domingo, 30 de agosto de 2009

De volta à política

Vanusa e Belchior à parte, o fato do dia foi a filiação de Marina Silva ao Partido Verde. Arisca, a senadora deixou a definição sobre a candidatura presidencial para 2010, mas é evidente que ela vai disputar a eleição no próximo ano, do contrário não faria o menor sentido a mudança de partido. Este blog já analisou detidamente a candidatura de Marina, de maneira que o comentário de hoje versa sobre a reação dos demais candidatos ao novo fato político criado com bastante competência, diga-se de passagem, pela senadora.

Aparentemente, o tucanato comemora a entrada de Marina no jogo porque calcula que ela tira votos de Dilma Rousseff. Pode ser um grande tiro no pé, porém. O professor Marcus Figueiredo percebeu bem esta questão: segundo ele, quem está pendendo para votar em Marina jamais votaria no PT, porque é justamente a parcela do eleitorado que já perdeu a confiança no partido de Lula. Os mesmos que em 2006 votaram em Heloísa Helena, Cristóvam Buarque e até anuaram ou votaram em branco. Segundo Figueiredo, este eleitorado é muito barulhento, mas não tem densidade, é um grupo restrito. Tem mais: o cientista político que dirige o Iuperj vê possibilidades de José Serra perder votos, especialmente no Rio de Janeiro, por causa justamente da entrada de Marina no jogo. É que Serra contava com o apoio de Fernando Gabeira, candidato ao governo, e não terá mais - a menos que Gabeira aceite subir em dois palanques, o que de qualquer forma não ajuda muito, pois o eleitorado vai fazer a vinculação entre as candidaturas de Marina e Gabeira com muito mais facilidade.

O raciocínio de Figueiredo parece correto e será testado nas eleições. Do lado petista, até agora a estratégia tem sido um pouco defensiva demais para o atual momento, com Dilma Rousseff poupada dos holofotes um além do que seria necessário. Sim, Dilma se desgastou um pouco com o espisódio da acusação de Lina Vieira, mas, a menos que esteja com algum problema de estafa ou saúde, não há razão alguma para ela deixar o palco justamente no momento em que mais precisa dele, a fim de consolidar a sua candidatura. Qualquer ausência é tida justamente como "prova" de algo não vai bem, e começam as especulações de um "plano B" no PT - Antonio Palocci seria "o cara" para substituir Dilma.

Os próximos meses, portanto, serão muito importantes para a definição das candidaturas e do potencial eleitoral dos principais contendores. Se Marina crescer nas pesquisas, Serra cair um pouco e Dilma estagnar, o quadro será um; caso a candidata verde permaneça no patamar de "nanica", a história é bem outra. E há também a variável Ciro Gomes, que deve definir se concorre em São Paulo ou sai mesmo candidato a presidente. Este blog aposta que Marina empurrou Ciro para o jogo. E é bom não desprezar as chances do deputado cearense, que tem lábia e carisma para conquistar, ele sim, uma parcela expressiva do voto "lulista". O perigo para Dilma é muito menos Marina e muito mais Ciro Gomes. O jogo está só começando...

4 comentários:

  1. Não concordo totalmente com o professor. E tenho exemplos próximos de gente que é e sempre foi eleitora do PT e que está caindo pela Marina. É um espaço pequeno de análise mas, ainda assim, pode ser tendência, coisa para os institutos pesquisarem.

    Eu não acho que a Marina, com o PV, tenha a musculatura necessária para pôr a Dilma em perigo mas acredito sim que ela tirará uma parcela relevante de votantes do PT na próxima eleição.

    Vale lembrar que não existe só a MArina, tem o PSOL, o Ciro Gomes talvez, o Cristovam, é muita pressão sob a Dilma enquanto o Serra fica lá, sem grande oposição e quase certeza no segundo.

    Claro, há chance sim da Marina - graças ao apoio do PV aos Serristas, Kassabistas e etc - tirar votos da direita mas... São previsões difíceis de serem feitas quando há um partido de direita com uma candidata de esquerda.

    Não acredito muito nas previsões, otimistas ou pessimistas nocaso Marina, são muitas variáveis. Veja o Gabeira que quase ganhou no Rio contra todas as previsões.

    A Marina, de Esuqerd,a pode encobrir a direita do PV, mas o contrário também é possível. A campanha dirá tudo. E o PIG que, agora, baba pela Marina tentando derrubar a Dilma e fortalecer o Serra.

    tsavkko.blogspot.com

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  2. Luiz, não tem muito a ver com este tópico, mas acho que vale observar que amanhã se iniciam as "comemorações" de um ano do mês que provocou profundos rachas na economia global e, também, que fez desabarem vários indicadores no mundo e, para a alegria de nossa imprensa, no Brasil. Ou seja, cabe de agora em diante observarmos como os indicadores (de emprego, de arrecadação, de produção industrial) nos serão apresentados. Caso (o que certamente não acontecerá) sejam comparados com o mesmo período do ano anterior como até agora vinha acontecendo, poderíamos ver "crescimentos" extraordinários e, número por número, mostrar que o país agora "bomba" (o que não é de todo verdade, assim como eram manipulações algumas das quedas estratosféricas divulgadas por nossa imprensa). Observemos, pois...

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  3. Prezado Luiz,
    Considerei um efeito Marina imediato o fato do Presidente inserir na última hora, a cláusula prevendo recursos ao meio ambiente no lançamento da PETRO-SAL, anteontem. Quanto aos outros aspectos, escrevi as DOZE RAZÕES QUE EXPLICAM PORQUE MARINA SILVA SERÁ PRESIDENTE EM 2010. A quem possa interessar, estão no blogdoprofessorpeixoto.blogspot.com Abç Marcos

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  4. Sobre o delírio Marina Silva

    Jamais discutirei a biografia, o caráter ou as intenções da ex-ministra, que nada têm a ver com pretensões eleitorais.
    Sua candidatura não tem chance real de sucesso por inúmeros motivos. Faltam-lhe uma aliança partidária abrangente, tempos de rádio e TV, investimentos, palanques regionais, militância numerosa e qualificada. A experiência e o perfil de Heloísa Helena a sufocam ou, na melhor das hipóteses, anulam suas especificidades. E, convenhamos, atrair Gilberto Gil, Protógenes Queiroz ou Nelson Mandela não trará enormes benefícios junto a eleitorado majoritariamente conservador e preconceituoso.
    Um projeto monotemático (seja ambiental ou qualquer outro) é insuficiente para empreitada desse porte. O pretenso diferencial da “honestidade” e do apelo moral pode ser encontrado em todo e qualquer discurso de campanha. E bastará revelar as ligações de Marina com a igreja evangélica e outros misticismos ultraconservadores para que ela perca o deslumbramento do eleitor progressista.
    Quem ignora essas dificuldades insanáveis está ludibriando o distinto público.
    Ademais, há sim o fator político. Sua militância reagirá bem quando ela sair na foto abraçada com Zequinha Sarney? Marina subirá no palanque fluminense do neotucano Fernando Gabeira, junto a lideranças do DEM (PFL) e do PSDB local? Como se portará em São Paulo, onde o PV apóia José Serra e Gilberto Kassab? Será omissa no segundo turno, prejudicando seu antigo partido e favorecendo o retorno da “direita liberal” que tanto combateu?
    Até as pranchetas do Datafolha sabem que a disputa presidencial será plebiscitária e polarizada; feliz ou infelizmente, Marina permanecerá apartada desse embate. A imprensa serrista comemora sua pré-candidatura porque ainda parece conveniente para dividir os votos de Dilma Rousseff. É só Marina começar a enfraquecer José Serra que o bondoso governador tratora tudo e acaba com essa brincadeira sem graça.

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