de voto.
Transformando os números do primeiro turno para votos válidos (excluídos brancos e nulos), o presidente Lula receberia 56%, obtendo a vitória e a reeleição já no dia 1° de outubro.
A avaliação da gestão petista frente ao governo federal também teve aumento significativo: o índice de avaliações ótimo e bom subiu de 45% na última pesquisa, no início do mês, para 52%. Para 31%, o governo é regular e para 16%, ruim ou péssimo.
Na simulação de segundo turno realizada pelo Datafolha, o presidente Lula também cresceu, passando de 54% para 55%, ao passo que o ex-governador Geraldo Alckmin caiu de 37% para 36% das intenções de voto.
O Datafolha ouviu 6.279 eleitores em 272 cidades entre segunda feira e ontem.
A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral e divulgada ontem no Jornal Nacional da TV Globo.

A hora e a vez dos traidores


Charge do Agê que estará na edição de quarta-feira do DCI

Helô aceita apoio da burguesia paulista

O release reproduzido abaixo é mais um retrato de um país muito engraçado. Uma Mendes Caldeira apoiando Heloísa Helena até dá para entender – Lula também teve apoio na família, da psicanalista Eleonora –, mas a candidata do PSOL aceitar o apoio da ex-mulher do mensaleiro Valdemar Costa Neto é algo estranho. Ou não é?


Maria Christina Mendes Caldeira apoia Heloisa Melena


Em encontro na tarde deste sábado (19/08) na praça da Sé em São Paulo, Maria Christina Mendes Caldeira, candidata a deputada federal pelo partido verde, prestou o seu apoio à candidatura de Heloisa Helena a presidência da república. Maria Christina Mendes Caldeira entregou um ramo de flores a Heloisa Helena que, por sua vez, fez questão de agradecer o carinho e o apoio de forma pública a todos os presentes em frente a catedral da Sé. Não Vote Nulo. Vote Nelas. Este foi o slogan das candidatas, que lutam contra a corrupção, por uma reforma política e em defesa da mulher, entre outros pontos.

Aperitivo baiano antes do Datafolha: Heloísa passa Alckmin na terra de Antonio Carlos Magalhães

Hoje à noite, no Jornal Nacional, será divulgada mais uma rodada da pesquisa do Datafolha. A expectativa é grande, especialmente no tucanato. A nota abaixo, do blog do jornalista Josias de Souza, da Folha de S. Paulo, não é muito animadora para Geraldo Alckmin: trata-se do terceiro estado em que Heloísa Helena (PSOL) supera o candidato tucano – além da Bahia, em Alagoas e no Rio ela também está na frente de Geraldo. Se Heloísa ultrapassar Alckmin em algum momento da campanha, será engraçado assitir às justificativas do ex-governador e é certo que ele terá mais de uma desculpa na ponta da língua: "a campanha nem começou" ou "a pesquisa que vale é a do dia 1° de outubro" são algumas das possibilidades.

HH passa Alckmin em pesquisa feita na Bahia Parece que vai se repetindo na Bahia algo que já aconteceu no Rio: o presidenciável Geraldo Alckmin escorrega para o terceiro lugar na preferência do eleitorado. Entre os baianos, depois de Lula agora vem Heloisa Helena. Pesquisa feita pela empresa P&A sob encomenda da TV Itapuã (Rercord) informa que, na Bahia, Lula continua sendo o campeão de intenções de voto: 55,9%. Em segundo lugar viria Heloisa Helena, com 15%. Em terceiro, lá atrás, estaria Geraldo "Chuchumbo" Alckmin: 9,7%. A pesquisa também mediu a preferência do eleitorado baiano na disputa pelo governo do Estado. Paulo Souto (PFL), o candidato do grupo de ACM, lidera com folgas: 55,6%. O segundo colocado é o petista Jaques Wagner, apoiado por Lula: 19,5%. Mantendo-se esse cenário, Souto pode mandar confeccionar a faixa. Será reeleito no primeiro turno. Os números da sondagem baiana, divulgados nesta terça pela Agência Nordeste (para assinantes), contrastam com o otimismo de Alckmin. O candidato diz e reafirma que vai subir nas pesquisas. A Bahia está entre os sete Estados que o comitê tucano vem monitorando com pesquisas diárias. De três uma: ou a P&A, empresa local que fez a pesquisa, errou ou o otimismo de Alckmin está escorado em dados recolhidos nos outros seis Estados em que seu comitê realiza pesquisas ou o candidato tucano ainda não se deu conta do que o espera.

Cientista político afirma que o marqueteiro de Geraldo Alckmin está fazendo a coisa certa

Assim como tem gente que acredita em duendes, ainda há quem tenha a coragem de dizer, neste momento, que o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, tem chances de ganhar as eleições deste ano no primeiro turno. Sim, é isto mesmo, no primeiro turno. E mais: sem mudar a orientação da campanha no rádio e televisão. O artigo abaixo, do cientista político Paulo de Moura, originalmente publicado no site do jornalista Diego Casagrande, não é uma gozação. Petistas, tremei: Geraldo vai ganhar, e a virada só acontecerá nos últimos dias, sem margem de recuperação para o presidente Lula.

O MARQUETEIRO DE ALCKMIN PODE ESTAR CERTO
20.08, 17h56
por Paulo G. M. de Moura, cientista político

Lula cometeu um erro ao cantar sua vitória em primeiro turno em entrevista nesse final de semana. Talvez tenha feito isso depois de ver as pesquisas qualitativas do Duda Mendonça aprovando seu programa de TV e o Ibope em que subiu um ponto e em que Alckmin e Heloisa Helena permaneceram estacionados. Confesso que contava até com a possibilidade de que HH pudesse ter crescido um pouco mais sobre Alckmin e, mesmo assim, não considero liquidada a eleição que terá votação em cerca de 40 dias.

Meus caros leitores, não pensem que é fácil correr o risco, por escrito, de afirmar que talvez o marqueteiro de Alckmin esteja certo ao não largar batendo em Lula. A sensação psicológica é a de ter o mundo contra si. Quem me lê sabe que tenho sido um duro crítico desse governo. Defendi abertamente o impeachment de Lula, criticando também, duramente, a oposição por ter errado ao adotar outro caminho. Mas isso é passado. Façamos então, um exercício de projeção de cenários eleitorais para refletirmos sobre as razões de meu ponto de vista.

Cenário Lula-lá no primeiro turno: nessa hipótese a última pesquisa Ibope estaria apontando a consolidação irreversível das intenções de voto em Lula, que teria razão ao cantar vitória antes do tempo. Se Lula está certo ao cantar vitória antecipada, nada há que se possa fazer para reverter esse quadro. Restaria a Alckmin, então, seguir na linha light preservando sua imagem para o futuro, ou bater duro em Lula para enfraquecer o virtual segundo mandato do petismo.

Cenário Alckmin-lá no primeiro turno: nessa hipótese, estariam perdidas em algum canto da memória do povo as falcatruas que Roberto Jefferson denunciou. Bastaria à oposição, então, refrescar a memória das pessoas, batendo em Lula do começo ao fim do horário eleitoral. Dessa maneira, Lula deveria desabar abruptamente nas pesquisas logo após os primeiros dias do horário eleitoral na TV, levando Alckmin à vitória fácil no primeiro turno. Era com esse cenário que eu estava trabalhando até pouco tempo atrás, quando escrevi artigos anunciando a possibilidade de vitória de Alckmin em primeiro turno. Hoje, não o descarto, mas considero-o menos provável.

Cenário Alckmin-lá no segundo turno: nessa hipótese (que detalhei nos dois últimos artigos aqui publicados), o marqueteiro de Alckmin estaria avaliando que, para vencer, precisa tirar eleitores que estão com Lula. Estando com Lula, esses eleitores, óbvio, não são antilulistas. Se for ao segundo turno, os 35% de eleitores antilulistas existentes no país votam em Alckmin por razões evidentes. A vitória, portanto, passaria pela necessidade de tirar eleitores que de Lula.

Para tirar eleitores de Lula, Luiz Gonzáles, marqueteiro de Alckmin, estaria trabalhando com a seguinte estratégia: num primeiro momento, apresentar o Geraldo para esses eleitores de Lula, mostrando que o tucano é confiável, fez coisas parecidas como governador de SP, com as que Lula fez como presidente e, portanto, esse povo, se quiser, pode trocar um pelo outro sem medo de perder o que Lula lhes deu (bolsa-esmola, etc.). Segundo li na Folha de SP, a direção do PT estaria satisfeita com a boa receptividade dos programas de Duda Mendonça. Logo, os eleitores de Lula devem estar gostando dos programas de Alckmin também, pois ambos são iguais em formato e linguagem.

Na mesma proporção em que essa construção estiver se consolidando na mente do eleitor “de Lula”, Gonzáles começaria (no início de forma sutil e depois aumentando gradativamente o calibre dos tiros) a desconstrução da imagem de Lula. Sob circunstâncias normais, isso é, sem a pressão de fatos contundentes ou muito antes do dia de decidir em quem votar, o processamento das mensagens da propaganda eleitoral na mente dos eleitores leva cerca de sete a dez dias. Se eu estiver certo, será mais ou menos nesse prazo que as peças biográficas de Alckmin deverão ter seu espaço reduzido no programa de TV. Minha percepção coincide com informação publicada no blog do Josias de Souza e reproduzida por este site (Clique AQUI para ler).

Em seu lugar, ao lado de peças de reforço de imagem de Alckmin e de apresentação de seu programa de governo (promessas para o futuro), entram no ar peças de desconstrução da imagem de Lula que, suponho, estejam sendo feitas e pré-testadas em pesquisas qualitativas nesse momento, para que sejam levadas ao ar somente aquelas que cumpram a função de desmontar Lula sem causar ônus a Alckmin. Lembrem-se, Alckmin precisa atrair para si eleitores de Lula. Demolir Lula é fácil. Transferir eleitores de Lula para Alckmin é muito mais difícil. Seria divertido ver Lula e sua obra serem demolidos na porrada. Mas, a demolição que interessa é sua derrota nas urnas. Nada se iguala a isso para satisfazer a todos que querem ver Lula fora do poder. Se o eleitor de Lula que pode se transferir para o lado de cá, dando a vitória a Alckmin, perceber Lula como alguém que está sendo agredido de forma virulenta e injusta, esse eleitor se sentirá agredido e verá Lula como vítima de uma injustiça. E, assim, Lula estará reeleito.

Lembrem-se da capa da revista Veja da semana passada: “São eleitores que estudaram até o nível médio e cuja renda familiar não supera 700 reais. Ao todo, eles comandam 24 milhões de votos. Dentro desse vasto segmento, o grupo numericamente mais expressivo é composto de mulheres de até 44 anos. Em números absolutos, elas formam um exército de 8,5 milhões de eleitoras, que corresponde a 25% do eleitorado nordestino. Esse contingente tem se comportado de forma tão compacta e homogênea na eleição – neste momento, votam majoritariamente em Lula – que sua força se tornou perceptível e mesmo capaz de alterar, ao seu próprio gosto, o nome do próximo presidente da República. Se essas eleitoras ficarem com Lula, como a maioria está hoje, o presidente tem todas as chances de ser reeleito – caso, naturalmente, sua preferência não desabe nas demais regiões. Se uma parte significativa dessas eleitoras se inclinar para Alckmin, e esse movimento vier acompanhado de um crescimento razoável nas outras regiões”. do país, o tucano volta a ter chances reais de derrotar o atual favorito nas intenções de voto.”

Para esse povo, Lula é “gente como a gente”. De fato, não é. Mas, convencê-los de que Lula é Ali Babá sem perder seus votos, é o “X” da questão. González precisará preparar esse eleitor, gradativamente, para aceitar as críticas a Lula como sendo críticas justas e fundadas na realidade. Começar com imagens de gente do povo decepcionada com Lula, como foi feito no programa de Alckmin no sábado, me parece um bom caminho.

Por fim, um alerta. Se minha percepção está correta, a eventual queda de Lula nas pesquisas somente deverá começar a se processar, se Gonzáles for bem sucedido em sua estratégia, na reta final do primeiro turno e não logo após a primeira semana de propaganda eleitoral na TV, como eu esperava que ocorresse quando estava trabalhando com base no primeiro cenário acima descrito. Se eu estiver percebendo a lógica da estratégia de Alckmin corretamente, o tucano agiu certo ao isolar seu marqueteiro em SP, longe das pressões de Brasília. Igualmente, está certo ao afirmar que “não fará uma campanha errática”.

Sob esse ponto de vista, Heloisa Helena pode ter batido no seu teto nessa pesquisa do Ibope e Alckmin no seu piso. Estamos na primeira fase de um jogo que começa tornando-se os candidatos conhecidos. Em seguida, se a estratégia estiver funcionando, o eleitor deve começar a se identificar com a imagem e o discurso do candidato. A etapa das comparações deve ocorrer a partir de meados de setembro até a véspera da eleição. E a etapa da escolha se dará na reta final do primeiro turno.

Será preciso muito sangue frio para resistir nessa linha. Mas, se Gonzáles estiver certo, e espero e torço para que esteja, a desconstrução gradual da imagem de Lula, se feita de forma correta, poderá até confirmar a vitória de Alckmin em primeiro turno. Hoje esse cenário é menos provável. Pelo contrário, a maioria está com Lula. Lula tem pesquisas e marqueteiros competentes e, segundo o blog do Josias de Souza, já têm pronta reação. Se Lula é imune, a eleição está perdida. Mas, quem defende que é preciso bater em Lula o faz por acreditar que há chances de vencer.

Para quem é um cientista político, errar prognósticos eleitorais é um problema mais sério do que para jornalistas, políticos e militantes. Se eu estiver errado, sequer precisarei reconhecer meus erros por escrito. Meus leitores saberão. É o preço de quem corre riscos no mercado político, assim como o prejuízo é o risco de quem busca lucro no mercado econômico.

Só um deputado renuncia

Acabou o prazo e só o deputado federal Marcelino Fraga, do PMDB do Espírito Santo, renunciou. Confira os detalhes na matéria da Agência Estado, reproduzida abaixo. O Conselho de Ética da Câmara vai ter que trabalhar bastante até o fim do ano.

Apenas um deputado renuncia; conselho processará citados

O deputado federal Marcelino Fraga (PMDB-ES) foi o único parlamentar a renunciar, até a meia-noite desta segunda-feira, 21

Denise Madueño e Rosa Costa


BRASÍLIA - Depois de um revés no Supremo Tribunal Federal (STF), o deputado federal Marcelino Fraga (PMDB-ES) foi o único parlamentar a renunciar, até a meia-noite desta segunda-feira, 21. Este era o prazo dado pela mesa diretora da Câmara para que os acusados de envolvimento com a máfia das ambulâncias deixassem o cargo. Até agora, apenas Coriolano Sales (PFL-BA) renunciou ao mandato e, portanto, seu processo será arquivado.

Fraga entrou com recurso no STF pedindo para que fosse determinado o trancamento de um inquérito aberto no Supremo para investigá-lo. O ministro Carlos Ayres de Britto negou. O pedido alegava que em decorrência da investigação o parlamentar sofreria “coação ilegal em sua liberdade de locomoção”. Os advogados também sustentaram não haver elementos suficientes para abrir uma investigação.

O Conselho de Ética da Câmara abre nesta terça-feira, 22, os processos de cassação contra os deputados acusados pela CPI dos Sanguessugas de envolvimento no esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Para ganhar tempo, o presidente do colegiado, deputado Ricardo Izar (PTB-SP), anunciou que dará prioridade para os casos dos parlamentares contra os quais há provas mais robustas.

Por esse critério, a CPI considera dispor de elementos incontestáveis contra 15 deputados que teriam recebido pagamentos dos empresários acusados de chefiar o esquema.

Desmontado em maio pela Operação Sanguessuga da Polícia Federal, quando foram presos 47 acusados, o esquema das ambulâncias motivou a abertura de CPI na Câmara, que em relatório parcial divulgado há duas semanas apontou o envolvimento de 69 deputados e 3 senadores.

Os parlamentares são acusados de, mediante propina, apresentar emendas ao Orçamento da União destinando recursos para municípios comprarem ambulâncias superfaturadas vendidas pela Planam, empresa que supostamente liderava o esquema. A máfia dos sanguessugas teria desviado R$ 110 milhões desde 2001.

Consultado por acusados preocupados em avaliar se o melhor era enfrentar o processo ou renunciar ao mandato para fugir da cassação, Izar previa a renúncia de pelo menos seis deputados, mas elas não se confirmaram. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), estendeu o prazo para a apresentação de renúncia até a meia-noite de segunda. Elas precisam ser publicadas no Diário da Câmara desta terça para que tenham validade.

Exceto o deputado Coriolano Sales (PFL-BA), que renunciou ao mandato na semana passada para fugir da cassação, até o início desta noite, nenhum outro dos 69 deputados acusados pela CPI havia protocolado carta de renúncia na Secretaria da Mesa.

O deputado Josué Bengtson (PTB-PA) declarou, após se reunir com Izar, que não renunciaria ao mandato. Ele, no entanto, afirmou que não vai mais se candidatar à reeleição. “Sou pastor evangélico e não me senti confortável em concorrer a uma eleição, na qual seria eleito, com processo no Conselho de Ética”, afirmou. Izar informou que pretende notificar todos os acusados em dez dias. Ele já marcou reunião do conselho para 4 de setembro, quando indicará os relatores.

Processo no Senado

O Conselho de Ética do Senado deve se reunir nesta quarta, 23, para dar início aos processos contra três senadores acusados de ligação com a máfia dos sanguessugas: Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PL-ES). O presidente do conselho, senador João Alberto (PMDB-MA), convidou o vice-presidente do colegiado, Demóstenes Torres (PFL-GO), para relatar o processo de Serys.

No caso dos dois outros senadores, Alberto procura por relatores aliados do governo. Sua primeira opção para o processo contra Suassuna é Sibá Machado (PT-AC), único membro da CPI dos Sanguessugas que se absteve na votação do parecer do relator Amir Lando (PMDB-RO).

Para parlamentares da oposição, a tática de João Alberto visa a assegurar o arquivamento dos processos contra Ney Suassuna (PMDB-PB) - agora chamado de “homem-bomba”, pelas ameaças de retaliar denunciando caciques do PMDB - e Magno Malta (PT-ES). Dessa forma, garantiria ainda a rejeição no conselho de uma eventual acusação contra Serys, mesmo se ela vier a ser denunciada por Demóstenes.

Acusados apelaram no STF

Um grupo de parlamentares investigados pela CPI dos Sanguessugas protocolou, na noite desta segunda, 21, quatro mandados de segurança no Supremo Tribunal Federal (STF). O conteúdo dos pedidos não foi divulgado pelo STF, pois eles tramitam em segredo de Justiça. Boa parte dos recursos, segundo fonte consultada pelo Estado, pretende bloquear as investigações.

Segundo o tribunal, os deputados que recorrem são César Bandeira (PFL-MA), Heleno Silva (PL-SE), João Batista (PP-SP), João Mendes de Jesus (PSB-RJ), José Divino (sem partido-RJ), Jorge Pinheiro (PL-DF), Marcelino Fraga (PMDB-ES), Marcos Abramo (PP-SP), Marcos de Jesus (PFL-PE), Paulo Gouvêa (PL-RS) e Vieira Reis (PRB-RJ).

Os pedidos deverão ser analisados nas próximas horas pelos ministros que foram sorteados para relatar cada caso. A expectativa é de que as decisões sejam tomadas nesta terça-feira, 22, quando o Conselho de Ética deverá se reunir para abrir processos disciplinares contra parlamentares suspeitos de envolvimento com o esquema de venda de ambulâncias superfaturadas a prefeituras. Os relatores das ações são os ministros Cezar Peluso, Eros Grau, Carlos Ayres Britto e Celso de Mello.

Deputados que assinaram o requerimento de criação da CPI dos Sanguessugas devem fazer protesto no plenário da Câmara para pedir que os processos de cassação de 15 deputados contra os quais acreditam haver provas irrefutáveis sejam votados em setembro.

O grupo também vai defender a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com o voto secreto na Câmara.

segunda-feira, 21 de agosto de 2006

Até agora, nenhuma renúncia

Os deputados federais acusados de envolvimento no escândalo da máfia das ambulâncias, investigados pela CPI dos Sanguessugas, parecem resistir à tentação de renunciar ao mandato para concorrer nas eleições de outubro sem o risco de serem cassados no meio do caminho e, assim, perderem os direitos políticos. Até agora, nenhum sanguessuga entregou a carta de renúncia à Mesa da Câmara. O prazo final termina em uma hora e meia. No Supremo Tribunal Federal, ocorre neste momento o julgamento de uma liminar de um grupo de parlamentares para tentar barrar os processos no Conselho de Ética da Câmara. Talvez as renúncias ocorram após o julgamento.

No Senado, a situação já se definiu: os três suspeitos apresentaram as suas defesas e os processos correrão normalmente no Conselho de Ética da Casa.

Tucanos preferem luvas de pelica


Charge do Agê que estará na edição de terça do DCI

O abandono de Alckmin também ocorre em SP

O jornalista Jasson de Oliveira Andrade, leitor atento deste blog, envia uma interessante mensagem sobre a nota "Os ratos já abandonam o barco", cujo conteúdo vale a pena ser reproduzido aqui. Diz Jasson que, no contexto do abandono da candidatura Alckmin, também merece destaque uma notícia da Folha de São Paulo desta segunda-feira: "Mais uma vez, o tucano fez campanha ontem sem a companhia dos principais nomes do seu partido, como José Serra (PSDB), candidato ao governo do Estado. Estavam com ele só um candidato a deputado estadual e um deputado federal. Enquanto isso, Lula realizou três eventos no Estado durante o fim de semana em companhia dos principais nomes do PT". O tucano mencionado na matéria é, obviamente, Geraldo Alckmin. Na opinião do jornalista, esta notícia deveria ter destaque na primeira página do jornal, que preferiu ignorá-la e deu uma manchete contra o presidente Lula, candidato à reeleição pelo PT: "Em reduto de mensaleiro, Lula esconde ex-líder do PT".

Jasson está coberto de razão sobre o comportamento da Folha – no mínimo, o jornal deveria ter destacado as duas notícias na primeira página –, e percebeu um movimento real na campanha tucana: hoje, mais uma vez, Alckmin e Serra estavam na mesma cidade – a capital paulista –, mas fizeram campanha separados. Aliás, quando foi mesmo a última vez em que Aécio e Alckmin foram para as ruas de Minas Gerais juntos? Se Alckmin não se recuperar nas pesquisas com alguma rapidez, verá seus correligionários fugirem da sua companhia, com medo da contaminação negativa de seus índices.

Lula ultrapassa Alckmin em São Paulo

Do DCI desta segunda-feira, bons números para Lula. No Rio Grande do Sul, porém, Lula caiu 5 pontos. O Datafolha nacional vai mostrar qual é a tendência.

Lula ultrapassa Alckmin e já lidera no Estado de São Paulo

Luiz Antonio Magalhães e Patrícia Acioli

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já está à frente de Geraldo Alckmin (PSDB) no Estado de São Paulo. É o que revela a pesquisa DCI/Engrácia Garcia realizada com 2000 eleitores paulistas entre os dias 12 e 18 deste mês. No levantamento anterior, feito entre os dias 5 e 8, Alckmin ainda liderava, com 38,5% das intenções de voto. Em uma semana, o tucano perdeu, no estado que governou até abril, 4 pontos percentuais e ficou com 34,5%. Lula, que tinha 35,3% há uma semana, conseguiu subir 4 pontos na preferência do eleitorado e tem agora 39,3%. A candidata do PSOL, senadora Heloísa Helena, oscilou positivamente de 7,8% para 8,8%.

Os candidatos José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL), Cristovam Buarque (PDT) e Rui Pimenta (PCO) permaneceram todos estáveis, com menos de 0,3% cada um.

O levantamento do instituto Engrácia Garcia para o DCI foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 13569.

Na sexta-feira, o Ibope divulgou a sua pesquisa nacional sobre a eleição presidencial. Considerando o eleitorado do Brasil inteiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria hoje 47% das intenções de voto e seria reeleito já no primeiro turno. Lula subiu um ponto percentual em relação ao levantamento anterior. Alckmin ficou estacionado nos 21% que tinha há uma semana, o mesmo ocorrendo com a senadora Heloísa Helena, que teria hoje 12% das intenções de voto.

Análise

A queda de Geraldo Alckmin em São Paulo revela que a liderança do ex-governador no estado parece ter sido bastante abalada nas últimas semanas. Há um mês, ele tinha mais de 45% das intenções de voto dos paulistas e estava 20 pontos à frente de Lula, segundo números do Ibope. Agora, revela o instituto Engrácia Garcia, já está atrás de Lula. Cientistas político ouvidos pelo DCI afirmam que a crise na segurança afetou a popularidade de Alckmin, mas os ataques do PCC não explicam uma queda tão grande.

Para Vera Chaia, professora do departamento de Política e Núcleo de Estudo em Artes, Mídia e Política da PUC de São Paulo, falta carisma a Alckmin. “De cara você tem uma primeira explicação no caso do PCC. Um ex-governador não pode se eximir de um problema de segurança como aconteceu. Isso certamente repercute negativamente”, explica. “Mas é preciso considerar também que Alckmin é uma personalidade política com pouco carisma. Não sensibiliza, não gera empatia com os eleitores”, arremata.

Já o cientista político Luciano Dias, do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos, Alckmin está em queda porque não se diferencia do presidente Lula. “Qual é o motivo para se votar em Alckmin? Ele nem construiu uma imagem e nem bateu no Lula, daí o resultado da pesquisa”, afirma Dias.

Para Vera Chaia, o discurso da campanha tucana também está colaborando para que a escassez de votos do candidato. “Fala-se em economia, mas esse é um quesito no qual o governo Lula foi bem. Logo quando o partido escolheu o seu candidato, dava para prever que sua performance não mudaria, mas a campanha poderia ter sido diferente. Nem o PFL está satisfeito com o tipo de campanha que está sendo feita”, diz a professora.

Cláudio Couto, professor de Ciência Política da PUC de São Paulo, sintetiza a opinião de seus colegas: “creio que dois fatores sirvam para explicar esse resultado – fatores positivos e negativos. No lado positivo, o Lula avançou nas políticas sociais, na economia e se desvencilhou dos escândalos. O negativo está expresso no PCC e na incapacidade do ex-governador responder ao problema. Isso foi um baque para sua imagem, que já é apagada.”

Os ratos já abandonam o barco

A matéria abaixo é da Agência Estado e os fatos falam por si. Se Alckmin não subir no próximo Datafolha, que deve ser divulgado amanhã ou quarta, acabou a eleição presidencial para o tucanato.

Tucano Lúcio Alcântara declara apoio a Lula

No horário eleitoral, o candidato à reeleição pelo PSDB disse que quer continuar contando com a parceria do governo federal e mostrou um discurso, no qual é elogiado pelo presidente

Carmen Pompeu


FORTALEZA - O que no início da campanha era subliminar, agora ficou explícito. Lúcio Alcântara, governador do Ceará e candidato à reeleição pelo PSDB, além de não fazer qualquer referência ao também tucano Geraldo Alckmin, candidato à Presidência, demonstrou, no horário eleitoral desta segunda-feira,21, apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ato pode selar o rompimento político entre o presidente nacional do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e Lúcio. Os dois vêm se desentendendo desde a insistência do governador em disputar mais um mandato.

"Eu e o presidente Lula temos um ótimo relacionamento baseado no respeito às nossas diferenças e na consciência comum de que os interesses do povo do Ceará e do Brasil estão acima de tudo", disse Lúcio, na televisão. "Quero continuar contando com a parceria do governo federal e, sobretudo, com a parceria do povo cearense. É assim que vamos continuar conduzindo o Ceará, no rumo certo, para um futuro melhor".

No programa de rádio, o governador foi ainda mais direto na vinculação de sua imagem a imagem do presidente Lula, o que é proibido pela lei da verticalização. Ele usou um depoimento de Lula, quando este esteve em Missão Velha, para o lançamento da pedra fundamental da ferrovia Transnordestina. "O companheiro Lúcio Alcântara, nesses quatro anos, foi um companheiro que teve uma relação de muita lealdade comigo como presidente da República. Quero fazer justiça. Esse homem foi muito digno no comportamento comigo e com todo o governo", disse Lula no discurso.

As únicas referências a Alckmin na campanha eleitoral cearense são feitas por Tasso e por dois fiéis aliados dele, a deputada estadual Tânia Gurgel e o deputado federal Bismarck Maia. A postura de Lúcio soa como revide, uma vez que Tasso deixou claro que não vai trabalhar para reeleger o governador. Em suas andanças pelo interior, Tasso não cita o nome de Lúcio. Segundo pesquisa Ibope, Lula tem 70% das intenções de voto e Alckmin 15%.