terça-feira, 23 de junho de 2009

Senado: salve-se quem puder

Está cada vez mais quente o clima no Senado Federal. Com as demissões do diretor-geral da Casa e do diretor de Recursos Humanos, é possível que a situação melhore, momentaneamente, mas este blog duvida que os problemas sejam totalmente sanados. O que está em curso é uma histórica disputa pelo Poder no Legislativo, com evidentes implicações na sucessão presidencial. Para quem não entendeu nada até agora, a explicação mais simplificada é a seguinte: o governador José Serra (PSDB) quer detonar a ala governista do PMDB - Sarney é o maior expoente desta ala e adversário pessoal de Serra desde o tempo da candidatura de Roseana Sarney. Com o perdão da má expressão, Serra quer ferrar Sarney. Se fosse só ele, porém, talvez o jogo não estivesse tão pesado, apesar da conhecida truculência do governador paulista. O problema é que há uma ala do PT que também não deseja ver o PMDB tão fortalecido.

E tudo isto ocorre em meio a uma outra disputa, nos andares inferiores da Casa, na qual as viúvas de Agaciel Maia distribuem dossiês a torto e a direito, para intimidar os senadores que poderiam assumir um papel de liderança neste momento. Como todo mundo comeu na mão de Agaciel, inclusive os tais "éticos" - vide os casos dos benefícios concedidos à mulher de Cristovam Buarque ou à namorada de Eduardo Suplicy –, o bicho pega de verdade. O tucano Arthur Virgílio está tentando assumir a liderança - já esclareceu que Agaciel mandou uns euros amigos para a sua conta quando seu cartão de crédito o deixou na mão em Paris -, mas a tarefa não é fácil porque todos os colegas têm algum rabo preso e preferem que as coisas se resolvam sem muito alarde. Porém, sem uma solução negociada, o pau vai continuar a comer no andar de baixo e no de cima. Este blogueiro acha que o Senado vai se arrastar na crise até a próxima as eleições de 2010, com chances de carregar a "herança maldita" para a próxima legislatura.

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