quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Pugilistas cubanos: muito barulho por nada

Um leitor pede a opinião do blog sobre o episódio envolvendo os boxeadores de Cuba que retornaram à ilha no domingo. Na Folha desta quinta, há um bom artigo de Jânio de Freitas sobre este assunto, no qual ele compara o caso ao acidente de Congonhas. De fato, a analogia é boa: foi só acontecer o acidente e a oposição saiu berrando que a culpa era da pista recém-reformada e, portanto, do governo federal. O tempo cuidou de mostrar que a tragédia nada teve a ver com a pista.

No episódio dos pugilistas, deu-se o mesmo. Foi só Guilhermo Rigondeaux e Erislandy Lara deixarem o Brasil para a oposição berrar que o governo Lula estava entregando dois inocentes aos calabouços da "sangrenta ditadura cubana". Um blogueiro da extrema-direita chegou a comparar o episódio com o da entrega de Olga Benário, por Getúlio Vargas, à Gestapo de Hitler. A direita é mesmo histérica em relação a tudo que diz respeito a Cuba e Fidel, mas neste caso, prudência e caldo de galinha não teriam feito mal algum. Os pugilistas não estão na prisão nem em "centros de tortura", mas em suas casas, na companhia de familiares. Deixaram o Brasil de livre e espontânea vontade e se foram pressionados ou não por "agentes do serviço secreto cubano" para chegar a esta decisão, como andam dizendo os autores da teoria da "deportação ilegal", decepcionados com a verdade dos fatos, não é problema do governo brasileiro.

Como bem aponta Jânio de Freitas, o erro do governo brasileiro foi não ter dado transparência ao caso. Uma única coletiva em solo brasileiro tiraria qualquer pressão sobre o Itamaraty. É evidente que ainda há pontos obscuros nesta história, mas o fato de o agente que pretendia levar os dois pugilistas para a Europa ter partido, digamos assim, sem a mercadoria é um forte indício de que a "transação" não deu certo. Abandonados no Brasil, faz todo o sentido que, mesmo sem pressão de qualquer "agente secreto", os dois tenham se arrependido e decidido voltar.

Nunca é demais lembrar, por fim, que Rafael Capote, 19, ex-lateral esquerdo da seleção de handebol de Cuba e primeiro a desertar durante o Pan, continua no Brasil, em São Paulo, tendo requisitado o refúgio político. Os blogueiros de direita precisam explicar por que o detestável Lula não mandou Capote de volta ao sanguinário Fidel...

Tudo somado, para resumir essa história dos pugilistas cubanos, o melhor é recorrer ao velho bardo: "much ado about nothing"...

Um comentário:

  1. Acredito no Granma. Acredito no papai-noel. E os cubanos foram pra Cuba de trenó...

    Um arremessador de beisebol fugiu de Cuba. Ficou 2 anos sem ver sua família. Tudo por causa do Fidel. Isso não é estorinha. É fato.

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