terça-feira, 31 de julho de 2007

Wagner Iglecias: Paulicéia em disputa

Em mais uma colaboração para essas Entrelinhas, o professor Wagner Iglecias analise o quadro sucessório na capital paulista, tendo como referência a pesquisa Vox Populi divulgada na semana passada. Este blog assina embaixo, com a ressalva de que o deputado Aldo Rebelo (PCdoB) pode ser uma alternativa ainda mais forte do que a ex-prefeita Luiza Erundina. Kassab também pode crescer muito e já conversa com o PMDB para obter tempo maior no horário eleitoral gratuito. No todo, a análise está impecável: a eleição está em aberto.

Pesquisa do instituto Vox Populi divulgada nesta semana dá conta de que o ex-governador Geraldo Alckmin lidera a corrida sucessória pela prefeitura de São Paulo, com 31% da preferência dos pesquisados. É seguido de perto por Marta Suplicy, com 28%, e depois aparecem Paulo Maluf (10%), Luiza Erundina (9%), Gilberto Kassab (7%) e Paulinho da Força (7%). Ainda é muito cedo para tomar estes números como a tendência do próximo ano, quando vai ocorrer a eleição. O palpite deste comentarista, aliás, é que estes números devem ser tomados com precaução.
Alckmin deixou o governo do estado com alto índice de popularidade. Teve votação bastante expressiva na cidade de São Paulo na última eleição presidencial e a intenção de voto nele expressa pela sondagem do Vox Populi se deve, também, ao efeito recall, visto que seu nome está bastante fresco na memória do eleitor. A liderança nas pesquisas de intenção de voto vitamina as correntes tucanas próximas a ele, e coloca uma grande pedra no sapato do atual governador José Serra, conforme discutiremos ao final deste artigo.

Marta não surpreende ao aparecer com 28%. Afinal, foi prefeita há pouco tempo, antes de Serra e Kassab, tendo deixado o Palácio das Indústrias com uma boa avaliação de seu governo. O que surpreende é que tenha um índice tão significativo mesmo após a desastrosa declaração pública que deu recentemente acerca da crise aérea, a qual foi fartamente explorada na imprensa e certamente o será por seus adversários. De duas uma: ou o grosso da população não ficou sabendo da declaração ou, por não utilizar aviões, deu pouca importância a ela.

Por outro lado, o alto índice de intenção de votos em Marta desestimula setores outros do petismo, inclusive no governo federal, que já vislumbravam uma candidatura alternativa à Prefeitura após a infeliz declaração da ex-prefeita. Marta, no entanto, aparece na pesquisa com alto índice de rejeição, o que pode pesar significativamente no cálculo petista sobre a viabilidade da sua ou de outra candidatura com a qual o partido pretende retomar o controle da maior cidade do país.,

Com Maluf e Erundina ocorre o mesmo efeito recall que ocorre com Alckmin e Marta. Embora tenham comandado a cidade de São Paulo já há bastante tempo, continuam sendo nomes muito conhecidos da população. Maluf, embora hoje ainda tenha votos para conseguir eleger-se com folga para a Câmara dos Deputados, como ocorreu em outubro último, é uma figura política desgastada que muito provavelmente não reúne mais condições de eleger-se a cargos executivos, quando são necessários muito mais votos que para os cargos proporcionais.

Já Erundina está no jogo. Foi boa prefeita, tem um mandato sério como deputada federal e pode, via PSB, constituir-se num pólo aglutinador de forças progressistas alternativo à bipolaridade entre tucanos e petistas, que ocorre há anos em São Paulo e deverá repetir-se também em 2008.

Paulinho da Força, por sua vez, reúne um bom cesto de votos, como já vem ocorrendo nas últimas eleições, e este poderá constituir-se em importante lastro para as negociações de segundo turno. Interessante saber se, na eventualidade de ter uma boa votação mas não estar entre os dois finalistas, para que lado penderá o sindicalista, visto que a Força Sindical tem inegável proximidade com tucanos e pefelistas em São Paulo, mas agora ocupa um Ministério no governo Lula.

A intenção de votos no prefeito Gilberto Kassab é intrigante. Em sondagens anteriores ele talvez comparecesse com menos dos que os 7% que o Vox Populi lhe atribui. Era um desconhecido dos paulistanos. Alguém que fora guindado ao posto de gestor da maior cidade do Hemisfério Sul sem ter tido um único voto para tanto. Chegou à prefeitura por conta da saída de José Serra para a disputa pelo governo do estado. Recente pesquisa do Instituto Datafolha dá conta de que cerca de um terço dos paulistanos, hoje, avaliam como ótima ou boa a gestão Kassab.
A maioria da população aprova a operação "Cidade Limpa", que é a marca de sua administração até o momento. Desta forma, os 7% que Kassab amealha nesta sondagem do Vox Populi podem vir a ser maiores nas próximas pesquisas. Talvez a intenção de votos no atual prefeito esteja numa curva ascendente. Não se sabe. Somente as próximas pesquisas poderão dizer isto. Entretanto, se Kassab subir mais nos próximos levantamentos estará colocado um problema para o consórcio tucano-democrata que governa o estado de São Paulo há tanto tempo e que comanda a capital paulista desde 2005.

Para a nova geração que vai ganhando o comando do ex-PFL, manter a cidade de São Paulo é fundamental. Desta forma, a candidatura Kassab seria irreversível. Mas se mantida a grande intenção de votos em Alckmin, ficaria muito difícil que o PSDB não tivesse o ex-governador como candidato. Logo ele, que superou José Serra na disputa pela legenda na eleição presidencial de 2006. E a Serra, em sua estratégia para ser o candidato tucano à Presidência da República em 2010, seria fundamental ter um aliado no comando da maior cidade do país. Neste caso Kassab, do DEM, e não Alckmin, do seu PSDB.

A divisão no campo conservador poderia favorecer uma candidatura petista. No entanto, é natural supor uma composição entre democratas, serristas e alckmistas num segundo turno diante do PT, inimigo comum.
Em suma, o jogo permanece indefinido, apesar da dianteira de Alckmin e Marta. A pesquisa Vox Populi amaina um pouco a luta interna no petismo, enquanto acirra os ânimos nas hostes tucano-democratas. Maluf e Paulinho devem ficar mais ou menos onde estão, e Erundina pode vir a constituir-se em uma alternativa. A conferir.

Wagner Iglecias é doutor em sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.


Jorge Rodini: classe média contra Lula?

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta a irritação da classe média com o governo federal, que parece estar no auge após o acidente com o Airbus da TAM. A seguir, a íntegra do comentário:

A classe média começa a dar mostras de impaciência com Lula. O episódio trágico de Congonhas, a vaia solene no Maracanã na abertura do Pan e apupos espalhados por outras capitais corroboram este sentimento da classe que mais sofreu nestas últimas gestões.

Parece que o maior estrago a imagem de Lula vem de seus correligionários. A ministra Marta Suplicy detonou um "Relaxa e Goza" no meio do caos aéreo. Marcos Aurélio
"top top top" Garcia e seu assessor trapalhão mandaram não se sabe quem se ferrar. Agora o brigadeiro demitido diz que tudo que entra, sai; ou tudo que sobe, desce. Isto depois de ter ensinado como "cozinhar" o pepino.

Há que se ter um mínimo de bom senso na hora de dar declarações à imprensa. Em momentos críticos da vida nacional, autoridades com responsabilidades até acima de suas potencialidades deveriam ter respeito à dor de quem sofre com a incompetência.

As expressões chulas e os sorrisos de escárnio em nada contribuem para minimizar os transtornos e os prejuízos. Eles só alavancam a indignação de quem ouve, os brasileiros pagadores de impostos.

O silêncio que a classe média se permitiu nestes últimos tempos está se transformando em pedido de socorro. A lamúria contida começa a virar um grito rouco.O urro das arquibancadas vai ganhando as avenidas, as alamedas e os viadutos.

Lula não percebeu que a crise campeia ao seu lado. As frases de sentido mais do que pornográfico dos membros do governo sublinham o caráter mesquinho desta disputa com a verdade. No Brasil, o andar do meio é muito próximo ao andar de baixo.

É melhor para todos que se respeite e se devolva a dignidade a classe média, sob pena de que as frases infelizes balizem as próximas avaliações do governo.

A falta de humor da extrema esquerda

O autor destas Entrelinhas recebeu, por e-mail, a mensagem abaixo, assinada por Caia Fittipaldi e copiada para o jornalista Fernando Rodrigues. Ofensas pessoais à parte, que este blogueiro releva por infantis e inconseqüentes, o que a mensagem revela é a total falta de humor da prolixa missivista. Falta de humor não é grave, embora possa provocar problemas de saúde. Muito pior é a falta de análise política contida na mensagem. Basicamente, de acordo com Caia, uma eventual campanha "Cansamos" da CUT não é boa porque "segue a pauta da direita". Ora, o embate político se dá justamente no contraditório com os adversários de plantão. É um tanto estranho o raciocínio de Fittipaldi: se as forças conservadoras começam enfim a se mobilizar, quem apóia o governo deve ignorar a ofensiva e ficar em casa assistindo ao desfile dos janotas, impassível, sem nem tirar um sarro.

O que Caia Fittipaldi não conseguiu compreender é justamente o caráter do "Cansamos": uma grande gozação com o "Cansei" de Johnny Dória Jr. e seus bluecaps, digamos assim... Quem não entende uma piada realmente deve ter uma certa dificuldade em compreender certas nuances da política (e da mídia): mais um pouco, Caia vai qualificar este blogueiro de "neoliberal", como fazem tantos militantes do PSOL em relação ao presidente Lula.
A seguir, a íntegra da mensagem de Caia Fittipaldi:

Atenção, Blog "Entrelinhas": A campanha "Cansei" é péssima. Nizan errou feio. E a campanha "Cansamos" não é boa: é hiper péssima. E, por falar nisso... CADÊ O JORNALISMO?!
Temos de parar de repetir, aqui, os blogs dos DES-jornalistas. Já deu, né?! Ô meu saco! Esse negócio por aqui, de todos sermos obrigados a ler essas opiniõezinhas piradas e burras desses DES-jornalistas brasileiros, primeiro, nos DES-jornalões onde eles escrevem; depois, no DES-Observatório da (mesma) DES-imprensa; depois também aqui, na blogosfera, já está (muito) prá lá de Marrakesh e excede tooooooooooooooooooooooooooooooda a minha capacidade para suportar besteirol. O autor da DESCOMUNAL asneira, que se lê abaixo é "Luiz Antonio Magalhães, Jornalista, editor de Polí­tica do jornal DCI e editor-assistente do Observatório da Imprensa", como se lê em http://www.blogentrelinhas.blogspot.com/). Seguinte, blogosfera, acordai. Chega de requentar o DES-jornalismo dos DES-jornalistas dos DES-jornalões: a campanha "Cansei" é péssima. Nizan, mais uma vez, errou feio. A campanha "Cansamos", da CUT, será pior -- e espero que a CUT não entre nessa fria de 'obedecer' ao mote (horrível, paradaço, cansadão, um tééééééééééédio só, coisa de dondoca [ou, então, é coisa de viado]) desses Dória do cabelo-com-gomalina e dentes de plástico comprados a metro e seus DES-jornais alugados. Aliás... se a campanha pela qual a CUT comunicará aos patrões que a CUT está cansadinha fosse boa para a CUT... ELA NÃO TERIA SIDO DIVULGADA pelo DES-jornalista Fernando Rodrigues, empregado do DES-jornal Folha de S.Paulo, pago pra só fazer DES-jornalismo, sempre contra, primeiro, o jornalismo democrático, os assinantes-consumidores pagantes da FSP e o MEU VOTO DEMOCRÁTICO. Além do mais, dado que NÃO HOUVE 6.000 pessoas naquele desfile de Dasluzetes-alckministas-serristas-fernandenriquistas-bornhausenzistas, cansadaças, meu instinto anti-DES-jornalismo e DES-jornalistas brasileiros ME DIZ que, no postado abaixo, temos mais um DES-jornalista, interessado, apenas, em manter acesa a chama da campanha dos cansados-1, reunidos no grupo "LIDE-Lideranças Empresariais". Sobre tudo isso, a blogosfera JÁ SABE o que abaixo se lê -- e que está aqui repetido, apenas, pq essa msg, agora, está sendo enviada tb para o Fernando Rodrigues (DES-jornalista-1) e para o Luiz Antonio Magalhães (DES-jornalista-2), pra eles sacarem que eles não estão coessa bola toda e que, até aqui, eles já estão TOTALMENTE DECIFRADOS. [seguem msgs já distribuídas, ontem, para a Rede Universidade Nômade (e outros destinatários), sobre o mesmo assunto:

----- Original Message ----- From: Caia Fittipaldi To: Grupo Beatrice ; Universidade Nômade Sent: Monday, July 30, 2007 9:16 PM Subject: [Universidade_nomade] MAS É NÚNCARAS! Sóssifô por cima do meu cadáver. Tejem avisados. (Re: CUT quer centrais em uma campanha chamada "Cansamos")

Sobre campanha da CUT: muita calma, mas muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuita calma, merrrrrrrrrmo, no Brasil, nessa hora.
É NÚNCARAS que eu concordarei com essa idéia de campanha com "cansamos", para a CUT. É núncaras! Acorda, CUT! (1) PORQUE o primeiro risco já nem é risco e já aconteceu e já está aí, na nossa cara: é errar uma letrinha (OU RISCAR-SE, COM UM XIS PRETO, nos cartazes), e a 'campanha' vira "casamos" [risos, risos, mas, eu MUITO PREOCUPADA], como já virô, aí abaixo, nessa msg [VEJA ABAIXO]. Tesconjuro! (2) PORQUE NÃO INTERESSA a nenhum trabalhador brasileiro uma campanha que seja TOTALMENTE pautada pela campanha deles: se "cansei" é ruim, "cansamos" é MUITO PIOR, como slogan que vise a mobilizar ou a 'conscientizar' alguém. ATENÇÃO: Ainda se entende que alguém declare: "eu cansei" (É PÉSSIMO, como msg de mobilização, mas pode-se entender que alguém, sabe-se lá por que, de repente, resolva avisar ao inimigo que ele-elezinho, tá cansadinho. Há doido, pra tudo. E se os neo-cansados-aí da tchurma do d'urso e dos sociólgos uspeanos tucano-pefelistas são os MESMOS que, antes, eram tããããaããão animadinhos ("Pra frente, Brasil!" e o escambau todinho, mó animação)... pra mim, tá é ótimo, que eles estejam hoje assim tão cansadinhos. Mas em "cansamos" o negócio é MUITO MAIS BRABO -- e joga CONTRA NÓS, não a nosso favor. Além de todo mundo declarar que está pessoalmente cansado (o que já é péssimo que chegue), a coisa ainda exige e apresenta, mostra... um porta-voz cansado. Se piorar, melhora. Pior, é impossível. O sujeito "nós" é um sujeito que NECESSARIAMENTE exige porta-voz. Não há no mundo qualquer "nós" falante. O "eu" é sempre singular. No "nós" plural, a palavra está delegada a alguém que, pressupostamente fala por (em nome de) vários "eus". Não faltaria mais NENHUMA loucura, no discurso político no Brasil, se, agora, a CUT decidisse que, zuzo bem... uma central única de trabalhadores DECLARAR-SE cansada, como instituição e como porta-voz. TE SUPER ESCONJURO! Eu discutiria MUITO, também, antes de eu concordar com "Consideramos oportuna e necessária a realização de uma campanha de protesto com a visão dos trabalhadores". Se a coisa, no Brasil está ainda num pé TÃO BRABO, que a visão dos trabalhadores ainda é pautada pela visão do Nizan Guanaes, trabalhando para uma coisa que se chama "LIDE-Lideranças empresariais"... o melhor, ainda, é os trabalhadores NÃO FAZEREM CAMPANHA ALGUMA, agora. O risco, agora -- e é risco MUITO GRAVE -- é o de a LIDE-lideranças empresariais darem o mote... e a CUT responder... no mesmo mote. O clima da campanha da CUT só pode ser alguma coisa como "Pra mim, DEU. Chega! Basta! NUNCA MAIS o Brasil terá: [e segue a listinha abaixo]. É isso, ou, então, melhor ficar de bico calado e, pelo menos, não esquentar a campanha do d'urso cô nariz de palhaço. Já basta ele, cô nariz de palhaço cansado, né?

---- Original Message ----- From: Caia Fittipaldi To: universidade_nomade@listas.rits.org.br ; Grupo Beatrice Sent: Monday, July 30, 2007 10:03 PM Subject: Re: [Universidade_nomade] MAS É NÚNCARAS! Sóssifô por cima do meu cadáver. Tejem avisados. (Re: CUT quer centrais em uma campanha chamada "Cansamos")

Acrescento ao que já escrevi, que, na campanha do "Cansei", os fascistas não estão interessados em dizer coisa alguma. Eles só estão interessados em ameaçar a sociedade brasileira e 'declarar' que eles PODEM mobilizar a sociedade CONTRA O GOVERNO LULA. O conteúdo da campanha não faz diferença. Se eles mobilizarem a sociedade (mesmo que fazendo o papel ridículo de que declararem cansadinhos) eles terão conseguido o que queriam.
Se a campanha fosse pra valer, e fosse mais bem articulada, menos burra, menos amadora, NEM aqueles empresários burraldinos teriam aceito essa DROGA de "Cansei", como slogan. Não faltaria mais nada, menos, pra acontecer... se todas as forças democráticas do Brasil, se pusessem, agora, a repetir, em uníssono: "nós também cansamos", "eu tamém tô cansado", "mãããããe, olha eu: como eu tô cansado!". A campanha do "cansei" não tem qquer objetivo claro, além de incomodar o governo Lula. Ele é ruim demais e mentirosa demais, pra que se suponha que essa campanha visa a veicular alguma 'posição'. Ela foi feita SÓ pra incomodar. É preciso RIR dessa campanha, o mais possível. Qquer tentativa de responder a sério, a essa campanha, nos enreda na rede deles. TEJEM AVISADOS. Vejam, pela comparação com um caso EXTREMO, exemplar, de 'marketing político' fascista e MUITO BEM FEITO. Há um cara, nos EUA, chamado Alex Castellanos, filho de cubanos de Miami, que ficou QUAQUILHONÁRIO fazendo uma coisa que se chama "marketing político de bater-na-cara". É o profissional que escreve, claramente, o que os fascistas pensam, sem meias palavras. Volta e meia, qdo. é necessário mobilizar mesmo, o fundo fascista de um conjunto de eleitores, esse cara é chamado. Ele trabalhou em TODAS as campanhas pró Bush, desde o pai. E em muitas outras. Esse cara trabalhou pra TOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOODOS os candidatos fascistas em todas as últimas eleições, em todo o planeta. Parece que Lavareda (o marketeiro da tucanaria uspeana pefelista) o conhece bem, pelo que se diz por aí. O 'clássico' das campanhas pró-fascistas, de autoria desse Alex Castellanos, de 1990, chama-se "White Hands" (e pode ser visto em http://www.pbs.org/30secondcandidate/timeline/years/1990_c.html). Nesse spot para televisão, pra um candidato racista, Rep., da Carolina do Norte, o personagem do filminho, um operário branco, aparece lavando as mãos. Ele lava as mãos durante 30 segundos, enquanto uma voz off diz, com todas as letras: "essas mãos brancas, pobres, precisam de trabalho. E os Democratas deram esse emprego a um negro. Por que votar nos Democratas?" Esse spot virou a eleição e Jesse Helms, candidato racista declarado, assumido, foi eleito. Ninguém me tira da cabeça que Nizan Guanaes foi contratado pra fazer 'qquer droga'. Porque a campanha não interessava, à tucanaria, senão como agito, pra criar um fato, qquer fato. E Nizan -- que é muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito incompetente e sempre foi -- mobilizou seu ralo saber de publicitário e deixou-se levar pela sua alma tucano-elitista-autista. E daí nasceu essa campanha MUITO RUIM. NINGUÉM DEVE ENTRAR nesse papim de "cansei". Essa campanha é uma espécie de isca pra pegar idiotas. Quem responder a ela com "cansamos"... terá caído na rede.

Mainardi, o "muso" do movimento Cansei

Começa assim o artigo do colunista Diogo Mainardi, na revista Veja desta semana: "Quando é que derrubaremos Lula?". Reinaldo Azevedo, o blogueiro que faz sorrir a direita brasileira, anda dizendo que o movimento "Cansei" não é golpista. Ele também acha que Mainardi pega leve com o presidente. A conclusão deste blog é que essa gente exige o "direito legítimo de se expressar de forma golpista", como diria o Reinaldão. O lado bom da história é que só figuras do porte do João Dória Júnior, Alencar Burti e o tal do D'Urso compraram a briga. Nem a turma das televisões aceitaram bancar a palhaçada, conforme informa na Folha de hoje a colunista Mônica Bergamo.

Por que Veja culpa o piloto?

Leitores perguntam por que a revista Veja desta semana deu capa para um suposto furo (na verdade, já tinha saído nos jornais diários) sobre o acidente com o Airbus da TAM, apontando um erro do comandante da aeronave como causa principal do desastre? Este blog não tem informação suficiente para uma resposta categórica, mas há uma boa hipótese para tão inusitado acontecimento – a revista poupar o presidente. Veja tem dois interesses fundamentais hoje em dia: desmoralizar Lula e garantir a sua própria $obrevivência. Se puder juntar as duas coisas em uma matéria só, tanto melhor. Às vezes, porém, é preciso optar. A versão do manete deixado em posição errada pelo piloto é boa para a TAM e excelente para a fabricante Airbus. Essa gente tem um punhado de recursos, como se sabe.

Ora, podem perguntar os leitores mais atentos, então por que Veja não comprou a versão de que a pista é a grande culpada, uma vez que neste caso a TAM e a Airbus também ficariam de cara limpa? Em primeiro lugar, porque o governador de São Paulo não estava gostando muito dessa história de execrar Congonhas – o fechamento do aeroporto em última análise implicaria em uma realocação bem radical das linhas e vôos, descentralizando o sistema aéreo. Descentralização, como se sabe, é palavra que não consta do vocabulário de José Serra. Do ponto de vista da TAM, Congonhas é uma verdadeira árvore de fazer dinheiro e isto poderia mudar se o aerporto viesse a ser fechado ou tivesse uma redução ainda mais drástica no número de vôos do que foi anunciado ontem, segunda-feira, pelo ministro Nelson Jobim.

Pois resta provado que para entender certas contradições da grande imprensa, é preciso mesmo ler nas entrelinhas... A munição de Veja contra Lula ficou guardada para a próxima edição, salvo, é claro outra ocorrência que afete tão diretamente os grandes amigo$ da revista.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

"Cansamos" vs. "Cansei": boa idéia da CUT

A nota abaixo, originalmente publicada no blog do jornalista Fernando Rodrigues, revela uma das melhores idéias dos sindicalistas da CUT nos últimos tempos. Se a campanha em questão vai virar realidade, é cedo para saber, mas só o mote do "Cansamos", como se pode verificar a seguir, já desmoraliza completamente o "Cansei" high society engendrado pelos "jovens empresários" da Fiesp, com apoio determinado do causídico que no momento ocupa a presidência da OAB-SP, mas é mais conhecido como defensor da bispa Sônia e o bispo Estevam.


CUT quer centrais em uma campanha
chamada “Cansamos” contra o “Cansei”

A direção da CUT (Central Única dos Trabalhadores) enviou um e-mail para outras organizações sindicais hoje propondo uma campanha para reagir ao Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o já conhecido “Cansei” http://blog.cansei.com.br/ –que reuniu 6.000 pessoas no último fim de semana, em São Paulo.

O “Cansei” se diz apolítico, mas seus idealizadores são identificados com o PSDB. A CUT, como se sabe, é a mais tradicional central sindical petista do país.

A idéia da CUT é reagir de maneira sarcástica ao “Cansei”, reciclando os slogans desse movimento. “A campanha será veiculada em nossas páginas de internet, em jornais impressos e programas de rádio de que dispomos”, diz o e-mail da CUT, assinado pelo seu presidente, Artur Henrique.

Eis como seria a campanha “Cansamos”, da CUT e de outras centrais:

CANSAMOS!

· do trabalho escravo
· da sonegação de impostos
· do trabalho infantil
· da mídia que não aborda os movimentos sociais
· das jornadas de trabalho desumanas
· da mídia que criminaliza as lutas populares
· da Justiça que privilegia o poder econômico
· da mídia que só dá espaço aos poderosos
· do lobby das grandes empresas sobre o poder público
· das altas taxas de juros
· dos acidentes de trabalho
· da superexploração da mão-de-obra
· das taxas bancárias
· da precarização das condições de trabalho
· do superávit primário
· dos ataques aos serviços públicos
· da falta de direitos trabalhistas para mais da metade da população

Apesar de tantas razões, não temos tempo para sentir cansaço. Continuaremos lutando. Precisamos de sua participação. Filie-se ao seu sindicato!
Para saber se a campanha vai mesmo para a rua, a CUT espera nesta semana a resposta de outras centrais sindicais.

E tal da crise americana, acabou?

Na semana passada, alguns jornais, Folha de S. Paulo à frente, manchetaram a queda nas bolsas de valores mundo afora como o início de uma crise de gravíssimas proporções, que teria como origem a "quebradeira" do mercado imobiliário norte-americano. Nesta segunda-feira, as bolsas fecharam em forte alta e não parece haver mesmo razão para tamanho pânico. A verdade é que os jornalões a-do-ra-ri-am uma crise das fortes, apenas e tão somente para derrubar a popularidade do presidente Lula, e quem sabe ele próprio. O problema - para a mídia anti-lulista - é que o povão votou e continua acreditando no presidente porque a economia vai bem. O resto é trololó ou nhem-nhem-nhem, como diriam José Serra ou Fernando Henrique Cardoso. Enquanto a tal crise não vem, os jornalões vão ficar chupando o dedo ao lado de Diogo Mainardi, aquele colunista obscuro que nesta semana sentenciou que um dia Lula vai morrer...

Folha de S. Paulo edita a manifestação do
movimento "Cansei" no caderno local

Curiosa a edição desta segunda-feira da Folha de S. Paulo: o jornal surpreende ao dar uma enorme foto na primeira página do ato do movimento "Cansei", com a palavra "Basta" e flores bem destacadas, conforme pode ser visto ao lado; e, ao mesmo tempo, esconde o noticiário sobre a manifestação no final do caderno Cotidiano, destinado às notícias locais.

Ao editar a passeata em Cotidiano, a Folha deixa claro que não a considerou um ato político, mas um mero protesto contra a crise aérea. Terá sido isto mesmo ou é intenção do jornal passar este tipo de imagem do movimento? A ver.

Em tempo: um leitor faz uma inteligente observação sobre a foto da Folha. Segundo ele, a foto pode revelar a dificuldade do jornal de transformar em milhares as centenas de manifestantes presentes no ato. De fato, nenhum jornal deu fotos abertas dos "6,5 mil" que estiveram na passeata.

domingo, 29 de julho de 2007

Passeata tenta evitar vinculação com PSDB

O relato reproduzido abaixo, originalmente publicado no site Terra Magazine, é talvez o que de melhor saiu até agora sobre a passeata do movimento "Cansei", capitaneado pelo grande homem (?) de comunicação João Dória Jr. e apoiado pela fina flor da elite paulista, Fiesp à frente. Do que vai a seguir, vale ressaltar a disposição do grupelho em evitar vincular o movimento aos partidos de oposição, de forma a tentar preservar o tal caráter "apartidário" da mal disfarçada tentativa de reeditar um clima de golpismo no país; e o óbvio viés político do ato, que ficou evidente nas palavras de ordem gritadas pelos líderes. Mas antes que alguém diga que este foi o primeiro ato de rua contra Lula, cumpre lembrar que durante a crise do mensalão houve diversas tentativas de colocar gente na rua para protestar, algumas delas até com maior audiência do que a deste domingo em São Paulo. Abaixo, a íntegra da matéria.


"Fora Lula" domina passeata do "Cansei"

Domingo, 29 de julho de 2007, 14h54
Felipe Corazza Barreto

Era para ter sido uma passeata apartidária. A OAB-SP, pela palavra de seu presidente Luiz Flávio D'Urso, um dos fundadores do movimento "Cansei", disse que a campanha não teria viés político. Os demais criadores do "Cansei", também ouvidos por Terra Magazine, seguiram o tom: "é apartidário".

Neste domingo, quando o "Cria (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante)" e o "Cansei" juntaram forças em uma passeata na zona sul de São Paulo, no entanto, o tom político e partidário surgiu em pouco tempo. Antes mesmo do começo da caminhada, militantes do PSDB foram expulsos do protesto.

Líder do Cria e um dos organizadores da marcha, Márcio Neubauer começou a caminhada puxando a palavra de ordem: "RES-PEI-TO". Mais adiante, já fora do trio elétrico, entrou no coro partidário que dominou grande parte da marcha: "Fora Lula".

Familiares das vítimas da tragédia do vôo 3054, empresários, advogados, estudantes, médicos legistas, entre outros, participaram da manifestação. O trajeto: do Parque do Ibirapuera até o aeroporto de Congonhas.

A MARCHA

Domingo, oito e meia da manhã, oito graus no Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Pouco mais de 100 pessoas se concentram para a passeata convocada pelo movimento "Cansei" e pelo "Cria (Cidadão, Responsável, Informado e Atuante) Brasil". O trio elétrico estacionado em frente ao Monumento às Bandeiras leva faixas pretas com os dizeres "Respeito" e "Chega de Passividade".

O protesto, - "apartidário e pacífico", como não cansam de repetir os oradores que se alternam ao microfone - é contra "o descaso", "a incompetência" e por "respeito".

O empresário Márcio Neubauer, líder do CRIA e um dos organizadores da marcha que seguirá para o aeroporto de Congonhas puxa a palavra de ordem: RES-PEI-TO, RES-PEI-TO. No começo, tem pouca resposta. Mais pessoas chegam, com casacos, jaquetas e echarpes variados, e o coro começa a engrossar.

Os comandantes do Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros - o "Cansei" - estão na passeata. O publicitário Marcus Hadade e Ronaldo Koloszuk, do Conselho de Jovens Empresários da Fiesp, são anunciados pelo trio elétrico. O trio, aliás, cercado por guardas particulares da empresa Santo Segurança.

"SEM BANDEIRA, SEM BANDEIRA"

Passa das 9h, horário previsto para a saída da passeata, e chegam 5 rapazes carregando bandeiras do PSDB. No início, são desfraldadas sem embaraço. Em poucos minutos, no entanto, começa um murmúrio que se transforma em gritaria: "Sem bandeira, sem bandeira". O líder dos militantes tucanos, que se identifica como Fernando, bate-boca com os manifestantes.

Mais pessoas se juntam ao protesto contra as bandeiras do partido na marcha. Os gritos ficam mais agressivos - "O PSDB também é culpado!", "Vagabundos, oportunistas", "Traidor da consciência do povo". Fernando discute com alguns manifestantes e, pouco antes das vias de fato, a polícia intervém.

O tucano berra também com os PMs, "Partido é sociedade civil, isso aqui é democrático!". Um policial consegue tirá-lo do protesto e com ele vão os outros 4 rapazes. Um deles, Rafael, responde com um seco e sonoro "Não" quando perguntado se é filiado ao PSDB. Perguntado sobre os outros, responde agressivo: "Eu não tenho que falar nada pra você não, truta".

Em frente ao trio elétrico, uma homenagem aos Bombeiros, à Defesa Civil e à Polícia Civil. As palmas para os primeiros duram quase dois minutos. Passadas as homenagens, uma salva de palmas para Jesus, outra para Deus. E começa a marcha.

O músico Seu Jorge aparece no carro de som. É um dos poucos negros presentes à passeata. Diante de um público formado, em grande parte, pelas classes média e alta, ele puxa o assunto para outras tragédias além da aérea: "Aqueles que sofrem o cotidiano dos ônibus, dos trens lotados, dos bairros sem esgoto, sem escola. A comoção dos desastres aéreos é justa e grande, mas pior é a nossa passividade diante das tragédias cotidianas". Aplausos.

Já no fim da avenida Pedro Álvares Cabral, os manifestantes começam a cantar, timidamente, "Pra não dizer que não falei das flores", de Geraldo Vandré. Imediatamente após a música, hino dos estudantes contra a ditadura militar, surgem os primeiros gritos de "Fora Lula". O coro entra bem mais forte do que Vandré.

Do trio elétrico, os organizadores abafam com gritos de "RES-PEI-TO" os gritos contra o presidente. Funciona, mas por pouco tempo. O número de participantes da marcha já chega a 2 mil, segundo um guarda civil metropolitano. Márcio Neubauer, ao microfone, comemora 5 mil. Como de costume em manifestações, diferença razoável entre as estimativas da polícia e dos organizadores.

AVIÃO, NÃO: "COMPREI UM HONDA NOVO"

Aos poucos, o sol aparece e aplaca um pouco o frio que ainda faz o senhor de Rondônia esfregar as mãos enquanto anda. Ele vem a São Paulo para tratamento com freqüência. Mas não mais de avião. "Depois de 2 anos sofrendo em aeroporto, desisti. Comprei um Honda novo e venho de carro. Mas, não vai adiantar muito, porque agora minha filha está indo pros Estados Unidos".

Carro, por sinal, é o que Délcio lamenta não ter naquele momento. Vendedor ambulante, morador de São Miguel Paulista, lamenta ter levado só capas de chuva e amendoins para o protesto. "Se tivesse um carro, ia buscar água. Com esse sol, agora, água ia vender. Até chapéu de palha, se eu tivesse, vendia". Mas Délcio, sem carro, ainda teria que correr para sair do protesto e ir até o estádio do Morumbi, para vender mais amendoim e capa de chuva. "Hoje o Corinthians joga lá".

A marcha segue rumo ao prédio da TAM Express, em frente a Congonhas, destruído pela batida do Airbus A320 da própria empresa. No caminho, 3 hospitais, diante dos quais o trio elétrico passa amplificando os berros: "RES-PEI-TO". O locutor da vez anuncia um novo protesto para o dia 18 de agosto. Desta vez, além da passeata, propõe um "Dia do Pé no Chão", um dia sem avião.

Outro manifesto é anunciado, este para o dia 4 de agosto. É a "Grande Vaia" contra Lula. Aplausos efusivos e mais gritos de "Fora Lula". Márcio Neubauer já está fora do trio elétrico. Distribui narizes de palhaço aos manifestantes no asfalto da Avenida 23 de Maio, interditada para o protesto.

"Isso não pode parar aqui, tem que continuar", pede aos companheiros de marcha. Às 11h25, quase duas horas e meia depois do começo do protesto "apartidário e pacifíco", sai da boca de Márcio o primeiro "Fora Lula". Daí em diante, ele puxa coros variados contra o presidente. "Corrupto", "Omisso", "Ladrão". E encerra desabafando com uma colega de manifestação: "A gente pode votar em qualquer um, mas eles têm que trabalhar pra gente, não pra eles!".

ÁGUA: GRATUITA. PROMOCIONAL. DA SABESP.

O trajeto de pouco mais de 5 quilômetros até Congonhas vai chegando ao fim e caixas com água mineral surgem na pista. "Tem água de graça aí", anuncia o trio elétrico. Os copinhos d'água têm um símbolo da Sabesp - Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo - e os dizeres "Distribuição gratuita. Material promocional". Raro em manifestações.

Além da distribuição gratuita da água "promocional" da Sabesp, outras novidades na passeata do "Cansei" foram, basicamente, as pessoas que dela participaram. Muitas sem qualquer experiência em passeatas. Ao celular, uma senhora usando casaco de pele tinha dificuldade para explicar a alguém onde estava: "Eu tou na passeata. É, passeata. Pas-se-a-ta".

ORAÇÃO, HINO E TURBINAS

Finalmente, a marcha chega aos escombros do prédio da TAM Express em Congonhas. Os parentes de vítimas do acidente tomam definitivamente a frente do protesto. Alguns se abraçam e choram. Outros, gritam e gesticulam: "Acorda, Brasil", "Chega". Um Boeing da Gol passa sobre o protesto, pousando.

Findo o barulho das turbinas do Boeing, flores começam a ser jogadas na direção do prédio. Um Pai-Nosso rezado. Um minuto de silêncio. Seu Jorge puxa o Hino Nacional. Ao fundo, um A320 da TAM começa a taxiar. O barulho das turbinas quando a aeronave toma velocidade quase abafa o hino. Quase.

NO CAFÉ, "TEMOS QUE DESMASCARAR ESSA GENTE"

Terminado o protesto, muitos se refugiaram do frio no saguão do aeroporto de Congonhas. No "Black Coffee", lanchonete em frente ao Check In da Gol, café puro a R$ 2,20 e conversas ainda sobre o protesto:

- Voltamos à censura?
- Nós temos que desmascarar essa gente...
- Você viu que só a GloboNews estava aí? A tevê aberta tá boicotando.
- Não reparei.
- É. Eles tão boicotando porque o governo faz os favores pra eles.

Em tempo: estiveram na cobertura da passeata SBT, Globo, Record, RedeTV! e Bandeirantes.

Como estimular o pânico

Voltando de viagem na tarde de sábado, este blogueiro atravessava o túnel Tribunal de Justiça, em São Paulo, quando o painel luminoso que dá indicativos sobre o trânsito piscava os seguintes dizeres: "Acidente aéreo, evite região do aeroporto". Outro? Rádio ligado e a confirmação de que estava tudo calmo e não se tratava de uma nova tragédia, veio a conclusão: o prefeito Gilberto Kassab (DEM) deve andar conversando bastante com seu correligionário Cesar Maia, o maior conhecedor da psicologia das massas do país, pois não haveria ser idéia dele, Kassab, manter tão impactante anúncio por 10 dias. Ou talvez tenha sido uma dica do João Dória Júnior...

Weis: o cansaço e os cansados

Outra boa visão do movimento "Cansei" está reproduzida abaixo, originalmente publicado no blog Verbo Solto, do jornalista Luiz Weis. Colunista do Observatório da Imprensa e editorialista de O Estado de S. Paulo, Weis não é propriamente um "lulista" e, em vários aspectos, pensa de forma bem diferente do que o autor destas Entrelinhas. Por tudo isto, vale a pena ler o texto a seguir até o fim: é uma análise lúcida e bem elaborada.

Como uma infinidade de brasileiros que, pelo menos, dão uma sapeada nos noticiários da TV ou batem o olho nos periódicos, também estou cansado do Himalaia de mazelas que, entra governo, sai governo, não saem do cenário nacional: continuam essencialmente iguais, quando não pioram.

Embora, acrescento desde logo, muitas delas são coisas nossas mesmo, não dos governantes de turno - a começar do comportamento anti-social que está entre as causas primeiras, se não for a causa primeira e ponto, da barbárie do cotidiano nos ajuntamentos feios, sujos e perversos em que se degradaram as nossas mais povoadas cidades.

Mas, seja lá o que me canse como cidadão e jornalista, nem por isso vou me juntar ao movimento dos meninos da Fiesp e à tigrada da Febraban, cuja hipocrisia raia aos céus, em má hora avalizado pela OAB.

Não porque enxergue no tal do Cansei o embrião de um movimento golpista, como há quem já diga. É pule de 10, como falam os turfistas, que - salvo um acidente de saúde ou tragédia do gênero - Lula será o terceiro presidente brasileiro, depois de JK e FHC, a completar o mandato no dia marcado e entregar as chaves do Planalto a um novo inquilino, legal e legítimo.

Daí a minha discordância dos que comparam, por seus supostos efeitos, a programada manifestação pública do Cansei, daqui a algumas semanas, à Marcha da Família com Deus pela Liberdade que deu a senha para a gorilada derrubar o presidente constitucional João Goulart.

Aliás, do passeio do Viaduto do Chá, eu vi as marchadeiras - entre as quais muitas, mas muitas mesmo, empregadas domésticas tangidas pelas patroas para fazer número. Foi um nojo.

Para mim, portanto, o problema com o Cansei não são as razões do cansaço - estas existem de sobra - mas a identidade dos cansados. Contem-me fora dessa companhia, que o cartunista Angeli retratou na Folha de hoje com o habitual talento.
(Postado por Luiz Weis em 29/7/2007 às 10:29:02 AM)

Cansei 2: a melhor tradução



Imagens valem mais do que mil palavras. O genial Angeli matou a charada do tal movimento "Cansei" na charge acima, publicada originalmente na Folha de S. Paulo. Essa coisa não vai mesmo longe...

sexta-feira, 27 de julho de 2007

Cansei?

Tem gente dando bola para a tal campanha da OAB e de certos baluartes da moralidade pública, como o secretário Afif Domingos (DEM-SP), intitulada "Cansei". Este blog não consulta videntes, mas tem o palpite de que a campanha fará grande sucesso no clube Harmonia e nas palestras de João Dória Jr. (a quem se aplica o velho ditado "cabeça vazia, morada do Diabo").

Enfim, 0 barulho dura uma ou duas semanas, depois passa. Até porque a agenda dos "líderes" e organizadores do movimento é muito cheia e eles logo estarão cansados do "Cansei". Nada que um bom fim de semana em Comandatuba não resolva...

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Jobim foi boa escolha para a Defesa

Waldir Pires fez o que este blog aconselhou: pegou o seu banquinho e saiu de mansinho. Um pouco tarde, é bem verdade.

A escolha do presidente Lula para o substituto não chega a surpreender e tem várias vantagens. Primeiro, Nelson Jobim é um homem com excelente trânsito no tucanato. Isto deve ajudar a serenar os ânimos e evitar a politização da crise aérea.

Jobim possuiu os requisitos básicos para assumir a Defesa: é experiente - já presidiu um ninho de cobras chamado Supremo Tribunal Federa e foi ministro da Justiça na gestão de Fernando Henrique Cardoso. Com este perfil, portanto, terá comando sobre as três Forças Armadas e boa capacidade de enfrentar os lobistas das companhias aéreas.

Além de todos esses fatores, Jobim é um homem ambicioso. O desafio da crise aérea é grande, mas se o ministro conseguir solucioná-lo, vai se tornar um candidato fortíssimo à sucessão de Lula, pelo PMDB. Não depende só dele, mas a verdade é que a faca e o queijo estão nas mãos de Nelson Jobim.

Rodini: tristeza não tem fim

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta o acidente com o Airbus da TAM. A seguir, a íntegra do comentário:

O Brasil perdeu, na tragédia de Congonhas, duas centenas de vidas. Bebês, crianças, grávidas, senhores e senhoras, vovôs e vovós. Tentando entender essas perdas, milhares de parentes, amigos, conhecidos, vizinhos e colegas de trabalho. E chorando por esses milhares que têm que continuar na sua labuta diária, sofrida e incontida, milhões de brasileiros pasmos, estarrecidos e com medo.

Uma pista escorregadia, um aeroporto congestionado, um clarão. É como se, a partir daí, o Brasil acordasse. No meio de seu maior pesadelo. Quantos escaparam pelo atraso ou quantos se foram por trabalhar demais? Como vamos saber quantos são os heróis. E os heróis do vôo cego, que não tiveram tempo de pedir socorro?

A Avenida, outrora impávida e imponente, queda-se angustiada. A bola de fogo queima nossas almas, os corações se apertam, prevendo o fim iminente, a perda sem sentido. Não há quem console quem ficou ou desculpe os rescaldos desta tragédia. A fumaça que permanece no prédio atingido revela que a tristeza não tem fim.

Vai sempre ficar a sensação de alguém poderia ter feito algo para mudar o rumo desta história. Alguns que detém o Poder de fechar, de reformar, de impedir, de priorizar. Estes só não têm poder para fazer parar de chover. Ou de chorar.

Cesar Maia: um Lacerda sem talento

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (DEM), divulgou em seu ex-blog uma notícia estapafúrdia de que o governo teria acertado com a TAM e a TV Globo a divulgação da "teoria" de que o Airbus acidentado na semana passada estaria com defeito no reversor. Segundo o prefeito, não estava e a desculpa serviria ao governo porque tiraria o foco da questão sobre as condições da pista de Congonhas. Ainda de acordo com Maia, a TAM teria aceitado a brincadeira porque o governo teria ameaçado "quebrar" a companhia tão logo a poeira baixasse.

A tese do prefeito é estapafúrdia pelos seguintes motivos:

1. A TV Globo não aceitaria um acordo nesses termos: não tem nada a ganhar e só perderia credibilidade quando a caixa preta do avião fosse revelada.

2. A investigação do acidente, como se sabe, envolve o fabricante do avião e não será possível manipular as causas. A versão do defeito do reversor só se sustenta se de fato existia o defeito.

3. O governo não tem poderes para "quebrar" a TAM. Pode prejudicar a companhia, mas a verdade é que o segmento está em crescimento e a empresa é líder na aviação brasileira.

Cesar Maia tenta imitar o grande líder conservador Carlos Lacerda, que, da mesma forma que o atual prefeito do Rio, foi de esquerda na juventude. Mas não consegue: faltam-lhe talento e capacidade de mobilização das massas. Vai continuar tentando, esperando que alguém leve a sério as bobagens que escreve em seu "ex-blog". Do ponto de vista eleitoral, a estratégia até que não é má. Em 2010, se elege deputado federal com alguma facilidade...

terça-feira, 24 de julho de 2007

Sai daí, Waldir

Quando caiu o avião da Gol, no ano passado, este blog recomendou vivamente a demissão do ministro da Defesa, Waldir Pires. Basta uma busca no Google ou mesmo um clique nos arquivos destas Entrelinhas para ler a recomendação, que continua a mesma. Waldir Pires é um homem honesto, honrado e competente, mas está no lugar errado, no momento errado. O presidente Lula tem razão em evitar queimá-lo, jogando o experiente Waldir às feras da mídia e da opinião pública como uma espécie de bode expiatório da crise. Cabe ao ministro pegar o seu banquinho e sair o quanto antes, porque a situação, que já era insustentável lá atrás, agora ficou chegou a um ponto em que nenhuma outra ação faz sentido. Vamos ser claros: Waldir não é o culpado pela crise, mas perdeu de tal forma a autoridade no ministério da Defesa que já não é mais um ministro de fato. Teria sido muito melhor se ele tivesse saído antes, mas Lula quis preservá-lo e a situação só piorou. Agora, não dá mais. Ou o presidente coloca no ministério alguém com capacidade de gerenciar uma crise, ou terá ele mesmo que agir neste sentido, o que além de arriscado é improdutivo, pois não é tarefa de presidente lidar com este tipo de questão. É preciso alguém com saúde e disposição para enfrentar lobbies poderosos e moral para comandar as Forças Armadas, coisa que não se encontra facilmente na praça. José Sarney, por exemplo, tem moral para comandar as três Armas, mas talvez não tenha coragem para enfrentar tão poderosos lobistas...

segunda-feira, 23 de julho de 2007

A bruxa está mesmo solta

Julho é um mês de poucas e rápidas chuvas em São Paulo. A justificativa da Infraero para deixar para fazer o "grooving" da pista de Congonhas é bem razoável - esperar o fim das férias, quando o movimento é mais intenso, já que dificilmente choveria neste mês. O problema é que choveu e continua chovendo uma barbaridade na capital paulista.

A questão do "grooving" já foi bastante debatida na mídia, mas não há, é bem verdade, uma conclusão definitiva: há vários aeroportos no mundo sem as ranhuras na pista e apesar disto os aviões pousam e decolam sem grandes dramas. Em Congonhas, pista pequena e aproximação complicada, o grooving era obrigatório? Ninguém respondeu afirmativamente ainda...

Grooving à parte, a chuva foi tanta que nesta segunda-feira, um barranco despencou logo na cabeceira da pista principal de Congonhas, talvez em decorrência também do choque o avião acidentado na semana passada. Mais uma ótima imagem para quem deseja carimbar de incompetente a atual gestão da Infraero. No atual estado das coisas, se um vulcão aparecer em atividade no Brasil, parte da imprensa dirá que foi porque o presidente Lula aparelhou o governo e colocou seus companheiros na empresa estatal destinada a combater o vulcanismo no país, ainda que a tal empresa simplesmente não exista. Até o distinto público dar conta dao engano, algum mal já foi feito ao governo e ao presidente...

domingo, 22 de julho de 2007

Devagar com o andor...

Muitos analistas, no calor da hora, têm escrito que o acidente com o Airbus da TAM em Congonhas é um fato político de conseqüências demolidoras para o governo Lula, que sairia arranhado do episódio ainda que a culpa pelo acidente seja da própria companhia aérea ou mesmo do piloto. Este blog não tem dúvidas de que uma tragédia deste porte afeta, sim, a popularidade do governo, mas avalia que as afirmações dos afoitos jornalistas e cientistas políticos não passam de chute. É possível que Congonhas vire um assunto das eleições municipais de 2008, mas nem isto é líquido e certo. A pauta de 2010 só Deus sabe qual será e se a crise aérea tiver sido solucionada até lá, é provável que ninguém toque no assunto. A mídia alinhada aos tucanos anda um tanto eufórica, mais até do que os líderes desses partidos. É do jogo, mas o resultado deste tipo de "campanha" pode ser o mesmo do gesto infeliz do assessor Marco Aurélio Garcia: se não tiverem cuidado, o feitiço vira contra o feiticeiro, pois o povo não é bobo e sabe distinguir a orquestração da imprensa contra o governante de plantão de um noticiário isento e correto.

ACM: o fim de uma era?

Uma primeira análise do material produzido pelos jornalões sobre o falecido senador Antonio Carlos Magalhães (nenhum parentesco com o autor destas mal traçadas, diga-se desde logo) revela que há um certo exagero tanto em relação à dimensão política de ACM quanto na "comemoração" do fim de um modo de fazer política, de uma verdadeira dinastia na Bahia.

Como diria o velho Jack, vamos por partes:

Antonio Carlos Magalhães foi, sem sombra de dúvida, o mais importante político da Bahia nos últimos 30 anos. O cacique conseguiu poder suficiente para se firmar como liderança nacional em um período relevante - o ápice talvez tenha sido quando foi ministro das Comunicações no governo Sarney -, mas jamais conseguiu força para comandar o seu próprio partido ou ditar os rumos da política nacional. A rigor, foi um oligarca regional que por um curto período se fez maior do que a região que comandava com mão de ferro. Teve, é claro, habilidade para costurar acordos com gente que no fundo preferia tê-lo bem longo, como os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.

A segunda questão diz respeito ao "fim de um modo de fazer política". Ora, parece incorreto dizer que a morte de ACM sepulta o "neo-coronelismo" na política brasileira. Exemplos não faltam e o Nordeste está repleto deles. Tasso Jereissati é um coronel, Sarney é outro, para citar dois de idades e estados diferentes. Bornhausen, em Santa Catarina, é uma espécie de coronel endinheirado e com menos talento para a política eleitoral. No DEM, já estão no comando a segunda (ou terceira, no caso de ACM) geração de neo-coroneis: Paulo Bornhausen, ACM Neto, Rodrigo Maia (vamos assumir que o pai deste último se esforça para obter o diploma de neo-coronel em um Estado com tradição de líderes conservadores com passado de esquerda). As práticas políticas de Magalhães também continuam aí, vivíssimas. Não há como considerar que a morte do senador possa ter representado o fim deste modo de fazer política, portanto.

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Na sexta-feira em que ACM morreu, o jornalismo brasileiro perdeu também Ismar Cardona. Este blogueiro teve a felicidade de trabalhar com Ismar - ele, na sucursal de Brasília do PanoramaBrasil, o autor destas Entrelinhas como editor de Política. Além de um profissional muitíssimo gabaritado, Ismar era uma pessoa divertida e um excelente analista da vida nacional. Foi a grande perda da sexta-feira, mas acabou passando em branco, em meio às tantas confusões aéreas e terrestres no país. Que descanse em paz.

sábado, 21 de julho de 2007

Laudo do IPT, instituto do governo Serra, diz que pista de Congonhas está em ordem

A nota abaixo é do blog do Fernando Rodrigues, colunista da Folha, jornal que tem o governador José Serra em altíssima conta. Para tristeza da turma que acha que as 200 mortes em Congonhas devem ser debitadas na conta do presidente Lula, o IPT de fato emitiu um laudo que simplesmente coloca os pingos nos is: não há problemas com a pista principal de Congonhas. O problema mesmo é de vergonha na cara, de certos jornalistas que escrevem antes de apurar...


Parecer técnico do IPT não encontra
problemas na pista principal de Congonhas

Parecer técnico parcial nº12792-301-ii realizado pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) na pista principal do aeroporto de Congonhas não identificou restrições ao uso da mesma. O documento é datado de ontem (19/07/2007). O resultado desse parecer é baseado, entretanto, em dados coletados até o dia 18 de julho de 2007 e também antes do acidente de terça-feira. As duas principais conclusões foram as seguintes:

1) Características mecânicas do revestimento asfáltico: segundo o relatório, o concreto utilizado na pista segue especificação da Infraero e é do mesmo tipo usado nos outros aeroportos. "A camada de rolamento das pistas principal e auxiliar segue o projeto na Faixa 2 das especificações da Infraero (SAO/GRL/900.ET-247/R2, página 60). Trata-se de concreto asfáltico usualmente adotado para obras desta natureza, largamente utilizado no Brasil em praticamente todas suas pistas de aeroportos", diz o texto. A avaliação do IPT é que "a mistura asfáltica após compactação e resfriamento pode ser considerada tecnicamente como apta para o tráfego de aeronaves, veículos e equipamento de obras". E segue: "Portanto, no que tange à concepção do revestimento asfáltico quanto às suas propriedades mecânicas, esta camada de rolamento atende às especificações de projeto e todas as implementações adotadas adicionaram características positivas", conclui o parecer.

2) Características de superfície do revestimento asfáltico a partir de resultados de atrito obtidos com Mu-Meter: nesse ponto, a análise aborda a questão do atrito em pista molhada. Uma das possíveis causas do acidente com o avião Airbus-A320 da TAM, em Congonhas (SP), seria a falta do "grooving" (ranhuras que ajudam no escoamento da água). Sem as ranhuras, dizem alguns, a pista ficaria mais escorregadia. O parecer diz que mesmo sem o "grooving" a pista está em boas condições. "Os valores encontrados nos dois monitoramentos recentemente realizados, mostram-se acima dos valores recomendados do ponto de vista de atrito em pista molhada, tendo em vista os limites recomendados internacionalmente (ICAO-Anexo 14) e nacionalmente (DAC). Ressalta-se ainda que estes patamares de valores de atrito foram alcançados sem a execução de grooving", descreve o relatório. Na conclusão, o instituto afirma que o nível de atrito está acima dos limites mínimos e que, portanto, a pista encontra-se em condições para pousos e decolagens. "Pela análise realizada, no que tange às condições de superfície do revestimento asfáltico, os valores medidos de atrito pela Infraero na pista principal por meio do equipamento mu-meter, na situação atual, revelam-se acima dos limites mínimos especificados", termina o texto.

Logo depois do acidente de terça-feira, o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), contestou a informação vazada por autoridades do governo federal a respeito da existência de laudo técnico do IPT liberando a pista de Congonhas. O IPT é um órgão do governo do Estado de São Paulo --comandado, portanto, pelo tucano. O documento divulgado hoje demonstra que José Serra tem razão apenas parcial em sua reclamação. O laudo não é definitivo, só parcial. Mas o parecer não aponta nenhum óbice para o funcionamento da pista reformada do aeroporto paulistano.

sexta-feira, 20 de julho de 2007

De olho na bolsa

Uma boa forma de saber se a TAM conseguiu convencer a patuléia, como diria Elio Gaspari, de que o "manual" do Airbus recomendava aguardar 10 dias após o defeito no reversor ser reportado para realizar a manutenção da areonave é ficar de olho na cotação das ações da companhia na Bolsa de Valores de São Paulo, logo mais. Este blog aceita apostas e acha que elas cairão mais de 10% nesta sexta-feira ensolarada em São Paulo.

Da depressão à euforia: direita celebra
gesto do assessor Marco Aurélio Garcia

Está até engraçado acompanhar os blogs dos extremistas de direita, especialmente os da Veja. A notícia de que a pista (e o presidente Lula) não são os culpados pelas 200 mortes de Congonhas foi recebida com raiva, em evidente desrespeito às vitimas da fatalidade. Pouco depois, os deprimidos direitosos voltavam, eufóricos, para "comemorar" um gesto besta do assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, supostamente logo após assistir ao Jornal Nacional. Depois esse pessoal ainda diz que são os petistas que politizam a tragédia...

quinta-feira, 19 de julho de 2007

Franklin: pela 2ª vez em rede nacional

Nesta sexta, o presidente Lula fala à Nação sobre o acidente com o avião da TAM. O texto certamente terá o dedo do jornalista Franklin Martins, ministro da Comunicação Social da presidência da República. Assim sendo, será a segunda vez que um texto de Franklin será lido em rede nacional. A primeira, para quem não lembra, foi em setembro de 1969, quando a ditadura militar cedeu às condições impostas pelos militantes do MR-8 e ALN que seqüestraram o então embaixdor dos Estados Unidos Charles Burke Elbrick para libertá-lo. Além de trocar o embaixador por presoso políticos, foi exigida a leitura de um manifesto em rede nacional. O autor do texto foi... o ministro Franklin Martins, à época militante do MR-8. Recordar é viver...

Culpa pela tragédia começa a ficar evidente

A matéria do Jornal Nacional desta quinta não elucida o acidente de São Paulo, mas oferece uma baita pista para os investigadores. O problema é que a notícia vai deixar os surfistas de cadáveres meio tristes: não, a culpa não é do presidente Lula... A seguir, o resumo das informações do JN, na versão do site G1:

Avião da TAM tinha problema no reversor desde sexta-feira
Do G1, com informações do Jornal Nacional entre em contato

O avião da TAM que se chocou contra o prédio da empresa em Congonhas, na Zona Sul de São Paulo, tinha um defeito no reversor da turbina direita desde a sexta-feira passada, dia 13.

O problema havia sido detectado pelo sistema eletrônico de checagem do próprio avião. Mas a aeronave da TAM, um Airbus A320, continuou a voar nos dias seguintes, com o reversor direito desligado.
O jornalista William Bonner conversou, por telefone, com o presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, e com o vice-presidente técnico, Ruy Amparo. Eles confirmaram estas informações. E afirmaram que o fabricante do avião, a Airbus, em seus manuais de manutenção, para casos como este, recomenda que uma revisão no dispositivo seja feita até dez dias depois da apresentação do defeito.

Crise aérea ofusca queda da taxa de juros

O Brasil não é o país com a mais alta taxa de juros do planeta, conforme bradavam empresários e sindicalistas contrários à política monetária do Banco Central. Com a decisão do Copom de reduzir a taxa básica (Selic) para 11,5% ao ano, o país fica agora em um suposto segundo lugar, considerando uma pesquisa que na verdade não engloba todas as nações. Se o avião da TAM não tivesse explodido em São Paulo, este certamente seria um tema de destaque nos jornais, mas a tragédia naturalmente ofuscou o movimento do Banco Central.

Mais importante do que a redução em sim foi o montante reduzido, de meio ponto, que sinaliza a continuidade da política de redução, ainda que em ritmo menor. Se nas próximas três reuniões o Copom abaixar a Selic em 0,25 pontos percentuais, o Brasil pode fechar o ano na faixa dos 10%, com juro real de 7%. Para as condições da economia brasileira, é quase uma revolução. Em 2008, o crescimento vai refletir este novo patamar de juros, bem mais convidativo aos investimentos no setor produtivo. Quem viver, verá...

Dines: mídia não pode presumir culpas

Vale a pena ler o comentário sobre a tragédia de Congonhas do diretor do Observatório da Imprensa, Alberto Dines, para o programa de rádio do OI desta quinta-feira. O experiente jornalista explica quais são os limites da cobertura da imprensa no caso e já antevê as derrapadas da mídia. A seguir, a íntegra do comentário:


O papel da mídia é levantar pistas, buscar testemunhos e descobrir evidências. Mas a mídia não pode prejulgar. Pode e deve extravasar a indignação e a revolta. Mas a mídia não pode presumir culpas.

O erro do governo na tragédia da Gol, ao longo de outubro passado, foi justamente o de permitir que o ministro da Defesa, Waldir Pires, lançasse suspeitas sobre os pilotos americanos para evitar que o governo fosse arranhado entre o primeiro e o segundo turno das eleições presidenciais.

Agora, nesta catástrofe, a mídia não pode cometer o mesmo pecado e embarcar em hipóteses delirantes sobre o comportamento dos pilotos da TAM. Eles não podem defender-se, estão mortos, e a caixa preta ainda não foi aberta. O que se espera da mídia é que seja veemente e perseverante para que o caso não seja triturado e esquecido em poucos meses, como costuma acontecer.

Há nesta tragédia da TAM ingredientes eminentemente políticos sobre os quais a mídia não pode calar-se. Estes sim devem ser questionados com rigor e denunciados. Quanto mais cedo melhor. Mesmo que o tersol do presidente Lula ainda não esteja completamente curado.

quarta-feira, 18 de julho de 2007

Surfando em cadáveres 3: a culpa é da pista

Os blogs de direita começam a ficar um tanto contrariados com alguns fatos que insistem em não bater com a tese de que o presidente Lula é o grande culpado pelo acidente com o avião da TAM em Congonhas.

Ontem, logo após a tragédia, a direita, animadíssima com o acontecimento, já tinha uma tese pronta para explicar o que ocorreu em São Paulo: a "culpa" só podia ser da pista de Congonhas, recém-reformada, que não recebeu o chamado "grooving", conjunto de sulcos no asfalto que ajuda a evitar alagamentos. Logo, se o problema era da pista, a "culpa" então seria da Infraero e, por consequência, do governo federal. Em última instância, de Luiz Inácio Lula da Silva, ele mesmo.

O problema é que hoje o presidente da TAM disse que a falta de grooving não interfere na aderência da aeronave. Disse mais: a medição da quantidade de água na pista havia sido feita logo antes do pouso do avião que se acidentou.

É chato, mas não foi a pista. Frustrado, o direitoso Reinaldo Azevedo insinua que o presidente da TAM quer "preservar" seu negócio e não falaria mal da pista para não "inviabilizar" Congonhas. O Reinaldo podia pesquisar no Google antes de falar besteira: diversos aeroportos do mundo não utilizam o grooving e nem por isto reportam acidentes.

Surfar em cadáveres para politizar uma tragédia é muito feio. Mas ainda mais feio é usar argumentos capciosos e incorretos para surfar nos cadáveres. No fim, revela não apenas falta de caráter, mas de competência também.

Surfando em cadáveres 2:
o papelão do governador Serra

José Serra (PSDB) levou 4 dias para aparecer em público quando abriu a cratera na obra da linha 4 do Metrô de São Paulo, que matou nova pessoas. Naquele caso, não havia dúvidas: a responsabilidade era do governo de São Paulo. Ontem, Serra levou menos de duas horas para aparecer nas telinhas tentando culpar o governo federal pelo acidente com o avião da TAM. As primeiras informações, no entanto, não autorizam conclusão tão precipitada. Pode perfeitamente ser que a condição da pista nada tenha a ver com o desastre. E, ainda que tenha algo a ver, Serra devia pensar primeiro em prestar assistência às vítimas do acidente para só depois em lucrar politicamente com a tragédia. É uma questão de solidariedade humana, apenas, mas este não parece ser um sentimento muito presente nos atos do governador, conforme já atestava a sua inexplicável ausência no acidente do Metrô.

Uma análise técnica do acidente

Vale a pena ler o que escreve Fernando Rodrigues, colunista da Folha, sobre o acidente. A direita babona adoraria que os defeitos na pistas fossem a causa da tragédia. Talvez não seja bem este o caso...

Avião tocou no ponto correto da pista e
continuou em linha reta e alta velocidade

O comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Juniti Saito, recebeu informações dos funcionários da torre de controle do aeroporto de Congonhas atestando que o Airbus A-320 da TAM tocou a pista no local correto ao tentar aterrissar. Por alguma razão, disseram os funcionários, o avião continuou em alta velocidade. Esse dado terá de ser confirmado pela caixa-preta da aeronave.

Tocar o solo no local correto numa aterrissagem é o primeiro requisito para que a operação seja bem sucedida. Em seguida, o piloto deve empreender as ações necessárias para frear o equipamento. Ainda não se sabe a razão pela qual a velocidade não foi reduzida o tanto necessário.

Essa é a primeira informação técnica disponível, por enquanto, a respeito do acidente com o vôo 3054 da TAM no início da noite desta terça-feira (17.jul.2007) em Congonhas.

O fato de o avião ter continuado em alta velocidade depois de ter atingido o solo –informação pendente de ser oficialmente confirmada com dados da caixa-preta– praticamente descarta a hipótese de defeitos na pista de Congonhas. Quando o avião derrapa por deficiência da pista quase sempre ocorre uma mudança imediata na trajetória em solo. As informações preliminares dão conta de que o Airbus da TAM seguiu em linha reta quase até o final da pista, sem frear nem perder a direção.

Em algum momento da aterrissagem, o piloto ou alguém na cabine de comando falou algo que teria sido identificado pela torre de Congonhas como uma menção a "virar" a rota do avião. Mas ainda não está claro em que momento esse tipo de informação foi captada --se logo quando o avião tocou o solo, se na metade da pista ou no seu final, quando o Airbus acabou fazendo a curva e atingindo um edifício da TAM Express.

Por que isso teria acontecido? Não se sabe. Pode ter ocorrido algum defeito no aparelho que o impediu de frear (as turbinas não reverteram, os freios não funcionaram, enfim, várias possibilidades a serem estudadas e investigadas).

Espera-se que os dados da caixa-preta possam dirimir essas dúvidas.


Há grandes esperanças de a caixa-preta do avião ser encontrada intacta, pois nesse tipo de aparelho o equipamento fica conservado na cauda –a única parte que não foi totalmente consumida pelas chamas nas horas que se seguiram ao acidente.

O fogo demorou várias horas para ser debelado por causa de duas possíveis razões. Primeiro, o tanque do Airbus estava relativamente cheio (o avião seguiria viagem sem abastecer em São Paulo). A segunda possibilidade é a proximidade com o posto de gasolina, atingido na queda.

Quem esteve no local do acidente acredita que o número de vítimas em terra possa subir para casa de várias dezenas. No avião, são poucas ou quase nulas as possibilidades de alguém ter sobrevivido.

terça-feira, 17 de julho de 2007

Surfando em cadáveres

Os blogs de direita estão adorando a tragédia de Congonhas e já acusam o presidente Lula por cada uma das mortes que ainda nem sequer foram confirmadas. É do jogo. Nessas horas, as pessoas revelam o seu caráter.
PS: Um leitor escreve perguntando que blogs são esses. Ora, os de sempre. O do Reinaldo Azevedo, por exemplo, foi um dos primeiros a politizar a tragédia. Aguardem o próximo comentário do Diogo Mainardi e a próxima Veja. A direita está alegre como nunca, brindando à tragédia. Chega a dar engulhos.

A bruxa está solta

O acidente com avião da TAM em Congonhas, São Paulo, já entrou no rol das grandes tragédias da aviação mundial. A julgar pelas imagens, as chances de sobreviventes é remota. A obra da pista de Congonhas, recém-reformada, e a direção da Infraero serão duramente questionadas nos próximos dias. A crise, que estava amainando, voltará com toda força.

O PSOL move a política brasileira?

O que segue abaixo é o artigo semanal do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania. Desta vez, o assunto é o PSOL, partido do diretor do Correio, Plínio de Arruda Sampaio. A seguir, o texto na íntegra:

O jornalista Reinaldo Azevedo, blogueiro e colunista de Veja, é hoje, ao lado do aloprado Diogo Mainardi, o grande porta-voz das parcelas mais conservadoras da sociedade brasileira. Ao contrário de Diogo, Azevedo tem uma boa capacidade de análise política e é sério no que escreve, embora às vezes seja tão ou mais virulento que seu coleguinha da Veja. Dia desses, Reinaldo escreveu, em um tom de desalento, que o PSOL é único partido a realmente mover a política brasileira. O tema do comentário era a cada vez mais complicada situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o colunista afirmava que, ao contrário do PSDB e DEM, que adotaram uma postura bastante cautelosa, o PSOL estava fazendo o serviço todo sozinho.

A reflexão do analista da extrema-direita é reveladora da insatisfação dos setores realmente conservadores com a atuação dos partidos que deveriam representá-los. É evidente que a direita não vai adotar o PSOL só porque o partido age com o verdadeiro ponta de lança das denúncias contra o governo ou seus aliados, seja no Congresso, seja na esfera pública extra-parlamentar. De toda maneira, a análise de Reinaldo Azevedo é interessante porque mostra que o vazio instalado na cena política brasileira após a vitória do PT só encontra o PSOL como ator capaz de minimamente sugerir alguma foram de contestação.

No fundo, o PSOL age atualmente de forma muito semelhante ao PT nos anos 80, embora com muito menos força política do que tinha (e ainda tem) a legenda do presidente Lula no movimento popular. Por um lado, o PSOL vem atuando com muita firmeza na cobrança de apuração dos casos de corrupção no governo, exatamente como fizeram José Dirceu, Aloizio Mercadante, José Genoino e tantos outros líderes petistas desde meados dos anos 80 até o impeachment de Fernando Collor. De outro lado, o partido de Heloísa Helena vem tentando reaglutinar as massas que se decepcionaram com o governo petista, processo este que ainda está em curso, mas que já é visível em atos como o do primeiro de maio, em São Paulo, quando milhares protestaram contra as "reformas neoliberais" do governo Lula.

Politicamente, o cenário para o PSOL é um pouco mais complicado do que era para o PT por vários motivos. Primeiro, porque o adversário não é visto pela população como uma força conservadora. Era muito mais fácil fazer oposição o governo tucano-pefelista de Fernando Henrique Cardoso, autenticamente neoliberal. Os socialistas do PSOl acreditam que o governo Lula é tão neoliberal quanto o de Cardoso, mas não conseguem provar a tese para o povão. Em segundo lugar, conforme atestam alguns experientes quadros do próprio PSOL, o PT nos anos 80 e 90 tinha um projeto alternativo para o País e um projeto de poder. O PSOL hoje não tem nenhuma coisa nem outra e acaba se valendo do discurso de caráter udenista para se colocar como o "último puro" da política brasileira. Complicado, para dizer o mínimo, conhecendo o passado da líder máxima do PSOL, ex-senadora Heloísa Helena, cujas relações com o Judas da vez, senador Renan Calheiras, já foram mais do que apenas amistosas.

Ao fim e ao cabo, a questão que fica é simples: conseguirá o PSOL superar o paradigma do PT e se tornar um partido de esquerda com idéias e práticas próprias? Porque se os socialistas permanecerem como uma espécie de cópia purificada da legenda fundada por Lula, não é difícil que a população siga preferindo a versão original...

Só para constar

Dizem por aí que o novo apelido do prefeito-factóide do Rio de Janeiro é Cesar Vaia. Parece que ele próprio gostou da alcunha e está mandando espalhar...

Esta é a última nota deste blog sobre o assunto. Doravante, voltamos aos assuntos relevantes para a Nação.

segunda-feira, 16 de julho de 2007

Jorge Rodini: a decepção de Lula

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, comenta o assunto da hora: as vais recebidas pelo presidente no Maracanã. A seguir, a íntegra do comentário de Rodini:

O presidente Lula experimentou, na sexta-feira, 13, durante a abertura dos Jogos Pan-Americanos, o sabor amargo da classe-média carioca. Num Maracanã lotado, Lula foi vaiado de maneira sistemática e sintomática. Impedido de declarar oficialmente aberto o Pan 2007, sentiu-se desprestigiado pelo povo presente. Dizem que aquele não é seu povo, que aquele mundaréu de gente orquestrou a vaia que o constrangeu.

Parece que Lula, pela primeira vez em seus mandatos presidenciais, sentiu-se deslocado. Homens, mulheres, adolescentes, crianças, brasileiros ou não, ousaram expressar seu descontentamento com os escândalos, com os apagões aéreos, com os assuntos bovinos, com a corrupção escancarada e com a falta de ética dos políticos em geral.

Este povo não recebe Bolsa-Família, portanto não deve nada a Lula. Lula, sim, é que deve a eles. Esta classe média, que os assessores petistas teimam em desqualificar, votou expressivamente no presidente. E deram um aviso que pode ser propagador: "O Brasil precisa de nós, a classe-média. Tem que incluir os do andar de baixo, mas não se esquecer da gente."

Lula queixou-se da vaia. É natural, humano e previsível. O petista, até agora, está vivendo em lua-de-mel com o povo brasileiro. Quando disse que não sabia de nada, foi absolvido. Quando se escora na economia, nos projetos assistencialistas, na fala fácil, é idolatrado. Mas quando pretendeu falar a uma parte expressiva dos seus liderados, foi vaiado.

Lula reina em águas mansas, pelas pesquisa divulgadas. Soube, como ninguém, vender seus atos e decisões. Mas, que azar, na sexta-feira 13, o presidente teve sua segunda grande decepção no Maracanã. Nós, brasileiros, até hoje sofremos por aquele dia fatídico na decisão do Mundial de 1950 contra o Uruguai, neste mesmo estádio. Ainda hoje, procuramos o culpado e acusamos Barbosa, grande goleiro daquela tragédia.

Acho que Lula não vai demorar tanto tempo para esquecer sua segunda grande decepção. É só entender o recado das arquibancadas.

Senado aguarda ocaso de Renan

A semana que começa hoje era, na prática, para ser uma semana morta no Congresso Nacional. Com o início do recesso no dia 18, quarta-feira, era natural que os parlamentares "enforcassem" a terça (a segunda-feira, como todos sabemos, já é "enforcada" em períodos normais) e só retornassem a Brasília em agosto. O presidente do Senado, porém, resolveu criar um fato político ao adiar para amanhã a reunião da Mesa Diretora em que será decidido o encaminhamento de parte das investigações contra ele mesmo, Renan Calheiros (PMDB-AL). É altamente provável que Renan sofra mais uma derrota amanhã, embora seus aliados estejam planejando mais uma manobra protelatória. O problema todo é que o presidente do Senado já não tem controle da situação e está à mercê da opinião pública, que pressiona e sensibiliza os parlamentares. A aposta de Renan agora está no chamado "efeito curativo do tempo", daí tantas manobras protelatórias. O problema todo é que a sociedade não parece disposta a esquecer tão cedo e, pelo andar da carruagem, vai continuar cobrando a saída de Calheiros pelo menos da presidência do Senado.

Magoou

Lula não gostou da vaia que tomou no Maracanã. Claro, ninguém gosta de ser vaiado, mas o interessante é que o presidente usou o seu programa de rádio desta segunda-feira para passar a sua posição sobre o assunto. Evidentemente, a fala presidencial deve ter sido combinada, testada e ensaiada com os marqueteiros que cuidam da imagem de Lula. O reconhecimento de que ficou aborrecido com as vaias visa passar uma imagem "humana" do presidente da República. Em termos técnicos, o que Lula fez ao falar sobre o tema de forma tão direta foi tentar minimizar os danos da vaia à sua imagem. Se vai funcionar, o tempo dirá.

domingo, 15 de julho de 2007

Esclarecendo a "teoria conspiratória"

A vaia ao presidente Lula na abertura do Pan é o assunto da vez nos blogs políticos. Um leitor escreve para dizer que a "teoria conspiratória" é uma rematada bobagem. Vamos esclarecer a questão: é óbvio que o vídeo do ensaio não prova que houve orquestração, apenas fornece um indício. O público do Maracanã na abertura dos jogos era constituído por gente que pode pagar mais de R$ 50 pelo ingresso, no mínimo, pois muitos bilhetes foram parar nas mãos de cambistas, que revenderam pelo dobro, quando não pelo triplo do preço inicial. Havia, sim, predisposição deste público para vaiar o presidente – a aprovação de Lula é de 65% no país, mas de apenas 30% entre os que ganham mais de 10 salários mínimos. Porém, há a informação de que parte dos ingressos mais baratos foram distribuídos aos funcionários da prefeitura do Rio – o que explicaria os aplausos ao alcaíde Cesar Maia. Só quem nunca foi a um jogo de futebol acha que não é possível uma minoria puxar vaia: todos os "gritos de guerra" em uma partida começam puxados pelas torcidas organizadas e são acompanhados pela maioria de "anônimos" que às mais das vezes nem conhece direito os refrões.

Vaia foi mesmo ensaiada

Um vídeo no You Tube (clique aqui para acessar) revela que a vaia ao presidente Lula foi ensaiada no dia anterior... Não dá para saber se o regente foi o prefeito Cesar Maia, mas fica patente que o protesto foi mesmo orquestrado. O jornalista Clóvis Rossi, da Folha, escreve neste domingo ridicularizando o que ele qualifica de "teoria conspiratória". Jornalista que é, Rossi deveria primeiro apurar os fatos para só depois escrever bobagens...

sábado, 14 de julho de 2007

Boa dica do ombudsman: cobrir o tucanato

O atual ombudsman da Folha, Mário Magalhães, que não é parente do autor dessas Entrelinhas, é de longe o melhor jornalista a ocupar o cargo até hoje. Corajoso, preciso e divertido, Magalhães vem fazendo um belo trabalho. Desde já o blog torce para que ele tenha o seu mandato renovado. Na nota abaixo, da crítica interna de sexta-feira, está uma boa dica não apenas para a Folha, mas para todos os jornais paulistas. Como diria o gaiato, cada um com o seu Bragato...

Farinhas
O jornal prestaria um grande serviço aos leitores se comparasse o que petistas e tucanos dizem e fazem em Brasília (no Congresso e no Planalto), e os tucanos dizem e fazem em São Paulo (na Assembléia e no governo estadual).
Além de informativo, poderia ficar --tragicomicamente-- divertido.

A explicação das vaias

Um leitor anônimo deste blog matou a questão das vaias ao presidente Lula: o ingresso de arquibancada para a abertura do Pan não saia por menos de R$ 150, chegando a custar bem mais no câmbio negro... Claro que em ambientes assim, o presidente não vai ser aplaudido. Saguão de aeroportos, restaurante chiques, Jockeys clubes são outros locais em que Lula será sempre vaiado e Cesar Maia e José Serra, ovacionados. É do jogo. O que espanta é a falta de senso de quem cuida da agenda de Lula. Bastava combinar com o cerimonial para evitar as tais "seis vaias" – uma única citação da presença dele ou mesmo um rápido "declaro aberto os jogos Pan-Americanos" (diz-se isto em menos de 10 segundos) seria suficiente para uma única vaia dos cariocas endinheirados que assistiam ao espetáculo esportivo.

Lula nem pode alegar falta de experiência: em 1989, este blogueiro, são-paulino que é, assistiu a uma cena deprimente: o então candidato à presidência resolveu "prestigiar" a final do campeonato brasileiro, um dia antes do segundo turno, entre Vasco da Gama e São Paulo, no Morumbi. Algum assessor desastrado levou o candidato a um camarote ao lado das cadeiras cativas, que são praticamente capitanias hereditárias no Morumbi. Claro, Lula foi vaiadíssimo pelos quatrocentões tricolores. Quando seu nome foi anunciado pelo sistema de som do estádio, porém, as arquibancadas reagiram com um tímido porém esclarecedor "olê, olê olê, olá / Lula, Lula, Lula". Apenas para registro, este blogueiro estava nas arquibancadas e só soube das vaias no dia seguinte, pelos jornais...

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Vaias para Lula: direita comemora

Blogs de direita e sites da mídia conservadora estão em polvorosa com as vaias recebidas pelo presidente Lula. De fato, foi negativo para a imagem do presidente. Mas nada que vá abalar o prestígio de alguém com mais de 60% de aprovação. O que vale, como se sabe, é o aplauso ou vaia das urnas...

Ombudsman reconhece: FSP promove Serra

Muito interessante o comentário do Ombudsman da Folha, Mário Magalhães, na crítica interna de quinta-feira, reproduzido abaixo. É o tipo de comentário que deve causar sorrisos amarelos na redação da Folha. Este blog fica imaginando o pessoal que rala na Barão de Limeira comentando: "mas será que ele não sabe que o Serra 'é da casa'".
Sim, claro que ele sabe, não nasceu ontem e não seria Ombudsman se não soubesse. É que até para a desfaçatez há certos limites. Ou, como diria o companheiro Lula, "menas, pessoal, menas..."

Bem na foto

Mais uma vez, a Folha publica foto de divulgação em cobertura de evento com a presença do governador José Serra ("Manobra tucana 'enterra' CPIs em São Paulo", pág. A7).
Ou seja: o jornal só recebeu fotografias em que Serra aparece bem.
A Folha deveria escalar fotógrafo próprio, pautado com critérios jornalísticos, e não promocionais, para cobrir as atividades do governador de São Paulo.

quinta-feira, 12 de julho de 2007

Calheiros manobra e colhe um desastre

Quanto mais o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) tenta manobrar para sair da encalacrada política que representa o processo no Conselho de Ética, mais perto ele fica de um beco sem saída. Ou melhor, de saída única: a renúncia ao cargo de presidente do Senado, no mínimo, ou mesmo do mandato, se as coisas piorarem. Nesta quinta, ele tentou protelar o processo marcando para terça-feira uma reunião da Mesa Diretora que estava marcada para hoje mesmo. O resultado é um desastre político: por pouco os senadores da oposição não assumem uma postura mais belicista, de simplesmente não votar mais nada até que Renan se afaste do cargo. A solução encontrada – uma espécie de ultimato até terça – é um pouco menos pior para Calheiros, mas também significa o agravamento de sua situação. O balcão de apostas agora gira em torno do prazo: nos bastidores, até mesmo gente da base governista acha que Renan não resiste a agosto, o mês das renúncias, suicídios e tantos outros episódios de mau agouro.

Renan vai imitar José Dirceu?

A conversa do dia em Brasília é, para variar um pouco, sobre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL). Com a deterioração da sustentação política do presidente do Senado, há gente apostando que ele decidiu imitar o ex-deputado José Dirceu (PT-SP), que lutou até o final contra a cassação, usando todos os recursos protelatórios possíveis até a queda final. Porém, há tembém quem diga que Renan já está negociando a sua renúncia à presidência do Senado, com a garantia de manter o seu mandato. Pode até ser que as duas coisas estejam acontecendo ao mesmo tempo...

Da série "por que Lula é tão popular"

O texto abaixo, do UOL, ajuda a entender a questão supracitada. Este blog não se cansa de repetir: é a economia, estúpido...


Indústria brasileira acumula 5 meses de alta no emprego

SÃO PAULO (Reuters) - A indústria brasileira registrou em maio o quinto mês consecutivo de aumento na taxa de emprego do setor, mostrou pesquisa divulgada nesta quinta-feira. As fábricas instaladas no país contrataram 0,3 por cento mais em maio do que em abril, de acordo com dados ajustados sazonalmente divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com maio do ano passado, a taxa de emprego do setor subiu 2 por cento. Nos últimos 12 meses, o avanço foi de 0,8 por cento.

"A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos 12 meses...mantém trajetória ascendente desde outubro", informou o IBGE em comunicado.

O valor da folha de pagamento do setor, entretanto, caiu 0,7 por cento em maio frente a abril. Isso fez com que a média móvel trimestral --indicador acompanhado pelo Banco Central-- caísse 1 por cento entre os trimestres encerrados em abril e maio, a primeira taxa negativa do ano.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, o valor real da folha de pagamento cresceu 4,3 por cento.

(Por Renato Andrade)

Governo não recuou na classificação indicativa

Os jornalões manchetaram nesta quinta-feira o "recuo" do governo federal na questão da classificação indicativa. Blogs da extrema direita também comemoraram a nova portaria, que teria afastado os riscos de "censura" à liberdade de expressão.

Na verdade, o que está por trás desta disputa é uma queda de braço entre as emissoras de TV e a sociedade brasileira, que é amplamente favorável ao controle da programação, bem como da propaganda de álcool, para lembrar um tema desenvolvido hoje na Folha pelo cientista Ronaldo Laranjeira em um artigo esclarecedor.

Como se pode verificar na análise do mestre Alberto Dines, não houve recuo algum do governo, mas uma mudança na forma (e não no conteúdo) do texto da portaria. Como bem observa Dines, a classificação indicativa está consagrada e as emissoras terão de obedecer a lei. O governo nunca quis censurar coisa alguma, apenas os paranóicos conseguiram enxergar este viés no texto anterior. O resto, como diria o tucano José Serra, é trololó (ou nhenhenhem, se preferirem a versão de Fernando Henrique Cardoso). Abaixo, o artigo de Dines sobre o assunto, que saiu originalmente no Observatório da Imprensa.


Foram pequenas as alterações que o ministério da Justiça fez na portaria que estabelece a classificação indicativa para os programas de TV, mas o noticiário de ontem, terça-feira, dava a impressão de que o novo texto significava uma "vitória esmagadora" das empresas de mídia eletrônica.

O governo foi apenas hábil: fez os ajustes apropriados, sobretudo no fraseado, e assim evitou que a cruzada orquestrada pelas empresas de televisão continue insistindo na tecla de que a classificação equivale à "censura".

A exigência de adaptar o teor de um programa ao horário em que é exibido foi finalmente consagrada, a TV comercial terá que respeitá-la e quem fiscalizará as irregularidades ou infrações será o Ministério Público.

O que não pode ser esquecido neste episódio é o jogo pesado adotado pelas empresas de TV capitaneadas pela Globo. Aqueles anúncios de página inteira nos principais jornais do país reproduzindo o manifesto assinado pelos astros e estrelas das telinhas contra uma classificação de programas que existe em todos os países mostra que as concessionárias de radiodifusão estão somente interessadas em servir aos seus próprios interesses, e não ao interesse público.

Esta orquestração serviu por escancarar a imperiosa necessidade de um debate sobre a concentração da mídia em nosso país. Se adotássemos aqui as normas vigentes nos EUA sobre a propriedade de diferentes veículos pelos mesmos grupos, a cruzada contra a classificação teria sido menos autoritária.

quarta-feira, 11 de julho de 2007

Um teste para o Congresso

Se o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) não presidir a sessão desta noite do Congresso Nacional, na qual deverá ser votada a Lei de Diretrizes Orçamentárias para 2008, na prática ele não será mais presidente do Senado da República. Um presidente que não preside, apenas aparece em sessões solenes e outros eventos em que nenhum assunto relevante é decidido, não pode mesmo ser chamado de presidente. Calheiros já perdeu as condições políticas para comandar a Casa Alta do legislativo brasileiro e parece interessado agora em sair do cargo com o maior capital político possível, daí as recentes e constantes ameaças aos colegas. Cada um sabe o que é melhor para si, mas o risco de Renan sair menor do que calcula permanecendo no cargo não é pequeno. O tempo vai dizer quem tem razão, ele ou seus críticos (e parte dos aliados que o aconselham).

Do ponto de vista do Congresso, a sessão de hoje será um marco. Alguém vai dizer, ainda que Calheiros não esteja presente, poucas e boas para o presidente do Senado. Mais importante do que os discursos em si é observar a reação dos congressistas. Severino Cavalcanti na prática caiu no dia em que Fernando Gabeira o desafiou no Plenário, embora só tenha renunciado um bom tempo depois. Para quem deseja ver o circo pegando fogo, basta ligar nas TVs Câmara ou Senado às 19h30. Com Renan ou sem Renan, a emoção está garantida. Parecido com isto, só os jogos do Brasil com o Doni no gol...

terça-feira, 10 de julho de 2007

Renan: mãos sujas e atritos com a mídia

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou na tarde desta terça-feira que seus pares terão que "sujar as mãos" para arrancá-lo da cadeira de presidente do Senado. Pouco depois, ao ser interpelado pelo repórter Carlos de Lanoy, da TV Globo, Renan simplesmente recusou-se a responder a questão formulada e disse para quem quisesse ouvir: "Não respondo porque você mente". Quem joga truco sabe o que é isto: Renan gritou seis. O seja, vai pagar para ver.

Brigar com a TV Globo é uma estratégia sempre muito arriscada. Renan não nasceu ontem e está neste jogo há mais de 30 anos. Se decidiu comprar a briga, é porque tem bala na agulha. Pelo que corre em Brasília, a primeira vítima foi o senador cearense Tasso Jereissati, presidente nacional do PSDB, que acusa Renan de ter vazado informações para... o jornal O Globo! A bricadeira não é para amadores, mas este blog continua apostando em um processo (e desfecho) semelhante ao que viveu, por quase seis meses, o então senador Jader Barbalho (PMDB-PA), hoje deputado federal, em 2002.

Dines: Vejinha imita a Veja

Está bem interessante o texto do jornalista Alberto Dines reproduzido abaixo. Há uma crise em gestação no tucanato paulista e a Fundação Padre Anchieta é um dos palcos em que a batalha vai se desenrolar. Este blog voltará ao assunto. Por enquanto, segue o texto do diretor do Observatório da Imprensa, que também resvala no comportamento cada vez mais ridículo das duas publicações da editora Abril: Veja e Vejinha:

O terremoto artificial sobre as mudanças na Cultura FM

Era inevitável: o espírito da Guerra Fria da Veja um dia baixaria na caçula, Veja São Paulo. Baixou na edição desta semana (data de capa de 11/07, páginas 28-29). O pretexto foi a ousada mudança no teor da programação da rádio Cultura FM (da Fundação Padre Anchieta) que a partir do dia 2 de julho passou a transmitir apenas música erudita.

O debate seria instigante, rico, se a tropa de choque reacionária que ronda as esferas do poder estadual não aproveitasse para sair em defesa de um de seus aliados, o jornalista-produtor Salomão Schvartzman, cujo programa Diário da Manhã foi cortado da grade por não se enquadrar dentro da nova orientação.

E no lugar de uma discussão sobre o que é efetivamente "música erudita" (como se esperaria de uma revista concebida para ser a New Yorker paulistana), fabricou-se uma baixaria política para comprometer o início da gestão do jornalista Paulo Markun como presidente da Fundação Padre Anchieta.

Acusação de Schvartzman & Cia.: seu programa teria sido cortado pela patrulha ideológica dos "russos" (isto é, os egressos do PCB). Além de atribuir a si mesmo uma importância política que jamais teve, Salomão Schvartzman tenta reavivar as acusações contra a infiltração comunista na Fundação Padre Anchieta que antecederam a morte de Vladimir Herzog.

Escapou ao baixo-clero da direita paulistana o fato que um programa denominado Diário da Manhã, de viés nitidamente jornalístico e apenas amenizado por inserções musicais, confronta claramente a diretriz musical – certa ou errada, porém determinada pelos estatutos da Fundação.

Convém registrar que a versão radiofônica diária deste Observatório da Imprensa foi transferida pelas mesmas razões para a freqüência AM da rádio Cultura e ninguém saiu por aí alegando perseguição política.

Conflito de interesses

É possível que o Diário da Manhã fosse o líder de audiência e dono do maior faturamento da Cultura-FM e isto só valoriza a ousada opção de um grupo de comunicação que não dispõe dos recursos financeiros da mídia comercial.

Na alentada matéria da Vejinha sobre o "terremoto" na Cultura FM está dito que Schvartzman, recebia o salário de R$ 14 mil acrescidos de "50% do faturamento bruto do seu programa calculado em cerca de R$ 100 mil" (R$ 14 mil + R$ 50 mil = R$ 64 mil ao mês). Ele merece, certamente.

Ora, jornalista deve receber salários (ou algo equivalente quando se trata de Pessoa Jurídica). Percentual sobre faturamento é remuneração típica de publicitários e profissionais da área comercial. Jornalista-corretor é aberração, configura conflito de interesses.

Da New Yorker paulistana (em cuja direção militam melômanos respeitáveis), esperava-se uma discussão séria sobre o que é exatamente "música erudita". Jazz é popular ou erudito? Se os lieder de Schubert estão em todos os repertórios de música clássica porque não incluir canções francesas, americanas, italianas, africanas ou asiáticas numa rádio eminentemente erudita? Onde ficam os limites entre o violão clássico e o popular? O violoncelista Yo-Yo Ma quando toca o concerto de Elgar é clássico, mas quando executa Tom Jobim deve ser barrado? E os tangos de Daniel Barenboim? E o cabaré musical de Kurt Weil, onde é que se situa?

A Cultura FM, agora sob a batuta da radialista Gioconda Bordon, terá que rever ou relativizar seus paradigmas. Mas a Vejinha precisa guardar-se da histeria ideológica que tanto compromete a Vejona.