Pode parecer irônico, mas o blog Fica Sarney é a prova cabal de que a política brasileira mudou. Sim, porque se tempos atrás a grande mídia, especialmente a impressa, era o canal de debate político por excelência, quase exclusivo, hoje este lugar vem sendo cada vez mais ocupado pelas chamadas novas mídias, especialmente a internet. O blog que defende Sarney é uma expressão deste movimento: o presidente do Senado começou a ser denunciado na grande imprensa? Logo alguém, pode até ser ele mesmo ou seus assessores (mas não parece ser o caso), monta uma espécie de bunker virtual em defesa do acusado. Não importa aqui o conteúdo reproduzido no blog, não é este o motivo desta nota, o fato é que a guerra dos argumentos políticos não se dá mais enviando cartas às redações dos jornais, mas publicando-os na web, seja em sites, blogs ou no Twitter. A comunicação é mais rápida e logo os jornalistas passam a buscar em alguns destes locais a referência que precisam para suas matérias. É mais efetivo, o alcance é maior e o custo, menor. Os acadêmicos de ciência política precisam começar a prestar atenção neste fenômeno, embora, obviamente, a centralidade do sistema midiático brasileiro ainda esteja na televisão, que é quem realmente faz a opinião da grande massa. O debate político, porém, está na web e isto merece estudo mais aprofundado.
No dia 23 de novembro do ano passado, o pai de Rodrigo Silva das Neves, cabo da Polícia Militar do Rio de Janeiro, foi ao batalhão da PM de Bangu, na Zona Oeste carioca, fazer um pedido. O homem, um subtenente bombeiro reformado, queria que os policiais do quartel parassem de bater na porta de sua casa à procura do filho — cuja prisão fora decretada na semana anterior, sob a acusação de ser um dos responsáveis pelo assassinato cinematográfico do bicheiro Fernando Iggnácio, executado com tiros de fuzil à luz do dia num heliporto da Barra da Tijuca. Quando soube que estava sendo procurado, o PM fugiu, virou desertor. Como morava numa das maiores favelas da região, a Vila Aliança, o pai de Neves estava preocupado com “ameaças e cobranças” de traficantes que dominam o local por causa da presença frequente de policiais. Antes de sair, no entanto, o bombeiro confidenciou aos agentes do Serviço Reservado do quartel que, “de fato, seu filho trabalhava como segurança do contraventor Rogério And...
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