quarta-feira, 6 de junho de 2007

A queda nos juros e o presidente Lula

O corte anunciado nesta quarta-feira na taxa básica de juros representa uma pequena mudança no ritmo de corte da Selic, iniciado no segundo semestre de 2005. Em termos nominais, é a menor taxa desde que a Selic foi criada, mas o que importa mesmo são os juros reais, ainda altos, na casa dos 9%. Se o Banco Central mantiver este ritmo, porém, a taxa cairia para 10% no final do ano, indicando um juro real de 7% – já bastante razoável para um país com as características do Brasil. É bom lembrar que o presidente Lula ainda tem 3 anos pela frente e certamente deseja uma taxa de juros ainda menor. A questão é dosar a queda de forma que não gere pressão inflacionária.

De toda maneira, o conservadorismo do Copom de Henrique Meirelles não acabou e também é possível que após mais um ou dois cortes de meio ponto, o BC dê por encerrado o ciclo de baixa na taxa de juros. Lula não vai mudar sua política econômica tão facilmente – do contrário, já teria cedido há muito tempo – e este blog aposta que apenas uma mudança no cenário mundial seria capaz de fazer o presidente alterar sua maneira de conduzir a economia. Ele sabe que um crescimento de 4% ou 5% pode não ser o que o Brasil precisa, mas também está ciente de que esta taxa pode ser perfeitamente suficiente para que ele faça o sucessor, com o pé nas costas...

2 comentários:

  1. Na verdade, 12% de juros nominais significam cerca de 8% reais, não é? Mais uns 0,5% é o Brasil deixa de ter a maior taxa de juros reais do mundo, ficando abaixo da Turquia. Não é nada, não é nada ... é uma novidade!

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  2. Curiosamente, os mais conservadores são os mais otimistas.

    O Bevilacqua, ex-diretor do BC, disse que votaria em 0,25% nessa reunião porque o país está crescendo na faixa de 5% e os efeitos dos juros atuais ainda não fizeram efeito por completo (existe um delay de uns 6 meses, segundo os economistas).

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