quinta-feira, 21 de junho de 2007

Escândalos ocultam o que de fato importa

Os escândalos envolvendo políticos e personalidades, especialmente se trazem os elementos dinheiro, sexo e drogas, imediatamente ganham manchetes e acabam ofuscando notícias bem mais relevantes para o dia a dia da população. É o que está ocorrendo agora, com o "Renangate". Enquanto a opinião pública acompanha os cada vez mais enrolados capítulos da novela, o governo federal vai tomando decisões importantes para os próximos anos. Na matéria abaixo, da Agência Estado, está reproduzida a opinião do presidente Lula sobre uma questão que talvez seja hoje a mais crucial para o futuro da economia nacional: a definição da meta de inflação para 2009, que será decidida na próxima semana pelo Conselho Monetário Nacional. Como se pode ler a seguir, o presidente ficou ao lado do ministro Guido Mantega e prefere os atuais 4,5%. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defende redução para 4%. A questão da meta é crucial porque dela decorre o tipo de política monetária a ser adotada daqui para frente. Se a meta for menor, o BC tem menos espaço para baixar a taxa básica de juros; permanecendo os 4,5%, abre-se um espaço maior para o movimento em curso no Copom, que vem baixando a Selic desde meados de 2005.

Em tese, a opinião de Lula não deveria ter influência sobre o CMN, mas na prática a coisa é bem diferente. O ex-ministro Antonio Palocci relata, em seu livro Sobre Formigas e Cigarras, que a opinião do presidente foi decisiva, em 2003, para que o CMN definisse a meta de 5,5% para 2004. Daquela vez, Lula fechou com os ortodoxos e opinou por uma meta mais estreita do que a defendida pelo então ministro José Dirceu, que vocalizava o pensamento dos economistas petistas. Agora, Lula ficou contra a ortodoxia de Meirelles.

A definição do proóximo dia 27 merece, portanto, ser acompanhada com atenção, mesmo que neste dia Mônica Veloso resolva contar novidades sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros. Se ele ainda for o presidente, é claro...



SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não é mais necessário aumentar o esforço para reduzir a meta de inflação, demonstrando uma posição que tende mais para o lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no embate entre o Ministério e o Banco Central sobre o estabelecimento da meta para 2009. A manutenção da meta em 4,5% ou sua redução será analisada em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) na próxima semana (dia 27).
"Penso que não devemos fazer mais sacrifício, reduzindo a meta", afirmou o presidente em entrevista ao jornal Valor Econômico. "Seria bom, e essa é uma opinião muito pessoal, que a gente refletisse bem. Já fizemos o sacrifício para 4,5% e foi muito duro. Gostaria que pensássemos politicamente, que não temos mais o direito de fazer um novo arrocho", completou.
Câmbio
Lula disse que o governo está preocupado com a apreciação do real e adotará medidas para compensar os setores mais atingidos pelo dólar fraco, mas não fará "mágica". Para esse tema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Não tem milagre. Em algum momento o mercado vai se ajustar e é assim que nós vamos conviver."
Segundo ele, é muito difícil determinar qual o câmbio bom. "Para quem exporta, R$ 4 seria ótimo. Para quem importa, se fosse R$ 1 seria ótimo. O dado concreto é que vamos manter o câmbio flutuante e ele flutua, vai para baixo e para cima. Obviamente, precisamos estar preocupados com o câmbio, mas não vamos fazer nenhuma loucura. Vamos tentar fazer todos os acertos necessários e que forem possíveis para mantê-lo nesse nível ou um pouquinho mais. Por isso compramos muitos dólares", afirmou.
Lula, contudo, defendeu, enfaticamente, a adoção de uma política industrial que ajude setores ineficientes ou escolha os que precisam de mais investimentos. Lula também afirmou ainda que as reservas cambiais devem chegar a US$ 200 bilhões até o final do ano
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