sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aécio vai longe...

Está no Radar on-line, do jornalista Lauro Jardim:

“Eu serei o candidato e vocês estão ferrados”

Aécio Neves e Lula encontram-se agora há pouco num evento público em Belo Horizonte. Nos bastidores, o clima foi de brincadeiras de ambos os lados.
Em determinado momento, em tom de galhofa, Aécio vira-se para Lula e diz:
- Infelizmente, tenho que te dar uma má notícia: acho que o Serra não vai mesmo disputar a presidência. Aí, eu serei o candidato e vocês estão ferrados…
Lula riu.


É. Se cuida, José Serra. Quem já tomou uma bola entra as pernas de Geraldo Alckmin (cruzes...), precisa realmente se precaver contra Aécio Neves. Perto de Geraldo, o governador mineiro é um Pelé da política. Serra certamente sabe disto.

Histeria hiponcondríaca recria o ebola

Atenção, caros leitores, depois da gripe suína, vem aí o "primo do ebola" (sobre o dito cujo, leia aqui). Não morreu da primeira, a segunda te pega na curva. E a culpa, claro, é do Lula! Vai "atravessar o Atlântico" rapidinho. Só rindo... Tá na Agência Estado:

Primo do ebola é achado em morcegos de Uganda

REUTERS

WASHINGTON - Milhares de morcegos de uma caverna de Uganda estão contaminados com o vírus marburg, um "primo" do vírus ebola, disseram pesquisadores na sexta-feira.
Um estudo de Pierre Rollin e seus colegas do Departamento de Patógenos Especiais do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA encontrou o vírus vivo em 5 por cento dos morcegos examinados na caverna, onde mineiros foram contaminados com o marburg em 2007.
"Em artigo na revista PLoS Pathogens, da Biblioteca Pública de Ciências dos EUA, eles estimaram que haja cerca de 5.000 morcegos da espécie "R. aegyptiacus" contaminados, em uma população total de 100 mil animais.
"Claramente, esses morcegos podem servir como importante fonte de vírus com potencial para iniciar uma epidemia humana, e as implicações para a saúde públicas são dramáticas", escreveram os pesquisadores.
Há muito os cientistas suspeitam que os morcegos são hospedeiros naturais dos vírus ebola e marburg --ambos letais e da mesma família. O ebola pode matar entre 50 e 90 por cento das vítimas, e o marburg é menos letal.
Um hospedeiro natural é um animal que porta e transmite uma infecção, mas sem adoecer.
A equipe de Rollin examinou o sangue dos morcegos na gigantesca caverna, onde um mineiro morreu de marburg em 2007.
As amostras virais dos mineiros doentes e dos morcegos eram geneticamente semelhantes, segundo os cientistas. "Esses dados indicam que morcegos frugívoros egípcios comuns podem representar um importante hospedeiro natural e uma fonte do vírus marburg com potencial vazamento para os humanos", escreveram.

Dica de leitura para jovens jornalistas

Está com o fechamento apertado e não consegue aspas para a sua matéria? Leia este sensacional post do blog de Leonardo Sakamoto. E feche a sua matéria com tranquilidade...

Pausa para rir

Desta vez, o Entrelinhas presta homenagem aos grandes pensadores da direita na forma de um teste: quem foi o gênio que escreveu as impagáveis linhas abaixo, decretando a até então secreta relação entre o coronel Hugo Chávez e a família Mesquita?

"O Estadão virou mesmo o diário oficial do golpe dos usuários dos métodos bolivarianos de tomada de poder. O jornal paulista enterrou a sua reputação."

a) Reinaldão Azevedo, cansado de bater em mulheres, pretos, gays e lésbicas
b) Nivaldo Cordeiro, o incansável defensor de uma nova Idade Média (como era bom o tempo em que servos serviam e suseranos suseranavam...)
c) Dioguinho Mainardi, em um breve intervalo de suas loucas férias repletas de hip hop e barrigas mil
d) Olavo de Carvalho, o mestre dos mestres, para quem o NYT é outro pasquim vagabundo a serviço da Internacional Comunista.

A resposta, caro leitor, está nos links. Basta clicar!

Renan dá bom conselho a Virgílio

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pode ser muita coisa, mas burro, definitivamente, não é. Na matéria abaixo, da Folha Online, o líder peemedebista analisa o "caso de Virgílio", em referência ao exímio lutador de jiu-jitsu (já foi campeão carioca da modalidade) e senador amazonense, e declara: "Quem seria louco de ameaçar um cara valente como o Arthur". Renan também recomenda ao colega a ajuda de um psiquiatra. Pensando bem, de fato não faria mal nenhum, há bons remédios na praça para deixar o cidadão mais calmo e feliz ou conter os mais variados vícios. Como diria o Chico Buarque, "ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça"...

Renan nega chantagem e recomenda que Virgílio procure um psiquiatra

CHRISTIAN BAINES
colaboração para Folha Online, em Brasília

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), reagiu às declarações do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que o acusa de chantagear o partido e recomendou que o tucano procure um médico psiquiatra. Segundo Renan, "o caso de Virgílio é menos de política e mais caso de psiquiatria".
O líder peemedebista garantiu que não usou tom de ameaça nas conversas telefônicas que teve com Virgílio ou com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e ainda ironizou o líder tucano. "Quem seria louco de ameaçar um cara valente como o Arthur [Virgílio]. A conversa foi civilizada. O próprio Sérgio [Guerra] admitiu que foi em tom civilizado. Eu falei que se o partido assumisse as insanidades do Arthur [Virgílio], o PMDB não teria outra alternativa a não ser entrar com representação", disse.

Bob Jefferson: Dornelles é o cara
para suceder José Sarney no Senado

A nota abaixo, do blog do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), revela o nome que está sendo ventilado para a sucessão de José Sarney na presidência do Senado. Bob Jefferson sabe das coisas, este blog já tinha ouvido a mesma versão de outra maneira: Francisco Dornelles (PP-RJ) seria a única alternativa de consenso possível, uma vez que ele é da base aliada, tem trânsito com a oposição e é dos poucos senadores contra quem não há nada de grave a ser dito. Esta última assertiva, é claro, ninguém pode garantir, só mesmo com a eleição do nobre parlamentar é que os dossiês, se houver algo contra ele, começarão a aparecer. Até agora, porém, ninguém se animou a atirar no sobrinho de Tancredo Neves. A seguir, a nota de Bob Jefferson.

Luz no fim do túnel

Como era de esperar, já começa a surgir uma via alternativa – fora do eixo PT-PMDB-PSDB – para ocupar a cadeira do presidente do Senado, José Sarney, que pode deixar o cargo devido a pressões familiares, principalmente vindas da parte do seu filho, Fernando, o nome mais visado pela mídia por ser o comandante das empresas do grupo. O nome que já circula é o do ex-ministro e senador pelo Rio Francisco Dornelles (Fazenda, Indústria, Comércio e Turismo, Trabalho e Emprego). Dornelles é um homem experiente e equilibrado que não faz concessões aos erros, um político no limite do bom senso. Se for este o caminho, será uma boa saída.

Postado por Roberto Jefferson às 11:13
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A cabeça doentia da ultradireita

É quase desnecessário comentar o post abaixo, reproduzido do blog de Reinaldo Azevedo, jornalista da revista Veja. São tantos os preconceitos somados que nem o missivista se dá conta, ele simplesmente não percebe as barbaridades que escreve. Consegue ofender pretos, mulheres, gays e lésbicas a um só tempo. É incrível, mas é o retrato da intolerância de uma ultradireita cujas idéias, felizmente, há muito não encontram ressonância na sociedade brasileira. Azevedo, da mesma maneira que seus amiguinhos Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho, fala para uma parcela diminuta da população, mas que obviamente é bastante expressiva na internet, um veículo ainda absolutamente elitizado. Antigamente era a TFP, hoje são os colunistas de Veja, mais o indefectível Carvalho. Bem, Plínio Correa de Oliveira pelo menos era mais elegante ao escrever... Abaixo, para quem tiver estômago, o comentário de Reinaldão.

POR QUE O BRASIL NÃO VOTA LOGO NUM “COMBO”
quinta-feira, 30 de julho de 2009 | 18:15

“Hoje em dia o Brasil pode ter tudo, já teve um presidente metalúrgico, pode ter um presidente negro, pode ter uma presidenta. A sociedade brasileira é madura o suficiente para saber que a sua multiplicidade pode ser representada de todas as formas.”
A fala acima é da ministra Dilma Rousseff, depois de um café da manhã com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. O mais engraçado é que os sites que noticiam o evento acrescentam que “a ministra evitou comentar a sua candidatura à Presidência”.
Evitou?
Estamos em 2009, mas isso é 1984 puro. Ela, então, não falou de sua candidatura?
Ai, ai…
Eu nunca fui politicamente correto, nem quando era de esquerda — sim, aconteceu, já tive gripe suína. Esse papo de dividir pessoas em categorias sempre me enjoou. Na minha pré-história, achava que o procedimento só mascarava a luta de classes (ai, que vergonha!). Hoje em dia, acho que só mascara mau-caratismo.
Esse papo de que “chegou a vez das mulheres”, dos “negros” ou de sei lá quem faz supor que exista uma categoria naturalmente opressora, naturalmente íntima do poder, que deve ser desbancada. E que categoria seria essa? Bem, segundo entendo, é a do macho, branco e heterossexual, certo?
Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo.
Estou sendo cínico? Irônico? Sarcástico? É mesmo? Querem que eu leve a sério a política como reparação? Que dê corda a profissionais de causas, que decidem ocupar o lugar retórico das minorias? Não posso. Nunca consegui levar a sério essa abordagem.
Dilma, por exemplo, costuma tratar alguns homens de um modo que eles normalmente não aceitam ser tratados por outros homens. Mas aceitam a brutalidade da ministra. Nesse caso, o “ser mulher” vira só uma licença para a incivilidade. Avanço ou retrocesso? Julguem vocês mesmos.

Será que o Serra concorda com Virgílio?

Matéria da Agência Estdao informa que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) não está nem aí para as articulações de seus correligionários em torno de uma aliança com o PMDB. Quer mesmo se vingar de Renan Calheiros, Sarney e companhia bela, todos caciques de um partido que o governador José Serra tenta, a muito custo, se aproximar. É bem verdade que o presidente Lula também mudou o discurso e está se afastando da defesa de Sarney, mas é preciso perceber que o governo tem a caneta na mão, portanto muito mais bala para negociar com o PMDB. Já Arthurzinho não tem coisa alguma e pode jogar por água abaixo todo o esforço dos aliados de Serra para compor com o PMDB em 2010. Política se faz com a cabeça, mas parece que o senador amazonense prefere usar o fígado. Com inimigos assim, Lula nem precisa de amigos...

PSDB não vai recuar por aliança com PMDB, diz líder tucano

Tanto PT como PSDB querem aliança com PMDB para 2010, mas Virgílio nega recuo em pedir saída de Sarney

CAROL PIRES - Agencia Estado

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse nesta sexta-feira, 31, que o partido não irá recuar na pressão pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado por receio de prejudicar uma possível aliança com o PMDB nas eleições de 2010. "Não há esse risco (do partido desistir das acusações contra Sarney). Se houvesse, sairia do PSDB", afirmou. O PMDB é o partido com o maior número de votos e prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2008, e, por isso, tanto o PT e quanto o PSDB tentam formar uma aliança nacional com os peemedebistas de olho na sucessão presidencial.
Virgílio reafirmou que o partido está disposto a apresentar ao Conselho de Ética uma representação contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), por quebra de decoro parlamentar. Virgílio avalia que Renan feriu o decoro ao ameaçar que o denunciaria ao colegiado caso o PSDB insistisse em pressionar pela saída de Sarney do comando do Senado.
Como o PSDB apresentou três representações ao Conselho de Ética contra Sarney por quebra de decoro parlamentar, mesmo depois dos apelos de Renan para que a legenda não "radicalizasse" a situação, o PMDB anunciou uma guerra contra os tucanos e informou que também registrará representação contra Arthur Virgílio por quebra de decoro parlamentar na próxima semana.
"Imaginar que bandidos como estes vão me mandar flores e bombons só pode ser duas opções: uma, que eles ficaram loucos, ou duas, que tem veneno no bombom. Não posso esperar flores dessa gente", ironizou Virgílio, ao comentar as denúncias que o PMDB apresentará contra ele. "Estou pronto. Homens públicos que não sabem enfrentar as vicissitudes não são homens públicos", disse o líder tucano.
Denúncias
As ações ao Conselho de Ética que o PMDB prepara contra Virgílio serão embasadas em reportagem da revista "Isto É", que revelou que o tucano teria pego, em 2003, US$ 10 mil emprestados do ex-diretor do Senado Agaciel Maia quando teve problemas com seu cartão de crédito em uma viagem particular a Paris. Segundo a revista, o senador tucano teria ainda extrapolado o limite permitido pela Casa para usar em tratamentos de saúde, quando a mãe dele ficou adoentada.
Também pesa contra o senador a revelação de que um funcionário de seu gabinete passou 18 meses no exterior sendo mantido à custa do Senado. Virgílio devolverá R$ 210.696,58 aos cofres públicos, valor referente à soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa. Ontem, Virgílio disse que errou ao deixar que o funcionário viajasse sem se certificar se o salário havia sido cortado. "Não foi uma coisa correta, eu já estou devolvendo o dinheiro. Eu pedi para devolver. Mas Renan e Sarney não têm condições morais de cassar o meu mandato. É de morrer de rir. Isto é humor negro."

Boa notícia

Claro que os colunistas conservadores e a oposição em geral vão torcer o nariz, chamar a coisa de populismo, assistencialismo e tudo mais. Porém, a medida relatada abaixo, em versão da Folha Online (que já ataca o governo, por sinal), é excelente. O governo está fazendo o que reza o manual keynesiano para enfrentar uma crise como a atual: aumentar o gasto público, seja via transferências de recursos para as famílias consumirem (Obama faz isto via isenção/devolução de imposto), seja por meio de obras públicas. Keynes dizia que em certos casos, o melhor que o governo faz é abrir buracos, encher de areia e cavar de novo. Em outras palavras, a obra pode até ser inútil, mas é preciso gastar para fazer a economia andar. É o que está sendo feito, lá e cá, e no caso do Bolsa Família, o reajuste também ajuda a dinamizar o mercado interno das regiões mais pobres. É tudo de bom, portanto.

Governo reajusta em 9,68% valor do benefício do Bolsa Família

da Folha Online

O governo federal reajustou em 9,68% o valor do benefício do programa Bolsa Família. O decreto presidencial foi publicado nesta sexta-feira no "Diário Oficial" da União.
O valor básico do benefício passa, a partir do dia 1º de setembro, de R$ 62 para R$ 68, e o benefício variável, pago de acordo com o número de crianças, passa de R$ 20 para R$ 22.
O benefício vinculado aos adolescentes, que era de R$ 30, passa para R$ 33, até o limite de R$ 66 por família.
Principal programa social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família atende mais de 11 milhões de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, caracterizadas pela renda familiar mensal per capita entre R$ 140 e R$ 70, respectivamente.
Há duas semanas, em evento com prefeitos, Lula indicou que estudará a possibilidade de tornar programas como este em conquistas definitivas. Isto é, que não houvesse mais a necessidade de negociar o valor dos benefícios.
Ato falho
Na terça-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, antecipou que os benefícios do programa Bolsa Família teriam um reajuste de 10%, mas em seguida voltou atrás em sua afirmação.
Augustin foi questionado por jornalistas durante apresentação do resultado fiscal do governo central. Ele falou que o reajuste seria de 10%, mas na sequência disse que não sabia o valor.
Patrimônio eleitoral
Segundo estudo do pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o programa Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de três pontos percentuais na votação do presidente Lula segundo turno das eleições presidenciais de 2006.
Na ocasião, Lula obteve 60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos.
O levantamento indica ainda que o impacto do programa nas eleições foi maior que o gerado pelo desempenho da economia.
Segundo a pesquisa, em 2002, Lula foi particularmente bem sucedido em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas do país. Já em 2006, ocorreu uma migração da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas --mais dependentes do Estado e mais beneficiadas pelo programa.
Segundo o estudo, o aumento de um ponto percentual no número de beneficiários do programa elevou em 0,55 ponto percentual a votação de Lula em 2006, enquanto que a mesma variação na taxa de crescimento econômico incrementou a votação em apenas 0,21 ponto percentual.
O efeito eleitoral do Bolsa Família nos Estados das regiões Norte e Nordeste foi superior ao dos demais Estados do país. Em Alagoas, por exemplo, o programa aumentou em 8,17 pontos percentuais a votação de Lula, enquanto que no Rio de Janeiro e São Paulo o incremento foi de 1,12 e 1,89 pontos percentuais, respectivamente.
Pelos números pesquisados, Alagoas foi o Estado onde o efeito do Bolsa Família mais contribuiu para a votação de Lula, seguido de Roraima (6,85%) e Acre (6,53%).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eleições no PT: Dutra é favorito?

Seis candidatos já estão na disputa pela presidência do PT, em eleição que acontece no dia 22 de novembro. São eles Geraldo Magela, Iriny Lopes, José Eduardo Cardozo, José Eduardo Dutra, Markus Sokol e Serge Goulart. As inscrições terminam dia 4 de agosto, mas é provável que os candidatos sejam mesmo esses seis. Sokol é candidato sempre, representa uma corrente de extrema esquerda chamada O Trabalho. Serge, por incrível que pareça, é de uma dissidência d'O Trabalho (como pode haver uma dissidência em um grupo tão pequeno é algo para cientistas políticos discutirem). Magela e Iriny não têm a menor chance, a eleição ficará mesmo entre Dutra e Cardozo. Já há especulações nos bastidores petistas de que a Cardozo poderá ser oferecido o ministério da Justiça em troca da desistência da presidência do partido. Neste caso, a eleição de Dutra estaria garantida. Se isto acontecer, o Brasil sai ganhando, porque o deputado federal paulista José Eduardo Cardozo seria um excelente ministro.

Esclarecimento sobre a mamãe de Virgílio

O sempre atento e fiel leitor deste blog Alexandre Porto esclarece, sobre o post anterior:

"Ocorre que neste caso ela recebeu o benefício imoral como viúva de um senador, e não como mãe. E ele [Virgílio] ainda pode dizer que não sabia".


Em outras palavras, o contribuinte brasileiro não tem escapatória, vai pagar (aliás, já pagou) o tratamento da viúva e progenitora do nobre parlamentar tucano. Este blog agradece pela presteza do leitor.

Alô, Virgílio, e os R$ 700 mil da mamãe?

A matéria reproduzida abaixo, em versão da Agência Estado, está dando o que falar. Este blog, no entanto, ficou com uma dúvida singela. Além do episódio do assessor, Arthur Virgílio (PSDB-AM) se envolveu em outro caso rumoroso - o Senado pagou o tratamento de saúde da mamãe do nobre parlamentar. Pelo que saiu na imprensa, a conta bateu os R$ 700 mil. Daí a dúvida: afinal, ele vai devolver tudo que passou para o contribuinte bancar ou serão apenas os R$ 210 mil em suaves parcelas de R$ 50 mil?

Virgílio terá de devolver mais de R$ 210 mil ao Senado

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Integrante do Conselho de Ética do Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), terá de devolver R$ 210.696,58 aos cofres públicos. Na segunda-feira, ele depositou a primeira parcela, no valor de R$ 60.696,58. O dinheiro se refere ao que o Senado pagou em salários para um assessor do líder tucano durante um ano e meio de estudo de teatro na Espanha. O senador disse que vai se desfazer de imóveis e realizar empréstimos para quitar a dívida.
Arthur Virgílio foi obrigado a devolver o dinheiro depois da revelação de que Carlos Alberto Andrade Nina Neto passara 18 meses no exterior, longe do gabinete do tucano, sendo mantido na Europa à custa do Senado. A diretora de Recursos Humanos, Doris Peixoto, informou ao líder do PSDB que os R$ 210 mil são a soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa para custear as despesas com o assessor na folha de pagamento.
O líder tucano encaminhou ontem à reportagem o comprovante do depósito de R$ 60,6 mil feito na segunda-feira em nome da União - que deve repassar ao Senado os valores pertencentes à Casa. Essa primeira parte, segundo Virgílio, é resultado da venda de um terreno de sua mulher. O restante, informou o parlamentar, será pago em três parcelas de R$ 50 mil pelos próximos três meses.
?Quero ver se todos farão o mesmo?, disse. O assessor estudou fora - bancado pelo Senado - entre abril e julho de 2005 e, depois, de outubro do mesmo ano a dezembro de 2006. Nina Neto não é mais funcionário do Senado. Ele foi demitido em outubro do ano passado em meio ao cumprimento da decisão judicial contra o nepotismo - ele é filho do subchefe de gabinete de Arthur Virgílio, Carlos Homero Nina, servidor de carreira do Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Como esconder uma notícia

O que vai abaixo é um box publicado na edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo. A matéria principal leva o título "Banco público cobra R$ 12 mi de empresa da família Sarney" e informa que o BNB botou no pau a emissora de televisão do presidente do Senado. Ok, é notícia (meio velha, mas é). O interessante, porém, é que os empréstimos foram realizados não durante a gestão do presidente Lula, mas muito antes, ainda sob Fernando Henrique Cardoso. O box de pé de página, bem escondidinho, informa este fato e cumpre a função de.. esconder a notícia! Por que não uma manchete do tipo: "Tucano ligado a Tasso emprestou R$ 12 milhões a Sarney e não cobrou"? Seria um despropósito? A julgar pelas manchetes que a Folha anda dando nos últimos tempos, até que não seria tão absurdo assim...

Banco era comandado pelo PSDB

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO LUÍS
DA REPORTAGEM LOCAL

Entre 1997 e 2001, quando ocorreram as liberações de recursos do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para a TV Mirante, do grupo Sarney no Maranhão, o banco era presidido por Byron Queiroz, ligado ao PSDB e indicado ao cargo pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
O presidente do BNB é nomeado pelo ministro da Fazenda. Queiroz presidiu o BNB no governo de Fernando Henrique (PSDB-SP). Antes, foi secretário de Planejamento do Ceará no governo de Tasso.
O tucano formava com Sarney (PMDB-AP) e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) o trio de senadores influentes e aliados de FHC no Nordeste.
Sarney, cuja família é próxima da de Tasso, era aliado do PSDB até 2002, quando acusou o partido de armar manobra para obrigar Roseana a desistir de disputar a Presidência.

Mais detalhes sobre o novo jornal econômico

O jornal gaúcho Zero Hora deu hoje uma nota sobre o projeto do novo jornal de economia brasileiro que o grupo português Ongoing Strategy está preparando. Outra matéria com detalhes sobre a operação saiu no site Portugal Digital. As duas vão reproduzidas abaixo e mantêm o suspense: quem seria o sócio brasileiro da Ongoing no novo jornal? Afinal, a legislação não permite que estrangeiros detenham mais de 30% do capital de empresas jornalísticas...

Do Zero Hora:
RSVIP | MARIANA BERTOLUCCI
GIGANTE PORTUGUÊS
Acoluna soube com exclusividade que um grupo português deve lançar até o final desse ano uma nova plataforma multimídia de finanças, economia e negócios para ocupar o espaço da Gazeta Mercantil, que já vinha disputando mercado com o Valor Econômico. A Ongoing Strategy Investments, holding da Ongoing Strategy Company, presidida por Nuno Vasconcelos, pertence a uma família que desde o começo do século comanda uma enorme gama de negócios em Portugal. Hoje, é a maior controladora individual da Portugal Telecom, dona da Vivo no Brasil. Também são sócios do Banco Espirito Santo.
***
Em julho de 2008, os gigantes portugueses compraram o Económico, que publica, em Portugal, dois jornais de economia e negócios: Diário Económico e Semanário Económico. Também em 2008, a empresa adquiriu 6% do maior grupo de comunicação de Portugal, o Impresa, do empresário Francisco Pinto Balsemão, que criou, em 1972, o que é hoje o maior jornal de Portugal, o Expresso, com três canais de TV a cabo, uma TV aberta e mais de 30 revistas. O Económico é hoje a maior plataforma de businesss de Portugal, desde a compra do grupo italiano RCS Media Group, que comanda alguns dos maiores jornais da Europa e da América. A novidade deve ser lançada aqui Brasil em novembro e Vasconcelos está tratando diretamente do assunto.


Do site Portugal Digital:

Grupo português de mídia lança novo jornal no Brasil

Proprietários do "Diário Económico" preparam lançamento de novo projeto em setembro que poderá preencher o espaço que era da "Gazeta Mercantil".

Da Redação

Brasília - O "Diário Económico", de Lisboa, prepara-se para dar um salto para o mercado brasileiro, com o lançamento de um jornal de economia, que poderá chegar ao público já em setembro. A nova publicação, cujo nome é ainda desconhecido, deverá ser liderada por Ricardo Galuppo, jornalista que já passou pela Veja, Exame, Forbes, entre outras.
Este é o nome avançado para o novo projeto editorial do "Diário Económico" no Brasil, segundo informações do 'site' "Jornalistas & Cia". Mais definições, como o desenho do novo jornal e a montagem de equipe, devem ter novos desenvolvimentos a partir da próxima semana.
Segundo a revista "Isto É Dinheiro", o arranque do novo jornal está previsto para setembro. Porém, não há ainda detalhes sobre a rede de distribuição, tiragem ou outras características.
O "Diário Económico" é hoje o principal jornal diário de economia em Portugal. Com distribuição de segunda-feira a sábado, é propriedade da Ongoing Strategy Investment, uma empresa de capital privado controlada desde 2004 pelo empresário Nuno Vasconcellos.
Além do "Diário Económico", a portuguesa Ongoing detém investimentos noutras áreas de influência, como participações no Banco Espírito Santo, no grupo de mídia português Impresa e na Zon Multimedia (telecomunicações), entre outras.

O surgimento de um novo jornal de economia no Brasil poderá vir preencher o espaço deixado livre com o desaparecimento da "Gazeta Mercantil", que chegou a ser um dos mais prestigiados jornais brasileiros, com foco em assuntos econômicos. Os problemas financeiros acumulados ao longo dos últimos anos levaram ao encerramento do jornal, que tinha como principal concorrente o "Valor Econômico".

Agora esse lugar poderá ser preenchido por um novo título com acionistas lusos. O Brasil já foi alvo de investidas de outros grupos portugueses de mídia. É o caso da Cofina, detentora de títulos como o "Correio da Manhã", "Record" e "Jornal de Negócios" (concorrente do "Diário Económico"), que lançou no mercado de São Paulo o jornal grátis "Destak", distribuído inicialmente em Portugal, nos grandes centros urbanos.

Médico avaliza suspensão de aulas pela gripe

Ainda sobre a gripe suína, vale a pena ler a entrevista abaixo, surrupiada do sempre excelente Terra Magazine, site comandado por Bob Fernandes. Este blog segue achando que a cobertura da imprensa sobre a tal pandemia é a principal causa da verdadeira histeria que tomou conta da população, mas reconhece que a medida da suspensão das aulas nos estados do Sul e Sudeste parece bastante razoável, dentro do atual quadro – da doença e da histeria. Do ponto de vista pedagógico, duas semanas não são lá grande coisa – os maldosos dizem que em muitos casos ganham os estudantes ficando em casa sem ouvir as bobagens de certos mestres! Ademais, falando sério, é possível repor as aulas no final do ano. A seguir, a entrevista com o doutor Hélio Arthur Bacha, na íntegra para os leitores do Entrelinhas.

Número de infectados não importa mais, diz médico

Marcela Rocha

Na tentativa de conter a gripe suína, os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal decidiram adiar a volta às aulas em duas semanas nas escolas e creches públicas. Às particulares, foi recomendado o mesmo. Na opinião do Dr. Hélio Arthur Bacha, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, a medida é uma "decisão acertada" e que, na verdade, serve para as autoridades "ganharem tempo" para avaliar o comportamento da "pandemia".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) parou de contabilizar números de infectados. E, para Bacha, isto acontece "porque este é muito grande e não importa mais". "Agora, aqui no Brasil, começamos a fazer controle pelo número de mortes", diz. Nesta quarta-feira, 29, o total de mortes pelo influenza A (H1N1) no País chega a 58.
O médico, que também trabalha no hospital Emílio Ribas, referência nacional em infectologia, admite que a maior preocupação é com o fato desta gripe matar pessoas jovens e saudáveis.
- A influenza tipo B, por exemplo, é fora de estação, já a A é típica do inverno, pois tem frio, as pessoas se abrigam, evitam lugares ventilados. Especialmente crianças se infectam porque ficam em grandes quantidades e nem sempre estão informadas sobre como se cuidar.
Bacha explica que estudos mostram que crianças, mesmo não estando com a gripe, são grandes transmissores. "Inclusive se discute muito o fato de se vacinar a criança é proteger os idosos da contaminação".
A decisão pelo adiamento do início das aulas é consequência da orientação feita pelas Secretarias Estaduais de Saúde. As aulas devem ser retomadas apenas em 17 de agosto, quando se espera que as temperaturas estejam mais amenas.
No caso de São Paulo, 130 mil crianças, que frequentam as creches públicas, não terão para onde ir com a medida adotada pela Secretaria. Para Bacha, isto será computado como "mais um dentre os prejuízos econômicos do vírus", pois algumas dessas mães terão que se licenciar do trabalho para ficar com seus filhos. "Isto é um prejuízo grande, pois o número de crianças em creches é alto".
Leia abaixo a entrevista na íntegra:
Terra Magazine - Por que postergar o início das aulas por apenas duas semanas? Tem alguma coisa a ver com o ciclo da gripe, vai diminuir significativamente a possibilidade de contágio? Por que não três semanas, um mês?
Hélio Arthur Bacha - A epidemia desta gripe A se dá no inverno. Alguns casos podem aparecer fora da estação de inverno pois hoje as viagens internacionais são mais frequentes. A influenza tipo B, por exemplo, é fora de estação, já a A é típica do inverno, pois tem frio, as pessoas se abrigam, evitam lugares ventilados. Especialmente as crianças se infectam porque ficam em grandes quantidades e nem sempre estão informadas sobre como se cuidar. No meu ponto de vista foi uma decisão acertada. Não sei se suportaria ser por mais tempo, mas foi uma decisão correta.
O aumento de temperatura não é tão significativo assim. Duas semanas são suficientes?
Acredito que o que nossas autoridades fizeram foi adiar por duas semanas para avaliar o comportamento da gripe. Se tiver melhor, retornam as aulas na data prevista. Se estiver pior, talvez até mantenham suspenso o início das aulas. Tem sua lógica e é melhor do que fazer uma suspensão longa já de início.
O senhor falou das crianças. É ainda mais difícil controlar a contaminação entre crianças?
Estudos mostram que crianças, mesmo não ficando com a gripe, são grandes transmissores. Mesmo não manifesta a gripe pode ser transmitida pela criança. Inclusive se discute muito o fato de se vacinar a criança é proteger os idosos da contaminação.
Com relação às creches, é preciso colocar em uma balança: crianças em casa e as mães que trabalham não terem o que fazer com seus filhos e do outro lado não suspender significa que 130 mil crianças estarão sujeitas ao risco da gripe A. É simples essa equação?
Isto depende do perfil das mães que utilizam as creches. Aqui em São Paulo, são mães trabalhadoras, então, algumas dessas mães terão que se licenciar do trabalho para ficar com seus filhos. Provavelmente será computado em dos prejuízos econômicos que a gripe causa. Isto é um prejuízo grande, pois o número de crianças em creches é alto.
O senhor mencionou que o importante do adiamento das aulas será "reavaliar" o estágio da gripe A. Contudo, não sabemos mais o quanto esta gripe é nociva porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) parou de contabilizar números. Como será feita está avaliação?
Parou de contabilizar porque o número é muito grande. Já não importa mais. Agora, aqui no Brasil, começamos a fazer controle pelo número de mortes. O número de pessoas com a gripe A é muito grande. A estratégia tem que ser jogar esforços em termos de atendimento para os casos graves e tratar pessoas que tenham a gripe manifesta. O tratamento de casos mais simples deveria ser feito em unidades básicas de saúde e para isto é preciso recursos. Nos hospitais e pronto-socorros deveriam ser reservados para receber os casos mais graves.
Existem estimativas, inclusive uma citada no site do Ministério da Saúde, de que a letalidade do vírus H1N1 é de cerca de 0,5%. Esse dado é correto? Se for, é um índice semelhante ao que se registra nos casos graves da gripe comum mesmo com vacinas desenvolvidas. Certo? Então, por que a paranóia com este novo vírus?
Eu desconfio deste número, em primeiro lugar porque falam ser a mesma porcentagem. Veja: Um homem de 70 anos com doença crônica pulmonar pega uma gripe comum e morre. Isto é relativamente esperado. Outra situação é um jovem de 25 anos, saudável que se infecta com a gripe Porcina. Ele vai parar num tubo de respiração por três semanas e morre. Isto definitivamente não é o esperado. Esses dois números são iguais? Não. Em primeiro lugar, tenho lá minhas dúvidas sobre esta porcentagem. E mesmo que fossem iguais, são coisas completamente diferentes dada a diferença do perfil das vítimas da gripe suína. Tenho a impressão que as pessoas têm embarcado nessa estatística. Se não fosse epidemologicamente diferentes as autoridades não estariam tão mobilizadas em conter uma e nem tanto a outra. Não se pode justificar as mortes com a gripe suína pelas mortes causadas pela gripe comum. As mortes são diferentes, os perfis dos mortos são diferentes. A gripe suína tem matado jovens saudáveis. Então os números mostram muitas coisas, só não mostram o essencial.
Na avaliação do senhor o sistema de saúde está apto a atender esses jovens?
Já é uma pandemia e corre-se o risco de ter uma mortalidade muito grande. Os estados que têm tido maior complicação com a gripe são os mais ricos e com melhores estruturas médicas. Acho que temos preparo, porém se o volume for muito grande não temos. Para não complicar temos que tratar os casos banais que se transformam em casos graves.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Jornais ainda fazem a cabeça das pessoas?

Um bom texto para reflexão, do Observatório da Imprensa, na íntegra para os leitores do Entrelinhas.

MÍDIA IMPRESSA
Qual a relevância dos jornalões?

Por Venício A. de Lima em 28/7/2009

A atual conjuntura política, marcada pela crise no Senado Federal e pelas suspeitas em relação à administração da Petrobras, recoloca em pauta uma velha questão sobre o alcance e a influência dos jornalões da grande mídia: a Folha de S.Paulo, o Estado de S.Paulo e O Globo: merecem eles a importância que a elite política e os "intelectuais" lhes atribuem na formação da opinião pública brasileira, vis à vis, por exemplo, a televisão e/ou a internet?
Há alguns anos, muito antes da expansão da internet, venho insistindo que não (ver, por exemplo, "Jornal ou TV: qual mídia é mais importante na formação da opinião pública brasileira?" in Comunicação, Mídia e Consumo, vol. 2, nº 3, março de 2005). Não merecer a importância que se atribui a eles não significa que devam ser ignorados. Absolutamente. Significa, ao contrário, não se atribuir a eles uma relevância nacional que, se algum dia tiveram, não têm mais.
A apresentação deste argumento, todavia, mesmo diante de várias evidências, inclusive sobre a penetração da internet e a relativa democratização do seu acesso, é frequentemente rechaçada por diferentes interlocutores que acreditam ser ainda os jornalões e seus colunistas os principais responsáveis pela definição da agenda pública nacional.
O tema é complexo e, claro, não se pretende esgotá-lo e, muito menos, resolvê-lo. Apenas aceitar o desafio de continuar o debate.

Dois aspectos do argumento

Não vou retomar aqui todos os aspectos do argumento. Os dados relativos à queda de circulação dos jornalões são por demais conhecidos. Da mesma forma, já se discutiu muito sobre o "aproveitamento", por emissoras de rádio e televisão, via agências de notícias, das matérias produzidas pelos jornalões. Creio que não há dúvida também sobre as importantes questões que surgiram recentemente quanto à credibilidade dos jornalões. Não pretendo, portanto, retomar esses pontos. Quero apenas lembrar dois aspectos.
Primeiro, o caráter regional dos jornalões. O Globo é, sobretudo, um jornal carioca, da mesma forma que a Folha e o Estadão são jornais paulistas. Eles não são jornais que circulam e/ou são lidos nacionalmente.
O segundo aspecto é, na verdade, um desdobramento do primeiro e merece ser explorado um pouco mais. Para quem exatamente os jornalões estão falando?
Uma das linhas de pesquisa sobre "a produção das notícias" (newsmaking) que se consolidou dentro do campo de estudo da Comunicação, nos últimos anos, busca relacionar a imagem da realidade social construída na e pela mídia aos valores partilhados e interiorizados pelos jornalistas acerca de como devem exercer sua profissão.
Há evidencias de que, na seleção das matérias a serem noticiadas, predominam as referências implícitas ao grupo de colegas e às fontes em relação às referências implícitas ao próprio público, isto é, às audiências e/ou aos leitores. Isto significa que, enquanto o público em geral é pouco conhecido pelos jornalistas, o contexto profissional-organizativo-burocrático imediato exerce uma influência decisiva na seleção do que vai ser noticiado. Vale dizer, a origem principal das expectativas, orientações e valores profissionais dos jornalistas não é o "público" para o qual eles e elas deveriam escrever, mas o "grupo de referência" constituído, sobretudo, por colegas e fontes.
Na verdade, as fontes com as quais os jornalistas "conversam" regularmente constituem um público fundamental para suas próprias notícias. Jornalistas recebem muito mais "reações" sobre suas matérias, coberturas, reportagens e análises de suas próprias fontes do que de qualquer outro grupo social. Eles estão permanentemente em contato com suas fontes e delas recebem cumprimentos, correções, reclamações, afrontas, negativas de acesso, cassação de credenciais etc.
Verifica-se, portanto, que, como afirmou Bernardo Kucinski, "a elite dominante é, ao mesmo tempo, a fonte, a protagonista e a leitora das notícias; uma circularidade que exclui a massa da população da dimensão escrita do espaço público". Ora, essa constatação é verdadeira para todo o território nacional. Desta forma, além de não ser nacional, os jornalões são excludentes porque lidos, sobretudo, apenas pela elite brasileira – seja ela nacional, regional ou local.

E as conseqüências?

A prática profissional do jornalismo, não só nos jornalões, cria uma relação circular entre jornalista-fonte-jornalista que se auto-alimenta permanentemente. E essa relação circular jornalista-fonte-jornalista tende a se tornar assimétrica, enfraquecendo a fonte e fortalecendo os jornalistas. Enfraquece a fonte na medida em que, para tornar públicas as informações de seu interesse, ela fica "cativa" de um pequeno grupo de jornalistas. Por outro lado, fortalece os jornalistas (a) por eles terem o privilégio do acesso contínuo a fontes "autorizadas" e "acreditadas"; (b) por terem a opção de selecionar, omitir, enfatizar e distorcer informações; e, ainda, (c) por "operarem" protegidos e no interesse dos grupos de mídia no qual trabalham.
Parece correto afirmar, portanto, que os jornalões e seus jornalistas funcionam dentro de uma circularidade restrita a camadas específicas da elite política e "intelectual" brasileira. Nada mais do que isso.
Registre-se que a supervalorização indevida do poder dos jornalões, muitas vezes, provoca uma avaliação equivocada de qual realmente é a "opinião pública" majoritária no país e, consequentemente, pode conduzir a equívocos importantes, inclusive na formulação de políticas públicas por parte de setores do poder público.
Resta saber qual o poder concreto que esta elite política e "intelectual" exerce na vida política nacional. Nos processos eleitorais, se a eleição presidencial de 2006 servir como exemplo, as diversas "esferas públicas" que coexistem e funcionam na sociedade brasileira, fora do alcance dos jornalões, revelaram uma relativa autonomia.
Será que funciona também assim nos outros inúmeros aspectos da vida cotidiana? Essa é a questão.

Quanta maldade...

A propósito da nota anterior, sobre a desistência de Heloísa Helena da candidatura a presidência, informada por um militante do PSOL amigo do blog, o gentil leitor Valdir escreveu o seguinte comentário: "Militante do PSOL tem amigo?"
É, faz um certo sentido...

Heloísa não será candidata à presidência

O pessoal que elabora os cenários para as pesquisas eleitorais de 2010 pode anotar na caderneta: não vale nada botar o nome da vereadora Heloísa Helena na cédula a ser apresentada aos eleitores. Um militante do PSOL amigo deste blog garante que a alagoana já se decidiu pela candidatura ao Senado em 2010. Este mesmo militante informou que há uma articulação por uma candidatura com perfil "mais à esquerda" do que o de Helena. Sim, o PSOL, da mesmíssima maneira que o PT, também tem as suas correntes ou alas e sem o nome natural de Heloísa Helena, haverá uma disputa, possivelmente acirrada, pela vaga de candidato à presidência. Pode ser, porém, que a cabeça da chapa fique com o PSTU, que já concorreu no passado com o simpático José Maria de Almeida.

De qualquer forma, este blog duvida que os pesquisadores retirem Heloísa Helena das cédulas enquanto ela não disser publicamente que não é candidata. É que Helena tira votos de... Dilma Rousseff!

Cuspindo no prato que comeu

A foto ao lado foi gentilmente surrupiada do blog Amigos do Presidente Lula. Todo mundo vai reconhecer o senador potiguar José Agripino Maia (DEM), paladino da ética neste Brasil abençoado onde todo mundo mete a mão. O outro com o sorriso colgate no rosto é o menos conhecido deputado João Maia (PR-RN), que vem a ser irmão do grande Agaciel Maia. A foto foi tirada em um momento muito especial da vida de Agaciel - o casamento de sua filhota. Zé Agripino, homem elegante que é, prestigiou. Essa gente se merece...

Lula sabe das coisas

Nunca antes neste país um presidente entendeu tanto de futebol quanto Luiz Inácio Lula da Silva. É fato. A matéria abaixo, da Folha Online, é a prova cabal desta afirmação. Sim, tremei, corinthianos, Lula torce pelo alvinegro, mas é um homem realista e já percebeu o que vem pela frente: série B no ano do centenário. No fundo, é uma boa forma do Corinthians garantir a vitória em um campeonato no ano da celebração dos 100 anos. Este blog acha que a análise de Lula está para lá de correta.

Lula critica desmanche corintiano e já teme novo rebaixamento à Série B

CHRISTIAN BAINES
Colaboração para Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a saída de atletas do Corinthians, seu time de coração. Do time titular que conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, o lateral André Santos e o volante Cristian foram negociados com o Fenerbahçe, do futebol turco, enquanto o meia Douglas se transferiu para o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos. Também deixaram o clube Otacílio Neto (Barueri), Wellington Saci (Atlético-MG) e Lulinha (Estoril-POR).
Segundo o presidente, a equipe corre o risco de ser rebaixada para a Série B novamente se continuar vendendo seus jogadores dessa maneira. O Corinthians disputou a segunda divisão nacional em 2008."Estou chateado porque o Corinthians vendeu jogadores. Desse jeito vamos cair outra vez", disse o presidente ao chegar para reunião com o presidente da Nigéria, Umaru Musa Yar'Adua.

Novo jornal será dirigido por Galuppo

A nota abaixo está na edição desta quarta-feira do Jornalistas & Cia., publicação do competente Eduardo Ribeiro que circula nas redações. O mistério continua: quem é o sócio brasileiro do Diário Econômico?

Grupo português Diário Econômico lançará novo diário de Economia e Negócios no Brasil

Jornal será dirigido por Ricardo Galuppo e a previsão é de que chegue ao mercado em setembro

Podem cair por terra as iniciativas em curso no mercado para ressuscitar a Gazeta Mercantil ou criar um projeto que a suceda. No vácuo de seu desaparecimento e com o aparente desinteresse de grupos brasileiros em ocupar o espaço que deixou, virão de fora, mais exatamente de Portugal e do grupo Diário Econômico, os investimentos para o lançamento de um novo diário de Economia e Negócios no País. E é para logo. O novo jornal, segundo revelou pequena nota publicada pela edição desta semana da revista IstoÉ Dinheiro, deverá ser lançado em setembro.

Para o comando editorial, conforme apurou este J&Cia, o grupo convidou Ricardo Galuppo, que atuou em publicações como Veja, Exame, Forbes e PIB, entre outras, e que integrou por uma temporada a sociedade na Totum, ao lado de Clayton Netz e Nely Caixeta.Definições, desenho, montagem de equipe são coisas que devem ter desdobramentos a partir da próxima semana quando do regresso de Galuppo de Belo Horizonte, para onde viajou em razão de assuntos familiares.

Uma notícia, duas manchetes

No portal UOL, do Grupo Folha:
Atividade industrial em SP cai 12,8% em um ano, diz Fiesp

No Estadão.com, do Grupo Estado:
Fiesp: nível de atividade da indústria sobe 2% em junho

O leitor decide o que é mais relevante e merecia ser a manchete: o dado de junho, que mostra, finalmente, alguma recuperação da indústria após o megatombo do final do ano passado; ou o dado acumulado do ano, que "carrega" a estatística dos meses mais feios da crise... Nas redações, a pergunta é sempre a mesma: "o que há de novo?". Na Folha, porém, a coisa é um pouco diferente: "o que há de bom para ferrar o governo?" (a pergunta vai na versão passível de publicação neste blog). Podem apostar: quando os dados anualizados começarem a ser favoráveis ao governo, lá por outubro deste ano (porque comparados a uma base muito fraca, em função da crise), a Folha vai começar a destacar as comparações mensais, como fez o Estadão hoje...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ainda sobre o novo jornal de economia

A matéria abaixo, da Agência Lusa, praticamente confirma a história do novo jornal de economia do post anterior. O grupo Ongoing possui a totalidade do capital da Económica SGPS, empresa proprietária dos jornais Diário Económico e Semanário Económico. Também é acionista de empresas como a Portugal Telecom e a Zon Multimédia (antiga PT Multimedia, dona da TV Cabo, que se separou da Portugal Telecom em novembro), com 6,1% e 3,16% do total do capital, respectivamente.

Grupo Ongoing vai entrar no Brasil este ano
02/07/09, 16:13 OJE/Lusa
O vice-presidente da Ongoing disse hoje à Lusa que o grupo vai apostar na comunicação social do Brasil ainda este ano, com o objectivo de ser "o maior grupo português de económicos nos países de língua portuguesa".
"O nosso próximo objectivo é o Brasil e isso acontecerá ainda este ano", afirmou Rafael Mora à margem do VIII Fórum Telecom e Media, que decorreu hoje em Lisboa.
"Queremos ser o maior grupo português de [media de] economia nos países de língua portuguesa", sublinhou.
O responsável explicou que a internacionalização do grupo é uma das apostas da Ongoing, sendo que o objectivo principal "é cobrir o triângulo virtuoso de Lisboa, Luanda e São Paulo".
A Ongoing já está presente em Angola, através do título económico Expansão, criado em parceria com o grupo angolano Score Media.
A forma como irá "entrar" no Brasil "ainda está em estudo", não podendo, para já, adiantar se será através da criação de um novo título ou de uma parceria com um grupo já existente naquele país.
Rafael Mora admitiu ainda não estar decidido o sector da comunicação social brasileira onde o grupo irá apostar, referindo existir "interesse estratégico em televisão, imprensa ou Internet".

No site oficial do Ongoing, que não tem versão em português, há um curto perfil do grupo:

In the late 19th century the Rocha dos Santos family established a consumer goods industry which in the mid 20th century ranked as one of the largest industrial conglomerates in Portugal: Grupo SNS, Sociedade Nacional de Sabões.
After the 1974 revolution, SNS became the largest privately owned group in Portugal with interests in the Agro and Chemical industry, Advertising, Media, Food, Healthcare, Household products and Real Estate.
After divesting from Grupo SNS in the early 90s, the family began their investment diversification via the financial markets.
In 2004, Nuno Rocha dos Santos de Almeida e Vasconcellos, 5th generation family member, established Ongoing Strategy SGPS to further organize and professionalize the family investment office activity with a strategic focus in Portugal and in the Portuguese speaking economies.
In 2007, Ongoing International was established with the objective of further diversifying and internationalizing the investment strategy in partnership with strategic institutional investors.
Ongoing seeks to leverage it’s entrepreneurial and financial expertise to become a leading global investor.

Novo jornal de economia no Brasil?

A nota abaixo está na IstoéDinheiro desta semana, na coluna de João Dória Jr, e chama atenção por dois motivos: primeiro, a legislação não permite que estrangeiros sejam 100% proprietários de jornais no Brasil. E, em segundo lugar, parece estranho que alguém se anime a investir no mercado de impressos nesses tempos de crise. Este blog entrou em contato com a direção do DE para confirmar a notícia. Se for realmente verdade, bom para os coleguinhas, que terão mais um local para trabalhar depois do fechamento da Gazeta Mercantil, ótimo para os leitores, que ganharão uma segunda opção, além do excelente Valor Econômico. Resta saber quem é o sócio brasileiro...

Concorrência
Com o desaparecimento da Gazeta Mercantil, o Valor Econômico estava solitário como jornal de economia e negócios. Estava. O grupo português Diário Econômico vai lançar um novo título em setembro, em São Paulo. Já fixou escritório na avenida Faria Lima, está contratando uma equipe de jornalistas, selecionando equipe comercial e chega com o cofre cheio para competir no mercado.

Nunca antes nestepaiz...

Está na manchete da Folha Online:

Juros do crédito pessoal caem para menor nível desde 1994
Pesquisa divulgada hoje pelo Banco Central apontou ainda que a inadimplência das empresas e do consumidor subiu pelo 7º mês seguido e atingiu o maior patamar desde 2000.


Chega a ser engraçado: lendo a matéria, o leitor fica sabendo que os juros do crédito pessoal chegaram ao menor nível da série histórica, iniciada em 94. Se tal fato tivesse ocorrido no governo de Fernando Henrique ou, hipoteticamente, de José Serra, o pessoal da Folha teria certamente sapecado na manchete: Juros do crédito pessoal atingem menor nível da história. Sob Lula, a conversa é outra: sempre que a notícia é ruim, a manchete ressalta a ruindade dos fatos; quando a notícia é boa, atenua-se o seu lado positivo... Jornalismo é isto: palavras escolhidas para retratar os fatos de acordo com a ideologia de quem as publica.

Durou pouco?

Capa da Folha de S. Paulo em 10 de junho de 2009:



Capa da Folha de S. Paulo hoje, 28 de julho de 2009:



O leitor que tire a suas conclusões: estava certa a Folha em noticiar em manchetes garrafais uma "recessão" que praticamente todos os analistas econômicos já sabiam ser apenas "técnica"? Ou será que o jornalão exagerou na chamada para o cenário catastrófico pelo qual o Brasil passaria e que pelo visto já tinha terminado quando a manchete foi publicada? Você, caro leitor, decide!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Contar mortos, disseminar o pânico

O que vai abaixo é mais um artigo do autor deste blog para o Observatório da Imprensa, baseado em apontamentos já publicados aqui. A versão mais acabada e completa vai a seguir, em primeira mão para os leitores do Entrelinhas.


Por Luiz Antonio Magalhães

Sim, há uma nova gripe circulando no país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, como de resto em praticamente todo o mundo. É fato. Algumas pessoas vão morrer da moléstia, como de resto morre gente vítima das outras gripes existentes. Também é fato. O que tem sido visto na grande imprensa brasileira nos últimos dias, porém, é praticamente um crime contra o bom senso e a inteligência do distinto público. A cobertura da chamada gripe suína (o nome correto é Influenza A H1N1) se tornou uma verdadeira aberração, provoca pânico na população e certamente vai se mostrar exagerada em menos de dois ou três meses, quando os números da tal “terrível pandemia” começarem a murchar. Como a mídia não tem autocrítica, porém, logo surgirá outro assunto para a irresponsabilidade dos responsáveis pelas manchetes e escaladas dos telejornais.

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que a cobertura dos últimos dias e semanas, focada na contagem do número de mortos que a maléfica gripe já provocou no país, não tem nenhuma outra utilidade senão a de disseminar o pânico. O ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, classificou, em sua coluna dominical reproduzida ao final deste texto, a cobertura da FSP e em especial uma reportagem publicada no domingo anterior (19/07), intitulada “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”, como “um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008”.

Carlos Eduardo se limitou a escrever sobre a Folha, mas as suas observações valem para praticamente todos os grandes jornais e telejornais. Todos os dias o público vai sendo informado do número de mortos em decorrência da nova gripe, porém sem qualquer referência estatística ou base comparativa que permita a compreensão do fenômeno em curso. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já explicou, inclusive no programa televisivo deste Observatório, que a taxa de letalidade da gripe suína é a mesma da gripe comum – cerca de 0,6% dos infectados acabam morrendo (para ser preciso, usando os dados da OMS divulgados em 27/07, são 87 mil infectados nas Américas para 707 mortes. A taxa de letalidade fica em 0,8%, mas deve ser muito mais baixa porque os países pararam de fazer testes para descobrir os infectados, que devem superar em muito os 87 mil). Do ponto de vista da imprensa, porém, este é um dado que não deve ser de maneira alguma alardeado, afinal, notícia ruim é o que vende jornal e aumenta audiência na televisão. As estatísticas também mostram que se morre muito mais gente de diarréia e verminose por semana no Brasil do que, desde o início do ano (quase oito meses!) de gripe suína.

Recordar é viver
O pior de tudo é que a mídia insiste em não aprender com os erros passados. Ao contrário, gosta de repetir os mesmos erros, mesmo que eles possam vir a cobrar seu preço em perda de credibilidade. A cobertura da nova doença, por exemplo, faz lembrar um pouco a do tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixaria um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja publicou reportagem cujos títulos e lides eram os seguintes:

Truque assassino
Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados
O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. “Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez”, disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.

Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminada pelo “pesadelo” da Veja, que mataria nove de cada dez contaminados. É evidente que a taxa de letalidade não poderia ser tão alta, é óbvio que a “reportagem” era uma aula de sensacionalismo barato.

Sensacionalismo ou motivação política
A reportagem da Folha, cuja irresponsabilidade foi apontada pelo ombudsman do próprio jornal, é apenas um exemplo entre tantos outros que poderiam ser colhidos ao acaso em todos os grandes veículos de comunicação do país. Resta então analisar por que a mídia brasileira realiza uma cobertura tão equivocada da gripe suína. Vamos lá:

Qualquer estudante de primeiro ano de jornalismo ou qualquer jovem esperto, sem diploma, que entrar em uma redação percebe, em questão de minutos, o verdadeiro fascínio que as más notícias exercem sobre os jornalistas. Notícia ruim, tragédia das realmente pesadas, vende muito mais do que fatos positivos. A menos, é claro, que a boa notícia seja algum novo milagre de Fátima, a cura definitiva do câncer ou vitória da seleção em Copa do Mundo. O fato é que jornalistas gostam de notícias ruins porque elas vendem, portanto os ajudam a levar para casa o leitinho das crianças (em alguns casos, o “leitinho” é para os adultos mesmo). Enfim, a vida é dura e nada como uma boa manchete trágica para chamar atenção do público.

Por outro lado, já circula na internet, em blogs pró e contra o atual governo, a versão de que a cobertura da imprensa no caso da gripe suína visa desestabilizar o até aqui muito bem avaliado trabalho do ministro Temporão e, por tabela, tirar mais uns pontinhos da altíssima popularidade do presidente Lula. Sim, é a clássica teoria conspiratória: a mídia contra o governo, usando as armas disponíveis, mesmo que elas signifiquem botar no papel ou na telinha da televisão algo que pouco tem a ver com a realidade. Para os partidários desta teoria, o caso da gripe seria ainda mais estratégico, pois o candidato preferido da oposição ao cargo de Lula, o governador paulista José Serra (PSDB), foi ministro da Saúde, e a “desconstrução” da competência do atual ministro cairia como uma luva para a candidatura tucano-demista em 2010. Quem advoga esta tese lembra as “crises artificiais” criadas pela mídia, como a aérea, que no entanto pouco ou nada afetaram a popularidade do governo Lula.

Bem, é claro que ainda é cedo para dar um veredicto final sobre a cobertura da imprensa da gripe suína, mas já é possível dizer a hipótese da fome (de audiência e vendas) estar colada à vontade de comer (prejudicar um governo em relação ao qual a grande imprensa sempre foi francamente hostil) é bastante plausível. Os fatos, porém, acabam se impondo e são sempre mais fortes do que as versões construídas pela mídia, como prova o caso do “sequestro da caderneta de poupança”, tão ventilado nas folhas e que se mostrou frágil como um castelo de cartas. Portanto, nada como um dia após o outro para que um quadro mais preciso das reais motivações da mídia nesta cobertura acabe aparecendo. O distinto público, para desalento de certos mancheteiros, é mais esperto do que se imagina...

***
Carlos Eduardo Lins da Silva
No limite da irresponsabilidade, reproduzido da Folha de S. Paulo, 26/07/09
“A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.
O título da chamada, na parte superior da página, dizia: ‘Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses’. A afirmação é taxativa e o número, impressionante.
Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.
Mesmo os menos paranóicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.
O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde ‘estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem [em vez de devem, como no título] ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões’.
É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.
Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que ‘por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto’.
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente? Ou, como pergunta o leitor Martim Silveira: ‘já que não tem base em nada nas circunstâncias atuais, qual a relevância de publicar algo que evidentemente só pode causar pânico numa população que já está abarrotando os postos de saúde por causa da gripe, quando os casos mal passam do milhar?’
Muitos leitores se manifestaram ao ombudsman. José Rubens Elias classificou a chamada de ‘leviana e irresponsável’. José Roberto Teixeira Leite disse que ‘se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento’. Para José Clauver de Aguiar Júnior, ‘trata-se claramente de sensacionalismo’.
O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem ‘adequadas’ e que ‘informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial’.”

Kassab quer paulistano mais saudável

Se as coisas continuarem assim na cidade de São Paulo, o melhor veículo de locomoção será mesmo a bicicleta. Ou as próprias pernas, para que as tem fortes e firmes... O prefeito Gilberto Kassab (DEM) zela pela saúde de todos!

Alô, Jungmann, e o sequestro da poupança?

Uma pena o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) estar curtindo as férias neste momento, do contrário os coleguinhas poderiam perguntar o que ele acha da notícia abaixo, da Agência Estado. Para quem não lembra, o parlamentar pernambucano foi quem saiu por aí espalhando no programa de seu impoluto partido que o governo Lula "sequestraria" a caderneta de poupança, tal e qual fez Fernando Collor de Mello. Este blog já escreveu sobre este assunto algumas vezes, mas é sempre bom lembrar a irresponsabilidade do deputado do PPS. Felizmente, o povão não acreditou muito nele, como se pode ler abaixo...

Poupança já captou R$ 4,5 bi, 90 vezes mais do que em junho

Até dia 21 de julho, saldo de recursos depositados somava R$ 287,9 bi, frente aos R$ 279,9 bi no mês anterior

Mariana Segala

SÃO PAULO - A caderneta de poupança registrou depósitos líquidos (aplicações menos resgates) de R$ 4,5 bilhões em julho (até dia 21), período que corresponde aos primeiros 15 dias úteis do mês, segundo dados do Banco Central. Nesse mesmo intervalo de dias no mês passado, a captação da poupança foi de R$ 49 milhões. Ou seja, o resultado de julho (até o dia 21) supera em mais de 90 vezes o de junho. No dia 21 deste mês, o saldo de recursos depositados na caderneta somava R$ 287,9 bilhões, frente aos R$ 279,9 bilhões no mesmo dia de junho.
No mês de julho inteiro de 2008, a poupança recebeu um total líquido de R$ 2,2 bilhões e no mesmo mês de 2007, os depósitos foram de R$ 3,5 bilhões.

Boa análise sobre a disputa no tucanato

Do blog do sempre excelente repórter Ricardo Kotscho, vai o texto abaixo. O autor destas Entrelinhas concorda com a análise, mas acha que a questão não é piscar, mas de atirar primeiro. Como se sabe, o dedo de Serra sempre coça no gatilho - está aí a Roseana Sarney, que não deixa mentir...

O jogo de Serra e Aécio: quem vai piscar primeiro?

Aliados e, ao mesmo tempo, gentis adversários na disputa pela sucessão de Lula, os dois ainda estão na moita, acertando suas alianças e acordos intramuros

Ricardo Kotscho

Os que acompanham, aqui no Balaio, a luta pela vida do nosso vice-presidente José Alencar, uma boa notícia: recebi informações agora de que ele já está no quarto do hospital Sírio-Libanês, e passa muito bem.
Outro dia li no Painel da Folha que, em viagem a Portugal, o líder tucano José Anibal foi abordado por um político lusitano (não me lembro o nome) querendo saber por que o governador José Serra, favorito nas pesquisas presidenciais, ainda não está em campanha. Vamos tentar entender.
Desde o ano passado, Hélio Campos Mello, o diretor da revista Brasileiros, onde também trabalho, e eu estamos tentando fazer entrevistas exclusivas com os dois governadores presidenciáveis do PSDB, José Serra e Aécio Neves. Até agora, as respectivas assessorias, com toda gentileza, apenas nos enrolaram.
E não é nada pessoal, tenho certeza. Sei que há sobre suas mesas dezenas de pedidos da mesma natureza enviados pelos mais importantes veículos e jornalistas do país, que igualmente continuam esperando suas exclusivas. Ainda não vi nenhuma publicada, assumindo a candidatura.
Um está esperando que o outro faça isso primeiro. Como os dois não vão querer dar esta entrevista juntos, o jeito é esperar. Aliados e, ao mesmo tempo, gentis adversários na disputa pela sucessão de Lula, os dois ainda estão na moita, acertando suas alianças e acordos intramuros, antes de botar a cara de candidato na rua.
A coluna Radar On-Line, de Lauro Jardim, da Veja, dá uma pista hoje sobre o comportamento esquivo de Serra, faltando um ano para o início oficial da campanha de 2010. Sob o título "É melhor deixar 2010 para 2010", ele escreve:
"De um especialista em eleições e em José Serra:
- O Serra quer empurrar a discussão sobre 2010 para 2010 porque acha que neste momento este debate viraria um "Serra versus Lula". E isso não é bom para ele. Só quer a discussão quando a campanha de Dilma estiver nas ruas. Aí será Serra contra Dilma".
O problema é que a campanha de Dilma já está nas ruas faz meses e ela vem crescendo nas pesquisas. Nenhuma pessoa razoavelmente informada ignora, a esta altura do campeonato, de que ela é a candidata de Lula à sua sucessão, apoiada pelo PT e por larga parcela dos partidos que formam a base do governo.
Pensa, age e fala como candidata. Enquanto isto, os dois presidenciáveis tucanos travam uma batalha surda para consolidar suas candidaturas. Primeiro, no seu próprio partido; depois, com o aliado DEM (e o PMDB de Orestes Quércia, no caso de Serra) e, finalmente, na sociedade.
Serra não pode sair por aí como candidato, como quer o comando do PSDB, enquanto Aécio também for candidato, e não acontecer, se é que vai acontecer, a prévia exigida pelo governador mineiro.
Na verdade, os dois vão esperar os resultados das pesquisas até o final do ano para ver o que decidem. Serra, para saber se a diferença que o separa de Dilma estará dentro da margem de segurança que lhe assegure a vitória; Aécio, para saber se seus números melhoram a ponto de tornar sua candidatura viável no partido.
O jogo dos tucanos, especialmente em São Paulo, não é fácil. Se Serra optar por se candidatar à reeleição de governador, como se tem comentado em diferentes rodas nas últimas semanas, o que farão com Geraldo Alckmin, que já está em campanha para voltar ao Palácio dos Bandeirantes?
Se sobrar para Alckmin a candidatura ao Senado, o que oferecer ao sempre aliado DEM e a Quércia, com quem o PSDB já costurou uma aliança preferencial no ano passado? Afinal, são apenas duas vagas.
Serra e Aécio sabem que uma chapa puro-sangue de tucanos, o sonho de FHC, é inviável. Da mesma forma, sabem que um não pode ser candidato sem o apoio ostensivo do outro, pois São Paulo e Minas são os grandes colégios eleitorais do país.
Por isso, ninguém quer piscar primeiro. Qualquer descuido pode ser fatal. Enquanto isso, os dois deixam para os parlamentares demo-tucanos a tarefa de desgastar o governo com a CPI da Petrobrás e a interminável novela Sarney.

Mídia e sensacionalismo

Um bom artigo de Igor Ribeiro sobre o comportamento da imprensa em relação à gripe suína e outros episódios está no Portal Imprensa. E abaixo, para os leitores do Entrelinhas. É preciso repetir sempre: a gripe "normal" mata mais do que a tal suína. E, só para comparar, morrem por semana, só em São Paulo, mais gente de acidente de moto e automóvel do que a gripe suína já matou em quatro ou cinco meses. Mas os jornalões gostam mesmo é de estardalhaço...

Ainda o sensacionalismo

Existe um fato cifrado na imprensa brasileira que poucos ousam contra-argumentar: vender a todo custo. Falam que sua principal missão é pela busca da verdade, que o que importa é a qualidade, diversidade, pluralidade, imparcialidade, independência etc. Balela. Isso tudo pode ter sua parcela de importância, mas o que dita o rumo do jornalismo no Brasil, hoje − ainda mais em tempos de crise − é a grana.

A prerrogativa do dinheiro sobre a verdade não é explícita e não se relaciona somente ao departamento comercial. Pelo contrário, as fórmulas publicitárias tentam, com legitimidade, fornecer alguma parcela de dinheiro lícito ao jornalismo. Por pior que sejam os formatos - como anúncios "ilha" que cruzam o noticiário impresso ou banners que seguem o cursor na internet, entre outros -, o mercado ainda se guia por regulamentações cada vez mais rigorosas e raramente superam em quantidade o editorial. O buraco é mais embaixo: a grande mídia vende, conscientemente, a própria credibilidade por meio de sensacionalismo.

São chamadas de capa exageradas, escaladas de telejornal em tom ameaçador, homes de internet com palavras-chave atraentes e equivocadas etc. É mania antiga e, justamente por isso, chama a atenção ainda persistir em tempos tão modernos como estes, quando se preza de diferentes formas a inteligência do leitor/consumidor e se incentiva sua boa educação.

Há quatro exemplos tácitos e recentes desse desespero comercial, os quais vou elencar rapidamente. Primeiro, e mais antigo, é a queda do avião da Air France, fato tratado pela imprensa como um tabuleiro do jogo Detetive. Especulações sobre as causas e opiniões enfáticas a respeito de problemas complexos com mecânica me lembraram as dúzias de especialistas em ranhura de pista por conta do acidente da TAM. Rendeu centenas de manchetes sanguinolentas e matérias constrangedoras com parentes de vítimas, enquanto a imprensa francesa nos dava uma aula de bons senso e jornalismo.

O segundo foi - e ainda é - a chamada gripe A, ou H1N1. O desrespeito às autoridades atuantes no caso é repetitivo. A começar pelo nome da doença, que continua sendo erroneamente citado, apesar do pedido insistente de que oficialmente não se chamasse mais de "suína". Depois, pelo alarme, quando se noticia com destaque mortes e infectados, deixando para o rodapé o fato de a gripe comum ter vitimado centenas de vezes mais pessoas neste ano do que sua prima temporã.

O terceiro tem sido a campanha paulistana para recuperar a região da Luz chamada de "Cracolândia". O alarme é, sim, necessário, mas com dois poréns. Crack é um problema que vai muito além dessa área e população, uma droga perversamente degenerativa que afeta centenas de pessoas dentro e fora de São Paulo, mas que na capital atrapalha o desejado plano urbanístico da "Nova Luz". A falta de um complexo judiciário competente no Brasil também fica em segundo plano, ainda que um sistema corrupto e cheio de falhas acompanhe esse e outros problemas brasileiros há anos, nunca abordados com a devida análise crítica pela mídia nacional.

Quarto e mais recente caso: dê uma busca na internet e procure manchetes ou chamadas com os dizeres "Felipe Massa em coma", ou algo do gênero. No meio da maioria das matérias pode ser visto ou lido que, na verdade, o coma foi induzido para que a agitação de um recém-acidentado não interferisse no seu tratamento. Agora sedado, o piloto continua internado, mas respondendo positivamente aos cuidados médicos. Será que é só a complicação de a titulagem não dar conta desse panorama que faz um editor ou diretor optar pela simples e equivocada abordagem fatalista? Pode acreditar: não é. Mas isso vende.

Os exemplos são muitos e frequentes, mas estes acima ilustram bem o problema. É péssimo o grande jornalismo ainda se sujeitar a essas artimanhas para tentar angariar ibope, page view ou venda avulsa. O pior é o público, que permanece à mercê dessa irresponsabilidade, na maioria das vezes sem o discernimento necessário para absorver a notícia criticamente. Triste imprensa brasileira...

Saúde estuda adiar início das aulas

O ministério da Saúde estuda, sim, adiar a volta às aulas nos colégios das regiões Sul e Sudeste por causa da propagação da gripe suína nas condições de um inverno rigoroso como o das últimas semanas. A medida seria tomada para que a temperatura subisse um pouco com a aproximação do fim da estação fria do ano, evitando assim o pânico dos pais e sobrecarga no sistema de Saúde, uma vez que com o calor a propagação do vírus da gripe diminui sensivelmente. No fundo, seria mais uma medida de caráter preventivo e, digamos assim, psicológico, uma vez que a tal gripe suína mata exatamente o mesmo do que a gripe normal. Em um país em que um dos principais jornais publica a informação de que a gripe vai atingir quase 60 milhões de habitantes, é realmente necessário pensar nos espectos psicológicos ao implementar uma estratégia de saúde pública. Agora, que a Folha de S. Paulo mereceria um belo processo pela cobertura irresponsável da gripe, não resta dúvida alguma.

domingo, 26 de julho de 2009

Pausa para rir: tá tudo
dominado, o Estadão é do PT

Para quem já conhece a peça, é mais um daqueles sensacionais textos de Nivaldão Cordeiro, do Mídia Sem Máscara. Quem ainda não conhece o grande discípulo de Olavo de Carvalho certamente vai se maravilhar com a profundidade da análise do texto reproduzido abaixo, na íntegra. Não, você não sabia, mas vai ficar sabendo: os Mesquitas lularam e estão flanando por aí, a favor da turma do Foro de São Paulo. Para terminar o domingão em alto astral e começar a semana melhor ainda, rir é sempre o que há de melhor...

Estadão: militância petista implacável

Nivaldo Cordeiro | 24 Julho 2009

O editorial de hoje do Estadão (Linhas ocupadas) é um exemplo de como é possível transformar uma opinião verdadeira em uma peça de propaganda suja, que serve para desinformar o público leitor e para mobilizá-lo contra os inimigos políticos do petismo. Uma opinião verdadeira pode esconder uma grande mentira dentro da argumentação erística. Ninguém haverá de discordar quando o editorialista escreveu: "É material didático de primeira ordem para um curso introdutório de ciência política, quando se trata de explicar o conceito de patrimonialismo - a apropriação dos bens públicos por grupos enquistados em instâncias dos poderes de Estado -, descrever como o esquema funciona numa situação concreta e analisar a mentalidade dos envolvidos. O material são transcrições de telefonemas interceptados pela Polícia Federal, com autorização judicial, no curso da Operação Barrica. A investigação, por sinal, levou ao indiciamento, por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha, do primogênito do presidente do Senado, o empresário Fernando Sarney, que cuida dos negócios da família no setor de comunicação. A nora do senador, Teresa Murad, e outros oito suspeitos também foram indiciados".
O ponto é que ninguém informado na opinião pública ignorará que as coisas, de fato, em nossa política, se passam assim. O que o Estadão quer é aquilo que os corifeus do PT querem: que Sarney se desincumba da Presidência do Senado, pois lá ele está atrapalhando os projetos estratégicos do partido governante, a começar pela definição da equação sucessória, seja qual for o desejo real de Lula e do PT. Até agora ninguém, nem mesmo o Estadão, pediu a renúncia ao mandato ou a cassação. O foco é tirar Sarney do posto onde ele atrapalha. O Estadão não quer, e nunca quis, servir de pedagogo para que boas práticas políticas prevaleçam.
O jornal paulista usa duplamente da má fé. Primeiro, por esconder, por detrás do farisaísmo moralista, o moto real de sua campanha, que é tirar o velho coronel Ribamar do Maranhão de onde ele está. Segundo, por não revelar que o atual partido governante é ainda pior do que Sarney e toda a malta patrimonialista que tem governado este país. Os patrimonialistas sempre quiseram "se arrumar", para usar a consagrada expressão cunhada pelo genial Chico Anísio. Os petistas querem muito mais, querem se perpetuar no poder à moda de Chávez, querem colocar o Brasil integralmente na agenda globalista da esquerda internacional.
Claro que o Estadão se esqueceu de dizer no editorial que a fonte dos diálogos divulgados são gravações que estavam sob a guarda de segredo de Justiça, o que fere não apenas a lei, como também os direitos individuais das pessoas arroladas no processo, incluindo o coronel Ribamar. Ainda uma vez a Polícia Federal foi usada como gerdame do partido governante, uma prática muito perigosa para as instituições democráticas.
Se o patrimonialismo é uma prática política deletéria, mais é ainda aquela que o partido governante tem feito e que não levanta suspeita alguma do editorialista, até porque tudo leva a crer que o jornal está mancomunado com seus interesses inconfessos dessa gente. Malhar o velho Sarney ficou muito fácil, sobretudo depois de ter sua privacidade telefônica, uma conversa com a própria neta, gravada. O golpe foi mortal. Não sei se mesmo Sarney agüentará a pressão que o fato está colocando na opinião pública.
Pelo andar da carruagem, a tática usada pelo velho Ribamar, de tentar administrar nos bastidores, não está funcionando, pois o inimigo é de outro calibre, tem outro ímpeto. Revolucionários sabem muito bem o que querem e não medem os meios para alcançar os objetivos. Sarney terá que ir para o revide, se quiser sobreviver não apenas no cargo, como também na vida política. Lula não é FHC e o PT não é o PSDB. É ver o que está sendo feito na Venezuela e em Honduras e em toda parte que gente da laia petista chegou ao poder. Nunca se esqueça, caro leitor, que apenas uns poucos votos no Senado, entre eles o de José Sarney, separam o PT do seu projeto político continuísta, em rumo do poder total. Eu realmente espero que Sarney não seja derrotado desta vez. É o melhor para o Brasil.

Ainda sobre a gripe suína e a FSP

Está muito interessante o post do blog Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha. Mais um que concorda com o Entrelinhas: a Folha está fazendo terrorismo com a gripe suína. E a razão disto é simples, tem nome e sobrenome: José Serra. O texto abaixo praticamente prova esta tese...

Cuidado: para eleger Serra a Folha vai te matar

Atualizado em 26 de julho de 2009 às 21:29 | Publicado em 26 de julho de 2009 às 21:13

por Conceição Lemes*

Jornalismo de saúde é uma área em que não dá para, no dia seguinte, simplesmente dizer: erramos.
A essa altura, devido à reportagem malfeita por incompetência e/ou má-fé, muitas pessoas assumiram como verdadeira a informação mentirosa, distorcida, equivocada; algumas já tomaram o caminho errado. Minimizar o estrago não é fácil; revertê-lo 100%, impossível.
A Folha de S. Paulo não aprendeu isso com a febre amarela, quando cometeu – junto com o restante da mídia corporativa – um verdadeiro crime contra a saúde pública dos brasileiros.
No domingo retrasado, 19 de julho, reincidiu: “Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade”.
Só para relembrar, a chamada de capa era taxativa: Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses. A interna, da matéria propriamente dita, chutava bem mais alto: Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas
Ao descer os olhos pela matéria, se descobria que os cálculos da reportagem se basearam num estudo de 2006 que visava o vírus H5N1, responsável pela gripe aviária. Não tem nada a ver com o vírus H1N1, causador da influenza A, também chamada de gripe A, nova gripe ou gripe suína.
Para alguém com informação na área de saúde ou médica, a estupidez do artigo e a intenção de disseminar o pânico eram flagrantes. Mas para a população em geral, não. O risco era provocar uma corrida desnecessária aos hospitais.
O Viomundo entrevistou o dr. Eduardo Hage, diretor da Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. Foi o mesmo entrevistado pela Folha. As suspeitas se confirmaram.
“A reportagem da Folha do domingo [19 de julho] da Folha sobre gripe suína é totalmente furada”, alertou Eduardo Hage. “Uma irresponsibilidade.”
“Há um erro capital na reportagem, e jornalista foi alertado”, revelou o dr. Hage. “Os parâmetros do estudo do vírus H5N1 não valem para a nova gripe. Mesmo assim, o jornalista utilizou parâmetros do estudo para o vírus H5N1 para calcular quantas pessoas poderiam ser infectadas pelo novo vírus, quantas precisariam de cuidados médicos e quantas seriam internadas por complicações da doença.”
“Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo não têm base epidemiológica, estatística. É pura ilação, sem qualquer base científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo”, acrescentou Hage. “Só espero que esses cálculos equivocados não sejam uma tentativa de gerar desinformação, como aconteceu na febre amarela.”
No próprio domingo, o Ministério da Saúde, por meio da sua assessoria de imprensa, enviou carta ao Painel do Leitor, na tentativa de restabelecer a verdade dos fatos. Foi publicada na edição de segunda-feira. “Não há modelos matemáticos disponíveis no mundo para se realizar uma projeção sobre o número de pessoas que serão afetadas pela influenza A”; “Todos os cálculos..., utilizados pela reportagem, são referentes a uma possível pandemia da gripe aviária, causado pelo vírus H5N1, entre outras. Os parâmetros não são válidos para a influenza A (H1N1).”
Ficou por isso mesmo. Mais uma vez o autor da matéria ignorou o alerta. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, ele responde sem responder, subestimando a inteligência dos leitores, como se todos fossem idiotas.
Neste domingo, ao ler a coluna Ombudsman, assinada pelo jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva, uma grata surpresa, a começar pelo título -- No limite da irresponsabilidade.
No primeiro parágrafo, Carlos Eduardo diz tudo:
“A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008”.
Na sequência, arrola preocupações levantadas pelo Viomundo:
“É quase impossível ler isso [número de brasileiros que poderiam ser afetados e os de hospitalizações] e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.

Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que "por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto".
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente?”
Vários leitores se manifestaram ao ombudsman sobre a matéria: "leviana e irresponsável"; "se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento”; "trata-se claramente de sensacionalismo.”
“O pior”, termina Carlos Eduardo, “é que a Redação não admite o erro.”
O dr. Eduardo Hage alertou para o erro, o jornalista ignorou e foi em frente. O Ministério da Saúde mandou a carta ao jornal, ele deu ombros. O ombdusman cobrou, a redação não admitiu o erro.
Na certa, a esta altura, alguns devem estar me cobrando: “Se jornalismo de saúde é uma área em que não dá para simplesmente dizer 'erramos', como fica a Folha que nem admite o erro?”
Saúde é uma área em que não dá mesmo para a gente errar. Por isso, temos que ser extremamente cuidadosos, responsáveis, éticos. Afinal, estamos lidamos com o bem mais precioso de todo mundo: a vida.
Mas errar acontece. Aí, temos que irremediavelmente assumir o erro, destacando o equívoco e mostrando a informação correta. É o único de minimizar os “efeitos colaterais”.
Agora, errar é humano, perseverar no erro é burrice, diz o ditado popular. No caso da Folha, perseverar no erro parece má-fé. Reforça a hipótese de que o objetivo era gerar pânico na população, promover corrida aos hospitais e, aí, jogar a conta nas costas do governo federal.
Uma decisão que não foi do jornalista arrogante nem da redação, mas provavelmente do dono da Folha, Octávio Frias Filho, que nunca faria isso se tivesse, de fato, o rabo preso com leitores.
Será por que o ministro José Gomes Temporão é do ramo e está fazendo uma gestão competente e transparente, deixando no chinelo o ex-ministro José Serra?
Será que se o ministro atual fosse o governador José Serra isso teria acontecido?
Será que a intenção era tirar o foco de São Paulo e Rio Grande do Sul, estados com maior número de casos até o momento e governados pelo PSDB?
Será...? Será...? Será...? Não faltam conjecturas.
O fato é que se o jornalista Hélio Schwartsman, autor da matéria, e o senhor Otavinho tivessem passado, pelo menos, UMA HORA das suas vidas num pronto-socorro, como o do Hospital das Clínicas de São Paulo ou do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, não teriam sido tão levianos, irresponsáveis e inconsequentes com a saúde da população, inclusive a dos leitores da Folha.
Fazer política com notícias de saúde pode ser fatal. Afinal, jornalismo porco na área de saúde causa doenças físicas e emocionais, efeitos colaterais graves e pode até matar.
* Conceição Lemes é jornalista especializada em Medicina e Saúde.