sábado, 30 de junho de 2007

Palavra de quem entende

Abaixo, o comentário do ex-deputado Roberto Jefferson sobre o caso Roriz. Vale a pena levar em conta o que escreve Bob Jefferson, pois este assunto, ele domina como poucos.

Um boi diferente
O senador Joaquim Roriz deve chegar logo, logo a um Conselho de Ética que não consegue apurar o caso de Renan Calheiros. Ontem o PSOL protocolou representação contra o mais novo pecuarista do Senado. Recém-chegado, Roriz não tem muitos aliados. Ele não é nenhum Renan, mas leva todo o jeito para ser boi de piranha. Será Roriz a salvação? Ele sangrará enquanto o resto da boiada atravessa. Com o fiasco do caso Renan, uma cassação contra um membro do Senado poderia disfarçar um pouco a pecha de corporativismo dos membros do Conselho de Ética.

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Boa análise sobre a barbárie no Rio

Este blog em geral discorda do que escreve Eliane Cantanhêde, colunista da Folha de S. Paulo, e até por isto dobra a recomendação para a leitura do texto abaixo, publicado nesta sexta no jornal paulista. Este blog subscreve todas as idéias contidas no artigo de Eliane. O que aconteceu no Rio tem um nome: barbárie.
A seguir, a íntegra do artigo de Eliane Cantanhêde:

"Um cara desses
"

Quando os filhos são pequenos, chutam a canela da empregada, e os pais acham "natural", fingem que não vêem. Já maiores um pouco, comem o que querem, na hora em que querem, não falam nem bom-dia para o porteiro e desrespeitam a professora. Na adolescência, vão para o colégio mais caro, para o judô, para a natação, para o inglês e gastam o resto do tempo na praia e na internet. Resolvido.

Dos pais, ouvem sempre a mesma ladainha: o governo não presta, os políticos são todos ladrões, o mundo está cheio de vagabundos e vagabundas. "E quero os meus direitos!" Recolher o INSS da empregada, que é bom, não precisa. É assim que os filhos, já adultos, saudáveis, em universidades, são capazes de jogar álcool e fósforo aceso num índio, pensando que era "só um mendigo", ou de espancar cruel e covardemente uma moça num ponto de ônibus, achando que era "só uma prostituta".

A perplexidade dos pais não é com a monstruosidade, mas com o fato de que seu anjinho está sujeito -em tese- às leis e às prisões como qualquer pessoa: "Prender, botar preso junto com outros bandidos? Essas pessoas que têm estudo, que têm caráter, junto com uns caras desses?", indignou-se Ludovico Ramalho Bruno, pai de Rubens, 19.

Dá para apostar que ele votou contra o desarmamento, quer (no mínimo) "descer o pau em tudo quanto é bandido" e defende a redução da maioridade penal. Cadeia não é para o filho, que tem estudo e dinheiro, um futuro pela frente. É para o garoto do morro, pobre e magricela, que conseguir escapar dos tiroteios e roubar o tênis do filho.

Isso se resolve com o Estado sendo Estado, com justiça, humanidade e educação -não só com ensino para todos e professores mais bem treinados e mais bem pagos, mas também com a elementar compreensão de que "o problema", e os réus, não são os pobres. Ao contrário, eles são as grandes vítimas."

Senado Federal virou piada de salão

A informação é do blog do jornalista Ricardo Noblat: o senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), presidente do Conselho de Ética que vai julgar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), no caso originado na disputa do valor da pensão de sua filha com a jornalista Mônica Veloso, também tem uma filha fora do casamento e também está discutindo a pensão com a mãe da criança. Segundo Noblat, Quintanilha pagava R$ 900 mensais e com a publicidade dada aos valores recebidos pela ex-amante de Calheiros, a mãe da filha de Quintanilha exige passar a receber R$ 7 mil.

As informações acima dispensam comentários. É evidente que Quintanilha não deveria ter se candidatado ao cargo que ocupa, pelo menos neste momento, pois está moralmente impedido de julgar o caso de Renan. Noves fora os problemas com a Polícia e Receita Federal, Leomar Quintanilha na presidência do Conselho de Ética é a cereja no bolo de um processo que está resultando na completa desmoralização da Casa.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Não dá mais para levar a sério...

Circula em Brasília a versão de que o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) já percebeu que pegou muito mal o "desconvite" ao senador Renato Casagrande (PSB-ES). Quintanilha estaria tentando consertar a gafe e "reconvidando" Casagrande. Não dá mais para levar essa gente a sério, melhor esperar a reunião de terça-feira do colegiado, quando o relator será formalmente indicado. Até lá, a palavra de um Quintanilha ou de um Calheiros vale tanto quanto as notas frias apresentadas pelo presidente do Senado para provar a venda de seus bois, isto é, nada...

Perdendo o senso do ridículo

Está começando a ficar realmente constrangedor o impasse criado em torno do processo do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O "desconvite" ao senador Renato Casagrande (PSB-ES), que deveria assumir a relatoria do caso no Conselho de Ética, é algo que, como diria o presidente Lula, "nunca antes neste país" se viu. Não se trata apenas de uma grosseria, é o retrato de uma situação em que não há o mínimo de coordenação, antecipação dos fatos, enfim, só reflete o total descontrole do processo pelo presidente Renan Calheiros. O presidente pode até ficar no cargo – coisa que este blog duvida –, mas terá oferecido à Nação um dos mais deprimentes espetáculos de incompetência política da história do Senado.

Renan não quer Casagrande

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) parece estar mesmo receoso do que pode acontecer no Conselho de Ética: vetou a indicação de Renato Casagrande (PSB-ES) para a relatoria de seu caso. No máximo, aceita o socialista se a relatoria for dividida com dois outros senadores, obviamente da estreita confiança dele, Renan. O ditado é grosseiro, mas retrata bem a situação do presidente do Senado: quem tem c... tem medo. Afinal, Renato Casagrande, como já foi apontado aqui, não é nenhum Jefferson Péres ou Eduardo Suplicy e provavelmente incluiria em seu parecer no máximo alguns pequenos constrangimentos a Renan. O presidente do Senado, porém, não quer correr mais riscos.

Gravações de Mônica provam chantagem?

Foi um lance arriscado a entrega das gravações, pelo advogado de Mônica Veloso, contendo uma conversa dela com o lobista Cláudio Gontijo, da Mendes Júnior, em que ficaria claro a dificuldade de Renan Calheiros (PMDB-AL) para pagar a pensão para a filha que o presidente do Senado teve com a jornalista. O problema é que a gravação foi realizada sem o consentimento de Gontijo, secretamente, e é portanto um indício de que Mônica estaria reunindo material para chantagear Renan.

No fundo, ainda há muita coisa nebulosa neste caso. Jasson Oliveira, atento leitor deste blog, lembra que Mônica Veloso afirmou ter guardado muitos documentos e gravado conversas com Calheiros. Ela também teria dito que recebia a pensão em espécie, algumas vezes em envelopes com a estampa da Mendes Júnior. Ora, até o presente momento, ela não apresentou os tais envelopes, que seriam provas materiais bastante fortes em um processo judicial. Teria a ciosa jornalista jogado fora o que de melhor tinha para provar a vinculação de sua pensão com a Mendes Júnior?

Por outro lado, Carlos Brickman, colunista do Observatório da Imprensa, observa que a imprensa tenta provar a um só tempo que Renan Calheiros enriqueceu muito durante os anos em que exerceu mandatos parlamentares, chegando, segundo a revista Veja, a acumular patrimônio de R$ 10 milhões; e que ele não teria recursos para justificar o pagamento da pensão de R$ 13 mil mensais para a ex-amante. Ora, observa o experiente Carlinhos, os dois fatos são antagônicos: ou bem Renan é um milionário que usou um amigo como intermediário para os pagamentos, com intuito de preservar sua intimidade; ou não tinha rendimentos para o que foi acordado e contou com os préstimos da empreiteira. As duas coisas ao mesmo tempo é algo no mínimo esquisito.

Tudo somado, não se trata aqui de absolver Renan ou dizer que Mônica é uma chantagista, apenas apontar que se o presidente do Senado se enrolou mais com as fitas, a jornalista também abriu um flanco em sua argumentação. Quem acompanha estas Entrelinhas já sabe que o blog acha insustentável a posição de Calheiros na presidência do Senado, mas isto não significa, necessariamente, que ele tenha cometido qualquer ilícito. Renan perdeu a força política que lhe permitia comandar a Casa Alta do parlamento brasileiro, mas não é líquido e certo que Mônica consiga provar que recebia o dinheiro da Mendes Júnior. E se a bufunfa era de Renan, culpa no cartório ele e a Mendes Júnior não têm. Pelo menos não neste episódio.

Globo vs. Bandeirantes no caso Renan

Há uma disputa, digamos assim, midiática em torno do caso Renan Calheiros (PMDB-AL): ontem, os telejornais da TV Globo e da Bandeirantes apresentaram versões opostas para a história das gravações apresentadas pelo advogado de Mônica Veloso, Pedro Calmon Filho. Na Globo, as gravações prejudicam Renan porque estaria claro que Cláudio Gontijo pagava a pensão com recursos da Mendes Júnior; na Band, as gravações revelam que Gontijo foi chantageado pelo advogado Calmon. Muita água ainda vai rolar debaixo da ponte até a verdade aparecer...

Reforma política esbarra na falta
de consenso da classe política

A rejeição do núcleo fundamental da proposta de reforma política na noite de ontem, na Câmara dos Deputados, mostra como é difícil aprovar mudanças de vulto na legislação brasileira. De fato, no caso de projetos realmente polêmicos, como era o que introduzia a votação em listas, é preciso haver um certo consenso na classe política. Tal consenso se forma, em geral, a partir da base da sociedade, que pressiona os políticos e força as mudanças. Em situações excepcionais, isto pode se dar a partir da vontade do presidente, em geral logo após um eleição na qual ele saia extremamente fortalecido – foi o que ocorreu no caso da reforma da Previdência, em 2003.

O problema de fundo da reforma política é a questão da representação – hoje a Câmara Federal, que deveria representar a população na base da regra "cada cabeça, um voto", tem enormes distorções, de forma que o voto do cidadão das regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste vale mais do que o do Sul e Sudeste. Essas distorções têm origem no famoso Pacote de Abril de 1977 e são dificílimas de serem modificadas, porque evidentemente os políticos das regiões beneficiadas não abrem mão da super-representação.

Ao fim e ao cabo, é possível que os políticos aprovem uma "minirreforma" política, com eventual endurecimento na regra da fidelidade partidária, reintrodução da cláusula de barreira e talvez até a mudança no período dos mandatos Executivos, de 4 para 5 anos, com fim da reeleição. Para esses pontos, dá para vislumbrar não um consenso completo, mas uma maioria suficientemente forte para fazer passar tais medidas. A conferir.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Leomar e Casagrande: bom para Renan?

A eleição de Leomar Quintanilha (PMDB-TO) para a presidência do Conselho de Ética do Senado revela que o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL) não está tão desarticulado como os fatos ocorridos na tarde desta quarta-feira deixavam transparecer. Quintanilha, conforme mostra a matéria reproduzida abaixo, da Agência Estado, é aliado de Renan. Ele convidou o senador Renatno Casagrande (PSB-ES) para relatar o caso do presidente do Senado. Casagrande é um pouco mais, digamos assim, crítico, mas também não é nenhum Jefferson Péres, muito menos um Eduardo Suplicy. Em outras palavras, é um senador "conversável".

O problema todo de Renan é que a estratégia de arrastar o caso não lhe favorece completamente. Prova disto é o surgimento, na noite desta quarta-feira, de novas gravações, agora envolvendo o lobista Cláudio Gontijo e Mônica Veloso. O conteúdo dos CDs entregues pelo advogado de Mônica ao senador Romeu Tuma (DEM-SP), corregedor do Senado, ainda não foi revelado, mas já se sabe que Renan se sai mal na fita. Respostas de Gontijo mostrariam que o senador não teria condições financeiras de pagar a pensão acordada com a mãe de sua filha.

Assim, se a eleição de Leomar e a possível indicação de Casagrande para a relatoria podem até ser consideradas "vitórias" de Calheiros, na soma total foi mais um dia de desgaste para o presidente do Senado. Resta saber até quando ele vai aguentar sangrar em público.
A seguir, a reportagem da Agência Estado:

Leomar Quintanilha é o novo presidente do Conselho de Ética

Leomar Quintanilha (PMDB-TO) foi escolhido nesta quarta-feira, 27, presidente do Conselho de Ética após a renúncia do senador Sibá Machado (PT-AC) na noite da última terça-feira. Em seguida, Quintanilha convidou o senador Renato Casagrande (PSB-ES) para assumir a relatoria, que pediu um tempo para dar a resposta.

O órgão analisa processo por quebra de decoro parlamentar contra o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL). O senador é acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista da empreiteira Mendes Júnior. O PMDB reivindicou o cargo por ser a maior bancada da Casa.

O processo envolvendo Renan é marcado por afastamento de senadores de funções importantes do órgão. O conselho ficou sem relator após a renúncia Epitácio Cafeteira (PTB-MA) - por problemas de saúde - e Wellington Salgado(PMDB-MG) - da tropa de choque de Renan ficou contrariado com os rumos do órgão, que pedia o aprofundamento das investigações. O parecer de Cafeteira, que deve ser votado, recomenda o arquivamento do caso.

Homem de confiança

Numa manobra que fora articulada com o PT, o PSDB lançou o tucano Arthur Virgílio (AM) para o cargo de presidente. O PMDB optou pelo nome de Leomar Quintanilha (TO), que é homem de confiança de Renan e até pecuarista como ele. A candidatura de Virgílio ocorreu um dia depois de Renan pedir ajuda a ele num bilhete manuscrito. Bombardeada pelo PMDB, no entanto, a candidatura do tucano perdeu peso no Conselho.

A solução Virgílio foi de interesse do PSDB. Desde o início do processo, os tucanos adotaram um comportamento moderado dentro do Conselho, enquanto o DEM passou a ser o único partido de oposição a cobrar apurações mais profundas sobre as acusações que Renan sofre de supostamente ter permitido que a construtora Mendes Júnior pagasse suas despesas pessoais.

De quebra, o movimento tucano incluía um entendimento com o PT, já que os senadores do PSDB propuseram que a relatoria do caso Renan fosse assumida pelo senador Aloizio Mercadante (PT-SP). O posto de relator é justamente o que mais enfrenta desgaste dentro do Conselho. Motivo: se o relator decidir absolver Renan receberá críticas por supostamente tê-lo favorecido.

O líder do PMDB, Valdir Raupp (RO), disse que o PMDB não abria mão de ocupar a presidência do Conselho. Só abriria mão em favor do PT, de preferência para Mercadante. Mesmo assim, nesse caso, indicaria um novo relator, com a escolha preferencial sendo pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE). Mercadante não topou e disse que só ocuparia um dos cargos se fosse amarrado um amplo acordo.

A sessão do conselho foi presidida pelo senador Adelmir Santana (DEM-DF). Nesta quarta-feira, Sibá alegou que renunciava à presidência por estar sofrendo pressões no encaminhamento dos trabalhos e negou "subserviência" na condução do caso.

(Com Marcelo de Moraes Christiane Samarco)

Noite será longa para senadores

Marcada para as 17h, a reunião do Conselho de Ética do Senado ainda vai começar. Ninguém sabe muito bem o que vai acontecer, nem ao menos se haverá um novo presidente do colegiado ao fim da reunião. Ou Renan Calheiros é um craque da estratégia política e simula uma grande confusão para iludir os adversários (e a opinião pública), ou o presidente do Senado já perdeu totalmente o controle da situação. Ao que parece, a segunda hipótese é mais provável.

E o ministro das Minas e Energia?

Está passando desapercebido, mas até agora o presidente Lula não nomeou um substituto para o ministério das Minas e Energia na vaga do demissionário Silas Rondeau, fulminado pela Operação Navalha. Rondeau era indicação de José Sarney (PMDB-AP) e contava com apoio de Renan Calheiros (PMDB-AL). Logo após a queda, alguns nomes foram dados como certos para a pasta, mas até agora, Lula não pegou a caneta para assinar a nomeação. Bobo, o presidente não é...

Dupla de pizzaiolos já subiu no telhado

Aparentemente, a alegria de Renan Calheiros durou pouco e a tal articulação para fazer de Arthur Virgílio e Aloizio Mercadante a dupla de pizzaiolos no Conselho de Ética fracassou. O que vai acontecer na reunião do colegiado daqui a pouco é imprevisível. Mais uma prova de que Renan está com a bola murcha...

Virgílio e Mercadante, dupla de pizzaiolos?

A jogada política da hora em Brasília é a candidatura do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) à presidência do Conselho de Ética. Curiosamente, Virgílio já avisou a todos que nomearia o colega Aloizio Mercadante para a vaga de relator do caso envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Nos bastidores, o que se diz é que a nova dupla teria sido gestado na reunião entre Renan e o presidente Lula, na manhã desta quarta-feira. Em outras palavras, Virgílio e Mercadante seriam os responsáveis por preparar, assar e servir uma boa pizza, palatável a governistas e oposicionistas do Senado. Que o PSDB está fechado com Calheiros, este blog já adiantou – a origem das denúncias está justamente no apoio de Renan ao então candidato Teo Vilela, hoje governador das Alagoas. Chama atenção, no entanto, que os tucanos estejam tão empenhados assim em salvar a pele de Renan. Uma coisa é não trabalhar para derrubá-lo, outra bem diferente é se unir a petistas na tentativa de servir a pizza...

Senador Roriz ainda pode renunciar

A maior diferença dos casos envolvendo os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Joaquim Roriz (PMDB-DF) é que o segundo ainda tem a chance de renunciar para preservar seus direitos políticos. Segundo informação do blog do jornalista Ricardo Noblat, o corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), já qualifica o caso como "grave". "Há poucas dúvidas sobram daquele diálogo. É quebra de decoro, é grave. O parlamentar tem que ter ética", disse Tuma. Se o senador Roriz tiver um mínimo de bom senso, renuncia antes do processo de cassação por quebra de decoro parlamentar ser instalado no Conselho de Ética.

Renan ganha ou perde com saída de Sibá?

Está havendo muita confusão nas interpretações em torno da renúncia de Sibá Machado à presidência do Conselho de Ética. Alguns analistas acham que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) poderia se favorecer da confusão criada com a saída de Sibá, que impediria a votação, hoje, do relatório do senador Epitácio Cafeteira (DEM-MA). Este tipo de análise até faria sentido se o objetivo primeiro de Renan fosse mesmo postergar a votação, mas o fato é que a estratégia inicial era votar o relatório e encerrar a questão nesta quarta-feira. Uma segunda estratégia de Renan realmente é postergar o seu processo, de preferência para mais de 90 dias, talvez na esperança de que algum novo escândalo faça a sociedade minimizar o anterior. Do ponto de vista de Renan, porém, este adiamento precisa ocorrer com algum aliado na presidência e relatoria do Conselho de Ética. A saída de Sibá deixa a presidência interinamente sob comando do DEM e não é certo que Calheiros consiga eleger em nome de sua preferência para a vaga. Já se fala em Jarbas Vasconcelos e Jefferson Péres para a presidência do Conselho, o que seria de fato o pior dos mundos para Calheiros. Nesta quarta-feira, muita coisa vai ficar mais clara a respeito de toda a confusão que cercou a saída de Sibá. A hipótese deste blog continua sendo a de que Renan mais perdeu do que ganhou com toda esta confusão no Conselho.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Renúncia de Sibá complica Renan

A renúncia agora pouco do senador Sibá Machado à presidência do Conselho de Ética é sem dúvida mais uma pedra no sapato do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Os renanzistas queriam votar logo o arquivamento do caso ou, alternativamente, postergar por um período bem longo a apreciação do relatório. Com a saída de Sibá, o jogo está zerado e deve haver muita confusão nesta quarta-feira no Senado. O palpite do blog continua sendo a queda de Renan da presidência do Senado, com a manutenção do mandato de senador. Se Renan deixar a presidência, em poucos dias ninguém mais lembra do caso e ele recebe, no máximo, uma advertência do Conselho de Ética...

Luiz Weis: os 5 de Sirlei e os 5 de Galdino

Está simplesmente irrepreensível o texto do colunista Luiz Weis, do Observatório da Imprensa, sobre o caso dos espancadores da empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, no Rio de Janeiro. Foi postado originalmente no blog Verbo Solto e vai reproduzido em seguida:

A única boa notícia do dia não aconteceu a tempo de chegar às primeiras edições dos jornais: o quinto facínora que espancou selvagemente a empregada doméstica Sirlei Dias Carvalho Pinto, de 32 anos, em um ponto de ônibus, no Rio, se entregou no fim da noite de ontem.

O tipo se chama Rodrigo Bassalo. Tem 21 anos. Estuda turismo. Apresentou-se acompanhado dos advogados e “ficou praticamente todo o tempo de cabeça baixa”, informa a Agência Estado.

Os outros são Rubens Arruda, 19, estudante de direito; Felipe Macedo Nery Neto, 20, também estudante de direito; Julio Junqueira, 21, dono de um quiosque na Barra; e Leonardo de Andrade, 19, técnico em informática.

Sirlei, que ontem teve alta, voltou ao hospital para fazer novos exames. Ela está com fratura no rosto e sente muita dor de cabeça – mau sinal.

Na cobertura da bestialidade, destaque para a entrevista da Folha com o pai de Rubens Arruda [que virou ele próprio notícia por ter sido alvejado no tiroteio entre policiais e traficantes na Ilha do Governador, que deixou três mortos e fechou por 20 minutos o Galeão].

O pai acha que o bando tinha bebido ou se drogado. “Uma pessoa normal vai fazer uma agressão dessas?”, perguntou ao repórter Sérgio Torres. Ele considera o filho “um garoto normal”.

Eram também cinco “garotos normais”, um deles menor, de classe média como os cariocas que espancaram Sirlei, os que atearam fogo no índio Galdino Jesus dos Santos, 44 anos, quando dormia no ponto de ônibus de uma praça em Brasília, na madrugada de 20 de abril de 1997.

Noventa e cinco por cento da superfície do seu corpo ficou queimada. Ele morreu na manhã seguinte, não sem antes perguntar: "Por que fizeram isso comigo?"

Para se divertir, diriam ao ser presos. Depois do divertimento, foram para casa dormir. Uma testemunha os viu, anotou a chapa do carro deles e chamou a polícia. Agora, foi a mesma coisa.

Os “normais” do Rio bateram em Sirlei porque acharam que ela era prostituta. Os de Brasília incineraram Galdino porque acharam que ele era mendigo.

A mídia já podia especular sobre o que acontecerá com os cinco de Sirlei. Dos cinco de Galdino, um – o menor – não chegou a ser preso. Os outros quatro, Tomás Oliveira de Almeida, Eron Chaves Oliveira, Max Rogério Alves e Antonio Novely Cardoso, desfrutam de liberdade condicional desde 2004.

Antes, os assassinos puderam trabalhar e estudar fora do presídio – uma ilegalidade, porque haviam sido condenados a prisão em regime fechado.

Puderam trabalhar, estudar – e cair na noite, conforme os jornais noticiavam de vez em quando.

Será de cair o queixo se a história não se repetir.

Heloísa e Agripino, amigos para sempre?

Eduardo Bresciani, o esperto repórter do DCI em Brasília, informa que a piada da hora na capital federal diz respeito à inusitada aliança entre DEM e PSOL, com o objetivo de derrubar o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Depois de não conseguir a vaga de vice-presidente de Geraldo Alckmin (PSDB) no ano passado, o senador José Agripino Maia (DEM-RN) estaria tentado a bater chapa com Heloísa Helena em 2010. Seria mesmo uma dupla do barulho.

Rodini: nada cola no presidente Lulaflon

A pedidos, o craque Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, analisa para este blog o resultado do levantamento feito pelo instituto Sensus para a Confederação Nacional dos Transportes sobre o cenário político nacional. Confira a seguir a interpretação de Rodini para os números do Sensus:

Uma análise objetiva nas entrelinhas da mais recente pesquisa CNT/Sensus revela:
O governo Lula é melhor avaliado pelos homens, pelos nordestinos, pelos menos escolarizados, dentro de uma certa homogeneidade nas diversas faixas etárias. Para quem recebe mais de 20 salários mínimos, Lula tem uma avalição negativa. Os eleitores da região Sudeste são os que pior avaliam o presidente.
Do total, 64,0% dos brasileiros aprovam o governo Lula, porém no Sul este percentual é de apenas 52,7%. Entre os de renda acima de 20 SM, Lula é reprovado – obtém 65,9% de desaprovação. Os eleitores do Sul e Sudeste consideram a política econômica inadequada, com percentuais parecidos.
Mesmo entre os nordestinos, a violência é considerada fora do controle do governo ( 82,1%).
Internet em alta
Finalmente, para os blogueiros de plantão, uma excelente notícia. No Sudeste, a Internet já tem força como mídia quase equivalente ao rádio (11,6% dos residentes no Sudeste consideram-na como mídia preferida contra 14% do rádio).
Esta pesquisa mostra, no final das contas, um presidente muito sólido, respaldado por dados econômicos positivos, programas sociais abrangentes e com os inimigos de dentro de casa vigiados com vara curta. No presidente Lulaflon, por enquanto, nada cola.


(Para conhecer mais sobre o Engrácia Garcia, visite o site do instituto)

Camata avisa: quer o cargo de Calheiros (2)

Tem gente que acha que ser sutil pode não trazer os resultados pretendidos na vida. O senador Gerson Camata (PMDB-ES) é uma dessas pessoas que prefere não deixar dúvida alguma: na semana passada, sinalizou de forma muito clara que havia bandeado para o lado governista de seu partido, deixando claro que está à disposição para, eventualmente, assumir a vaga de presidente do Senado se o colega Renan Calheiros sucumbir às denúncias. Não satisfeito ou talvez decepcionado com a pequena repercussão de sua defesa de Vavá, o irmão do presidente, nesta terça-feira Camata voltou ao ataque, conforme o leitor pode conferir na matéria abaixo, da Agência Senado. Mais um pouco e o senador capixaba vai elogiar até a nomeação do Mangabeira Unger...


26/06/2007 - 16h24
Camata elogia Lula por atuação na crise dos controladores aéreos
[Foto: senador Gerson Camata (PMDB-ES)]

O senador Gerson Camata (PMDB-ES) cumprimentou nesta terça-feira (26), em Plenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ter autorizado o comandante da Aeronáutica, Juniti Saito, a intervir na crise dos controladores aéreos. Segundo ele, a atuação do brigadeiro ajudará a restabelecer os padrões de disciplina que devem reger as Forças Armadas.

- O brigadeiro mostrou que sabe mandar. Imediatamente, ele aplicou os códigos de disciplina militar, prendeu aqueles que se amotinaram, tomou as providências necessárias para a normalização. E pegou os operadores de vôos militares de segurança nacional e os passou para também operar as aeronaves civis - afirmou.

Camata disse esperar que as negociações entre o governo e os controladores aéreos não sejam interrompidas, até mesmo como forma de garantir melhorias nas condições salariais dacategoria.

O senador pelo PMDB do Espírito destacou ainda que, a partir desta quarta-feira (27), o controle do tráfego aéreo de Brasília para o Norte e o Nordeste, e de São para a Europa e os Estados Unidos, será feito pela Estação de Aparecidinha, no município capixaba de Santa Teresa. Segundo Camata, equipes de operadores militares já se encontram no local.

Inflação de 4,5%, de olho em 2010

O dado mais importante do dia para a política brasileira não é a pesquisa CNT/Sensus sobre a popularidade do presidente Lula, mas a definição da meta de inflação para 2009. O Conselho Monetário Nacional decidiu ficar ao lado do presidente e do ministro Guido Mantega e optou por 4,5%, contrariando o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, que defendiam a meta de 4%.

Para entender o significado do debate, basta pensar que uma meta de inflação menor para 2009 certamente provocaria, em algum momento de 2008, uma parada ou diminuição no ritmo de queda da taxa de juros. Com a meta de 4,5%, o BC terá mais espaço para continuar baixando a Selic e, portanto, a economia tende a crescer mais, todas as demais variáveis permanecendo estáveis.

O ano de 2009 é crucial para a definição da eleição presidencial de 2010. É sobretudo com base no desempenho da economia do ano anterior que os eleitores julgam o governo e escolhem o seu candidato. Ao indicar a taxa de 4,5% de inflação para este ano, Lula ao mesmo tempo sinaliza que pretende ver a economia brasileira vivendo um crescimento mais robusto no final do seu mandato, com o óbvio intuito de fazer o seu sucessor (ou se reeleger, se a legislação permitir).

A seguir, a reportagem da Folha Online sobre a definição da meta de 2009:

CMN define meta de inflação de 2009 em 4,5%

ANA PAULA RIBEIRO
O CMN (Conselho Monetário Nacional) definiu hoje que a meta de inflação para 2009 será de 4,5% do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), a mesma deste ano, mantendo também a margem de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo.

Com as previsões do mercado de uma inflação abaixo de 4% em 2007 e 4,5% para o ano que vem, havia expectativa de que a meta fosse fixada em um patamar menor.

A posição adotada hoje era a defendida pelo ministro Guido Mantega (Fazenda). Para ele, essa meta permite que o país cresça sem exigir do Banco Central uma política monetária muito rigorosa, como a elevação da taxa de juros para coibir o aumento de preços.

Apesar da manutenção, Mantega acredita que a inflação ficará abaixo. "As previsões indicam para uma inflação abaixo de 4%. Isso mostra que [a taxa] pode se manter abaixo do centro da meta. Isso não é só desejado como deverá ser perseguido pelo Banco Central", afirmou Mantega.

Para ele, o sistema de metas de inflação conseguiu combinar os preços sob controle com o crescimento da economia, o que é positivo para o maior consumo da população. "Esse instrumento está sendo muito bem sucedido. Não só pelo controle por anos seguidos, mas porque permite um crescimento maior do país", disse.

O regime de metas de inflação foi adotada no país em 1999

Oposição faz Lula nadar de braçada

Os dados divulgados na pesquisa CNT/Sensus nesta terça-feira, reproduzidos resumidamente abaixo na versão da Folha Online, confirmam o tal levantamento dos tucanos e democratas sobre o cenário político: a aprovação do presidente chega a 64%, apenas ligeiramente superior ao que foi aferido em abril. É a maior taxa desde o escândalo mensalão. Tem gente que acha que "pesquisa é tudo comprada", mas a realidade não é bem assim, tanto que a própria oposição se apressou a dizer que Lula está, sim, muito bem avaliado. No fundo, o que sustenta a popularidade do presidente é a economia do país. Este blog tem apontado os dados econômicos que confirmam a tese: venda de computadores crescendo a taxas chinesas; montadoras prevendo que 2007 sejá o melhor ano da história da indústria automobilística, superando 1997; venda de supermercados crescendo; crédito e consumo das famílias em expansão, entre tantos outros dados. O dólar barato também ajuda Lula no eleitorado de classe média, que fica feliz com as viagens mais baratas, e parece não ter afetado tanto assim as contas externas, apesar da choradeira dos exportadores, a balança comercial continua com superávits recordes.

O problema da oposição, porém, não é apenas a blindagem de Lula. À direita e à esquerda do presidente, o maior drama é que ninguém tem um projeto alternativo para o Brasil. No PSOL e partidos de extrema-esquerta, há uma tentativa de escapar da mimetização do antigo PT, mas Heloísa Helena e sua turma não conseguem explicar o que fariam após a "auditoria da dívida externa" e do passe de mágica que darão para acabar com a corrupção. No PSDB e Democratas, a coisa é ainda mais complicada: os dois partidos na verdade apóiam a atual política econômica, mas têm de fingir que fariam tudo diferente. Mentira, como se sabe, tem perna curta.

Enquanto não houver projeto alternativo consistente, Lula vai nadar de braçada e cantar de galo: afinal, nunca antes neste país um presidente consegiu ser tão popular por tanto tempo. Podem pesquisar.
A seguir, a matéria da Folha Online:

Lula tem segunda melhor avaliação desde 2005, diz CNT/Sensus

RENATA GIRALDI
, em Brasília

A aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é a segunda melhor desde 2005, quando houve as denúncias do mensalão, aponta pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira.
De acordo com a pesquisa, 64% dizem aprovar o presidente, contra 63,7% que tiveram a mesma opinião em abril, quando foi realizada a última pesquisa. Já 29,8% desaprovam Lula, contra 28,2% que opinaram da mesma forma na última pesquisa. A pesquisa de hoje indica ainda que 6,3% não souberam responder sobre o assunto, contra 8,2% em abril. Em relação à avaliação do governo do presidente Lula, houve uma estabilidade nos números. De acordo com a pesquisa, para 47,5%, a avaliação é positiva. Na última pesquisa, era 49,5%. Para 36,5%, a avaliação do governo é regular, contra 34,3% da pesquisa anterior. Já os que consideram negativa, a avaliação é de 14%. Em abril, era 14,6%. "O que mantém a popularidade do governo é o funcionamento da economia, os programas sociais e o carisma do presidente Lula", disse o diretor do instituto Sensus, Ricardo Guedes. A pesquisa ouviu 2.000 pessoas de 18 a 22 de junho em 136 municípios de 24 Estados. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Vazamento de pesquisa visou minimizar
os danos da alta popularidade de Lula?

A reportagem abaixo, na versão da Agência Estado, revela alguns números de uma pesquisa que teria sido encomendada pelo PSDB e Democratas sobre o cenário político nacional. Os números seriam francamente favoráveis ao presidente Lula, com destaque para a avaliação de que 56% dos eleitores reelegeriam o presidente para um terceiro mandato. A matéria está bem feita e correta, mas fica no ar uma dúvida: por que diabos tucanos e democratas resolveram vazar notícias tão boas para o presidente Lula? A resposta é simples: porque hoje seria divulgada a pesquisa CNT/Sensus sobre a popularidade do governo e do presidente. O que tucanos e democratas fizeram foi uma estratégia para minimizar os danos da outra pesquisa, CNT/Sensus, que mostra a segunda melhor avaliação de Lula desde 2005... É simples assim.


Oposição sente-se perdida com alta avaliação de Lula

Christiane Samarco e Eugênia Lopes


BRASÍLIA - Sem uma bússula precisa de atuação no Congresso, o Democratas e o PSDB encomendaram pesquisas para orientar os dois partidos e o resultado foi desalentador para a oposição. Os levantamentos mostraram que, a despeito do apagão aéreo, das denúncias de corrupção que envolvem o governo federal e o PT, e da crise na área de segurança em todo o País, a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não sofreu muito.

Na pesquisa dos tucanos, Lula é tão bem avaliado que 56% dos 3.500 consultados disseram que estão dispostos a reelegê-lo para um eventual terceiro mandato. Pior: nas duas enquetes, o PT aparece como o partido mais popular e com a melhor avaliação positiva dentre todas as legendas.

"As duas pesquisas são uma clara recomendação à união das oposições, principalmente no flanco congressual, que é onde podemos somar espaços", avalia o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Legislativo

A imagem do Legislativo é tão ruim que, indagados sobre a hipótese de fechamento do Congresso, 58% dos entrevistados no levantamento do PSDB revelaram que apoiariam a idéia.

"Não se tem uma fórmula para atuar na oposição, mas ficou claro que sair batendo no governo e no presidente Lula não resolve", conclui o deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que participou da elaboração da pesquisa qualitativa ao lado do sociólogo Antonio Lavareda. "Temos que ter proposta", emenda o tucano. Mas os levantamentos também mostram que não será nada fácil para a oposição encontrar novas bandeiras que sustentem o discurso dos adversários de Lula nas próximas eleições.

Pontos fracos de Lula

Ficou claro para democratas e tucanos que os dois pontos fracos do governo Lula são a falta de segurança e a corrupção. Para os 2 mil entrevistados da pesquisa encomendada pelos democratas ao instituto GPP, o pior desempenho do atual governo está na área de segurança (44,1%) seguido da saúde (22,8%). A melhor avaliação foi dada por 33,5% dos entrevistados aos programas dirigidos à a população mais pobre.

No caso da corrupção, no entanto, a pesquisa qualitativa do PSDB mostrou que foi no atual governo que mais se combateu o problema.

"Imaginar que a corrupção seja fator de desgaste para o governo é ilusório", conclui Fruet. "A pesquisa mostra que o brasileiro está mais feliz", completa o tucano. De fato, a avaliação média nacional do governo, aferida pela pesquisa GPP, atingiu a nota 6,39, na escala de zero a dez.

Terceiro mandato
Embora a pesquisa do PSDB tenha revelado que 56% do eleitorado estejam dispostos a reeleger Lula para um terceiro mandato, o tucanato não está preocupado. "Pessoalmente, acho que Lula está investindo para voltar ao Planalto em 2014, e não em 2010, num terceiro mandato", opina o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), cotado para suceder o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) na presidência nacional do partido.

Ele afirma não ter receio de uma investida do PT em favor do terceiro mandato e justifica: "Não acredito que Lula aceite romper com seu passado democrático".

Guerra insiste que a oposição não foi surpreendia pelos resultados favoráveis ao Planalto. "Lula está bem avaliado porque ganhou a eleição e porque a oposição ainda não se reestruturou da derrota e está sem foco", pondera o senador. Ele e Fruet destacam que, embora ruim, o resultado não é desesperador para a oposição. "Ao contrário", diz Fruet, "existe um espaço para a mudança apesar de a satisfação do brasileiro com o atual governo ser grande". Para consolo do tucanato, pouco mais da metade dos consultados no levantamento disse que votaria em um candidato de oposição "se ele representar melhora para o País".

Fruet vai sugerir ao PSDB que atue "para reavivar a memória do eleitorado simpatizante do partido" nos dois pontos que os entrevistados reconhecem como "obras do governo tucano": saúde e estabilidade da moeda. A bandeira dos programas sociais iniciados pelo governo Fernando Henrique Cardoso, como o bolsa escola, já foi totalmente incorporada pela administração Lula. Resta lutar, agora, para que o PT não lhes roube também a bandeira da estabilidade econômica.

Pesquisa

A pesquisa coordenada pelo cientista político também mostrou que o PT, o PMDB e o PSDB são os únicos partidos que têm saldo positivo na avaliação do eleitorado. Os demais, inclusive o Democratas que ainda é muito pouco conhecido, têm avaliação negativa. O baixo conhecimento talvez explique o fato de o PSDB ser apontado como o maior partido que faz "a maior oposição ao governo Lula", na pesquisa do Democratas.

O PT, por sua vez, é o partido mais identificado com a defesa dos trabalhadores, dos mais pobres e, para desalento da oposição, também da classe média. Enquanto isto, PMDB e PSDB aparecem como os maiores defensores dos interesses dos ricos e das elites.

Rodini: a vida dura do chefe do "aspone"

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, faz um comentário desta vez sobre um assunto que não está explicitamente em voga, mas que na verdade deveria ser um dos focos centrais do debate sobre a corrupção: a reforma administrativa. A seguir, o texto de Rodini.

Frequentemente ouço amigos reclamarem que gostariam de entrar na vida pública, mas que o salário não compensa. Muitos são convidados para serem secretários de algum município, mas quando descobrem as condições de trabalho, resolvem definitivamente ficar nas suas empresas. Empresas que, via de regra, geram bons lucros e muitos empregos.

É contraditório perdermos potenciais grandes colaboradores porque o prefeito não pode pagar melhor. Nesta hora, surge a Lei de Responsabilidade Fiscal para isentar o alcaide de culpa.

Se analisarmos os penduricalhos de cada secretaria num município de porte médio, por exemplo, veirificaremos o porque do gasto com salários estar sempre no limite máximo da Grande Lei. Existem muitos "aspones" – o clássico "assessor de porra nenhuma" – sem função alguma ganhando um quarto, um terço, às vezes metade do salário do secretário. E, muitas vezes, nem se tem um lugar físico para o "aspone" ficar.

Claro que há exceções, mas em geral o profissional só aceita o convite para ser secretário porque é muito amigo do prefeito. Mas e os que não são tão amigos? As cidades precisam se modernizar, cobrar melhor os impostos de quem é proprietário de grandes áreas, implantar justiça social, ter um Plano Diretor adequado e reestruturar o Plano de Cargos e Salários, principalmente das chefias e secretarias qua realmente sejam importantes.

Não há porque criar novas secretarias quando não se consegue remunerar bem o quadro todo. Estou, evidentemente, falando de salário compatível com o cargo na iniciativa privada e não dos famigerados ganhos de Marajás, de má lembrança e boa lambança.

O problema é que todos nós, inclusive os convidados a estes cargos, quase sempre se envergonham dos aumentos dos salários e verbas aos Deputados Federais e Senadores, concedidos por eles mesmos. Fica sempre um sentimento de que, no Brasil, só servem para ocupar os grandes cargos municipais aposentados, pessoas que eram mal remuneradas ou amigos do prefeito.

É pouco, muito pouco, para conseguirmos a excelência dos serviços que a população exige.

"Efeito Noblat" supera "efeito Mônica"

O jornalista Ricardo Noblat indicou este blog aos seus leitores, o que muito nos honra, até porque a leitura diária do Blog do Noblat é obrigatória para todo jornalista que cobre política. Pelo relatório matinal de audiência dessas Entrelinhas, a indicação de Noblat está superando com folga o "efeito Mônica Veloso". No que nos toca, esperamos que todos esses leitores possam ter aqui também um espaço aberto para o debate honesto e aberto sobre a vida política do país.

Ombudsman condena linchamento de Vavá

O novo ombudsman da Folha de S. Paulo, Mário Magalhães, começou muito bem no serviço. Todo domingo tem um texto contundente apontando as bobagens que aparecem no jornal. Na última edição, dedicou a abertura da coluna ao irmão do presidente Lula que tanto sucesso andou fazendo na impressa apressadinha. Magalhães concorda com Elio Gaspari: Vavá foi linchado na imprensa. Corretamente, o ombudsman reclama porque a Folha não citou o nome do irmão de Lula na chamada de capa sobre o indiciamento dos suspeitos nas investigações da Operação Xeque-Mate. Vavá, como se sabe, não foi indiciado...
A seguir, o texto de Mário Magalhães:

Cadê Vavá?

Questão de equilíbrio: se Vavá enrolado valia manchete, Vavá se desenrolando merecia ao menos um título na página mais nobre do jornal





O aposentado Genival Inácio da Silva, irmão do presidente da República, ganhou a manchete da Folha em quatro edições de junho.
A primeira contou que a Polícia Federal qualificou Vavá como suspeito de tráfico de influência e exploração de prestígio. A terceira transcreveu gravações em que o indiciado usa o nome de Lula para obter dinheiro. Na segunda e na quarta, o chefe do Executivo manifestou convicção da inocência do irmão.
Na terça, o Ministério Público Federal acusou 39 pessoas por vários crimes, mas não incluiu Vavá na denúncia. Considerou que não havia provas contra ele na operação batizada como Xeque-Mate.
Era obrigatória a menção, em título da Primeira Página, à decisão favorável ao cidadão antes em apuros. Na edição São Paulo da quarta, o título ignorou a vitória de Vavá: "Compadre do presidente e mais 38 são denunciados".
Escrevi na crítica diária a nota "Dois pesos, um erro grave". Não bastava o texto da chamada da capa informar que a acusação não atingia Vavá, era preciso destacar. Questão de equilíbrio: se Vavá enrolado valia manchete, Vavá se desenrolando merecia ao menos um título na página mais nobre.
O jornal vinha bem na cobertura, a despeito de alguns tropeços. A posição dos procuradores sobre a ausência de provas contra Vavá não enfraquece a opção anterior da Folha de o eleger objeto de manchetes. Fiscalizar o poder é função do jornalismo.
Vavá foi indiciado, manteve relações com supostos membros de uma quadrilha, a PF pediu sua prisão (negada pela Justiça), grampos expuseram conversas suspeitas, o presidente se pronunciou a respeito da investigação.
Isso tudo é notícia, tem interesse público e legítimo.
O jornal nem "condenou" nem "absolveu" Vavá. Assim como não afirmou que ele logrou êxito em suas ações. Na terça, ao contrário do que fizeram os diários "O Estado de S. Paulo" e "O Globo", não publicou a informação sem fundamento segundo a qual o irmão de Lula seria denunciado.
Em compensação, os concorrentes, com acerto, estamparam na capa a novidade positiva para Vavá.
Na edição Nacional, concluída às 21h06, a Folha havia titulado na Primeira Página "Ministério Público denuncia compadre de Lula e poupa Vavá". Não era bem isso.
Como explica o "Aurélio", "poupar" também tem o sentido de "ser tolerante" e "indulgenciar". O verbo editorializa, emite opinião subliminar em espaço impróprio.
Pedi um comentário à Redação, que respondeu: "Na edição São Paulo (0h19), ocorreu uma rediagramação da Primeira Página em razão da nova crise aérea. A denúncia do Ministério Público, no entanto, continuou na submanchete, mas o título passou de três para duas linhas [...]".
Mais: "Nas duas edições, as chamadas relativas ao caso afirmaram com todas as letras que o irmão de Lula não havia sido denunciado e que o Ministério Público Federal pedira mais apurações sobre o suposto lobby praticado por Genival Inácio da Silva (Vavá)".
Em suma: notícia ruim para Vavá ocupou manchete; boa, limitou-se às letras pequenas do texto da chamada.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

ACM ou Mônica Veloso, quem mentiu?

Quando começou o escândalo envolvendo a pensão da filha do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), o senador Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) se referiu à jornalista Mônica Veloso, mãe da menina e beneficiária da pensão, como "minha ex-nora". Era uma referência ao caso que a jornalista teria mantido com o falecido deputado Luís Eduardo Magalhães, filho de ACM. Pois não é que Mônica negou, em entrevista concedida ao jornal Folha de S. Paulo no domingo, o relacionamento com Luís Eduardo? Mente ACM ou mente Mônica Veloso?

É certo que em Brasília muita gente aumenta (e inventa) o número de casos de políticos com jornalistas, mas em geral quem nega tudo são os políticos e não as jornalistas... O tal affair de Mônica com Magalhães já foi parar em páginas de diversos jornais e até uma briga do casal, no restaurante Piantella, foi reportada com detalhes que só poderiam se descritos por quem viu a cena – Mônica teria, em uma crise de ciúmes, virado, no colo do deputado, a mesa em que ele jantava, acompanhado de outra mulher. Talvez nada disto tenha acontecido e tudo não passe de uma alucinação do senador Antonio Carlos. Faz todo sentido.

Roriz pode ser a bóia de salvação de Renan

As denúncias envolvendo o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), publicadas em diversos veículos de comunicação neste final de semana, foram a melhor notícia possível para o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). Não há nada melhor do que um novo escândalo para fazer a opinião pública esquecer o anterior e o caso de Roriz é de cara bem mais complicado do que o de Renan, cuja situação também é para lá de enrolada. O palpite deste blog é acabam caindo os dois, Roriz e Renan, mas talvez o ex-governador do Distrito Federal "fure a fila" e acabe assistindo ao desfecho de seu caso antes do colega alagoano. A menos, é claro, que apareça algum episódio ainda mais escabroso envolvendo outro parlamentar de peso, o que não seria nem um pouco improvável nesta altura do campeonato...

sexta-feira, 22 de junho de 2007

Ocupação acabou, desgaste continua

Os estudantes da USP decidiram desocupar a reitoria e encerrar o vitorioso movimento iniciado dia 3 de maio. Em pouco mais de um mês, eles conseguiram duas coisas excepcionais: em primeiro lugar, dobraram a teimosia do governador José Serra (PSDB), que acabou recuando em sua sanha centralizadora e doravante terá que respeitar a autonomia universitária; e em segundo lugar, muito mais importante, conseguiram acender uma chama no movimento estudantil que há muito tinha se apagado. E sem o cabresto de partidos políticos, da UNE ou do DCE. Não é pouca coisa...

Do ponto de vista do governador José Serra (PSDB), a desocupação não deixa de ser um alívio, pois ele estava sendo cada vez mais pressionado a mandar baixar o sarrafo nos estudantes – basta ler o blog do jornalista Reinaldo Azevedo para medir o tamanho da raiva da direita babona com os manifestantes. O desgaste para Serra, porém, vai continuar. A secretaria de Ensino Superior passou a ser um cabide de emprego de luxo para José Aristodemo Pinotti, uma vez que ele perdeu toda a sua força política ao longo do processo – nem sequer participou das negociações com os estudantes. E o movimento estudantil em ofensiva certamente continará a série de atos em curso, que incluem as ocupações na Unicamp e na Unesp, para constranger o governador e forçá-lo a revogar de vez os decretos intervencionistas do início do ano.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Serra, os mata-mosquito e os estudantes

O que vai abaixo é o artigo semanal do autor destas Entrelinhas para o Shopping News, que circula com o DCI às sextas-feiras.

O governador José Serra (PSDB) nunca reconhecerá o fato, mas certamente está muito arrependido de suas primeiras medidas para a área de Educação, sobretudo no que se refere ao ensino superior. O novo governo conseguiu, em menos de seis meses, provocar uma crise séria (e, até agora, sem solução à vista), levando os estudantes universitários a uma postura combativa que talvez só tenha paralelo com a época em que o próprio Serra presidiu a UNE, no início do regime militar. Professores e funcionários das três universidades paulistas também reagiram contra as primeiras medidas do governador e deflagraram greves que terminaram com uma significativa vitória das duas categorias.


A maioria dos leitores já deve estar a par da confusão armada pelo governo: logo no primeiro dia de mandato, Serra editou um decreto criando a secretaria de Ensino Superior, que retirava das universidades a prerrogativa de comandar o Cruesp, conselho de reitores que é a base da autonomia universitária. Dias depois, outro decreto na acabava com a autonomia financeira das instituições. Demorou um pouco, mas logo os reitores, professores, funcionários e estudantes reagiram e iniciaram, cada qual ao seu modo, um amplo movimento para defender as universidades da ofensiva contra a autonomia. Até agora, o fato mais marcante deste embate foi a ocupação, em 3 de maio, da reitoria da USP. Os estudantes continuam lá e não dão mostras de que pretendam sair tão cedo. Ontem, enfrentaram a tropa de choque da PM em uma manifestação pelos arredores da universidade.


O governador já recuou bastante, editou novos decretos para explicitar que não vai acabar com a autonomia e fechou acordo para reajustar os salários de professores e funcionários. Os alunos, porém, querem mais. O impasse continua e pelo andar da carruagem, os estudantes universitários serão uma pedra no sapato de Serra até o fim do mandato e especialmente na próxima campanha eleitoral que ele participar. Em 2002, Serra teve em seu encalço os mata-mosquitos que mandou demitir quando era ministro da Saúde. Em 2010, poderá ter os estudantes como verdadeiros carrapatos.


Escândalos ocultam o que de fato importa

Os escândalos envolvendo políticos e personalidades, especialmente se trazem os elementos dinheiro, sexo e drogas, imediatamente ganham manchetes e acabam ofuscando notícias bem mais relevantes para o dia a dia da população. É o que está ocorrendo agora, com o "Renangate". Enquanto a opinião pública acompanha os cada vez mais enrolados capítulos da novela, o governo federal vai tomando decisões importantes para os próximos anos. Na matéria abaixo, da Agência Estado, está reproduzida a opinião do presidente Lula sobre uma questão que talvez seja hoje a mais crucial para o futuro da economia nacional: a definição da meta de inflação para 2009, que será decidida na próxima semana pelo Conselho Monetário Nacional. Como se pode ler a seguir, o presidente ficou ao lado do ministro Guido Mantega e prefere os atuais 4,5%. O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, defende redução para 4%. A questão da meta é crucial porque dela decorre o tipo de política monetária a ser adotada daqui para frente. Se a meta for menor, o BC tem menos espaço para baixar a taxa básica de juros; permanecendo os 4,5%, abre-se um espaço maior para o movimento em curso no Copom, que vem baixando a Selic desde meados de 2005.

Em tese, a opinião de Lula não deveria ter influência sobre o CMN, mas na prática a coisa é bem diferente. O ex-ministro Antonio Palocci relata, em seu livro Sobre Formigas e Cigarras, que a opinião do presidente foi decisiva, em 2003, para que o CMN definisse a meta de 5,5% para 2004. Daquela vez, Lula fechou com os ortodoxos e opinou por uma meta mais estreita do que a defendida pelo então ministro José Dirceu, que vocalizava o pensamento dos economistas petistas. Agora, Lula ficou contra a ortodoxia de Meirelles.

A definição do proóximo dia 27 merece, portanto, ser acompanhada com atenção, mesmo que neste dia Mônica Veloso resolva contar novidades sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros. Se ele ainda for o presidente, é claro...



SÃO PAULO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que não é mais necessário aumentar o esforço para reduzir a meta de inflação, demonstrando uma posição que tende mais para o lado do ministro da Fazenda, Guido Mantega, no embate entre o Ministério e o Banco Central sobre o estabelecimento da meta para 2009. A manutenção da meta em 4,5% ou sua redução será analisada em reunião do Conselho Monetário Nacional (CMN) na próxima semana (dia 27).
"Penso que não devemos fazer mais sacrifício, reduzindo a meta", afirmou o presidente em entrevista ao jornal Valor Econômico. "Seria bom, e essa é uma opinião muito pessoal, que a gente refletisse bem. Já fizemos o sacrifício para 4,5% e foi muito duro. Gostaria que pensássemos politicamente, que não temos mais o direito de fazer um novo arrocho", completou.
Câmbio
Lula disse que o governo está preocupado com a apreciação do real e adotará medidas para compensar os setores mais atingidos pelo dólar fraco, mas não fará "mágica". Para esse tema, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou o discurso do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. "Não tem milagre. Em algum momento o mercado vai se ajustar e é assim que nós vamos conviver."
Segundo ele, é muito difícil determinar qual o câmbio bom. "Para quem exporta, R$ 4 seria ótimo. Para quem importa, se fosse R$ 1 seria ótimo. O dado concreto é que vamos manter o câmbio flutuante e ele flutua, vai para baixo e para cima. Obviamente, precisamos estar preocupados com o câmbio, mas não vamos fazer nenhuma loucura. Vamos tentar fazer todos os acertos necessários e que forem possíveis para mantê-lo nesse nível ou um pouquinho mais. Por isso compramos muitos dólares", afirmou.
Lula, contudo, defendeu, enfaticamente, a adoção de uma política industrial que ajude setores ineficientes ou escolha os que precisam de mais investimentos. Lula também afirmou ainda que as reservas cambiais devem chegar a US$ 200 bilhões até o final do ano
.

Renan: a vingança será maligna?

Reportagem da Folha de S. Paulo desta quinta-feira informa que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) está preparando um "saco de maldades" contra parlamentares que têm, digamos assim, situação parecida com a dele próprio – litígios com amantes, filhos fora do casamento e fontes de renda mal explicadas. Em Brasília, este tipo de informação está na boca do povo, praticamente todo jornalista que cobre o Congresso sabe o nome dos senadores e deputados que mantêm matriz e filial. É difícil essas coisas vazarem na imprensa porque existe uma cultura de tolerância entre os jornalistas sobre os aspectos privados da vida dos homens públicos e também em função de um certo corporativismo – muitas das namoradas são coleguinhas.

O presidente do Senado é um homem muito bem informado, foi ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique, e deve ter bons dossiês para vazar à imprensa. A estratégia de amedrontar os seus pares, porém, é condenável e parece revelar o desespero de Renan Calheiros, que nesta altura do processo já não pode renunciar ao mandato para preservar os direitos políticos. É evidente que se Renan contar tudo o que sabe, derruba meia República, mas também é pouco provável que ele conte tudo, até porque é um homem jovem, com ambições políticas, e não vai queimar todas as pontes atrás de si. Podem apostar: a vingança será seletiva. Maligna, mas seletiva...

quarta-feira, 20 de junho de 2007

Para quem não conhece o Fagundes



Essas nem são as melhores, mas dá pegar o espírito do personagem de Laerte. Mais sobre Fagundes, clique aqui.

Camata avisa: quer o cargo de Calheiros

O ditado é claro: para bom entendedor, meia palavra basta. Em seu discurso no plenário do Senado, Gerson Camata (PMDB-ES) foi bem além da meia palavra, conforme pode ser verificado na matéria abaixo, da Agência Senado. E Fagundes, aquele lendário puxa-saco criado pelo cartunista Laerte, deve estar com muita inveja de Camata...


Plenário - 20/06/2007 - 16h45
Camata elogia artigo de Elio Gaspari sobre Vavá, irmão de Lula
[Foto: senador Gerson Camata (PMDB-ES)]

O senador Gerson Camata (PMDB-ES) elogiou nesta quarta-feira (20) artigo escrito pelo jornalista Elio Gaspari e publicado em grandes jornais no último domingo (17), sob o título "Vavá está sendo linchado". Camata concordou com o jornalista quando afirma que o alvo do linchamento não é Genival Inácio da Silva, o Vavá, mas seu irmão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Camata leu alguns trechos do artigo em que Gaspari demonstra que Vavá não fez o tráfico de influência de que está sendo acusado, pois "as denúncias não guardamnexo com os fatos". O senador ressaltou que Vavá é um homem simples, de classe média, e que, por ser irmão do presidente da República, "é abordado por todo mundo".

- O presidente Lula deveria se orgulhar a simplicidade da sua família. Acho que foi até um exagero o presidente chamar o irmão de lambari. Não tenho muita simpatia pelo PT, mas admiro a família do Lula - concluiu.

Sobre teorias conspiratórias

Muita gente com vasta experiência em análise política estranha o processo que está abatendo Renan Calheiros (PMDB-AL) da presidência do Senado. A pergunta clássica – a quem interessa (a queda de Renan)? – não tem, até o momento, respostas conclusivas. O governo tem no presidente do Senado um aliado até bastante fiel, a se considerar o índice de traição na amplíssima base que sustenta o presidente Lula. O PT tem defendido Calheiros de forma bastante elegante, talvez com mais contundência até do que o apoio dos peemedebistas. O PSDB também ficou na muda, nada faz contra Calheiros, até pela estreita relação do presidente do Senado com o governador de Alagoas, o tucano Teo Vilela. No Democratas, há um ou outro senador fazendo bravatas, mais interessado em dar show para a opinião pública do que propriamente condenar Renan Calheiros. Oposição de verdade, o presidente do Senado só encontra no PSOL, PV e PPS. É muito pouco para um enredo que envolve Polícia Federal, TV Globo, uma suposta chantagem no valor de R$ 20 milhões e a exposição pública da vida íntima do senador.

A teoria conspiratória clássica diz que há sempre um grande jogo de interesses por trás deste tipo de operação, ainda que não fique claro quem são os interessados na jogada. Os renanzistas já vazaram que o principal articulador das denúncias foi o usineiro João Lyra, candidato derrotado por Teo Vilela ao governo de Alagoas. Nesta versão, tratar-se-ia de uma vingança política, a velha guerra regional de coronéis. Pode até ser, mas há alguns pontos obscuros nesta versão: Lyra pode ser um homem influente e rico, mas não tem poder para convencer a TV Globo de entrar na cruzada contra Calheiros. Alguém se juntou a Lyra no desenrolar dos acontecimentos, percebendo que o presidente do Senado se fragilizou? É possível, e isto não está claro até o momento. Também pode ser, porém, que a teoria conspiratória não se aplique neste caso e tudo não passe de uma guerra local que ganhou dimensão nacional pelo cargo ocupado por um dos contendores.

Calvário de Calheiros não acaba hoje

A menos que haja uma reviravolta grande no cenário político do Senado, o Conselho de Ética da Casa vai prorrogar nesta quarta-feira as investigações sobre o escândalo envolvendo o presidente Renan Calheiros (PMDB-AL). A cada dia que passa, a situação de Renan se deteriora mais e já há quem fale abertamente, nos corredores do Senado, em nomes para sucedê-lo, informam os jornais de hoje. Roseana Sarney, Romero Jucá e Gerson Camata, todos do PMDB, seriam os mais cotados. Quando a conversa toma este rumo, dizem as raposas do Congresso, é porque o jogo já foi jogado. Ou seja, Renan dificilmente se sustenta no cargo.

terça-feira, 19 de junho de 2007

E a ocupação da USP?

Sumiu da grande imprensa o noticiário sobre a ocupação da reitoria da Universidade de São Paulo pelos estudantes da instituição. Tem gente que acha que o governador José Serra (PSDB) anda sumido e que seu governo está meio paradão. Pode até ser, mas deve ter dado a maior trabalheira para Serra convencer os donos dos jornalões a tirar da pauta um assunto tão interessante. Como diria o Ancelmo Gois, isto a oposição não vê...

Ventos mudaram na mídia

Não é só em Brasília que se percebe as mudanças de ventos em relação ao presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL). O sempre atento leitor deste blog, jornalista Jasson de Oliveira Andrade, repara que o tratamento dispensado a Renan está mudando rapidamente: "o Estadão de hoje o trata, nas reportagens, de 'cacique'. Por que não utilizou esse tratamento antes?". De fato, cacique político das Alagoas, Renan é há muito tempo, mas não havia ocorrido aos redatores dos jornalões tal qualificativo. A coragem de certa imprensa está aumentando na proporção dos problemas nas explicações do presidente do Senado para justificar que podia, sim, pagar a pensão da sua filha com Mônica Veloso sem recorrer a empréstimos do amigo lobista...

Ventos mudaram no Senado

Nos bastidores de Brasília, ninguém mais dá como certa a absolvição, amanhã, no Conselho de Ética, do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Até sexta-feira, este sentimento era dominante entre os políticos e analistas na capital federal. Agora, há quem aposte em novo adiamento da votação e prosseguimento das investigações, em um processo que pode até mesmo terminar na condenação do presidente do Senado. Nesta altura do campeonato, Renan não pode mais renunciar para evitar o processo de cassação e perda dos direitos políticos. Se for condenado, pode ser advertido, censurado, suspenso por seis meses ou cassado. Em qualquer dessas hipóteses, Renan Calheiros não terá condições morais de continuar na presidência do Senado. Na verdade, se o relatório do senador Epitácio Cafeteira for derrubado na sessão de amanhã do Conselho de Ética – o que na prática significa o prosseguimento das investigações –, a pressão para que Renan se afaste da presidência deve ser intensificada. Tudo somado, o fato é que o vento mudou e os senadores, em que pese o respeito que têm pelo presidente do Senado, já admitem que a melhor solução seja mesmo, no mínimo, a renúncia da Presidência. O tempo passou a correr contra Calheiros e até a cassação do mandato já não pode ser descartada.

Situação de Renan Calheiros piora

Os depoimentos de segunda-feira no Conselho de Ética do Senado pioraram a situação do senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Quanto mais gente fala a respeito do caso, mais enrolado fica o presidente do Senado. Os jornais desta terça-feira devem refletir este clima, com mais críticas dos colunistas e reportagens nada favoráveis ao senador alagoano. Aliás, dizem que tudo começou lá mesmo, nas Alagoas, por causa do decisivo apoio de Renan à candidatura de Teo Vilela (PSDB) ao governo local. E é justamente por esta razão que os tucanos estão caladinhos neste episódio. Se abrirem o bico, pode sobrar para o governador e até para certos senadores do partido, uns que adoram falar em ética, mas têm os seus zuleidos escondidos no armário, digamos assim. O jogo até agora está na preliminar. Se Renan cair, começa a partida entre os profissionais. O risco é o Senado Federal simplesmente acabar, e por WO.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Alckmin rouba a cena de Dona Lila Covas

O lançamento de um livro da viúva do governador Mário Covas, Dona Lila, nesta segunda-feira, em São Paulo, foi o palco para a volta à cena política do ex-governador Geraldo Alckmin, vice de Covas e candidato derrotado do PSDB à presidência no ano passado. Aos gritos de "prefeito, prefeito", Alckmin deve ter dado tantos autógrafos quanto a autora do livro que estava sendo lançado. Quem esteve lá conta que o que os alquimistas diziam, sempre à boca pequena, do atual governador do Estado, o também tucano José Serra, é muito parecido com o que o senador Renan Calheiros anda a dizer da jornalista Mônica Veloso. Se não for pior...

Anthony Garotinho afirma que
Renan "atenta contra a democracia"

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) já tem problemas suficientes nesta altura do campeonato para se preocupar com o fogo amigo, mas chama atenção a notinha abaixo, do blog de Anthony Garotinho, correligionário do presidente do Senado. Com amigos assim, deve ser realmente dura a luta de Calheiros pela absolvição no Conselho de Ética. A sorte do senador alagoano é a fraqueza política de Garotinho no Senado. Na Câmara, o ex-governador do Rio ainda tem lá os seus votinhos...
Eis a nota do blog de Garotinho:

Cresce bloco anti Renan no Senado

O acordão que o senador Renan Calheiros (PMDB/AL) está costurando no Senado para se livrar do processo no Conselho de Ética da Casa por quebra de decoro é um verdadeiro atentado contra a democracia. Renan passou o fim de semana oferecendo a seguinte alternativa: se a perícia em seus documentos comprovar a autenticidade dos papéis apresentados em sua defesa, o processo pára e a vida segue como antes.

Quando na verdade, o Presidente do Senado tinha que ter a grandeza para renunciar ao cargo, a fim de evitar maiores constrangimentos. As pessoas passam e os cargos permanecem.

Mas não. Renan insiste em cair lutando. Convencido de que conseguirá enganar a todos. O povo brasileiro assiste a tudo, cético.

O caso envolvendo o senador alagoano despertou a ira de um bloco partidário. O que era uma luta isolada do PSOL, virou alvo de outras duas legendas. Agora, o PV e o PPS engrossam as manifestações contra Renan.

Os partidos já se articulam para levar o processo adiante no Senado, no Congresso, no Supremo e, por fim, no Ministério Público.

A idéia é questionar a legitimidade do Presidente do Senado, abalada com a suspeita da apresentação de documentos falsos ao Conselho de Ética da Casa.

O que se espera do Congresso é uma postura de firmeza neste episódio, considerado por todos como emblemático. O Congresso, que amarga uma das piores fases de sua história em se tratando de imagem junto ao povo brasileiro, tem a oportunidade única de mostrar para a sociedade que ninguém está acima do bem ou do mal.

Mesmo os que, aparentemente, à primeira vista, parecem intocáveis.

Conselho de Ética do Senado vive sessão
"pode vir quente que eu estou fervendo"

Está divertida a sessão do Conselho de Ética do Senado Federal desta segunda-feira, ainda em curso. O depoimento de Pedro Calmon, o advogado da jornalista Mônica Veloso, foi um verdadeiro espetáculo de baixarias, com trocas de acusações entre Calmon e senadores ligados a Calheiros. Além da exposição sórdida de detalhes da vida privada de Mônica, Renan e do lobista Cláudio Gontijo, o ponto alto foi a acusação, feita pelo senador Almeida Lima (PMDB-SE), de que o presidente do Senado foi chantageado pela dupla Mônica-Gontijo. A novidade não está na denúncia em si, que inclusive já saiu na revista IstoÉ, mas no valor: R$ 20 milhões.

Agora é a vez de Cláudio Gontijo depor, mas já deu para sentir que quanto mais este caso for remexido, pior a situação de Renan Calheiros. E também que há milhões de motivos em jogo, dos dois lados da contenda...

Gaspari explica linchamento de Vavá

Está especialmente didático o artigo de Elio Gaspari publicado nos jornais em que ele é colunista (Folha, Globo e diversos veículos regionais). Se há alguém que não pode ser acusado de "lulista", este alguém é Elio Gaspari, crítico contumaz do "Noço Guia", como ele apelidou o presidente Lula. Por isto mesmo, o artigo ganha força e merece ser lido na íntegra.

Vavá está sendo linchado

O homem do "arruma dois pau pra eu" é o biombo. Querem a jugular de Lula, o dos 60 milhões de votos

GENIVAL INÁCIO da Silva, o Vavá, está sendo covardemente linchado porque é irmão do presidente da República. Ele é acusado de tráfico de influência sem que até hoje tenha aparecido um só nome de servidor público junto ao qual tenha traficado qualquer pleito que envolvesse dinheiro do erário. Um fazendeiro paulista metido numa querela de terras queria reverter uma decisão unânime do Superior Tribunal de Justiça. Vavá recomendou-lhe um advogado. Isso não é tráfico de coisa alguma. Um empreiteiro queria obras e encontrou-se com ele num restaurante. Ninguém responde se Vavá conseguiu favorecer esse ou qualquer outro empreiteiro.

A divulgação cavilosa e homeopática de trechos de gravações telefônicas envolvendo parentes de Nosso Guia tornou-se um processo intimidatório e difamador capaz de fazer corar generais do Serviço Nacional de Informações, o SNI da ditadura. No caso de Vavá, as suspeitas jogadas até agora no ventilador não guardam nexo com os fatos. Não há proporção entre as acusações que lhe fazem e o grau de exposição a que foi deliberadamente submetido.

A Polícia Federal vasculhou sua casa (um imóvel de classe média em São Bernardo do Campo). A diligência foi apresentada como parte de uma Operação Xeque-Mate, destinada a desbaratar uma quadrilha envolvida em contrabando, tráfico de drogas e máquinas caça-níqueis. Não era pouca coisa. Pelo que se sabe até agora, coletaram cinco papéis. Entre eles, duas cartas que não foram entregues. Vavá tentou alavancar dois casos com empresas privadas (Vale e CSN). Nenhum dos pleitos chegou à direção das companhias.

Os grampos policiais estabeleceram um vínculo entre Vavá e dois mercadores de casas de jogo e atravessadores de negócios. Um deles, Nilton Servo, ameaçou "trucidar" a família de um desafeto. O outro, Dario Morelli, compadre de Lula, julgava-se protegido pelas suas amizades e disse que a polícia pensaria "duas vezes em fazer qualquer coisa". Foi preso. Os dois planejavam maracutaias e contavam com a ajuda do irmão do presidente, a quem dizem ter dado algo como R$ 15 mil nos últimos meses. Nas palavras de Servo, "o Vavá é para ser usado".

Numa conversa, Vavá fez-lhe um pedido: "Ô, arruma dois pau pra eu?"

Lula tem 15 irmãos e algo como cem parentes. Desde que Tomé de Souza chegou a Salvador, nenhuma família de governante teve tão poucas relações com o Estado como a dos Silva. Mais: nenhuma veio de origem tão modesta e continuou a viver em padrões tão modestos. (Noves fora o Lulinha da Gamecorp.)

Vavá meteu-se por sua conta e risco com os negócios de Servo e do compadre Morelli. Desqualificá-lo por lambari, deseducado ou pé-de-chinelo é parte do linchamento. Ele é um cidadão, ponto. Seus atos vêm sendo investigados e serão levados à apreciação da Justiça. Podia ser membro da Academia Brasileira de Letras, dava na mesma. Antes da conclusão do inquérito policial, Vavá foi irremediavelmente satanizado a partir de indícios, suspeitas e manipulações. Seu linchamento não busca o cidadão metido com vigaristas. Busca a jugular do irmão.

Durante a última campanha eleitoral, quando o comissariado petista chafurdou na compra de um dossiê contra os tucanos, demonizou-se a figura de Freud Godoy, um assessor de Lula, conviva de sua panelinha. Durante três dias ele pareceu encarnar toda a corrupção nacional. Freud foi arrolado em dois processos, um criminal e outro eleitoral. Dizer que foi inocentado é pouco. Ele nem sequer foi indiciado.

O pessoal do século 21 sabe que Jimmy Carter é um ex-presidente dos Estados Unidos (1977-1981), Prêmio Nobel da Paz de 2002. Passará para a história como um exemplo de retidão. Isso agora. Quando estava na Casa Branca, Carter foi atazanado pela exposição de seu irmão Billy, caipira alcoólatra que se tornou lobista (registrado) do governo líbio. Criou-se o neologismo Billygate. Morreu em 1988, aos 51 anos, falido. Virou poeira da História.

Ninguém quer a jugular de Vavá, como não se queria a de Billy Carter. O negócio é outro.

Fim de semana favoreceu Renan

As reportagens publicadas nas revistas semanais e nos jornalões neste final de semana não trouxeram novidades em relação ao caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), cuja situação continua muito delicada, mas, digamos assim, menos complicada do que estaria se mais denúncias tivessem aparecido na mídia.

O que os colunistas mais experimentados estão dizendo é que Renan poderá ser absolvido, até porque os parlamentares não estão nada interessados na queda do poderoso presidente do Senado, mas permanecerá desmoralizado e fraco até o fim do mandato de presidente, no início de 2009. Este blog ainda tem dúvidas se será possível a permanência de Calheiros na presidência do Senado, tantos são os constrangimentos que ele próprio criou em sua atrapalhada defesa, mas também não duvida que uma grande e saborosa pizza seja servida no Conselho de Ética. Os pizzaiolos Cafeteira e Sibá Machado já estão a postos, com a massa e o recheio na mão.

Pensando bem, no caso de Calheiros, tudo deveria terminar não em pizza, mas em um fausto churrasco, com carne de primeira, direto das fazendas do presidente do Senado. Assim, os senadores poderiam ter um mínimo contato com as provas do caso...

sexta-feira, 15 de junho de 2007

Calheiros adiou a hora da guilhotina?

Não foi nesta sexta-feira que Renan Calheiros (PMDB-AL) perdeu a batalha que vem travando para permanecer na presidência do Senado e até, na visão de alguns, manter seu mandato de senador da República. Em tese, a decisão final deve ocorrer na terça-feira, depois que o Conselho de Ética do Senado receber a perícia dos documentos enviados por Renan e ouvir o advogado de Mônica Veloso e o lobista Cláudio Gontijo.

O tempo agora corre contra Renan. Amanhã, a revista Veja e o jornal O Estado de S. Paulo devem sair com "novidades" sobre o caso. Evidentemente, nada que vá refrescar muito a vida do presidente do Senado. Nos bastidores de Brasília, o clima está bastante agitado, com todo o tipo de rumor circulando. Tem gente bem informada sugerindo que Renan não vai deixar barato uma eventual queda e deverá arrastar alguns colegas para o lamaçal – no próprio Conselho de Ética haveria outro senador enrolado com o mesmo problema que originou o "calvário" de Renan – a explosiva combinação de filho fora do casamento com disputa em torno da pensão e reconhecimento da criança.

O fim de semana promete e Brasília terá dias bastante agitados a partir de amanhã. Do ponto de vista do presidente Lula, essa agitação toda tem aspectos positivos e negativos. De um lado, Calheiros é um aliado e talvez fosse melhor para o presidente mantê-lo como "pato manco" na presidência do Senado do que arriscar uma nova disputa política na Casa – nunca é demais lembrar do famoso "efeito Severino", que resultou na eleição do desastrado ex-deputado Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara Federal. Por outro lado, os problemas de Renan tiraram completamente do foco da mídia a investigação sobre as denúncias contra Genival Inácio da Silva, o Vavá, irmão mais velho do presidente. Alguém já disse que Lula é um homem de sorte. Ao que parece, de muita sorte...

Charge do dia

Ricardo Musse: impasse na USP

Em mais uma colaboração para este blog, Ricardo Musse, professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo, comenta os últimos capítulos de uma novela que na verdade já dura quase seis meses, pois teve início com a posse de José Serra (PSDB) no governo do estado. A seguir, a íntegra do comentário:


O impasse na USP continua mesmo depois que José Serra revogou, em seus pontos mais críticos, os decretos que engessavam as universidades estaduais paulistas. A hostilidade do governo perante as premissas do ensino público, demonstrada por atos e palavras, acirrou uma série de conflitos internos que até então permaneciam apenas latentes.

A credibilidade política, institucional e intelectual da USP pode ser creditada em grande parte ao papel proeminente que desempenhou na resistência e oposição à ditadura militar. Sua estrutura interna de poder, no entanto, não foi democratizada, conservando um “entulho autoritário” que persistiu após a extinção do regime de cátedras em 1968. Não só o poder, mas a própria representação política está confinada na figura do reitor e nas mãos do estamento burocrático que o envolve – um reduzido grupo de professores titulares que exercem o mando e as funções administrativas que outrora eram apanágio dos catedráticos.

Nem mesmo nos departamentos, estrutura elementar da organização universitária, os professores são considerados formalmente iguais. O conselho departamental é composto pela totalidade dos titulares, por representantes dos livre-docentes e doutores (excluindo assim a participação da maioria dos professores), e por uma representação estudantil que não pode exceder a 10% do número de professores.

Diante desse monopólio da atividade política e da apatia demonstrada pela reitora (e seu estamento burocrático) em relação aos ataques à autonomia universitária, não é de se estranhar que os estudantes tenham lançado mão de uma medida extrema. No entanto, o que mais se viu foram professores titulares procurando desqualificar a ação dos estudantes, sem demonstrar, em contrapartida (com raras exceções), qualquer preocupação com os decretos governamentais.

A defesa dos privilégios desse estamento talvez explique porque pessoas que se notabilizaram na luta democrática têm recusado, de forma tão veemente, o direito à participação política dos estudantes, utilizando-se muitas vezes de uma retórica que lembra os argumentos dos escravocratas no século XIX. Os membros desse estamento tendem a reagir às reivindicações de estudantes e professores, sobretudo a exigência de um congresso estatuinte, com o mesmo temor da nobreza francesa ante a decisão de Luis XVI de convocar os Estados Gerais.

O tamanho do impasse, entretanto, indica que talvez tenha chegado a hora de a comunidade uspiana voltar-se para si própria e discutir formas efetivas de democratização da representação e do poder. Parece insustentável a situação na qual os professores são ouvidos apenas quando entram em greve, os funcionários quando trancam as portas dos prédios, e os alunos não têm direito à palavra sequer quando ocupam o prédio da reitoria e a mídia.

quinta-feira, 14 de junho de 2007

Situação de Renan se complica

A reportagem do Jornal Nacional, da TV Globo, sobre supostas irregularidades nos negócios agropecuários do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pode provocar uma modificação radical na até então confortável situação do presidente do Senado no Conselho de Ética da Casa. O parecer que absolve Renan tinha tudo para ser aprovado nesta sexta-feira – no máximo poderia haver alguma postergação em virtude de eventual falta de quórum ou pedido de adiamento para realização de oitivas com o advogado de Mônica Veloso e com o lobista Cláudio Gontijo. Com a reportagem do JN, cujo conteúdo está resumido na matéria abaixo, do site G1, Renan ficou em situação delicada. Nos bastidores brasilienses, circula a informação de que a revista Veja também vai trazer reportagem sobre o gado do presidente do Senado. A continuar a pancadaria neste nível, vai ser mesmo muito difícil para Calheiros permanecer à frente da presidência do Senado, a menos que ele tenha uma excelente explicação na ponta da língua e que não possa ser derrubada posteriormente por matérias de jornal. Esta sexta-feira promete ser excepcionalmente agitada na capital federal...


Empresas citadas na defesa de Renan são suspeitas de irregularidades
Senador apresentou ao Conselho de Ética recibos de venda de gado para provar renda.

Uma reportagem exclusiva do Jornal Nacional, da Rede Globo, desta quinta-feira (14), mostra divergências nos recibos de rendimentos rurais apresentados pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), para comprovar a origem do dinheiro da pensão paga por ele à jornalista Mônica Veloso, com quem tem uma filha de 3 anos.
Calheiros é dono de três fazendas. Ainda arrenda outras três. Segundo ele, 1,7 mil cabeças de gado são criadas nessas terras, todas vizinhas, e renderam um ganho de R$ 1,9 milhão nos últimos quatro anos.
Mas o gerente das fazendas, Everaldo de Lima Silva, diz que o número de animais é bem menor do que esse. Seriam na verdade 1,1 mil cabeças, ao todo.
Conselho de Ética
Há uma semana, o senador Renan Calheiros entregou ao Conselho de Ética uma relação de cópias de alguns cheques, extratos bancários e 70 recibos em folhas de papel sem timbre ou numeração, assinadas por ele.
As cópias referem-se à venda de gado. A papelada, segundo a defesa do senador, comprovaria a origem do dinheiro da pensão paga por ele à jornalista Mônica Veloso.
O Conselho de Ética investiga a suspeita de que as contas de Calheiros foram pagas por Claudio Gontijo, lobista da construtora Mendes Júnior.
O Jornal Nacional recebeu cópias dos recibos enviados por Renan Calheiros. E tentou localizar as empresas e pessoas que teriam comprado animais de suas fazendas. Encontrou situações que contradizem a defesa do senador.
Os compradores
De acordo com o cadastro da Secretaria de Fazenda do estado de Alagoas, os donos de três das seis empresas que compraram animais do senador Renan Calheiros moram em uma rua no bairro de Rio Novo, subúrbio de Maceió. Duas das empresas foram multadas por extravio de notas fiscais.
João Teixeira dos Santos, de 82 anos, é sócio gerente da Carnal Carnes de Alagoas, já inativa. O senador apresentou três recibos para a Carnal, no valor de R$ 127 mil. João Teixeira diz que nunca deu cheque nem comprou animais de Renan Calheiros.
A empresa GF da Silva Costa também é de Rio Novo. Segundo os recibos, teria comprado R$ 164 mil em bois do senador.
No endereço de Genildo Ferreira, dono da empresa, ninguém o conhece. O CPF dele consta como suspenso na Receita Federal. A sede da empresa fica em uma casa em Satuba, uma cidade vizinha. As correspondências da empresa estão acumuladas. Ninguém vai buscar.
A locatária do imóvel, Givanete Maria da Silva, que mora lá há três anos, diz que ali nunca funcionou negócio de carne. "Aqui nessa casa não", garante ela.
Na Secretaria de Fazenda, a empresa também aparece como inativa. E foi multada em R$ 680 mil por extravio de notas fiscais. Cinco recibos apresentados pelo senador são posteriores ao fechamento da empresa.
Roberto Gomes de Souza foi contador da empresa. É o mesmo contador da Carnal. Ele disse que não lembra de negócios das duas empresas com o senador.
A Stop Carnes é um pequeno açougue. Apesar de estar em funcionamento, também aparece como inativo no cadastro da Fazenda Estadual.
Recibos mostram que o senador Renan teria vendido R$ 47 mil em gado para a Stop. O dono é Elzir de Souza Silva. Ele confirma que comprou animais do senador, mas não sabe dizer quantos, nem tem recibos.
"Você me vende o boi. Sei lá se é do Renan Calheiros ou não. Eu paguei a você. Tô comprando a você. Agora se você tá atrás de Renan Calheiros, não sei como é", diz ele. E completa: "Eu nem conheço ele. Já viu pobre conhecer rico?"
O maior cliente do senador Renan Calheiros é o açougue São Jorge, em Benedito Bentes. Os recibos estão em nome da MW Ricardo da Rocha, uma microempresa, que teria comprado do senador R$ 429 mil.
A empresa, no entanto, declarou faturamento de apenas R$ 23 mil no ano passado. Procurados, os proprietários Maria Waldeci Ricardo da Rocha e José Acácio da Rocha não quiseram dar entrevista.
Outro lado
O senador Renan Calheiros não quis gravar entrevista ao Jornal Nacional. Por telefone, disse que tem como provar a legalidade da venda do gado com notas fiscais e guias de transporte animal. Disse ainda que todo o dinheiro foi depositado em sua conta pessoal.
O senador afirmou que todos os negócios foram fechados pelo veterinário Gualter Peixoto, que presta serviço a ele em Alagoas. Renan disse também que não é problema dele se algum empresário tiver enganado o fisco. E afirmou que pediu à Secretaria da Fazenda de Alagoas documentos sobre os negócios realizados.
E rebateu as declarações de Everaldo de Lima Silva, gerente de suas fazendas. Segundo o senador, Everaldo é peão da fazenda e não tem noção do tamanho do rebanho.

O que está bombando na economia real

Algumas pessoas reclamam que os números do Produto Interno Bruto não refletem o que vai pelo mundo real, em que os negócios estariam bem mais devagar do que indica o crescimento de 4,3% no trimestre, divulgado na quarta -feira pelo IBGE. Este tipo de queixa em geral vem de representantes de setores da economia que de fato enfrentam dificuldades, por razões específicas que não cabe aqui comentar. Os números, porém, não mentem. A matéria abaixo, da Agência Estado, mostra que a venda de computadores pessoais cresceu não 3% ou 4% no trimestre, mas espantosos 30%. Em grande parte, este número se deve ao programa PC Conectado, criado no governo Lula, que logrou derrubar o preço dos computadores por meio de incentivos fiscais. É mais um sinal da importância do Estado na promoção do desenvolvimento econômico. Para a tristeza dos neoliberais, Keynes não morreu...

Venda de PCs chega a 1,9 milhão de micros no 1º trimestre

Alexandre Barbosa

SÃO PAULO - Levantamento realizado pela empresa de pesquisas IDC revela que a venda de PCs no mercado brasileiro cresceu 30% ao longo do primeiro trimestre de 2007, totalizando 1,9 milhão de unidades, sendo 1,7 milhão de micros de mesa (desktops) e os demais notebooks.

A venda de micros de mesa cresceu 23,9% na comparação com igual período no ano anterior, mas o destaque vai para os portáteis, cuja venda de 200 mil unidades pode parecer de menor impacto, mas registrou crescimento de 125,8% em relação ao primeiro trimestre de 2006.

Confirmando uma tendência dos últimos meses, os incentivos à venda de novos PCs estão estreitando cada vez mais a participação do mercado cinza (composto por máquinas contrabandeadas ou que usam componentes trazidos ao País também por contrabando), que dominava 50,8% do mercado entre janeiro e março de 2006 e que, em março deste ano, respondia por 41,7%.

Entre as marcas no mercado legal, a brasileira Positivo Informática ainda é a maior vendedora de PCs no País, com 12,9% de participação e 247,8 mil unidades comercializadas. A segunda posição fica com a HP Brasil, que, em compensação, manteve a liderança entre os notebooks, com 25% do mercado de portáteis.