segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Jorge Rodini: Lulaflon vs. Zelite

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini comenta o levantamento do Datafolha sobre a popularidade do governo Lula, divulgado ontem. O diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas é mais um que não crê na "venezuelização" do processo político brasileiro, mas recomenda atenção do governo aos pleitos da classe média.

A última pesquisa Datafolha desnuda o cenário que já se apresentava dicotômico, principalmente depois do apagão aéreo. De um lado, o presidente soberano, avaliado positivamente pelas camadas mais humildes de maneira irretocável. Na contra-mão, a chamada elite, contemplando famílias com renda acima de 10 salários mínimos e nível superior, frequentadores contumazes dos aeroportos brasileiros.

Lula, resiliente, apanha e resiste. Forjado no aço, o Presidente sabe como ninguém usar o povo mais humilde como escudo. Esse exército de brasileiros no porão do consumo defende o petista com fome de leão.

A chamada elite (o que realmente é isto?) concentra-se em tentar aumentar o raio de penetração da pedra atirada no lago, mas as bordas no Brasil são tão distantes. Haja pedra e haja braço.

O confronto verdadeiro que se avizinha é entre quem sofre na pele os atrasos dos vôos, a inoperância aérea, o excesso de impostos e quem está comendo e bebendo melhor do que antes e trocando de TV e geladeira. A elite contra Lula ou contra quem defende Lula.

Não é venezualização, até porque o presidente já deu mostras de que nunca vai ser Chávez, mas todo cuidado é pouco. Este clima no ar não faz bem ao País e as vaias espoucando pelo Brasil são um sinal. É melhor estar atento à elas e não ignorá-las, mas sim entendê-las.

Um comentário:

  1. Eu saudei desde o início a emergência do "Cansei". Não porque concorde com as motivações do "Cansei". Eu simplesmente torço para que o "Cansei" ajude a aquecer a sopa social e política do Brasil (leia É do jogo). No que depender da minha torcida, entraremos todos num novo período, em que amplos contingentes de cansados, seja qual for o motivo do cansaço, deverão ir às ruas (e à Internet) manifestar o seu inconformismo e dizer o que desejam mudar no statu quo.

    O "Cansei" tem despertado reações iradas. Mas a vida é assim mesmo. Do mesmo jeito que a turma do "Cansei" possivelmente possa achar os beneficiados pelo Bolsa Família um bando de vagabundos, que preferem ser sustentados pelo governo a trabalhar, é compreensível que os admiradores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva possam ver a turma do "Cansei" como um punhado de playboys e dondocas, insensíveis diante dos problemas sociais do Brasil. Aqui e ali no pessoal do "Cansei" nota-se gente que enxerga o governo federal como a ponta-de-lança de um movimento para transformar o Brasil numa nova Cuba. E do outro lado tem gente que desconfia das convicções democráticas do "Cansei", que vê nele o embrião de uma articulação golpista. Como a que pretendeu em abril de 2002 na Venezuela tirar, pela força, o presidente Hugo Chávez do poder. Tudo isso é do jogo. A opinião é livre. Só não vale ficar choramingando diante da agressividade alheia.

    Desde Isaac Newton sabe-se que a força aplicada por um corpo sobre outro produz como efeito outra força de mesma intensidade, só que aplicada pelo segundo corpo no primeiro. E o interessante nesse princípio da física clássica é que, ao contrário do que poderia supor o senso comum, as forças não se anulam. Porque os pontos de aplicação são diferentes. Eu repito, não acho ruim que as múltiplas insatisfações transbordem para as ruas. Os países não ficam piores quando as pessoas saem às ruas para atuar politicamente. Eles ficam melhores. (parte do texto do Alon)

    http://blogdoalon.blogspot.com/

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