Está nos jornais e revistas a informação de que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) teria feito dois pagamentos de R$ 50 mil, em dinheiro vivo, para a jornalista Mônica Veloso, com quem o presidente do Senado tem uma filha, fruto de relação extraconjugal. Até aqui, tudo bem, o próprio senador já reconheceu os pagamentos, segundo ele para um fundo educacional da menina, e fez publicar os recibos de Mônica para os dois pagamentos. Ocorre que saiu em vários veículos também a informação de que esse dinheiro teria sido entregue em duas malas. A menos que Calheiros tenha mandado os cinquenta contos em notas de R$ 1, tal versão é realmente pouco crível. Se foram 500 notas de R$ 100, caberia em um envelope simples. Mesmo mil notas de R$ 50 não demandariam as tais malas. Tudo isso mostra que Renan tem razão em falar que vive um "calvário": quando a imprensa resolve pegar no pé de uma figura pública em razão de alguma denúncia ou desgraça, a lógica e o bom senso são mandados às favas. O pior é que tem leitor que não percebe.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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