segunda-feira, 15 de junho de 2009

Rodini: os secretários do Senado

Mais uma colaboração de Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, para o Entrelinhas, desta vez sobre a polêmica em torno dos desmandos no Senado Federal. A seguir, na íntegra, o comentário de Rodini.

Parece que virou moda; a imprensa só fala do Senado. É o inferno astral do Sarney.

Presidente da República por acaso, senador eleito por estado alheio, governador do Maranhão eleito por... sabe-se lá como, Sarney anda às voltas com a sua Sociedade Secreta. Secreto vem de secretum no latim, que significa secretário, que é a pessoa da confiança de alguém.

Ora, quando elegemos os senadores imaginamos que sejam da nossa confiança. Ocorre que os nossos eleitos nomearam vários secretários da sua confiança. Neto de um, sobrinho de outro, pai do amigo do tal sobrinho, amigo do neto de um.

E por aí foi. Muitos nomeados na calada da noite – às vezes nem tão calada
, visto que as festas que os senadores e seus pares frequentam são um só foguetório.

Cartas, e-mails, torpedos, ligações telefônicas, vale tudo para ser da confiança deles. Carteados, baladas, jantares e favores são as contra-partidas...

O auxílio-moradia foi oferecido como morada do rei, aquele que impera no Senado de hoje. A arte do não saber voltou a ser demonstrada e propalada aos quatro cantos.

Voar com o bilhete dos outros também virou rotina. E, mesmo os de bem, confirmaram que cederam.

Nesta altura do campeonato, os eleitores devem pedir a renúncia de quem renunciou a nossa confiança.

E os maranhenses, bravos guerreiros que tropeçam nas estradas de pó, pedem que o Dono do Mar fique.

Fica, Sarney, fica...na Ilha de Curupu.

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