terça-feira, 30 de junho de 2009
Bovespa tem o melhor trimestre desde 2005
Ademais, se as coisas continuarem nesta toada, o presidente Lula poderá dizer, em 2010, que estava certo: a crise não passou de uma marolinha e durou pouco. A oposição apostava na crise econômica para derrubar a popularidade de Lula. Já viu que a aposta era uma canoa furada. No momento, o candidato mais forte da oposição à presidência, o governador José Serra (PSDB), aproveita seu tempo livre falando do Palmeiras no Twitter. A rigor, é das poucas manifestações públicas que se pode encontrar do ilustre ocupante do Palácio dos Bandeirantes. De vez em quando Serra finge que está bravo é dá um pau no Meirelles, o ex-tucano que cuida da taxa de juros no país. É a única crítica que Serra consegue oferecer - "os juros são altíssimos, escorchantes" e coisa e tal. Começa a lembrar o Brizola de antigamente, que vinha sempre com aquela conversa das perdas internacionais...
O fato é que o Brasil mudou. Como lembrava um amigo desta coluna, em 1985 Tancredo Neves dizia: "não vamos pagar a dívida externa com a fome do povo brasileiro". O Brasil estava à beira do precipício, em termos econômicos. Hoje, o Brasil pagou a dívida, empresta para os gringos, e o povão está comendo bem melhor. Vai ser difícil para Serra ou qualquer outro representante da oposição explicar que essas coisas na verdade foram todas planejadas minuciosamente por um gênio da raça chamado Fernando Henrique Cardoso e que o seu sucessor barbudo só surfou no que já havia sido montando. Mentira, como se sabe, tem pernas curtas. O povão pensa fácil: minha vida melhorou? Pois é, parece que sim. É isto que dá voto e prestígio a Lula.
Já no andar de cima o presidente habilmente construiu uma base de apoio ao não colocar a faca no pescoço dos que já acumularam renda e patrimônio para viver meia dúzia de gerações sem trabalhar. Essa gente estava assustada em 2002, afinal Lula poderia ser uma espécie de vingador do povaréu. Como o presidente é apenas um homem da esquerda moderada, os suspiros de alívio se transformaram menos em apoio entusiasmado e mais em uma postura de "melhor com ele do que com os aloprados petistas no comando".
É, vai ser parada muito dura para Serra ou qualquer outro candidato da oposição. Se bobear, a eleição repete o padrão de 2006, quando Alckmin investiu no neoudenismo, conquistou uma classe mérdia que jamais engoliu o ex-operário, e o resto vai de Dilma ou quem Lula beijar a testa. Pode até ser mais complexo do que isto, mas hoje a tendência é de que as coisas se resolvam com muita simplicidade. A ver...
Sarney subiu no telhado
O DEM continuará a apoiar Sarney?
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Em que tucano confiar: Aécio ou Virgílio?
A nota reproduzida ao final deste comentário é do blog do jornalista Josias de Souza. Enquanto o senador Arthur Virgílio (PSDB-AP) xingava de coisas bem feias o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o governador Aécio Neves, correligionário de Virgílio, assoprava. Qual a diferença entre Aécio e Virgílio? Bem, uma diferença notável é a quantidade de votos de cada um. Aécio se reelegeu governador de Minas Gerais com mais de 60%, Virgílio perdeu o governo do Amazonas com menos de 10%. A outra é de estilo. Aécio faz política desde muito jovem, sempre agregando, sempre dialogando. Herança de seu avô Tancredo. 
Arthur Virgílio é o oposto do hábil mineiro, age com o fígado, já prometeu "dar uma surra" no presidente Lula. Sua patética performance no Senado nesta segunda-feira e a prova cabal da falta de talento do líder tucano, que muito disse e pouco explicou. Afinal, qual foi o valor que emprestou de Agaciel Maia? Quem pagava a internação hospitalar da mãe do senador amazonense? E vai devolver os R$ 700 mil gastos no tratamento daquela senhora?
No fundo, política é sempre uma questão de estilo. Aécio está revelando a sua, é alguém com quem dá para sentar e conversar civilizadamente. De Arthur Virgílio, melhor guardar distância. Resta saber o que José Serra acha de tudo isto. Se bem que ultimamente o governador de São Paulo não acha nada sobre coisa alguma. Pelo menos não em público.
Abaixo a matéria do blog do Josias.
Aécio Neves destoa do PSDB e defende José Sarney
Num dia em que Arthur Virgílio (PSDB-AM) subiu à tribuna para pedir o afastamento de José Sarney, o governador tuano Aécio Neves remou noutra direção.
Em entrevista, Aécio disse que o Senado “tem problemas”. Mas afirmou ter “convicção” de que Sarney “saberá enfrentá-los”.
O governador mineiro não chegou a dizer que Sarney não pode ser tratado como “uma pessoa normal”, mas chegou perto disso:
Acha que Sarney "teve um papel muito importante no momento talvez mais importante das últimas décadas”. Que momento? “A transição democrática”.
A prevalecer esse entendimento, inaugurado por Lula, Sarney disporia de anistia prévia, concedida pela história, contra qualquer acusação que se lhe faça.
PS em 30/06: Um leitor amigo do blog lembra que foi ACM Neto e não Arthur Virgílio que prometeu "dar uma surra" no presidente Lula. É verdade. Virgílio foi um pouquinho mais sutil, disse o seguinte no final de 2005: "Eu duvido que tenha neste país, uma pessoa - pode ser o Presidente Lula, o Delúbio, o segurança do Lula, qualquer um- alguém que tenha coragem ousadia física de fazer mal a filho meu, à minha esposa sem que eu cobre do jeito que eu achar que eu devo como homem uma resposta muito drástica para uma afronta desse tipo. (...) Se isso é uma tática para intimidar aqui e intimidar acolá, eu já disse ainda há pouco que mexer comigo com meus valores, sobretudo envolvendo minha família é tão grave e dá uma confusão tão feia quanto passar a mão no bumbum da namorada do Mike Tyson num bar". Arthur Virgílio se acha um Mike Tyson. Devia lembrar como acabou a carreira do grande campeão.
Uma dupla demolidora
joseserra_ Às 22h, longa entrevista ao Chalita na TV Canção Nova, canal 96 da Sky. Ou pela internet: www.cancaonova.com.br. Vou contar muita história.
12 minutes ago from web
Se o leitor tem alguma tendência masoquista, gosta de sofrer, este blog aconselha vivamente o programa. Serra sozinho já é complicado, contando "muita história" para o filósofo Gabriel Chalita, então, deve ser mesmo de lascar...
Yeda: uma comédia de erros e horrores
Alegando falta de apoio de Yeda, secretário da Transparência deixa o governo do RS
Flávio Ilha Especial para o UOL Notícias em Porto Alegre
Oito meses depois de assumir a Secretaria da Transparência do Rio Grande do Sul, o secretário Carlos Otaviano Brenner de Moraes está deixando o governo gaúcho. Ele pediu demissão e reclamou da falta de apoio da governadora Yeda Crusius (PSDB) à política de saneamento administrativo.
Na última sexta-feira (26), um relatório elaborado por Moraes recomendou o afastamento da secretária Walna Villarins Meneses, assessora direta da governadora, até que seja apurada a sua participação em episódios investigados pela Polícia Federal na Operação Solidária.
Além do afastamento de Walna, o secretário de Transparência recomendou a abertura de uma sindicância para apurar as denúncias contra a secretária. A governadora não deve acatar a sugestão por considerar inconsistentes as evidências contra a sua assessora. O relatório foi entregue ao chefe da Casa Civil, José Alberto Wenzel.
Crise? Venda de carros será recorde
Com IPI menor, indústria prevê melhor ano da história em venda de veículos
EDUARDO CUCOLO
da Folha Online, em Brasília
O presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), Jackson Schneider afirmou nesta segunda-feira que a prorrogação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) menor para veículos pode garantir à indústria o melhor ano em vendas internas da história. Até o mês passado, a Anfavea previa queda nas vendas.
O executivo não adiantou em quanto pode ser o crescimento. Em 2008, o Brasil registrou vendas internas de 2,820 milhões de unidades.
Para este ano, a previsão da indústria era de queda de 3,9% nas vendas, para 2,710 milhões de veículos. Agora, com IPI menor até dezembro, o desempenho deve ser positivo.
"Se continuarmos nesse ritmo, devemos ter o melhor ano da história", afirmou
Segundo o executivo, o primeiro semestre do ano já apresentou resultados positivos, puxados pelo benefício fiscal. "Devemos fechar o primeiro semestre deste ano com um numero maior de vendas no mercado interno do que fizemos no primeiro semestre de 2008, que já foi recorde", afirmou.
O presidente elogiou as medidas anunciadas pelo governo nesta segunda e disse que estão dando os resultados esperados.
Segundo o presidente da Anfavea, as vendas chegaram a cair cerca de 20% no último trimestre de 2008, em comparação anual, e continuavam caindo.
"Estávamos com mais de 300 mil carros em pátio. Se nós não tivéssemos essa redução de IPI, provavelmente a história da indústria automotiva brasileira em termos de desempenho nesse ano teria sido terrivelmente pior."
Para Schneider, o mercado brasileiro tem demanda reprimida e muito espaço para crescer, e comparou com a Argentina. Segundo ele, no Brasil, a relação é de 8,1 habitantes por veículo. Na Argentina, é de cerca de 5.
Produção
De acordo com a previsão feita antes da prorrogação do IPI, a produção de veículos deveria ficar em 2,860 milhões de unidades em 2009, queda de 11,1% em relação a 2008. A Anfavea ainda não comentou se essa previsão será alterada. Até maio deste ano, a produção atingiu 1,187 milhão de veículos, queda de 14,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
O mercado externo ainda é o principal responsável por esse recuo. As exportações de veículos caíram pela metade de janeiro a maio deste ano em relação ao mesmo período de 2008. Para o ano, a Anfavea prevê queda de 39%, para US$ 8,5 bilhões.
Kotscho e a hipocrisia de Serra
Serra ataca “loteamento” ao lado de Roberto Freire
O governador José Serra saiu dos seus cuidados neste final de semana e compareceu ao 16º Congresso Estadual do PPS (antigo Partido Comunista Brasileiro, hoje linha auxiliar da aliança PSDB-DEM), em Jaguariúna, no interior de São Paulo, a 134 quilômetros da capital.
Foi e voltou de helicóptero e ficou lá apenas 45 minutos, o suficiente para atacar o governo federal e o PT:
“O PT usa o governo como se fosse propriedade privada. Quando o PT foi para o governo, incorporou esse patrimonialismo do partido. Em São Paulo, não existe esse loteamento governamental, ao contrário do federal”.
Não existe? Serra esqueceu-se que estava ao lado do presidente do PPS, Roberto Freire, suplente do senador Jarbas Vasconcelos (PMDB), atualmente ganhando a vida como membro de dois conselhos municipais em São Paulo, embora seja do Recife e more em Brasília.
Ex-candidato a presidente da República, hoje Freire não se elege nem síndico em sua cidade, mas fatura R$ 12 mil por mes para participar de uma reunião mensal e assinar as atas da Emurb (Empresa Municipal de Urbanismo) e da SP-Turismo.
Quem lhe arrumou esta boquinha foi o próprio governador José Serra, em 2005, quando era prefeito de São Paulo. Mantida pelo seu sucessor Gilberto Kassab, a sinecura abriga hoje 58 conselheiros, que custam R$ 4 milhões por ano à Prefeitura.
Quem fez a denúncia, em janeiro deste ano, foi o repórter Fabio Leite, do Jornal da Tarde. Mas, ao contrário do que acontece no plano federal, não mereceu nenhuma repercussão na chamada grande imprensa. Em seu texto, Leite escreveu que esta “bondade administrativa visa acolher aliados e engordar os salários dos secretários municipais”.
Até hoje esta informação não foi desmentida nem se tem notícia de que Roberto Freire, fiel à sua cruzada de paladino da moralidade alheia, tenha aberto mão da bem remunerada boquinha.
Em Jaguariúna, como anfitrião do governador, ele aproveitou para atacar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, que “não anda no país, o que anda é a corrupção”, segundo noticiário da Folha.
Antes de pegar o helicóptero de volta para São Paulo, Serra, que não foi perguntado sobre a aparente contradição entre o que falou sobre “loteamento” e a condição do conselheiro Freire, ainda garantiu aos ex-comunistas que fará “o possível para atender aos pedidos dos prefeitos do PPS”.
Ultradireita brasileira diz que
golpe em Honduras é "democrático"
domingo, 28 de junho de 2009
Dois pesos, duas medidas
Serra amplia comunicação online
Governador tira restrição a ferramentas sociais para que órgãos do governo usem redes como Twitter e Orkut
Clarissa Oliveira
Acompanhado em tempo real por mais de 14 mil pessoas no Twitter, o governador José Serra (PSDB) decidiu afrouxar as restrições ao uso da internet em todos os níveis da administração estadual, para que ferramentas sociais sejam utilizadas para prestar contas da gestão, divulgar realizações do governo e melhorar o relacionamento com o cidadão. Cotado para disputar a Presidência no ano que vem, Serra passará a contar com uma rede mais ampla de comunicação com cidadãos.
A nova orientação começa a valer hoje, com a publicação de uma resolução da Secretaria de Gestão no Diário Oficial, determinando que pastas e órgãos de governo revejam seus critérios de acessibilidade. Atualmente, não há uma proibição centralizada ao uso dessas ferramentas. A Secretaria de Comunicação, por exemplo, já mantém perfis ativos em diversas redes sociais. Mas várias áreas da administração paulista possuem políticas próprias de restrição a alguns ou a todos esses sites.
O texto da resolução pede que seja autorizado o acesso a redes sociais, blogs, wikis e serviços de compartilhamento de arquivos, como vídeos, áudio e planilhas. Assim, os órgãos poderão se comunicar com cidadãos em sites como Orkut, YouTube, Facebook, Flickr, além do Twitter, onde Serra mantém seu próprio miniblog. Dos cadastros de relacionamento mantidos pela administração, diz a resolução, deverão constar endereço de e-mail e telefone celular para contato.
O texto também prevê que órgãos do governo se comuniquem com cidadãos por mensagem de texto no celular, desde que seja obtida autorização prévia do usuário. Nesse caso, surge a possibilidade de confirmar o agendamento para a emissão de um documento no Poupa Tempo, enviar um lembrete sobre uma consulta médica ou divulgar a realização de eventos.
CANAIS
Com as ferramentas sociais, a administração deixa de depender da iniciativa própria do cidadão de entrar no site do governo, para buscar informações. Esses dados poderão ser levados diretamente ao usuário, por meio de uma mensagem no Twitter ou um post no Orkut. Além disso, o governo ganha a chance de multiplicar seus canais de comunicação.
"O governo está se preocupando em instituir normas, diretrizes e políticas nessa área de gestão do conhecimento e inovação. É mudar processos de trabalho, formas de relacionamento e estar mais próximo do cidadão", afirmou Roberto Agune, coordenador do Grupo de Apoio Técnico à Inovação (Gati) da Secretaria de Gestão Pública do governo.
Ele citou como exemplo dessa abordagem a última eleição americana, em que o hoje presidente Barack Obama fez amplo uso da internet para se promover junto ao eleitorado. Mas nega que a implantação desse modelo no governo paulista tenha qualquer relação com a eleição de 2010. "A sociedade tem todos os mecanismos legais para verificar que o governo está fazendo o uso correto disso", rebateu Agune, acrescentando que o foco é melhorar o relacionamento e a prestação de serviços ao cidadão. "É obrigação do governo, e isso está na Constituição, prestar contas à sociedade", completou.
Segundo Agune, o alívio nas restrições ao uso da internet é mais uma etapa de uma estratégia iniciada em 2004. No início deste ano, Serra estabeleceu em decreto as diretrizes para uma política de gestão do conhecimento e inovação.
Entre os objetivos listados está a "promoção da transparência na gestão pública por meio do provimento de informações governamentais ao cidadão, possibilitando a crescente capacidade de participar e influenciar nas decisões político-administrativas que lhe digam respeito".
Agune esclareceu que a nova política não significa que o governo tenha afrouxado sua segurança de internet, que hoje está a cargo da Prodesp. Um relatório referente ao primeiro trimestre deste ano mostrou que foram barradas mais de 6 mil tentativas de ataque virtual na estrutura de tecnologia do governo.
Pausa esportiva
Folha: peidei, mas não fui eu
Dilma contrata laudos que negam autenticidade de ficha
Imagem ilustrava reportagem da Folha; peritos não se basearam no jornal impresso
Professores compararam imagens reproduzidas pela internet com papéis do Arquivo Público; Folha reconheceu que ficha chegou por e-mail
DA REPORTAGEM LOCAL
A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encaminhou à Folha dois laudos técnicos, por ela custeados, que apontaram "manipulações tipográficas" e "fabricação digital" em uma ficha reproduzida pela Folha na edição do último dia 5 de abril.
A ficha contém dados e foto de Dilma e lista ações armadas feitas por organizações de esquerda nas quais a ministra militou nos anos 60. Dilma nega ter participado dessas ações. A imagem foi publicada pela Folha com a seguinte legenda: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".
O laudo produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha concluiu: "O objeto deste laudo foi digitalmente fabricado, assim como as demais imagens aqui consideradas. A foto foi recortada e colada de uma outra fonte, o texto foi posteriormente adicionado digitalmente e é improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais".
O laudo produzido pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília), chega às mesmas conclusões.
A ministra anexou o laudo da Unicamp em carta ao ombudsman da Folha. "Diante da prova técnica da falsidade do documento, solicito providências no sentido de que seja prestada informação clara e precisa acerca da "ficha" fraudulenta, nas mesmas condições editoriais de publicação da matéria por meio da qual ela foi amplamente divulgada, em 5 de abril de 2009", escreveu Dilma.
Em reportagem publicada no dia 25 de abril, intitulada "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada", a Folha reconheceu ter cometido dois erros na reportagem original. O primeiro foi afirmar, na Primeira Página, que a origem da ficha era "o arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebera a imagem por e-mail. O segundo foi tratar como verdadeira uma ficha cuja autenticidade não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada.
O jornal também publicou um Erramos com os mesmos esclarecimentos. A ministra se disse insatisfeita, questionou a nova reportagem e decidiu contratar um parecer técnico.
Para a análise, os professores descartaram a imagem da ficha reproduzida pela Folha em sua edição impressa. Captaram na internet cinco imagens "com conteúdo similar ao utilizado pelo jornal Folha de S.Paulo". Dentre elas, escolheram como "objeto do laudo" a imagem divulgada no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha, que reproduz artigos que criticam o jornal e questionam a autenticidade da ficha.
Para os peritos, a imagem do blog era a que tinha "a maior riqueza de detalhes". Goldenstein disse à Folha que "todas as imagens são de uma mesma família" e que a qualidade da imagem publicada pelo jornal não é boa o suficiente para "análise nenhuma".
Os professores compararam a imagem com documentos reais que supostamente teriam alguma semelhança (papel, caracteres) com a ficha questionada. Trata-se de cópias de fichas de presos pela ditadura, hoje abrigadas no Arquivo Público paulista. Escolheram as produzidas entre 1967 e 1969.
Contudo, no Erramos e na reportagem publicados no final de abril, a Folha havia explicado que a origem da ficha não era o Arquivo Público. A imagem não é datada -relaciona eventos ocorridos entre 1967 e 1969, mas pode ter sido produzida em data posterior.
Para concluir que a fotografia foi "recortada e colada", os professores compararam a foto de Dilma com fotos que encontraram no mesmo arquivo. A ficha questionada não informa que a foto de Dilma foi obtida naquele arquivo.
Sobre a impressão digital contida na ficha, os peritos apontaram não ser possível nenhuma conclusão, devido à baixa qualidade da imagem.
Crimes negados
Ouvido pela Folha na última quinta-feira, Goldenstein disse que não leu o blog do jornalista em que captou a imagem analisada e tampouco a reportagem original da Folha. "Não estou criticando o que a Folha fez. Vou ser bem sincero, eu nem li a reportagem original da Folha. Não cabe a mim julgar absolutamente nada. Meu papel é analisar essas imagens digitais que estão circulando na internet. O que a ministra me pediu: "É possível verificar, é possível um laudo sobre a autenticidade/origem da imagem? É possível dizer se vieram ou não do Arquivo Público?"."
Doutor em ciência da computação pela Universidade de Pennsylvania (EUA), ele diz que foi o primeiro laudo externo que produziu em sua carreira. A ficha questionada era uma das imagens que ilustrava a reportagem original cujo título foi: "Grupo de Dilma planejou sequestro de Delfim Netto".
Na carta à Folha, Dilma escreveu: "Reitero que jamais fui investigada, denunciada ou processada pelos atos mencionados nesse documento falso e de procedência inidônea, ao qual não se pode emprestar nenhuma credibilidade".
A Folha tem procurado checar a autenticidade da ficha. Foram contatados três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais.
Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem. Disseram que a análise de uma imagem contida num e-mail não seria suficiente para identificar uma eventual fraude.
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Lula: internet reduz poder da mídia tradicional
Lula diz que Internet reduz poder da imprensa tradicional
REUTERS, PORTO ALEGRE - A um mês do lançamento de um blog pelo Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira que o país nunca viveu um ambiente de liberdade de informação tão grande e, acredita que com o acesso cada vez maior à Internet, a imprensa tradicional está perdendo poder para os novos meios.
"Finalmente este país está tendo o gosto da liberdade de informação", disse Lula em discurso no 10o Fórum Internacional Software Livre em Porto Alegre (RS).
"Estamos vivendo um momento revolucionário da humanidade em que a imprensa já não tem o poder que tinha há alguns anos. A informação já não é mais uma coisa seletiva em que os detentores da informação podiam dar golpe de Estado", afirmou.
Pausa humorística
Estadão: persistência desinformativa
Nivaldo Cordeiro
Para o editor, dar destaque para míseros 8% de crescimento em relação a abril é mais substantivo do que anunciar a vigorosa queda de 40,7% em relação ao ano anterior.
Meu caro leitor, a persistência do jornal Estadão em criar fatos econômicos favoráveis inexistentes tangencia a demência, mas acreditar em loucura coletiva na editoria do jornal seria caridoso e definitivamente irrealista. A questão não é psiquiátrica, mas moral. Quero acreditar que tais atos de criação de fatos inexistentes não sejam meramente o resultado da troca por benefícios pecuniários governamentais pelas manchetes, ou a aquisição de prestígio político junto aos governantes do dia. Talvez haja nesses atos de mentira sistemática um grão de bondade, de que acreditem que as mentiras impressas, a hierarquizações maliciosa das notícias, possam ser favoráveis ao país. Estariam supostamente contribuindo para o bem comum.
Chamo a sua atenção para a nota do Caderno de Economia desta quinta feira: "Produção de aço tem crescimento de 8% em maio", em letras garrafais, seguindo um subtítulo que contradiz a manchete: "Na comparação com 2008 queda ainda é de 40,7%". Essa má fé jornalística é repugnante e serve tão somente para levar o leitor despreparado a tirar conclusões enganosas sobre a realidade. Impossível acreditar que algum bem mova esses mentirosos contumazes.
Notemos o advérbio "ainda". Por que o seu uso? Porque o editor quer fazer crer ao incauto leitor que a crise econômica já foi superada e que essa queda no comparativo é um ponto na curva ascendente em rumo da prosperidade, uma suposta superação da recessão. Quem é bem informado sabe que nada justifica qualquer conclusão nesse sentido.
O disparate fica mesmo por conta da desproporção das taxas. Para o editor, dar destaque para míseros 8% de crescimento em relação a abril é mais substantivo do que anunciar a vigorosa queda de 40,7% em relação ao ano anterior. Ninguém, no uso de suas faculdades racionais e morais, poderia deixar de perceber o que é estatística e economicamente mais relevante. Menos o editor estadônico, e suas vítimas, os leitores desavisados.
Essa maneira que o Estadão usa para mentir aos seus leitores é imoral.
Lula diz que só volta se oposição vencer
Pedro Alexandre Sanches:
Simonal e a ditabranca
SIMONAL, O BODE
copyleft PEDRO ALEXANDRE SANCHES
1999. Tocou o meu ramal telefônico no quarto andar da redação. Atendi. Era ligação lá de baixo, de uma das recepcionistas da Folha de S.Paulo, onde eu trabalhava. O cantor Wilson Simonal estava no saguão do jornal. Furioso, fora de si.
Pretenso Clark Kent de caricatura, vesti minha capa fajuta de super-herói de araque e desci para conversar com ele. Já que eu era o autor da entrevista que enfurecera um dos dois cantores brasileiros mais populares dos anos 1960 (o outro se chama Roberto Carlos), cabia a mim proteger e defender o jornal, a instituição, o prédio, os proprietários – e, bem, a mim mesmo – contra a (suposta) fera.
O que eu e Simonal conversamos, não faço a mínima idéia. Apaguei da memória, bloqueei. Só sei que não tive a gentileza e a generosidade de convidá-lo para entrar, sentar-se, tomar um café (bem, acho que eu não me sentia mesmo muito “dono” da “casa”...). E que aparei sozinho, ali mesmo no saguão, a emoção e a revolta do artista contra a entrevista que a Folha publicara no dia 21 de maio daquele ano e, de modo bem mais amplo, contra o exílio, o banimento, a morte de corpo presente que o Brasil lhe impunha desde ao menos 1974.
Lembro que, de transtornado no início, ele foi pouco a pouco serenando, ou melhor, deixando-se vencer pelo cansaço de uma situação que se repetia a cada nova entrevista, a cada vez que os jornalistas lembrávamos que ele ainda existia. Não esqueço, e jamais esquecerei, a expressão de desconsolo em seus olhos, do início ao fim da “conversa”.
Naqueles dias, eu, por minha parte, sabia pouco, ou quase nada, sobre tudo que acontecera a Simonal entre 1963 e 1974, hiato que o remeteu da ascensão e da fama absoluta ao mais indestrutível ostracismo. Como outros repórteres antes e depois, tateava a “notícia” (ou a não-notícia?) em “investigações” (investigações?) superficiais, desinformadas, crente de que sabia de tudo, sem saber de nada.
Aquela foi uma das quatro ocasiões de minha vida em que estive diante de Wilson Simonal. Logo depois, fui ao show motivador da reportagem “Proscrito, Simonal tenta cantar em SP”, que ele então estreava no teatro do hotel Crowne Plaza. Ao final de uma sôfrega e melancólica apresentação, fui cumprimentá-lo no minúsculo camarim, e o encontrei abandonado numa cadeira, passando mal, de cabeça baixa, olhando o chão. Aceitou meu cumprimento indiferente, sem esboçar reação.
quinta-feira, 25 de junho de 2009
Morte de Michael Jackson:
internet é o rádio do século 21
Direita agora quer rifar Heráclito Fortes
Abaixo, o texto publicado pelo jornalista da Veja.
Pede pra sair, Heráclito. Ou, então, que o DEM chame o de Éfeso!
Faz tempo que o senador Heráclito Fortes (DEM-PI) se esforça para atravessar a rua só para pisar em casca de banana, comprometendo, assim, o seu partido, o DEM, com tudo o que há de ruim no Senado. Sim, o DEM ajudou a eleger Sarney. A alternativa era o petista Tião Viana (AC). Se me tivesse sido dado escolher, teria feito a mesma opção, já disse aqui. No que respeita a malfeitorias, as diferenças entre petistas e não-petistas é só de argumento. Os do PT costumam ser mais elaborados e, por isso mesmo, mais deletérios para o processo político..
Espero que Heráclito não seja pego, mais adiante, nessa teia formidável de denúncias e privilégios inaceitáveis, o que contribuiria para caracterizar a sua defesa do indefensável como matéria de interesse pessoal. A eventual suspeita de equívoco logo se transformaria em discurso interessado.
Se o senador Heráclito esqueceu o que é uma República, a gente relembra. Deve haver centenas, senador, quem sabe milhares, de pessoas competentes na área em que o neto de Sarney é especialista. Também elas poderiam reduzir o spread dos empréstimos se ele era mesmo extorsivo.
Em companhia de Lula, o senador do DEM, que gosta dos holofotes, se torna o principal defensor de Sarney. Não só ele considera regular que seja o neto a ter a tal empresa, como ainda sugere que foi um bem para o país e que o parentesco prejudica o rapaz, coitadinho! Sem dúvida, senador Heráclito! Imagino a dificuldade que foi para esse rapaz provar a sua larga experiência no setor — ele tem 29 anos, não? — e o quão competente ele era para cuidar do assunto. Outra pessoa, com um sobrenome qualquer, teria muito mais dificuldades, não é mesmo? Há um déficit impressionante de senso de ridículo no Senado.
Heráclito sempre foi, assim, corpulento, né?, mas não dava sinais de adiposidade cerebral, que é sempre mais grave do que a outra quando se trata do interesse público. Agora que decidiu ser mais esguio, convém manter irrigados os canais do cérebro. Sua defesa é inaceitável para que pertence a um partido de oposição. Especialmente porque Sarney sugeriu hoje que se trata de uma conspiração que busca também atingir Lula.
Antes deste, houve outro Heráclito, o de Éfeso. Era um tanto enfezado e pessimista, mais deixou algumas boas tiradas. Sugiro ao menos duas como matéria de reflexão ao Heráclito do Piauí:
- “O caminho para cima e para baixo são o mesmo”;
- “O caráter de um homem é o seu destino”.
Conviria o DEM tirar Heráclito da sala. Ou, então, deixá-lo onde está, atuando como atua, e se transformar em sócio da decadência do oligarca. Em 2010, o DEM estará por aí tentando convencer o eleitor de que é diferente “desse pessoal”.
Alstom: um caso esquecido
Conta que tucano jura que não tem é bloqueada pelo governo da Suíça
O Ministério Público da Suíça anunciou o bloqueio de uma conta bancária de Robson Marinho, ex-tesoureiro de campanha do PSDB de São Paulo e atualmente conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. O MP suíço diz que reuniu indícios de que a conta recebeu propina da multinacional francesa Alstom, para obter contratos do Metrô paulista e na área de energia. Marinho negou que tivesse conta na suíça.
E se Sarney sair?
Cada dia a sua agonia
Abaixo, matéria da Folha online sobre o referido assunto.
Sarney agora admite abertura de um inquérito contra Agaciel
da Folha Online
Hoje na Folha O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), admitiu ontem, pela primeira vez, abrir inquérito contra o ex-diretor-geral da Casa, Agaciel Maia, exonerado em março após 14 anos na função e suspeito de montar um esquema para distribuir favores entre senadores, informa reportagem de Valdo Cruz e Andreza Matais, publicada nesta quinta-feira pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
A abertura do inquérito, segundo a assessoria de Sarney informou à Folha, depende de a consultoria jurídica da Casa avaliar que há embasamento no pedido apresentado ontem pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Ontem, Demóstenes pediu que a Polícia Federal e a PGR (Procuradoria Geral da República) investiguem o ex-diretor, responsável por assinar parte dos atos secretos editados na instituição nos últimos 14 anos.
À PF, o parlamentar pediu a abertura de inquérito policial para apurar suposto crime de prevaricação cometido por Agaciel.
O senador argumenta que o ex-diretor nomeou uma servidora para o seu gabinete sem a sua autorização, por meio de ato secreto. "Ele nomeou à minha revelia, por ato secreto, tudo para atender um capanga dele aqui no Senado", afirmou.
Demóstenes disse que atos de nomeação de servidores precisam ser avalizados pelos parlamentares quando os funcionários são lotados em seus gabinetes. "O senhor Agaciel, ao praticar ato de ofício contra expressa disposição da lei para satisfazer interesse pessoal e alterar indevidamente atos corretos no banco de dados do Senado, tinha o objetivo de obter vantagem indevida para outrem."
O democrata pediu à PGR que instaure procedimento contra Agaciel por improbidade administrativa, uma vez que teria praticado atos para "satisfazer interesse pessoal". O senador quer que Agaciel seja responsabilizado "cível e criminalmente" pelo crime de improbidade administrativa.
Investigação
Demóstenes ainda pediu ao presidente do Senado para abrir processo administrativo disciplinar contra Agaciel também pelo crime de improbidade administrativa.
"Eu não autorizei a contratação de nenhuma servidora. Não consta nenhum ato com assinatura minha. É caso de demissão, ele tem que perder o emprego. Esse é o pedido para que seja demitido a bem do serviço público", afirmou.
O senador disse que ainda vai encaminhar pedido para que o TCU (Tribunal de Contas da União) investigue a folha de pagamentos do Senado. Demóstenes quer uma auditoria do tribunal nas folhas de pagamento para investigar supostos abusos cometidos em meio à edição de atos secretos.
Leia a notícia completa na Folha desta quinta-feira, que já está nas bancas.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
Heráclito e a tibieza da oposição no Senado
Kassab e a cara nova do conservadorismo
O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), é um político novo e talentoso. Conservador, é claro, ou não estaria no Democratas, mas perspicaz e inteligente. Venceu uma eleição em que duas cobras criadas da política paulista estavam na disputa - Marta Suplicy e Geraldo Alckmin - e não foi apenas pelo bom marketing político desenvolvido pela equipe que contratou (o que, por si só, já demonstra a inteligência do prefeito). Kassab venceu a eleição do ano passado porque conseguiu costurar um acordo político com o PMDB que os petistas tentaram, mas não conseguiram efetivar.Agora, neste mandato que é legitimamente seu (o primeiro era de José Serra, a quem Kassab sucedeu na prefeitura), algumas novidades começam a chamar atenção. Na semana passada, a prefeitura botou na internet a lista de todos os funcionários públicos que trabalham nas várias secretarias e autarquias da municipalidade e arrolou ali os salários recebidos por cada um deles. A grita foi geral, há alguns erros na listagem, mas a medida é excelente e muito corajosa. Deveria, aliás, ser uma regra na administração pública, em todas as esferas - federal, estadual e municipal - e para todos os Poderes.
Sim, porque quem trabalha com administração pública deve se submeter a regras diferenciadas em relação ao setor privado. Salário de funcionário público deve, sim, ser do conhecimento de todos os cidadãos, afinal são eles, os cidadãos, que pagam os tais salários, por meio dos tributos cobrados pelo governo. Ademais, a legislação trabalhista para o funcionalismo é diferente daquela aplicada na esfera privada justamente em função das características diferenciadas - os servidores têm estabilidade e se aposentam com os salários da ativa, por exemplo.
Na verdade, Kassab teve uma excelente sacada porque está atento ao chamado "talking of the town": assim como no caso do projeto Cidadade Limpa, no primeiro mandato, o prefeito percebeu um anseio importante da população, desta vez por maior transparência na apresentação das contas públicas. A medida é quase a decorrência de um Orçamento Participativo (bandeira histórica do PT, por sinal): primeiro a cidadania discute como o dinheiro vai ser gasto, depois fica sabendo como efetivamente o poder público empenhou os recursos. E não adianta dizer que basta publicar os "grandes números" (x milhões gastos com pagamento de salários do funcionalismo, y milhões com custeio). Com as facilidades da internet, o ideal mesmo é que sejam expostos os dispêncios minuciosamente, porque só assim a fiscalização é possível.
É chato para os procuradores e subprocuradores terem os seus megasalários, quase sempre acima de R$ 15 mil, expostos na rede, mas só assim a população pode debater e pressionar, se for o caso, pela correção dos abusos. Este blogueiro acha que, na média, os salários pagos aos funcionários públicos é baixo, deveria ser muito melhor (bem como a qualificação do pessoal), mas há, sim, evidentes abusos e muitas malandragens. Um exemplo: é um absurdo um secretário muncipal ganhar R$ 5 mil, tal salário é muito inferior ao que seria pago por cargo equivalente na iniciativa privada, o que afasta os talentos da gestão pública – ou permite que apenas os muito ricos, que não necessitam do salário para sobreviver, participem do governo, o que já é uma distoração importante no sistema. Por outro lado, não é correto que os valores recebidos pelos secretários apareçam em diferentes rubricas, sem a devida soma dos benefícios que eles desfrutam ao participar de conselhos de autarquias e empresas mistas. A maioria dos secretários ganha bem mais do que os R$ 5 mil constantes em seus hollerites, os jetons das reuniões dos conselhos muitas vezes superam o salário...
Essas pequenas distorções, porém, devem ser corrigidas proximamente porque Kassab não é burro e vai levar adiante a sua idéia de apresentar da forma mais transparente possível as contas da prefeitura. E isto deve provocar uma melhora significativa na popularidade do prefeito, que vai posar mais uma vez como o homem que enfrenta os poderosos e não tem medo de cara feia. Ainda é cedo, mas em janeiro de 2010 Gilberto Kassab estará muito bem posicionado para a disputa do governo de São Paulo. Poderá até levantar a bandeira de implantar o Cidade Limpa em todo o estado e tornar transparentes as contas públicas da máquina estadual, coisa que este blog duvida que o governador José Serra (PSDB) tenha coragem de fazer.
Alô, Franklin, esqueceu
do cheque d'O Globo?
A seguir, a matéria do Comunique-se.
O Globo acusa governo de ‘cooptação’ da imprensa
Da Redação
O jornal O Globo, em editorial publicado nesta quarta-feira (24/06), criticou duramente a estratégia de comunicação do governo Lula. Medidas como a concessão de um canal para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, a distribuição de verbas publicitárias para veículos menores e a criação da coluna do presidente são classificadas como evidências “do projeto de cooptação de parte da mídia”.
“Não há justificativa técnica para a inserção de anúncios neste tipo de veículo. Operações como essas são conhecidas. Getúlio Vargas manejou recursos do Banco do Brasil com o mesmo objetivo. A História mostra que o desfecho é sempre uma conta com vários zeros endereçada ao Tesouro Nacional”, diz o texto.
No editorial “Para cooptar”, O Globo também critica outras ações do governo, como a criação do blog da Petrobras e a proposta apresentada, durante o primeiro mandato, de criação do Conselho Federal de Jornalismo.
“Não por coincidência, eram propostas ao estilo bolivariano, projeto autoritário de subjugação da sociedade, de inspiração cubana, exportado por Hugo Chávez para Equador, Bolívia, Paraguai e com influência até na Argentina”, afirma o jornal, sobre a criação do conselho e a “tentativa de controle da produção audiovisual por meio da Ancinav”.
Senado: mais um capítulo da crise sem fim
terça-feira, 23 de junho de 2009
Diploma de jornalista: perguntas e respostas
DIPLOMA DESNECESSÁRIO Por Carlos Brickmann em 23/6/2009 | |
| O curso de Jornalismo perdeu a validade? Não: a transmissão de conhecimento é sempre útil e aquilo que se aprende é propriedade perpétua de quem o adquiriu. O diploma de Jornalismo vai continuar existindo; quem o tirar continuará tendo registro. Imagine que você tenha aprendido mandarim: isso jamais foi exigido para trabalhar em Jornalismo, mas vai ajudá-lo muito a conseguir um bom emprego e a desempenhar suas funções com eficiência. As empresas são obrigadas a contratar quem não fez o curso? Não: as empresas vão contratar os profissionais que lhe oferecerem o melhor serviço. Se as faculdades de Jornalismo formarem profissionais mais bem qualificados que os que não as cursaram, os diplomados terão a preferência. O que ocorreu foi o fim da reserva de mercado, não a criação de outra reserva. As empresas podem contratar quem quiserem? Sim. Mas, como o mercado é competitivo, as empresas sempre procurarão contratar os profissionais de melhor qualidade. E os que tiverem curso superior, se bem feito, levarão vantagem sobre os que não o tiverem – a menos que o talento e a capacidade de estudo dos que não tiverem curso superior superem a desvantagem da falta de educação formal. As empresas vão contratar não-jornalistas para pagar menos? Não: profissionais como Roberto Muller, Rodolfo Konder, Ricardo Kotscho, Fernando Gabeira, Luís Carta, Ennio Pesce, Nahum Sirotsky, Rolf Kuntz, ou como este colunista, sempre ganharam os melhores salários das diversas redações em que trabalharam, e não têm diploma de jornalista. O cálculo é mais complexo e engloba a relação custo-benefício: profissionais de alto nível custam mais caro, tenham diploma de jornalista ou não, e seu trabalho é habitualmente melhor. Para que investi tempo e dinheiro fazendo faculdade de Jornalismo se o diploma é desnecessário para exercer a profissão? Para que aprender inglês, espanhol, alemão e japonês se os respectivos diplomas são desnecessários para exercer a profissão de jornalista? Porque acreditam que os conhecimentos que adquiriram são úteis. Mas, se alguém fez uma faculdade daquelas bem maleáveis, no facilitário, apenas para obter o diploma, terá perdido seu tempo e dinheiro. Mas iria perdê-lo de qualquer forma: o mercado de trabalho é competitivo e impiedoso com quem não estuda, formal ou informalmente. Qual a consequência do fim da obrigatoriedade do diploma na ética jornalística? Nenhuma. Ética se tem ou não se tem. Ética não se aprende em cursos superiores. Há canalhas com diploma, há canalhas sem diploma. Caem as prerrogativas legais da profissão de jornalista? Não: o piso profissional, a jornada de cinco horas, o reconhecimento do Jornalismo como profissão diferenciada (mesmo que você trabalhe numa empresa distribuidora de petróleo, continuará sendo jornalista e descontando imposto sindical para o Sindicato dos Jornalistas, não o dos Petroleiros), tudo continua em vigor. Outras prerrogativas já caíram ao longo do tempo (jornalista era isento de Imposto de Renda, pagava metade da sisa, o Imposto de Transmissão Intervivos, tinha 50% de desconto em passagens de avião) e não houve enfraquecimento da profissão. Por que outras profissões precisam de diploma e jornalista não? Posso então pleitear um cargo de ministro do Supremo? Pode. A lei não exige diploma de Direito para ministros do Supremo. As condições necessárias são "notável saber jurídico e ilibada reputação". Caso o presidente da República (que também não precisa ter diploma de curso superior) o indique e o Senado o aprove, o novo ministro estará nomeado. | |
Senado: salve-se quem puder
E tudo isto ocorre em meio a uma outra disputa, nos andares inferiores da Casa, na qual as viúvas de Agaciel Maia distribuem dossiês a torto e a direito, para intimidar os senadores que poderiam assumir um papel de liderança neste momento. Como todo mundo comeu na mão de Agaciel, inclusive os tais "éticos" - vide os casos dos benefícios concedidos à mulher de Cristovam Buarque ou à namorada de Eduardo Suplicy –, o bicho pega de verdade. O tucano Arthur Virgílio está tentando assumir a liderança - já esclareceu que Agaciel mandou uns euros amigos para a sua conta quando seu cartão de crédito o deixou na mão em Paris -, mas a tarefa não é fácil porque todos os colegas têm algum rabo preso e preferem que as coisas se resolvam sem muito alarde. Porém, sem uma solução negociada, o pau vai continuar a comer no andar de baixo e no de cima. Este blogueiro acha que o Senado vai se arrastar na crise até a próxima as eleições de 2010, com chances de carregar a "herança maldita" para a próxima legislatura.
A blogosfera, por Jorge Rodini
Os homens são contraditórios nas suas similaridades. Quando vestem mantos virtuais, sentem-se mais poderosos, mais ouvidos, mais acarinhados. As palavras saem das teclas com a rapidez de flechas, que podem acertar no alvo ou não.
Quem de nós pode garantir que não magoou alguém com seus artigos, textos, comentários? Às vezes o que é de Chico não é de Francisco. A relação de um blogueiro com seus comentaristas é, realmente, a de pai ou mãe para filho. Apesar do espaço democrático, tal qual na relação filial, os pais tem que impor limites. Ou as famosas regras do blog.
Convivendo dioturnamente com pensamentos diversos, com com as limitações do ser humano, o blogueiro é também um diretor de escola. Tem leitores de todas as idades, frutos de culturas diferentes e isso é que engrandece a todos.
Aprender com cada um dos comentaristas é se renovar a cada instante. Sempre existirão discussões, briguinhas, querelas quixotescas, mas também faz parte.
A blogosfera é uma menina ainda. Não fez história, mas mudou toda a histótia.
Precisamos ter paciência com a menina. Ela é linda, rápida, atualizada, mas também pode ser mordaz.
Ela está amadurecendo, seus comentaristas, leitores , articulistas, moderadores e os donos dos blogs também.
Sem comentários não há discussão. Sem discussão pouco se absorve, portanto que fiquem todos... dentro dos limites.
segunda-feira, 22 de junho de 2009
Tucano Richa encrencado com caixa 2
Vídeo levanta suspeitas de 'caixa dois' de Beto Richa
O malfeito foi registrado em vídeo. Exibe a distribuição de dinheiro a 23 pessoas num comitê que participou da campanha de Richa, em 2008
A verba não consta da prestação de contas que a tesouraria do PSDB levou à Justiça Eleitoral. Daí a suspeita de caixa dois.
O conteúdo do vídeo foi às páginas do "Gazeta do Povo", um dos principais jornais do Paraná.
A divulgação das imagens forçou o prefeito tucano a demitir três pessoas.
São elas: Manassés Oliveira, secretário de Assuntos Metropolitanos; Raul D’Araújo Santos, superintendente da mesma secretaria; e Alexandre Gardolinski, assessor da secretaria de Emprego e Trabalho.
Vai abaixo um relato do episódio que eletrifica o cenário político paranaense:
1. No centro da encrenta está um partido nanico, o PRTB. Em Curitiba, a legenda era afinada com Beto Richa;
2. Porém, a direção nacional do PRTB decidiu se coligar com outro candidato: Fábio Camargo. Concorreu à prefeitura pelo PTB;
3. Acertado com o tucano Beto Richa, um pedaço do PRTB de Curitiba divergiu do apoio formal dado ao petebista Fábio Camargo;
4. Richa era prefeito. Disputava a reeleição. O PRTB local já participava de sua gestão. Controlava, por exemplo, a secretaria de Trabalho e Emprego;
5. Manassés Oliveira, o filiado do PRTB que Richa nomeara para o comando da secretaria de Trabalho, licenciara-se do cargo para candidatar-se a vereador;
6. Para surpresa generalizada, Manassés e outros 27 candidatos a vereador decidiram desistir de suas candidaturas;
7. Rejeitaram a coligação com o PTB de Fábio Camargo, desfiliaram-se do PRTB e mantiveram o apoio a Beto Richa;
8. Os dissidentes do PRTB inauguraram um núcleo da campanha tucana de Richa. Chamava-se “Comitê Lealdade”;
9. Funcionava numa casa do bairro curitibano do Ahú. O próprio Beto Richa participou da inauguração;
10 Richa confiou a coordenação do comitê a Alexandre Gardolinski, um dos dissidentes do PRTB;
11. Descobre-se agora, nove meses depois da reeleição de Richa, que a “lealdade” dos dissidentes pode não ter sido motivada apenas por afinidade política;
12. Veio à tona um vídeo de conteúdo devastador. Exibe a distribuição de dinheiro vivo à turma que debandou do PRTB;
13. O rateio ocorreu numa sala do “Comitê Lealdade”. A gravação foi feita pelo “coordenador” Alexandre Gardolinski;
14. Nas imagens, 23 ex-candidatos a vereador, aqueles que se desligaram do PRTB para apoiar Richa, aparecem recebendo dinheiro;
15. Entre os personagens pilhados estavam o pagador Gardolinski, o secretário Manassés Oliveira (recebe em nome dele e de terceiros) e o superintendente Raul D’Araújo Santos;
16. Na última quinta (18), quando soube que o vídeo chegara às mãos de jornalistas, Beto Richa demitiu os três da prefeitura;
17. No total, nove dos dissidentes do PRTB ganharam cargos na prefeitura de Richa em janeiro de 2009. Entre eles Gardolinski, Manassés e D’Araújo Santos;
18. Ouvido, Alexandre Gardolinski, o coordenador que distribuiu o dinheiro e fez a filmagem, disse que o dinheiro serviu para custear “eventos” de campanha.
19. Eventos de quem? Segundo Gardolinski, eventos de “todos os partidos que tinham afinidade com o prefeito” Richa. Citou PSDB, PDT, DEM e PR;
20. Gardolinski reconhece que as verbas não foram declaradas à Justiça Eleitoral. De onde veio a grana? Diz que foi doada por “amigos”;
21. Pode citar os nomes dos “amigos”? E Gardolinski: “Não, não posso. Seria indelicado com eles. Não seria elegante da minha parte”;
22. Manassés Oliveira, o secretário de Trabalho demitido por Beto Richa disse: “Esse dinheiro, o Alexandre Gardolinski passou para nós...”
“...E tinha autorização para cada ex-candidato gastar até R$ 800. Não sei quem autorizou. Não sei de onde vinha o dinheiro nem se foi declarado...” e “...O Gardolinski é que vai ter que explicar a origem do dinheiro”.
23. Em nota, Beto Richa manifestou-se assim: “Ao tomar conhecimento das imagens, determinei imediatamente o afastamento dos envolvidos...” e “...Esse tipo de atitude não tem nada a ver com o nosso jeito democrático e transparente de fazer política...” e ainda “...Não vamos permitir que esse fato, que aconteceu num comitê independente que apoiava nossa candidatura à reeleição, seja explorado contra nossa administração, aprovada pela grande maioria dos cidadãos curitibanos”.
O tucano Beto Richa é visto como candidato favorito ao governo do Paraná, em 2010.
A campanha nem começou e já tem um contencioso a elucidar.
Atualização feita às 23h33: Na noite deste domingo (21), o “Fantástico” veiculou trechos do vídeo comprometedor de Curitiba. Assista à reportagem.
Senado: ou vai ou racha
domingo, 21 de junho de 2009
Furo da Folha: Simonal era dedo-duro, sim
Simonal 3.540/72
PROCESSO A QUE A FOLHA TEVE ACESSO EXPLICITA COLABORAÇÃO ENTRE CANTOR E O DEPARTAMENTO DE ORDEM POLÍTICA E SOCIAL; EM VIDA, ARTISTA DESMENTIA VÍNCULO COM ÓRGÃOS DE SEGURANÇA
MÁRIO MAGALHÃES, DA SUCURSAL DO RIO
Wilson Simonal de Castro, um dos mais talentosos cantores do Brasil em todos os tempos, declarou formalmente em 1971 que era informante do Dops (Departamento de Ordem Política e Social), a polícia política do antigo Estado da Guanabara.
Seu depoimento na polícia foi avalizado reiteradamente em processo judicial por seu advogado Antonio Evaristo de Moraes Filho.
A declaração de Simonal e a confirmação de Evaristo nunca foram divulgadas -conhecem-se apenas as manifestações de proximidade do artista com o Dops, mas em público ele negava ter sido informante.
A Folha teve acesso ao processo 3.540/72, do qual consta o depoimento em que Simonal reconhece seus serviços.
Ele foi processado sob acusação de ser o mentor de uma sessão de tortura -em dependências do Dops- para obter confissão de desfalque de Raphael Viviani, ex-funcionário de sua firma.
Relatório confidencial do Dops, anexado aos autos e ainda hoje inédito, explicitou a ligação -reafirmada por um agente do órgão, Mário Borges, em interrogatório na Justiça.
Testemunha de defesa do artista, o tenente-coronel do Exército Expedito de Souza Pereira descreveu-o como "colaborador das Forças Armadas". Foi Simonal (1938-2000) quem se disse "colaborador dos órgãos de informação", sublinharam Viviani e seu advogado, Jorge Alberto Romeiro Jr.
O Ministério Público, representado pelo atual deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), apontou o intérprete como "colaborador das Forças Armadas e informante do Dops". Sentença proferida pelo juiz João de Deus Lacerda Menna Barreto concordou.
Acórdão (decisão de corte superior) do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro), assinado em 1976 pelos desembargadores Moacyr Braga Land e Wellington Pimentel, referendou: Simonal era "colaborador das autoridades na repressão à subversão". Foi a palavra final da Justiça.
Todos esses documentos integram o processo 3.540, instaurado em 1972 na 23ª Vara Criminal, concluído em 1976 e em cujas 655 folhas jamais houve divergência: dos amigos mais fiéis ao antagonista mais ressentido, todos estiveram de acordo que Simonal -e ele assentia- era informante do Dops.
Em abril, a Folha pediu ao TJ para ler os papéis. Localizados em junho, eles foram consultados pelo jornal na íntegra. A história que eles descortinam vai na contramão de versões que rejeitam a relação do cantor com o aparato de segurança da ditadura militar (1964-85).
Entrevistas com sobreviventes da época e pesquisa em periódicos jogam luz no episódio.
Em 2000, a Folha publicou reportagem com base na sentença de 11 páginas, encontrada no Arquivo Público do Estado do RJ, que guarda o acervo do Dops.
Contudo, não achou cópia do conjunto do processo nem do informe interno acerca de Simonal, da declaração em que ele se afirmou colaborador ou de lista de eventuais pessoas delatadas por ele.
Desde a década de 1930 havia informantes da polícia política nos meios culturais do Rio. Eles não costumavam ser identificados nominalmente em relatórios, como se constata no Arquivo do RJ.
Tortura
A controvérsia sobre as conexões do cantor ressurgiu com vigor devido ao documentário "Simonal - Ninguém Sabe o Duro Que Dei", de Claudio Manoel, Micael Langer e Calvito Leal.
O filme narra da ascensão ao estrelato à morte no ostracismo, determinada pela imagem de "dedo-duro" -função que no fim da vida Simonal contestava ter desempenhado. Ele se dizia alvo de mentira inventada por inimigos, de racismo e de perseguição da esquerda.
O cantor não foi julgado pela colaboração com a ditadura, mas por ter levado Viviani para a sede do Dops, na rua da Relação, região central do Rio.
Simonal foi ao departamento e emprestou seu carro aos policiais, que buscaram Viviani em casa quase à meia-noite de 24 de agosto de 1971, passaram pelo escritório do artista e terminaram na rua da Relação.
Lá torturaram Viviani com choques elétricos, socos e pontapés até ele assumir por escrito o desvio.
Simonal estava no Dops, para onde ajudou a transportar -desde seu escritório, em Copacabana- o ex-chefe de escritório da Simonal Comunicações Artísticas.
Ele não participou da tortura nem a testemunhou.
Um inquérito foi instaurado na 13ª DP porque a mulher do funcionário registrou o desaparecimento.
Foram condenados o cantor, um policial do Dops, Hugo Corrêa de Mattos, e um colaborador do órgão, Sérgio de Andrada Guedes. Em 1974, por crime de extorsão, a pena de cinco anos e quatro meses de reclusão. Em 1976, depois da desclassificação do crime para constrangimento ilegal, a três meses. Simonal passou nove dias detido. Os três negaram as acusações.
"Subversivos"
Relatos jornalísticos recentes sustentam que foi o inspetor Mário Borges, chefe da Seção de Buscas Ostensivas do Dops e notório torturador de presos políticos, a fonte original da classificação de Simonal como informante.
Na 23ª Vara, Borges disse que o cantor "era informante do Dops e diversas vezes forneceu indicações positivas sobre atividades de elementos subversivos".
Não citou a identidade dos "elementos". O interrogatório do policial ocorreu em 16 de novembro de 1972.
Acontece que, 450 dias antes, Simonal já prestara declarações no Dops que foram anexadas ao processo e não chegaram ao noticiário.
Às 15h de 24 de agosto de 1971, perto de nove horas antes da diligência contra Viviani, Simonal afirmou ter ido à rua da Relação "visto aqui cooperar com informações que levaram esta seção a desbaratar por diversas vezes movimentos subterrâneos... subversivos no meio artístico". Também não nomeou os "movimentos".
Ou seja, o primeiro a sustentar que Simonal era informante foi ele mesmo, e antes da ação da polícia. Na ocasião, o cantor lembrou que no golpe de Estado de 1964 esteve no Dops "oferecendo seus préstimos ao inspetor José Pereira de Vasconcellos" -outro denunciado por sevícias contra opositores.
Simonal assinalou que se aproximou ainda mais do Dops quando pediu e obteve proteção contra uma ameaça de explosão de bombas em um show.
Em 1971, ele se queixou de um "grupo subversivo" que prometia sequestrá-lo se não "arrumasse" dinheiro.
A voz anônima parecia, ele disse, a de Viviani.
Na 13ª DP, o cantor depôs em 28 de agosto. Apresentou-se como "homem de direita" e relembrou ter dito no Dops (no dia 24) que conhecia, "como da área subversiva", "uma irmã do senhor Carlito Maia" -era a produtora cultural Dulce Maia, ex-presa política e àquela altura exilada.
Esse depoimento vazou à imprensa, mas nele Wilson Simonal calou, nem lhe perguntaram, sobre a atuação como informante.
sexta-feira, 19 de junho de 2009
Sobre o ludopédio
PS às 23h30: Muricy Ramalho não é mais treinador do São Paulo. Como sempre ocorre no mais querido, o técnico sai com elegância, neste sábado se despede do elenco. De fato, havia mesmo alguma coisa errada, o desgaste natural dos anos, depois de tantas conquistas - ele "só" foi tricampeão brasileiro... Que venha um grande nome para honrar a memória do mestre de todos os mestres, Telê Santana. Saudações tricolores e boa sorte a Muricy.
Diploma desnecessário: algumas opiniões
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Saiu a Lei Áurea do jornalismo
Por Paulo Henrique Amorim
Chega de diploma! O Supremo Tribunal Federal prestou um inestimável serviço ao jornalismo e, portanto, à democracia. Acabou com a exigência do diploma para jornalistas. Um jornalista não precisa de mais do que um curso para-profissinal a de três meses para começar a exercer a profissão.
O resto ele aprende, se aprender, o resto da vida. É melhor ler os romances da maturidade de Machado de Assis do que perder quatro anos em faculdades – especialmente as particulares – que não formam jornalistas.
Mino Carta não tem diploma e é o melhor jornalista brasileiro.Mauro Santayana, outro excelente jornalista, costuma dizer que a exigência do diploma elitizou as redações.
As redações não refletiam mais a composição da sociedade brasileira: as redações se tornaram quase brancas, quase ricas e quase ignorantes …
Jornalista deveria ter um curso universitário: estudar matemática, história, filosofia, biologia – e fazer um curso profissionalizante de jornalista de, no máximo, três meses.O diploma fez os jornalistas parecidos com os donos dos jornais.
E ajudou a construir o PiG.
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‘A necessidade do diploma era um interesse corporativista’, diz Juca Kfouri
"O jornalista esportivo Juca Kfouri declarou ao Portal IMPRENSA que não é a favor da exigência do diploma de jornalismo para o exercício da profissão e que a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) foi acertada.
O principal argumento de Kfouri é o fato dos ‘grandes nomes do jornalismo não terem o diploma’. ‘Essa é a minha opinião: curta e grossa’, completou. No entanto, ele salienta que é a favor da formação em jornalismo para agregar qualidade ao que é produzido.
Para ele, a lei que determinava formação específica para atuar como jornalista ‘foi herdada da ditadura militar’. Sublinhou também que ‘a necessidade do diploma era um interesse corporativista que não fazia mais sentido’."
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Para Eugênio Bucci, mais importante que o diploma é ‘a manutenção e o cultivo da liberdade de imprensa’
"Eugênio Bucci, jornalista e professor da Escola de Comunicação e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP), comentou a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que na última quarta-feira (17) decidiu pela revogação da exigência do diploma para o exercício do jornalismo.
‘A primeira coisa que eu digo é que a decisão dos STF é uma coisa julgada, não é nem próprio avaliar se é correta ou não, não cabe a mim julgá-la’, afirmou Bucci. Em entrevista ao Portal IMPRENSA, ele disse que já havia manifestado, antes da decisão do Supremo, sua impressão de que o diploma já cumpriu um papel que classificaria como ‘civilizatório’ no Brasil.
‘Embora a exigência seja uma excentricidade brasileira, já que outros países não a tem, ela ajudou a elevar os padrões da profissão no país. No entanto, nos tempos atuais, a manutenção do diploma deixou de ser prioritária para o atendimento das necessidades do cidadão relativas à informação’.
Questionado sobre o que seria prioritário, Bucci citou como exemplo a observância, a manutenção e o cultivo da liberdade de imprensa. ‘Seria prioritário no Brasil a independência das redações e a preservação de um ponto de vista livre do poder; a capacidade de informar os cidadãos e fiscalizar o poder econômico’, declarou.
Sobre o posicionamento dos veículos de comunicação, o jornalista acredita - apesar de afirmar que não pode falar em nome das empresas - que a tendência é ‘as redações contratarem os melhores. Não acredito que seja o caso de contratarem os mais baratos. A qualidade da informação tornou-se uma exigência do público, e aqueles que têm uma formação sólida terão vantagem nessa disputa’, concluiu."
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O exercício do Jornalismo virou uma terra sem lei’, diz Ricardo Kotscho
"A necessidade de que seja aprofundada a discussão sobre algumas regras que dêem algum norte ao trabalho dos jornalistas é a principal observação feita por Ricardo Kotscho sobre o fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício do Jornalismo, decidido na última quarta-feira (17), pelo Superior Tribunal Federal (STF).
Segundo ele, a tomada de uma decisão definitiva já é um fator positivo, em razão do tempo em que tal discussão se arrasta. ‘Acho ótimo que, finalmente, a Justiça tenha tomado uma decisão, ao que parece definitiva’, disse. ‘Já não aguentava mais ficar discutindo esta questão do diploma nos congressos, seminários, debates de que participo faz décadas’.
No entanto, o jornalista lembra da importância de que sejam, rapidamente, estudadas algumas regras, que serviriam para nortear os trabalhos os profissionais da área. ‘Com o fim da lei de Imprensa, que todos queriam, e da regulamentação da profissão, sem colocar nada no lugar, o exercício do jornalismo agora virou uma terra sem lei. Acho que esta discussão deveria prosseguir para que alguma regra do jogo seja estabelecida, em defesa das empresas e dos profissionais sérios e, principalmente, dos cidadãos, do conjunto da sociedade’, finalizou."
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Em palestra, Caio Túlio Costa diz ser a favor da queda do diploma desde os anos 80
"Caio Túlio Costa declarou ser a favor do fim da exigência do diploma para exercer a profissão de jornalismo. ‘A decisão do Supremo Tribunal Federal veio coroar um trabalho que começou na década de 80’. Naquele período, Caio Túlio trabalhava na Folha de S. Paulo e já fazia manifestação para a queda do diploma. A afirmação foi feita em palestra nesta quinta-feira (18/06) promovida pela Associação Brasileira das Agências de Comunicação (Abracom).
Jornalista formado pela ECA-USP, Caio Túlio acredita que, a partir de agora, a formação possa melhorar e ser mais completa. ‘Para ser jornalista, basta ter moral e vocação. O curso universitário precisa apenas ensinar técnicas’.
Ele chamou a atenção para a dificuldade que a nova geração de jornalistas têm para interpretar textos. ‘As novas mídias, como celular, e-mail e Twitter, entre outros, tornarão a informação cada vez mais livre. Isso causará uma transformação na linguagem. O mundo está cada vez mais visual’, aposta.
Caio Túlio reforçou a importância de lidar com todas as formas de disseminação da informação para atender as necessidades de empresas cada vez mais globalizadas e se manter no mercado, que está cada vez mais exigente por qualidade final."
Fernandes: o longo inquilinato do PMDB
A declaração do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, de que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), deve pairar acima dos homens comuns é tão disparatada quanto reveladora do poder que as disputas internas no Congresso têm no jogo sucessório.
Só houve um ano comparável ao de 2009, o de 2001, quando aconteceram as movimentações que selaram o cenário político da sucessão presidencial de um governo de oito anos.
Da redemocratização até a chegada do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso ao poder, o PMDB havia reinado inconteste no Senado. A aliança entre tucanos e pefelistas que conquistou a Presidência em 1994 , manteve a hegemonia pemedebista do Senado, com a eleição de José Sarney que, embora dividisse com os pefelistas a origem no PDS, estava filiado ao PMDB desde que se tornara vice de Tancredo Neves.
Foi com o sucessor de Sarney no cargo, o senador baiano Antônio Carlos Magalhães, que o PFL chegou oficialmente à presidência da Casa em 1997. O cargo não voltaria mais a ser ocupado pelo partido, a não ser nos 58 dias de Edison Lobão (MA) em 2001. ACM foi o único senador não-pemedebista eleito presidente da Casa dos últimos 25 anos. Assim como Lobão, o petista Tião Viana (AC) apenas exerceu um mandato tampão em 2007.
Ao final do comando carlista do Senado, já estava sinalizado que o avanço do PMDB na aliança com os tucanos para a sucessão de FHC levaria de volta ao partido a primazia na Casa.
Este movimento também seria fortalecido na Câmara. O PFL veria naufragar a candidatura do deputado Inocêncio Oliveira (PE) quando o PMDB, aliado ao PSDB, reverteria a regra consuetudinária que dava à maior bancada eleita a preferência e elegeria o então deputado tucano Aécio Neves (MG) à presidência da Casa.
O ano de 2001 seria marcado pela troca de acusações entre ACM e o senador Jader Barbalho (PMDB), que o sucederia no cargo com o apoio do Palácio do Planalto. Ambos seriam obrigados a renunciar - ACM, pela participação da quebra de sigilo do painel eletrônico do Senado, e Jader, pelo sigilo fiscal e bancário quebrado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em investigação sobre desvios no Banpará.
À queda de ACM seguiria-se o empenho do comando do PFL, ao longo de 2001, em viabilizar a candidatura da governadora Roseana Sarney (MA). Ao final do ano, o Datafolha colocava a candidata pefelista em segundo lugar, atrás de Lula, ultrapassando Ciro Gomes e jogando poeira em José Serra, que, naquele momento, situava-se em 6º lugar.
A candidatura Roseana não resistiria à operação da Polícia Federal que, no início de 2002, fizera uma apreensão de R$ 1,34 milhão no escritório do marido da governadora. Sarney atribuiu a operação aos aliados de Serra na PF. A tensão no relacionamento entre eles dura até hoje.
Com o naufrágio da candidatura Roseana, o PFL se dividiria entre Ciro, Serra e a neutralidade. O deputado cearense colhia elogios do partido à medida que subia nas pesquisas. Vítima de sua verborragia, Ciro, que era candidato da aliança PPS, PTB e PDT, refluiu, enquanto Anthony Garotinho (PSB) o ultrapassaria e terminaria a disputa em terceiro lugar.
No segundo turno, Serra teve dificuldade em reagrupar o PFL. Também não conseguiu atrair a maioria dos votos de Ciro e Garotinho que, juntos, tiveram votação superior à sua. E, apesar de ter uma vice pemedebista (Rita Camata), não conseguiria evitar que lideranças do partido, como o então governador de Minas, Itamar Franco e Orestes Quércia, além de Sarney, aderissem a Lula.
O economicismo que vê na urna uma simples extensão do bolso dos eleitores, sempre pode atribuir o fracasso de FHC em fazer seu sucessor exclusivamente à galopada dos juros, da inflação e da renda salarial.
Ignora-se que a deterioração dos indicadores econômicos, antes de se traduzir nas urnas, impacta a movimentação da base de apoio político do Executivo na federação e no Congresso.
Assim como a economia, sozinha, não derrotou Serra, não é apenas o bom desempenho no enfrentamento da crise mundial que levará Lula a eleger a ministra Dilma Rousseff presidente.
Assim como Roseana, Ciro e Garotinho demonstraram potencial em angariar os votos dos insatisfeitos e arregimentar apoio político em torno de si, num cenário de rearranjo da aliança governista, talvez seja cedo para dizer que a polarização entre Serra e Dilma esteja sacramentada para 2010 num Senado conflagrado.
Um dos motivos por que o PMDB reina quase absoluto no Congresso Nacional é pelo fato de, apesar de não ter candidato à Presidência da República desde 1994, manter-se como principal força eleitoral em Estados e municípios.
Com a infeliz defesa de Sarney, Lula sinalizou para a importância de se manter essa aliança. O PMDB do Senado, ameaçado pela rivalidade de pólos de poder internos, também pode atomizar seu apoio no cenário eleitoral de 2002 entre candidatos que, a exemplo de Dilma, também se vendam como pós-lulistas.
Essa percepção foi o que levou Lula a abrir as portas para que o PMDB, no início do ano, chegasse à Presidência de ambas as Casas, como não acontecia há 16 anos. A aliança entre PSDB e PT no Senado, que culminou com a derrotada candidatura de Tião Vianna (PT-AC) à presidência do Senado, é uma tentativa de resistir à essa hegemonia, mas tem fôlego curto pela rivalidade de seus projetos nacionais de poder.
Se o pragmatismo de Lula pode ter como desfecho uma bem sucedida dobradinha PMDB/PT, também parece certo que essa aliança, estendida à primazia do partido nos palanques estaduais, reforçará a hegemonia pemedebista no Senado. A legenda nutre-se do mais enraizado poder político do país. E não há como podar os vícios que imprimiu ao Congresso, frutos de poder desmedido e de rara alternância, sem fazer concorrência à origem da força pemedebista, o poder local. Ao buscar garantias à permanência de seu partido no mais alto cargo da República, Lula também impõe limites à transformação da política nacional.
Maria Cristina Fernandes é editora de Política. Escreve às sextas-feiras
Temer vice de Dilma é golaço de Lula
O vice de Dilma é Temer (se depender de Lula)
De Ilimar Franco: Depois de escalar a candidata do PT à sucessão, o presidente Lula já escolheu o vice do PMDB. Para Lula, "o nome preferencial" é o do presidente da Câmara, Michel Temer (SP). Para os aliados, argumenta que Temer representa institucionalmente o partido, evitando uma disputa regional pelo cargo, tem visibilidade positiva à frente da Câmara e contempla o maior colégio eleitoral, o paulista.
Em 26 de fevereiro deste ano, o autor destas Entrelinhas analisou detidamente a possibilidade de Michel Temer ser o vice de Dilma Rousseff em um texto que não perdeu a validade e vai reproduzido a seguir. Definitivamente, Temer como vice de Dilma é um nó tático de Lula na candidatura de José Serra. Senão vejamos:
Dia desses um leitor mandou um comentário elogioso ao autor deste blog, mas fazendo uma séria ressalva. Dizia o missivista que as análises aqui publicadas eram tão boas que qualquer vírgula mal colocada ficava estranha nos textos (um evidente exagero). E completava, sugerindo peremptoriamente: nunca mais use "muita água vai rolar debaixo da ponte", é um clássico dos chavões.
Pois não é que este post poderia perfeitamente começar com o chavão proibido? Para não deixar o leitor em questão amuado – atento que ele (ou ela) é, deve ser dos poucos fiéis ao blog –, vamos iniciar com uma formulação mais precisa do ditado popular. Digamos que ainda é um tanto cedo para falar da eleição presidencial de 2010, mas a cada dia que passa a sucessão de Lula fica mais presente no jogo político nacional. Afinal, o que para uns é muito tempo, para outros é pouco: faltam exatamente 19 meses para a eleição de outubro do próximo ano.
Isto posto, vale observar que uma das principais questões da eleição de 2010 será a política de alianças das principais candidaturas. O jogo para a construção das coligações está em curso e deve durar até maio ou junho de 2010. Em julho os candidatos serão homologados nas convenções partidárias, portanto toda negociação terá que estar fechada um ou dois meses antes. Até agora, a grande dúvida é a postura do PMDB. Nove entre dez analistas apostam que o partido irá rachado para a disputa do próximo ano e é provável que estejam certos: uma ala, hoje majoritária no partido, trabalharia pela aliança com o PT em torno de Dilma Rousseff. Os dissidentes, capitaneados atualmente pelo ex-governador Orestes Quércia, presidente do PMDB de São Paulo, e pelo impoluto senador Jarbas Vasconcelos (PE), apoiariam, dentro das possibilidades da legislação eleitoral, o tucano José Serra, atual governador de São Paulo.
Hoje, de fato, esta divisão é pule de dez, como se diz no turfe. Quércia e Jarbas provavelmente conseguiriam ainda alguns outros apoios localizados no partido, mas o PMDB formalmente comporia a chapa indicado o candidato a vice de Dilma. Isto é hoje, mas a eleição só acontece em outro de 2010 e até lá... Não apenas água, o que vai rolar mesmo vai ser muito uísque nas noites de negociação entre os caciques do PMDB, o presidente Lula e seus articuladores palacianos e petistas. De tudo que vai ser conversado, uma hipótese que começa a ser aventada discretamente em Brasília pode significar um tiro de morte nas ambições de Serra de contar com o apoio de pelo menos uma parcela do PMDB: e se o presidente da Câmara, Michel Temer, for o vice de Dilma Rousseff?
Se Temer, que há anos tenta, sem sucesso, desbancar Quércia em São Paulo, for o vice de Dilma, o jogo muda de figura. Fica muito complicado para o ex-governador apoiar Serra neste cenário e mesmo que Quércia insista neste movimento, será então uma liderança isolada dentro de um PMDB paulista no qual Temer certamente terá uma boa dose de sustentação. Muita gente acha que Michel Elias Temer Lulia - este o nome completo do deputado - é o mais serrista entre os líderes do PMDB. Bobagem, Temer é um pragmático, político da escola antiga, do tipo que em uma negociação pensa primeiro em suas próprias vantagens, depois nas vantagens próprias e por fim mais uma vez nas póprias vantagens. Aí toma a decisão, levando em conta o que melhor lhe convém...
Sim, Temer foi um político muito presente no governo Fernando Henrique e é bastante identificado com os tucanos. Mas jamais ousou sair do PMDB, nem mesmo após ter tomado uma surra de Quércia na única vez que ousou desafiá-lo internamente em São Paulo. Temer dialoga com o PSDB, mas não é de maneira nenhuma um tucano. É mais conservador, em diversos aspectos, do que alguns quadros do PSDB, mas possui autonomia política e uma extrema habilidade para a negociação, que lhe valeram a sobrevivência ao lado de Quércia sem se confundir com o grupo do ex-governador e, por duas vezes, a presidência da Câmara Federal.
Analisando friamente o personagem em questão, ninguém chega duas vezes à presidência da Câmara dos Deputados sem um mínimo de competência política. Não é preciso ser bom de voto no povão – Temer por sinal quase não se elegeu para esta legislatura –, mas é necessário muita lábia, jogo de cintura e liderança entre os seus pares. Temer tem tudo isto e pode acabar se tornando o vice que Dilma pediu a Deus, pois compensaria defeitos notórios da ministra-chefe da Casa Civil – falta de jogo de cintura, pouco (ou nenhum) conhecimento dos meandros do Congresso.
É evidente que o presidente Lula, que provavelmente assumirá, em algum momento, o comando das negociações para selar a aliança em torno de sua candidata, sabe de tudo isto. Atualmente, o nome mais falado para compor a chapa com a ministra é o baiano Geddel Vieira Lima, que é outro habilíssimo político da velha guarda, já foi da tropa de choque de FHC e hoje toca bumbo no quintal petista, mas tem um olho no Palácio de Ondina, onde hoje reina o petista Jaques Wagner. É claro que Geddel força a mão pela vaga de vice, mas talvez fique satisfeito em garantir-se senador com apoio de Wagner, por exemplo... As duas vagas baianas, é bom lembrar, serão das mais disputadas do país, tem muito cacique para pouca cadeira (além de Geddel, só para ficar nos mais expressivos, a briga poderia contar com Paulo Souto, Antonio Imbassahy, Cesar Borges, Antonio Carlos Magalhães Júnior, Jutahy Magalhães Jr.). E ainda que o ministro da Integração Nacional esteja jogando sério ao lutar pela vaga de vice, é bom lembrar que muito tempo de exposição na fogueira política pode causar danos irreparáveis quando a disputa se aproxima.
Não é o perfil de Temer, muito pelo contrário, fazer alarde da sua condição de possível candidato a vice — em qualquer das chapas, aliás. Michel vai "se colocar à disposição do país" (e do presidente ou do governador Serra - hipótese muito menos provável pelo fato de ambos serem paulistas). Só entrará em campo quando o jogo estiver arrumado e a sua posição em campo for absolutamente combinada com o treinador - Lula ou Serra.
Tudo somado, se Michel Temer entrar no campo ao lado de Dilma, vai dar um trabalhão para José Serra em São Paulo. Será o desmonte de uma aliança na qual o tucano vem trabalhando com afinco, que incorporaria o DEM, PPS e uma parcela expressiva do PMDB, Quércia à frente, além, é claro, a burguesia de São Paulo. Temer do lado adversário tem potencial de estragar todo este minucioso planejamento, pois neutralizaria Quércia, atrairia parte do empresariado que já aprendeu a confiar em Lula, mas mantém um pé atrás com o PT e Dilma, e asseguraria o precioso tempo do PMDB não apenas para a chapa presidencial, mas provavelmente na maior parte das composições estaduais. Temer ao lado de Dilma é tudo de ruim para Serra.
Coisa rara: a Folha está certa
Um jornalismo melhor
Extinguiu-Se finalmente, numa decisão histórica tomada pelo Supremo Tribunal Federal, a exigência de diploma de curso superior em jornalismo para o exercício da profissão.
Originária de um decreto-lei promulgado pelo regime militar em 1969, a obrigatoriedade do diploma foi considerada inconstitucional pela ampla maioria dos ministros da mais alta corte, com apenas um voto a favor de sua manutenção.
O debate em torno do assunto prolongou-se durante mais de 20 anos, dividindo a categoria dos jornalistas e opondo a estrutura sindical à maioria dos veículos de comunicação. Os principais beneficiários da obrigatoriedade do diploma, entretanto, não eram diretamente as organizações sindicais, mas as faculdades de jornalismo, que contavam com uma espécie de "reserva de mercado" para seus egressos.
Faculdades de jornalismo sempre tiveram uma contribuição a dar para a prática da profissão. Trata-se, mais que nunca, de confiar na melhoria de seus padrões de ensino e no aporte seja de técnicas específicas, seja de uma formação humanística geral, que podem trazer ao interessado na carreira de jornalista.
O que nunca se justificou -e vai se revelando cada vez mais anacrônico diante da proliferação do jornalismo pela internet- é restringir apenas aos detentores de diploma específico uma atividade que só se beneficia quando profissionais de outras áreas -médicos, filósofos, historiadores, biólogos- encontram lugar nas redações.
Foi bastante claro o voto do ministro Gilmar Mendes, relator do processo no STF, ao distinguir as profissões que de fato dependem de conhecimento técnico específico daquelas que dispensam regulamentação formal. Uma sociedade que não estipulasse requisitos para a carreira de médico estaria, obviamente, ameaçada pelo exercício inepto da profissão.
É igualmente certo que o jornalismo, como qualquer outra atividade, não está imune a erros, no caso, de apuração e redação. Não é, todavia, pelo fato de possuir diploma superior de jornalismo que um profissional estaria mais ou menos propenso a cometê-los.
O aperfeiçoamento do jornalismo praticado no Brasil não depende de tutelas legais e autoritárias, mas, ao contrário, da contribuição dos talentos e das vocações de todos os que, a despeito de sua formação escolar específica, sejam capazes de trazer à sociedade informações, análises e opiniões mais aprofundadas, mais claras e mais abrangentes.
A decisão do Supremo Tribunal Federal vem, finalmente, contribuir para que esse árduo compromisso -que é o da Folha - não encontre em dispositivos cartoriais, desconhecidos na ampla maioria dos países democráticos, um impedimento anacrônico, incompatível com o direito à informação, com a liberdade profissional e com a realidade, cada vez mais complexa, do jornalismo contemporâneo.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
Brickmann: muito barulho por nada
DIPLOMA DESNECESSÁRIO
Muito barulho por nada
Por Carlos Brickmann em 18/6/2009
O Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o decreto-lei nº 972, de 17 de outubro de 1969. Que é que diz este decreto? Citemos seu início:
Decreto-Lei n º 972, de 17 de outubro de 1969
Dispõe sobre o exercício da profissão de jornalista.
OS MINISTROS DA MARINHA DE GUERRA, DO EXÉRCITO E DA AERONÁUTICA MILITAR, usando das atribuições que lhes confere o artigo 3º do Ato Institucional nº 16, de 14 de outubro de 1969, combinado com o § 1º do artigo 2º do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968,
DECRETAM:
Art 1º O exercício da profissão de jornalista é livre, em todo o território nacional, aos que satisfizerem as condições estabelecidas neste Decreto-Lei.
Enfim, há muita gente chateada por ter perdido a liberdade gentilmente concedida pelos senhores ministros integrantes da Junta Militar que governava o país (e que, na ocasião, rejeitavam o nome de Junta Militar: queriam ser conhecidos como "ministros militares no exercício provisório dos poderes da Presidência da República". O deputado Ulysses Guimarães simplificou a denominação: imortalizou-os como "Os Três Patetas").
Mas o tal decreto-lei cuja extinção tantos agora lamentam já foi extinto há muitos anos. Profissionais oriundos de outras áreas, como Arnaldo Jabor, Diego Mainardi, Emir Sader, trabalham sem problemas, e há muito tempo, em órgãos de imprensa. E o decreto-lei não faz falta – a não ser para os que cursaram faculdade de jornalismo em busca do diploma, e não do conhecimento.
Muitos protestam por ter gasto dinheiro numa faculdade cujo diploma se tornou desnecessário, ou por ter perdido anos de sua vida no estudo. Estão errados: exercer o jornalismo exige conhecimento, não um canudo de papel com o nome escrito em letras góticas. Se a faculdade de jornalismo der este conhecimento, terá cumprido sua missão, terá dado retorno ao investimento de tempo e de dinheiro. Quem exerce dignamente a profissão de jornalista, com ou sem diploma, jornalista é.
Não é preciso reservar mercado para quem tiver condições de competir no mercado. O Fernando Gabeira jamais precisou de diploma; o Ricardo Kotscho também não. Para quem quiser ser um bom jornalista bastam os conhecimentos adquiridos dentro ou fora da faculdade. Quanto ao diploma, podem até esquecer-se de ir buscá-lo.
É curioso que ninguém tenha dito, desta vez, que os patrões lutaram pela revogação do decreto-lei 972 para poder pagar menores salários. Conheço o Fernando Gabeira e o Ricardo Kotscho desde a década de 1960; os dois sempre estiveram entre os maiores salários da Redação, em todos os veículos em que trabalharam. E não se diga que os não-formados são os preferidos dos patrões porque sua ética é mais flexível. Os dois exemplos citados funcionam também aqui.
O problema, acredito, é que o Brasil se acostumou às regulamentações. Aqui tivemos lei de imprensa e censura à imprensa antes de termos imprensa. Tivemos generais comandando a extração de petróleo antes que petróleo houvesse para ser extraído (e, de passagem, incomodando pioneiros que queriam trabalhar, como Monteiro Lobato). Nos Estados Unidos, existem faculdades de jornalismo, mas o diploma não é obrigatório. E, embora toda a nossa formação jornalística se baseie na americana, não prescindimos das ordenações que pretendem tudo regulamentar, e que lá não existem.
Ah, os regulamentos! Pois não é que os mesmos oficiais-generais que generosamente regulamentaram o exercício da profissão de jornalista cuidaram também de regulamentar o que os jornalistas poderiam publicar? Um texto engraçadíssimo, que vale a pena pesquisar, é o de regulamentação das revistas de mulher pelada. Está escrito que, nas fotos, poderia aparecer um mamilo nu; dois, não. Mas, se a foto fosse feita com camiseta molhada, ambos os mamilos poderiam aparecer através do tecido. Pelos púbicos, nem pensar. E ficavam proibidas as fotos de nádegas frontais.
Alguém já terá visto nádegas frontais?
Genoino vai sepultar o terceiro mandato
Ainda sobre o diploma de jornalismo
Pausa esportiva
quarta-feira, 17 de junho de 2009
Jornalismo não precisa de diploma:
uma vitória da lógica e da democracia
Os leitores fiéis do Entrelinhas conhecem a posição do autor deste blog, jornalista desde 1995, que é formado em História pela Universidade de São Paulo e que abandonou o curso de Administração Pública na Fundação Getulio Vargas justamente para abraçar o jornalismo. Antes de mais nada, portanto, é preciso dizer que não se trata aqui de advogar em causa própria, pois os chamados "precários" - não diplomados que exercem a profissão há anos – seriam de alguma forma anistiados se o diploma continuasse obrigatório.
A questão toda na verdade é até muito simples: a profissão de jornalista dispensa a formação universitária específica porque não existe nenhuma técnica, norma ou regra que não se possa aprender nas redações, trabalhando. Há várias profissões assim. Publicitários, músicos, artistas são alguns exemplos assemelhados: é perfeitamente possível realizar o trabalho sem ter aprendido a teoria na escola.
Tudo que um bom jornalista precisa é de talento e vontade de ser jornalista. Os melhores serão aqueles mais bem formados e para isto a melhor coisa que se faz é estudar bastante. Este blogueiro recomendaria a um jovem que deseja ingressar na profissão que curse qualquer faculdade - pode ser Direito, Economia, Engenharia, qualquer das Ciências Humanas ou até mesmo Medicina, Química ou Matemática. Uma pós-graduação em Comunicação complementaria a formação, mas isto não é uma necessidade imperiosa. Quem quer ser jornalista deve basicamente ser curioso, gostar muito de ler e de correr atrás das notícias.
O fim da exigência do diploma acaba com uma barreira corporativista tacanha, levantada por um sindicalismo medíocre, e não significa em absoluto o fim das escolas de jornalismo. De fato, o fim da exigência não impedirá que muitos jovens continuem cursando jornalismo para ingressar na profissão. Atualmente existem excelentes faculdades de Publicidade e Marketing, embora o diploma não seja obrigatório para o exercício da profissão. Muitos profissionais que se destacam neste meio são recrutados nas universidades. Por outro lado, gente com talento especial e até sem educação formal alguma poderá exercer o jornalismo sem os constrangimentos dos defensores de um canudo que no fundo só servia para a manutenção de seus próprios feudos no meio sindical. Bom para o Brasil, bom para o jornalismo.
Gaspari: a cota de sucesso do ProUni
A DEMOFOBIA pedagógica perdeu mais uma para a teimosa insubordinação dos jovens pobres e negros. Ao longo dos últimos anos o elitismo convencional ensinou que, se um sistema de cotas levasse estudantes negros para as universidades públicas, eles não seriam capazes de acompanhar as aulas e acabariam fugindo das escolas. Lorota. Cinco anos de vigência das cotas na UFRJ e na Federal da Bahia ensinaram que os cotistas conseguem um desempenho médio equivalente ao dos demais estudantes, com menor taxa de evasão. Quando Nosso Guia criou o ProUni, abrindo o sistema de bolsas em faculdades privadas para jovens de baixa renda (põe baixa nisso, 1,5 salário mínimo per capita de renda familiar para a bolsa integral), com cotas para negros, foi acusado de nivelar por baixo o acesso ao ensino superior. De novo, especulou-se que os pobres, por serem pobres, teriam dificuldade para se manter nas escolas.
Os repórteres Denise Menchen e Antonio Gois contaram que, pela segunda vez em dois anos, o desempenho dos bolsistas do ProUni ficou acima da média dos demais estudantes que prestaram o Provão. Em 2004, os beneficiados foram cerca de 130 mil jovens que dificilmente chegariam ao ensino superior (45% dos bolsistas do ProUni são afrodescendentes, ou descendentes de escravos, para quem não gosta da expressão).
O DEM (ex-PFL) e a Confederação Nacional dos Estabelecimentos de Ensino foram ao Supremo Tribunal Federal, arguindo a inconstitucionalidade dos mecanismos do ProUni. Sustentam que a preferência pelos estudantes pobres e as cotas para negros (igualmente pobres) ofendiam a noção segundo a qual todos são iguais perante a lei. O caso ainda não foi julgado pelo tribunal, mas já foi relatado pelo ministro Carlos Ayres Britto, em voto memorável. Ele lembrou um trecho da Oração aos Moços de Rui Barbosa: "Tratar com desigualdade a iguais, ou a desiguais com igualdade, seria desigualdade flagrante, e não igualdade real".
A "Oração aos Moços" é de 1921, quando Rui já prevalecera com sua contribuição abolicionista. A discussão em torno do sistema de acesso dos afrodescendentes às universidades teve a virtude de chamar a atenção para o passado e para a esplêndida produção historiográfica sobre a situação do negro brasileiro no final do século 19. Acaba de sair um livro exemplar dessa qualidade, é "O jogo da Dissimulação - Abolição e Cidadania Negra no Brasil", da professora Wlamyra de Albuquerque, da Federal da Bahia. Ela mostra o que foi o peso da cor. Dezesseis negros africanos que chegaram à Bahia em 1877 para comerciar foram deportados, apesar de serem súditos britânicos. Negros ingleses negros eram, e o Brasil não seria o lugar deles.
A professora Albuquerque transcreve em seu livro uma carta de escravos libertos endereçada a Rui Barbosa em 1889, um ano depois da Abolição. Nela havia um pleito, que demorou para começar a ser atendido, mas que o DEM e os donos de faculdades ainda lutam para derrubar:
"Nossos filhos jazem imersos em profundas trevas. É preciso esclarecê-los e guiá-los por meio da instrução".
A comissão pedia o cumprimento de uma lei de 1871 que prometia educação para os libertos. Mais de cem anos depois, iniciativas como o ProUni mostraram não só que isso era possível mas que, surgindo a oportunidade, a garotada faria bonito.
Oposição defende Sarney
Os "sarnetes".
Arthur Virgílio(PSDB-AM), qualificou como "coisa de menos" as nomeações de três parentes de Sarney - duas sobrinhas e um neto - por atos secretos do Senado revelados pelo Estado.
José Agripino Maia (DEM-RN) afirmou que o discurso de Sarney foi "indignado com toda a justeza". "Não se pode medir a justeza de uma vida pública em um detalhe ou outro", disse Agripino.
O senador Papaléo Paes (PSDB-AP), em discurso nesta terça-feira (16), disse que não existe ato secreto no Senado. Ele explicou que muitos atos não foram publicados por falha técnica de servidores, e não necessariamente por "safadeza, corrupção, ou malfeitoria dos administradores".
Pedro Simon(PMDB-RS) oficializando a tese combinada entre os senadores, que permite que a falcatrua continue, sem que ninguém seja punido: "Quando o presidente Sarney diz que a culpa não é dele, que é de todo o Senado, eu digo: é verdade, a culpa é de todo o Senado".
Ninguém esperava outro discurso de José Sarney, uma das figuras mais caricatas deste país, com uma história política tenebrosa, responsável pela miséria do Maranhão e pela maior inflação que este país já teve, que não possui na sua biografia nenhum fato que não tenha exigido uma contrapartida para o seu patrimônio político, familiar ou pessoal. O pior de tudo é que qualquer brasileiro que acompanha a vida política brasileira também não ficou surpreso com os discursos de apoio, mesmo que envergonhados, dos demais senadores, especialmente os de oposição. Lá no Senado todos são "sarnetes" do dono do circo, José Sarney.
Mas o Lula não ia sequestrar a poupança?
Depósitos triplicam, mesmo com alteração na poupança
Captação da caderneta nos primeiros sete dias úteis de junho foi de R$ 2 bi, relata a Folha. Governo mudou regras da poupança para evitar fuga de fundos de investimento.
É claro que existe uma explicação lógica para o fenômeno, em função da queda da taxa básica de juros, mas não deixa de ser engraçado: a oposição, PPS à frente, esperneou, gritou, enfim, fez um escarcéu danado em torno do tal "sequestro" que Lula, tal como Fernando Collor, faria na poupança popular. Pois o povão não só entendeu que era mentira como botou ainda mais dinheiro neste tipo de aplicação, reforçando a confiança que tem no atual presidente. O que os Jungmanns da vida não entendem é que Lula, quando fala, é olho no olho com o povaréu. Esta relação de confiança os tipinhos como o ex-ministro da Reforma Agrária (??) de Fernando Henrique jamais vai conseguir estabelecer.
Este blog agora fica imaginando o mico que será para Jungmann, durante a campanha eleitoral, explicar as bobagens ditas por ele sobre a cadernetas de poupança no programa eleitoral do PPS. Alguém precisa avisar ao Roberto Freire, presidente nacional da sigla, que mentira de perna curta.
Ainda sobre as madrugadas do Serra
terça-feira, 16 de junho de 2009
Serra e as madrugadas no Twitter
Abaixo, as twittadas (é assim que se diz?) do governador paulista. Morcego dorme mais cedo.
# Agora é que vou dormir, @nielphine e @lucecru. Sobre formação acadêmica, fica pra outro dia. Boa noite...5:59 AM Jun 13th from web
# "A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar." De uma bela conferência de Amós Oz, em 2002. Acha no Google.5:53 AM Jun 13th from web
# Fui eleito para a UNE com 21 anos. Amarguei um dos mais longos exílios entre todos: perto de 14 anos. Não foi fácil, mas não renego nada.5:49 AM Jun 13th from web
# A Poli/USP foi minha grande escola de vida. Estudava lá, em 64, e presidia a UNE. Perseguido, condenado, não concluí meu curso. Saí do país.5:47 AM Jun 13th from web
# Ouvi, @andervitorino. Também acho. @caiohr, calma. Confie na USP. Ela encontrará a melhor saída. O bom senso da maioria vai prevalecer.5:46 AM Jun 13th from web
# Vamos lá. USP: recebi e repasso para uma reflexão serena de todos. Dalmo Dallari na Folha. http://migre.me/26Gl5:45 AM Jun 13th from web
Sarney e a crise sem fim
Está virando até moda usar o título do livro O outono do patriarca, de Gabriel Garcia Marquez, para tentar explicar a desastrosa situação de José Sarney (PMDB-AP) na presidência do Senado Federal. A imagem é boa, mas talvez não seja este o caso (nem ocaso). Sarney é um senador com bastante influência, está no jogo do poder há mais de 30 anos, não nasceu ontem e nem cometeu grandes deslizes desde fevereiro, quando venceu a eleição para o comando da Casa Alta. Não, José Sarney não é um coronel em decadência e quem não entender isto vai quebrar a cara ao analisar a situação.O que realmente está acontecendo no Senado é uma clássica disputa por espaços e poder, na qual a situação anterior, em que um senador fraco (Garibaldi Alves, PMDB do Rio Grande do Norte) estava no comando, sustentado por um consenso estabelecido entre as várias forças políticas que compõem o Senado, incluindo aí as de oposição. Em janeiro, na eleição do sucessor de Garibaldi, o Senado rachou. Sarney enfrentou o acreano petista Tião Viana, que teve apoio do PSDB e, é óbvio, de seu próprio partido. O experiente político maranhense, eleito pelo estado do Amapá, se acertou com os Democratas, uniu seu próprio partido e levou a melhor. Desde então, a guerra travada naquela época não para de causar problemas ao presidente e também ao Senado enquanto instituição.
As "denúncias" que vêm sendo apresentadas partem, é óbvio, de dentro de gabinetes bem informados sobre os bastidores da Casa, não se trata de maneira alguma de "apuração independente" da imprensa. São dossiês passados a jornalistas "de confiança", prontinhos para publicação. O próprio Sarney sabe de onde partem as tais denúncias: do PSDB, especialmente a ala liga ao governador José Serra, de São Paulo, ele próprio um inimigo da família Sarney desde que a candidatura de Roseana à presidência foi sepultada após a Operação Lunus, atribuída por muitos ao próprio Serra; e de uma parte PT insatisfeita com o fortalecimento do PMDB (com evidente repercussão nas eleições do próximo ano). No meio de tudo isto há a disputa pelo espólio de Agaciel Maia, que há mais de uma década comandava o Senado do ponto de vista administrativo.
Enfim, Sarney e seu grupo político, que inclui o polêmico Renan Calheiros, tão odiado pela imprensa quanto respeitado por muitos de seus pares, não são diretamente responsáveis pela balbúrdia em que se transformou o Senado Federal, mas vão sofrer as consequências até que um novo consenso se estabeleça e os trabalhos possam caminhar. Resta saber se este consenso será com Sarney na presidência ou se mais uma vez a maldição da cadeira de presidente do Senado vai se abater sobre mais um parlamentar. Questão em aberto.
Rossi: Os "bunkers" virtuais
SÃO PAULO - Carta do leitor Jorge Henrique Singh, aparentemente um estudante, publicada no domingo, ajuda a entender não apenas o quadro na USP como, mais amplamente, a catatonia da sociedade brasileira.
Diz Singh, em sua carta, que "os estudantes pesquisam, conversam e protestam em rede antes de se deixarem levar por pregadores ideológicos profissionais".
Então tá, os estudantes retiraram-se para um "bunker" virtual em que "protestam em rede". Enquanto isso, o que ele chama de "pregadores ideológicos profissionais" tomam conta da vida real (e da USP) -sem que os virtuais saiam um pouco de seu mundinho.
Vale para a USP, vale para o conjunto da vida em sociedade. Basta ver a quantidade de "protestos em rede" que giram em torno dos escândalos políticos sem conseguir comover os autores, que preferem a vida real (e a bufunfa real).
Faz pouco, o colunista do "New York Times" Nicholas D. Kristof produziu um belo texto mostrando que a esmagadora maioria dos blogs ou demais instrumentos em rede trava um diálogo de "nós com nós mesmos", ou seja, com quem pensa da mesma maneira (no caso dos Estados Unidos, democratas com democratas, neocons com neocons e por aí vai).
Não há verdadeiramente diálogo se por este se entender um debate entre ideias diferentes. Há um monólogo em que se ouvem apenas vozes com a mesma entonação, uma espécie de onanismo virtual, sem contato com o sexo oposto (no caso, as ideias opostas).
Com isso, desperdiçam-se as possibilidades de democratização oferecidas pela internet. Há, sim, uma imensa cacofonia de vozes, mas, na outra ponta, os ouvidos se fecham para aquelas que não são agradáveis, por desafiarem certezas cultivadas nos "bunkers" virtuais.
Pena que os problemas se resolvam é na vida real.
Notícia relevante
É, tem pensamento que machuca. De verdade.
Omissões da imprensa
Lula é ovacionado de pé na OIT, PIG na internet "não sabe"
Atualizado em 16 de junho de 2009 às 11:11 | Publicado em 15 de junho de 2009 às 23:52
São 23h40. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou nesta segunda-feira sua visita a Genebra, na Suíça. Discursou e arrancou aplausos em dois braços da ONU - o Conselho de Direitos Humanos e a Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Na capa dos portais dos três principais jornais do país, Globo, Folha e Estadão, NADA, NADA, NADA.
Em compensação, no portal da BBC Brasil a viagem de Lula é manchete; às 21h44 era citado quatro vezes na capa.
Primeiro, Lula foi aplaudido no Conselho de Direitos Humanos da ONU. “Eu tenho notado que em algumas campanhas políticas o maior instrumento da direita é dizer que vai diminuir a imigração para garantir o emprego no seu país", afirmou o presidente em notícia publicada na BBC Brasil. "Não podemos permitir que a direita em cada país utilize o imigrante como se ele fosse um mal da nação ocupando o lugar de uma pessoa do próprio país. Nós não podemos permitir que essa visão ideológica tenha lugar no mundo do trabalho. Essa é uma luta muito difícil. Muitas vezes os próprios trabalhadores culpam os imigrantes. Então não é uma luta fácil, mas é uma luta que somente o movimento sindical pode assumir e defender com unhas e dentes."
Depois, ao discursar na plenária da OIT, Lula foi aplaudido seis vezes - e ovacionado de pé ao final de sua participação - ao criticar duramente o modelo econômico pregado pelo neoliberalismo e defender um Estado forte capaz de amparar os cidadãos em um momento de crise econômica.
"Primeiro teve o Consenso de Washington e depois o neoliberalismo, que disse que o Estado tinha de ser o mínimo possível, porque o mercado resolvia qualquer problema. Mas no meio da crise, a quem é que os bancos americanos, os bancos alemães recorreram? Ao Estado. Porque somente o Estado tinha garantia e credibilidade de fazer aquilo que o mercado não conseguia fazer", disse Lula, arrancando aplausos da plateia.
Para ler a notícia na íntegra, vá ao site da BBC
Quando alguns integrantes do governo dizem que se informam sobre o Brasil pelos jornais internacionais, não deixa de ser verdade. Por aqui no máximo o que se pode ler são as fofocas e intrigas de veículos com o rabo preso com certos interesses e grupos políticos. Jornalismo mesmo, sobra quase nada - Valor Econômico, uma ou outra coisa no Estadão e O Globo, no restante impressiona o viés político-ideológico. E nem se trata de grande novidade, já foi até pior, durante o mandarinato de Fernando Henrique os jornalões fizeram da Lei Ricúpero um verdadeiro paradigma de jornalismo - "o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde".
Kassab disputará o Bandeirantes?
Pode ser, porém, que Kassab acabe "convencido pelas bases" a enfrentar Geraldo Alckmin e aí a coisa complica um pouco para o prefeito. Alckmin tomou uma surra na eleição da capital, mas sua força maior está no interior e não deve ser desprezada. O ex-governador seria um páreo muito duro para qualquer adversário e vai querer se vingar da derrota do ano passado.
Há, porém, um problema adicional na hipótese de Alckmin e Kassab serem candidatos. Basta olhar as últimas votações no Estado para perceber que o eleitorado de esquerda representa algo em torno de 20% a 30% do total, votando sempre em candidatos com perfil... esquerdista. Assim, Alckmin e Kassab poderiam acabar dividindo o eleitorado conservador e possibilitando um segundo turno com o nome que o eleitorado de esquerda escolher entre os que se apresentarem, como ocorreu em 2008, quando a disputa na capital paulistana ficou entre Marta e Kassab. Dificilmente a eleição seria decidida, no estado, entre Alckmin e o atual prefeito. A divisão das forças conservadoras, portanto, pode recolocar na briga uma esquerda que embora esteja muito forte em termos nacionais, encontra dificuldades no maior estado do país.
A seguir, a matéria da Folha desta terça-feira.
Kassab já discute candidatura ao governo
Aliados dizem que o prefeito pode concorrer se tiver apoio; segundo tucanos, Serra já o desencorajou
DA REPORTAGEM LOCAL
Disposto a conter a candidatura do secretário de Desenvolvimento e desafeto, Geraldo Alckmin (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), já admite a possibilidade de concorrer ao governo de São Paulo no ano que vem.
A intenção é embaralhar o jogo, impedindo que Alckmin (contra quem disputou a prefeitura em 2008) figure como única opção do governador José Serra (PSDB) em 2010. Nas conversas, Kassab não descarta concorrer se a candidatura do chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), naufragar: "Meu candidato é o Aloysio Nunes Ferreira", insiste Kassab, negando sua candidatura.
O prefeito repete que apoiará o candidato de Serra ao governo: "Eu só poderia concorrer se o governador José Serra pedisse publicamente. E sei que isso ele não pode fazer". Apesar de Kassab dizer que o lançamento de sua candidatura é uma maneira de prejudicá-lo, democratas alimentam os rumores de que ele não rechaça a hipótese. Além de inibir Alckmin, essa é uma tentativa de dimensionar a acolhida a seu nome. "Não vamos colocar nome algum. Nem tirar", diz o ex-presidente do DEM Jorge Bornhausen (SC).
Em conversas, Kassab manifesta preocupação acerca de seu futuro. Segundo seus aliados, Kassab só terá chance de concorrer daqui a oito anos, caso não dispute em 2010. Até lá, dizem, pode perder o fôlego.
Segundo tucanos, o próprio Serra já desencorajou Kassab. O governador alerta para o impacto negativo caso o prefeito deixe o cargo. Serra e Kassab acertaram que só conversarão sobre sucessão no ano que vem. Serra, porém, não deverá coibir qualquer movimentação.
Kassab admite as dificuldades. Os deputados federais de São Paulo (30% da bancada do PSDB na Câmara) ficariam contrariados. A seu favor, ele tem a simpatia dos principais aliados de Serra, entre eles o presidente do PMDB, Orestes Quércia: "Apoio o candidato de Serra". (CATIA SEABRA)
Precisão é tudo
"Subprocurador se envolve em acidente de carro embriagado"
A matéria infelizmente não informa se o automóvel foi autuado, nem tampouco se soprou o bafômetro, como manda a Lei Seca.
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Entrevistas com o presidente: boa iniciativa
Lula terá coluna em jornais para responder leitores semanalmente
Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil
Brasília - A partir do dia 7 de julho (uma terça-feira), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva responderá perguntas de leitores de jornais impressos em uma coluna semanal intitulada “O Presidente Responde”.
A Secretaria de Imprensa da Presidência da República abriu hoje (15) as inscrições para os jornais interessados em publicar o material. De acordo com a secretaria, a coluna terá o formato de perguntas e respostas e será publicada sempre às terças-feiras.
Os leitores deverão enviar as perguntas para os jornais com nome completo, idade, profissão e cidade onde residem. Por sua vez, os jornais encaminharão as perguntas à Presidência da República, que irá selecionar três, a cada semana.
Conforme comunicado da Secretaria de Imprensa, as perguntas devem tratar de temas relacionados às políticas do governo federal, “considerando que a coluna visa ser mais um instrumento de prestação de contas à sociedade das ações do governo federal”. A coluna ficará disponível ao público no site da Presidência da República depois da publicação nos jornais cadastrados.
Rodini: os secretários do Senado
Parece que virou moda; a imprensa só fala do Senado. É o inferno astral do Sarney.
Presidente da República por acaso, senador eleito por estado alheio, governador do Maranhão eleito por... sabe-se lá como, Sarney anda às voltas com a sua Sociedade Secreta. Secreto vem de secretum no latim, que significa secretário, que é a pessoa da confiança de alguém.
Ora, quando elegemos os senadores imaginamos que sejam da nossa confiança. Ocorre que os nossos eleitos nomearam vários secretários da sua confiança. Neto de um, sobrinho de outro, pai do amigo do tal sobrinho, amigo do neto de um.
E por aí foi. Muitos nomeados na calada da noite – às vezes nem tão calada, visto que as festas que os senadores e seus pares frequentam são um só foguetório.
Cartas, e-mails, torpedos, ligações telefônicas, vale tudo para ser da confiança deles. Carteados, baladas, jantares e favores são as contra-partidas...
O auxílio-moradia foi oferecido como morada do rei, aquele que impera no Senado de hoje. A arte do não saber voltou a ser demonstrada e propalada aos quatro cantos.
Voar com o bilhete dos outros também virou rotina. E, mesmo os de bem, confirmaram que cederam.
Nesta altura do campeonato, os eleitores devem pedir a renúncia de quem renunciou a nossa confiança.
E os maranhenses, bravos guerreiros que tropeçam nas estradas de pó, pedem que o Dono do Mar fique.
Fica, Sarney, fica...na Ilha de Curupu.
Três boas notícias e uma pequena análise
BB amplia linha de crédito para microempresas
Financiamento de carros cresce 18,4%
Juro do cheque especial cai pelo 6º mês
Pausa esportiva
A dor da gente não sai no jornal
MÍDIA & VIOLÊNCIA Por Luiz Antonio Magalhães em 11/6/2009 | |
Homem branco, 35 a 40 anos, morador da Zona Sul do Rio de Janeiro ou dos Jardins da capital paulista. É este o perfil de vítima de homicídios que sai nas páginas dos grandes jornais brasileiros ou aparece na escalada dos telejornais das principais emissoras de televisão, em geral alvejado no caminho do trabalho ou na volta para casa. A vítima preferencial da violência, porém, tem outra cor, outra idade e mora em locais bem diferentes. São jovens negros, habitantes das periferias, favelas ou morros das grandes cidades brasileiras. Contra números, diz o ditado popular, não há argumentos. As estatísticas revelam que a taxa de homicídios no Brasil, considerando apenas vítimas do sexo masculino, se concentra entre os jovens negros: na faixa que vai dos 20 a 30 anos, a taxa supera 150 mortos por 100 mil habitantes, beirando os 200 aos 23-24 anos. Entre os brancos, esta mesma taxa não alcança 100 mortos por 100 mil habitantes. A média nacional já é assustadora, ainda mais quando se considera que os negros são minoria na população brasileira, mas os números de estados como o Rio de Janeiro e Pernambuco impressionam ainda mais. No Rio e em Pernambuco, a taxa de homicídios entre jovens brancos bate em 150 por 100 mil habitantes, ao passo que na mesma faixa etária chega a 400 por 100 mil habitantes entre os negros. "Disputa de mercado" E por que, afinal, o perfil da vítima dos assassinatos que sai nos jornais é tão diferente do que se verifica na vida real que as estatísticas revelam? Este foi apenas um dos temas debatidos no seminário Mídia e Segurança Pública, realizado no final de maio no Ministério da Justiça, em Brasília. Promovido pela comissão que organiza a 1ª Conferência Nacional de Segurança Pública, o seminário contou com a participação do ministro Tarso Genro, do secretário Nacional de Segurança Pública Ricardo Balestreri, da presidente da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação) Tereza Cruvinel, além de representantes da imprensa, pesquisadores acadêmicos, policiais e militantes de organizações não governamentais que atuam com a questão da segurança e/ou violência. Ricardo Balestreri explicou que a mídia pode e precisa ser "parceira e aliada" do Estado na questão da segurança. Segundo o secretário, há uma "dimensão pedagógica" no combate a violência que deve ser colocada em prática nas escolas, pelos professores, e no jornalismo, que teria até maior potencial do que os educadores, em função de seu alcance. "A mídia tem a capacidade de convencer a sociedade. É preciso um pacto entre ela e as autoridades para darmos solidez ao projeto democrático no país", complementou o ministro Tarso Genro. Uma das questões que mais provocou polêmica durante o seminário foi a do sensacionalismo da imprensa na cobertura policial. "Há uma disputa de mercado pela espetaculosidade e não pela qualidade da informação", provocou o ministro. Tereza Cruvinel defendeu que as editorias de Polícia sejam substituídas por editorias de Segurança Pública. "Em países da Europa não se emite opinião sobre coisa não julgada, e isto ajuda no combate à banalização e à espetaculosidade do conteúdo", afirmou a jornalista. Segundo a presidente da EBC, "é necessário questionar a diferença entre interesse público e interesse do público". Fora da pauta Apesar das críticas à imprensa, praticamente todos os participantes do seminário concordaram que já houve uma evolução sensível na cobertura policial no país. No passado, os setoristas de polícia eram quase uma extensão da própria polícia – acompanhavam diligências junto com os agentes, assistiam aos interrogatórios (e muitas vezes participavam deles, inclusive "colaborando" na violência contra os suspeitos) e em geral andavam armados. Este perfil do jornalista e da cobertura policial mudou muito, embora até hoje alguns aceitem "carona" nas viaturas policiais, atitude promíscua que denuncia o excesso de intimidade com as fontes e que infelizmente ainda não foi debelada. A jornalista Angelina Nunes, editora-assistente do jornal O Globo e representante da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) no seminário, delimitou a morte do jornalista Tim Lopes como um marco divisor na reflexão dos colegas envolvidos com a cobertura policial. Segundo ela, desde então a qualificação desses profissionais aumentou e o foco mudou. "Houve investimento no capital humano. A formação nos anos 1980 era de polícia e hoje é em segurança pública", afirmou. Ela também condenou a intimidade de jornalistas, especialmente dos veículos populares, com as suas fontes na polícia. "Não é ético andar no `Caveirão´ ou se vestir de policial. Na apresentação de um preso, se o repórter deixa o policial puxar o cabelo do preso para mostrar seu rosto, está compactuando", afirmou. Já Aziz Filho, gerente executivo de jornalismo da TV Brasil, defendeu a imprensa. Afirmou que a mídia brasileira não dá a "centralidade" ao debate da segurança pública porque os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário também não dão. Ele questionou quais são os projetos de lei sobre o tema na pauta do Congresso Nacional ou que ações efetivas o Executivo tem tomado para enfrentar a questão. E arrematou: a questão da segurança não está na pauta da mídia porque também não é central na pauta dos três poderes da República. Direito de saber A pesquisadora Sílvia Ramos, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania da Universidade Cândido Mendes, no Rio, foi quem apresentou os dados do início deste texto, sobre o perfil das vítimas de homícidio no Brasil. Segundo ela, existe claramente um viés de classe na cobertura policial. "Uma bala perdida que não acertou ninguém no Leme [bairro nobre do Rio de Janeiro] tem mais espaço nos jornais do que a morte de um jovem negro e favelado", explicou. De acordo com os dados apresentados por Silvia Ramos, o Brasil é atualmente o sexto país do mundo em número de homicídios e o quinto em homicídios de jovens, sempre concentrados nos bairros pobres da periferia. "Esse é o fenômeno que a gente tem que responder e estamos respondendo pouco. Temos que se falar sobre isso obsessivamente", defendeu a acadêmica. Outra pesquisa apresentada durante o evento foi da jornalista Suzana Varjão, sobre a violência na mídia baiana, que acabou se transformando em um livro – Micropoderes, macroviolências – Mídia impressa, aparato policial. A jornalista pesquisou a cobertura de fatos violentos na Bahia em três jornais locais e o resultado do levantamento corrobora a tese de Silvia Ramos. Segundo a análise de Suzana Varjão, é mínimo o espaço dedicado às vítimas pobres nos jornais baianos. O ministro Tarso Genro também palpitou sobre o trabalho dos jornalistas que cobrem o setor de polícia. Disse achar a cobertura boa, mas muito fragmentada. "São reportados os fatos violentos, que a população tem o direito de saber, mas não existem matérias paralelas sobre como solucioná-los", disse. Para o ministro, é necessário um debate mais concreto, ouvindo especialistas e as comunidades que sofrem com a violência. Ele naturalmente também reclamou da falta de atenção que os jornalistas dão aos atos do governo: "Não vejo um tratamento com profundidade sobre o que estados, municípios e União têm feito em defesa do cidadão", disse o ministro. | |
domingo, 14 de junho de 2009
Serra: candidato em busca de um discurso
"Em 2010 não há candidato natural. Favorito até que tem"
O governador José Serra, de Sao Paulo, foi no fim de semana a uma festa de São João promovida em Pernambuco pelo senador Sérgio Guerra, presidente nacional do PSDB. A repórter Cecília Ramos, do Jornal do Commercio, arrancou-lhe uma entrevista. Seguem os principais trechos:
Aliados têm se queixado que o senhor não viaja, fica em São Paulo. Já a presidenciável do PT, a ministra Dilma Rousseff, tem circulado.
Nunca ouvi (queixa). Nunca deixei de circular pelo país. A cada dez dias tenho viagem fora de São Paulo. O Brasil é grande e por isso não parece que viajo. Não dá para estabelecer uma corrida. A Dilma está antecipando (a eleição). Não farei isso, mas não quer dizer que não tenho disposição para concorrer. Tenho disposição e vamos resolver isso na hora certa.
Seu nome apareceu em primeiro lugar, na última pesquisa CNI/Ibope de intenção de votos para presidente da República. Isso o anima?
O que eu presto atenção em pesquisa é avaliação da população sobre minha atuação como homem público. Tudo o que vejo é que, depois do Lula, eu sou o mais bem avaliado nas pesquisas. Eu acho isso ótimo, porque estou afastado do cenário nacional desde 2002. Não tive nenhum cargo nacional, nem estou presente na mídia nacional. Fico honrado. Acho que isso se deve a minha atuação passada (ministro do Planejamento e da Saúde no governo Fernando Henrique Cardoso) e meu desempenho em São Paulo que acaba irradiando. Quando eu vim aqui na campanha do ano passado, eu fui a uns quatro municípios e, no discurso, eu perguntava: ‘quem tem parente em São Paulo?’ A maioria levantou a mão. É um estado que o pessoal está ligado. E eu tenho lá um enorme apoio entre as pessoas que vieram daqui. Aquela música que eu cantei hoje (Baião, de Luiz Gonzaga, que ele cantou em Limoeiro), aprendi quando eu era criança. Porque sou da Moca, um bairro operário, onde chegavam os imigrantes nordestinos.
Alguns adversários o apontam como um político voltado para o Sul e o Sudeste. Como encara a crítica?
Sempre trabalhei com projeto para o País. Eu sou um político nacional. Nunca fui local. Comecei minha militância política no plano nacional e comecei minha campanha a presidente da UNE em Pernambuco. Fiquei exilado 14 anos e isso sempre me induziu a ter uma visão agregada do Brasil. Quem me acompanhou no Congresso e nos ministérios sabe que minhas principais atividades foram por questões nacionais. Posso até não demonstrar isto, mas, sem nenhum exagero, poucos políticos nacionais fizeram tanto pelo Nordeste quanto eu. Se tiver essa crítica de que não olho o Nordeste não vai pegar.
O senhor é taxado como um político sisudo e que não fala para as massas. Procede?
Quem me conhece de perto sabe que sou bem humorado e tenho interesses que vão além de economia e política. Na vida, você tem a sua personalidade própria e a social. A social é feita pelos outros, você não tem como interferir. Eu não estou falando de carisma, que é uma coisa mais complexa. Em geral, quem tem carisma é quem ganha eleição. Perdeu, não tem carisma. Em São Paulo ninguém diz que não tenho carisma.
Qual a avaliação que o senhor faz do governo Lula?
Vamos ter que fazer esse balanço mais para frente. Agora é indiscutível que o Lula tem uma popularidade imensa. A minha relação de governador com o presidente é boa, de cooperação.
Qualquer candidato apoiado por Lula é forte?
Sem duvida. Qualquer candidato do PT é forte. É o partido do governo. A eleição do ano que vem será a mais disputada desde que foi reestabelecida as eleições diretas. Fernando Collor (primeiro presidente eleito por voto direto após o Regime Militar, em 1989) foi aquele fenômeno atípico. Fernando Henrique Cardoso ganhou e foi reeleito na esteira do Plano Real. Em 2002, eu fui bem, afinal de contas tive grande votação, mas estava claro que o país queria o Lula. No ano que vem não há um candidato natural. Favorito até que tem. Mas vai ser uma eleição mais disputada. E o Lula não vai ser candidato no ano que vem. Aí é que nós vamos ver!
O senhor é o favorito?
Isso você só não pode dizer que foi eu que falei. Leia mais no blog de Jamildo
Ombudsman da Folha e o blog da Petrobras
Muito barulho por quase nada
A reação de muitos veículos, jornalistas e entidades ao blog da Petrobras foi claramente despropositada
NINGUÉM precisava ter lido o blog da Petrobras para perceber problemas na reportagem publicada no sábado, dia 6, sobre as relações entre a empresa e a entidade MBC (Movimento Brasil Competitivo).
Expressei assim, na crítica diária que faço das edições deste jornal, minha reação inicial ao deparar-me com a chamada de capa dada a ela: "Francamente, não vejo relevância na informação de que verba da Petrobras foi para ONG que tem seu presidente entre os membros do conselho para que ela esteja na primeira página".
Meu argumento era que em geral a presença de pessoas que ocupam cargos de prestígio em conselhos de organizações como o MBC é apenas simbólica. Como o próprio texto da reportagem informava, o presidente da Petrobras nem participa das reuniões do MBC.
Concluí que "a contratação do MBC pela Petrobras pode merecer críticas, ser denunciada, por diversos motivos. Pelo fato de que Dilma Rousseff e José Sergio Gabrielli participam nominalmente do conselho da ONG, não".
A publicação de cartas do presidente do MBC e da gerente de imprensa da Petrobras no "Painel do Leitor" de segunda-feira confirmou minhas impressões e foi suficiente para eu (e muitos leitores) fechar juízo de valor sobre o caso.
Ao longo da semana, a relação entre a Petrobras e o MBC foi deixada de lado (o que parece confirmar a sua pouca relevância) e o debate, injustificadamente histérico, se concentrou na criação do blog Fatos e Dados pela estatal.
A Petrobras e qualquer entidade ou cidadão têm o direito indiscutível de criar quantos blogs, sites, jornais ou publicações de qualquer espécie que quiserem. Se ela deseja tornar públicas todas as perguntas de jornalistas que receber, também não há nada que a impeça nem legal nem eticamente (em especial se deixar claro a quem se dirigir a ela que vai fazer isso).
Não faz sentido a Petrobras querer editar o conteúdo dos veículos de comunicação. Mas não há problema em ela tornar público material que seja cortado durante o processo de edição feito por esses veículos.
A reação de muitos jornalistas, veículos e entidades à iniciativa foi claramente despropositada. Se alguém pode sair prejudicado pela decisão de revelar as questões de jornalistas antes da publicação das reportagens a que se destinam é a própria empresa, como seu recuo nesse ponto deixou claro: se as pautas exclusivas deixam de ser exclusivas porque a fonte as revela ao público, o mais indicado para quem as produz é não ouvir essa fonte antes de publicar a reportagem.
Do episódio, só há a lamentar que tenha sido mais lenha para atiçar a fogueira do conflito sectário que envenena o ambiente político nacional em prejuízo de todos.
PARA LER
"Blablablogue", organizado por Nelson de Oliveira, editora Terracota, 2009 (R$ 25)
PARA VER
"Nome Próprio", de Murilo Salles, com Leandra Leal, 2007
De volta ao batente
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Ainda sobre o Copom
Luiz,
Acho que em dezembro eu escrevi no meu blog que com essa crise tinha um cidadão feliz: Henrique Meirelles.
Sem ela, o Brasil ainda estaria com aquele cenário de crescimento de 6%, inflação na casa dos 7%, 8%, déficits em conta corrente etc.
Tudo isso teria que ser combatido via política monetária. E já estava em andamento um aperto monetário no segundo semestre de 2008, aperto que seria radicalizado ainda mais. Sem a crise, a gente estaria discutindo hoje uma Selic na casa dos 16, 17% e o Meirelles teria que andar com vários ternos na bolsa, para ir trocando os manchados pelos tomates. Hoje ele está rindo a toa. Está sendo elogiado até pela CNI (FIESP, CUT e Força Sindical não contam, pois reclamar faz parte do estatuto).
Tirando os efeitos da queda na demanda externa (sobre a qual não temos controle), a crise apenas radicalizou uma desaceleração que era inevitável e desejada pelo governo. Radical no sentido de forte e rápida.
E aí temos dois pontos para colocar na balança: a desaceleração forçada veio com muito menos custos para a política fiscal e permitiu um alívio monetário inédito; ao mesmo tempo em que foi uma tragédia para os investimentos produtivos e estes têm um peso muito grande no PIB.
A população, o consumidor, a demanda interna foi a que menos perdeu. A inflação caiu, a massa salarial se manteve em crescimento e o governo ainda aliviou impostos. Sofreu com o aumento do spread, mas este tem pouco peso nos supermercados, local onde, afinal de contas, o nosso povo fica realmente feliz.
E quanto às previsões, siga o exemplo do Delfim hoje na Folha, perguntado por que todos erraram: "Leva à conclusão de que o mercado não sabe nada."
A queda de 100 pontos não me surpreendeu, pois ao contrário de muitos analistas, os técnicos da minha consultoria DataCafuringa, acreditam que o Copom olha mais para o IGP, em especial para o IPA, e menos para o PIB, câmbio ou IPCA. E ambos estão em deflação no ano e estarão, daqui a três ou quatro meses, em deflação em 12 meses. E isso significa preços administrados em baixa.
Mas seguindo a tese do tobogã, não acredito que a Selic vai se manter nesse patamar nesse patamar quando a economia voltar a se aquecer, ainda mais com a queda impressionante nos investimentos.
A teoria do tobogã pode ser lida aqui
quarta-feira, 10 de junho de 2009
Copom surpreende com corte de 1 ponto
Não dá para não ler
Ciro Gomes e a cascata do barulho
O risco é enorme, inclusive pela acusação que certamente seria feita de oportunismo na troca do domicílio eleitoral. O deputado socialista nasceu em Pindamonhangaba, mas é tão paulista quanto Mangabeira Unger é carioca. Alguém pode dizer que Lula é pernambucano e se fez em São Paulo, mas a diferença é justamente esta: desde sempre o atual presidente atuou na política local, ao passo que Ciro fez carreira no Ceará, só vem a São Paulo para eventos oficiais ou para curtir a noite paulistana. O interior do Estado, especialmente, teria enorme má vontade com a candidatura do emigrante de Pindamonhangaba.
Alguém pode ainda alegar o exemplo de Leonel Brizola, o gaúcho que brilhou no Rio de Janeiro -, e aí a explicação é outra: o Rio é o único estado brasileiro onde tal coisa poderia acontecer. Seria inclusive muito mais crível que Ciro disputasse o governo do Rio (já se falou desta possibilidade com Heloísa Helena, também daria para conceber). Em São Paulo, não dá pé. Ou o sujeito é paulista mesmo ou está por aqui há muito tempo, como o matogrossense Jânio Quadros ou a paraibana Luiza Erundina.
Boa análise sobre o PIB e a recessão
ANÁLISE
Cresce chance de PIB fechar ano sem queda
FERNANDO SAMPAIO
Os números do PIB divulgados ontem pelo IBGE trouxeram, ao mesmo tempo, uma confirmação e uma surpresa. A confirmação foi que, em linha com o que a virtual unanimidade dos analistas estimava, a economia brasileira atravessou, nos primeiros meses de 2009, o segundo trimestre consecutivo de contração -evento que, pelo critério seguido por muitos economistas, configura uma recessão.
Mais importante que essa confirmação, porém, foi a surpresa: a contração do PIB no primeiro trimestre, ante o trimestre final de 2008, foi de só 0,8%. Em média, os analistas esperavam uma queda maior, próxima de 2% (estávamos, na LCA, na ponta "otimista", ao projetar queda de 1,5%).
Dois elementos amorteceram a retração do PIB no primeiro trimestre, e com mais força do que se antevia. O primeiro foi o consumo das famílias: depois de ter caído 1,8% do terceiro para o quarto trimestre de 2008, esse que é o maior componente da demanda agregada (responde por cerca de 60% do PIB) teve pequena alta, de 0,7%, no primeiro trimestre.
O corte do IPI cobrado na compra de carros e o reajuste anual do salário mínimo (que passou de R$ 415 para R$ 465 de fevereiro para março, um aumento de 12%) certamente contribuíram para essa recuperação do consumo. Também deve ter contribuído o fato de que nos meses iniciais de 2009 a piora do mercado de trabalho foi mais lenta do que no final de 2008, o que ajudou a reverter parte da queda da confiança dos consumidores.
O outro elemento que amenizou a contração do PIB foi o setor de serviços, que depende muito menos de exportações do que a indústria e a agricultura. A exemplo do consumo das famílias, o setor havia sofrido queda no quarto trimestre (de 0,4%) e voltou a crescer, embora também timidamente, no início de 2009 (quando se expandiu em 0,8% ante o trimestre imediatamente anterior).
Já a contração do volume exportado de bens e serviços se agravou: seu ritmo de queda passou de 3,2% no quarto trimestre para assustadores 16% no primeiro trimestre. E o recuo do investimento também se aprofundou, embora de forma menos dramática, ao passar de -9,3% para -12,6% (sempre na comparação com o trimestre precedente).
São fortes os indícios de que a economia está em recuperação neste segundo trimestre. Somando a isso os resultados menos negativos do que se antecipava no primeiro trimestre, há perspectiva de que as projeções do mercado para a evolução do PIB em 2009 -cuja mediana na sexta se situava em -0,7%- sejam revistas para cima. Aumentou bastante a probabilidade de que, sustentado pelo consumo, o PIB brasileiro feche o ano sem queda.
FERNANDO SAMPAIO , economista, é sócio-diretor da LCA Consultores.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Sobre o blog da Petrobras
Muito barulho por nada, como diria o bardo. É evidente que as perguntas idiotas dos jornalistas expõem os jornais ao ridículo, mas é bom e salutar que este tipo de coisa apareça, porque o que a sociedade mais precisa é de transparência.
A imprensa prega a transparência dos três poderes, deveria aceitar ser transparente também. Fez pergunta para uma estatal, empresa mista ou órgão público? Que a pergunta seja tão pública quanto a resposta. É simples assim.
O que os jornalistas querem esconder? Sua própria ignorância? Alguns jornais reclamam que a exposição das pautas acabaria com os chamados "furos". Bobagem, ninguém dá furo de reportagem contatando a assessoria de imprensa de empresa alguma, furos são informações que os repórteres conseguem obter por meio de suas fontes e assessoria de imprensa não é fonte, é a voz oficial da companhia ou repartição pública.
Este blog é totalmente favorável à exposição do (péssimo) nível das questões e pautas que chegam às assessorias de comunicação (da Petrobras ou de qualquer outra empresa), quem sabe assim fica mais claro para o leitor o gato que está comprando por lebre. O jornalismo brasileiro é muito ruim, realizado em geral por focas despreparados e que mal sabem escrever em português. Alguns poucos abnegados com melhor qualificação que trabalham nas redações costumam salvar os textos, mas na propositura da pauta, nas questões enviadas para as assessorias fica patente a desqualificação de boa parte dos coleguinhas nas redações. Questionários com erros crassos de português são regra, não exceção. Portanto, parabéns à Petrobras, que está, evidente que por seus motivos particulares, dando uma boa contribuição à melhoria do jornalismo tupiniquim....
PM de Serra entra em confronto na USP

Custa a acreditar que o governo de um ex-presidente da UNE seja capaz de tamanha barbaridade na maior universidade pública do país. No tempo em que o autor destas Entrelinhas estudou por lá, polícia não podia nem entrar no campus. Agora não só entra como joga gás lacrimogênio. Uma cena triste e que faz lembrar o tempo em que José Serra estava do outro lado do balcão, lutando contra os militares. O mundo gira, a Lusitana roda: hoje o repressor é ele.
Amanhã Brasil terá Selic de um dígito
Ibope confirma: o "cara" está nas alturas
A seguir a matéria do portal G1 sobre a pesquisa do Ibope.
Aprovação de Lula é de 80%, diz CNI/Ibope
Nível é 2% acima do registrado em março.
Governo é ótimo ou bom para 68% dos entrevistados.
Eduardo Bresciani Do G1, em Brasília
A aprovação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva é de 80% de acordo com a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta terça-feira (9). Para 68% dos entrevistados o governo Lula é ótimo e bom. São 76% os brasileiros que confiam no presidente, segundo a pesquisa.
O nível de aprovação ao presidente se recupera depois de cair para 78% em março e retorna aos mesmo 80% registrados em setembro de 2008, antes do estouro da crise financeira internacional. Em dezembro do ano passado, Lula alcançou a sua maior aprovação na série da pesquisa Ibope, com aprovação de 84%. A desaprovação ao presidente em junho deste ano é de 16%, enquanto 4% não opinaram.
Na avaliação do governo, os números também retornaram ao cenário pré-crise. Os 68% de ótimo e bom superam os 64% registrados em março, mas estão ainda abaixo dos 73% registrados em dezembro do ano passado. Na pesquisa atual, 24% consideram o governo regular e apenas 8% avaliam a administração como ruim ou péssimo.
O índice de confiança no presidente seguiu os mesmos gráficos das outras questões. Na pesquisa atual, 76% disseram confiar no presidente, enquanto 21% não confiam. Os outros 3% não opinaram. O índice de confiança é menor apenas do que os registrados em dezembro do ano passado e em março de 2003, logo após a posse no primeiro mandato.
Para 45% dos entrevistados, o segundo mandato de Lula é melhor que o primeiro. Em março esta opinião era de 41%. Para 40%, os dois mandatos são iguais, enquanto 14% acreditam que o governo piorou no segundo mandato. A nota do presidente Lula ficou em 7,5, a segunda melhor desde o início do governo, ficando apenas atrás dos 7,8 registrados em dezembro do ano passado.
De acordo com a pesquisa, o Nordeste é a região em que o presidente registra o maior índice de aprovação (92%). Na região Sul, a aprovação de Lula ficou em 66%, o menor índice por regiões.
A aprovação de Lula é maior entre os homens (83%) do que entre as mulheres (77%). Por idade, os eleitores com mais de 50 anos são os que mais aprovam (84%). Entre os eleitores com 40 e 49, a aprovação está no pior patamar, 73%.
A aprovação é melhor também entre os que estudaram até a quarta série do ensino fundamental (85%). Entre os pesquisados com nível superior a aprovação ficou em 72%, no menor patamar por escolaridade.
A pesquisa foi realizada de 29 de maio a 1 de junho com 2.002 entrevistados em 143 municípios. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.
PIB veio melhor do que o esperado
PIB surpreende até o mais otimista
Apontada como uma das consultorias com análises mais otimistas sobre o desempenho da economia em tempos de crise econômica, a LCA Consultores também foi surpreendida pelo resultado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro do primeiro trimestre, divulgado nesta terça-feira pelo IBGE. A consultoria apostava em uma queda de 2,5% na comparação aos três primeiros meses de 2008 e de 1,5% frente o quarto trimestre do ano passado.
Segundo Bráulio Borges, economista-chefe da LCA, a surpresa foi a recuperação do consumo das famílias, que responde por 60,7% do PIB.
- Nas últimas semanas circulou um temor de que o resultado poderia ser parecido com o que a gente viu no final do ano passado. Isso não aconteceu, apesar de confirmada a recessão. O resultado surpreendeu até a gente, que tinha uma projeção considerada otimista pelo mercado.
Borges afirma que a consultoria pode rever sua projeção para o crescimento da economia neste ano, atualmente em 0,5%. Segundo ele, a LCA já trabalha com um cenário de alta do consumo das famílias em 2009, de 2,7%, enquanto consenso do mercado seria algo como 0%
- O resultado reforça essa nossa projeção. E esperamos que o investimento volte a liderar o crescimento no quarto trimestre deste ano, uma vez que vemos sinais de redução da ociosidade na produção.
Para o economista, o segundo trimestre deste ano deve vir com números melhores: crescimento de 2% em comparação ao período de janeiro a março e uma queda de 0,5% ante o mesmo trimestre do ano passado. Borges explica que a confiança da indústria, um sinalizador importante para o PIB, cresceu 15% em abril e maio na comparação a março, com ajuste sazonal (veja o gráfico abaixo).
segunda-feira, 8 de junho de 2009
Um jornalista entre fatos e astros
GETULIO BITTENCOURT (1951-2009)
“Boa tarde, juventude!” Durante oito anos, entre 2000 e 2008, me acostumei ao cumprimento diário e sempre eloquente de Getulio Bittencourt, primeiro no site PanoramaBrasil e logo em seguida no DCI – Diário do Comércio, Indústria e Serviços. Foi um convívio longo e intenso, durante o qual aprendi alguns dos muitos segredos da profissão, que ele dominava como poucos. Mais do que jornalismo, porém, o que ficou da convivência, interrompida de forma definitiva com sua morte, na noite de sábado (6/6), foi um exemplo de caráter e sensibilidade, além do enorme respeito por sua história de superação, ao longo de toda uma vida.
Getulio era um jornalista excepcional, vê-lo trabalhando foi um privilégio e um aprendizado. A célebre entrevista com o general João Figueiredo que lhe valeu o Prêmio Esso, realizada em 1978 para a Folha de S.Paulo, foi o seu feito mais espetacular. A gravação da conversa estava proibida e também não era permitido tomar notas, mas com sua memória prodigiosa, Getulio conseguiu transcrever os 95 minutos de entrevista em formato de perguntas e respostas, o que quase valeu um processo contra o jornal, pois Figueiredo, então candidato do regime à sucessão de Ernesto Geisel, acreditava ter sido enganado e levantou a hipótese de ter ocorrido uma gravação clandestina.
Getulio gostava de lembrar dessa história, mas sempre que alguém mencionava ou pedia explicações sobre a façanha, ele lembrava da participação do jornalista Haroldo Cerqueira Lima, o Leleco (1939-2003), na entrevista. Em 2004, aliás, escreveu um belo texto para a seção “Tendências/Debates” da Folha sobre o colega (“Aprender com Leleco”, para assinantes). Getulio sabia que a façanha era sua – dificilmente qualquer outro jornalista do país conseguiria decorar, palavra por palavra, o que foi dito na tensa entrevista com quem viria ser o último general-presidente do regime militar –, mas jamais deixou de dividir os méritos com Leleco.
Fonte privilegiada
A memória de Getulio era realmente um espanto. Durante todo o tempo em que trabalhei com ele, aprendi que não era possível enrolar o chefe. Ele lembraria... Sempre lembrava, inclusive da frase exata que havia sido dita. Às vezes acontecia de ele mesmo contemporizar com os subordinados, mas a memória não falhava jamais. E o ajudava a lembrar com uma precisão absurda as fichas técnicas de milhares de filmes – cinema era outra paixão de Getulio Bittencourt. Ele até gostava que o desafiassem e tripudiava: “My Darling Clementine? É de 1946, direção de John Ford, com Henry Fonda, Linda Darnell, Victor Mature e Cathy Downs, roteiro de Samuel G. Engel e Winston Miller. Um grande filme” – divertia-se, para espanto do interlocutor. Dos clássicos, seria possível perguntar sobre qualquer um, ele dava a ficha completa.
E como podia saber tanto sobre cinema? Pelo hábito de acompanhar os letreiros finais com muita atenção e pela leitura das críticas, especialmente as de Moniz Vianna publicadas entre 1966 e 1973, que acompanhou religiosamente, guardando boa parte em arquivos. Em 2004, Getulio entrevistou Moniz, então com 80 anos, para o DCI, e revelou algo surpreendente: tinha mais textos em seu arquivo do que o próprio autor. “Paulo Perdigão estimou a produção total dele em cerca de 6 mil artigos. Alguns admiradores de Moniz Vianna têm até 500 artigos dele recortados. A coleção que restou a Moniz Vianna soma cerca de 2.500 artigos, e a minha, iniciada quando office-boy com a idade de 14 anos, depois de revirar o que sobrou do jornal (fechado em 1974) no Arquivo Nacional, chega apenas a 3.767 artigos”, lamentou Getulio no texto que precede a entrevista, reproduzida na íntegra por este Observatório.
Esta mesma determinação para arquivar os dados que julgava importantes para sua cultura cinéfila Getulio aplicava em seu trabalho diário, na redação. Roberto Müller Filho, ex-diretor de redação da Gazeta Mercantil e um companheiro de vida inteira de Getulio, lembrava, após o velório do jornalista, que ele montou, durante o período em que foi correspondente do jornal em Nova York (1989 a 2000), um banco de dados tão completo sobre as empresas brasileiras com ações negociadas no exterior que muitas vezes suas fontes no mercado financeiro passaram a telefonar não para oferecer notícias, mas para perguntar sobre os números que só ele, Getulio, tinha.
Especializado em finanças ao longo do período em que trabalhou na Gazeta, Getulio começou na profissão na editoria de Política. Durante o governo de José Sarney, foi secretário de Comunicação da Presidência e presidente da EBN (Empresa Brasileira de Notícias). Além da Gazeta Mercantil, trabalhou na revista Veja, na Folha de S.Paulo, no PanoramaBrasil, no DCI e desde o ano passado era um dos editores da versão brasileira da Harvard Business Review.
No chão e das estrelas
A trajetória profissional escondia uma história de vida tão peculiar como a sua memória. Getulio nasceu em Tarumirim, uma pequena cidade próxima de Governador Valadares (MG), e cresceu ao lado do pai, no interior de São Paulo, distante da mãe. Aos 14, anos, perdeu o pai em Ribeirão Preto (SP) e resolveu então escrever uma carta ao prefeito da cidade mineira. Admirado com o estilo do missivista, o prefeito a fez publicar no jornal da cidade, editado por Mauro Santayana, possibilitando o reencontro do futuro jornalista que já se anunciava com a família da mãe.
Autodidata, ainda muito jovem ele lia o que lhe caia em mãos e desde cedo gostava de jornais. Ganhou uma assinatura do Estado de S.Paulo do escritório em que pegava no batente como office-boy, para acompanhar as críticas de cinema. Começou a trabalhar muito cedo, não chegou a cursar faculdade alguma. Tinha apenas o diploma do que hoje equivaleria ao ensino fundamental. Mas escrevia melhor que muito jornalista consagrado e conseguiu logo se destacar nas redações.
Getulio Bittencourt, definitivamente, não era uma pessoa comum. Estudioso dedicado da astrologia, aplicava ao tema o mesmo rigor que aos bancos de dados das empresas ou aos fichários sobre filmes. Em seu computador estavam arquivadas milhares de datas de aniversários de personagens históricos, políticos e empresários brasileiros (muitos dos quais o procuravam com frequência antes de tomar decisões importantes), além de amigos e parentes. Em segundos, ele localizava os mapas, fazia a leitura e começava a interpretá-los. Muitas vezes usava seu conhecimento em astrologia para fazer previsões sobre a vida política e econômica do país, mas o fazia com parcimônia, como subsídio extra à apuração rigorosa dos fatos. Em alguns casos, porém, a história do Brasil foi influenciada pelos mapas de Getulio.
Na eleição presidencial indireta de 1985, o jornalista avisou o deputado federal Thales Ramalho, aliado de Tancredo Neves, “que uma conjunção de Mercúrio com Netuno, às 15 horas do dia 15 de janeiro, levaria o então candidato a presidente da República Tancredo Neves a uma provável derrota no Colégio Eleitoral contra Paulo Maluf. Horas mais tarde, travava-se entre os dois políticos o seguinte diálogo: `Você acredita nessas coisas?´, perguntou o candidato. `No creo en brujas, mas nessas horas é preciso ter cuidado com tudo´, respondeu Ramalho. Ressabiado, Tancredo instruiu seu aliado a antecipar o horário das eleições para as 10 da manhã. `A negociação no Congresso foi complicada, porque não podíamos revelar o motivo do pleito, sob pena de nos desmoralizarmos´, relembra Ramalho. A votação acabou sendo mudada para as 10h e o desfecho todo mundo conhece. Sem saber, o Congresso Nacional fizera hora extra em função de uma carta astrológica”, escreveu João Gabriel de Lima em resenha do livro À Luz do Céu Profundo – Astrologia e Política no Brasil para a revista Veja, em 1998. Getulio também ficou intrigado, pouco depois, com o que viu no mapa de Tancredo. O político mineiro simplesmente não aparecia após a data da posse, marcada para 15 de março de 1985. Tancredo acabou falecendo em 21 de abril, após adoecer em 14 de março. Não chegou a tomar posse, conforme a previsão do jornalista.
A segurança nos astros era tanta que Getulio ignorava olimpicamente o ceticismo de alguns colegas, como o autor destas linhas, e com toda a paciência do mundo tentava explicar o que via nos mapas. Em época de eleição, as análises e conversas nas reuniões de pauta misturavam os dados pragmáticos do noticiário com os que vinham das estrelas. “O diabo é que ninguém sabe quando nasceu esse seu operário”, reclamava ele da falta de dado preciso sobre o nascimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva – se no dia 6 ou 27 de outubro de 1945, pois Lula foi registrado com a data de 6/10, mas sua mãe dizia que ele nasceu em 27/10. A ausência do tal dado preciso sobre Lula não deixou de ser providencial nas duas campanhas presidenciais que acompanhei como editor de Política do DCI – havia sempre a chance de Lula ganhar, de acordo com um mapa, ou de perder, se tivesse nascido na outra data. Ou seja, meu chefe teria sempre razão.
Previsão acertada
As brincadeiras na Redação com o chefe-astrólogo eram sempre muito bem recebidas por Getulio, que reagia com humor – aliás, outra grande qualidade do jornalista, a quem só vi verdadeiramente irritado uma única vez, quando, em conversa lateral antes de uma reunião de pauta, externei a opinião de que o centroavante Ronaldo Fenômeno estava acabado para o futebol e não deveria ser convocado para a Copa de 2006. Santista e fã do atacante, Getulio não levantou a voz, mas passou um longo sermão sobre o que julgava ser a pior burrice que já ouvira na vida. Talvez ele tivesse mesmo uma certa razão...
Noves fora zero, os astros estiveram sempre presentes na vida de Getulio. No final de 2008, ele descobriu que estava com câncer no pulmão, com metástase no cérebro. Começou a se tratar e a melhorar da doença. Ao longo dos últimos meses, porém, sua saúde foi piorando, perdeu apetite e peso, andava muito cansado e atribuía esses sintomas aos efeitos da quimioterapia. Parou de tomar os remédios contra o câncer, mas ainda assim não melhorava.
Em maio deste ano, foi internado e passou por uma série de exames que detectaram uma gastrite e, depois, uma infecção no duodeno, causada por um parasita. No começo da primeira semana de junho, depois de um período internado na UTI, melhorou bastante e estava animado com o diagnóstico da infecção. Disse à mulher, Ana Cristina Magalhães, que havia precisado da medicina do século 21 para detectar uma doença do século 18. E contou ao jornalista Sidnei Basile que estava aliviado porque os médicos poderiam tratar do problema da infecção, de modo que ficaria bom logo. “Eu errei, tinha previsto que iria morrer, mas não vou”, disse a Basile.
Getulio Bittencourt não errou sua previsão. Deixou a mulher Ana Cristina, seis filhos (Dimitri, Diego, Parres, Julio, Jonas, Nicholas) e um neto (Brandon). E o jornalismo brasileiro perdeu, na noite de sábado, um de seus grandes talentos.
Bom sinal no emprego industrial
IBGE
Emprego industrial cai, mas em ritmo menos intenso
O emprego na indústria caiu pelo sétimo mês consecutivo em abril: 0,7% na comparação com março. Mas, como mostra relatório encaminhado pelo Banco Fator, o lado bom disso é que a retração está ficando menos intensa. Enquanto a média entre dezembro e fevereiro é de -1,53%, entre o meses de março e abril foi de -0,7%. É isso que mostra o gráfico abaixo, reparem que as barrinhas de retração vão ficando menores.
Mas, como tudo nesta crise tem sempre um lado ruim, a queda em abril na comparação com o mesmo mês do ano anterior é a maior da série histórica: -5,63%.
O número de horas pagas também caiu pelo sétimo mês consecutivo, 0,35%, mas também num nível mais baixo que a média entre novembro e janeiro (-1,7%). A produtividade cresce pelo quarto mês seguido, mas ainda está num nível baixo, comparável ao de junho de 2006.
A análise do Banco Fator é de que o ajuste nos empregos deve continuar nos próximos meses, mas sempre num nível menos intenso. O banco acredita que a recuperação pode começar no segundo semestre, caso não aconteçam novos focos de crise.
domingo, 7 de junho de 2009
Tristeza
sábado, 6 de junho de 2009
Domingão musical
O primeiro vídeo da série é da dupla Simon & Garfunkel no histórico concerto no Central Park, em 1981. Todas as músicas deste show valem a pena, a que vai abaixo é Bridge Over Troubled Water, na voz de Art Garfunkel.
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Confusão na oposição
PSDB apoia proposta de veto à MP que legaliza ocupação de terras na Amazônia
GABRIELA GUERREIRO, da Folha Online, em Brasília
O PSDB apoia a reivindicação de senadores petistas para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete parte da medida provisória que regulariza a ocupação de terras públicas na Amazônia Legal. Apesar do tradicional embate político entre governo e oposição no Legislativo, o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse que desta vez o partido considera "adequados" os argumentos apresentados pelos governistas.
O plenário do Senado derrubou as mudanças propostas pelo PT durante a votação da matéria na Casa, com o apoio dos tucanos. Os democratas, porém, votaram contra as alterações no texto seguindo orientação da relatora da MP, senadora Kátia Abreu (DEM-TO) --que integra a chamada "bancada ruralista" do Congresso. A discussão da MP acabou colocando em lados opostos os dois maiores partidos da oposição na Casa.
O texto aprovado permite a legalização de 67,4 milhões de hectares de terras públicas da União na Amazônia, para doação ou venda sem licitação, até o limite de 1.500 hectares. Empresas que ocuparam terras públicas até 2004 também terão direito às propriedades. Os donos das terras poderão revendê-las três anos após a concessão dos títulos, no caso de imóveis médios e grandes. Os pequenos poderão ser vendidos após dez anos.
Os petistas querem impedir a venda dos terrenos no período de dez anos após a regularização, assim como a possibilidade de pessoas que não ocupam diretamente as terras serem beneficiadas.
Virgílio disse que os grandes proprietários de terras beneficiados com a MP não devem ser autorizados a vender as terras três anos depois de sua regularização. "Se você coloca para legalizar a terra para quem tem apego à terra, deve haver o prazo de dez anos para a venda da terra. Eu dou a terra e o cara vende? O problema são os maiores donos de terra, que pela MP podem vendê-las", afirmou.
Com o apoio do PSDB, o PT também quer vetar artigo que prevê apenas uma declaração do ocupante da terra como requisito para a regularização fundiária. Marina Silva quer que o governo realize vistorias nas pequenas propriedades rurais antes de conceder a regularização da terra.
"Eu não vejo o projeto como ruim porque estanca a grilagem na Amazônia. Infelizmente, a bagunça ainda ficou com a manutenção desses dois itens", disse o tucano.
Vetos
A expectativa é que o presidente Lula se reúna na próxima semana com os ministros responsáveis pela regularização fundiária na Amazônia para discutir os vetos à MP.
O ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse nesta quinta-feira que o Congresso retirou do texto artigos que prejudicam a preservação ambiental na Amazônia. Mas comemorou o fato de deputados e senadores terem mantido, no texto, a determinação de perda das terras para aqueles que desmatarem a região.
Para refletir
Twitter e o louco mundo das novas mídias
04/06/2009 - 11:52
O dia em que Marcelo Tas me adicionou no Twitter
Para realizar a reportagem publicada nesta quinta-feira no Último Segundo, sobre o crescimento exponencial de alguns perfis no Twitter (Sob suspeita, Twitter de Mano Menezes já é um dos 200 mais populares do mundo), pedi a ajuda a um dos mais famosos e respeitados usuários da rede, o jornalista Marcelo Tas. Ao final da entrevista, realizada por telefone, sugeri a Marcelo que me adicionasse no seu Twitter, para eu ver o que aconteceria. Marcelo foi além e postou dois comentários no seu miniblog, informando que eu estava fazendo uma reportagem a respeito do assunto e procurava gente para entrevistar.
O primeiro post do apresentador do “CQC”, às 11h06 de 27 de maio, dizia: “Jornalista quer saber: como instalar robozinho e turbinar seguidores no twitter. Please, adicionem e ensinem o cara @mauriciostycer”. Nove minutos depois, Marcelo escreveu: “Jornalista quer só ENTREVISTAR a galera do twitter para uma reportagem. Quem estiver afim, clique o cara: @mauriciostycer”.
O que aconteceu em seguida me deixou tonto. Há seis meses no Twitter, eu era seguido, até então, por 200 pessoas. Em uma hora, 200 novos usuários me adicionaram aos seus Twitters. Em duas horas, eu já era seguido por 600 pessoas. No final do dia, eram 800 os que me seguiam.
Diante da enxurrada de mensagens de usuários extremamente gentis, colocando-se à disposição para serem entrevistados, sem saber direito o assunto, publiquei no meu Twitter que o objetivo da reportagem era tentar entender as razões que levam ao repentino crescimento de alguns perfis.
Recebi todo o tipo de ajuda. Desde gente que mandou mensagens divertidas, dizendo “entrevista eu!!!”, até usuários que enviaram links com reportagens sobre o assunto que eu estava pesquisando.
O truque dos “scripts”, um programa de computador que “rouba” listas de seguidores de outros Twitters, foi lembrado por vários usuários, como @diogoduarte, @renatogarcia, @msdaibert, @atabraga, @andresartorelli e @jabour_rio.
O truque dos robôs, possível explicação para a explosão de seguidores de Mano Menezes e do “Fantástico”, foi lembrado por vários leitores, como @decows e @NakaAlves.
Uma explicação mais básica para a popularidade de alguns perfis deve ser buscada na fama que o twitteiro tem fora da rede. É o caso de Marcelo Tas e tantas outras personalidades e celebridades. O sucesso no Twitter é apenas uma extensão do sucesso na “vida real”. Essa explicação foi apontada por grande número de usuários. Cito alguns: @luciano_ribeiro, @Lippertt, @thierryassis, @consuelozurlo, @bowmanz9; @piordospiores, @Tockaos; @lmoherdaui, @samyferreira e @Jorgeponte.
A twitteira Luciana Moherdaui, estudiosa do assunto, lembrou muito bem que o sucesso no Twitter está relacionado à “capacidade de estabelecer laços”. A curiosidade pela vida alheia e o exibicionismo também foram apontados como causas da explosão de popularidade de alguns perfis por @aniiinhhaaa e @dabliuW.
Por fim, vários usuários observaram que a popularidade no Twitter pode ser alcançada graças a um empurrãozinho de alguém famoso e respeitado – exatamente o que Marcelo Tas fez comigo. Não sem ironia, @paimzera, @bandajhs, @msdaibert, @caimuitachuva e @luciano_ribeiro lembraram que sem a ajuda de Tas eu continuaria um anônimo no Twitter.
Em tempo: Tentei resumir aqui as principais colaborações. Peço desculpas por não ter conseguido citar todo mundo que ajudou. Fiquei realmente tocado pela disposição e generosidade de tantas pessoas que se manifestaram.
Enviado por: Mauricio Stycer - Categoria(s): Blog, Internet
Ainda sobre o líder italiano Silvio Berlusconi
Em tempo: Berlusconi já deu sua versão sobre as fotos. Perguntou ao repórter: "você toma banho usando jaqueta ou gravata?"
quinta-feira, 4 de junho de 2009
Adeus, Berlusconi...
Tudo conspira a favor de Dilma?
Uma notícia, duas manchetes
Produção de veículos em maio cai 7,7% na comparação com 2008
No site G1, das Organizações Globo:
Produção de veículos sobe 6,7 % em maio
As duas formulações estão corretas, mas qual é a questão mais relevante em termos jornalísticos? A queda da produção em relação ao ano anterior era esperada, uma vez que a estatística de 12 meses atrás é a de um outro mundo, antes da crise, quando a economia brasileira bombava. O G1 optou, corretamente, na avaliação deste blog, por mostrar que a produção de automóveis está se recuperando, ainda que não tenha voltado aos níveis pré-crise. Este fato é relevante, ao passo que o escolhido pela Folha serve apenas para cutucar o governo. O pior é que não adianta, não vai ser por causa de uma manchetinha marota que o povão vai mudar o seu conceito em relação ao governo. Ademais, o povão está voltando a comprar carros...
Se non è vero, è bene trovato...
O único reparo que pode ser feito ao raciocínio apresentado pela jornalista está na última linha: o ex-ministro da Fazenda não tem sotaque para a disputa da prefeitura da capital.
Ok, já foram eleitos para este mesmo cargo uma nordestina (sotaque fortíssimo), um carioca (e preto, por sinal, que disfarçava bem oss essesss sibilantesss), um libanês (outro com um jeito de falar todo peculiar) e até um fanho (solteiro e sem filhos, como alertou sua rival na eleição). Tudo isto é verdade, mas qualquer marqueteiro vai perceber que a cidade não elegeria jamais um candidato que diz "porrrteira", "jarrrdim" ou "arrrtista". Não, nem o Palocci nem o Zé Dirrceu teriam chances na capital. Alguém da Mooca aconselharia, muito sabiamente: "terminariam atrás do Walter Feldman, meu..."
A seguir, a notinha de Renata Lo Prete.
Palocci revisitado
Lula, que mais de uma vez manifestou a colaboradores o desejo de ver Antonio Palocci disputar o governo de São Paulo, tem agora um novo roteiro na cabeça para seu ex-ministro da Fazenda. Se o STF arquivar a denúncia contra Palocci no caso da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo, o primeiro passo seria reincorporá-lo ao governo numa pasta de "médio porte", na qual ficaria até a desincompatibilização de Dilma Rousseff, no final de março de 2010. Aí assumiria a Casa Civil. Nessa posição, em caso de vitória da candidata do PT, seria o "homem de Lula" na transição -e eventualmente no futuro governo. No aspecto eleitoral, a ideia é que o processo pavimente a candidatura a prefeito de São Paulo em 2012.
Palavra de quem conhece
Momento de mineirice
O Valor apurou que Aécio Neves é visto pelo empresariado como um “quase-Lula”, sem ser de esquerda. De perfil agregador e cumpridor de acordos, o governador vem conquistando apoios, e mineiramente põe seu bloco na rua. É cedo para que os partidos assumam posições definitivas sobre a sucessão presidencial, mas Aécio desponta. O ministro do Trabalho do governo Lula, Carlos Lupi, foi preciso: “O PSDB, decidindo pelo Aécio, muda o quadro eleitoral nacional. Teremos que avaliar esse novo quadro". Nós também aguardamos a movimentação de Aécio...
Postado por Roberto Jefferson às 11:06
Bob Jefferson é, além de um excelente analista político, protagonista das negociações políticas nacionais, embora afastado da arena pública. O que ele escreve sobre Aécio este blog já apontou diversas vezes: se sair do PSDB (ou, o que é menos provável, derrotar José Serra na disputa interna tucana) e concorrer à presidência no próximo ano, o governador mineiro é favoritíssimo. Bobagem olhar os números das pesquisas, nas quais ele aparece em até quarto lugar.
Uma vez candidato, com ou sem Serra na parada, Aécio tende a crescer com seu perfil agregador e discurso do "pós-Lula". Na edição desta quinta-feira, a Folha de S. Paulo (ou seria São Serra) salienta o "discurso oposicionista" de Aécio. Bobagem, é só mais uma dessas jogadas que jornalistas sabem fazer tão bem, retirando frases do contexto para ressaltar uma ou outra ideia. No fundo, a Folha gostaria muito que Aécio adotasse este perfil para facilitar o caminho de Serra, candidato do jornal. Só que Aécio Neves não é bobo, não nasceu ontem. Se conseguir se viabilizar candidato, se torna muito forte justamente pelos motivos apresentados também pelo ex-deputado Bob Jefferson: capacidade de agregar. Em um cenário hipotético de disputa contra Serra e Dilma, Aécio tem todas as condições de passar ao segundo turno, contra um ou outro, e se aliar com quem ficou de fora. Esta flexibilidade ideológica, digamos assim, facilitaria a sua vitória no segundo turno.
Cabe ressaltar, antes que algum novo leitor do blog questione se o governo de Minas tem enviado presentinhos para o autor destas Entrelinhas, que o que vai acima não é desejo, é análise. O fato de julgar este ou aquele candidato mais preparado para exercer o cargo de presidente não impede que se tente aqui analisar os dados que a realidade apresenta e colocá-los em contexto. Neste momento, a despeito de todas as pesquisas, este blog aposta que se Aécio for candidato, vence a eleição. Se não for, são outros quinhentos, a disputa será acirrada e ficará entre Dilma e Serra. Com ligeiro favoritismo para a primeira, também a despeito das pesquisas. Só dois fatores podem mudar este cenário: o agravamento real e profundo da crise econômica - algo hoje pouco provável - ou a presença de Lula nas urnas. Neste caso, a eleição vira barbada...
Yeda e a defesa discreta dos tucanos
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Alô, Jobim, não precisa contar tudo...
Manchas de óleo podem excluir hipótese de explosão, diz Jobim
BRASÍLIA - O ministro de Defesa, Nelson Jobim, disse nesta quarta-feira que a localização de manchas de óleo no local do acidente com o airbus da Air France pode excluir a hipótese de ter havido uma explosão com o avião. Segundo o ministro, porém, a investigação da causa do acidente será gerida pela França, e não pelo Brasil.
Jobim informou que, até o momento, não foram encontrados sobreviventes ou corpos. “O que estamos fazendo aqui é a localização de sobreviventes, ou melhor, de restos”, disse o ministro, em entrevista coletiva.
O ministro explicou que, em casos de acidentes como este, os corpos que "não mantém o abdôme íntegro" (corpos com perfurações) afundam no oceano e o mais provável é que não voltem à superfície. No caso de corpos com o "abdôme íntegro", os corpos afundam e podem demorar entre 48 e 72 horas para afundar e voltar à superfície. “Há casos de corpos que só voltam seis dias depois, porque depende da formação de gases no abdôme”, esclareceu Jobim .
Segundo o ministério da Defesa, nesta quarta-feira foram encontradas duas faixas de destroços com cerca de 230 km de distância entre cada uma. Ontem, as buscar por céu haviam encontrado apenas uma esteira de 5km de destroços próximo ao Arquipélago de São Pedro. De acordo com Nelson Jobim, as correntes marítimas separaram esta faixa e formaram as duas encontradas hoje. As buscas são realizadas em um raio de 200 quilômetros.
Até o momento, nenhuma parte dos destroços foi recolhida. A Defesa brasileira trabalhará na retirada dos destroços a partir desta quinta-feira. “Em um momento conveniente entregaremos este material aos franceses”, explicou o ministro Nelson Jobim.
Cinco aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) e onze navios da Marinha nacional estão no local ajudando nas buscas. Para facilitar a operação, uma base de abastecimento foi montada em Fernando de Noronha.
Dia histórico
OEA revoga suspensão de Cuba após 47 anos
colaboração para a Folha Online
Revertendo um dos marcos da Guerra Fria no continente, os chanceleres que participam da 39ª Assembleia Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), realizado em Honduras, chegaram nesta quarta-feira a um acordo para revogar a suspensão de Cuba que começou há 47 anos, afirmou nesta terça-feira o ministro das Relações Exteriores do Equador, Fander Falconi.
"Já foi aprovada neste momento por todos os chanceleres, por consenso. Essa é uma notícia muito boa, reflete a mudança de época que se está vivendo na América Latina", disse Falconi aos jornalistas. Segundo o equatoriano, chegou-se "a um consenso sobre um texto que não impõe condições [para Cuba retornar à OEA]".
O governo americano, que foi representado no encontro nesta terça-feira pela secretária de Estado, Hillary Clinton, defendia que o retorno de Cuba à organização fosse condicionado a avanços do regime cubano no aumento das liberdades civis e políticas para atender aos critérios democráticos da OEA.
Cuba foi suspensa da OEA por uma resolução aprovada em 1962, em punição ao país por ter se juntado ao bloco comunista. A organização, sob forte influência americana, acusou o regime cubano de receber armas de "potências comunistas extracontinentais", uma referência à União Soviética e à China. Na época, os Estados Unidos alegaram que a relação de Cuba com os países comunistas ameaçava o equilíbrio da região.
"Este é um momento de alegria para todos os latino-americanos", disse o chanceler equatoriano a repórteres após a Assembleia Geral. "Muitos de nós não tinham nascido naquele momento e o que esta geração está fazendo é basicamente emendar a história. Aqui temos um desafio de construir uma história diferente".
A decisão foi adotada depois que, nesta terça-feira, os chanceleres de um grupo especial designado para tratar da questão permaneceram reunidos por mais de seis horas, sem chegar a um consenso.
Durante a Assembleia, muitos países pressionaram para a readmissão de Cuba sem impor condições para isso. Mas Hillary pediu que a OEA exigisse que o governo de Raúl Castro adotasse reformas democráticas.
O governo cubano, por outro lado, repetiu nos últimos meses que não tinha interesse de retornar ao que chamava de "ferramenta" dos EUA, enquanto países como Venezuela, Brasil e Panamá movimentavam-se diplomaticamente para garantir o fim da suspensão.
O ex-ditador cubano Fidel Castro escreveu no jornal estatal "Granma" nesta quarta-feira que a OEA deveria não existir, e que a organização, historicamente, tem "aberto portas para o Cavalo de Troia --os Estados Unidos-- devastar a América Latina".
Nos últimos anos, todos os países do hemisfério restabeleceram relações com a ilha, com exceção dos EUA, que ainda mantêm um embargo econômico ao regime cubano.
Com Efe, Associated Press e Reuters
Pegou mal
Bolsa-Mídia
"O jornalista Fernando de Barros e Silva provavelmente advoga em causa própria em sua coluna intitulada "O Bolsa-Mídia de Lula" (Opinião, 1º/6). Não estaria ele preocupado com a eventual evasão de verbas publicitárias governamentais da grande mídia como esta Folha para a mídia "de segundo e terceiro escalão", como ele arrogantemente coloca?" JORGE VINICIUS DA SILVA NETO (São Paulo, SP)
De fato, não foi legal, como diriam os jovens... Mais sobre este assunto pode ser lido aqui.
terça-feira, 2 de junho de 2009
FHC já comprou arsênico...
Abaixo, a notícia que enlutou o tucanato henriquista.
Obama quer que Lula seja o próximo presidente do Banco Mundial, diz revista Exame
Juan Arias no Rio de Janeiro
O presidente norte-americano Barack Obama está interessado em que o Banco Mundial, depois da crise financeira atual, tenha uma estrutura mais focada às políticas sociais e mais preocupada com os países mais pobres do planeta. Para isso, Obama teria proposto para a presidência da instituição o nome do presidente brasileiro, o ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, a quem define como "o político mais popular do mundo".
A notícia chegou à imprensa no número que acaba de chegar às bancas da prestigiosa revista econômica brasileira "Exame", do grupo Abril. Assinada pelo colunista semanal, Marcelo Onaga, a informação não foi confirmada nem desmentida pelo governo, nem pelos setores da diplomacia. Questionado por "El País", o chefe do gabinete de imprensa de Lula, o diplomata Marclo Baumbach, respondeu: "Para a Presidência da República o assunto deve ser tratado como rumor, sobre o qual não cabe fazer comentários".
Em sua coluna, Onaga escreve: "Representantes do presidente americano teriam consultado informalmente pessoas próximas a Lula para saber qual seria a reação do presidente brasileiro ao convite [para presidir o Banco Mundial]. Ouviram que, no mínimo, Lula se sentiria honrado". Consultado por telefone, o jornalista de "Exame", confirmou que sua fonte foi o Departamento de Estado norte-americano, ainda que a notícia não seja ainda oficial. A pessoa próxima a Lula consultada pelos assessores de Obama seria alguém de total confiança do presidente, segundo Onaga, que pediu a este jornal para não ter o nome da fonte publicada.
Lula é conhecido como um político latino-americano que soube conciliar - como ressaltou ontem (1º) em seu discurso de posse como presidente de El Salvador, Maurício Funes - "uma política econômica severa com políticas sociais de grande alcance". Entre outros mandatários presentes no ato, estavam Lula e a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton. Ela se mostrou de acordo com as palavras de Funes. O novo presidente salvadorenho afirmou em seu discurso que ele se inspirou na política de dois presidentes atuais: Obama e Lula.
Se confirmado a presidência de Lula no Banco Mundial, seria a primeira vez em 65 anos que à frente da instituição estaria um não norte-americano. O mandato do atual presidente, Robert Zoellick, termina em 2011 e Lula deverá deixar o seu cargo exatamente em janeiro de 2011.
Lula, que não fala inglês, seria uma figura simbólica no Banco Mundial, que representaria uma alma nova na instituição, uma alma de aspecto social, e faria com que Obama oferecesse ao mundo uma espécie de redenção de uma instituição acusada tantas vezes de fazer uma política voltada aos mais ricos do planeta. O presidente brasileiro tem criticado várias vezes ao longo da crise econômica a política elitista do Banco Mundial.
Tradução: Edilson Saçashima
Iglecias: o cara tem o corpo fechado
Foram divulgadas nesta semana mais duas pesquisas sobre a opinião da população em relação ao governo do presidente Lula. Apesar de já ter colecionado índices bastante altos de aprovação no passado recente, os números relativos ao governo não deixam de surpreender. Lula está na metade de seu sétimo ano à frente da presidência. Nas condições normais de temperatura e pressão da política, aqui ou em qualquer outra democracia, já seria mais do que hora de os índices de avaliação positiva do governo estarem bem abaixo dos 70% nos quais andam roçando, de acordo tanto com o Datafolha quanto com o CNT / Sensus. Por um motivo puro e simples: desgaste de material. Rotina na relação. Falta de perspectiva. Como em qualquer relacionamento.
Mas não. Entre Lula e o grosso da sociedade o que se dá é empatia e aprovação. Os motivos? Quem sabe o fato de que os efeitos da crise econômica mundial não bateram (pelo menos até agora, e talvez nem venham a bater) tão forte por aqui. Uma volta no comércio popular ou nos shopping centers de luxo das grandes metrópoles, ou nos
mercadinhos de pequenas cidades do interior do país, mostram que a economia continua em movimento, bombando, inclusive, em alguns setores específicos.
Aí provavelmente reside uma das pistas para entender a aprovação ao governo. Enquanto tantos apostavam que o Brasil seria engolido pela crise e o governo seria levado de roldão, Lula mostrou que tem o corpo fechado, como se diz nas religiões afro-brasileiras em relação àqueles indivíduos que não são atingidos por nada. O próprio jeitão despachado de Lula, tantas vezes já comentado e analisado, e a idéia que ele passa para a maioria da população de que seu governo está zelando pelos interesses do país nesse momento de turbulências globais, também ajudam a entender os 70% de avaliação positiva que a população lhe confere.
Números tão robustos podem produzir diversas conseqüências, duas delas bastante delicadas: a vontade de alguns em apostar na linha "mais do mesmo", ou do "não se mexe em time que está ganhando", e buscar a alteração constitucional que permitiria a Lula concorrer a um terceiro mandato; e uma eventual radicalização de setores da oposição, desesperados com a possibilidade de ver adiada, uma vez mais, a oportunidade de voltar a ocupar o Palácio do Planalto.
Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da USP.
Recordar é viver
Um novo Ebola?
Terça-feira, 28 de Abril de 2009
Ok, pode ser que a gripe suína seja mesmo muito grave, mas o alarde da mídia em torno da doença parece um pouco exagerada. Faz lembrar o tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixar um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja (sempre ela) publicou a seguinte matéria:
Truque assassino
Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados
O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. "Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez", disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.
A primeira epidemia de Ebola da qual se tem notícia matou 500 pessoas em 1976, no Zaire (atual Congo). Dezenove anos mais tarde, um novo surto, com 245 mortes, chocou o mundo com cenas dantescas. Temeu-se que o microrganismo se alastrasse de maneira incontrolável, causando uma catástrofe de proporções planetárias. O clima de pânico internacional foi transposto para o cinema no filme Epidemia, com Dustin Hoffman, em 1995. A preocupação justifica-se. O Ebola é um vírus rápido, com um período de incubação de duas a três semanas, que se espalha num piscar de olhos. Um simples espirro é capaz de lançar milhares de micróbios no ar. Pode ser transmitido por contato sexual, pelo sangue e por secreções de pessoas contaminadas. Mas, da mesma forma abrupta que apareceu, a epidemia se foi. Uma particularidade do Ebola é a capacidade de devastar vilas inteiras e depois sumir sem ninguém saber ao certo como nem por quê. Isso explica, em parte, que o microrganismo continue raro, restrito a algumas regiões da África. Impressiona que já se saiba tanto sobre a fisiologia de um vírus e tão pouco sobre seu comportamento. "Ainda precisamos descobrir onde ele existe na natureza e qual bicho serve de transmissor para o ser humano", diz Nabel. A descoberta de seu mecanismo de ação pode ajudar os pesquisadores a entender doenças parecidas, como a dengue hemorrágica e as infecções por hantavírus que ocorrem no Brasil.
Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminado pelo "pesadelo" da Veja. Notícia ruim vende mais, muito mais, e os veículos de comunicação, especialmente os impressos, andam precisando reforçar o caixa. Portanto, ninguém se espante muito com as manchetes assustadoras sobre a gripe suína. Este blog continua achando que deve ser coisa de palmeirense... Aguardemos a capa de Veja deste domingo!
Um bom nome para SP?
Mais realistas que o rei
LEITURAS DA FOLHA Por Luiz Antonio Magalhães em 2/6/2009 | |
| A Folha de S. Paulo publicou no domingo (31/05) uma matéria muito interessante do repórter e colunista Fernando Rodrigues sobre os gastos da propaganda do governo Lula. O que a Folha vê como ponto negativo na política do atual governo este observador avalia ser a melhor novidade dos últimos anos no setor. A questão é simples: segundo a Folha, com praticamente o mesmo recurso utilizado na gestão anterior, considerando a correção monetária, o governo Lula anunciou em mais de 5 mil veículos de comunicação. Durante o governo de Fernando Henrique, eram apenas 500 os beneficiados. A matéria da Folha sustenta que essa prática não é condizente com as regras de mercado e cita exemplos da Fiat e Itaú, que publicam anúncios de alcance nacional em menos de 200 veículos. De fato, o governo Lula não obedece às regras de mercado e esta é a melhor notícia que se pode ter na área da distribuição das verbas públicas para publicidade em veículos privados de comunicação. Sim, porque com a maior distribuição dos recursos de propaganda, na prática o governo fomenta a democratização dos meios de comunicação. Antes, só os grandões levavam o meu, o seu, o nosso dinheirinho, impedindo o crescimento de outras publicações. Agora, jornais regionais e pequenos também levam e podem se tornar competitivos, o que é ótimo para a sociedade de várias formas: dinamiza o mercado de trabalho do setor, possibilita que diferentes vozes tenham meios de expressar suas ideias, enfim, é tudo de bom. A voz do dono Dois excelentes colunistas da Folha de S. Paulo – um dos quais o próprio autor da matéria publicada domingo – perderam na segunda-feira (1/6) a chance de ficarem calados. Defenderam a destinação dos recursos oficiais para propaganda apenas aos grandes veículos de comunicação. O texto de Fernando de Barros Silva, em especial, cairia perfeitamente bem na assinatura do patrão Otavio Frias Filho. Já o de autoria de Fernando Rodrigues é uma análise interessante, mas derrapa nas últimas linhas. Ambos vão reproduzidos ao final desta nota. A questão, como já se viu acima, é muito simples – simplíssima, aliás –, mas vale repeti-la. Se Lula gasta a mesma verba que FHC gastava com publicidade, poderia fazer duas coisas: manter o padrão de gastos do governo anterior, que privilegiava os grandes meios de comunicação, ou diminuir o quinhão dos grandes e distribuir a verba entre os pequenos. O governo optou pela segunda forma de distribuir verba e é acusado pelos colunistas da Folha de estar comprando a simpatia dos proprietários de pequenas rádios, jornais e revistas. Ora, se o governo não pode distribuir a verba, resta então a outra hipótese: manter o padrão de distribuição da gestão anterior, na qual praticamente só os grandes veículos tinham acesso aos recursos da publicidade oficial. Ou seja, os dois Fernandos – mais o Barros e Silva e menos Rodrigues – no fundo defendem mais um capilé para a Folha de S.Paulo e nada para o Diário de Cabrobó do Mato Dentro. Justo? Talvez, mas a verdade é que seria muito mais elegante se o próprio Otavio Frias Filho defendesse a tese, em artigo assinado ou em editorial. Quando jornalistas decidem ser mais realistas que o rei, em geral o vexame é grande. Propaganda de Lula chega a 5.297 veículos Com PT no Planalto, o número de meios de comunicação que recebem verbas de publicidade federal aumentou 961% Ao tomar posse, comerciais do petista atingiam 21 TVs e 270 rádios; no fim de 2008 já havia 297 TVs e 2.597 rádios veiculando anúncios oficiais Fernando Rodrigues, da Sucursal de Brasília Os comerciais do Palácio do Planalto atingiram no ano passado 5.297 veículos de comunicação no país. O número representa uma alta de 961% sobre os 499 meios que recebiam dinheiro para divulgar propaganda do governo de Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, quando o petista tomou posse. Esse padrão de pulverização na publicidade é incomum na iniciativa privada. Segundo dados do Ibope Monitor, a Fiat anunciou em 206 meios de comunicação diferentes no ano passado. O banco Itaú, em 176. Trata-se de uma pesquisa por amostragem, mas mesmo com um desvio de 1.000% o número de veículos nos quais essas duas empresas anunciam não se aproximaria dos 5.297 escolhidos pelo governo federal. A regionalização da propaganda federal é parte de uma estratégia de marketing do governo. Presidente mais bem avaliado no atual ciclo democrático, Lula viu sua alta popularidade se consolidar numa curva quase paralela ao avanço da distribuição de seus comerciais pelo interior do país. "O fato de ter ampliado a presença do presidente na mídia regional pode ter ajudado [a elevar a popularidade do governo]", admite Ottoni Fernandes, subchefe-executivo da Secretaria de Comunicação Social da Presidência, que está sob o comando do ministro-chefe da Secom, Franklin Martins. Mudança de estratégia Diferentemente dos antecessores, Lula regionalizou radicalmente a distribuição de verbas de publicidade. Não houve um aumento expressivo no valor gasto, mas uma mudança de estratégia. Grandes veículos de alcance nacional passaram a receber um pouco menos. A diferença foi para pequenas rádios e jornais no interior. O orçamento total consumido em mídia por Lula e pelo tucano Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), seu antecessor, oscilou sempre na faixa de R$ 900 milhões a R$ 1,2 bilhão por ano -sem contar patrocínios e outros custos relacionados à produção de comerciais. No caso das verbas apenas para a Presidência, só há dados disponíveis a partir de 2003. Antes a propaganda presidencial era feita de maneira dispersa pelos vários organismos da estrutura federal. Lula gasta anualmente um pouco acima de R$ 100 milhões com comerciais idealizados pelas agências que servem ao Planalto. A diferença em relação ao governo anterior é a distribuição das propagandas por muitos meios de comunicação de pequeno porte. Logo depois de tomar posse, os comerciais do petista atingiam, por exemplo, apenas 270 rádios e 21 TVs. No final do ano passado, já eram 2.597 emissoras de rádio e 297 TVs recebendo dinheiro do Planalto para divulgar mensagens da administração federal. Não se trata de publicidade de utilidade pública. Campanhas de vacinação ou sobre matrículas escolares continuam sendo executadas pelos ministérios. A propaganda produzida pelo Planalto é sobre ações de interesse político-administrativo -como divulgar a lista de obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) ou o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Às vezes o governo também atua como animador da população. No final do ano passado, uma campanha nacional foi veiculada para que os brasileiros não interrompessem o consumo por receio dos efeitos da crise econômica internacional. "O presidente Lula, se eu pudesse escolher, deveria ser o profissional de comunicação do ano. Ele reduziu, no gogó, a tensão da população, da classe C ascendente. O presidente é ótimo em comunicação integrada. A regionalização da mídia é uma parte. Já existia antes de a crise chegar e ajudou", diz Mauro Montorin, publicitário da agência 141, uma das responsáveis pela conta da Presidência da República. A capilaridade dos comerciais de Lula pode ser também mensurada pelo número de cidades brasileiras nas quais há propaganda do Palácio do Planalto. Em 2003, eram 182 municípios atingidos. Agora, são 1.149 -uma alta de 531%. "A mídia regional é mais ligada às comunidades e tem mais credibilidade localmente (...) Partimos para uma política de atender a mídia regional, com mais entrevistas do presidente. Há uma mania no Brasil de achar que a mídia é só em São Paulo e no Rio", diz Ottoni Fernandes, subchefe da Secom. A diretriz geral é dada pelo ministro Franklin Martins: "A imprensa regional está crescendo no Brasil. O objetivo do governo é se comunicar com a população e esses veículos do interior atingem uma parcela relevante da população". Rádios e jornais Em 2003, havia 5.772 rádios no Brasil, de acordo com o Ministério das Comunicações. Hoje, são 8.307 emissoras, incluindo as 3.685 chamadas "rádios comunitárias", cujo alcance do sinal é limitado. No meio jornal, quando Lula tomou posse, existiam 2.684 títulos no país, segundo a Associação Nacional de Jornais; em 2006, último dado disponível, já eram 3.076 veículos. Uma das razões para a iniciativa privada não anunciar na maioria desses veículos é a falta de mecanismos para auditar a penetração da mensagem e aferir a eficácia do comercial. Poucos jornais no país têm tiragem comprovada pelo IVC (Instituto Verificador de Circulação). Essa entidade só inspeciona 118 dos mais de 3.000 títulos. O governo afirma exigir comprovação de impressão por parte dos pequenos jornais antes de fazer o pagamento. No caso das rádios, diz Ottoni Fernandes, "há cadastro com todas as emissoras em cidades com mais de 50 mil habitantes", que precisam emitir faturas e dar alguma prova de veiculação do comercial. Essa é uma exigência do TCU (Tribunal de Contas da União), que foi consultado ao longo do processo de regionalização para aprovar os métodos do Planalto. *** Fernando de Barros e Silva O Bolsa-Mídia de Lula SÃO PAULO - O jornalista Fernando Rodrigues deu uma grande contribuição ao conhecimento da máquina de propaganda do lulismo. A reportagem que publicou ontem na Folha mostra como, na atual gestão, o Planalto adotou uma política radical e sistemática de pulverização da verba publicitária destinada a promover o governo. Em 2003, a Presidência anunciava em 499 veículos; em 2009, foram 2.597 os contemplados -um aumento de 961%. Discriminada por tipo de mídia, essa explosão capilarizada da propaganda oficial irrigou primeiro as rádios (270 em 2003, 2.597 em 2008), depois os jornais (de 179 para 1.273) e a seguir o que é catalogado como "outras mídias", entre elas a internet, com 1.046 beneficiadas em 2008. O que isso quer dizer? A língua oficial chama de regionalização da publicidade estatal e a vende como sinal de "democratização". Na prática, significa que o governo promove um arrastão e vai comprando a mídia de segundo e terceiro escalões como nunca antes neste país. Exagero? Eis o que diz Ricardo Barros (PP-PR), vice-líder do governo e membro da Frente Parlamentar de Mídia Regional: "Cerca de 50% das rádios e dos jornais do interior pertencem ao comunicador. O dono faz o jornal ou o programa de rádio. Se recebe dinheiro, passa a ter mais simpatia e faz uma comunicação mais adequada ao governo. Há uma reciprocidade". Enquanto, na superfície, Lula trata de fazer a sua guerra retórica contra a "imprensa burguesa", que lhe dá azia, no subsolo do poder a engrenagem montada pelo ministro Franklin Martins se encarrega de alimentar a rede chapa-branca na base de verbas publicitárias. É o Bolsa-Mídia do governo Lula. Essa mídia de cabresto que se consolidou no segundo mandato ajuda a entender e a difundir a popularidade do presidente. E talvez explique, no novo mundo virtual, o governismo subalterno de certos blogs que o lulismo pariu por aí. *** Fernando Rodrigues Lula, certeza única BRASÍLIA - Quando a popularidade de Lula caiu cinco pontos percentuais, há dois meses, frequentou os céus de Brasília a hipótese do "ponto de inflexão" para o petista. Pela análise propagada, legítima, estaria em curso a inexorável trajetória crepuscular na taxa de aprovação de todo o presidente rumo ao fim do seu mandato. A julgar pela pesquisa Datafolha publicada ontem, a inflexão, se é que houve, foi só um soluço. Por ora, está abortada. A popularidade de Lula segue como uma das únicas certezas sobre o cenário sucessório de 2010. Há dúvidas sobre quem serão os candidatos do PT e do PSDB e se a tese do terceiro mandato tem ainda alguma chance remota de prosperar. Mas inexistem pontos de interrogação sobre o poder de influência do atual presidente no processo de escolha do próximo ocupante do Planalto. Certeza em política, manda a prudência, é algo a ser tomado com muito cuidado ou desdém. Um fator extra campo, para emprestar uma metáfora futebolística ao gosto de Lula, poderia muito bem ceifar a popularidade presidencial. Mas é necessário reconhecer que a gordura acumulada pelo petista confere a ele resistência para atravessar um eventual deserto. O momento, como se sabe, era outro, mas não custa recordar que nesta mesma época, em 2001, Fernando Henrique Cardoso tinha 19% de "ótimo" e "bom" no Datafolha. Lula está com 69%. A resiliência inaudita do petista não surge por geração espontânea. Tampouco é fruto apenas da capacidade de comunicação do ex-sindicalista. Tudo é resultado de uma complexa estratégia de marketing. O governo brasileiro pré-PT sempre foi o maior anunciante do país. Agora, sob Lula, elevou essa condição ao paroxismo. Chega sozinho a 5.297 veículos de mídia impressa e eletrônica. O sabão em pó Omo ou políticos de oposição, por enquanto, não são páreo para Lula. | |