quinta-feira, 31 de maio de 2007

Gas pimenta nos estudantes: é a PM de Serra












Polícia batendo em estudante é coisa de um passado tão distante que muitos brasileiros vão estranhar a notícia abaixo, do site G1. Mas é isto mesmo: o governador José Serra (PSDB) não quer permitir a aproximação dos manifestantes ao Palácio dos Bandeirantes. Serra deve estar com medo de uma nova "derrubada das grades" – a famosa manobra de provocadores para desestabilizar o governador Franco Montoro, então em início de mandato, no ocaso da ditadura militar, em 1983. Montoro deixou que as grandes caíssem, mas terminou o mandato com a popularidade lá em cima. Se Serra continuar mandando jogar gás pimenta em estudante, vai acabar saindo pela porta de trás.
Veja abaixo a íntegra da matéria do G1:

PM usa gás pimenta para conter estudantes
Luciana Bonadio e Silvia Ribeiro

Manifestantes impedidos de chegar ao Palácio dos Bandeirantes, sede do Governo de São Paulo, para protestar contra decretos do governo sobre o ensino superior e chamar a atenção para problemas das universidades estaduais, tentaram furar o bloqueio armado por policiais militares três vezes na tarde desta quinta-feira (31).

Até às 16h, haviam sido duas iniciativas isoladas, facilmente controlada pelos PMs, que utilizaram gás pimenta. Por volta das 16h15, o cordão de isolamento chegou a se romper, e um estudante avançou contra um policial. Ele foi agredido com cassetetes. Mais uma vez, os PMs utilizaram gás pimenta para conter a multidão.

Enquanto alguns tentavam forçar o bloqueio, outros estudantes procuravam convencer os policiais um a um a liberar a passagem. Munidos de livros, flores e sempre exibindo carteirinhas da Universidade de São Paulo (USP buscar), eles tentavam dialogar com os homens que compunham o cordão de isolamento.

Foram exibidos livros como "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, "O Capital", de Karl Marx, e "Além do bem e do Mal", de Nietzsche. "Queremos mostrar que as nossas armas são livros e cadernos", afirmou o estudante de engenharia da USP, Tom Teixeira, 20 anos.

Enquanto os cerca de dois mil manifestantes aguardavam, uma comitiva foi formada para conversar com o governo. Fazem parte do grupo representantes dos professores da Associação de Docentes da Universidade de São Paulo (Adusp), estudantes da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade de Campinas (Unicamp buscar) e outras universidades do estado, além de funcionários do Sindicato de Trabalhadores da USP (Sintusp).

No Palácio, além do governador José Serra também estão presentes os secretários da Justiça, Luiz Antonio Marrey, e do Ensino Superior, José Aristodemo Pinotti.

Derrotado, Serra recua e muda decretos

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decidiu adotar a tática dos norte-americanos no final da guerra do Vietnam, que proclamaram a vitória e deixaram o país às pressas, para não serem definitivamente humilhados. Serra editou um decreto declaratório que reformula o teor dos dois polêmicos decretos que ferem a autonomia das universidades estaduais paulistas. O secretário José Aristodemo Pinotti, do Ensino Superior, já saiu por aí dizendo que não se trata de um recuo, pois o novo texto reafirma o que o governo quis dizer desde o início, mas não foi bem compreendido. Como diriam os americanos: bullshit. Serra foi, sim, derrotado pela pressão dos professores, estudantes e funcionários da USP, Unesp e Unicamp. Ao que parece, o tucano já percebeu a besteira que fez e decidiu recuar. Ainda é um recuo tímido – o correto seria revogar os dois decretos e acabar com a secretaria de Ensino Superior –, mas abre margem de negociação com a comunidade acadêmica. Ainda não é certo que professores, estudantes e funcionários venham a aceitar a mão estendida do governador, mas o fato é que, tal e qual os norte-americanos do Vietnam, Serra está louco para acabar com o impasse e posar de vitorioso. O que vai ficar desta batalha toda, porém, só o tempo vai dizer.

Este blog tem um palpite: Serra começou a perder a eleição de 2010 no dia 1° de janeiro de 2007, quando desafiou e jogou de volta no colo de Lula essa influente categoria dos professores universitários que, decepcionada com as denúncias de corrupção, dossiês e outros quetais, tendia a apoiar o neo-desenvolvimentismo supostamente representado por José Serra. Resta saber se ele tinha mesmo a intenção de desafiar a comunidade acadêmica ou simplesmente não percebeu a gravidade da besteira que seus subordinados estavam aprontando. Nos dois casos, o erro é do governador.

A seguir, a matéria da Agência Estado desta manhã que informa a publicação do decreto declaratório.


Serra publica decreto reiterando autonomia de universidades
Governador quer ´eliminar interpretações equivocadas´ sobre universidades

Ana Carolina Moreno

SÃO PAULO - O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), publicou nesta quinta-feira, 31, no Diário Oficial, o primeiro decreto declaratório de sua gestão. O documento quer "eliminar" as "interpretações reiteradamente equivocadas" sobre os quatro decretos que motivaram a ocupação do prédio da reitoria da Universidade de São Paulo (USP), e modificar a redação de outro.

Segundo a Secretaria Estadual de Ensino Superior, o decreto declaratório não modifica os anteriores, mas sim registra oficialmente o que Serra havia confirmado apenas verbalmente, de que os decretos não valem para as universidades estaduais. Dos cinco documentos na mira dos estudantes, dois não são mencionados no texto publicado nesta quinta no Diário Oficial: o decreto n.º 51.460, de 1º de janeiro, que criou a Secretaria de Ensino Superior, e o n.º 51.636, de 9 de março, que torna a inserção de dados no no Sistema Integrado de Administração Financeira para Estados e Municípios (Sieagem) obrigatória “em tempo real” a partir de 2007. Nos anos anteriores, ela era mensal.
O governador esclarece que o decreto n.º 51.471, de 2 de janeiro, que veda "a admissão e a contratação de pessoal no âmbito da administração pública direta ou indireta", "não se aplica às universidades". Já o decreto n.º 51.473, da mesma data, não consta na lista de documentos criticados, mas também deixa de ser aplicado às universidades públicas estaduais
Os decretos questionados também resultaram na greve de estudantes, funcionários e professores da USP, Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp), que, segundo os manifestantes, ameaçam a autonomia das universidades estaduais.
A declaração de Serra acontece no dia em que as categorias das três instituições planejam um ato na Assembléia Legislativa e uma possível audiência pública com o governador. Os estudantes da ocupação da reitoria da USP estão estudando o novo decreto para divulgar sua posição oficial.

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Por que O Globo não dá foto de Mônica?

Está no blog Coleguinhas, uni-vos a explicação para a ausência de fotos no jornal O Globo da jornalista Mônica Veloso, pivô do escândalo envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) e ex-apresentadora da TV Globo de Brasília. Segundo anotou o jornalista Ivson Sá, responsável pelo blog, o jornal carioca alega que não deu foto alguma de Mônica para "preservar uma mãe de criança pequena". Como dizia o Jack Palance, acredite se quiser...

FHC defende afastamento de Renan e cria ditado: "faça o que eu digo, não o que eu fiz"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que tem um filho fora do casamento com a jornalista Míriam Dutra, da TV Globo, defendeu nesta quarta-feira que o presidente do Senado, Renan Calheiros, que, como todo mundo já sabe, tem uma filha fora do casamento com a jornalista Mônica Veloso, se afaste do cargo. "É melhor, fica mais fácil, se ele se afastar", disse Cardoso no Rio de Janeiro.

O ex-presidente certamente conhece bem o assunto e está apto a comentá-lo. Antes de qualquer comentário, porém, Cardoso poderia contar a Renan como foi que conseguiu resolver essa chateação de filho fora do casamento, pensão alimentícia por fora e, principalmente, explicar o segredo para manter o assunto fora da pauta da grande imprensa. Que Cardoso seja adepto do velho ditado "faça o que eu digo, não o que eu faço", não há problema algum, pois o país está mesmo cheio de Catões de fancaria a dar lição de moral bem no meio do bordel. O que não dá para aceitar é os jornalões publicarem os "conselhos" Cardoso a Calheiros sem uma única linha explicando a expertise do ex-presidente neste assunto.

Roberto Jefferson: vasectomia na política

Não dá para não reproduzir: a nota abaixo saiu originalmente no blog do ex-deputado Roberto Jefferson e merece ser lida pela franqueza com que ele resume a situação do presidente do Senado. Pelo que diz Bob Jefferson, Renan está literalmente em maus lençóis.


Mônicas clodovinianas
Político tolo e vaidoso, quando chega a Brasília, acha que é o rei da cocada preta e vai logo arranjando uma "mônica clodoviniana" - que ganha a vida deitada e descansa em pé -novinha, bonita, cheirosa, que fala mal da esposa chamando-a de velha bruxa. E arma o golpe pra cima do otário. Machista alagoano, o bobo do Renan não fez vasectomia e dançou. Agora, foi se esconder debaixo da saia da mulher. Bobocas, cuidado com elas, nós somos "gastosos" e não gostosos. Pelo menos, façam vasectomia. Eu já fiz.

Noblat: gravações podem complicar Renan

Está no blog no jornalista Ricardo Noblat a informação de que em breve serão divulgadas gravações de conversas entre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e a jornalista Mônica Veloso, mãe da filha do senador alagoano. Segundo Noblat, as gravações devem complicar bastante a situação de Renan. Este blog tem a informação de que o arsenal de Mônica não se limita às gravações, mas abrange fotos, documentos íntimos e outras bugigangas igualmente explosivas, formando um verdadeiro dossiê.

Segundo a versão que corre nos bastidores do Senado, evidentemente vazada por gente ligada ao presidente da Casa, Renan foi chantageado e se recusou a pagar o preço da extorsão. Também foi aconselhado a denunciar publicamente a chantagem, mas preferiu negociar com a mãe de sua filha, que já receberia duas outras pensões. Após o DNA e o reconhecimento da criança, os problemas começaram a aumentar, terminando no escândalo que está em curso. Muita água ainda vai rolar por debaixo da ponte e este blog continua com o palpite de que não vai ser fácil para o presidente do Senado permanecer no cargo, apesar do apoio de seus colegas de parlamento.

Autonomia das universidades paulistas:
Serra tenta botar a culpa em Alckmin

A Folha de S. Paulo publica nesta quarta-feira um interessante artigo, assinado por Aloysio Nunes Ferreira Filho, chefe da Casa Civil do governo de São Paulo, que revela uma nova estratégia do governador José Serra (PSDB) para lidar com a crise das universidades paulistas. No texto, Aloysio tenta argumentar que o teor do decreto que os estudantes, professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp acusam de ferir a autonomia universitária conquistada na gestão Orestes Quércia (1987-91) é rigorosamente o mesmo que decretos da gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

De acordo com o secretário de Serra, "ao lado de seus antecessores, o decreto de 9/3 de 2007 não apresenta mudanças de substância. No artigo 1º, três palavras são acrescentadas para dizer que os gastos de toda a administração do Estado -o que inclui as universidades, mas não só- serão registrados 'em tempo real'. Na prática, era uma forma de usar um recurso da internet para ampliar a transparência na administração -não só da universidade mas do conjunto do governo".

Como se vê, quanto mais o governo tucano trata deste assunto, mais se atrapalha. Em primeiro lugar, no trecho acima já se percebe que o decreto 9/3 de 2007 não pode ter conteúdo igual aos anteriores, da gestão Alckmin, porque as tais "três palavras" que foram acrescentadas mudam bastante o rumo da conversa: uma coisa é prestar contas para o governo, internamente, outra bem diferente é colocar na internet a execução do Orçamento das universidades. É óbvio que há diferenças e que o objetivo da mudança é tentar constranger os reitores em sua autonomia financeira.

Do jeito que a coisa está colocada pelo secretário, parece que os estudantes, professores e funcionários da USP, Unesp e Unicamp são todos uns débeis mentais que não conseguem entender os textos publicados no Diário Oficial. Claro que não é bem assim – Geraldo Alckmin pode ter feito muita coisa de ruim em seu desastrado governo, mas jamais investiu contra a autonomia das universidades estaduais. No fundo, o artigo de Aloysio é contraditório com o que o próprio governador Serra disse há alguns dias – que o decreto em questão simplesmente não vale para as universidades. Aparentemente, a estratégia agora é unificar o discurso e dizer que a lambança toda começou com Geraldo, mas ninguém percebeu...

Tudo somado, a verdade é que o governo tucano de São Paulo segue batendo cabeça. Já os estudantes continuam ocupando a reitoria da USP e de lá não deveriam sair enquanto as autoridades continuarem com a tática da engabelação para lidar com o problema.

Jornalismo Político no Comunique-se

O autor destas Entrelinhas vai ministrar, nos dias 23 e 24 de junho, o curso de Jornalismo Político promovido pelo portal Comunique-se. Destinado a estudantes e jornalistas recém-formados, o curso tem como objetivo proporcionar indicativos práticos e éticos que permitam ao aluno transitar com segurança na cobertura política.

A idéia do curso é desenvolver as técnicas da prática da cobertura política, avaliar os tipos de fontes e as dificuldades mais comuns na interpretação de documentos oficiais, pesquisas de opinião, documentos partidários e programas de governo. Também está no escopo do curso fornecer uma base histórica da cobertura política da imprensa brasileira da metade do século passado até hoje, com exercícios práticos e um estudo de caso da cobertura das eleições de 2006. Mais informações sobre carga horária, local das aulas e inscrição podem ser obtidas clicando aqui.

Ministro indicado por FHC solta Zuleido

Segundo informação da Folha Online, reproduzida abaixo, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, mandou soltar o empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama. Gilmar Mendes foi indicato para o STF por Fernando Henrique Cardoso, o distraído ex-presidente que andou reclamando da complacência da Justiça com os criminosos de colarinho branco. Pensando bem, talvez haja motivo para a reclamação de Cardoso. Hoje em dia, a polícia federal prende os corruptos e os amigos de FHC mandam soltá-los. No tempo em que o tucano era o presidente, a Justiça não tinha o trabalho de mandar soltar ninguém pelo singelo motivo de que a polícia não prendia corrupto algum...
A seguir, a matéria da Folha Online:

STF autoriza saída de Zuleido Veras e quatro funcionários da Gautama da prisão

O ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu habeas corpus na noite desta terça-feira que autoriza a saída da prisão do empresário Zuleido Veras, dono da construtora Gautama, acusado de corromper políticos para vencer licitações.

O ministro também liberou outros quatro funcionários da Gautama, empresa apontada pela Polícia Federal de liderar a suposta máfia revelada na Operação Navalha que fraudava licitações de obras públicas.

Além de Zuleido, conseguiram habeas corpus no STF: Vicente Vasconcelos Coni, diretor da empresa no Maranhão; Maria de Fátima Palmeira, diretora da Gautama e suspeita de ser o braço direito de Zuleido no esquema; Abelardo Sampaio Lopes Filho, diretor da construtora; e João Manoel Soares Barros, funcionário.

Todos estão detidos na carceragem da Superintendência da Polícia Federal em Brasília.

Zuleido prestou depoimento no sábado, mas ficou calado e permaneceu preso.

Ao deferir os habeas corpus, o ministro Gilmar Mendes disse que a ministra Eliana Calmon, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), relatora do inquérito da PF, possui "amplos poderes" para convocar, sempre que necessário, os acusados.

terça-feira, 29 de maio de 2007

Recordar é viver...

Os tucanos ficaram muito bravos durante a campanha eleitoral porque o presidente Lula afirmou que o então candidato Geraldo Alckmin iria privatizar as poucas empresas que Fernando Henrique não teve tempo de vender ao longo de seus 8 anos de mandato. Pois não é que o governo tucano de José Serra em São Paulo decidiu privatizar mais quatro rodovias estaduais, entre as quais a Ayrton Senna e Carvalho Pinto, que ligam a capital paulista ao Vale do Paraíba? Lula, portanto, estava coberto de razão: o PSDB adora vender, arrendar, fazer qualquer negócio com os bens públicos e depois dizer que os petistas fazem "terrorismo eleitoral"...

Senador não gostou da gravata da Gautama

Está hilária a nota da Folha Online, reproduzida abaixo, sobre o discurso em que o senador Almeida Lima (PMDB-SE) "negou" ter recebido mimos da empreiteira Gautama. Na verdade, ele não negou coisa alguma, apenas disse ter mandado devolver a "porcaria da gravata" que o staff do empreiteiro Zuleido Veras mandou para ele. Pelo que está no texto, quem quiser presentear o senador sergipano terá que desembolsar e mandar trazer lá da Quinta Avenida, NYC. Almeida Lima só gosta de coisa fina...

Aos gritos, senador nega ter recebido presentes da Gautama

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O senador Almeida Lima (PMDB-SE) subiu nesta terça-feira à tribuna do Senado para negar de forma enfática que tenha recebido "mimos ou presentes" da empresa Gautama, acusada pela Polícia Federal de fraudar licitações do governo federal.

De posse da lista, publicada hoje pela Folha, de parlamentares e autoridades que teriam recebido presentes da empreiteira, Lima disse que não é "moleque" nem se relaciona "com empresa de moleques".

"Não gostei. Mexeram com a pessoa errada, que sou eu neste fato. Não recebo mimos, nem presentes, muito menos propina de empresa nenhuma deste país ou de meu Estado. Não sou canalha", disse o senador aos gritos no plenário.

Lima disse que, em 2003, recebeu da Gautama na véspera do Natal "uma porcaria de gravata". O senador afirmou, no entanto, que mandou devolvê-la --por isso disse que a empreiteira não cometeria a "ousadia" de incluir seu nome em outras listas de presentes em 2004 ou 2005.

"Eu me respeito, exijo respeito. Não darei vazão a insinuações hipócritas, molecas de empreiteiras e de empreiteiros. Por esta razão mandei que devolvesse [a gravata] e no meu gabinete os servidores estranham não chegar presente. Chega sim lembranças de companheiros senadores, uma lembrança e eu aceito e agradeço, mas nenhuma de empresário."

Lima disse que, ao longo de seu mandato, nunca apresentou emendas para beneficiar empreiteiras no seu Estado. Segundo o senador, quem quiser "fuçar" suas declarações de Imposto de Renda não encontrará nenhuma ligação com empreiteiras.

"A citação [na lista] é de uma porcaria de uma gravata. Quando preciso de uma gravata e gosto muito bem de usá-las, assentadas, sei onde comprá-las. Mas, recentemente, desculpem-me a falta de modéstia, eu comprei, na 5ª Avenida, em Nova York, quando lá estive, numa visita recente, custeada pelo meu bolso. Portanto, não preciso de empresa vagabunda, moleca, sem vergonha nenhuma."

Lista

A lista da construtora Gautama com pessoas que seriam presenteadas tem 38 deputados federais e ex-deputados, 18 senadores e ex-senadores, três ministros de Estado, cinco ministros do TCU (Tribunal de Contas da União) e, pelo menos, 23 governadores, prefeitos, ex-governadores e ex-prefeitos.

Esses foram os políticos que a Folha conseguiu identificar após obter a lista da empreiteira de Zuleido Veras, empresário preso pela Polícia Federal acusado de fraudar licitações de obras públicas e de pagar propina a políticos e funcionários públicos.

Ao todo, a lista enumera 225 pessoas, algumas citadas apenas pelo primeiro nome. Exemplo: os governadores, prefeitos, ex-governadores e ex-prefeitos podem ser 35 ao todo, mas a Folha identificou 23.

Para a PF, a simples menção na lista não significa que a pessoa seja suspeita. Trata-se apenas de um ponto de partida, que precisaria ser ligado a evidências, provas e depoimentos para ter valor na investigação.

Alberto Dines: Veja ajuda a servir a pizza

Um excelente artigo sobre o caso Renan Calheiros, do ponto de vista da análise da cobertura da imprensa, está no Observatório da Imprensa (e reproduzido abaixo). A tese de Dines é interessante e, embora um pouco diferente do que já foi escrito aqui, parece fazer sentido. O que resta saber é quem está por trás da fonte de Veja, identificada pelo diretor do OI. Este blog duvida que Mônica Veloso e seu advogado estejam sozinhos em uma jogada que pode acabar derrubando o presidente do Senado.


VEJA & RENAN CALHEIROS
Denúncia apressada pode abafar Operação Navalha

Por Alberto Dines em 29/5/2007


Veja tinha pressa: precisava mostrar que não foi ultrapassada na Operação Navalha. Sentia-se na obrigação, sobretudo, de mostrar que tem futuro este tipo de jornalismo semanal da qual se tornou expoente no Brasil. Ou mais futuro do que o do jornalismo diário. Nessas maratonas, quem perde sempre é o maratonista
.

A decisão de antecipar de sábado (26) para sexta (25/5) a data de saída da edição nº 2010 pretendia substituir pelo impacto e a surpresa as falhas e omissões na denúncia contra o presidente do Senado, Renan Calheiros. Um ou dois dias a mais na investigação e, principalmente, um texto mais cuidado e uma edição menos afobada teriam dado à matéria mais consistência e menos semelhança com o que se convencionou chamar de jornalismo de apelação, marrom ou amarelo.

Como ainda não dispunha de provas sobre as ligações do político alagoano com o esquema da Gautama, o semanário foi atrás das suas eventuais ligações com outra empreiteira, a Mendes Júnior. E como o redator não poderia ignorar o potencial explosivo das navalhadas da Polícia Federal, misturou alhos com bugalhos numa das aberturas mais toscas do nosso jornalismo investigativo.

Campeonato antipizza

Em quatro páginas profusamente ilustradas para dar volume, nenhum documento. Apenas a acusação, sem aspas ou fonte, de que um dos diretores da construtora Mendes Júnior, Cláudio Gontijo, pagava em dinheiro contas pessoais do senador.

Depois do Jornal Nacional de segunda-feira (28/5) percebe-se que a fonte da Veja foi o advogado da jornalista Mônica Veloso (beneficiária daqueles pagamentos e com quem o senador teve uma filha). Este advogado foi o único a contestar no telejornal da Globo (e mesmo assim por telefone) a defesa que Renan Calheiros fizera naquela tarde no Senado.

Renan Calheiros apresentou alguns documentos em sua defesa, tentando mostrar que os pagamentos à jornalista eram seus e não de terceiros. Mas deixou lacunas, conforme se evidenciou logo em seguida.

Significa que nas próximas semanas seremos obrigados a acompanhar uma telenovela contábil e ignóbil apenas porque a maior revista brasileira, por impaciência ou delírio (dá no mesmo), ao invés de investigar com seriedade deixou-se fascinar pela picardia e pela sordidez.

Na ânsia de comandar o espetáculo e assumir a liderança do campeonato antipizza, Veja pode estar contribuindo ardilosamente para reforçar o imenso coro de políticos assustados com o rigor da PF e que, por isso, reclamam contra os seus "excessos".

Burocráticas, autarquizadas

Se não for sabotada ou manipulada, a Operação Navalha tem condições de reprimir ou, pelo menos, atenuar o saque multissecular ao erário que tornou o país um dos mais injustos do mundo. Junto, deverá alterar decisivamente a forma de fazer política, administrar orçamentos e estabelecer um padrão mínimo de decência no poder público.

Sem navalhadas, mas devidamente equipada para produzir a indispensável ressonância, a imprensa desempenha um papel não menos crucial neste saneamento cívico. Em quase duas semanas de intensa cobertura, a mídia cometeu poucos deslizes – alguns por culpa das simplificações propiciadas pelos infográficos – mas não está conseguindo passar à sociedade a premente e inadiável necessidade do "basta!".

As primeiras páginas são burocráticas, autarquizadas, concebidas para atender às imposições da segmentação dos públicos e respectivos cadernos. Em nossas redações ninguém lembra mais do poder de um editorial de primeira página, candente e universal, capaz de sacudir os atentos e desatentos, teens e idosos, socialites e sindicalistas, rurais e urbanos, artistas e economistas. Jornalismo sem capacidade de convocação perde até para a virtualidade do Second Life.

***

A mídia não tem os seus lobistas?

Virou palavrão: originalmente "grupo de pressão parlamentar", lobby transformou-se em símbolo do tráfico de influência, a indústria mais lucrativa do país. E o lobista que, antigamente, se escondia atrás da "advocacia administrativa" virou agente da perversão.

As empresas jornalísticas, porventura, não fazem lobby? Não oferecem projetos especiais aos grandes anunciantes – multinacionais ou estatais? Neste afã não corre o "por fora," não ocorrem superfaturamentos, não se oferecem descontos de freqüência, prendas e mimos em troca de grandes faturamentos publicitários?

E as entidades de comunicação, não atuam junto aos diferentes poderes da República em defesa de seus interesses particulares (nem sempre coincidentes com os da sociedade que deveriam representar)?

Assessores de comunicação não fazem lobby, não oferecem matérias exclusivas?

E os lobbies das cervejeiras, das tabaqueiras, das armas e da indústria farmacêutica – para citar os mais contestados ultimamente – não oferecem vantagens, inclusive à mídia?

Enquanto não se regulamentam os lobbies, conviria pensar no processo de diabolização das palavras.

Onde passa boi, passa boiada...

O ditado acima cabe bem em situações como a vivida hoje pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Quando um figurão é atingido por uma denúncia na imprensa, em geral os veículos concorrentes imediatamente tentam levantar "a ficha" do denunciado e quase sempre conseguem informações adicionais, ainda que diferentes da acusação original. É o que vem acontecendo nesses últimos dias: os jornais O Globo e Folha de São Paulo estão empenhados em levantar novas denúncias sobre Renan, talvez até para não passarem a imagem de complacentes com o poderoso presidente do Senado.

Via de regra, as novas denúncias provocam a necessidade de novos esclarecimentos e desgastam ainda mais a imagem do denunciado. Isto também está acontecendo com Calheiros. Nesta terça-feira, está na Folha a informação de que a voz de Renan aparece nas gravações da Polícia Federal obtidas na investigação da Operação Navalha. Não é pouca coisa. O senador teve que voltar a falar do assunto e disse que é sua obrigação lutar para liberar verbas para o seu estado. Sobre a contestação dos advogados da jornalista Mônica Veloso, mãe de sua filha, sobre os valores depositados, Renan limitou-se a dizer que já ofereceu todas as explicações no discurso de segunda-feira.

A situação do presidente do Senado pode ficar complicada justamente pelo "efeito manada" na imprensa: porteira aberta, as investigações dos jornalistas tendem a levantar pecados e pecadilhos que jamais seriam publicados se não houvesse a primeira denúncia. "Não é assunto", diria o editor de política da Folha sobre a gravação em que Calheiros fala amenindades. Agora, qualquer ameninda dita em voz alta com alguém suspeito de envolvimento na Navalha vira prova cabal do envolvimento também do presidente do Senado no esquema...

Para Renan Calheiros escapar da renúncia à presidência do Senado e mesmo para preservar o mandato de senador por Alagoas, ele precisa agora dar um jeito de fechar a porteira, impedir a disparada da manada. Ou algum outro assunto quente entra na ordem do dia, ou Renan dá explicações contundentes o suficiente para dissipar toda e qualquer suspeita. Nada disto parece estar em curso, para azar do presidente do Senado.

Foi Serra quem detonou Renan?

Tem tucano maldoso - "alquimista", provavelmente – dizendo que o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), está por trás das denúncias contra o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). É que o caso de Renan, que tem todos os componentes de uma boa telenovela, já deixou em segundo plano o principal foco de desgaste do governo Serra – a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo (USP) pelos estudantes.

Quem conhece Serra de perto acha graça na piada, porque tal estratégia combina com o maquiavelismo do governador. Pelo que este blog apurou, porém, no que diz respeito aos ataques contra Renan Calheiros, Serra está inocente. Já os problemas do governador na USP, como os de Renan no Senado, estão bem longe de uma solução. Não vai ser uma semana fácil para a dupla em questão.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Situação de Calheiros ainda é complicada

A defesa do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), apresentada hoje no plenário do Senado, pode dar sobrevida política ao presidente da Casa, mas certamente não encerra o episódio. Agora é a vez da revista Veja apresentar o seu contra-ataque, cujo teor pode ser adivinhado pelo comentário abaixo, do blogueiro Reinaldo Azevedo, colunista da revista. Muitos jornalistas já têm claro que a fonte de Veja é a colega Mônica Veloso, mãe da filha de Renan, mas ainda não está claro quem ou o que está por trás da denúncia. Calheiros é um senador que se dá muito bem com praticamente todas as forças políticas do Congresso e desconfia que Mônica foi instrumentalizada, digamos assim, para derrubá-lo do poderoso cargo que ocupa. Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte e a próxima edição de Veja promete ser tão quente quanto a desta semana. A seguir, o comentário de Azevedo:

O dramalhão do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi milimetricamente calculado. O que ele fez? Se notaram bem, experiente que é, ele procurou NÃO MENTIR, o que não quer dizer FALAR TODA A VERDADE. Se ele mente e é desmoralizado pelos fatos — e ele sabe que isso pode acontecer, certo, senador? —, corre o risco de ser cassado. Omitindo-se apenas, há sempre uma porta de saída. Ele só não tinha como contar com o imponderável. O advogado da Mônica Veloso, mãe de sua filha, disse ao Jornal Nacional que o pagamento da pensão era, sim, de R$ 12,5 mil — ainda que Renan possa documentar aqueles R$ 3 mil. Esse valor sido pago por Gontijo até 2005.

O advogado diz também que os R$ 100 mil nada têm a ver com um “fundo”. Seriam uma compensação por causa da diminuição da pensão alimentícia a partir de 2005.

O que foi mesmo que Veja publicou? Eu relembro:
• O lobista da Mendes Júnior coloca à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. O flat, número 2 018, é usado para compromissos que exijam discrição. Está em nome de Cláudio Gontijo.
• O lobista da Mendes Júnior pagou, até março passado, o aluguel de um apartamento em Brasília para o senador. O imóvel tem quatro quartos e fica em uma área nobre da capital federal. O aluguel saía por 4.500 reais.
• O lobista pagava 12.000 reais mensais de pensão para uma filha do senador, de 3 anos de idade. A pensão foi bancada por Cláudio Gontijo de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado.
• O lobista ajuda nas campanhas do senador Renan Calheiros e nas de sua família. Já ajudou o próprio senador, seu filho e seu irmão.
Leiam e releiam todos os sites e os jornais de amanhã. Por acaso disse o senador que essas coisas são mentirosas? Não. Limitou-se a contar a sua versão emocionada dos fatos, chamando a atenção para aspectos de sua vida privada, que ele sabe que foram ignorados pela revista. VEJA não se prestou, em nenhum momento, ao papel de alcoviteira. Se, alguém, nesse episódio todo, comparece nessa incômoda situação, observem bem, não é a revista. Fossem os R$ 12 mil, que o advogado de Mônica reitera que eram pagos, da conta de algum amigo pessoal de Renan, sem qualquer interesse no governo, duvido que a revista fosse se interessar pelo caso.

Renan e o mundo político sabem muito bem que a revista não se dedicou a fazer uma crônica de sua vida privada. Ao contrário: ela foi absolutamente preservada, restando, o que é do interesse do leitor, apenas os aspectos que evidenciam a promiscuidade, no país, entre o público e o privado. De todo modo, ao ressaltar os aspectos sentimentais, em tom até melodromático, de suas aventuras íntimas, o presidente do Senado chama a atenção para um aspecto curioso: em vez de estabelecer, então, uma relação igualmente privada com a mãe de sua filha para cuidar da pensão, ele decidiu chamar para fazê-lo um empreiteiro amigo?

Reitero: Renan evitou mentir e entrar em choque frontal com a reportagem na esperança de que isso baste junto a seus colegas. É possível até que nada aconteça com ele. Não é de todo mal ter um presidente do Senado fraco, rendido, dependente da boa vontade de seus pares.

Cardoso prefere não comentar caso de Renan

Em cada de enforcado, não se fala em corda. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso preferiu não fazer comentários sobre as denúncias envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). FHC está em Brasília participando de uma reunião de seu partido.

A quem interessar possa, já está disponível a íntegra do discurso de Renan Calheiros.

Renan se diz vítima de ataque à privacidade

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMD-AL) já apresentou a sua defesa, no plenário da Casa, para as denúncias publicadas na revista Veja sobre o pagamento por um lobista da Mendes Jr. da pensão de uma filha que ele teve fora do casamento. Calheiros baseou sua defesa na desqualificação da denúncia da revista, que ele disse ser um ataque à sua privacidade e honra. Renan avançou pouco em relação ao que havia apresentado na sexta-feira, mas reconheceu a essência do que saiu em Veja, a saber: que tem uma filha com a jornalista Mônica Veloso; e que pagou a pensão e o aluguel do apartamento da mãe de sua filha por intermédio do lobista Claudio Gontijo, da Mendes Jr.

Agora, importa saber a repercussão da fala de Calheiros. Se os senadores julgarem que o que ocorreu foi de fato apenas a intermediação, por um amigo do senador alagoano, do pagamento de recursos para evitar um escândalo familiar, Renan tem alguma chance de escapar. Se esta versão não for bem assimilada, haverá abertura de processo no Conselho de Ética e, neste caso, Calheiros vira um pato manco na presidência do Senado ou dá um tempo e renuncia ao cargo.

Serra vai ceder para desocupar a USP?

A semana política também promete em São Paulo, onde os estudantes, professores e funcionários da mais prestigiada universidade brasileira estão em greve e a reitoria da instituição, ocupada pelos alunos. O governador José Serra (PSDB) parece ter se dado conta da besteira que fez ao tentar controlar o Orçamento das universidades estaduais, ferindo a autonomia conquistada na gestão do ex-govenador Orestes Quércia (PMDB), em meados dos anos 80. A cada declaração que dá, Serra emite sinais de que se arrependeu da aventura. O fato de ter colocado o secretário Luiz Antonio Marrey, da Justiça, para negociar com os estudantes é mais uma sinalização de que o governo está se penitenciando pelo erro. O secretário José Aristodemo Pinotti (DEM), do Ensino Superior, está afastado das negociações, o que para bom entendedor significa que Serra realmente quer dialogar com os estudantes.

O problema todo, porém, é que o governador é teimoso e não parece disposto a simplesmente revogar os dois polêmicos decretos, talvez para não mostrar fraqueza política logo no início do mandato. Mas é o que ele deveria fazer, em face às atuais circunstâncias, pois até a imprensa amiga de Serra está vocalizando a correta visão dos estudantes, professores e funcionários da USP sobre o conflito... Serra teve sorte porque a Operação Navalha está dividindo as atenções do noticiário, mas cada dia a mais de ocupação da reitoria é um dia a mais na desmoralização de seu governo.

Renan deixará a presidência do Senado?

O assunto da semana tem nome e sobrenome: Renan Calheiros. Provavelmente nesta segunda-feira, o presidente do Senado fará um pronunciamento para esclarecer as denúncias da revista Veja. A nota oficial que soltou na sexta-feira não foi suficiente para convencer seus pares, que pedem explicações adicionais sobre a relação de Renan com o lobista da Mendes Jr. O que todos os parlamentares e analistas se perguntam no momento é se Calheiros tem alguma carta na manga para desmoralizar a revista e sair desta incólume. É difícil, mas não impossível, em se tratando de Veja. O problema de Calheiros, porém, é mais complicado do que provar que não houve ilícito – isto é suficiente para preservar o mandato. Renan precisa manter a estatura política de presidente do Senado, e o reconhecimento de uma "profunda amizade" com o lobista pode ser suficiente para que os senadores levem o caso para a Comissão de Ética, praticamente impondo, desta maneira, o seu afastamento da presidência do Senado. De toda maneira, a verdade é que as apostas estão correndo. Este blog, que não consulta videntes, acha que Renan vai sangrar bastante e acabar saindo de fininho da presidência do Senado, até para preservar seu mandato.

sábado, 26 de maio de 2007

Navalha, Renan e a nova crise política

O artigo abaixo é a reflexão semanal que o autor destas Entrelinhas publica no Correio da Cidadania.

A Operação Navalha e as denúncias da revista Veja de que Renan Calheiros (PMDB-AL), o presidente do Senado Federal, usava um empreiteiro-lobista (ou vice versa) para pagar a pensão de uma filha que teve fora do casamento e o aluguel da mãe da menina, tudo pela bagatela de R$ 16,5 mil, são fatos que revelam o grau de imprevisibilidade da política brasileira. O jogo aqui é tão dinâmico que derruba até a vidente mais certeira, o pai de santo mais escaldado, o astrólogo mais inspirado.

Uma semana antes da Operação Navalha começar, ninguém falava em outra coisa: a bola da vez era a economia, tamanho o marasmo na política. Os analistas iam juntando em um único balaio a queda no risco-país para níveis nunca antes alcançados, a desvalorização do dólar norte-americano e a excelente performance da bolsa de valores de São Paulo, que vinha batendo recordes a cada dia. Com uma pitada social – emprego formal também melhorando e o salário mínimo chegando aos US$ 200 –, a tese reinante era de que o Brasil começava a passar por um período inédito de crescimento econômico, estabilidade da moeda e do clima político.

Naqueles dias que já parecem tão distantes, qualquer analista sério diria que o risco de uma nova crise política caminhava para a mesma direção do rico-Brasil, ambos com "viés de baixa". Afinal, a oposição estava sem rumo, com suas lideranças divididas entre o adesismo de Aécio Neves (PSDB) e a completa falta de norte e sorte de José Serra, cujo governo até agora se resume em uma sucessão de tragédias (Metrô) e conflitos (USP, Previdência dos servidores). O presidente Lula, de sua parte, parecia estar cada vez mais tranqüilo e confiante no cenário para este segundo mandato e concentrava seus esforços na aprovação dos projetos do Programa de Aceleração do Crescimento.

A Operação Navalha e a denúncia contra Renan, porém, representam um verdadeiro terremoto no cenário político nacional. A quadrilha desbaratada pela Polícia Federal envolvendo a construtora Gautama e seu dono Zuleido Veras não é pouca porcaria. Zuleido é muitíssimo bem relacionado e o esquema de fraudes tão evidente que antes mesmo das investigações avançarem com o depoimento dos presos, a navalhada da PF conseguiu derrubar o ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, que deixou o cargo alegando não ter coisa alguma a ver com os R$ 100 mil que teriam sido entregues, em pleno ministério, a ele ou algum estafeta de plantão pela representante de Zuleido, em troca certamente da liberação de recursos para obras que já vinham sendo tocadas pelo empreiteiro.

No caso de Renan, não há acusação de corrupção propriamente dita – ele mesmo afirma que era seu o dinheiro para o pagamento da pensão e aluguel da casa da mãe de sua filha. O lobista-empreiteiro da Mendes Jr. teria sido apenas o intermediário de uma negociação privada, que provavelmente Renan não quis contabilizar em suas contas para preservar a sua família. Ainda assim, vale o velho ditado da Roma antiga: à mulher de César não basta ser honesta, ela precisa parecer honesta...

Assim, é de imagem o grande problema de Calheiros neste momento, até porque não deixa de ser complicado um presidente do Senado Federal ter um empreiteiro que lhe faz favores tão particulares. A denúncia de Veja é sem dúvida puro jornalismo marrom – ninguém tem nada a ver com a vida pessoal do presidente do Senado, mas o efeito é devastador. Esta coluna acredita que ele não resiste na presidência da Casa Alta do parlamento brasileiro e tal e qual Jader Barbalho e Antonio Carlos Magalhães, acabará renunciando pelo menos à presidência, a fim de preservar o mandato.

Caindo ou sangrando em praça pública, a desgraça de Renan vai colocar mais lenha na fogueira da Operação Navalha, que por sinal pode ter novidades, com operações homônimas em seqüência (Navalha 2, 3 4), aumentando ainda mais o ruído.

Até o momento, o presidente Lula sai de tudo isto preservado – corruptos são sempre os outros e o próprio sistema político, mas ele se apresenta de fora da lama, como o grande pai da Nação, a observar, meio desolado, a sujeira da classe política. O problema da crise, porém, é mesmo o grau de instabilidade que ela traz para o sistema. Nada garante que Lula, até aqui olimpicamente preservado de qualquer denúncia, não venha também ele (ou gente de sua confiança) ser envolvido na história. Como dizem por aí: muita calma nesta hora...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Veja podia ter lembrado o caso de FHC

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), pode mesmo ter muita culpa no cartório e ainda precisa se explicar melhor, se quiser continuar no cargo que ocupa. É fato. Também é fato, porém, que a principal "denúncia" da revista Veja – a de que Calheiros utilizava o favor de um terceiro (no caso, a empreiteira Mendes Jr.), para pagar a pensão da filha que teve fora do casamento – é exatamente o mesmo caso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que também teve um filho fora do casamento, com a jornalista Míriam Dutra, da TV Globo. Míriam criou o filho de FH na Espanha e, pelo menos no período em que Cardoso presidiu o país, matérias para os telejornais da emissora ela não as produziu. Este blog só não sabe se Cardoso já reconheceu legalmente o menino, coisa que Renan pelo menos teve a hombridade de fazer com sua filha. Enfim, se o jornalismo é marrom, Veja podia pelo menos ajudar os brasileiros a entender o tipo de vida que levam os seus digníssimos representantes. Seria algo, digamos assim, sociologicamente correto.

Renan nega denúncias e critica revista Veja

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), desmentiu, na nota oficial abaixo, as denúncias apresentadas pela revista Veja. A nota de Calheiros não explica coisa alguma, simplesmente refuta todas as acusações. Neste momento, fica a palavra de Renan contra a matéria de Veja. O presidente do Senado pode até ter alguma culpa no cartório, mas a verdade é que ele tem a seu lado desde já um atenuante: a acusação saiu em Veja, uma revista que cada vez mais se especializa no ramo do chamado jornalismo marrom. Há algumas semanas, a mesma revista deu uma notinha sobre a filha que o senador tem fora do casamento. Nos bastidores brasilienses, há quem garanta que Veja pagou bastante bem à mãe da criança pela informação. Outros dizem que Monica Veloso teve 1,5 milhão de motivos para ficar alegre com a notinha da revista...

A seguir, a nota oficial de Calheiros:

"Considerando as matérias jornalísticas veiculadas nas últimas horas conferindo maliciosamente outra dimensão às minhas relacões pessoais, cumpri-me esclarecer:

1. Nunca recebi qualquer recurso ilícito ou clandestino de qualquer empresa ou empresário;

2. Jamais tive qualquer despesa ou gasto pessoal ou de meus familiares custeados por terceiros. Meus compromissos sempre foram honrados com meus próprios recursos;

3. Todas as minhas atividades relacionadas ao exercício dos mandatos que me foram honrosamente conferidos pautaram-se pela mais absoluta transparência. Não tenho nada a esconder ou dissimular. As doações efetuadas para minhas campanhas eleitorais foram efetivadas em absoluta conformidade com lei e constaram das respectivas prestações de contas;

4. É intolerável que de uma turbulência circunscrita à minha mais íntima privacidade se queira extrair ilações desarrazoadas e conclusões perversas;

5. Sempre defendi a liberdade de imprensa. É pedra angular do regime democrático. Mas seu exercício pressupõe seriedade e responsabilidade, sob pena de transformar-se em instrumento de interesses mesquinhos e inconfessáveis."

Veja avisa: sai daí, Renan, sai rapidinho...

Se metade do que está publicado na revista Veja desta semana (e reproduzido abaixo) for verdade, o Brasil terá em breve um novo presidente do Senado. Ou Renan Calheiros (PMDB-AL) convoca uma coletiva e explica as denúncias sem titubear, ou será obrigado a deixar a presidência do Senado, com risco de perder também o mandato. A seguir, a matéria de Veja, que já está nas bancas.


O senador e o lobista

Renan Calheiros terá de explicar por que diretor de construtora pagava suas contas

Desde que a Operação Navalha foi deflagrada, o senador Renan Calheiros, do PMDB de Alagoas, tem sido instado a explicar suas relações com o empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama. O senador tem dito que são apenas conhecidos, mas são mais do que isso. Em 1990, o empreiteiro bancou sorrateiramente a campanha do senador ao governo de Alagoas e, embora tenha terminado em derrota, a eleição serviu como marco de uma amizade sólida. Sólida mesmo, a ponto de o empreiteiro freqüentar a residência oficial do presidente do Senado. A situação de Renan Calheiros, porém, é mais complicada do que sua intimidade com Zuleido Veras. É que o senador tem outro amigo explosivo no submundo da empreita que, tal como Zuleido, freqüenta sua casa e, tal como Zuleido, é seu dileto amigo. O amigo de alta octanagem é Cláudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior, uma das maiores do país. Nos últimos anos, Gontijo, mais do que um amigo, tem se apresentado no papel de mantenedor do senador. VEJA apurou os laços financeiros entre os dois:

• O lobista da Mendes Júnior coloca à disposição do senador um flat num dos melhores hotéis de Brasília, o Blue Tree. O flat, número 2 018, é usado para compromissos que exijam discrição. Está em nome de Cláudio Gontijo.

• O lobista da Mendes Júnior pagou, até março passado, o aluguel de um apartamento em Brasília para o senador. O imóvel tem quatro quartos e fica em uma área nobre da capital federal. O aluguel saía por 4.500 reais.

• O lobista pagava 12.000 reais mensais de pensão para uma filha do senador, de 3 anos de idade. A pensão foi bancada por Cláudio Gontijo de janeiro de 2004 a dezembro do ano passado.

• O lobista ajuda nas campanhas do senador Renan Calheiros e nas de sua família. Já ajudou o próprio senador, seu filho e seu irmão.

Tal como Zuleido, Gontijo opera nas sombras. Oficialmente, ele é assessor da Diretoria de Desenvolvimento da Área de Tecnologia da Mendes Júnior há quinze anos. Na realidade, sua função é defender os interesses da empresa junto ao governo. A Mendes Júnior constrói aeroportos, metrôs, linhas de transmissão de energia e estradas. Tem fortes interesses no governo. Hoje, participa, entre outras obras, de um consórcio responsável pela construção do aeroporto de Vitória e fechou vários contratos com a Petrobras para a construção de tubulações e manutenção industrial. Tal como a Gautama, a Mendes Júnior também orbita no Ministério de Minas e Energia, do qual foi demitido o ministro Silas Rondeau. Foi a partir desse ministério que Gontijo estendeu sua área de influência a outros setores do governo nos últimos anos. Com a ajuda de Renan, chegou a indicar nomes para cargos públicos, como o do engenheiro Aloísio Vasconcelos Novais, que assumiu a Eletrobrás quando Rondeau deixou o cargo para ser ministro de Minas e Energia.

O senador Renan Calheiros caiu nas graças do lobista. Nos últimos três anos, a pedido de Renan, o lobista pagou os 4.500 reais de aluguel do apartamento de quatro quartos. No imóvel, até recentemente, morava a jornalista Mônica Veloso, com quem o senador tem uma filha de 3 anos, que recebe a pensão do lobista. Todos os meses, a jornalista ia ao escritório da Mendes Júnior, no 11º andar do Edifício OAB, situado na Asa Sul, onde pegava um envelope branco, timbrado, com o endereço, os telefones e o nome de Cláudio Gontijo. O envelope era identificado com suas iniciais – MV. Dentro havia sempre 16.500 reais. Era o aluguel mais a pensão de 12.000 reais para a criança. VEJA teve acesso ao contrato de locação do imóvel. Nele, Gontijo assina como fiador. Seguindo orientação do senador, o lobista contratou uma empresa de vigilância para garantir a segurança de Mônica Veloso e sua filha. A direção da Mendes Júnior diz que isso tudo é "questão pessoal" de Gontijo e que desconhece esses pagamentos. Procurada por VEJA, Mônica Veloso preferiu não se manifestar.

Cláudio Gontijo também cedia ao senador um flat no hotel Blue Tree, em Brasília. A VEJA, ele confirmou que conhece Renan Calheiros. "Ele é meu amigo, nada mais." Ele diz que classifica como maldade as insinuações de que freqüenta a casa do senador e que, por interesse, lhe presta favores. "Parei de ir à casa dele desde que ele virou presidente do Senado para evitar problemas", disse Gontijo. O lobista admite que entregava dinheiro para quitar as despesas de Mônica Veloso, mas ressalva que o dinheiro não era nem dele nem da empreiteira. De quem era? "Só posso dizer que não era meu", responde. O senador Renan Calheiros diz que ele mesmo era o dono dos recursos. "O dinheiro era meu", afirmou. Se era seu, por que o lobista fazia a intermediação? Nesse ponto, Renan diz que não falará mais sobre um assunto que está sob segredo de Justiça. Renan ganha 12.700 reais brutos por mês como senador, que complementa, nas palavras dele, com "rendimentos agropecuários". Pensão e aluguel, como se viu anteriormente, somam 16.500 reais. A vida íntima do senador Renan Calheiros diz respeito apenas a ele próprio. Não é um assunto público. Mas, quando essas relações se entrecruzam com pagamentos feitos por um lobista, o caso muda de patamar.

O lobista Gontijo nega que a Mendes Júnior tenha se beneficiado da proximidade com Renan Calheiros para conseguir contratos com o governo: "Não temos nenhuma obra sendo executada no governo federal". Lembrado de que tem contratos com Infraero, Petrobras e Eletrobrás (todas áreas sob influência do senador), o lobista retruca: "Para nós, isso é obra privada". Perguntado sobre o flat que empresta ao senador, encerra a conversa: "Não vou responder mais nada". O lobista também ajudou a família Calheiros em campanhas políticas. Nas eleições de 2004, sempre por trás da contabilidade oficial, contribuiu com as campanhas de Renan Calheiros Filho (filho do senador), de Robson Calheiros (irmão do senador) e de José Wanderley (afilhado político do senador). Certa vez, o lobista chegou a reclamar que os pedidos financeiros de Renan Calheiros estavam exagerados. "Cláudio, arruma aí, pede emprestado", solicitava o senador, de acordo com a versão contada pelo lobista a um interlocutor que conversou com VEJA. Não se sabe o tamanho da ajuda que o lobista deu. Renan Filho foi eleito prefeito de Murici, Robson Calheiros ganhou a suplência de vereador e o médico José Wanderley não se elegeu. No ano passado, emplacou como vice do tucano Teotonio Vilela, governador de Alagoas.

As relações empreiteiro-familiares do clã Calheiros também envolvem o deputado Olavo Calheiros, outro irmão de Renan. No âmbito da Operação Navalha, a polícia captou um diálogo entre Zuleido e Fátima Palmeira, diretora da Gautama, em que eles conversam sobre uma emenda que teria sido oferecida pelo deputado Calheiros, que beneficiaria a empresa. "É o seguinte: aqui, o Olavinho passou aquela emenda que ele tem para a gente", diz Zuleido. "Empreiteiro é bravateiro, quer vender prestígio", justifica Olavo Calheiros, informando que a emenda foi apresentada há dez anos. Pode ser mesmo uma bravata, mas o deputado Olavo Calheiros sempre atuou como uma espécie de abre-alas para empreiteiros amigos. Zuleido, quando tinha dificuldades para se encontrar com ministros para tratar de licitações de obras e liberações de recursos, acionava Olavo Calheiros. O deputado marcava audiência com o ministro e levava o empreiteiro na bagagem. Dois ex-ministros de Lula relataram a VEJA que receberam Olavo Calheiros em audiências às quais ele, de surpresa, apareceu acompanhado pelo empreiteiro Zuleido Veras.

As investigações sobre a Gautama de Zuleido Veras também mostram que os tentáculos do empreiteiro chegavam ao Tribunal de Contas da União. Em uma conversa captada pela polícia, Zuleido insinua ter acesso privilegiado a pelo menos dois ministros do TCU – Augusto Nardes e Guilherme Palmeira, parente de uma personagem importante do escândalo, Maria de Fátima Palmeira, diretora comercial da Gautama. Renan Calheiros também é íntimo de Guilherme Palmeira. Em 2004, Palmeira chegou a informar o senador a respeito do curso do processo que tramitava no Tribunal Superior Eleitoral sobre a cassação do então governador de Alagoas, Ronaldo Lessa – assunto que interessava a Renan Calheiros. A VEJA, o ministro Guilherme Palmeira confirma que é amigo de Renan, conhece Zuleido Veras, mas diz que nunca atuou em processos de interesse da Gautama. "Ao menos que eu me lembre, não!" Conta que chegou até a receber algumas vezes Fátima no gabinete, mas encaminhou-a ao relator dos processos. O ministro, de fato, tem memória fraca. Ele foi relator do processo número 008 887/2002, que apura irregularidades num contrato da Gautama com a prefeitura de Porto Velho. Consultado por VEJA, mas sem conhecer o caso concreto, o advogado Roberto Caldas, membro da Comissão de Ética Pública da Previdência, diz que a relação financeira entre um parlamentar e um lobista de empreiteira é condenável. Diz ele, falando em tese: "Evidentemente, esse tipo de relação é inaceitável para alguém que ocupe um cargo público".

quinta-feira, 24 de maio de 2007

"Estado policialesco" é a conversa do dia

Estão muito lindos, no início desta fria noite de quinta-feira (em São Paulo, gelada), os discuros dos senadores em prol da democracia e contra os "excessos" da Polícia Federal. Arthur Virgílio (PSDB-AM) foi um dos mais contundentes defensores da necessidade da Polícia Federal "republicana" (certamente em contraposição à que está aí, que investiga e prende corruptos). Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) foi outro que se posicionou de maneira firme contra os tais excessos da PF. Trocando em miúdos, a conversa do dia em Brasília lembra o velho ditado, politicamente incorreto: "quem tem cú tem medo". Os excelentíssimos estão com as orelhas ardendo porque já ouviram muita coisa a respeito da tal lista de mimos do empreiteiro Zuleido Veras a pelo menos um quinto do parlamento. Está nascendo um segundo caso Sanguessuga, pelo menos pelo número de envolvidos. No fundo, enquanto os senadores querem coibir os excessos da PF, o povão quer ver os federais mandando brasa, grampeando os ladrões e fazendo o possível e o impossível para por essa gente na cadeia. Quem reclama pode até ser inocente, mas vai passar recibo de ter o rabo preso com alguma falcatrua. Daí o medo, como bem lembra o ditado...

Manuela deve disputar a prefeitura
de Porto Alegre no ano que vem














A deputada federal Manuela Dávila (PCdoB) está se preparando para concorrer à prefeitura de Porto Alegre no ano que vem. A líder estudantil comunista poderá enfrentar nas urnas o atual prefeito José Fogaça (PPS) e, possivelmente, o ex-ministro Olívio Dutra (PT), os deputados Vieira da Cunha (PDT) e Beto Albuquerque (PSB). Há quem aposte também na candidatura de Luciana Genro (PSOL).

Para quem acha que os gaúchos jamais elegeriam uma mulher para a prefeitura, é bom lembrar que o estado é governado pela paulista Yeda Crusius (PSDB)...

Radicais atrapalham CPI da Navalha

A performance de deputados federais do PSOL e do sempre verde Fernando Gabeira na tarde desta quinta-feira pode ter dado ao Planalto uma boa justificativa para pressionar a base aliada a retirar as assinaturas ao requerimento de instalação da CPI da Navalha. O fato é que a coleta de assinaturas vinha sendo feita pelos deputados Augusto Carvalho (PPS-DF) e Júlio Delgado (PSB-MG) e já contava com o número necessário de senadores (27) e mais de uma centena de deputados (são necessários 171 nomes). Tudo levava a crer que a CPI seria fato consumado em poucos dias, mas a atuação desastrada e provocadora dos radicais pode atrapalhar a vida de Carvalho e Delgado, que já manifestaram irritação com o "teatro" dos parlamentares do PSOL e PV. O presidente Lula é mesmo um homem de sorte: quando sua turma escorrega, a oposição corre para ajudar a salvar a sua pele...

Jornalismo Político no Comunique-se

O autor destas Entrelinhas vai ministrar, nos dias 23 e 24 de junho, o curso de Jornalismo Político promovido pelo portal Comunique-se. Destinado a estudantes e jornalistas recém-formados, o curso tem como objetivo proporcionar indicativos práticos e éticos que permitam ao aluno transitar com segurança na cobertura política.

A idéia do curso é desenvolver as técnicas da prática da cobertura política, avaliar os tipos de fontes e as dificuldades mais comuns na interpretação de documentos oficiais, pesquisas de opinião, documentos partidários e programas de governo. Também está no escopo do curso fornecer uma base histórica da cobertura política da imprensa brasileira da metade do século passado até hoje, com exercícios práticos e um estudo de caso da cobertura das eleições de 2006. Mais informações sobre carga horária, local das aulas e inscrição podem ser obtidas clicando aqui.

Faltam 5 dólares para o mínimo de US$ 200

Está muito interessante a reportagem reproduzida abaixo, do site Terra Magazine. Muita gente vai dizer que o salário mínimo vai atingir os duzentos dólares "apesar" do presidente Lula, e não "por causa" dele, mas as coisas não são bem assim. O governo federal realmente implantou uma política de recuperação do valor do mínimo, que melhorou o poder de compra dos brasileiros ao longo do primeiro mandato. Claro que o valor em dólar só melhorou tanto por causa da desvalorização da moeda norte-americana em relação ao real, mas o fato é que a situação do trabalhador que recebe um salário mínimo está bem menos desconfortável do que no tempo de Fernando Henrique Cardoso. É mais um número que ajuda a explicar a popularidade de Lula.


Salário mínimo se aproxima da marca de US$ 200

Daniel Bramatti


Houve um tempo em que sindicatos faziam campanhas nacionais em defesa do salário mínimo de US$ 100. Candidatos a presidente eram acusados de populismo ao se comprometer com essa meta. Economistas alertavam para o risco de aumento do desemprego e de colapso nas contas públicas caso a marca fosse atingida. Foi-se a época. Nos últimos dias, o salário mínimo se aproximou da marca histórica de US$ 200 - no final da manhã desta quarta-feira, estava em US$ 195,67.

A mudança de patamar foi rápida. Há quatro anos, o senador Paulo Paim (PT-RS) ainda causava rebuliço no Congresso e no governo ao apresentar um projeto que estabelecia um mínimo equivalente a US$ 100 em 2004. De lá para cá, com a desvalorização do dólar e os aumentos reais do salário, a reivindicação ficou sem sentido.
"Sempre disse que, quando chegássemos a US$ 100, o passo seguinte seria defender uma meta de US$ 200", disse Paim a Terra Magazine. O senador continua favorável à vinculação do salário ao dólar, apesar de ressalvar que a moeda norte-americana "não tem a estabilidade que nós gostaríamos". Agora, segundo ele, é preciso que o mínimo chegue a US$ 400 "para deixar de ser indecente".

A elevação do salário em dólar tem como principal combustível a valorização do real. Mas não são desprezíveis os ganhos reais da remuneração dos trabahadores desde o Plano Real.

Em janeiro de 1995, quando tomou posse o então presidente Fernando Henrique Cardoso, o mínimo valia o equivalente a R$ 181 (em valores de hoje, corrigidos pelo INPC). Em dezembro de 2002, quando FHC deixou o governo, o valor chegava a R$ 257 - o ganho real foi de 42%. Da posse de Luiz Inácio Lula da Silva para cá, houve aumento real de mais 48%.

Esses ganhos ficam mais claros quando comparados ao custo da cesta básica do Dieese (Departamento Intersindical de Economia e Estatística). Em janeiro de 1995, um trabalhador que ganhava salário mínimo na capital paulista precisava trabalhar quase 225 horas para comprar uma cesta básica. Em dezembro de 2002, uma cesta equivalia a cerca de 175 horas de trabalho. No mês passado, a mesma quatidade de produtos podia ser adquirida com apenas 109 horas de trabalho.

Para o Dieese, não faz sentido comparar o mínimo com o dólar. "O trabalhador compra o que precisa em reais, e não em dólar. Nada muda se o dólar cai", afirmou o economista José Maurício Soares, pesquisador da entidade. Mas foram os próprios sindicalistas que forçaram essa comparação ao adotar a meta de US$ 100 como bandeira.
O presidente da CUT, Arthur Henrique, afirma que "uma determinada conjuntura" levou os sindicatos a "trabalhar com esse simbolismo dos 100 dólares". Essa conjuntura é a do período de alta inflação, quando um salário "dolarizado" era visto como garantia contra a perda de poder aquisitivo.

Para o economista Marcio Pochman, da Unicamp, estudioso dos movimentos sindicais, não faz mais sentido usar o dólar como parâmetro, como se fazia na época do descontrole inflacionário. Agora, com a estabilidade de preços, é a moeda norte-americana que ficou volátil, observou.

Apesar dos ganhos do salário mínimo, em reais e em dólar, ainda falta muito para que ele volte aos patamares do final dos anos 50, quando tinha poder de compra muito maior.

Segundo o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), em 1959 o mínimo chegou a valer o equivalente a quase R$ 600, em valores de hoje. Daí para a frente, anos de arrocho e corrosão inflacionária levaram o salário a seu piso histórico de R$ 119 (valor atualizado) em agosto de 1991.

Para o Dieese, que usa outro índice de correção inflacionária, o mínimo era ainda maior em 1959: equivalia a mais de R$ 1.300.

José Maurício Soares destaca que, naquele ano, um salário comprava 1.180 passagens de ônibus em São Paulo. Hoje, para fazer o mesmo número de viagens, um trabalhador gastaria mais de seis salários - já levando em conta a remuneração mínima no Estado de São Paulo, de R$ 410, quase 8% superior ao piso nacional.

Para o presidente da CUT, mais importante do que atingir a marca histórica de US$ 200 é a conquista de uma regra permanente de valorização real do mínimo.

O governo apresentou como parte do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) um projeto que prevê a correção do mínimo, até 2023, pela inflação mais a variação percentual do PIB nos dois anos anteriores.

Povo que come aprova o seu presidente

A matéria abaixo, da Agência Estado, mostra mais uma estatística que ajuda a entender a popularidade alta do presidente Lula: supermercado com vendas em alta é sinônimo de mais comida na barriga da população. Como qualquer estudante de primeiro ano de Economia sabe, a propensão para consumir dos mais pobres é muito maior do que a dos mais ricos. Quando supermercados vendem mais, não é porque aumentou o consumo dos mais ricos, mas dos mais pobres – a grande massa que dá suporte ao governo petista. É simples assim...

Vendas nos supermercados crescem 4,36% em abril


No acumulado do ano, o faturamento do setor registra um avanço de 6,55%

Lorena Vieira

SÃO PAULO - As vendas reais do setor de supermercados tiveram crescimento de 4,36% no mês de abril, na comparação com o mesmo mês de 2006. Em relação a março, porém, houve queda de 0,41%. No acumulado do ano, o faturamento do setor registra um avanço de 6,55% na comparação com os quatro primeiros meses do ano passado.

De acordo com a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), a queda registrada no mês de abril deve ser justificada pelo descompasso do calendário, pois o terceiro mês do ano contou com cinco sábados e, em abril, houve quatro.

Segundo a Abras, sábado é o melhor dia de vendas para o setor supermercadista. De acordo com a entidade, o fato de a Páscoa deste ano ter sido comemorada na primeira semana de abril, contribuiu também para que parte das vendas ocorresse na última semana de março.

No terceiro mês do ano, o faturamento dos supermercados apresentou alta de 9,81%. Em valores nominais, as vendas do setor em abril apresentaram queda de 0,16% em relação a março. Quando comparadas com abril do ano passado, houve aumento de 7,49%, segundo dados da Abras. No acumulado do ano, as vendas nominais cresceram 9,74% na comparação com o mesmo período do ano passado.

PM vai desocupar a reitoria hoje?

Nova decisão judicial da manhã de hoje impõe a desocupação da reitoria da Universidade de São Paulo. Os estudantes, porém, não arredam pé e já preparam flores de papel para recepcionar a tropa de choque da Polícia Militar. Não é certo, porém, que a PM realize a operação de desocupação hoje – ainda há negociações em curso para que haja uma desocupação voluntária, sem a intervenção policial.

Qualquer que seja o desenlace deste episódio, o governador José Serra (PSDB) vai pagar um preço alto pela inabilidade de lidar com a universidade. Na melhor das hipóteses – a da desocupação voluntária da reitoria –, Serra ficará marcado como o primeiro governador pós-regime militar em que houve um movimento estudantil que resultou na ocupação da USP; e na pior hipótese, se houver violência da polícia, vai pagar pela imagem da truculência.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

Polícia de Serra impede professores de
entrar na Assembléia Legislativa de SP

A matéria abaixo, do site G1 (de onde foram retiradas as imagens ao lado) mostra o tamanho da confusão que se instalou nesta quarta-feira na Assembléia Legislativa de São Paulo. O governador José Serra (PSDB) realmente não vive um bom momento: a ocupação da Universidade de São Paulo continua e sua polícia dá mostras de não ser das mais democráticas ao impedir que os professores entrem na Assembléia Legislativa para assistir a votação da polêmica reforma previdenciária que o governo tucano quer aprovar a toque de caixa, sem qualquer debate com a sociedade civil. Amanhã, as imagens da truculência estarão nos jornais. Agora só falta um novo Edson Luís – o estudante morto pela repressão no restaurante Calabouço, em 1968 – surgir na USP para sepultar qualquer pretensão política de José Serra para o futuro. E ele sabe disto.


Deputados suspendem votação na Assembléia após confronto

Silvia Ribeiro Do G1, em São Paulo

Deputados da Assembléia Legislativa de São Paulo suspenderam a votação do PLC 30, projeto de lei complementar que propõe a criação de um fundo previdenciário para o estado de São Paulo.

Antes da suspensão, os deputados da bancada do PT haviam feito um apelo ao presidente da Assembléia, Vaz de Lima (PSDB), para que a discussão do PLC 30 fosse suspensa enquanto a situação não fosse regularizada do lado de fora da Casa, onde por volta de 17h15 um grupo de manifestantes entrou em confronto com a Polícia Militar.

Uma comissão composta por cinco deputados estaduais e cinco líderes de movimentos sociais deve propor em reunião com Vaz de Lima a retirada do PLC 30 da pauta de votação. Participam da comissão Plínio de Arruda Sampaio (Psol), Carlos Ramiro de Castro, da Apeoesp (sindicato dos professores), e o deputado Raul Marcelo (Psol). "Há uma série de questões que inviabilizam o projeto", disse Marcelo.

A reforma na previdência estadual propõe a criação do SPPrev e é contestada pelos professores porque, segundo a categoria, o projeto não deixa claro que os temporários serão incluídos no novo fundo a ser criado. A comissáo informou ainda irá negociar a entrada de mais manifestantes pra acompanhar a votação.

Um grupo de manifestantes entrou em confronto com a Polícia Militar após chegar ao local por volta das 17h15. "Fizemos um apelo ao presidente para suspender a discussão enquanto a paz não for restaurada aqui fora", afirmou o deputado estadual Hamilton Pereira (PT). Ele explicou que a bancada tenta obstruir a votação inscrevendo-se para discutir o projeto de lei, fazendo com que o projeto demore a ser votado.



Além de professores da rede estadual, participam do ato diversas categorias com suas reivindicações específicas. É o caso dos funcionários da saúde do estado, que exigem aumento salarial, além de integrantes do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), servidores do Banco Central e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O protesto inclui ainda estudantes da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual Paulista (Unesp) e Universidade de Campinas (Unicamp).

O deputado Carlos Giannazi (PSOL) afirmou que alguns deputados estão pressionando o presidente da Assembléia e a mesa diretora para que pelo menos 100 professores, que se manifestam contra o projeto, possam acompanhar as discussões nas galerias da Casa.

Os policiais militares continuam impedindo a passagem dos manifestantes pela rampa de acesso ao prédio.

Confronto

Um destacamento da Tropa de Choque da Polícia Militar de São Paulo chegou pouco antes das 18h desta quarta-feira (23) para conter o tumulto entre manifestantes e a Polícia Militar na entrada principal da Assembléia Legislativa de São Paulo.

Parte do grupo de cerca de 5 mil manifestantes que protestam desde as 12h desta quarta-feira (23) em São Paulo tentou forçar a entrada do prédio da Assembléia para acompanhar a votação do PLC 30. Os manifestantes chegaram por volta das 17h15 à sede da Assembléia, na Zona Sul.

Por volta das 17h35, cerca de 40 policiais militares usaram cassetetes e spray de gás pimenta para conter parte do grupo que tentava entrar no local pela rampa de acesso que estava bloqueada por policiais.

Os manifestantes chegaram a arremessar pedras e pedaços de madeira tirados dos cabos de bandeiras contra os policiais. Uma grade que fazia a separação entre policiais e manifestantes foi arrancada pelos participantes do protesto. Uma comissão formada por estudantes, trabalhadores e sindicalistas entrou no prédio para acompanhar as discussões sobre o projeto.

De acordo com a assessoria de imprensa da Assembléia, dois policiais militares foram feridos sem gravidade no confronto. A assessoria explicou que a barreira foi montada para evitar que fosse feita a entrada de um grupo maior do que a capacidade do plenário. A assessoria informou ainda que não tomou nenhuma medida em relação à segurança do prédio além da rotina, e que não há soldados no interior do prédio.

Concentração

Durante a caminhada debaixo de chuva, o grupo provocou bloqueios nas Avenidas Brigadeiro Luís Antônio e Paulista. Os manifestantes saíram por volta das 15h30 do vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e seguiram para a sede do Legislativo, onde está prevista a votação do projeto de lei.

Após chegarem ao local, os manifestantes foram barrados por policiais militares quando tentaram passar pela rampa de acesso ao prédio. Do alto do carro de som, os líderes da passeata cobraram que a PM permitisse a entrada do grupo para acompanhar a votação do projeto de lei.

Trânsito

A Polícia Militar e a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) da Prefeitura de São Paulo acompanham a manifestação. De acordo com a CET, pela manhã houve protestos em outros pontos da cidade, mas a única concentração de manifestantes durante a tarde é a do grupo que está na Assembléia.

Às 18h30, a CET registrou 136 km de congestionamento, contra média de 103 km para o horário. O principal ponto de lentidão é a Marginal Tietê, no sentido Ayrton Senna Senna, via expressa, desde o acesso à Rodovia dos Bandeirantes até a Rua Azurita, com 10,7 km de lentidão.

Mobilização

Pela manhã, o grupo se reuniu em frente ao prédio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na Avenida Paulista. De acordo com estimativa da Polícia Militar, às 11h, havia 1.500 pessoas no local.

Com bandeiras e cartazes, eles ocuparam um trecho de uma das faixas da Paulista, causando lentidão no sentido Paraíso, entre a Rua Pamplona e a Alameda Casa Branca. Eram esperados 10 mil manifestantes, mas os organizadores acreditam que a chuva atrapalhou a mobilização.

A manifestação, da qual participam a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, e o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, pede a manutenção do veto presidencial à Emenda 3 no Congresso Nacional.

A Emenda 3 estabelecia que apenas a Justiça do Trabalho - e não um fiscal da Receita - poderia contestar um contrato firmado entre duas pessoas jurídicas para a prestação de serviços. Ela foi vetada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda estuda uma alternativa para a questão.

Clodovil é pré-candidato a prefeito de SP

O deputado federal Clodovil Hernandes (PTC-SP) poderá concorrer à prefeitura de São Paulo em 2008. A informação é do presidente estadual do PTC paulista, Ciro Moura, para quem a candidatura de Clodovil é competitiva e pode complicar a vida dos favoritos Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT).

Serra vs. USP: cresce a chance de dar chabu

Um bom texto sobre a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo foi escrito pelo jornalista Luiz Carlos Azenha no site Vi o Mundo e está reproduzido abaixo. A cada hora que passa, aumenta a chance da Polícia Militar iniciar uma operação de desocupação da reitoria. Se isto acontecer, José Serra (PSDB) vai entrar para a história como o único governador a autorizar, em período democrático, uma invasão na USP.

Não é pouca coisa. Serra quer ser presidente do Brasil e precisa decidir se vai concorrer como herdeiro das forças que apoiaram o golpe de 1964 , como bem lembrou o professor Ricardo Musse, ou se preferirá vestir o figurino de candidato pelo menos de centro-direita, deixando a truculência de lado. No ano passado, Geraldo Alckmin apostou em uma retórica udenista para tentar bater Lula, mas não teve a coragem de se apresentar como autêntico representante da direita. Se Serra mandar invadir a USP, terá feito a opção que seu correligionário não bancou.

A seguir, o texto de Azenha sobre a ocupação. Não é exatamente o que pensa este blog, mas vale a pena ler na íntegra:


Amotinados na USP: Geração do pente Flamengo se dá mal com a turma do You Tube

O governador José Serra é do tempo da lapiseira.
A lapiseira era colocada no bolso da camisa.
O governador José Serra é do tempo do pente.
Durante a campanha eleitoral, ele carregava um pente no bolso traseiro da calça.
Não deu para ver se era um pente Flamengo.
O Geraldo Alckmin é da geração do lenço branco.
Ele carrega um lenço para tirar o suor do rosto.
O Lula é da geração do ovo colorido, do torresmo e do rabo-de-galo.
É do tempo em que o bar da esquina marcava as compras na cadernetinha.
Pinga, pinga, pinga, pão, pinga, pinga, pinga, torresmo.
Eles são do tempo-do-onça.
A molecada é da geração do You Tube.
Os meninos de hoje são educados pela primeira geração feminista.
São adolescentes sensíveis.
Eles não ligam para o que sai nos jornais, quase não assistem tevê, se falam e se informam pela internet.
Eles conversam com cinco pessoas ao mesmo tempo no Messenger.
O pessoal do pente não entende a turma do Bob's do posto.
O pessoal do tempo do pente, hoje na terceira idade, só ia ao posto de gasolina abastecer o automóvel.
A molecada marca encontro na lanchonete do posto antes de ir para a balada.
A molecada do You Tube dança forró - antes isso era coisa de paraíba no Rio de Janeiro e de baiano em São Paulo.
(By the way, a economia mudou-se para São Paulo e o Rio de Janeiro está algumas horas atrasado)
A molecada do Messenger usa celular e laptop.
A turma do pente parou no Pac Man e na calculadora HP.
O senador Eduardo Suplicy - sim, com todos os defeitos que a mídia não cansa de ressaltar - é o único político que se antenou para o movimento estudantil.
Deve ser influência do Supla.
Do ponto-de-vista eleitoral a turma do inventor da Sociologia, o francês Fernando Henrique Cardoso, não tem motivo para se preocupar.
Olhem os sites do PT e do PCdoB, hoje.
Não falam da ocupação na USP.
O PCdoB é do tempo, com todo o respeito, do João Amazonas.
Cadê a bela Manuela?
A turma do pente quer botar a PM, com toda a sua competência, para lidar com estudantes dentro de um campus universitário.
É coisa de aloprado.
A turma da HP subestima a inteligência da molecada.
Os estudantes têm faro fino.
O país segue na direção em que eles apontam o bico.
A mídia golpista e - francamente - BURRA, despreza os futuros consumidores de seus "produtos".
Que, aliás, estão embolorados, com data de validade vencida.
A molecada tá antenada em Oaxaca, no Chávez e no vale-tudo do embuste que chamamos de democracia brasileira.
A molecada andou botando pra quebrar em Florianópolis e Salvador, por causa do preço da passagem de ônibus.
Eles são claros e objetivos em sua lista de reinvindicações.
Política se faz... fazendo política.
O pessoal do pente Flamengo quer fazer política com a PM.
Tá na hora do ex-presidente da UNE jogar fora aquela cartilha da Ação Popular.
É Flamengo vs. You Tube na Universidade de São Paulo.
Publicado em 23 de maio de 2007

terça-feira, 22 de maio de 2007

O fim de Silas Rondeau e o
futuro da Operação Navalha

Silas Rondeau já foi dormir ex-ministro e se tornou assim a primeira vítima de porte do novo escândalo nacional, envolvendo a construtora do empresário Zuleido Veras. Na carta de demissão, o ex-ministro das Minas e Energia reafirmou sua inocência e escreveu que está deixando o governo para não prejudicar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Do ponto de vista do presidente Lula, evidentemente este novo caso de corrupção não é exatamente algo que mereça ser comemorado. Porém, Lula já parece estar bastante escaldado e consegue, cada vez com mais rapidez, afastar os problemas criados por seus auxiliares para bem longe do foco da mídia, que é o que de fato importa em termos de eventual prejuízo político. Neste caso específico da Operação Navalha existe ainda um atenuante para o governo, que é o fato do esquema desbaratado pela Polícia Federal envolver gente graúda da oposição. Oposição esta, é bom lembrar, que já se mostrou bastante desconfortável e evita atirar a primeira pedra.

Diz o velho ditado: "Rei morto, Rei posto". Silas Rondeau já caiu e o próximo ministro das Minas e Energia deve ser anunciado nos próximos dias. Em tese, isto deveria acabar com a repercussão midiática da Operação Navalha, certo? Errado, porque se a lista dos "mimos" de Zuleido Soares Veras para os políticos vazar, o assunto vai continuar "bombando", como gostam de dizer os mais jovens.

O potencial explosivo da lista é inversamente proporcional ao valor dos presentes distribuídos, porque do ponto de vista do povão, um deputado ou senador ganhar de um empreiteiro uísque 12 anos, gravatas, remédios para disfunção erétil e canetas é corrupção mais inteligível do que os intrincados esquemas de liberação de verbas do Orçamento via emendas de parlamentares, em troca de propina. Em outras palavras, é mais fácil para a população identificar e externar sua inconformidade com o senador que aceita uma caixa de uísque ou Viagra do que em relação ao ex-ministro a quem acusam de ter levado R$ 100 mil em troca de liberação de verbas para determinadas obras, coisa que, a bem da verdade, dificilmente será provada.

A lista dos beneficiados com os presentes de Zuleido, se revelada, pode cair como uma bomba no Congresso. A crise estava no Executivo e pode mudar de lugar com a mesma rapidez que Silas Rondeau perdeu seu cargo. E tudo isto considerando que Zuleido ainda não abriu a boca. Se falar, dizem por aí que a República vai tremer e que nem o governo e muito menos a oposição têm algo a ganhar com uma eventual revelação das entranhas dos negócios de empreiteiras com o poder público.

Tudo somado, o fato é que neste momento as variáveis são muitas e será preciso aguardar mais um pouco para sentir o potencial de estrago do escândalo da hora. Que muita gente pode sair chamuscada, não há dúvidas. Ninguém duvide, portanto, de um grande acordo para colocar panos quentes e fazer a vida andar... Afinal, pizza pode ter sido invenção italiana, mas sua utilização na política certamente é coisa nossa.

Silas já entregou carta de demissão

Agora é, digamos assim, quase oficial: o ministro Silas Rondeau já entregou a carta de demissão ao presidente Lula. É o que informou verdadeiro chefe de Silas, o ex-presidente José Sarney. A expectativa agora é mesmo pelo nome do substituto.

Charge do dia


Do Agê para o Entrelinhas, saudando o governador paulista

Balança, mas não cai?

Circula a informação em Brasília de que Silas Rondeau dará uma entrevista coletiva na noite desta terça-feira, no ministério das Minas e Energia. Já tem gente interpretando que se Rondeau voltará ao ministério, é porque permanecerá no cargo. Não é bem assim: é perfeitamente possível que ele volte para dar a coletiva, especialmente se tiver pedido um afastamento do cargo enquanto durarem as investigações da Operação Navalha. Mesmo em caso de demissão, não seria uma quebra de protocolo a entrevista ocorrer na sede do ministério, uma vez que ele só deixa o cargo quando o presidente Lula comunicar que aceitou o pedido de demissão, o que pode inclusive ser dito por Rondeau, na tal coletiva. De toda maneira, em Brasília há rumores para todos os gostos. Neste momento, a maior parte dando conta da saída do ministro das Minas e Energia.

Silas Rondeau pede para sair

O ministro das Minas e Energia, Silas Rondeau, está no palácio do Planalto neste momento e, segundo informações de Brasília, deve entregar sua carta de demissão ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vai tentar provar a sua inocência fora do governo para voltar depois, como fez Henrique Hargreaves no governo Itamar Franco.

Jorge Rodini: o Buda da corrupção

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta a Operação Navalha e lamenta mais este escândalo de corrupção no Brasil. Leia a íntegra a seguir:

O Brasil assiste, perplexo, a mais um show de horrores. Depois dos mandos e desmandos dos magistrados, agora a farra é patrocinada por governadores, ex-governadores, secretários estaduais, empresários lobistas e uma grande construtora (de pontes inacabadas e estradas virtuais).

Sidarta Gautama é o Buda. O dono da construtora, ex-sócio da famigerada OAS, homenageou Buda nominando sua nova empresa. Já denominado de "Marcos Valério do Nordeste", este empresário povoou a região de estradas imaginárias, pontes de pó e obras fantasmas, pagando grandes propinas às personagens já mencionadas.

Para o brasileiro comum, mais uma decepção. Para a ministra Dilma Rousseff, um indício de que as obras do PAC vão ser beneficiadas pelo exemplo de que o "crime não compensa". Para mim, é só mais uma constatação. Em estados como o Maranhão, a Polícia Federal e o Ministério Público deveriam investigar, ainda mais a fundo, os últimos muitos anos de mandatos de políticos que ainda se servem até hoje de cargos públicos eletivos. Tem muita areia e terra fofa debaixo destas pontes, estradas e obras.

Mais uma vez, os brasileiros esperam por Justiça... Aos culpados, todo o rigor; aos que se consideram acusados injustamente, muita atenção com as más companhias.

Nós, brasileiros e brasileiras, esperamos atingir o Nirvana, assim como Buda. A ausência de mais dor e sofrimento seriam suficientes para sermos felizes. No entanto, a continuar como está, todos nós cairemos na vala comum.

Navalha 1 e 2 e o pânico em Brasília

A Operação Navalha conseguiu juntar em um único escândalo de corrupção todos os partidos relevantes do País. Não é à toa que as lideranças do DEM e PSDB estão contra a CPI – há peixes graúdos das duas agremiações envolvidos nas fraudes da Construtora Gautama. Se houver mesmo a tal Operação Navalha 2, para investigar as relações de políticos com outra empreiteira, é bastante provável que o escândalo também seja pluripartidário.

Pouca gente está dando muita bola para o assunto, mas a questão central das fraudes envolvendo empreiteiras e obras do poder Executivo, em qualquer esfera – federal, estadual ou municipal –, é a forma de execução do Orçamento, que permite tantas falcatruas. O Brasil já teve os anões do Orçamento, CPI sobre o tema, mas a legislação não mudou. Está mais do que na hora de repensar o atual modelo e criar mecanismos de controle mais rígidos para a execução orçamentária. Talvez a idéia de Orçamento impositivo, devidamente aprimorada, seja uma solução.

Roma locuta, causa finita

A matéria abaixo, na versão da Folha Online, sepulta qualquer chance de Silas Rondeau permanecer ministro das Minas e Energia. O clima está ruim, pois nem mesmo o ex-presidente José Sarney, que foi quem indicou ao presidente Lula o atual titular da pasta (pelo menos até o horário de publicação deste post, naturalmente) para o cargo, defende que ele continue... Neste caso, a palavra de Sarney é importante não apenas porque ele foi o avalista da nomeação de Rondeau, mas também pelo que revela sobre a correlação de forças no PMDB – Sarney e Renan estão perdendo espaço, nitidamente, e ensaiam um recuo tático. Ao que parece, portanto, a Operação Navalha vai fazer rolar cabeças um pouco mais graúdas. E o jogo está só começando, a espera sobretudo do que vai contar Zuleido Veras, o protagonista do escândalo da hora. Se é que ele vai contar alguma coisa...


José Sarney defende a saída do ministro Silas Rondeau do governo

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O senador José Sarney (PMDB-AP), um dos principais articuladores da ida de Silas Rondeau para o Ministério de Minas e Energia, defendeu hoje que o ministro deixe o cargo em meio às especulações de que teria recebido R$ 100 mil da empresa Gautama para liberar obras em execução pelo programa Luz para Todos.

A Folha Online apurou que Sarney disse a interlocutores que seria melhor o ministro deixar o cargo para provar sua inocência. O senador não acredita no envolvimento de Rondeau no esquema de fraudes comandado pela Gautama.

A interlocutores, Sarney disse ser favorável à apuração rigorosa do suposto envolvimento do ministro no caso e lembrou que Rondeau sempre teve uma conduta "ilibada e honesta" em sua vida pública. O senador também cobrou cautela no episódio uma vez que as investigações sobre o suposto envolvimento do ministro não foram concluídas pela Polícia Federal.

Mais cedo, o ministro Tarso Genro (Justiça) disse que não há qualquer comprovação da Polícia Federal sobre o suposto envolvimento do ministro com o esquema de fraudes em licitações públicas promovido pela empresa Gautama. Tarso admitiu, no entanto, que os R$ 100 mil da empresa chegaram ao ministério para facilitar a licitação de obras.

"No inquérito, você vai ver que a PF diz que não há nenhuma prova física de entrega [de propina da Gautama] e comprometimento presencial do ministro Silas", disse Tarso.

Assim como Sarney, o vice-presidente José Alencar também pediu hoje cautela nas acusações que pesam sobre o ministro. "Ali não há nada de condenação, há acusação. Ele já se defendeu no Paraguai e disse que gostaria de ser investigado além de fazer sua defesa na Justiça. Vocês sabem o quanto considero essas coisas erradas [fraudes]. Mas não posso condenar uma pessoa com indícios", disse Alencar.

Silas Rondeau

A Polícia Federal apura o suposto envolvimento de Silas Rondeau no esquema de fraude de obras públicas e recolheu fitas gravadas por câmeras do serviço de segurança do Ministério de Minas e Energia. As imagens mostram uma funcionária da Gautama (que operava o esquema), Fátima Palmeira, entrando no ministério pelo elevador privativo no dia 13 de março. Ela carrega um envelope de cor parda, no qual a PF acredita que estavam R$ 100 mil.

Diretora financeira da Gautama, Palmeira se dirige até o andar do gabinete de Silas Rondeau. Lá, encontra-se com o assessor do ministro, Ivo Almeida Costa, preso na Operação Navalha.