domingo, 23 de agosto de 2009

Será que o Alckmin entendeu?

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), começa a botar seu time em campo. Soninha Francine, amiga pessoal do tucano, será candidata ao governo paulista pelo PPS, conforme se pode ler abaixo, em reportagem da Agência Estado. Dificilmente o partido de Roberto Freire lançaria Soninha nesta aventura sem o aval de Serra. Aliás, ela mesma tem intimidade suficiente para consultar o governador a respeito de tão importante passo em sua carreira política.

O fato é que muita gente hoje já dá como favas contadas a candidatura de Geraldo Alckmin ao Bandeirantes, coisa que pode perfeitamente não acontecer. Nos bastidores do tucanato circula a versão de que o candidato preferido de Serra é o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), com um vice tucano - Aloysio Nunes Ferreira seria o nome a ser indicado pelo PSDB. Esta chapa só não está nas páginas dos jornais porque Alckmin é a pedra no sapato de Serra, uma pedrinha bem difícil de se lidar, por sinal. Sim, pois não adianta oferecer ao ex-governador uma vaga ao Senado porque a negociação com Orestes Quércia (PMDB) passou pela exclusividade desta mesma cadeira para ele, Quércia. O que fazer então com o pobre Geraldinho? Convencê-lo a disputar uma vaga na Câmara Federal? Complicado. Enquanto a decisão não vem, Serra vai lançando sinais ao seu secretário Alckmin, que obviamente se fará de desentendido. No íntimo, porém, Geraldo deve ter captado a mensagem da candidatura Soninha. Resta saber como ele vai agir daqui para frente...

Soninha lança pré-candidatura ao governo de SP pelo PPS

Desde janeiro deste ano, ela comanda a Subprefeitura da Lapa e confessa que vai sentir falta do cargo

Anne Warth - Agência Estado

SÃO PAULO - O PPS confirmou hoje o lançamento da pré-candidatura de Soninha Francine, ex-vereadora e atual subprefeita da Lapa, ao governo do Estado de São Paulo. Em entrevista à Agência Estado, Soninha afirmou que não pretendia concorrer a mais uma eleição - nos últimos cinco anos, disputou três - mas que aceitou o convite do partido, que considerou uma "loucura", por desinteresse em disputar eleições parlamentares novamente. Soninha disse também que deixará a subprefeitura da Lapa somente em abril, e que se perder a eleição, gostaria de voltar para o cargo.
"Eu não pretendia disputar eleição nenhuma em 2010. Nos últimos cinco anos, disputei três, e isso gera um cansaço físico, emocional, é um superdesgaste", afirmou. "Adorei a experiência, mas não tenho mais interesse em ser parlamentar outra vez. Não quero mais. Depois da ousadia do ano passado, o partido me perguntou: e se disputássemos as eleições para o governo? Eu nem pensava nisso, mas respondi que poderia ser, porque é verdade que quero trabalhar no Poder Executivo daqui em diante. É uma loucura, mas vamos tentar", explicou.
Às vésperas de completar 42 anos, no dia 25 de agosto, Soninha é jornalista, separada e mãe de três filhas. Em 2004, ela foi eleita vereadora por São Paulo. Em 2006, tentou ser deputada federal, mas não teve votos suficientes. Em 2007, deixou o Partido dos Trabalhadores (PT) e se filiou ao Partido Popular Socialista (PPS). Na época, ela disse estar desiludida com o PT, e passou da base para um partido de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2008, disputou as eleições para a Prefeitura de São Paulo, obtendo 266.978 votos, 4,19% dos votos válidos, e foi a quinta candidata mais votada.
Desde janeiro deste ano, ela comanda a Subprefeitura da Lapa e confessa que vai sentir falta do cargo. "Eu não queria sair da subprefeitura, o primeiro ano de administração é superdifícil, tudo já está encaminhado e existe uma dificuldade de começar uma coisa nova. Esse ano foi infernal sob ponto de vista de recursos orçamentários, sempre cortando e congelando gastos. Agora que começa a ficar bom, com o planejamento do orçamento de 2010, não vou poder ficar porque a Lei Eleitoral não permite", lamentou.
Soninha afirmou também que os partidos manterão unidade para a eleição presidencial de 2010. "Continuamos no campo da oposição e fazendo parte da melhor aliança de oposição, com o PSDB, e muito provavelmente do atual governador José Serra. A inclinação é essa."
Ela disse que o lançamento de sua pré-candidatura não atrapalha a aliança que o PPS tem com o PSDB e o DEM, que também devem ter candidatos próprios para o governo de São Paulo. "Desde que disputei a prefeitura, essa autonomia de voo do PPS já estava estabelecida. A gente tinha representantes do PPS na administração municipal e o fato de anunciar candidatura própria não interferiu. O mais importante é saber separar trabalho na administração pública da campanha eleitoral", destacou. "Não é uma novidade nem para o prefeito Gilberto Kassab nem para o governador José Serra ter de lidar com isso. O PPS tomou pra si o direito de disputar eleições e de apresentar suas propostas."
Soninha pretende deixar a subprefeitura da Lapa apenas em abril. O lançamento oficial de sua candidatura deve ocorrer durante as convenções do partido, em junho 2010. Apesar de otimista, ela traça um plano realista para 2010. "No cargo em que estou não tenho nenhuma garantia de estabilidade. Nem posso garantir que o prefeito me mantenha no cargo até abril. Mas se ele não tiver outra ideia sairei o mais tarde possível. Se não me eleger, gostaria de voltar, não queria passar tao pouco tempo sendo subprefeita", afirmou.
Sobre como administrar uma campanha de porte estadual, Soninha é realista. "Vamos aproveitar os grandes centros e regiões metropolitanas do Estado como base. Não adianta ter a pretensão de visitar centenas de municípios, mas tenho que estar disponível em diversas regiões e aproveitar muito cidades universitárias. Provavelmente essas pessoas já tem interesse de saber o que pretendo se eleita governadora", disse.
O estilo mais informal adotado na disputa municipal no ano passado deve ser mantido. "Temos algumas prefeituras no interior, em cidades importantes, como Campos do Jordão. Temos o vice-prefeito em São Sebastião e o prefeito em Ilhabela, além de sermos parte de alianças vencedoras. Mas nossos palanques não dependem muito de prefeituras ou de prefeitos locais nos receberem. Gosto mais de debate com 50 pessoas do que discurso para 500. Se as pessoas vão a um comício já estão decididas. Prefiro conquistar os votos", opinou.
O lançamento da pré-candidatura de Soninha ocorreu na capital paulista, em solenidade com a presença do presidente nacional do partido, Roberto Freire, deputados e vereadores da legenda. "Com Soninha, o PPS não está colocando uma candidatura meramente para marcar a sigla, mas com um propósito e um objetivo de melhorar cada vez mais a política por meio das ideologias do partido", disse Freire.

2 comentários:

  1. Bom, dos males o menor: não sendo Alckmin o candidato, reduzimos bastante o risco de 1. o tucanato ganhar e 2. a TFP voltar a governar o Estado.

    Embora o Kassab tenha alcançado um patamar eleitoral razoável, pra quem não era nada, acho que contra ele o PT tem mais resistência p/ levar a briga a um segundo turno c/ chances de vitória.

    Agora, cabe a esse partido não aloprar de novo e por srs. como Genuino à frente de seu código. É preciso renovar em termos de nomes; acho que o prefeito de Osasco pode ser uma boa carta. Veremos.

    []s

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  2. Eu não entendi, como é esta coisa de que o orçamento está curto, com cortes, e no ano que vem a coisa vai começar a melhorar? Pelo jeito, acreditam piamente que a economia nacional vai melhorar, ou estou louco? Estão fazendo planos de mais gatos para o ano que vem, só me resta acreditar que eles finalmente acreditam que a crise foi uma marolinha e que o governo de Lula é realmente competente. Que engraçado!

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