sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Uma semana dura para
o PT e o futuro do lulismo

Dizem que na política agosto é mais do que mês do desgosto. É o período em que mudanças críticas acontecem. Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro até hoje misterioso - tem gente que jura que foi assassinato - no dia 22. Getúlio Vargas se matou no dia 24. Jânio Quadros renunciou dia 25. Fernando Collor viu seu processo de impeachment ser aberto no dia 28. Costa e Silva deixou a presidência no último dia do mês.

Neste ano de 2009, muita coisa está acontecendo em agosto. Já tem gente decretando a morte do PT, por exemplo, após a votação no Conselho de Ética do Senado do arquivamento dos processos contra José Sarney (PMDB-AP). O episódio de fato balançou o partido do presidente Lula - em consequência dele, o senador Flávio Arns deve deixar a legenda e Aloizio Mercadante, se mantiver a palavra, sai da liderança da bancada no Senado – neste caso particular, talvez seja uma boa notícia para o PT, tamanha a inabilidade política do líder. Tudo somado, não foi pouca coisa. Porém, não é a morte do PT.

A saída de Marina Silva do partido também representa um golpe duro no petismo, mas já era esperada. Sua candidatura à presidência deverá provocar um certo rebuliço, mas é preciso ir com calma para perceber a real força eleitoral de Marina.

A questão que sobra é simples: afinal, o Partido dos Trabalhadores vai se tornar um "PL", "Partido do Lula" ou conseguirá se manter orgânico à margem do grande líder, que hoje já é um personagem bem maior e politicamente mais amplo, digamos assim, do que o PT? É muito difícil responder a esta questão hoje, será preciso esperar um pouco para entender como é que o próprio Lula está imaginando a sucessão de seu patrimônio político. Dilma Rousseff não será a herdeira, mesmo que vença as eleições, porque Lula é novo e certamente tentará voltar em 2014.

A questão é mais complicada, trata-se de um invejável capital político que só ele, Luiz Inácio Lula da Silva, possui e é capaz de delegar a outrém quando decidir se afastar da política ou estiver em idade para tal. O varguismo e o janismo, por exemplo, permaneceram vivos por muito tempo após a morte dos líderes - mais no primeiro caso, menos no segundo. Nenhum dos dois jamais foi tão popular como Lula. O que vai acontecer com o lulismo a partir do dia em que o presidente deixar o Palácio do Planalto é uma história a ser conferida e diz muito do futuro do Brasil. Até porque, qualquer que seja o presidente da República a partir de 1° de janeiro de 2011, Lula será a grande referência da política brasileira e com ele inevitavelmente seu sucessor será comparado.

Vale a pena lembrar, para encerrar esta reflexão, a excelente percepção do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) sobre o cenário futuro. Disse Ciro: "[Lula] defende o Sarney e aguenta. Defende o Renan e aguenta. Confraterniza com Collor e aguenta. Quero saber se eu aguento, se o Serra aguenta, se a Dilma aguenta. Ninguém mais aguenta."

Será realmente uma tarefa complicada assumir a presidência da República após Lula.

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