Pular para o conteúdo principal

Jorge Rodini: classe média contra Lula?

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta a irritação da classe média com o governo federal, que parece estar no auge após o acidente com o Airbus da TAM. A seguir, a íntegra do comentário:

A classe média começa a dar mostras de impaciência com Lula. O episódio trágico de Congonhas, a vaia solene no Maracanã na abertura do Pan e apupos espalhados por outras capitais corroboram este sentimento da classe que mais sofreu nestas últimas gestões.

Parece que o maior estrago a imagem de Lula vem de seus correligionários. A ministra Marta Suplicy detonou um "Relaxa e Goza" no meio do caos aéreo. Marcos Aurélio
"top top top" Garcia e seu assessor trapalhão mandaram não se sabe quem se ferrar. Agora o brigadeiro demitido diz que tudo que entra, sai; ou tudo que sobe, desce. Isto depois de ter ensinado como "cozinhar" o pepino.

Há que se ter um mínimo de bom senso na hora de dar declarações à imprensa. Em momentos críticos da vida nacional, autoridades com responsabilidades até acima de suas potencialidades deveriam ter respeito à dor de quem sofre com a incompetência.

As expressões chulas e os sorrisos de escárnio em nada contribuem para minimizar os transtornos e os prejuízos. Eles só alavancam a indignação de quem ouve, os brasileiros pagadores de impostos.

O silêncio que a classe média se permitiu nestes últimos tempos está se transformando em pedido de socorro. A lamúria contida começa a virar um grito rouco.O urro das arquibancadas vai ganhando as avenidas, as alamedas e os viadutos.

Lula não percebeu que a crise campeia ao seu lado. As frases de sentido mais do que pornográfico dos membros do governo sublinham o caráter mesquinho desta disputa com a verdade. No Brasil, o andar do meio é muito próximo ao andar de baixo.

É melhor para todos que se respeite e se devolva a dignidade a classe média, sob pena de que as frases infelizes balizem as próximas avaliações do governo.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Doca Street, assassino de Ângela Diniz, morre aos 86 anos em São Paulo

Não existe verbete na Wikipédia sobre Doca Street. Morto nesta sexta (18) aos 86 anos, talvez agora ele ganhe uma página em seu nome nesta que é a maior enciclopédia colaborativa do mundo, onde só em português constam 1.049.371 artigos. A menção mais relevante no site a Raul Fernando do Amaral Street, o nome completo de Doca, aparece na entrada que fala de Ângela Diniz, socialite mineira assassinada em 1976 com quatro tiros disparados pela arma –e pelas mãos– de Doca, na casa que o casal dividia na Praia dos Ossos, em Búzios (RJ). Nada surpreendente. Afinal, desde que pôs um fim à existência de Ângela, Doca viu sua vida marcada e conectada ao crime que cometeu –ainda que, após seu primeiro julgamento, em 1979, ele tenha saído pela porta da frente do tribunal, ovacionado pelo público de Cabo Frio, também no litoral fluminense, escreve Marcella Franco em artigo publicado na Folha Online na sexta, 18/12, e reproduzido sábado, 19, no jornal. Vale a leitura, continua a seguir. Foi só em 198...

Dica da Semana: Tarso de Castro, 75k de músculos e fúria, livro

Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista  Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...

Política mundial? Leia o blog do Argemiro

Política internacional jamais foi o forte deste blog, que prefere manter o foco nas análises da mídia e da política brasileira. Para quem gosta de acompanhar o noticiário internacional em português e está cansado de ler o pouco que os nossos jornalões reproduzem por aqui, uma boa dica é o Blog do Argemiro Ferreira , um dos mais experientes correspondentes brasileiros trabalhando nos Estados Unidos. Colunista do jornal Tribuna da Imprensa , Argemiro faz excelente análises e traz informações diferenciadas, especialmente sobre a corrida eleitoral nos EUA. Um bom exemplo é o post abaixo, que começa com futebol e termina em Karl Rove. Quem quiser ler mais é só dar um pulo lá ... A promiscuidade no jornalismo político Certa vez estive envolvido numa discussão interna do Sindicato de Jornalistas do Rio sobre uma coluna iniciada por Pelé no Jornal do Brasil. Discordei da idéia de impedí-lo de escrever a pretexto de não ser jornalista. Mas o próprio craque, interpelado pelo sindicato, acabaria...