segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Foi remédio

A cantora Vanusa afirmou que errou a letra o hino nacional porque tomou uma dose exagerada de remédios para labirintite. Pode ser, e ninguém está aqui para duvidar da honestidade da cantora. Mas que parecia coisa causada por água que passarinho não bebe, isto lá parecia. De qualquer maneira, fica registrada a versão de Vanusa e o voto de confiança na versão da cantora, agora unida ao rabino Henry Sobel na explicação para o mico que pagou. Para quem não lembra mais, ele alegou ter tomado medicamentos a mais para justificar o episódio em que foi flagrado afanando gravatas em Miami. Este blogueiro felizmente passa bem longe desses perigosos remédios. Prefere Johny Walker Red Label (o Black está caro), em doses comedidas. A experiência já mostra que faz bem menos mal do que esses malditos remedinhos...

domingo, 30 de agosto de 2009

De volta à política

Vanusa e Belchior à parte, o fato do dia foi a filiação de Marina Silva ao Partido Verde. Arisca, a senadora deixou a definição sobre a candidatura presidencial para 2010, mas é evidente que ela vai disputar a eleição no próximo ano, do contrário não faria o menor sentido a mudança de partido. Este blog já analisou detidamente a candidatura de Marina, de maneira que o comentário de hoje versa sobre a reação dos demais candidatos ao novo fato político criado com bastante competência, diga-se de passagem, pela senadora.

Aparentemente, o tucanato comemora a entrada de Marina no jogo porque calcula que ela tira votos de Dilma Rousseff. Pode ser um grande tiro no pé, porém. O professor Marcus Figueiredo percebeu bem esta questão: segundo ele, quem está pendendo para votar em Marina jamais votaria no PT, porque é justamente a parcela do eleitorado que já perdeu a confiança no partido de Lula. Os mesmos que em 2006 votaram em Heloísa Helena, Cristóvam Buarque e até anuaram ou votaram em branco. Segundo Figueiredo, este eleitorado é muito barulhento, mas não tem densidade, é um grupo restrito. Tem mais: o cientista político que dirige o Iuperj vê possibilidades de José Serra perder votos, especialmente no Rio de Janeiro, por causa justamente da entrada de Marina no jogo. É que Serra contava com o apoio de Fernando Gabeira, candidato ao governo, e não terá mais - a menos que Gabeira aceite subir em dois palanques, o que de qualquer forma não ajuda muito, pois o eleitorado vai fazer a vinculação entre as candidaturas de Marina e Gabeira com muito mais facilidade.

O raciocínio de Figueiredo parece correto e será testado nas eleições. Do lado petista, até agora a estratégia tem sido um pouco defensiva demais para o atual momento, com Dilma Rousseff poupada dos holofotes um além do que seria necessário. Sim, Dilma se desgastou um pouco com o espisódio da acusação de Lina Vieira, mas, a menos que esteja com algum problema de estafa ou saúde, não há razão alguma para ela deixar o palco justamente no momento em que mais precisa dele, a fim de consolidar a sua candidatura. Qualquer ausência é tida justamente como "prova" de algo não vai bem, e começam as especulações de um "plano B" no PT - Antonio Palocci seria "o cara" para substituir Dilma.

Os próximos meses, portanto, serão muito importantes para a definição das candidaturas e do potencial eleitoral dos principais contendores. Se Marina crescer nas pesquisas, Serra cair um pouco e Dilma estagnar, o quadro será um; caso a candidata verde permaneça no patamar de "nanica", a história é bem outra. E há também a variável Ciro Gomes, que deve definir se concorre em São Paulo ou sai mesmo candidato a presidente. Este blog aposta que Marina empurrou Ciro para o jogo. E é bom não desprezar as chances do deputado cearense, que tem lábia e carisma para conquistar, ele sim, uma parcela expressiva do voto "lulista". O perigo para Dilma é muito menos Marina e muito mais Ciro Gomes. O jogo está só começando...

Notícia relevante

O Fantástico achou o cantor Belchior no Uruguai. Agora essa história está com uma cara de armação publicitária...

Vanusa arrebenta o hino nacional: teus
risonhos, lindos cooopos têm mais flores!!!

É realmente sensacional a interpretação da cantora Vanusa para o hino nacional brasileiro. Encarnou Maysa e Ângela Ro Ro juntas, pé na jaca total. Vale a pena assitir, prestando atenção no olhar dos nobres parlamentares...

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Estadão: crise foi só uma marolinha mesmo

A reportagem abaixo é a manchete deste domingo do jornal O Estado de São Paulo. Do cenário que o Estadão apresenta, é possível concluir que o presidente Lula tinha razão: a crise no Brasil foi mesmo só uma marolinha. Na comparação com outros países, inclusive os vizinhos, talvez nem isto. A "maior crise da história do capitalismo desde 1929" (ou talvez ainda maior do que a de 29), como vendeu a grande imprensa desde o final do ano passado, não foi suficiente para arrebentar com a economia brasileira. De duas uma: ou a tal crise não é tão grave assim ou o Brasil conseguiu passar por ela em condições excepcionalmente boa. Nos dois casos, deve ser mérito do Fernando Henrique Cardoso, não é mesmo?

Um ano depois, Brasil passa no teste e sai da crise maior do que entrou

Para especialistas, avanço do País e de outros emergentes é uma das características do mundo pós-crise

Fernando Dantas

O Brasil saiu da turbulência global maior do que entrou. Às vésperas do mês em que se completa um ano da crise iniciada com a concordata do Lehman Brothers, em 15 de setembro, o otimismo com o País tornou-se consensual. "O fato de que o Brasil passou tão bem pela crise tinha mesmo de instilar confiança", diz Kenneth Rogoff, da Universidade Harvard, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para Jim O?Neill, do Goldman Sachs, e criador da expressão Bric (o grupo de grandes países emergentes, Brasil, Rússia, Índia e China), "o Brasil passou por essa crise extremamente bem, e pode crescer a um ritmo de 5% nos próximos anos".

O crescimento de importância do Brasil e de outras economias emergentes é uma das características do novo mundo surgido com a crise econômica. Para comentar essa e várias outras mudanças, o Estado ouviu oito grandes economistas estrangeiros e brasileiros: Rogoff; O?Neill; Barry Einchengreen, da Universidade de Berkeley; José Alexandre Scheinkman, de Princeton; Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central (BC) e sócio gestor do Gávea Investimentos; Edmar Bacha, consultor sênior do Itaú BBA e codiretor do Instituto de Estudo de Políticas Econômicas - Casa das Garças (Iepe/CdG); Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC; e Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco.

Pastore observa que a recessão no Brasil foi curta, de apenas dois trimestres, comparada a quatro em países como Estados Unidos, Alemanha e França. Goldfajn nota que há os países que estão saindo da recessão no segundo trimestre e os que estão saindo no terceiro - o Brasil está entre os primeiros, com várias nações asiáticas. "Mesmo no primeiro trimestre, se olhar mês contra mês, há números fortes de crescimento no Brasil", acrescenta.

Para Goldfajn, a crise foi um teste de estresse para diversos países, no qual alguns passaram, outros não, alguns tiveram nota boa e outros nota ruim. "Acho que o Brasil tirou nota boa, e agora está todo mundo olhando e dizendo ?esse cara é bom?", diz Goldfajn.

Uma das principais razões para o sucesso do Brasil em enfrentar a crise, segundo Pastore, é que ela pegou o País com o regime macroeconômico adequado - câmbio flutuante, bom nível de reservas, inflação controlada, superávit primário, dívida pública desdolarizada e caindo em proporção ao Produto Interno Bruto (PIB). Essa solidez combinou-se com o sistema financeiro capitalizado, pouco alavancado, que estava proibido pela regulação de operar com os ativos perigosos, como os títulos estruturados no mercado americano de hipotecas subprime. "Uma das lições da crise é que países que tinham uma abordagem equilibrada da regulação do mercado financeiro, como Brasil, Austrália, Canadá , não tiveram crise bancária", diz O?Neill.

A política anticíclica, baseada em corte de impostos e ampliação de gastos públicos, também ajudou, embora esta segunda parte seja criticada pelos efeitos de médio prazo. Para Pastore, os aumentos do funcionalismo e do Bolsa-Família tiveram efeitos contracíclicos, mas "por coincidência", já que foram decididos antes da crise. "O defeito é que, se fosse política contracíclica mesmo, teria de expandir gastos transitórios, e não permanentes."

Para a maioria dos economistas, o aumento dos gastos públicos correntes reduz o espaço do investimento, e impede que o Brasil cresça a um ritmo ainda mais forte do que os 4% a 5% que estão sendo previstos. "Não é nem preciso dizer que há um monte de coisas que o Brasil poderia fazer para crescer mais rápido", comenta Rogoff.

De qualquer forma, o sucesso diante da crise jogou o Brasil no radar dos investidores. "À medida que continuarmos a crescer mais que o mundo, é natural que o País receba um aporte muito grande de investimentos estrangeiros diretos", diz Pastore, acrescentando que eles aumentaram, mesmo com recessão e queda de lucros nos países que sediam as empresas que investem no Brasil.

A contrapartida dos fluxos de capital é o câmbio valorizado e o déficit em conta corrente, o que significa que o mundo está financiando o Brasil para consumir muito (o que implica poupar pouco) e investir ao mesmo tempo. Segundo Goldfajn, os brasileiros serão um dos povos convocados, junto com os asiáticos, a preencher o espaço deixado pelo fim da exuberância do consumidor americano, atolado em dívidas e necessitado de reconstruir seu patrimônio.

sábado, 29 de agosto de 2009

Outra visão do mesmo fato

Professor Hariovaldo Almeida Prado tembém deu o seu pitaco sobre a intrigante questão do cantor Belchior ao lado de José Sarney. Vale a pena ler...

Uma foto, dois bigodes

A foto abaixo saiu na Folha de S. Paulo e está circulando pela internet. Os maldosos dizem que se o outro bigodudo tivesse tomado chá de sumiço, o Brasil estaria bem melhor. Mas vai saber...

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Não é para ganhar

Lula vai impor ao PT a candidatura de Antonio Palocci ao governo de São Paulo e, ao mesmo tempo, tentará convencer Ciro Gomes a disputar também o Palácio dos Bandeirantes. Para quem acha a coisa meio estranha, a explicação é simples: a candidatura de Palocci não está sendo arquitetada para que ele vença as eleições - se vencer, tanto melhor, do ponto de vista do PT e de Lula, claro -, mas para que ele, Palocci, use a vitrine do horário eleitoral para refazer sua imagem pública. É uma jogada com olhos para o futuro, e não é nem 2014, é mais adiante. Com Ciro e Palocci na parada, porém, a coisa complicaria para o tucanato, dificilmente a eleição se decide no primeiro turno. É difícil bater o PSDB em terras paulistas? É sim, bastante, especialmente no interior - na capital e grandes cidades, outros partidos já dominaram e dominam a cena política. Mas não é impossível. Levar o pleito para o segundo turno, portanto, é pré-condição para tentar acabar com a dominação tucana em São Paulo. Lula, até agora, vai fazendo o seu jogo, tem ainda muita água para rolar debaixo da ponte, como diz o proibidíssimo chavão do jornalismo.

Ainda sobre Marina

Abaixo, a versão completa da matéria produzida para o Valor e que precisou ser redimensionada para o espaço disponível. No Entrelinhas, vai na íntegra. A overdose de Marina Silva no blog termina aqui. Por enquanto...

Ela foi seringueira e empregada doméstica, era analfabeta até os 15 anos de idade, quando começou a cursar o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Quis ser freira, conseguiu completar os estudos fazendo supletivo, formou-se em História na Universidade Federal do Acre e lecionou no segundo grau antes de começar a militar no movimento social. Ao lado de Chico Mendes, fundou a Central Única dos Trabalhadores do Acre e ganhou fama internacional pela atuação em defesa do meio ambiente. Agora, aos 51 anos, a senadora acreana Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, ou simplesmente Marina Silva, conseguiu criar o mais importante fato político dos últimos tempos no Brasil ao anunciar que estava deixando o Partido dos Trabalhadores, após 30 anos de militância, para articular uma candidatura à presidência da República em 2010 pelo Partido Verde, ao qual deverá se filiar neste domingo (30/08). Realmente, não foi pouca coisa: Marina ganhou destaque na imprensa internacional, foi capa de revistas semanais brasileiras, passou a ser comparada ao atual presidente – “Lula de saias” virou quase um bordão – e até mesmo ao presidente norte-americano Barack Obama, criando a expectativa de uma “onda verde” para a campanha do próximo ano.
As semelhanças entre personagens aparentemente díspares já começam a chamar atenção dos especialistas. Professora de Ciência Política da USP, Lourdes Sola vê no prestígio internacional de Marina Silva um dado significativo e que merece ser levado em consideração na análise da inserção da ex-ministra no novo cenário eleitoral. Cautelosa na comparação, a professora vê alguns pontos em comum entre Marina e o presidente norte-americano Barack Obama. Ela explica que os setores desesperançados da sociedade brasileira vão olhar para a nova candidata da mesma maneira que os setores desmobilizados da sociedade americana se voltaram para Obama. “Ele conseguiu mobilizar o voto ausente [nos EUA, o voto não é obrigatório] e Marina deve mobilizar o voto desesperançado”, completa a cientista. Segundo Lourdes Sola, há outras características que tornam Marina Silva e Barack Obama semelhantes. “Ambos estavam aparentemente fora do jogo. Marina pode introduzir a transversalidade na política. A candidatura dela atravessa gerações e raças, como a de Obama. A formação de Marina é regional, mas ela já ganhou transversalidade”, explica Lourdes.
No caso da comparação entre as candidaturas de Marina Silva e Barack Obama, a tese remete ao período em que o então pouco conhecido senador pelo Illinois decidiu enfrentar ninguém menos do que Hillary Clinton, mulher do ex-presidente Bill Clinton, considerada então favorita para a indicação de candidata do partido Democrata à presidência em 2009. Como quem não queria nada, mas sabendo perfeitamente o que fazia, Obama botou o pé na estrada e realizou uma campanha contundente, com recursos obtidos em grande medida pela internet, desbancando o favoritismo de Hillary nas primárias. Mais ainda, introduziu temas novos no debate político norte-americano, sintetizados nos bordões “Yes, we can” e “Change”, tais como o desenvolvimento sustentável, mudança na matriz energética do país, além de enfoques diferentes sobre antigos problemas, casos da política externa e saúde.
As semelhanças são realmente muitas e vão além do passado de superação pessoal de Obama e Marina. A ex-ministra parece ser, no Brasil de hoje, quem melhor pode encarnar o “Change” do presidente americano: tem uma longa história de militância na defesa do meio ambiente; foi ministra da área e deixou o governo Lula por discordar de medidas que vinham sendo tomadas e, segundo ela, poderiam prejudicar o patrimônio ecológico de algumas regiões; e sempre defendeu a ideia de que o desenvolvimento econômico deve levar em consideração um padrão de consumo que respeite os limites de exploração dos recursos naturais. A plataforma socioambiental está na ponta da língua da candidata e pelo que já se pode ver na blogosfera desde que o nome de Marina passou a ser cogitado para a eleição de 2010, é bastante provável que ela encontre aliados para tentar repetir, também na forma de fazer campanha, o fenômeno Obama.
Mas também há quem veja, por outro lado, algum exagero nas comparações. O cientista político Bolívar Lamounier ressalta que o sistema político norte-americano permite, durante as primárias, que os candidatos sejam construídos e ganhem carisma ao longo da disputa interna em um grau muito mais alto do que ocorre no sistema brasileiro. Analista da Tendências Consultoria, o cientista político Rafael Cortez aponta outros problemas na comparação. “O contexto político que permitiu a eleição de Obama era muito diferente. Lá o governo estava muito desgastado com a crise da economia e os problemas da política externa. O novo teve espaço para crescer. Aqui, Lula tem altíssima popularidade, o Brasil está saindo da crise muito bem”, diz ele, lembrando que nem mesmo a agenda negativa da crise no Congresso atingiu a popularidade de Lula ou derrubou as intenções de voto na ministra Dilma Rousseff nas pesquisas recentemente divulgadas.
Entre políticos, a análise é mais direta. Lançando pré-candidato à presidência da República pelo PSOL no último final de semana, o ex-deputado Plínio de Arruda Sampaio avalia que a ex-ministra pode ter, sim, um apelo parecido com o que Obama teve nos EUA: “Qual é a novidade na política brasileira? Marina é o novo. Obama era o novo nos Estados Unidos. Isto é até intuitivo, o eleitor busca o novo, tem sempre um lugar para a novidade, pelo menos em um segmento importante do eleitorado”, afirma.
Comparações à parte, o primeiro impacto concreto da possível candidatura de Marina Silva aconteceu justamente no PSOL de Plínio Sampaio e Heloísa Helena. O partido decidiu adiar para outubro a definição sobre o lançamento de uma chapa própria à presidência. Hoje vereadora em Maceió, Heloísa fez questão de elogiar bastante a ex-colega de partido e Senado durante o 2° Congresso Nacional do PSOL, realizado entre os dias 21 e 23 de agosto. Já Plínio disse ao Valor que se Marina Silva se dispuser a enfrentar na campanha os “dilemas do sistema capitalista que impedem a real preservação do meio ambiente”, o PSOL tem obrigação de apoiá-la. “Se ela abrir espaço para este discurso, acho que deveria ser a nossa candidata”, explicou Sampaio, também ele um ex-petista que deixou a agremiação desiludido com os rumos do governo Lula.
Mas não é só o PSOL que se movimenta em função da arrojada manobra de Marina Silva. Nos bastidores, os prováveis protagonistas da disputa do próximo ano tentam interpretar o significado e o potencial da nova postulante ao cargo de Lula. A maior parte dos especialistas ouvidos pela reportagem avalia que a candidatura da ex-ministra do Meio Ambiente terá força ao menos para mudar a lógica da eleição presidencial de 2010, que até aqui vinha se configurando como plebiscitária, com Dilma Rousseff concorrendo pelo consórcio governista contra a aliança demo-tucana, alinhada em torno do governador paulista José Serra ou de seu colega mineiro Aécio Neves, ambos do PSDB.
“A entrada de Marina poderá mudar o caráter da eleição. Lula queria e trabalhava por uma eleição plebiscitária. A candidatura de Marina pode estimular outras e uma eleição dual poderá se tornar plural”, afirma Bolívar Lamounier. O historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, concorda e aposta que com a presença de Marina na urna eletrônica, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) também deve acabar entrando na disputa presidencial. “É muito saudável para o processo político, ruim seria transformar o primeiro turno em segundo turno”, argumenta Villa.
Se o cenário político para o pleito de 2010 já começou a mudar, a força eleitoral da ex-ministra divide os especialistas. O marqueteiro Chico Santa Rita, escaldado pelas inúmeras campanhas que já comandou, alerta para a questão do tempo da propaganda no rádio e televisão. Ele explica que se a eleição for disputada apenas entre os três candidatos tidos com quase certos até o momento – Serra (ou Aécio), Dilma e a própria Marina –, a chapa encabeçada pelo PV acabará ganhando um espaço bem razoável, pois um terço do tempo total destinado à propaganda eleitoral é dividido igualmente entre todos os candidatos. “Neste caso, o PV poderá sair de 4 ou 5 minutos [por bloco de 30 minutos], o que não é pouco tempo de maneira nenhuma”, acredita Santa Rita. Por outro lado, o marqueteiro prevê maior dificuldade para Marina construir a sua imagem na televisão se Ciro Gomes, o PSOL e o PDT estiverem na disputa. “Se a eleição ficar pulverizada, o tempo será de um minuto e meio a dois minutos e meio, o que é muito pouco”, diz ele.
Se imagem é tudo em uma campanha, Marina tem outro trunfo para trabalhar na propaganda. A candidata verde poderá ser, em uma parcela significativa do eleitorado, mais associada ao presidente Lula do que a ministra Dilma, até pela sua história de vida, em muitos pontos semelhantes à do presidente, a começar pelo sobrenome. Oriunda de família humilde, com 11 irmãos, dos quais oito sobreviveram, Marina de fato tem uma trajetória parecida com a do ex-retirante e ex-metalúrgico que ocupa a presidência da República. Além da pobreza, ela precisou lutar pela própria saúde – depois de sofrer com uma grave hepatite na infância, descobriu, no início dos anos 90, que uma contaminação por metais pesados, provavelmente contraída quando ainda vivia no seringal, havia provocado prejuízos neurológicos e atingido vários órgãos. Foi necessário um longo tratamento e ainda hoje a senadora costuma dizer que está apenas “80% recuperada”, vivendo sob rígida dieta.
Também há, no entanto, quem discorde das comparações com Lula. “É um equívoco. O histórico das lutas do sindicalismo do ABC que forjaram o presidente Lula é muito superior às lutas sociais no Acre. O movimento do ABC colaborou para o fim do regime militar, a dimensão é outra. Não teremos uma dinastia Silva no Brasil. Lula é um fenômeno, Marina não é, não foi e não será um novo Lula. O passado dela de dificuldades deve ser louvado, mas Marina não tem a presença nacional do presidente. Ela tem outra coisa, um certo fascínio internacional em torno de sua figura”, afirma o historiador Marco Antonio Villa.
A maior parte dos especialistas consultados avalia que a entrada de Marina Silva no jogo deve tornar a vida da candidata de Lula, a ministra Dilma Rousseff, mais complicada. Quase todos ressaltam que a ex-seringueira deverá tirar votos também da oposição, mas a opinião de que a candidatura governista é mais prejudicada é quase unânime. Quase. O cientista político Marcus Figueiredo, diretor do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro), discorda completamente do raciocínio dos colegas e afirma que a perda de votos para Dilma vai se dar apenas no estado do Acre, porque lá a tendência natural é a de que Marina consiga uma votação estrondosa. “O discurso conservacionista de Marina tem apelo em uma certa esquerda que há muito tempo já não apóia o governo Lula, que buscou Heloísa Helena na eleição de 2006. Estou falando da zona sul do Rio de Janeiro e da zona oeste da capital de São Paulo. Dilma não vai perder um único voto porque este eleitorado o PT já perdeu”, afirma Figueiredo. Ele complementa o raciocínio lembrando que, no Rio, Serra contava com o apoio de Fernando Gabeira, comandante do PV local. Desta maneira, segundo o diretor do Iuperj, a entrada da ex-ministra na disputa “atrapalha muito mais o tabuleiro tucano do que o tabuleiro petista”.
As chances de Marina Silva capitanear na eleição de 2010 uma “onda verde” e se tornar competitiva para a disputa ainda é vista de maneira reticente pelos especialistas. Lamounier acha improvável uma vitória nas urnas, mas admite que a candidata verde pode passar ao segundo turno se a eleição for muito fragmentada, com quatro ou cinco candidatos, ao menos. “A probabilidade é pequena, mas pode acontecer, sim”, diz ele. Já o professor Marcus Figueiredo assinala que a candidatura em 2010 pode ser o início de um projeto de longo prazo de Marina Silva. “Do ponto de vista do investimento político para eleições futuras, esta candidatura é um ganho para ela”, explica o diretor do Iuperj.
Só o tempo vai mostrar se a nova jornada de Marina Silva será bem sucedida ou não. Faltando pouco mais de um ano para os brasileiros irem às urnas escolher o futuro presidente, porém, a ex-seringueira já conseguiu abrir espaço para um debate diferente no cenário político brasileiro. Conseguindo quebrar a polarização que vem desde 1994 na disputa nacional, terá realizado um feito hoje inimaginável. Tudo somado, Marina Silva está no jogo e a eleição 2010 já começa diferente. O imponderável, na política, é uma variável a ser levada a sério. Está aí o exemplo de Barack Obama, que não deixa mentir.

No espelho com Obama

O que vai abaixo é uma reportagem do autor do blog para o jornal Valor Econômico. Algumas informações que ficaram de fora da matéria, pela limitação de espaço, serão incluídas nos próximos posts.

Política: Possível candidatura sugere comparações entre Marina Silva e Barack Obama, tanto na simbologia da superação como nas expectativas levantadas entre os eleitores.
Por Luiz Antonio Magalhães para o Valor, de São Paulo

Ela foi seringueira e empregada doméstica, era analfabeta até os 15 anos, quando começou a cursar o Mobral (Movimento Brasileiro de Alfabetização). Quis ser freira, conseguiu completar os estudos fazendo supletivo, formou-se em história na Universidade Federal do Acre e lecionou no ensino médio antes de começar a militar no movimento social. Ao lado de Chico Mendes, fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) do Acre e ganhou fama internacional pela atuação em defesa do ambiente.

Agora, aos 51 anos, a senadora acreana Maria Osmarina Silva Vaz de Lima, ou simplesmente Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, criou um dos mais importantes fatos políticos dos últimos tempos ao anunciar que deixaria o Partido dos Trabalhadores (PT), após 30 anos de militância. Ao que tudo indica, deverá candidatar-se à Presidência da República pelo Partido Verde (PV). Realmente, não foi pouca coisa: Marina ganhou destaque na imprensa e passou a ser comparada ao atual presidente - "Lula de saias" virou quase um bordão - e a Barack Obama.

Há espaço para algumas comparações com o presidente americano. "Obama conseguiu mobilizar o voto ausente [nos Estados Unidos, o voto não é obrigatório] e Marina deve mobilizar o voto desesperançado", imagina Lourdes Sola, professora de Ciência Política da USP.

Plínio de Arruda Sampaio, um dos fundadores do PT, hoje filiado ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), também avalia que a ex-ministra tem um apelo parecido com o que Obama teve: "Qual é a novidade na política brasileira?", pergunta. "Marina é o novo. Obama era o novo nos Estados Unidos. Isto é até intuitivo, o eleitor busca o novo, tem sempre um lugar para a novidade, pelo menos em um segmento importante do eleitorado."

Outros aspectos aproximam Marina e Obama no campo simbólico. "Ambos estavam aparentemente fora do jogo", afirma Lourdes Sola. "Marina pode introduzir a transversalidade na política. A candidatura dela atravessa gerações e raças, como a de Obama. A formação de Marina é regional, mas ela já ganhou transversalidade."

Filho de um imigrante queniano negro com uma americana branca, Obama entrou na disputa presidencial americana com a aura da ruptura. Venceu a pré-candidata democrata Hillary Clinton nas primárias e chegou à Casa Branca. Seu triunfo foi considerado por muitos a vitória dos movimentos sociais americanos e traz uma forte carga simbólica de superação, como a história de Marina Silva. Outro ponto de aproximação é a importância conferida às questões ambientais na campanha de Obama e agora em seu governo.

Mas também há quem veja diferenças. O cientista político Bolívar Lamounier diz que o sistema político americano permite, durante as primárias, que os candidatos sejam construídos e ganhem carisma ao longo da disputa interna em um grau muito mais alto do que ocorre no sistema brasileiro.

O cientista político Rafael Cortez, analista da Tendências Consultoria, faz outras restrições a comparações. "O contexto político que permitiu a eleição de Obama era muito diferente. Lá, o governo estava muito desgastado com a crise da economia e os problemas da política externa. O novo teve espaço para crescer. Aqui, Lula tem altíssima popularidade, o Brasil está saindo da crise muito bem." Cortez lembra que nem mesmo a carga negativa de acontecimentos recentes no Congresso atingiu a popularidade de Lula ou derrubou as intenções de voto na ministra Dilma Rousseff.

Mesmo assim, já é possível perceber impactos da possível candidatura de Marina. E foi no PSOL de Plínio de Arruda Sampaio e Heloísa Helena. O partido decidiu adiar para outubro a definição sobre o lançamento de uma chapa própria à Presidência. Hoje vereadora em Maceió, Heloísa fez questão de elogiar a ex-colega de partido e Senado durante o recente congresso nacional do PSOL. Sampaio diz que, se Marina se dispuser a enfrentar na campanha os "dilemas do sistema capitalista que impedem a real preservação do meio ambiente", o PSOL tem obrigação de apoiá-la. "Se ela abrir espaço para esse discurso, acho que deveria ser nossa candidata", argumenta Sampaio, também ele um ex-petista que deixou a agremiação desiludido com os rumos do governo Lula.

Mas não é só o PSOL que se movimenta. Nos bastidores, os prováveis protagonistas da disputa do próximo ano tentam interpretar o significado e o potencial da nova postulante ao cargo de Lula. A candidatura da ex-ministra deve ter força ao menos para mudar a lógica da eleição presidencial, que até aqui vinha se configurando como plebiscitária, com Dilma Rousseff concorrendo pelo consórcio governista contra a aliança DEM-PSDB, alinhada em torno do governador paulista José Serra ou de seu colega mineiro Aécio Neves.

"A entrada de Marina poderá mudar o caráter da eleição. Lula queria e trabalhava por uma eleição plebiscitária. A candidatura de Marina pode estimular outras e uma eleição dual poderá se tornar plural", afirma Lamounier.

O historiador Marco Antonio Villa, professor da Universidade Federal de São Carlos, prevê que, com a presença de Marina na urna, o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) também deve acabar entrando na disputa presidencial. "É saudável para o processo político, ruim seria transformar o primeiro turno em segundo turno."

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Números e mais números

Está no blog do jornalista Ricardo Noblat:

Deu em O Globo
Aécio usa pesquisa para abrir caminho

De Ilimar Franco:

Por iniciativa do governador Aécio Neves (MG), circula entre os dirigentes tucanos pesquisa Vox Populi. Os números são inquietantes.

O governador José Serra (SP) lidera a disputa para presidente, mas já está atrás da ministra Dilma Rousseff na Bahia (32% x 22%) e em Pernambuco (32% x 24%).

Está atrás do de$Ciro Gomes (PSB-CE) no Rio de Janeiro (19% x 16%). Tem vantagem sobre Dilma em Minas Gerais (33% x 18%) e em São Paulo (40% x 17%).

Já Aécio lidera em Minas contra Dilma (68% x 10%) e tem leve desvantagem em São Paulo (18% x 14%). Foram ouvidas duas mil pessoas de 31 de julho a 4 de agosto.

Ainda Suplicy: faltou originalidade

O texto abaixo, do craque Jorge Rodini, colaborador do blog e diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, foi escrito em 13/02/08. Como se vê, Eduardo Suplicy (PT-SP) não foi nem mesmo original.

No país da abundância das riquezas naturais e da ausência de catástrofes da natureza, o Administrador Público insiste em criar facilidades para seus apaniguados.
A utilização do Cartão Corporativo, em tese, é saudável, pois proporciona transparência e agilidade operacional, para despesas pequenas ou extraordinárioas. O problema não é o Cartão, mas quem detém a posse dele.
No Brasil, seu uso indiscriminado gera situações cômicas , ridículas e mostra a falta de respeito com o suado dinheiro do povo.
Ministros tomando chopp no nosso Pinguim, fazendo compras em Free-Shop e aspones comprando em camelódromos mostram a falta de critério de quem decide os portadores do cartão.
Qual a diferença entre a ação da Ministra Matilde e a do Ministro da Pesca. Nenhuma...os dois foram mal-versadores do dinheiro público, portanto deveriam estar ambos "no óleo". E os demais?
Jantar com valor acima do normal é crime. Numa nação em que milhões esmolam por uma Bolsa Família e os demais pagam por isso, o que estes "políticos" estão fazendo é uma afronta.
Cartão Vermelho neles!

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Pausa para rir muito

Este blog tinha prometido não voltar ao Nivaldão, mas é impossível: o artigo do Mídia Sem Máscara reproduzido abaixo é simplesmente impagável e dispensa comentários. Ou melhor, cabe apenas um desafio: quem entender o que é que ele está criticando no editorial do Estadão, de verdade verdadeira, ganha um doce... Cartas para a redação. É ler e segurar a barriga...

Estadão: camaleão comunista

Nivaldo Cordeiro | 24 Agosto 2009

Ao analisar mentirosamente o maiúsculo fato político o Estadão contribui para desarmar o espírito combatente dos prejudicados e dos democratas, que pugnam pela democracia representativa. É uma nota soporífera, que serve perfeitamente aos revolucionários ocupantes do Palácio do Planalto. Digo-lhe, caro leitor: é uma nota irresponsável, que minimiza o impacto psicossocial dessa decisão de Estado. Lembremos que a mudança de índices é feita de maneira administrativa, prescindindo de trâmite legislativo.

Caro leitor, a mim me impressiona o cinismo e a capacidade de camuflagem dos editorialistas do Estadão, que, a pretexto de analisar objetivamente os fatos, escondem o que na realidade política brasileira acontece de relevante. Refiro-me aqui ao editorial da edição de hoje (Golpe eleitoral contra a agricultura), no qual, mais uma vez, uma informação verdadeira é usada mentirosamente para ocultar a realidade que se passa, em prol da causa revolucionária.

A notícia da semana foi a determinação do presidente Lula de mudar subitamente os índices de produtividade para definir o que é e o que não é uma terra produtiva, para efeitos de desapropriação a fim de fazer a Reforma Agrária, essa coisa fora do tempo e de lugar que tem sido alimentada com bilhões de dinheiro público. Pois bem, o Estadão, que é lido pelos fazendeiros e pelas ditas classes conservadoras, tinha que opinar sobre a matéria e o fez aqui neste editorial. Mentirosamente.

A atitude de Lula nada tem a ver com o interesse eleitoreiro, visto que a tropa da reforma agrária votaria nele de qualquer maneira. O MST, toda gente sabe, é um braço do PT. Essa é a primeira grande mentira, que está no título do editorial. A segunda mentira é o que não foi dito, que a medida governamental na verdade sempre esteve na agenda revolucionária, pois tumultuar a economia agrária é uma das frentes de batalha dos que querem fazer a revolução comunista, na linha chinesa e vietnamita.

Essa medida entrou em pauta agora porque está mais do que claro que o PT dificilmente fará o sucessor de Lula, sobretudo agora que a Dona Dilma foi flagrada mentindo novamente, no episódio envolvendo doutora Lina Vieira. E da derrota no caso do Sarney. O lançamento do nome da senadora Marina Silva também embolou o meio de campo eleitoral, sempre em prejuízo das pretensões do PT. Que restou? Acelerar a formatação do sistema jurídico no rumo da revolução socialista.

Essa não é uma medida meramente tática, mas estratégica, e por isso foi deixada para fim de governo. Vejam a malícia: atribuir a decisão à necessidade eleitoral é esconder a obviedade de que o PT é a face legal de um Partido (com P maiúsculo, como sugere Fernando Henrique Cardoso) revolucionário leninista, o mesmo que atua na Venezuela, Bolívia, Paraguai, Colômbia, Honduras e em todo o Hemisfério americano. É o Foro de São Paulo em ação.

Ao analisar mentirosamente o maiúsculo fato político o Estadão contribui para desarmar o espírito combatente dos prejudicados e dos democratas, que pugnam pela democracia representativa. É uma nota soporífera, que serve perfeitamente aos revolucionários ocupantes do Palácio do Planalto. Digo-lhe, caro leitor: é uma nota irresponsável, que minimiza o impacto psicossocial dessa decisão de Estado. Lembremos que a mudança de índices é feita de maneira administrativa, prescindindo de trâmite legislativo. Em resumo, Lula fará o que quiser e deixará a herança maldita para o sucessor. A força guerrilheira do MST poderá ser mobilizada imediatamente após (ou até antes) a decisão nas urnas. Haverá incêndio nos campos do Brasil.

Everardo: caso Dilma-Lina é farsa

Está no excelente blog Terra Magazine uma entrevista com Everardo Maciel, o ex-secretário da Receita Federal da gestão Fernando Henrique Cardoso. Sim, o homem é ligado a FHC, também é primo de Marco Maciel. Mas pensa com a própria cabeça. Ele diz, como o leitor lerá abaixo, que os casos contra a Petrobras e Dilma são "farsa e factóide". Sobre as acusações de Lina, Everardo tem um raciocínio perfeito: se foi algo banal, não devia estar nas manchetes; se foi grave, deveria ter ido para as manchetes em dezembro, não agora, oito meses depois. Como diria Sherlock Holmes: elementar!
Abaixo, na íntegra, para os leitores do Entrelinhas, a entrevista de Everardo.

Everardo: Casos Petrobras e Dilma/Lina "são farsa"

Bob Fernandes

O pernambucano Everardo Maciel mora há 34 anos em Brasília. Foi secretário executivo em 4 ministérios: Fazenda, Educação, Interior e Casa Civil, e foi Secretário da Fazenda no Distrito Federal. Everardo é hoje consultor do FMI, da ONU, integra 10 conselhos superiores, entre eles os da FIESP, Federação do Comércio e Associação Comercial de São Paulo e é do Conselho Consultivo do Conselho Nacional de Justiça.

Mas, nestes tempos futebolísticos, às vésperas de 2010, com tudo o que está no ar e nas manchetes e, em especial, diante do que afirma Everardo Maciel na entrevista que se segue, é importantíssimo ressaltar que ele foi, por longos 8 anos, "O" Secretário da Receita Federal dos governos Fernando Henrique Cardoso.

Dito isso, vamos ao que, sem meias palavras, afirma Everardo Maciel sobre os rumorosíssimos casos da dita "manobra contábil" da Petrobras - que desaguou numa CPI -, da suposta conversa entre a Ministra Dilma Rousseff e a ex-Secretaria da Receita Lina Vieira e da alardeada "pressão de grandes contribuintes", fator que explicaria a queda na arrecadação:

- Não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Sobre a suposta manobra contábil que ganhou asas e virou fato quase inquestionável, diz o ex-Secretário da Receita Federal de FHC:

-É farsa, factóide... a Petrobras tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares.

E o caso Dilma/Lina?

- Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal. Se era banal deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era grave deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

E a queda na arrecadação por conta de alardeada pressão de grandes contribuintes?

-Farsa, factóide para tentar explicar, indevidamente, a queda na arrecadação.

Sobre essa mesma queda e alardeadas pressões, Everardo Maciel provoca com uma bateria de perguntas; que ainda não foram respondidas porque, convenientemente, ainda não foram feitas:

- Quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? A Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras?

Com a palavra Everardo Maciel, Secretário da Receita Federal nos 8 anos de governo Fernando Henrique Cardoso:

Terra Magazine - Algo perplexo soube que o senhor, Secretário da Receita Federal por 8 anos nos governos de Fernando Henrique Cardoso, não tem a opinião que se imaginaria, e que está nas manchetes, editoriais e colunas de opinão, sobre o caso das ditas manobras contábeis da Petrobras, agora uma CPI?
Everardo Maciel - Independentemente de ter trabalhado em qualquer governo, meu compromisso é dizer a verdade que eu conheço. Então, a verdade é que a discussão sobre essa suposta manobra contábil da Petrobras é rigorosamente uma farsa.

Uma farsa, um factóide?
É exatamente isso. Farsa, factóide. E por quê? Porque não se pode falar de manobra contábil, porque a contabilidade só tem um regime, que é o de competência.

Traduzindo em miúdos, aqui para leigos como eu....
Eu faço um registro competência... quer dizer o seguinte: os fatos são registrados em função da data que ocorreram e não da data em que foram liquidados. Por exemplo: eu hoje recebo uma receita. Se estou no regime de competência, a receita é apurada hoje. Entretanto, se o pagamento desta receita é feito no próximo mês, eu diria que a competência é agosto e o caixa é setembro. Isso é competência e caixa, esta é a diferença entre competência e caixa, de uma forma bem simples.

Cabe uma pergunta, de maneira bem simples: então, Secretário, há um bando de gente incompetente discutindo a competência?
Eu não chegaria a fazer essa observação assim porque não consigo identificar quem fez essas declarações, mas certamente quem as fez foi, para dizer o mínimo, pouco feliz.

Por que o senhor se refere, usa as expressões, "farsa" e "factóide"?
Vejamos: farsa ou factóide, como queiram, primeiro para explicar indevidamente a queda havida na arrecadação. Agora, a Petrobras, no meu entender, tem ABSOLUTO DIREITO (NR: Destaque a pedido do entrevistado) de escolher o regime de caixa ou de competência para variações cambiais, por sua própria natureza imprevisível, em qualquer época do ano. É bom lembrar que a opção pelo regime de caixa ou de competência não repercute sobre o valor do imposto a pagar, mas, sim, a data do pagamento. Essas coisas todas são demasiado elementares. Para especialistas.

Então por que todo esse banzé no Oeste?
Não estou fazendo juízo de valor sobre a competência de ninguém, mas, neste caso, para o governo, me desculpem o trocadilho, o que contava era o caixa. E o caixa caiu. Para tentar explicar por que a arrecadação estava caindo, num primeiro momento se utilizou o factóide Petrobras. No segundo, se buscou explicações imprecisas sobre eventuais pressões de grandes contribuintes, às vezes qualificados em declarações em off como financiadores de campanha. Entretanto, não se identificou quem são esses grandes "financiadores de campanha" ou "contribuintes". Desse modo, a interpretação caiu no campo da injúria.

O senhor tem quantos anos de Brasília?
Não consecutivamente, 34 anos. Descontado o período que passei fora, 30 anos.

Diante desse tempo, o senhor teria alguma espécie de dúvida de que o pano de fundo disso aí é a eleição 2010?
Eu acho que nesse caso, em particular e em primeiro lugar, o pano de fundo era a sobrevivência política de uma facção sindical dentro da Receita.

Seria o pessoal que o atormentou durante oito anos?
Não todo tempo. E de qualquer sorte, de forma inócua.

Sim, mas me refiro para o que reverbera para além da secretaria,do que chega às manchetes... os casos da Petrobras, um atrás do outro.
Todos esses casos são, serão esclarecidos, e acabam, acabarão sendo esquecidos, perderão qualquer serventia para 2010. São factóides de vida curta. Depois disso chegamos à terceira fase do factóide.

Mais ainda? Qual é?
Aí vem a história do virtual diálogo que teria ocorrido entre a ministra-chefe da casa civil, Dilma Rousseff, e a secretária da receita, Lina Vieira. Não tem como se assegurar se houve ou deixou de haver o diálogo, mormente que teria sido entre duas pessoas, sem testemunhas. Agora tomemos como verdadeiro que tenha ocorrido o diálogo. Se ocorreu o diálogo, ele tem duas qualificações: ou era algo muito grave ou algo banal.

Sim, e aí?
Se era algo banal, deveria ser esquecido e não estar nas manchetes. Se era algo grave, deveria ter sido denunciado e chegado às manchetes em dezembro, quando supostamente ocorreu o diálogo. Ninguém pode fazer juízo de conveniência ou oportunidade sobre matéria que pode ser qualificada como infração. Caso contrário, vai parecer oportunismo.

À parte suas funções conhecidas, de especialista, por que coisas tão óbvias como essa que o senhor tá dizendo não são ditas? Já há dois meses essa conversa no ar sem que se toque nos pontos certos, óbvios...
Eu não sei porque as pessoas não fazem as perguntas adequadas...

Talvez porque elas sejam incômodas para o jogo, para esse amontoado de simulacros que o senhor aponta? Quais seriam as perguntas reveladoras?
Por exemplo: quais são os nomes dos grandes contribuintes, quando e de que forma pressionaram a Receita? Quando foi inciada a fiscalização dos fatos relacionados com o senhor Fernando Sarney? Quantos foram os contribuintes de grande porte no Brasil que foram fiscalizados no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período de anos anteriores e qual foi o volume de lançamentos? Ainda uma outra pergunta: a Receita, em algum momento, expediu uma solução de consulta que tratasse dos casos de variações cambiais como os alegados em relação à Petrobras? Respostas a isso permitiriam lançar luz sobre os assuntos.

Última pergunta, valendo-me de um jargão jornalístico: trata-se então de um amontoado de cascatas?
Não tenho o brilhantismo do jornalista para construir uma frase tão fortemente elegante e esclarecedora, mas, modestamente, prefiro dizer: farsa e factóide. Ao menos, no mínimo, algumas das coisas que tenho visto, lido e ouvido, não passam de factóides. Não passam de uma farsa.

Um homem, um marketing

Eduardo Suplicy deu cartão vermelho para José Sarney. Ganhou as primeiras páginas dos jornais. Não há editor que despreze a foto do senador petista com um enorme cartão vermelho na mão, cara de bravo, clamando pela justiça, ética e correção política.

O problema todo é que tamanha ira cívica veio um pouco tarde e o passado do senador Suplicy não ajuda muito no convencimento da sinceridade de seus atos. Sim, porque Eduardo Suplicy é um gênio... do marketing. Consegue criar fatos, é mestre em demonstrações inusitadas de seu próprio talento pessoal. Mas dificilmente agrega para a compreensão do processo político propriamente dito.

Cartão vermelho, caminhãonzinho de tomates, coelho e tartaruga, pijama em acampamento sem-terra (ou presídio), para não falar dos raps ou das músicas em inglês que volta e meia entoa no plenário do Senado. São muitos os recuros do homem-show. O que tudo isto realmente significa em termos políticos são outros quinhentos. No máximo, dá para entender de quem os filhos artistas do senador herdaram o talento...

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Voltando ao normal

O blog tem andado devagar em função da apuração de uma longa matéria para o jornal Valor Econômico, sobre Marina Silva. Ainda estamos nisto, mas hoje mesmo o Entrelinhas volta ao pique de sempre.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Iglecias: Virado à paulista

Abaixo, mais uma colaboração do professor Wagner Iglecias para o Entrelinhas, desta vez sobre o cenário pré-eleitoral em São Paulo. Em linha com a análise deste blog, por sinal.

O anúncio da candidatura da ex-vereadora paulistana Soninha Francine ao governo do estado de São Paulo, pelo PPS, se confirmada, parece ser mais uma iniciativa no sentido de barrar as pretensões do ex-governador Geraldo Alckmin em voltar a ocupar o Palácio dos Bandeirantes.

O PPS, como se sabe, é um partido com origem no histórico PCB, ainda que hoje em dia não guarde praticamente semelhança alguma com as bandeiras que animaram comunistas de várias
gerações no Brasil. A agremiação atualmente segue sob controle do ex-deputado Roberto Freire e é uma das pequenas legendas que gravitam na órbita do PSDB. Segue, a nível federal, lado a lado com o DEM e os próprios tucanos na oposição tenaz ao presidente Lula e a seu governo.

Soninha candidata poderia constituir-se, caso se confirmem as muitas especulações à disposição na praça, numa segunda candidatura de apoio ao projeto do governador José Serra de suceder Lula e, ao mesmo tempo, manter alguém de sua confiança comandando o estado de São Paulo. Diz-se muito, nestes dias, que Gilberto Kassab, do DEM, poderia atender a pedidos de correligionários e aliados e lançar-se a governador também, numa composição que poderia ter algum tucano como seu vice e, obviamente, Orestes Quércia candidato único a senador, dado que a vaga ao Senado a Quércia estaria acordada desde que o PMDB despejou seus preciosos minutos de televisão na campanha kassabista à prefeitura paulistana, em 2008.

Se o tabuleiro se constituir desta forma, resta saber como reagirá a base tucana, com seu candidato quase natural, Alckmin, liderando todas as atuais pesquisas de intenção de voto. E também como ficariam não apenas a ventilada candidatura de Ciro Gomes, pelo PSB, como,
principalmente, a definição no principal pólo opositor ao tucanato, que é o PT. Muitos nomes, poucas certezas, aliás, os problemas do PT paulista são. Marta Suplicy, Fernando Haddad, ou, quem sabe, algum prefeito ou ex-prefeito de grande cidade, como Elói Pietá, de Guarulhos, e Emídio Souza, de Osasco, poderiam ser apresentados ao eleitorado. Num cenário assim, de tantas possibilidades, nomes conhecidos ou nem tanto, na cabeça do eleitor, poderão constar da urna
eletrônica no ano que vem. Paulo Maluf (PR), figurinha carimbada em eleições majoritárias em São Paulo, ou o Dr. Hélio (PDT), prefeito de Campinas, poderiam ser exemplos neste sentido.

O fato é que, no frigir dos ovos, estará em jogo a hegemonia do PSDB à frente do mais importante estado da federação. São já 15 anos de poder, desde que Mário Covas foi eleito governador, em 1994. Se se levar em conta que hoje Quércia está fechado com o tucanato, e que ele foi vice-governador de Franco Montoro, um dos líderes mais importantes da história do PSDB, entre 1983 e 1986, a conta vai ainda mais longe. O desafio do PT ou de qualquer outra força política de desalojar os tucanos do Palácio dos Bandeirantes nas urnas de 2010 é gigantesco. Mas pode ser facilitado pela imponderabilidade que uma nova disputa entre os cardeais do tucanato podem vir a protagonizar em breve.

Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

domingo, 23 de agosto de 2009

Será que o Alckmin entendeu?

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), começa a botar seu time em campo. Soninha Francine, amiga pessoal do tucano, será candidata ao governo paulista pelo PPS, conforme se pode ler abaixo, em reportagem da Agência Estado. Dificilmente o partido de Roberto Freire lançaria Soninha nesta aventura sem o aval de Serra. Aliás, ela mesma tem intimidade suficiente para consultar o governador a respeito de tão importante passo em sua carreira política.

O fato é que muita gente hoje já dá como favas contadas a candidatura de Geraldo Alckmin ao Bandeirantes, coisa que pode perfeitamente não acontecer. Nos bastidores do tucanato circula a versão de que o candidato preferido de Serra é o prefeito paulistano Gilberto Kassab (DEM), com um vice tucano - Aloysio Nunes Ferreira seria o nome a ser indicado pelo PSDB. Esta chapa só não está nas páginas dos jornais porque Alckmin é a pedra no sapato de Serra, uma pedrinha bem difícil de se lidar, por sinal. Sim, pois não adianta oferecer ao ex-governador uma vaga ao Senado porque a negociação com Orestes Quércia (PMDB) passou pela exclusividade desta mesma cadeira para ele, Quércia. O que fazer então com o pobre Geraldinho? Convencê-lo a disputar uma vaga na Câmara Federal? Complicado. Enquanto a decisão não vem, Serra vai lançando sinais ao seu secretário Alckmin, que obviamente se fará de desentendido. No íntimo, porém, Geraldo deve ter captado a mensagem da candidatura Soninha. Resta saber como ele vai agir daqui para frente...

Soninha lança pré-candidatura ao governo de SP pelo PPS

Desde janeiro deste ano, ela comanda a Subprefeitura da Lapa e confessa que vai sentir falta do cargo

Anne Warth - Agência Estado

SÃO PAULO - O PPS confirmou hoje o lançamento da pré-candidatura de Soninha Francine, ex-vereadora e atual subprefeita da Lapa, ao governo do Estado de São Paulo. Em entrevista à Agência Estado, Soninha afirmou que não pretendia concorrer a mais uma eleição - nos últimos cinco anos, disputou três - mas que aceitou o convite do partido, que considerou uma "loucura", por desinteresse em disputar eleições parlamentares novamente. Soninha disse também que deixará a subprefeitura da Lapa somente em abril, e que se perder a eleição, gostaria de voltar para o cargo.
"Eu não pretendia disputar eleição nenhuma em 2010. Nos últimos cinco anos, disputei três, e isso gera um cansaço físico, emocional, é um superdesgaste", afirmou. "Adorei a experiência, mas não tenho mais interesse em ser parlamentar outra vez. Não quero mais. Depois da ousadia do ano passado, o partido me perguntou: e se disputássemos as eleições para o governo? Eu nem pensava nisso, mas respondi que poderia ser, porque é verdade que quero trabalhar no Poder Executivo daqui em diante. É uma loucura, mas vamos tentar", explicou.
Às vésperas de completar 42 anos, no dia 25 de agosto, Soninha é jornalista, separada e mãe de três filhas. Em 2004, ela foi eleita vereadora por São Paulo. Em 2006, tentou ser deputada federal, mas não teve votos suficientes. Em 2007, deixou o Partido dos Trabalhadores (PT) e se filiou ao Partido Popular Socialista (PPS). Na época, ela disse estar desiludida com o PT, e passou da base para um partido de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em 2008, disputou as eleições para a Prefeitura de São Paulo, obtendo 266.978 votos, 4,19% dos votos válidos, e foi a quinta candidata mais votada.
Desde janeiro deste ano, ela comanda a Subprefeitura da Lapa e confessa que vai sentir falta do cargo. "Eu não queria sair da subprefeitura, o primeiro ano de administração é superdifícil, tudo já está encaminhado e existe uma dificuldade de começar uma coisa nova. Esse ano foi infernal sob ponto de vista de recursos orçamentários, sempre cortando e congelando gastos. Agora que começa a ficar bom, com o planejamento do orçamento de 2010, não vou poder ficar porque a Lei Eleitoral não permite", lamentou.
Soninha afirmou também que os partidos manterão unidade para a eleição presidencial de 2010. "Continuamos no campo da oposição e fazendo parte da melhor aliança de oposição, com o PSDB, e muito provavelmente do atual governador José Serra. A inclinação é essa."
Ela disse que o lançamento de sua pré-candidatura não atrapalha a aliança que o PPS tem com o PSDB e o DEM, que também devem ter candidatos próprios para o governo de São Paulo. "Desde que disputei a prefeitura, essa autonomia de voo do PPS já estava estabelecida. A gente tinha representantes do PPS na administração municipal e o fato de anunciar candidatura própria não interferiu. O mais importante é saber separar trabalho na administração pública da campanha eleitoral", destacou. "Não é uma novidade nem para o prefeito Gilberto Kassab nem para o governador José Serra ter de lidar com isso. O PPS tomou pra si o direito de disputar eleições e de apresentar suas propostas."
Soninha pretende deixar a subprefeitura da Lapa apenas em abril. O lançamento oficial de sua candidatura deve ocorrer durante as convenções do partido, em junho 2010. Apesar de otimista, ela traça um plano realista para 2010. "No cargo em que estou não tenho nenhuma garantia de estabilidade. Nem posso garantir que o prefeito me mantenha no cargo até abril. Mas se ele não tiver outra ideia sairei o mais tarde possível. Se não me eleger, gostaria de voltar, não queria passar tao pouco tempo sendo subprefeita", afirmou.
Sobre como administrar uma campanha de porte estadual, Soninha é realista. "Vamos aproveitar os grandes centros e regiões metropolitanas do Estado como base. Não adianta ter a pretensão de visitar centenas de municípios, mas tenho que estar disponível em diversas regiões e aproveitar muito cidades universitárias. Provavelmente essas pessoas já tem interesse de saber o que pretendo se eleita governadora", disse.
O estilo mais informal adotado na disputa municipal no ano passado deve ser mantido. "Temos algumas prefeituras no interior, em cidades importantes, como Campos do Jordão. Temos o vice-prefeito em São Sebastião e o prefeito em Ilhabela, além de sermos parte de alianças vencedoras. Mas nossos palanques não dependem muito de prefeituras ou de prefeitos locais nos receberem. Gosto mais de debate com 50 pessoas do que discurso para 500. Se as pessoas vão a um comício já estão decididas. Prefiro conquistar os votos", opinou.
O lançamento da pré-candidatura de Soninha ocorreu na capital paulista, em solenidade com a presença do presidente nacional do partido, Roberto Freire, deputados e vereadores da legenda. "Com Soninha, o PPS não está colocando uma candidatura meramente para marcar a sigla, mas com um propósito e um objetivo de melhorar cada vez mais a política por meio das ideologias do partido", disse Freire.

Um domingo diferente

Burrinho Rabichelo venceu uma corrida de Fórmula 1. Não, hoje não é primeiro de abril, ele ganhou mesmo. Um feito tão extraordinário merece registro. Coisas extraordinárias devem acontecer neste domingo. Ou não: dizem que um raio não cai no mesmo lugar duas vezes, então vai ver que o fato do dia foi mesmo este incrível acontecimento...

sábado, 22 de agosto de 2009

O papelão do Montenegro do Ibope

Os blogs de direita estão exultantes com a entrevista à revista Veja de Carlos Augusto Montenegro, presidente do Ibope e ex-dirigente do Botafogo. O cartola que comanda o maior instituto de pesquisas do país disse que Lula não fará o sucessor e aposta em uma vitória tranquila de José Serra (PSDB) em 2010. Bem, falta mais de um ano para a eleição e cada um fala o que quer. Montenegro aposta em Serra desde o dia em que Lula iniciou o seu segundo mandato. É um rapaz coerente. Se ele entender de política o mesmo tanto que entende de futebol, estão aí os botafoguenses que não deixam mentir, Dilma Rousseff já pode se considerar a próxima presidente do Brasil...

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Não dá para não rir: ele entende do riscado

Será que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso estava pensando no seu próprio governo quando elaborou a palestra retratada na matéria abaixo?

FHC diz que o mundo sem drogas é impossível de não existir


DIANA BRITO
Colaboração para a Folha Online, no Rio

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disse nesta sexta-feira que "o mundo sem drogas é igual ao mundo sem sexo: impossível de não existir". Durante a abertura da 1ª reunião da Comissão Brasileira sobre Drogas e Democracia, FHC afirmou que o país deve fazer o que foi feito em relação à Aids: privilegiar a segurança, a saúde, a redução de danos, e não à repressão.

Mercadante ficou

O líder do PT no Senado voltou atrás e continuará líder. Disse que não poderia dizer não a um pedido do presidente Lula. Homens assim fazem deste um país melhor...

Uma semana dura para
o PT e o futuro do lulismo

Dizem que na política agosto é mais do que mês do desgosto. É o período em que mudanças críticas acontecem. Juscelino Kubitschek morreu em um acidente de carro até hoje misterioso - tem gente que jura que foi assassinato - no dia 22. Getúlio Vargas se matou no dia 24. Jânio Quadros renunciou dia 25. Fernando Collor viu seu processo de impeachment ser aberto no dia 28. Costa e Silva deixou a presidência no último dia do mês.

Neste ano de 2009, muita coisa está acontecendo em agosto. Já tem gente decretando a morte do PT, por exemplo, após a votação no Conselho de Ética do Senado do arquivamento dos processos contra José Sarney (PMDB-AP). O episódio de fato balançou o partido do presidente Lula - em consequência dele, o senador Flávio Arns deve deixar a legenda e Aloizio Mercadante, se mantiver a palavra, sai da liderança da bancada no Senado – neste caso particular, talvez seja uma boa notícia para o PT, tamanha a inabilidade política do líder. Tudo somado, não foi pouca coisa. Porém, não é a morte do PT.

A saída de Marina Silva do partido também representa um golpe duro no petismo, mas já era esperada. Sua candidatura à presidência deverá provocar um certo rebuliço, mas é preciso ir com calma para perceber a real força eleitoral de Marina.

A questão que sobra é simples: afinal, o Partido dos Trabalhadores vai se tornar um "PL", "Partido do Lula" ou conseguirá se manter orgânico à margem do grande líder, que hoje já é um personagem bem maior e politicamente mais amplo, digamos assim, do que o PT? É muito difícil responder a esta questão hoje, será preciso esperar um pouco para entender como é que o próprio Lula está imaginando a sucessão de seu patrimônio político. Dilma Rousseff não será a herdeira, mesmo que vença as eleições, porque Lula é novo e certamente tentará voltar em 2014.

A questão é mais complicada, trata-se de um invejável capital político que só ele, Luiz Inácio Lula da Silva, possui e é capaz de delegar a outrém quando decidir se afastar da política ou estiver em idade para tal. O varguismo e o janismo, por exemplo, permaneceram vivos por muito tempo após a morte dos líderes - mais no primeiro caso, menos no segundo. Nenhum dos dois jamais foi tão popular como Lula. O que vai acontecer com o lulismo a partir do dia em que o presidente deixar o Palácio do Planalto é uma história a ser conferida e diz muito do futuro do Brasil. Até porque, qualquer que seja o presidente da República a partir de 1° de janeiro de 2011, Lula será a grande referência da política brasileira e com ele inevitavelmente seu sucessor será comparado.

Vale a pena lembrar, para encerrar esta reflexão, a excelente percepção do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) sobre o cenário futuro. Disse Ciro: "[Lula] defende o Sarney e aguenta. Defende o Renan e aguenta. Confraterniza com Collor e aguenta. Quero saber se eu aguento, se o Serra aguenta, se a Dilma aguenta. Ninguém mais aguenta."

Será realmente uma tarefa complicada assumir a presidência da República após Lula.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Conforme antecipamos

Aloizio Mercadante já avisou que deixa a liderança do PT no Senado. Fará um discurso nesta tarde para explicar a decisão. O leitor destas Entrelinhas soube da notícia ontem.

Em tempo: Mercadante voltou atrás e agora diz que só renunciará após conversar com o presidente Lula. Com isto o leitor pode perceber mais um traço da personalidade do senador: a firmeza de convicções.

Será o Benedito? (2)

Abaixo, fotos de Alexandre Firmino, marido de Lina Vieira, diretor da agência Dois.A, de Natal, e de Alexandre Firmino de Melo Filho, que assumiu interinamente o ministério da Integração Regional no governo Fernando Henrique Cardoso. São parecidos? Mesma pessoa? O leitor decide...

Alexandre Firmino, diretor da Dois.a (esq. nas duas fotos)




Alexandre Firmino de Melo Filho, ex-ministro de FHC

Cadê a gripe suína que estava aqui?

Hoje, 20 de agosto de 2009, completa-se um mês da publicação da estrondosa chamada "Gripe suína deve atingir 35 milhões no país em 2 meses", que pode ser conferida abaixo, na capa Folha de S. Paulo de 19/07.



Bem, falta apenas um mês para que o vaticínio da Folha se realize. Segundo um leitor deste blog, até agora o Ministério da Saúde confirma 3.087 pacientes infectados (dados de 18/08), o que representa 0,00882% da "meta" de 35 milhões. O leitor pondera que há realmente subnotificação e propõe uma conta mais favorável à Folha. Considerando que todos os 3.087 infectados sejam casos graves e que se enquadrariam entre os que acabam morrendo da doença, é possível calcular, baseado na taxa de letalidade, o total possível de infectados (basta fazer a conta inversa, considerando assim que os 3.087 representariam os 0,19% da taxa de letalidade no país). Neste caso, seriam 1,625 milhão de brasileiros infectados, ou 4,64% da "meta" de 35 milhões a ser "alcançada" em 19 de setembro, segundo o bravo diário da Barão de Limeira. Ou seja, a gripe suína precisa pegar de jeito 33 milhões de brasileiros em um mês para a Folha estar correta. O vírus vai ter que trabalhar forte em setembro para dar conta do recado...

Este blog espera que o Ombudsman da Folha volte ao assunto no dia 19 de setembro. Sim, Carlos Eduardo Lins da Silva já repreendeu a redação pela barbeiragem. Mas precisa agora registrar que a barriga foi realmente vexaminosa.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Será o Benedito?

Pode ser um caso de homônimos, mas este blog duvida bastante. Em nota anterior, sobre o marido de Lina Vieira, a ex-secretária da Receita Federal que está desafiando Dilma Rousseff a "provar a verdade" sobre suposto encontro no Palácio do Planalto, constava a informação de que ele é sócio da agência Dois.A, responsável por campanhas de marketing político do senador democrata José Agripino Maia (RN).

Pois bem, não é que um amigo do blog descobriu que Alexandre Firmino de Melo Filho, cidadão brasileiro nascido em Natal, em 1956, foi ministro interino da Integração Regional entre 20 de agosto de 1999 e 17 de julho de 2000? Basta conferir a lista de ministros, aqui. Bem, este tal Alexandre Firmino de Melo Filho é o mesmo Alexandre Firmino que casou-se com a bela Lina? Este blog não tem certeza, mas foi pesquisar um pouco e descobriu que o Firmino de Melo Filho faz parte da diretoria da Abigraf (Associação Brasileira da Indústria Gráfica) do Rio Grande do Norte. Também é Vice-Presidente de Marketing e Relacionamento da Câmara Brasil Portugal do Rio Grande do Norte. Alô, Lina, conta aí o nome completo do seu marido!

Informação relevante

Está no blog do jornalista Reinaldo Azevedo:

IMPRENSA – Mudança no iG
Este blog apurou que o jornalista Eduardo Oinegue vai dirigir o portal iG, de Carlos Jereissati.


Oinegue, no seu tempo de Veja, era da tropa de choque antilulista. O iG abriga, entre outros blogs, os de Luis Nassif e Ricardo Kotscho. Não é preciso ser um gênio para concluir: ou mudou Oinegue ou mudou o iG. A informação destas Entrelinhas é que la plata muda muita coisa neste mundão de Deus.

Mercadante subiu no telhado

Um amigo do blog avisa que Aloizio Mercadante vai mesmo deixar a liderança do PT no Senado Federal. Pode não ser nesta quarta-feira, mas o líder não deve resistir no cargo. O que não deixa de ser uma ótima notícia para o PT.

Marina Silva dá adeus ao PT

Marina Silva já está fora do Partido dos Trabalhadores, no qual militou por 30 anos. Vai para o PV e embora não tenha ainda anunciado a candidatura, disputará a presidência da República no próximo ano. Do contrário, não faria o menor sentido a saída do PT. Gilberto Gil quer ser o vice. É uma chapa de respeito, dispensa publicitários: o jingle está pronto, na voz de Gil, é só adaptar: "Marina morena, você faça tudo, mas faça o favor..."

Dica de leitor

O marido de Lina Vieira chama-se Alexandre Firmino. É sócio da agência de publicidade Dois.A, de Natal. Tudo isto é fato. Também é fato que a Dois.A realizou campanhas para o senador José Agripino Maia (DEM-RN). Dois e dois são quatro, mas em alguns casos podem também ser cinco.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Valdo Cruz: Lina frustrou a oposição

Abaixo, mais uma boa análise sobre o depoimento de Lina Viera. É de Valdo Cruz, repórter especial da Folha de S. Paulo. Na íntegra, para os leitores do Entrelinhas.

Frustrou

Lina Maria Vieira reafirmou o encontro com Dilma Rousseff. Deu novos detalhes. Insistiu que a ministra pediu para agilizar as investigações nos negócios da família Sarney. Seu depoimento, contudo, não chegou a ser comemorado pela oposição. Tucanos e democratas esperavam mais. Esperavam que ela revelasse ter sofrido pressão direta da ministra da Casa Civil para engavetar a investigação sobre o filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Não aconteceu.

Após o depoimento da ex-secretária da Receita Federal, tucanos e democratas tinham avaliação muito parecida: Lina Maria Vieira demonstrou muita segurança quando reafirmava a existência do encontro reservado com Dilma no Palácio do Planalto; colou na ministra a imagem de mentirosa; a mesma segurança, contudo, não se repetia quando era indagada se Dilma lhe pressionou e fez algum pedido irregular para beneficiar a família Sarney.

Os senadores da oposição ficaram com a impressão de que ela tinha muito mais a dizer, mas estava intimidada, pressionada por ameaças de que poderia ser alvo de um processo por prevaricação --quando um servidor público toma conhecimento de uma irregularidade e se omite.

Ao final do depoimento de Lina Vieira, apesar da pecha de mentirosa atribuída à ministra da Casa Civil, de que ela fez uma interferência indevida na Receita Federal, a tropa de choque governista se mostrava aliviada com o resultado da fala da ex-secretária. Temiam que ela pudesse comprometer ainda mais Dilma Rousseff. Sabiam que Lina não iria recuar em sua versão sobre o encontro e que poderia dizer que, sim, a ministra pediu para engavetar tudo, dar como encerradas as investigações da família Sarney. Nesse ponto, os governistas avaliam que Lina ajudou a ministra.

Durante seu depoimento, a ex-secretária disse que não se sentiu pressionada por Dilma, que ela usou um tom ameno na conversa, que não se sentiu cobrada pela ministra da Casa Civil. Por outro lado, não deixou de dar algumas indiretas. Classificou de pedido descabido o que lhe foi feito por Dilma, uma ingerência. Ou seja, parece ter sinalizado que pode dizer algo mais, caso não lhe deixem em paz.

Sobre o depoimento de Lina

A análise mais clara que o autor deste blog leu até agora sobre o depoimento de Lina Vieira (por compromissos profissionais, não foi possível assistir e postar em tempo real) é do jornalista Marco Bahé, do blog Acerto de Contas, reproduzido abaixo. De fato, Lina não disse a data do encontro e nem se lembra como eram os móveis da sala em que a reunião teria ocorrido. Pelo menos a cor do vestido de Dilma ela poderia arriscar: vermelho é sempre um bom palpite...
Depoimento frágil
Lina Vieira é massacrada no Senado

Acompanhei, pela TV Senado, o depoimento da ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Confesso que foi divertido. Mas teve seus altos e baixos. No final, a montanha pariu um rato. Lina Vieira deu um depoimento frágil, sem apresentar quaisquer provas materiais ou mesmo indicação de como obter provas do que fala. E como o ônus cabe a quem acusa…

Lina foi massacrada pela tropa de choque do governo, enquanto a outra tropa de choque (a da oposição) tentou arrancar dela o que ela não tinha. Lina não quis acusar Dilma Roussef de ter agido de má fé. Limitou-se a sustentar a versão de que foi convidada a uma reunião reservada na Casa Civil, na qual a ministra teria lhe pedido para “agilizar” as investigações contra “o filho de Sarney”.

Lina sustentou a existência da reunião, mas capitulou nos termos. Foi muito mais incisiva na entrevista que no depoimento. No final, começou a dizer que não queria emitir juízo de valor. Mas havia emitido na entrevista à Folha e precisaria ter mantido para sair do Senado de cabeça erguida.

A minha interpretação é que Lina Vieira foi ingênua. Ainda acredito na sua palavra, pois não consigo enxergar razão para que ela tenha mentido sobre isso. Mas foi ingênua ao imaginar que não seria tratorada como foi. Precisaria ter algum trunfo na manga para entrar numa briga de cachorro grande como essa.

E não há espaço para ingenuidade em Brasília.
Autor: Marco Bahé - 18/08/2009 às 14:13

Emprego em alta pelo 6° mês seguido:
deve ser mais um mérito de FHC...

A matéria abaixo, da Folha Online, de certa forma confirma a análise de Julio Gomes de Almeida, reproduzida no post anterior. O Brasil está se saindo muito bem na crise econômica mundial, a pior desde 1929, segundo os jornalões brasileiros. Sob FHC, com crises menores, o país, como diria o presidente Lula, sifu. Mas os tucanos também devem achar que a recuperação do emprego é mérito do príncipe da sociologia...

Emprego formal cresce pelo 6º mês e registra melhor resultado do ano

EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília

A economia brasileira registrou a criação de 138.402 vagas com carteira assinada em julho, o sexto mês seguido de resultados positivos no emprego formal, de acordo com dados divulgados hoje pelo Ministério do Trabalho. O resultado é o melhor do ano.
O número de julho representa a diferença entre 1,398 milhão de contratações e 1,259 milhão de demissões no período.
Devido aos efeitos da crise econômica no Brasil, entre novembro e janeiro, haviam sido fechadas quase 800 mil vagas com carteira assinada. Houve recuperação a partir de fevereiro, quando foram criados 9.179 empregos. Em março, foram abertos 34.818 postos; em abril, 106.205.
O melhor resultado até agora, em 2009, era o de maio (131.557 vagas), seguido por junho (119.495).
Mesmo com essa recuperação, o resultado acumulado no ano ficou prejudicado na comparação com 2008. Entre janeiro e julho, foram abertas 437.908 novas vagas. No mesmo período do ano passado, foram criadas 1,5 milhão de vagas.
Houve queda também em relação ao registrado em julho do ano passado, quando houve mais de 200 mil contratações. Pela primeira vez, no entanto, o resultado mensal ficou acima do verificado em 2007 --em julho daquele ano, foram abertas 127 mil vagas.
Os números fazem parte do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), estatística oficial sobre o emprego formal no país.
Setores
Na comparação entre junho e julho, houve expansão do emprego em todos os setores: construção civil (32.175), agricultura (29.483), serviços (27.655), comércio (27.336) e indústria de transformação (17.354).
Regionalmente, os resultados ficaram positivos no Sudeste (65.344), Nordeste (39.291), Sul (11.624), Centro-Oeste (11.115) e Norte (11.028). O destaque foi o estado de São Paulo (52.811), tanto no interior como na região metropolitana.
Previsão
Nos últimos 12 meses, foram criadas 325.506 vagas. Isso representa uma perda de mais de 1 milhão de empregos em relação ao resultado no final de 2008 (1,452 milhão de vagas).
Com a recuperação verificada em julho, no entanto, o governo mantém a previsão de fechar os 12 meses encerrados em 2009 com a criação de 1 milhão de empregos.
O ministro Carlos Lupi (Trabalho) afirmou que o resultado de agosto deve superar a marca de 150 mil novas vagas.
"Agosto será melhor que julho. Vamos ter uma sequência de resultados positivos que vai surpreender a todos. O comportamento de todos os setores tem sido positivo. A recuperação da indústria tem sido fundamental e a construção civil pegou ritmo de novo", afirmou.

Brasil atravessa bem a crise e o mérito
não é de Fernando Henrique Cardoso!

Está muito bom o artigo abaixo, publicado no excelente Terra Magazine, de Bob Fernandes. O professor Julio Gomes de Almeida, mostra como as políticas públicas do governo Lula estão ajudando o país a superar a crise econômica. É, parece que desta vez os tucanos não vão poder dizer que os méritos do bom momento da economia nacional devem ser atribuídos ao ex-presidente FHC, aquele que quebrou o país três vezes e até hoje acredita em ter implantado os "bons fundamentos" da economia nacional...

O segredo do crescimento do comércio

Julio Gomes de Almeida
De São Paulo

As políticas públicas de investimento e de rendas são muito combatidas no Brasil, mas a crise econômica mostrou como podem ser importantes e não somente como instrumento de desenvolvimento da infraestrutura e da redução das desigualdades sociais, mas também como mecanismo anticíclico.

Os dados do varejo nacional para o primeiro semestre mostram que poucos setores da economia contribuíram tanto para sustentação do nível de emprego e renda na economia brasileira como o comércio. O volume de vendas aumentou 4,4%. Em parte, esse desempenho resultou de ações das empresas do setor para manter o crédito à clientela no período em que os bancos paralisaram a concessão de novos financiamentos e aumentaram enormemente o custo do crédito para as famílias e para o consumidor, especialmente entre os meses de outubro de 2008 e fevereiro desse ano.

Também foi consequência de seguidas promoções e rebaixas de preços promovidos pelo setor para incentivar suas vendas. A dura negociação de preços das empresas do varejo empurrou para a indústria uma parte significativa do ônus das reduções de preços, fator responsável por um encolhimento das margens industriais entre o último trimestre de 2008 e o primeiro trimestre de 2009. Em certos segmentos, foram relevantes também as reduções e isenções de impostos que o governo promoveu como nos casos de automóveis, produtos da chamada linha branca e materiais de construção.

Mas o fator de fundo que protegeu o nível de atividade do setor foi a preservação da renda e do emprego a partir precisamente de políticas governamentais como os programas de investimento do PAC, a complementação de renda da população mais pobre a partir do "Bolsa Família", o aumento do salário mínimo, o seguro desemprego, dentre outros. Em todos esses casos, diante da crise internacional o governo brasileiro reafirmou os gastos e investimentos anteriormente programados, como, por exemplo, no caso dos investimentos do PAC e do aumento do salário-mínimo previsto para fevereiro de 2009.

Mas de forma geral o governo foi além e ampliou o horizonte desses programas, além de instituir outras iniciativas, dentre elas o programa "Minha casa, minha vida", para a construção de habitação popular. No caso dos investimentos do PAC, aumentou as inversões programadas para a Petrobrás a partir da exploração das reservas de petróleo do pré-sal, anunciou programas novos como o trem de alta velocidade e vem confirmando investimentos de infra-estrutura para a realização da Copa do Mundo de futebol em 2014. No "Bolsa Família", reajustou seus valores recentemente (em 10%) e ampliou o prazo do seguro-desemprego.

Em si a reafirmação dos programas públicos e sua ampliação têm relevância direta porque ajudam a manter o gasto doméstico em um momento em que as inversões privadas, as vendas para o exterior e as compras a crédito por parte dos consumidores brasileiros declinaram fortemente. Mas há ainda um fator que atua ao nível das expectativas. As ações tomadas pelo governo amenizaram o efeito psicológico da crise sobre o ânimo de todos os agentes econômicos, especialmente do consumidor, o que ajudou a reduzir o seu receio de desemprego e preservou suas decisões de gasto em consumo, especialmente o gasto com base na sua renda. Também contribuiu para que no âmbito das expectativas empresariais de curto prazo os empresários contivessem suas decisões de dispensas de mão de obra, o que ajudou a segurar a onda de demissões que se apresentou na virada de 2008 para 2009.

Esses fatores tiveram influência relevante nas vendas do varejo. De um modo geral, se pode afirmar que os setores que mais sofreram as dificuldades causadas pelo agravamento da situação internacional desde o último trimestre do ano passado foram aqueles mais dependentes de crédito. Já os setores mais associados à renda real da população tiveram um desempenho mais regular e positivo.

É digno de registro o setor de produtos alimentícios e bebidas, o segmento de maior peso na composição do varejo brasileiro. Sua evolução foi de 6,8% no primeiro semestre com relação ao mesmo período de 2008, performance esta que reflete a preservação da renda real da população. Crescimentos ainda maiores foram registrados em artigos farmacêuticos e de perfumaria, com aumento de 11,8%; outros artigos de uso pessoal e doméstico, +9,5% e livros, jornais, revistas e papelaria, +8,6%, todos esses segmentos do comércio em que o poder de compra da população tem um papel determinante.

Já o setor dependente do crédito por excelência, como móveis e eletrodomésticos enfrentou queda de 2,3% a despeito da redução de impostos que incentivaram as vendas de geladeiras, fogões e máquinas de lavar. Em material de construção, as vendas reais caíram 10%. O segmento de automóveis teve aumento de 5,3%, mas é amplamente reconhecida no setor a relevância absoluta para esse resultado do incentivo tributário que o governo concede desde o fim do ano passado na aquisição de veículos.

É importante observar que o setor varejista não só teve um bom desempenho no conjunto do primeiro semestre do ano, como está mostrando uma aceleração em seu crescimento. Em maio na comparação com abril registrou aumento de 0,4%, mas a evolução já foi maior em junho, 1,7%. Isso significa dizer que o setor inicia o segundo semestre com uma tendência de aceleração em seu movimento. É uma boa perspectiva, que faz com que as projeções de seu crescimento para o ano possam ficar na faixa de uma evolução como 6%. Bem abaixo do crescimento de 10% em 2008, mas um magnífico resultado se são levadas em conta as dificuldades de um ano de crise.

Júlio Gomes de Almeida é professor da Unicamp e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Sem apagão e com a conta mais barata

Que o presidente Lula tem sorte, todo mundo sabe. A matéria abaixo, da Folha Online, revela, porém, que Lula é um sujeito muito sortudo. Não há nada melhor para ele do que contrastar a sua administração com a de seu antecessor, durante a qual o Brasil viveu o apagão. Em 2010, a candidata do presidente poderá sair por aí lembrando daqueles dias difíceis e mostrar a conta de luz mais barata que o governo proporcionou. Sorte não é tudo na vida, mas ajuda bastante...

Com reservatórios cheios, conta de luz pode ficar mais barata em 2010
Os reservatórios das hidrelétricas brasileiras atingiram em agosto o maior nível de água armazenada dos últimos 10 anos. De acordo com o diretor-geral do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), Hermes Chipp, por conta disso não será necessário acionar usinas termelétricas adicionais até o fim do ano --o que pode significar uma economia na conta de luz do brasileiro em 2010, já que as térmicas são mais caras do que as hidrelétricas.

Marina já encantou a elite

Os 3% de intenções de voto da senadora Marina Silva na pesquisa sobre cenários da eleição presidencial de 2010, revela hoje a Folha de S. Paulo, estão concentrados nas classes A e B. Faz todo sentido. Marina pode encarnar, com melhores resultados, o sucesso da candidatura de Heloísa Helena, em 2006, entre uma parcela substantiva da elite. Ao contrário de Helena, Marina fala manso e é muito melhor oradora. É mais inteligente, também, certamente não fará campanha naquele tom udenístico da ex-senadora alagoana. E também não vai focar tanto na questão ambiental como muitos imaginam, pois seria um desperdício - todo mundo já conhece o envolvimento de Marina com as teses conservacionistas. O voto deste eleitorado, portanto, já é dela, não é preciso ressaltar tanto este aspecto da candidatura.

De toda forma, o texto abaixo, de Leonardo Boff, é mais uma prova de que Marina realmente encantou uma parcela importante da elite (econômica e intelectual). Em breve, esses argumentos estarão na mídia. Marina vai ser a queridinha da imprensa em 2010. Em que pese a fraqueza de seu partido e a falta de recursos materiais, a candidatura tem potencial para crescer, sim.

Uma Silva sucessora de um Silva?

Não estou ligado a nenhum partido, pois para mim partido é parte. Eu como intelectual me interesso pelo todo embora, concretamente, saiba que o todo passa pela parte. Tal posição me confere a iberdade de emitir opiniões pessoais e descompromissadas com os partidos.
De forma antecipada se lançou a disputa: Quem será o sucessor do carismático presidente Luiz Inácio Lula da Silva?
De antemão afirmo que a eleição de Lula é uma conquista do povo brasileiro, principalmente daqueles que foram sempre colocados à margem do poder. Ele introduziu uma ruptura histórica como novo sujeito político e isso parece ser sem retorno. Não conseguiu escapar da lógica macro-econômica que privilegia o capital e mantém as bases que permitem a acumulação das classes opulentas. Mas introduziu uma transição de um estado privatista e neoliberal para um governo republicano e social que confere centralidade à coisa pública (res publica), o que tem beneficiado vários milhões de pessoas. Tarefa primeira de um governante é cuidar da vida de seu povo e isso Lula o fez sem nunca trair suas origens de sobrevivente da grande tribulação brasileira.
Depois de oito anos de governo se lança a questão que seguramente interessa à cidadania e não só ao PT: quem será seu sucessor? Para responder a esta questão precisamos ganhar altura e dar-nos conta das mudanças ocorridas no Brasil e no mundo. Em oito anos muta coisa mudou. O PT foi submetido a duras provas e importa reconhecer que nem sempre esteve à altura do momento e às bases que o sustentam. Estamos ainda esperando uma vigorosa autocrítica interna a propósito de presumido “mensalação”. Nós cidadãos não perdoamos esta falta de transparência e de coragem cívica e ética.
Em grande parte, o PT viou um partido eleitoreiro, interessado em ganhar eleições em todos os níveis. Para isso se obrigou a fazer coligações muito questionáveis, em alguns casos, com a parte mais podre dos partidos, em nome da governabilidade que, não raro, se colocou acima da ética e dos propósitos fundadores do PT.
Há uma ilusão que o PT deve romper: imaginar-se a realização do sonho e da utopia do povo brasileiro. Seria rebaixar o povo, pois este não se contenta com pequenos sonhos e utopias de horizonte tacanho. Eu que circulo, em função de meu trabalho, pelas bases da sociedade vejo que se esvaziou a discussão sobre “que Brasil queremos”, discussão que animou por decênios o imaginário popular. Houve uma inegável despolitização em razão de o PT ter ocupado o poder. Fez o que pôde quando podia ter feito mais, especialmente com referência à reforma agrária e a inclusão estratégica (e não meramente pontual) da ecologia.
Quer dizer, o sucessor não pode se contentar de fazer mais do mesmo. Importa introduzir mudanças. E a grande mudança na realidade e na consciência da humanidade é o fato de que a Terra já mudou. A roda do aquecimento global não pode mais ser parada, apenas retardada em sua velocidade. A partir de 23 de setembro de 2008 sabemos que a Terra como conjunto de ecosissitemas com seus recursos e serviços já se tornou insustentável porque o consumo humano, especialmente dos ricos que esbanjam, já psssou em 40% de sua capacidade de reposição.
Esta conjuntura que, se não for tomada a sério, pode levar nos próximos decênios a uma tragédia ecológicohumanitária de proporções inimagináveis e, até pelo final do século, ao desaparecimento da espécie humana. Cabe reconhecer que o PT não incorporou a dimensão ecológica no cerne de seu projeto político. E o Brasil será decisivo para o equilíbrio do planeta e para o futuro da vida.
Qual é a pessoa com carisma, com base popular, ligada aos fundamentos do PT e que se fez ícone da causa ecológica? É uma mulher, seringueira, da Igreja da libertação, amazônica. Ela também é uma Silva como Lula. Seu nome é Marina Osmarina Silva.

O teólogo Leonardo Boff é autor do livro Que Brasil queremos? Vozes 2000.