A atenta leitora Vera, assídua frequentadora deste blog, escreve comentário à nota anterior dizendo que o envio do processo relativo ao caso do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pôde ser remetido de volta à Mesa Diretora por falhas na representação original, no PSOL. Na verdade, a representação pôde ser remetido de volta sobretudo porque Renan decidiu não submetê-lo à Mesa Diretora do Senado, a fim de dar celeridade ao processo e afastar a impressão de que ele mesmo gostaria de protelar o andamento das investigações. Processualmente, é possível que a representação do PSOL contenha falhas ou seja insuficiente, mas o fato é que neste momento, o enviou do processo de volta à Mesa Diretora é uma manobra processual e, o que é mais importante, politicamente desastrosa. Quintanilha é aliado de Renan e está usando as artimanhas à disposição para fazer o caso andar mais devagar. A avaliação de que isto dará fôlego ao presidente do Senado é precipitada e o tiro pode acabar saindo pela culatra: quanto mais tempo o caso permanecer na mídia, pior para Calheiros. Certamente, se ele deixasse a presidência do Senado, o caso acabaria em poucos dias e é bastante provável que ele conseguisse inclusive manter o mandato, porque não há prova alguma de que tenha usado dinheiro da Mendes Júnior para pagar a pensão da sua filha. No máximo, receberia uma advertência. Permanecendo na presidência, o caso ganha caráter político-partidário e permite, inclusive, que a ex-senadora alagoana Heloísa Helena, presidente do PSOL, aproveite para tirar uma casquinha em suas disputas locais, como bem apontou Vera.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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