sexta-feira, 31 de julho de 2009

Aécio vai longe...

Está no Radar on-line, do jornalista Lauro Jardim:

“Eu serei o candidato e vocês estão ferrados”

Aécio Neves e Lula encontram-se agora há pouco num evento público em Belo Horizonte. Nos bastidores, o clima foi de brincadeiras de ambos os lados.
Em determinado momento, em tom de galhofa, Aécio vira-se para Lula e diz:
- Infelizmente, tenho que te dar uma má notícia: acho que o Serra não vai mesmo disputar a presidência. Aí, eu serei o candidato e vocês estão ferrados…
Lula riu.


É. Se cuida, José Serra. Quem já tomou uma bola entra as pernas de Geraldo Alckmin (cruzes...), precisa realmente se precaver contra Aécio Neves. Perto de Geraldo, o governador mineiro é um Pelé da política. Serra certamente sabe disto.

Histeria hiponcondríaca recria o ebola

Atenção, caros leitores, depois da gripe suína, vem aí o "primo do ebola" (sobre o dito cujo, leia aqui). Não morreu da primeira, a segunda te pega na curva. E a culpa, claro, é do Lula! Vai "atravessar o Atlântico" rapidinho. Só rindo... Tá na Agência Estado:

Primo do ebola é achado em morcegos de Uganda

REUTERS

WASHINGTON - Milhares de morcegos de uma caverna de Uganda estão contaminados com o vírus marburg, um "primo" do vírus ebola, disseram pesquisadores na sexta-feira.
Um estudo de Pierre Rollin e seus colegas do Departamento de Patógenos Especiais do Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos EUA encontrou o vírus vivo em 5 por cento dos morcegos examinados na caverna, onde mineiros foram contaminados com o marburg em 2007.
"Em artigo na revista PLoS Pathogens, da Biblioteca Pública de Ciências dos EUA, eles estimaram que haja cerca de 5.000 morcegos da espécie "R. aegyptiacus" contaminados, em uma população total de 100 mil animais.
"Claramente, esses morcegos podem servir como importante fonte de vírus com potencial para iniciar uma epidemia humana, e as implicações para a saúde públicas são dramáticas", escreveram os pesquisadores.
Há muito os cientistas suspeitam que os morcegos são hospedeiros naturais dos vírus ebola e marburg --ambos letais e da mesma família. O ebola pode matar entre 50 e 90 por cento das vítimas, e o marburg é menos letal.
Um hospedeiro natural é um animal que porta e transmite uma infecção, mas sem adoecer.
A equipe de Rollin examinou o sangue dos morcegos na gigantesca caverna, onde um mineiro morreu de marburg em 2007.
As amostras virais dos mineiros doentes e dos morcegos eram geneticamente semelhantes, segundo os cientistas. "Esses dados indicam que morcegos frugívoros egípcios comuns podem representar um importante hospedeiro natural e uma fonte do vírus marburg com potencial vazamento para os humanos", escreveram.

Dica de leitura para jovens jornalistas

Está com o fechamento apertado e não consegue aspas para a sua matéria? Leia este sensacional post do blog de Leonardo Sakamoto. E feche a sua matéria com tranquilidade...

Pausa para rir

Desta vez, o Entrelinhas presta homenagem aos grandes pensadores da direita na forma de um teste: quem foi o gênio que escreveu as impagáveis linhas abaixo, decretando a até então secreta relação entre o coronel Hugo Chávez e a família Mesquita?

"O Estadão virou mesmo o diário oficial do golpe dos usuários dos métodos bolivarianos de tomada de poder. O jornal paulista enterrou a sua reputação."

a) Reinaldão Azevedo, cansado de bater em mulheres, pretos, gays e lésbicas
b) Nivaldo Cordeiro, o incansável defensor de uma nova Idade Média (como era bom o tempo em que servos serviam e suseranos suseranavam...)
c) Dioguinho Mainardi, em um breve intervalo de suas loucas férias repletas de hip hop e barrigas mil
d) Olavo de Carvalho, o mestre dos mestres, para quem o NYT é outro pasquim vagabundo a serviço da Internacional Comunista.

A resposta, caro leitor, está nos links. Basta clicar!

Renan dá bom conselho a Virgílio

O senador Renan Calheiros (PMDB-AL) pode ser muita coisa, mas burro, definitivamente, não é. Na matéria abaixo, da Folha Online, o líder peemedebista analisa o "caso de Virgílio", em referência ao exímio lutador de jiu-jitsu (já foi campeão carioca da modalidade) e senador amazonense, e declara: "Quem seria louco de ameaçar um cara valente como o Arthur". Renan também recomenda ao colega a ajuda de um psiquiatra. Pensando bem, de fato não faria mal nenhum, há bons remédios na praça para deixar o cidadão mais calmo e feliz ou conter os mais variados vícios. Como diria o Chico Buarque, "ouça um bom conselho, que eu lhe dou de graça"...

Renan nega chantagem e recomenda que Virgílio procure um psiquiatra

CHRISTIAN BAINES
colaboração para Folha Online, em Brasília

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), reagiu às declarações do líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), que o acusa de chantagear o partido e recomendou que o tucano procure um médico psiquiatra. Segundo Renan, "o caso de Virgílio é menos de política e mais caso de psiquiatria".
O líder peemedebista garantiu que não usou tom de ameaça nas conversas telefônicas que teve com Virgílio ou com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e ainda ironizou o líder tucano. "Quem seria louco de ameaçar um cara valente como o Arthur [Virgílio]. A conversa foi civilizada. O próprio Sérgio [Guerra] admitiu que foi em tom civilizado. Eu falei que se o partido assumisse as insanidades do Arthur [Virgílio], o PMDB não teria outra alternativa a não ser entrar com representação", disse.

Bob Jefferson: Dornelles é o cara
para suceder José Sarney no Senado

A nota abaixo, do blog do ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), revela o nome que está sendo ventilado para a sucessão de José Sarney na presidência do Senado. Bob Jefferson sabe das coisas, este blog já tinha ouvido a mesma versão de outra maneira: Francisco Dornelles (PP-RJ) seria a única alternativa de consenso possível, uma vez que ele é da base aliada, tem trânsito com a oposição e é dos poucos senadores contra quem não há nada de grave a ser dito. Esta última assertiva, é claro, ninguém pode garantir, só mesmo com a eleição do nobre parlamentar é que os dossiês, se houver algo contra ele, começarão a aparecer. Até agora, porém, ninguém se animou a atirar no sobrinho de Tancredo Neves. A seguir, a nota de Bob Jefferson.

Luz no fim do túnel

Como era de esperar, já começa a surgir uma via alternativa – fora do eixo PT-PMDB-PSDB – para ocupar a cadeira do presidente do Senado, José Sarney, que pode deixar o cargo devido a pressões familiares, principalmente vindas da parte do seu filho, Fernando, o nome mais visado pela mídia por ser o comandante das empresas do grupo. O nome que já circula é o do ex-ministro e senador pelo Rio Francisco Dornelles (Fazenda, Indústria, Comércio e Turismo, Trabalho e Emprego). Dornelles é um homem experiente e equilibrado que não faz concessões aos erros, um político no limite do bom senso. Se for este o caminho, será uma boa saída.

Postado por Roberto Jefferson às 11:13
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A cabeça doentia da ultradireita

É quase desnecessário comentar o post abaixo, reproduzido do blog de Reinaldo Azevedo, jornalista da revista Veja. São tantos os preconceitos somados que nem o missivista se dá conta, ele simplesmente não percebe as barbaridades que escreve. Consegue ofender pretos, mulheres, gays e lésbicas a um só tempo. É incrível, mas é o retrato da intolerância de uma ultradireita cujas idéias, felizmente, há muito não encontram ressonância na sociedade brasileira. Azevedo, da mesma maneira que seus amiguinhos Diogo Mainardi e Olavo de Carvalho, fala para uma parcela diminuta da população, mas que obviamente é bastante expressiva na internet, um veículo ainda absolutamente elitizado. Antigamente era a TFP, hoje são os colunistas de Veja, mais o indefectível Carvalho. Bem, Plínio Correa de Oliveira pelo menos era mais elegante ao escrever... Abaixo, para quem tiver estômago, o comentário de Reinaldão.

POR QUE O BRASIL NÃO VOTA LOGO NUM “COMBO”
quinta-feira, 30 de julho de 2009 | 18:15

“Hoje em dia o Brasil pode ter tudo, já teve um presidente metalúrgico, pode ter um presidente negro, pode ter uma presidenta. A sociedade brasileira é madura o suficiente para saber que a sua multiplicidade pode ser representada de todas as formas.”
A fala acima é da ministra Dilma Rousseff, depois de um café da manhã com a presidente do Chile, Michelle Bachelet. O mais engraçado é que os sites que noticiam o evento acrescentam que “a ministra evitou comentar a sua candidatura à Presidência”.
Evitou?
Estamos em 2009, mas isso é 1984 puro. Ela, então, não falou de sua candidatura?
Ai, ai…
Eu nunca fui politicamente correto, nem quando era de esquerda — sim, aconteceu, já tive gripe suína. Esse papo de dividir pessoas em categorias sempre me enjoou. Na minha pré-história, achava que o procedimento só mascarava a luta de classes (ai, que vergonha!). Hoje em dia, acho que só mascara mau-caratismo.
Esse papo de que “chegou a vez das mulheres”, dos “negros” ou de sei lá quem faz supor que exista uma categoria naturalmente opressora, naturalmente íntima do poder, que deve ser desbancada. E que categoria seria essa? Bem, segundo entendo, é a do macho, branco e heterossexual, certo?
Por que não, então, um gay para suceder Lula? Branco ou preto? Esperem! Vamos fazer logo um “combo” de minorias. A candidata poderia ser mulher, negra e lésbica. E acho que a gente deve acumular experiências, incorporando qualidades de minorias passadas. Poderia ser mulher, negra, lésbica, meio analfabeta e eventualmente sem dedo. O “eneadactalismo” passaria a ser uma exigência para chegar ao topo.
Estou sendo cínico? Irônico? Sarcástico? É mesmo? Querem que eu leve a sério a política como reparação? Que dê corda a profissionais de causas, que decidem ocupar o lugar retórico das minorias? Não posso. Nunca consegui levar a sério essa abordagem.
Dilma, por exemplo, costuma tratar alguns homens de um modo que eles normalmente não aceitam ser tratados por outros homens. Mas aceitam a brutalidade da ministra. Nesse caso, o “ser mulher” vira só uma licença para a incivilidade. Avanço ou retrocesso? Julguem vocês mesmos.

Será que o Serra concorda com Virgílio?

Matéria da Agência Estdao informa que o senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) não está nem aí para as articulações de seus correligionários em torno de uma aliança com o PMDB. Quer mesmo se vingar de Renan Calheiros, Sarney e companhia bela, todos caciques de um partido que o governador José Serra tenta, a muito custo, se aproximar. É bem verdade que o presidente Lula também mudou o discurso e está se afastando da defesa de Sarney, mas é preciso perceber que o governo tem a caneta na mão, portanto muito mais bala para negociar com o PMDB. Já Arthurzinho não tem coisa alguma e pode jogar por água abaixo todo o esforço dos aliados de Serra para compor com o PMDB em 2010. Política se faz com a cabeça, mas parece que o senador amazonense prefere usar o fígado. Com inimigos assim, Lula nem precisa de amigos...

PSDB não vai recuar por aliança com PMDB, diz líder tucano

Tanto PT como PSDB querem aliança com PMDB para 2010, mas Virgílio nega recuo em pedir saída de Sarney

CAROL PIRES - Agencia Estado

BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), disse nesta sexta-feira, 31, que o partido não irá recuar na pressão pela saída de José Sarney (PMDB-AP) da presidência do Senado por receio de prejudicar uma possível aliança com o PMDB nas eleições de 2010. "Não há esse risco (do partido desistir das acusações contra Sarney). Se houvesse, sairia do PSDB", afirmou. O PMDB é o partido com o maior número de votos e prefeituras conquistadas nas eleições municipais de 2008, e, por isso, tanto o PT e quanto o PSDB tentam formar uma aliança nacional com os peemedebistas de olho na sucessão presidencial.
Virgílio reafirmou que o partido está disposto a apresentar ao Conselho de Ética uma representação contra o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), por quebra de decoro parlamentar. Virgílio avalia que Renan feriu o decoro ao ameaçar que o denunciaria ao colegiado caso o PSDB insistisse em pressionar pela saída de Sarney do comando do Senado.
Como o PSDB apresentou três representações ao Conselho de Ética contra Sarney por quebra de decoro parlamentar, mesmo depois dos apelos de Renan para que a legenda não "radicalizasse" a situação, o PMDB anunciou uma guerra contra os tucanos e informou que também registrará representação contra Arthur Virgílio por quebra de decoro parlamentar na próxima semana.
"Imaginar que bandidos como estes vão me mandar flores e bombons só pode ser duas opções: uma, que eles ficaram loucos, ou duas, que tem veneno no bombom. Não posso esperar flores dessa gente", ironizou Virgílio, ao comentar as denúncias que o PMDB apresentará contra ele. "Estou pronto. Homens públicos que não sabem enfrentar as vicissitudes não são homens públicos", disse o líder tucano.
Denúncias
As ações ao Conselho de Ética que o PMDB prepara contra Virgílio serão embasadas em reportagem da revista "Isto É", que revelou que o tucano teria pego, em 2003, US$ 10 mil emprestados do ex-diretor do Senado Agaciel Maia quando teve problemas com seu cartão de crédito em uma viagem particular a Paris. Segundo a revista, o senador tucano teria ainda extrapolado o limite permitido pela Casa para usar em tratamentos de saúde, quando a mãe dele ficou adoentada.
Também pesa contra o senador a revelação de que um funcionário de seu gabinete passou 18 meses no exterior sendo mantido à custa do Senado. Virgílio devolverá R$ 210.696,58 aos cofres públicos, valor referente à soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa. Ontem, Virgílio disse que errou ao deixar que o funcionário viajasse sem se certificar se o salário havia sido cortado. "Não foi uma coisa correta, eu já estou devolvendo o dinheiro. Eu pedi para devolver. Mas Renan e Sarney não têm condições morais de cassar o meu mandato. É de morrer de rir. Isto é humor negro."

Boa notícia

Claro que os colunistas conservadores e a oposição em geral vão torcer o nariz, chamar a coisa de populismo, assistencialismo e tudo mais. Porém, a medida relatada abaixo, em versão da Folha Online (que já ataca o governo, por sinal), é excelente. O governo está fazendo o que reza o manual keynesiano para enfrentar uma crise como a atual: aumentar o gasto público, seja via transferências de recursos para as famílias consumirem (Obama faz isto via isenção/devolução de imposto), seja por meio de obras públicas. Keynes dizia que em certos casos, o melhor que o governo faz é abrir buracos, encher de areia e cavar de novo. Em outras palavras, a obra pode até ser inútil, mas é preciso gastar para fazer a economia andar. É o que está sendo feito, lá e cá, e no caso do Bolsa Família, o reajuste também ajuda a dinamizar o mercado interno das regiões mais pobres. É tudo de bom, portanto.

Governo reajusta em 9,68% valor do benefício do Bolsa Família

da Folha Online

O governo federal reajustou em 9,68% o valor do benefício do programa Bolsa Família. O decreto presidencial foi publicado nesta sexta-feira no "Diário Oficial" da União.
O valor básico do benefício passa, a partir do dia 1º de setembro, de R$ 62 para R$ 68, e o benefício variável, pago de acordo com o número de crianças, passa de R$ 20 para R$ 22.
O benefício vinculado aos adolescentes, que era de R$ 30, passa para R$ 33, até o limite de R$ 66 por família.
Principal programa social do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Bolsa Família atende mais de 11 milhões de famílias em situação de pobreza e extrema pobreza, caracterizadas pela renda familiar mensal per capita entre R$ 140 e R$ 70, respectivamente.
Há duas semanas, em evento com prefeitos, Lula indicou que estudará a possibilidade de tornar programas como este em conquistas definitivas. Isto é, que não houvesse mais a necessidade de negociar o valor dos benefícios.
Ato falho
Na terça-feira, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, antecipou que os benefícios do programa Bolsa Família teriam um reajuste de 10%, mas em seguida voltou atrás em sua afirmação.
Augustin foi questionado por jornalistas durante apresentação do resultado fiscal do governo central. Ele falou que o reajuste seria de 10%, mas na sequência disse que não sabia o valor.
Patrimônio eleitoral
Segundo estudo do pesquisador Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getúlio Vargas), o programa Bolsa Família foi responsável por um aumento de cerca de três pontos percentuais na votação do presidente Lula segundo turno das eleições presidenciais de 2006.
Na ocasião, Lula obteve 60,83% dos votos, ou seja, mais de 58,2 milhões. O tucano Geraldo Alckmin ficou em segundo lugar, com 39,17% dos votos.
O levantamento indica ainda que o impacto do programa nas eleições foi maior que o gerado pelo desempenho da economia.
Segundo a pesquisa, em 2002, Lula foi particularmente bem sucedido em regiões mais urbanizadas e desenvolvidas do país. Já em 2006, ocorreu uma migração da base eleitoral para regiões menos desenvolvidas --mais dependentes do Estado e mais beneficiadas pelo programa.
Segundo o estudo, o aumento de um ponto percentual no número de beneficiários do programa elevou em 0,55 ponto percentual a votação de Lula em 2006, enquanto que a mesma variação na taxa de crescimento econômico incrementou a votação em apenas 0,21 ponto percentual.
O efeito eleitoral do Bolsa Família nos Estados das regiões Norte e Nordeste foi superior ao dos demais Estados do país. Em Alagoas, por exemplo, o programa aumentou em 8,17 pontos percentuais a votação de Lula, enquanto que no Rio de Janeiro e São Paulo o incremento foi de 1,12 e 1,89 pontos percentuais, respectivamente.
Pelos números pesquisados, Alagoas foi o Estado onde o efeito do Bolsa Família mais contribuiu para a votação de Lula, seguido de Roraima (6,85%) e Acre (6,53%).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Eleições no PT: Dutra é favorito?

Seis candidatos já estão na disputa pela presidência do PT, em eleição que acontece no dia 22 de novembro. São eles Geraldo Magela, Iriny Lopes, José Eduardo Cardozo, José Eduardo Dutra, Markus Sokol e Serge Goulart. As inscrições terminam dia 4 de agosto, mas é provável que os candidatos sejam mesmo esses seis. Sokol é candidato sempre, representa uma corrente de extrema esquerda chamada O Trabalho. Serge, por incrível que pareça, é de uma dissidência d'O Trabalho (como pode haver uma dissidência em um grupo tão pequeno é algo para cientistas políticos discutirem). Magela e Iriny não têm a menor chance, a eleição ficará mesmo entre Dutra e Cardozo. Já há especulações nos bastidores petistas de que a Cardozo poderá ser oferecido o ministério da Justiça em troca da desistência da presidência do partido. Neste caso, a eleição de Dutra estaria garantida. Se isto acontecer, o Brasil sai ganhando, porque o deputado federal paulista José Eduardo Cardozo seria um excelente ministro.

Esclarecimento sobre a mamãe de Virgílio

O sempre atento e fiel leitor deste blog Alexandre Porto esclarece, sobre o post anterior:

"Ocorre que neste caso ela recebeu o benefício imoral como viúva de um senador, e não como mãe. E ele [Virgílio] ainda pode dizer que não sabia".


Em outras palavras, o contribuinte brasileiro não tem escapatória, vai pagar (aliás, já pagou) o tratamento da viúva e progenitora do nobre parlamentar tucano. Este blog agradece pela presteza do leitor.

Alô, Virgílio, e os R$ 700 mil da mamãe?

A matéria reproduzida abaixo, em versão da Agência Estado, está dando o que falar. Este blog, no entanto, ficou com uma dúvida singela. Além do episódio do assessor, Arthur Virgílio (PSDB-AM) se envolveu em outro caso rumoroso - o Senado pagou o tratamento de saúde da mamãe do nobre parlamentar. Pelo que saiu na imprensa, a conta bateu os R$ 700 mil. Daí a dúvida: afinal, ele vai devolver tudo que passou para o contribuinte bancar ou serão apenas os R$ 210 mil em suaves parcelas de R$ 50 mil?

Virgílio terá de devolver mais de R$ 210 mil ao Senado

AE - Agencia Estado

SÃO PAULO - Integrante do Conselho de Ética do Senado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), terá de devolver R$ 210.696,58 aos cofres públicos. Na segunda-feira, ele depositou a primeira parcela, no valor de R$ 60.696,58. O dinheiro se refere ao que o Senado pagou em salários para um assessor do líder tucano durante um ano e meio de estudo de teatro na Espanha. O senador disse que vai se desfazer de imóveis e realizar empréstimos para quitar a dívida.
Arthur Virgílio foi obrigado a devolver o dinheiro depois da revelação de que Carlos Alberto Andrade Nina Neto passara 18 meses no exterior, longe do gabinete do tucano, sendo mantido na Europa à custa do Senado. A diretora de Recursos Humanos, Doris Peixoto, informou ao líder do PSDB que os R$ 210 mil são a soma de salários e recolhimento de impostos que saíram das contas da Casa para custear as despesas com o assessor na folha de pagamento.
O líder tucano encaminhou ontem à reportagem o comprovante do depósito de R$ 60,6 mil feito na segunda-feira em nome da União - que deve repassar ao Senado os valores pertencentes à Casa. Essa primeira parte, segundo Virgílio, é resultado da venda de um terreno de sua mulher. O restante, informou o parlamentar, será pago em três parcelas de R$ 50 mil pelos próximos três meses.
?Quero ver se todos farão o mesmo?, disse. O assessor estudou fora - bancado pelo Senado - entre abril e julho de 2005 e, depois, de outubro do mesmo ano a dezembro de 2006. Nina Neto não é mais funcionário do Senado. Ele foi demitido em outubro do ano passado em meio ao cumprimento da decisão judicial contra o nepotismo - ele é filho do subchefe de gabinete de Arthur Virgílio, Carlos Homero Nina, servidor de carreira do Senado. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Como esconder uma notícia

O que vai abaixo é um box publicado na edição desta quinta-feira da Folha de S. Paulo. A matéria principal leva o título "Banco público cobra R$ 12 mi de empresa da família Sarney" e informa que o BNB botou no pau a emissora de televisão do presidente do Senado. Ok, é notícia (meio velha, mas é). O interessante, porém, é que os empréstimos foram realizados não durante a gestão do presidente Lula, mas muito antes, ainda sob Fernando Henrique Cardoso. O box de pé de página, bem escondidinho, informa este fato e cumpre a função de.. esconder a notícia! Por que não uma manchete do tipo: "Tucano ligado a Tasso emprestou R$ 12 milhões a Sarney e não cobrou"? Seria um despropósito? A julgar pelas manchetes que a Folha anda dando nos últimos tempos, até que não seria tão absurdo assim...

Banco era comandado pelo PSDB

DA AGÊNCIA FOLHA, EM SÃO LUÍS
DA REPORTAGEM LOCAL

Entre 1997 e 2001, quando ocorreram as liberações de recursos do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) para a TV Mirante, do grupo Sarney no Maranhão, o banco era presidido por Byron Queiroz, ligado ao PSDB e indicado ao cargo pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).
O presidente do BNB é nomeado pelo ministro da Fazenda. Queiroz presidiu o BNB no governo de Fernando Henrique (PSDB-SP). Antes, foi secretário de Planejamento do Ceará no governo de Tasso.
O tucano formava com Sarney (PMDB-AP) e Antonio Carlos Magalhães (DEM-BA) o trio de senadores influentes e aliados de FHC no Nordeste.
Sarney, cuja família é próxima da de Tasso, era aliado do PSDB até 2002, quando acusou o partido de armar manobra para obrigar Roseana a desistir de disputar a Presidência.

Mais detalhes sobre o novo jornal econômico

O jornal gaúcho Zero Hora deu hoje uma nota sobre o projeto do novo jornal de economia brasileiro que o grupo português Ongoing Strategy está preparando. Outra matéria com detalhes sobre a operação saiu no site Portugal Digital. As duas vão reproduzidas abaixo e mantêm o suspense: quem seria o sócio brasileiro da Ongoing no novo jornal? Afinal, a legislação não permite que estrangeiros detenham mais de 30% do capital de empresas jornalísticas...

Do Zero Hora:
RSVIP | MARIANA BERTOLUCCI
GIGANTE PORTUGUÊS
Acoluna soube com exclusividade que um grupo português deve lançar até o final desse ano uma nova plataforma multimídia de finanças, economia e negócios para ocupar o espaço da Gazeta Mercantil, que já vinha disputando mercado com o Valor Econômico. A Ongoing Strategy Investments, holding da Ongoing Strategy Company, presidida por Nuno Vasconcelos, pertence a uma família que desde o começo do século comanda uma enorme gama de negócios em Portugal. Hoje, é a maior controladora individual da Portugal Telecom, dona da Vivo no Brasil. Também são sócios do Banco Espirito Santo.
***
Em julho de 2008, os gigantes portugueses compraram o Económico, que publica, em Portugal, dois jornais de economia e negócios: Diário Económico e Semanário Económico. Também em 2008, a empresa adquiriu 6% do maior grupo de comunicação de Portugal, o Impresa, do empresário Francisco Pinto Balsemão, que criou, em 1972, o que é hoje o maior jornal de Portugal, o Expresso, com três canais de TV a cabo, uma TV aberta e mais de 30 revistas. O Económico é hoje a maior plataforma de businesss de Portugal, desde a compra do grupo italiano RCS Media Group, que comanda alguns dos maiores jornais da Europa e da América. A novidade deve ser lançada aqui Brasil em novembro e Vasconcelos está tratando diretamente do assunto.


Do site Portugal Digital:

Grupo português de mídia lança novo jornal no Brasil

Proprietários do "Diário Económico" preparam lançamento de novo projeto em setembro que poderá preencher o espaço que era da "Gazeta Mercantil".

Da Redação

Brasília - O "Diário Económico", de Lisboa, prepara-se para dar um salto para o mercado brasileiro, com o lançamento de um jornal de economia, que poderá chegar ao público já em setembro. A nova publicação, cujo nome é ainda desconhecido, deverá ser liderada por Ricardo Galuppo, jornalista que já passou pela Veja, Exame, Forbes, entre outras.
Este é o nome avançado para o novo projeto editorial do "Diário Económico" no Brasil, segundo informações do 'site' "Jornalistas & Cia". Mais definições, como o desenho do novo jornal e a montagem de equipe, devem ter novos desenvolvimentos a partir da próxima semana.
Segundo a revista "Isto É Dinheiro", o arranque do novo jornal está previsto para setembro. Porém, não há ainda detalhes sobre a rede de distribuição, tiragem ou outras características.
O "Diário Económico" é hoje o principal jornal diário de economia em Portugal. Com distribuição de segunda-feira a sábado, é propriedade da Ongoing Strategy Investment, uma empresa de capital privado controlada desde 2004 pelo empresário Nuno Vasconcellos.
Além do "Diário Económico", a portuguesa Ongoing detém investimentos noutras áreas de influência, como participações no Banco Espírito Santo, no grupo de mídia português Impresa e na Zon Multimedia (telecomunicações), entre outras.

O surgimento de um novo jornal de economia no Brasil poderá vir preencher o espaço deixado livre com o desaparecimento da "Gazeta Mercantil", que chegou a ser um dos mais prestigiados jornais brasileiros, com foco em assuntos econômicos. Os problemas financeiros acumulados ao longo dos últimos anos levaram ao encerramento do jornal, que tinha como principal concorrente o "Valor Econômico".

Agora esse lugar poderá ser preenchido por um novo título com acionistas lusos. O Brasil já foi alvo de investidas de outros grupos portugueses de mídia. É o caso da Cofina, detentora de títulos como o "Correio da Manhã", "Record" e "Jornal de Negócios" (concorrente do "Diário Económico"), que lançou no mercado de São Paulo o jornal grátis "Destak", distribuído inicialmente em Portugal, nos grandes centros urbanos.

Médico avaliza suspensão de aulas pela gripe

Ainda sobre a gripe suína, vale a pena ler a entrevista abaixo, surrupiada do sempre excelente Terra Magazine, site comandado por Bob Fernandes. Este blog segue achando que a cobertura da imprensa sobre a tal pandemia é a principal causa da verdadeira histeria que tomou conta da população, mas reconhece que a medida da suspensão das aulas nos estados do Sul e Sudeste parece bastante razoável, dentro do atual quadro – da doença e da histeria. Do ponto de vista pedagógico, duas semanas não são lá grande coisa – os maldosos dizem que em muitos casos ganham os estudantes ficando em casa sem ouvir as bobagens de certos mestres! Ademais, falando sério, é possível repor as aulas no final do ano. A seguir, a entrevista com o doutor Hélio Arthur Bacha, na íntegra para os leitores do Entrelinhas.

Número de infectados não importa mais, diz médico

Marcela Rocha

Na tentativa de conter a gripe suína, os governos de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Distrito Federal decidiram adiar a volta às aulas em duas semanas nas escolas e creches públicas. Às particulares, foi recomendado o mesmo. Na opinião do Dr. Hélio Arthur Bacha, membro da Sociedade Brasileira de Infectologia, a medida é uma "decisão acertada" e que, na verdade, serve para as autoridades "ganharem tempo" para avaliar o comportamento da "pandemia".
A Organização Mundial de Saúde (OMS) parou de contabilizar números de infectados. E, para Bacha, isto acontece "porque este é muito grande e não importa mais". "Agora, aqui no Brasil, começamos a fazer controle pelo número de mortes", diz. Nesta quarta-feira, 29, o total de mortes pelo influenza A (H1N1) no País chega a 58.
O médico, que também trabalha no hospital Emílio Ribas, referência nacional em infectologia, admite que a maior preocupação é com o fato desta gripe matar pessoas jovens e saudáveis.
- A influenza tipo B, por exemplo, é fora de estação, já a A é típica do inverno, pois tem frio, as pessoas se abrigam, evitam lugares ventilados. Especialmente crianças se infectam porque ficam em grandes quantidades e nem sempre estão informadas sobre como se cuidar.
Bacha explica que estudos mostram que crianças, mesmo não estando com a gripe, são grandes transmissores. "Inclusive se discute muito o fato de se vacinar a criança é proteger os idosos da contaminação".
A decisão pelo adiamento do início das aulas é consequência da orientação feita pelas Secretarias Estaduais de Saúde. As aulas devem ser retomadas apenas em 17 de agosto, quando se espera que as temperaturas estejam mais amenas.
No caso de São Paulo, 130 mil crianças, que frequentam as creches públicas, não terão para onde ir com a medida adotada pela Secretaria. Para Bacha, isto será computado como "mais um dentre os prejuízos econômicos do vírus", pois algumas dessas mães terão que se licenciar do trabalho para ficar com seus filhos. "Isto é um prejuízo grande, pois o número de crianças em creches é alto".
Leia abaixo a entrevista na íntegra:
Terra Magazine - Por que postergar o início das aulas por apenas duas semanas? Tem alguma coisa a ver com o ciclo da gripe, vai diminuir significativamente a possibilidade de contágio? Por que não três semanas, um mês?
Hélio Arthur Bacha - A epidemia desta gripe A se dá no inverno. Alguns casos podem aparecer fora da estação de inverno pois hoje as viagens internacionais são mais frequentes. A influenza tipo B, por exemplo, é fora de estação, já a A é típica do inverno, pois tem frio, as pessoas se abrigam, evitam lugares ventilados. Especialmente as crianças se infectam porque ficam em grandes quantidades e nem sempre estão informadas sobre como se cuidar. No meu ponto de vista foi uma decisão acertada. Não sei se suportaria ser por mais tempo, mas foi uma decisão correta.
O aumento de temperatura não é tão significativo assim. Duas semanas são suficientes?
Acredito que o que nossas autoridades fizeram foi adiar por duas semanas para avaliar o comportamento da gripe. Se tiver melhor, retornam as aulas na data prevista. Se estiver pior, talvez até mantenham suspenso o início das aulas. Tem sua lógica e é melhor do que fazer uma suspensão longa já de início.
O senhor falou das crianças. É ainda mais difícil controlar a contaminação entre crianças?
Estudos mostram que crianças, mesmo não ficando com a gripe, são grandes transmissores. Mesmo não manifesta a gripe pode ser transmitida pela criança. Inclusive se discute muito o fato de se vacinar a criança é proteger os idosos da contaminação.
Com relação às creches, é preciso colocar em uma balança: crianças em casa e as mães que trabalham não terem o que fazer com seus filhos e do outro lado não suspender significa que 130 mil crianças estarão sujeitas ao risco da gripe A. É simples essa equação?
Isto depende do perfil das mães que utilizam as creches. Aqui em São Paulo, são mães trabalhadoras, então, algumas dessas mães terão que se licenciar do trabalho para ficar com seus filhos. Provavelmente será computado em dos prejuízos econômicos que a gripe causa. Isto é um prejuízo grande, pois o número de crianças em creches é alto.
O senhor mencionou que o importante do adiamento das aulas será "reavaliar" o estágio da gripe A. Contudo, não sabemos mais o quanto esta gripe é nociva porque a Organização Mundial de Saúde (OMS) parou de contabilizar números. Como será feita está avaliação?
Parou de contabilizar porque o número é muito grande. Já não importa mais. Agora, aqui no Brasil, começamos a fazer controle pelo número de mortes. O número de pessoas com a gripe A é muito grande. A estratégia tem que ser jogar esforços em termos de atendimento para os casos graves e tratar pessoas que tenham a gripe manifesta. O tratamento de casos mais simples deveria ser feito em unidades básicas de saúde e para isto é preciso recursos. Nos hospitais e pronto-socorros deveriam ser reservados para receber os casos mais graves.
Existem estimativas, inclusive uma citada no site do Ministério da Saúde, de que a letalidade do vírus H1N1 é de cerca de 0,5%. Esse dado é correto? Se for, é um índice semelhante ao que se registra nos casos graves da gripe comum mesmo com vacinas desenvolvidas. Certo? Então, por que a paranóia com este novo vírus?
Eu desconfio deste número, em primeiro lugar porque falam ser a mesma porcentagem. Veja: Um homem de 70 anos com doença crônica pulmonar pega uma gripe comum e morre. Isto é relativamente esperado. Outra situação é um jovem de 25 anos, saudável que se infecta com a gripe Porcina. Ele vai parar num tubo de respiração por três semanas e morre. Isto definitivamente não é o esperado. Esses dois números são iguais? Não. Em primeiro lugar, tenho lá minhas dúvidas sobre esta porcentagem. E mesmo que fossem iguais, são coisas completamente diferentes dada a diferença do perfil das vítimas da gripe suína. Tenho a impressão que as pessoas têm embarcado nessa estatística. Se não fosse epidemologicamente diferentes as autoridades não estariam tão mobilizadas em conter uma e nem tanto a outra. Não se pode justificar as mortes com a gripe suína pelas mortes causadas pela gripe comum. As mortes são diferentes, os perfis dos mortos são diferentes. A gripe suína tem matado jovens saudáveis. Então os números mostram muitas coisas, só não mostram o essencial.
Na avaliação do senhor o sistema de saúde está apto a atender esses jovens?
Já é uma pandemia e corre-se o risco de ter uma mortalidade muito grande. Os estados que têm tido maior complicação com a gripe são os mais ricos e com melhores estruturas médicas. Acho que temos preparo, porém se o volume for muito grande não temos. Para não complicar temos que tratar os casos banais que se transformam em casos graves.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Jornais ainda fazem a cabeça das pessoas?

Um bom texto para reflexão, do Observatório da Imprensa, na íntegra para os leitores do Entrelinhas.

MÍDIA IMPRESSA
Qual a relevância dos jornalões?

Por Venício A. de Lima em 28/7/2009

A atual conjuntura política, marcada pela crise no Senado Federal e pelas suspeitas em relação à administração da Petrobras, recoloca em pauta uma velha questão sobre o alcance e a influência dos jornalões da grande mídia: a Folha de S.Paulo, o Estado de S.Paulo e O Globo: merecem eles a importância que a elite política e os "intelectuais" lhes atribuem na formação da opinião pública brasileira, vis à vis, por exemplo, a televisão e/ou a internet?
Há alguns anos, muito antes da expansão da internet, venho insistindo que não (ver, por exemplo, "Jornal ou TV: qual mídia é mais importante na formação da opinião pública brasileira?" in Comunicação, Mídia e Consumo, vol. 2, nº 3, março de 2005). Não merecer a importância que se atribui a eles não significa que devam ser ignorados. Absolutamente. Significa, ao contrário, não se atribuir a eles uma relevância nacional que, se algum dia tiveram, não têm mais.
A apresentação deste argumento, todavia, mesmo diante de várias evidências, inclusive sobre a penetração da internet e a relativa democratização do seu acesso, é frequentemente rechaçada por diferentes interlocutores que acreditam ser ainda os jornalões e seus colunistas os principais responsáveis pela definição da agenda pública nacional.
O tema é complexo e, claro, não se pretende esgotá-lo e, muito menos, resolvê-lo. Apenas aceitar o desafio de continuar o debate.

Dois aspectos do argumento

Não vou retomar aqui todos os aspectos do argumento. Os dados relativos à queda de circulação dos jornalões são por demais conhecidos. Da mesma forma, já se discutiu muito sobre o "aproveitamento", por emissoras de rádio e televisão, via agências de notícias, das matérias produzidas pelos jornalões. Creio que não há dúvida também sobre as importantes questões que surgiram recentemente quanto à credibilidade dos jornalões. Não pretendo, portanto, retomar esses pontos. Quero apenas lembrar dois aspectos.
Primeiro, o caráter regional dos jornalões. O Globo é, sobretudo, um jornal carioca, da mesma forma que a Folha e o Estadão são jornais paulistas. Eles não são jornais que circulam e/ou são lidos nacionalmente.
O segundo aspecto é, na verdade, um desdobramento do primeiro e merece ser explorado um pouco mais. Para quem exatamente os jornalões estão falando?
Uma das linhas de pesquisa sobre "a produção das notícias" (newsmaking) que se consolidou dentro do campo de estudo da Comunicação, nos últimos anos, busca relacionar a imagem da realidade social construída na e pela mídia aos valores partilhados e interiorizados pelos jornalistas acerca de como devem exercer sua profissão.
Há evidencias de que, na seleção das matérias a serem noticiadas, predominam as referências implícitas ao grupo de colegas e às fontes em relação às referências implícitas ao próprio público, isto é, às audiências e/ou aos leitores. Isto significa que, enquanto o público em geral é pouco conhecido pelos jornalistas, o contexto profissional-organizativo-burocrático imediato exerce uma influência decisiva na seleção do que vai ser noticiado. Vale dizer, a origem principal das expectativas, orientações e valores profissionais dos jornalistas não é o "público" para o qual eles e elas deveriam escrever, mas o "grupo de referência" constituído, sobretudo, por colegas e fontes.
Na verdade, as fontes com as quais os jornalistas "conversam" regularmente constituem um público fundamental para suas próprias notícias. Jornalistas recebem muito mais "reações" sobre suas matérias, coberturas, reportagens e análises de suas próprias fontes do que de qualquer outro grupo social. Eles estão permanentemente em contato com suas fontes e delas recebem cumprimentos, correções, reclamações, afrontas, negativas de acesso, cassação de credenciais etc.
Verifica-se, portanto, que, como afirmou Bernardo Kucinski, "a elite dominante é, ao mesmo tempo, a fonte, a protagonista e a leitora das notícias; uma circularidade que exclui a massa da população da dimensão escrita do espaço público". Ora, essa constatação é verdadeira para todo o território nacional. Desta forma, além de não ser nacional, os jornalões são excludentes porque lidos, sobretudo, apenas pela elite brasileira – seja ela nacional, regional ou local.

E as conseqüências?

A prática profissional do jornalismo, não só nos jornalões, cria uma relação circular entre jornalista-fonte-jornalista que se auto-alimenta permanentemente. E essa relação circular jornalista-fonte-jornalista tende a se tornar assimétrica, enfraquecendo a fonte e fortalecendo os jornalistas. Enfraquece a fonte na medida em que, para tornar públicas as informações de seu interesse, ela fica "cativa" de um pequeno grupo de jornalistas. Por outro lado, fortalece os jornalistas (a) por eles terem o privilégio do acesso contínuo a fontes "autorizadas" e "acreditadas"; (b) por terem a opção de selecionar, omitir, enfatizar e distorcer informações; e, ainda, (c) por "operarem" protegidos e no interesse dos grupos de mídia no qual trabalham.
Parece correto afirmar, portanto, que os jornalões e seus jornalistas funcionam dentro de uma circularidade restrita a camadas específicas da elite política e "intelectual" brasileira. Nada mais do que isso.
Registre-se que a supervalorização indevida do poder dos jornalões, muitas vezes, provoca uma avaliação equivocada de qual realmente é a "opinião pública" majoritária no país e, consequentemente, pode conduzir a equívocos importantes, inclusive na formulação de políticas públicas por parte de setores do poder público.
Resta saber qual o poder concreto que esta elite política e "intelectual" exerce na vida política nacional. Nos processos eleitorais, se a eleição presidencial de 2006 servir como exemplo, as diversas "esferas públicas" que coexistem e funcionam na sociedade brasileira, fora do alcance dos jornalões, revelaram uma relativa autonomia.
Será que funciona também assim nos outros inúmeros aspectos da vida cotidiana? Essa é a questão.

Quanta maldade...

A propósito da nota anterior, sobre a desistência de Heloísa Helena da candidatura a presidência, informada por um militante do PSOL amigo do blog, o gentil leitor Valdir escreveu o seguinte comentário: "Militante do PSOL tem amigo?"
É, faz um certo sentido...

Heloísa não será candidata à presidência

O pessoal que elabora os cenários para as pesquisas eleitorais de 2010 pode anotar na caderneta: não vale nada botar o nome da vereadora Heloísa Helena na cédula a ser apresentada aos eleitores. Um militante do PSOL amigo deste blog garante que a alagoana já se decidiu pela candidatura ao Senado em 2010. Este mesmo militante informou que há uma articulação por uma candidatura com perfil "mais à esquerda" do que o de Helena. Sim, o PSOL, da mesmíssima maneira que o PT, também tem as suas correntes ou alas e sem o nome natural de Heloísa Helena, haverá uma disputa, possivelmente acirrada, pela vaga de candidato à presidência. Pode ser, porém, que a cabeça da chapa fique com o PSTU, que já concorreu no passado com o simpático José Maria de Almeida.

De qualquer forma, este blog duvida que os pesquisadores retirem Heloísa Helena das cédulas enquanto ela não disser publicamente que não é candidata. É que Helena tira votos de... Dilma Rousseff!

Cuspindo no prato que comeu

A foto ao lado foi gentilmente surrupiada do blog Amigos do Presidente Lula. Todo mundo vai reconhecer o senador potiguar José Agripino Maia (DEM), paladino da ética neste Brasil abençoado onde todo mundo mete a mão. O outro com o sorriso colgate no rosto é o menos conhecido deputado João Maia (PR-RN), que vem a ser irmão do grande Agaciel Maia. A foto foi tirada em um momento muito especial da vida de Agaciel - o casamento de sua filhota. Zé Agripino, homem elegante que é, prestigiou. Essa gente se merece...

Lula sabe das coisas

Nunca antes neste país um presidente entendeu tanto de futebol quanto Luiz Inácio Lula da Silva. É fato. A matéria abaixo, da Folha Online, é a prova cabal desta afirmação. Sim, tremei, corinthianos, Lula torce pelo alvinegro, mas é um homem realista e já percebeu o que vem pela frente: série B no ano do centenário. No fundo, é uma boa forma do Corinthians garantir a vitória em um campeonato no ano da celebração dos 100 anos. Este blog acha que a análise de Lula está para lá de correta.

Lula critica desmanche corintiano e já teme novo rebaixamento à Série B

CHRISTIAN BAINES
Colaboração para Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a saída de atletas do Corinthians, seu time de coração. Do time titular que conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil, o lateral André Santos e o volante Cristian foram negociados com o Fenerbahçe, do futebol turco, enquanto o meia Douglas se transferiu para o Al Wasl, dos Emirados Árabes Unidos. Também deixaram o clube Otacílio Neto (Barueri), Wellington Saci (Atlético-MG) e Lulinha (Estoril-POR).
Segundo o presidente, a equipe corre o risco de ser rebaixada para a Série B novamente se continuar vendendo seus jogadores dessa maneira. O Corinthians disputou a segunda divisão nacional em 2008."Estou chateado porque o Corinthians vendeu jogadores. Desse jeito vamos cair outra vez", disse o presidente ao chegar para reunião com o presidente da Nigéria, Umaru Musa Yar'Adua.

Novo jornal será dirigido por Galuppo

A nota abaixo está na edição desta quarta-feira do Jornalistas & Cia., publicação do competente Eduardo Ribeiro que circula nas redações. O mistério continua: quem é o sócio brasileiro do Diário Econômico?

Grupo português Diário Econômico lançará novo diário de Economia e Negócios no Brasil

Jornal será dirigido por Ricardo Galuppo e a previsão é de que chegue ao mercado em setembro

Podem cair por terra as iniciativas em curso no mercado para ressuscitar a Gazeta Mercantil ou criar um projeto que a suceda. No vácuo de seu desaparecimento e com o aparente desinteresse de grupos brasileiros em ocupar o espaço que deixou, virão de fora, mais exatamente de Portugal e do grupo Diário Econômico, os investimentos para o lançamento de um novo diário de Economia e Negócios no País. E é para logo. O novo jornal, segundo revelou pequena nota publicada pela edição desta semana da revista IstoÉ Dinheiro, deverá ser lançado em setembro.

Para o comando editorial, conforme apurou este J&Cia, o grupo convidou Ricardo Galuppo, que atuou em publicações como Veja, Exame, Forbes e PIB, entre outras, e que integrou por uma temporada a sociedade na Totum, ao lado de Clayton Netz e Nely Caixeta.Definições, desenho, montagem de equipe são coisas que devem ter desdobramentos a partir da próxima semana quando do regresso de Galuppo de Belo Horizonte, para onde viajou em razão de assuntos familiares.

Uma notícia, duas manchetes

No portal UOL, do Grupo Folha:
Atividade industrial em SP cai 12,8% em um ano, diz Fiesp

No Estadão.com, do Grupo Estado:
Fiesp: nível de atividade da indústria sobe 2% em junho

O leitor decide o que é mais relevante e merecia ser a manchete: o dado de junho, que mostra, finalmente, alguma recuperação da indústria após o megatombo do final do ano passado; ou o dado acumulado do ano, que "carrega" a estatística dos meses mais feios da crise... Nas redações, a pergunta é sempre a mesma: "o que há de novo?". Na Folha, porém, a coisa é um pouco diferente: "o que há de bom para ferrar o governo?" (a pergunta vai na versão passível de publicação neste blog). Podem apostar: quando os dados anualizados começarem a ser favoráveis ao governo, lá por outubro deste ano (porque comparados a uma base muito fraca, em função da crise), a Folha vai começar a destacar as comparações mensais, como fez o Estadão hoje...

terça-feira, 28 de julho de 2009

Ainda sobre o novo jornal de economia

A matéria abaixo, da Agência Lusa, praticamente confirma a história do novo jornal de economia do post anterior. O grupo Ongoing possui a totalidade do capital da Económica SGPS, empresa proprietária dos jornais Diário Económico e Semanário Económico. Também é acionista de empresas como a Portugal Telecom e a Zon Multimédia (antiga PT Multimedia, dona da TV Cabo, que se separou da Portugal Telecom em novembro), com 6,1% e 3,16% do total do capital, respectivamente.

Grupo Ongoing vai entrar no Brasil este ano
02/07/09, 16:13 OJE/Lusa
O vice-presidente da Ongoing disse hoje à Lusa que o grupo vai apostar na comunicação social do Brasil ainda este ano, com o objectivo de ser "o maior grupo português de económicos nos países de língua portuguesa".
"O nosso próximo objectivo é o Brasil e isso acontecerá ainda este ano", afirmou Rafael Mora à margem do VIII Fórum Telecom e Media, que decorreu hoje em Lisboa.
"Queremos ser o maior grupo português de [media de] economia nos países de língua portuguesa", sublinhou.
O responsável explicou que a internacionalização do grupo é uma das apostas da Ongoing, sendo que o objectivo principal "é cobrir o triângulo virtuoso de Lisboa, Luanda e São Paulo".
A Ongoing já está presente em Angola, através do título económico Expansão, criado em parceria com o grupo angolano Score Media.
A forma como irá "entrar" no Brasil "ainda está em estudo", não podendo, para já, adiantar se será através da criação de um novo título ou de uma parceria com um grupo já existente naquele país.
Rafael Mora admitiu ainda não estar decidido o sector da comunicação social brasileira onde o grupo irá apostar, referindo existir "interesse estratégico em televisão, imprensa ou Internet".

No site oficial do Ongoing, que não tem versão em português, há um curto perfil do grupo:

In the late 19th century the Rocha dos Santos family established a consumer goods industry which in the mid 20th century ranked as one of the largest industrial conglomerates in Portugal: Grupo SNS, Sociedade Nacional de Sabões.
After the 1974 revolution, SNS became the largest privately owned group in Portugal with interests in the Agro and Chemical industry, Advertising, Media, Food, Healthcare, Household products and Real Estate.
After divesting from Grupo SNS in the early 90s, the family began their investment diversification via the financial markets.
In 2004, Nuno Rocha dos Santos de Almeida e Vasconcellos, 5th generation family member, established Ongoing Strategy SGPS to further organize and professionalize the family investment office activity with a strategic focus in Portugal and in the Portuguese speaking economies.
In 2007, Ongoing International was established with the objective of further diversifying and internationalizing the investment strategy in partnership with strategic institutional investors.
Ongoing seeks to leverage it’s entrepreneurial and financial expertise to become a leading global investor.

Novo jornal de economia no Brasil?

A nota abaixo está na IstoéDinheiro desta semana, na coluna de João Dória Jr, e chama atenção por dois motivos: primeiro, a legislação não permite que estrangeiros sejam 100% proprietários de jornais no Brasil. E, em segundo lugar, parece estranho que alguém se anime a investir no mercado de impressos nesses tempos de crise. Este blog entrou em contato com a direção do DE para confirmar a notícia. Se for realmente verdade, bom para os coleguinhas, que terão mais um local para trabalhar depois do fechamento da Gazeta Mercantil, ótimo para os leitores, que ganharão uma segunda opção, além do excelente Valor Econômico. Resta saber quem é o sócio brasileiro...

Concorrência
Com o desaparecimento da Gazeta Mercantil, o Valor Econômico estava solitário como jornal de economia e negócios. Estava. O grupo português Diário Econômico vai lançar um novo título em setembro, em São Paulo. Já fixou escritório na avenida Faria Lima, está contratando uma equipe de jornalistas, selecionando equipe comercial e chega com o cofre cheio para competir no mercado.

Nunca antes nestepaiz...

Está na manchete da Folha Online:

Juros do crédito pessoal caem para menor nível desde 1994
Pesquisa divulgada hoje pelo Banco Central apontou ainda que a inadimplência das empresas e do consumidor subiu pelo 7º mês seguido e atingiu o maior patamar desde 2000.


Chega a ser engraçado: lendo a matéria, o leitor fica sabendo que os juros do crédito pessoal chegaram ao menor nível da série histórica, iniciada em 94. Se tal fato tivesse ocorrido no governo de Fernando Henrique ou, hipoteticamente, de José Serra, o pessoal da Folha teria certamente sapecado na manchete: Juros do crédito pessoal atingem menor nível da história. Sob Lula, a conversa é outra: sempre que a notícia é ruim, a manchete ressalta a ruindade dos fatos; quando a notícia é boa, atenua-se o seu lado positivo... Jornalismo é isto: palavras escolhidas para retratar os fatos de acordo com a ideologia de quem as publica.

Durou pouco?

Capa da Folha de S. Paulo em 10 de junho de 2009:



Capa da Folha de S. Paulo hoje, 28 de julho de 2009:



O leitor que tire a suas conclusões: estava certa a Folha em noticiar em manchetes garrafais uma "recessão" que praticamente todos os analistas econômicos já sabiam ser apenas "técnica"? Ou será que o jornalão exagerou na chamada para o cenário catastrófico pelo qual o Brasil passaria e que pelo visto já tinha terminado quando a manchete foi publicada? Você, caro leitor, decide!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Contar mortos, disseminar o pânico

O que vai abaixo é mais um artigo do autor deste blog para o Observatório da Imprensa, baseado em apontamentos já publicados aqui. A versão mais acabada e completa vai a seguir, em primeira mão para os leitores do Entrelinhas.


Por Luiz Antonio Magalhães

Sim, há uma nova gripe circulando no país, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, como de resto em praticamente todo o mundo. É fato. Algumas pessoas vão morrer da moléstia, como de resto morre gente vítima das outras gripes existentes. Também é fato. O que tem sido visto na grande imprensa brasileira nos últimos dias, porém, é praticamente um crime contra o bom senso e a inteligência do distinto público. A cobertura da chamada gripe suína (o nome correto é Influenza A H1N1) se tornou uma verdadeira aberração, provoca pânico na população e certamente vai se mostrar exagerada em menos de dois ou três meses, quando os números da tal “terrível pandemia” começarem a murchar. Como a mídia não tem autocrítica, porém, logo surgirá outro assunto para a irresponsabilidade dos responsáveis pelas manchetes e escaladas dos telejornais.

Não é preciso ser nenhum gênio para perceber que a cobertura dos últimos dias e semanas, focada na contagem do número de mortos que a maléfica gripe já provocou no país, não tem nenhuma outra utilidade senão a de disseminar o pânico. O ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, classificou, em sua coluna dominical reproduzida ao final deste texto, a cobertura da FSP e em especial uma reportagem publicada no domingo anterior (19/07), intitulada “Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses”, como “um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008”.

Carlos Eduardo se limitou a escrever sobre a Folha, mas as suas observações valem para praticamente todos os grandes jornais e telejornais. Todos os dias o público vai sendo informado do número de mortos em decorrência da nova gripe, porém sem qualquer referência estatística ou base comparativa que permita a compreensão do fenômeno em curso. O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, já explicou, inclusive no programa televisivo deste Observatório, que a taxa de letalidade da gripe suína é a mesma da gripe comum – cerca de 0,6% dos infectados acabam morrendo (para ser preciso, usando os dados da OMS divulgados em 27/07, são 87 mil infectados nas Américas para 707 mortes. A taxa de letalidade fica em 0,8%, mas deve ser muito mais baixa porque os países pararam de fazer testes para descobrir os infectados, que devem superar em muito os 87 mil). Do ponto de vista da imprensa, porém, este é um dado que não deve ser de maneira alguma alardeado, afinal, notícia ruim é o que vende jornal e aumenta audiência na televisão. As estatísticas também mostram que se morre muito mais gente de diarréia e verminose por semana no Brasil do que, desde o início do ano (quase oito meses!) de gripe suína.

Recordar é viver
O pior de tudo é que a mídia insiste em não aprender com os erros passados. Ao contrário, gosta de repetir os mesmos erros, mesmo que eles possam vir a cobrar seu preço em perda de credibilidade. A cobertura da nova doença, por exemplo, faz lembrar um pouco a do tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixaria um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja publicou reportagem cujos títulos e lides eram os seguintes:

Truque assassino
Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados
O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. “Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez”, disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.

Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminada pelo “pesadelo” da Veja, que mataria nove de cada dez contaminados. É evidente que a taxa de letalidade não poderia ser tão alta, é óbvio que a “reportagem” era uma aula de sensacionalismo barato.

Sensacionalismo ou motivação política
A reportagem da Folha, cuja irresponsabilidade foi apontada pelo ombudsman do próprio jornal, é apenas um exemplo entre tantos outros que poderiam ser colhidos ao acaso em todos os grandes veículos de comunicação do país. Resta então analisar por que a mídia brasileira realiza uma cobertura tão equivocada da gripe suína. Vamos lá:

Qualquer estudante de primeiro ano de jornalismo ou qualquer jovem esperto, sem diploma, que entrar em uma redação percebe, em questão de minutos, o verdadeiro fascínio que as más notícias exercem sobre os jornalistas. Notícia ruim, tragédia das realmente pesadas, vende muito mais do que fatos positivos. A menos, é claro, que a boa notícia seja algum novo milagre de Fátima, a cura definitiva do câncer ou vitória da seleção em Copa do Mundo. O fato é que jornalistas gostam de notícias ruins porque elas vendem, portanto os ajudam a levar para casa o leitinho das crianças (em alguns casos, o “leitinho” é para os adultos mesmo). Enfim, a vida é dura e nada como uma boa manchete trágica para chamar atenção do público.

Por outro lado, já circula na internet, em blogs pró e contra o atual governo, a versão de que a cobertura da imprensa no caso da gripe suína visa desestabilizar o até aqui muito bem avaliado trabalho do ministro Temporão e, por tabela, tirar mais uns pontinhos da altíssima popularidade do presidente Lula. Sim, é a clássica teoria conspiratória: a mídia contra o governo, usando as armas disponíveis, mesmo que elas signifiquem botar no papel ou na telinha da televisão algo que pouco tem a ver com a realidade. Para os partidários desta teoria, o caso da gripe seria ainda mais estratégico, pois o candidato preferido da oposição ao cargo de Lula, o governador paulista José Serra (PSDB), foi ministro da Saúde, e a “desconstrução” da competência do atual ministro cairia como uma luva para a candidatura tucano-demista em 2010. Quem advoga esta tese lembra as “crises artificiais” criadas pela mídia, como a aérea, que no entanto pouco ou nada afetaram a popularidade do governo Lula.

Bem, é claro que ainda é cedo para dar um veredicto final sobre a cobertura da imprensa da gripe suína, mas já é possível dizer a hipótese da fome (de audiência e vendas) estar colada à vontade de comer (prejudicar um governo em relação ao qual a grande imprensa sempre foi francamente hostil) é bastante plausível. Os fatos, porém, acabam se impondo e são sempre mais fortes do que as versões construídas pela mídia, como prova o caso do “sequestro da caderneta de poupança”, tão ventilado nas folhas e que se mostrou frágil como um castelo de cartas. Portanto, nada como um dia após o outro para que um quadro mais preciso das reais motivações da mídia nesta cobertura acabe aparecendo. O distinto público, para desalento de certos mancheteiros, é mais esperto do que se imagina...

***
Carlos Eduardo Lins da Silva
No limite da irresponsabilidade, reproduzido da Folha de S. Paulo, 26/07/09
“A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.
O título da chamada, na parte superior da página, dizia: ‘Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses’. A afirmação é taxativa e o número, impressionante.
Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.
Mesmo os menos paranóicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.
O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde ‘estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem [em vez de devem, como no título] ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões’.
É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.
Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que ‘por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto’.
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente? Ou, como pergunta o leitor Martim Silveira: ‘já que não tem base em nada nas circunstâncias atuais, qual a relevância de publicar algo que evidentemente só pode causar pânico numa população que já está abarrotando os postos de saúde por causa da gripe, quando os casos mal passam do milhar?’
Muitos leitores se manifestaram ao ombudsman. José Rubens Elias classificou a chamada de ‘leviana e irresponsável’. José Roberto Teixeira Leite disse que ‘se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento’. Para José Clauver de Aguiar Júnior, ‘trata-se claramente de sensacionalismo’.
O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem ‘adequadas’ e que ‘informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial’.”

Kassab quer paulistano mais saudável

Se as coisas continuarem assim na cidade de São Paulo, o melhor veículo de locomoção será mesmo a bicicleta. Ou as próprias pernas, para que as tem fortes e firmes... O prefeito Gilberto Kassab (DEM) zela pela saúde de todos!

Alô, Jungmann, e o sequestro da poupança?

Uma pena o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) estar curtindo as férias neste momento, do contrário os coleguinhas poderiam perguntar o que ele acha da notícia abaixo, da Agência Estado. Para quem não lembra, o parlamentar pernambucano foi quem saiu por aí espalhando no programa de seu impoluto partido que o governo Lula "sequestraria" a caderneta de poupança, tal e qual fez Fernando Collor de Mello. Este blog já escreveu sobre este assunto algumas vezes, mas é sempre bom lembrar a irresponsabilidade do deputado do PPS. Felizmente, o povão não acreditou muito nele, como se pode ler abaixo...

Poupança já captou R$ 4,5 bi, 90 vezes mais do que em junho

Até dia 21 de julho, saldo de recursos depositados somava R$ 287,9 bi, frente aos R$ 279,9 bi no mês anterior

Mariana Segala

SÃO PAULO - A caderneta de poupança registrou depósitos líquidos (aplicações menos resgates) de R$ 4,5 bilhões em julho (até dia 21), período que corresponde aos primeiros 15 dias úteis do mês, segundo dados do Banco Central. Nesse mesmo intervalo de dias no mês passado, a captação da poupança foi de R$ 49 milhões. Ou seja, o resultado de julho (até o dia 21) supera em mais de 90 vezes o de junho. No dia 21 deste mês, o saldo de recursos depositados na caderneta somava R$ 287,9 bilhões, frente aos R$ 279,9 bilhões no mesmo dia de junho.
No mês de julho inteiro de 2008, a poupança recebeu um total líquido de R$ 2,2 bilhões e no mesmo mês de 2007, os depósitos foram de R$ 3,5 bilhões.

Boa análise sobre a disputa no tucanato

Do blog do sempre excelente repórter Ricardo Kotscho, vai o texto abaixo. O autor destas Entrelinhas concorda com a análise, mas acha que a questão não é piscar, mas de atirar primeiro. Como se sabe, o dedo de Serra sempre coça no gatilho - está aí a Roseana Sarney, que não deixa mentir...

O jogo de Serra e Aécio: quem vai piscar primeiro?

Aliados e, ao mesmo tempo, gentis adversários na disputa pela sucessão de Lula, os dois ainda estão na moita, acertando suas alianças e acordos intramuros

Ricardo Kotscho

Os que acompanham, aqui no Balaio, a luta pela vida do nosso vice-presidente José Alencar, uma boa notícia: recebi informações agora de que ele já está no quarto do hospital Sírio-Libanês, e passa muito bem.
Outro dia li no Painel da Folha que, em viagem a Portugal, o líder tucano José Anibal foi abordado por um político lusitano (não me lembro o nome) querendo saber por que o governador José Serra, favorito nas pesquisas presidenciais, ainda não está em campanha. Vamos tentar entender.
Desde o ano passado, Hélio Campos Mello, o diretor da revista Brasileiros, onde também trabalho, e eu estamos tentando fazer entrevistas exclusivas com os dois governadores presidenciáveis do PSDB, José Serra e Aécio Neves. Até agora, as respectivas assessorias, com toda gentileza, apenas nos enrolaram.
E não é nada pessoal, tenho certeza. Sei que há sobre suas mesas dezenas de pedidos da mesma natureza enviados pelos mais importantes veículos e jornalistas do país, que igualmente continuam esperando suas exclusivas. Ainda não vi nenhuma publicada, assumindo a candidatura.
Um está esperando que o outro faça isso primeiro. Como os dois não vão querer dar esta entrevista juntos, o jeito é esperar. Aliados e, ao mesmo tempo, gentis adversários na disputa pela sucessão de Lula, os dois ainda estão na moita, acertando suas alianças e acordos intramuros, antes de botar a cara de candidato na rua.
A coluna Radar On-Line, de Lauro Jardim, da Veja, dá uma pista hoje sobre o comportamento esquivo de Serra, faltando um ano para o início oficial da campanha de 2010. Sob o título "É melhor deixar 2010 para 2010", ele escreve:
"De um especialista em eleições e em José Serra:
- O Serra quer empurrar a discussão sobre 2010 para 2010 porque acha que neste momento este debate viraria um "Serra versus Lula". E isso não é bom para ele. Só quer a discussão quando a campanha de Dilma estiver nas ruas. Aí será Serra contra Dilma".
O problema é que a campanha de Dilma já está nas ruas faz meses e ela vem crescendo nas pesquisas. Nenhuma pessoa razoavelmente informada ignora, a esta altura do campeonato, de que ela é a candidata de Lula à sua sucessão, apoiada pelo PT e por larga parcela dos partidos que formam a base do governo.
Pensa, age e fala como candidata. Enquanto isto, os dois presidenciáveis tucanos travam uma batalha surda para consolidar suas candidaturas. Primeiro, no seu próprio partido; depois, com o aliado DEM (e o PMDB de Orestes Quércia, no caso de Serra) e, finalmente, na sociedade.
Serra não pode sair por aí como candidato, como quer o comando do PSDB, enquanto Aécio também for candidato, e não acontecer, se é que vai acontecer, a prévia exigida pelo governador mineiro.
Na verdade, os dois vão esperar os resultados das pesquisas até o final do ano para ver o que decidem. Serra, para saber se a diferença que o separa de Dilma estará dentro da margem de segurança que lhe assegure a vitória; Aécio, para saber se seus números melhoram a ponto de tornar sua candidatura viável no partido.
O jogo dos tucanos, especialmente em São Paulo, não é fácil. Se Serra optar por se candidatar à reeleição de governador, como se tem comentado em diferentes rodas nas últimas semanas, o que farão com Geraldo Alckmin, que já está em campanha para voltar ao Palácio dos Bandeirantes?
Se sobrar para Alckmin a candidatura ao Senado, o que oferecer ao sempre aliado DEM e a Quércia, com quem o PSDB já costurou uma aliança preferencial no ano passado? Afinal, são apenas duas vagas.
Serra e Aécio sabem que uma chapa puro-sangue de tucanos, o sonho de FHC, é inviável. Da mesma forma, sabem que um não pode ser candidato sem o apoio ostensivo do outro, pois São Paulo e Minas são os grandes colégios eleitorais do país.
Por isso, ninguém quer piscar primeiro. Qualquer descuido pode ser fatal. Enquanto isso, os dois deixam para os parlamentares demo-tucanos a tarefa de desgastar o governo com a CPI da Petrobrás e a interminável novela Sarney.

Mídia e sensacionalismo

Um bom artigo de Igor Ribeiro sobre o comportamento da imprensa em relação à gripe suína e outros episódios está no Portal Imprensa. E abaixo, para os leitores do Entrelinhas. É preciso repetir sempre: a gripe "normal" mata mais do que a tal suína. E, só para comparar, morrem por semana, só em São Paulo, mais gente de acidente de moto e automóvel do que a gripe suína já matou em quatro ou cinco meses. Mas os jornalões gostam mesmo é de estardalhaço...

Ainda o sensacionalismo

Existe um fato cifrado na imprensa brasileira que poucos ousam contra-argumentar: vender a todo custo. Falam que sua principal missão é pela busca da verdade, que o que importa é a qualidade, diversidade, pluralidade, imparcialidade, independência etc. Balela. Isso tudo pode ter sua parcela de importância, mas o que dita o rumo do jornalismo no Brasil, hoje − ainda mais em tempos de crise − é a grana.

A prerrogativa do dinheiro sobre a verdade não é explícita e não se relaciona somente ao departamento comercial. Pelo contrário, as fórmulas publicitárias tentam, com legitimidade, fornecer alguma parcela de dinheiro lícito ao jornalismo. Por pior que sejam os formatos - como anúncios "ilha" que cruzam o noticiário impresso ou banners que seguem o cursor na internet, entre outros -, o mercado ainda se guia por regulamentações cada vez mais rigorosas e raramente superam em quantidade o editorial. O buraco é mais embaixo: a grande mídia vende, conscientemente, a própria credibilidade por meio de sensacionalismo.

São chamadas de capa exageradas, escaladas de telejornal em tom ameaçador, homes de internet com palavras-chave atraentes e equivocadas etc. É mania antiga e, justamente por isso, chama a atenção ainda persistir em tempos tão modernos como estes, quando se preza de diferentes formas a inteligência do leitor/consumidor e se incentiva sua boa educação.

Há quatro exemplos tácitos e recentes desse desespero comercial, os quais vou elencar rapidamente. Primeiro, e mais antigo, é a queda do avião da Air France, fato tratado pela imprensa como um tabuleiro do jogo Detetive. Especulações sobre as causas e opiniões enfáticas a respeito de problemas complexos com mecânica me lembraram as dúzias de especialistas em ranhura de pista por conta do acidente da TAM. Rendeu centenas de manchetes sanguinolentas e matérias constrangedoras com parentes de vítimas, enquanto a imprensa francesa nos dava uma aula de bons senso e jornalismo.

O segundo foi - e ainda é - a chamada gripe A, ou H1N1. O desrespeito às autoridades atuantes no caso é repetitivo. A começar pelo nome da doença, que continua sendo erroneamente citado, apesar do pedido insistente de que oficialmente não se chamasse mais de "suína". Depois, pelo alarme, quando se noticia com destaque mortes e infectados, deixando para o rodapé o fato de a gripe comum ter vitimado centenas de vezes mais pessoas neste ano do que sua prima temporã.

O terceiro tem sido a campanha paulistana para recuperar a região da Luz chamada de "Cracolândia". O alarme é, sim, necessário, mas com dois poréns. Crack é um problema que vai muito além dessa área e população, uma droga perversamente degenerativa que afeta centenas de pessoas dentro e fora de São Paulo, mas que na capital atrapalha o desejado plano urbanístico da "Nova Luz". A falta de um complexo judiciário competente no Brasil também fica em segundo plano, ainda que um sistema corrupto e cheio de falhas acompanhe esse e outros problemas brasileiros há anos, nunca abordados com a devida análise crítica pela mídia nacional.

Quarto e mais recente caso: dê uma busca na internet e procure manchetes ou chamadas com os dizeres "Felipe Massa em coma", ou algo do gênero. No meio da maioria das matérias pode ser visto ou lido que, na verdade, o coma foi induzido para que a agitação de um recém-acidentado não interferisse no seu tratamento. Agora sedado, o piloto continua internado, mas respondendo positivamente aos cuidados médicos. Será que é só a complicação de a titulagem não dar conta desse panorama que faz um editor ou diretor optar pela simples e equivocada abordagem fatalista? Pode acreditar: não é. Mas isso vende.

Os exemplos são muitos e frequentes, mas estes acima ilustram bem o problema. É péssimo o grande jornalismo ainda se sujeitar a essas artimanhas para tentar angariar ibope, page view ou venda avulsa. O pior é o público, que permanece à mercê dessa irresponsabilidade, na maioria das vezes sem o discernimento necessário para absorver a notícia criticamente. Triste imprensa brasileira...

Saúde estuda adiar início das aulas

O ministério da Saúde estuda, sim, adiar a volta às aulas nos colégios das regiões Sul e Sudeste por causa da propagação da gripe suína nas condições de um inverno rigoroso como o das últimas semanas. A medida seria tomada para que a temperatura subisse um pouco com a aproximação do fim da estação fria do ano, evitando assim o pânico dos pais e sobrecarga no sistema de Saúde, uma vez que com o calor a propagação do vírus da gripe diminui sensivelmente. No fundo, seria mais uma medida de caráter preventivo e, digamos assim, psicológico, uma vez que a tal gripe suína mata exatamente o mesmo do que a gripe normal. Em um país em que um dos principais jornais publica a informação de que a gripe vai atingir quase 60 milhões de habitantes, é realmente necessário pensar nos espectos psicológicos ao implementar uma estratégia de saúde pública. Agora, que a Folha de S. Paulo mereceria um belo processo pela cobertura irresponsável da gripe, não resta dúvida alguma.

domingo, 26 de julho de 2009

Pausa para rir: tá tudo
dominado, o Estadão é do PT

Para quem já conhece a peça, é mais um daqueles sensacionais textos de Nivaldão Cordeiro, do Mídia Sem Máscara. Quem ainda não conhece o grande discípulo de Olavo de Carvalho certamente vai se maravilhar com a profundidade da análise do texto reproduzido abaixo, na íntegra. Não, você não sabia, mas vai ficar sabendo: os Mesquitas lularam e estão flanando por aí, a favor da turma do Foro de São Paulo. Para terminar o domingão em alto astral e começar a semana melhor ainda, rir é sempre o que há de melhor...

Estadão: militância petista implacável

Nivaldo Cordeiro | 24 Julho 2009

O editorial de hoje do Estadão (Linhas ocupadas) é um exemplo de como é possível transformar uma opinião verdadeira em uma peça de propaganda suja, que serve para desinformar o público leitor e para mobilizá-lo contra os inimigos políticos do petismo. Uma opinião verdadeira pode esconder uma grande mentira dentro da argumentação erística. Ninguém haverá de discordar quando o editorialista escreveu: "É material didático de primeira ordem para um curso introdutório de ciência política, quando se trata de explicar o conceito de patrimonialismo - a apropriação dos bens públicos por grupos enquistados em instâncias dos poderes de Estado -, descrever como o esquema funciona numa situação concreta e analisar a mentalidade dos envolvidos. O material são transcrições de telefonemas interceptados pela Polícia Federal, com autorização judicial, no curso da Operação Barrica. A investigação, por sinal, levou ao indiciamento, por lavagem de dinheiro, tráfico de influência e formação de quadrilha, do primogênito do presidente do Senado, o empresário Fernando Sarney, que cuida dos negócios da família no setor de comunicação. A nora do senador, Teresa Murad, e outros oito suspeitos também foram indiciados".
O ponto é que ninguém informado na opinião pública ignorará que as coisas, de fato, em nossa política, se passam assim. O que o Estadão quer é aquilo que os corifeus do PT querem: que Sarney se desincumba da Presidência do Senado, pois lá ele está atrapalhando os projetos estratégicos do partido governante, a começar pela definição da equação sucessória, seja qual for o desejo real de Lula e do PT. Até agora ninguém, nem mesmo o Estadão, pediu a renúncia ao mandato ou a cassação. O foco é tirar Sarney do posto onde ele atrapalha. O Estadão não quer, e nunca quis, servir de pedagogo para que boas práticas políticas prevaleçam.
O jornal paulista usa duplamente da má fé. Primeiro, por esconder, por detrás do farisaísmo moralista, o moto real de sua campanha, que é tirar o velho coronel Ribamar do Maranhão de onde ele está. Segundo, por não revelar que o atual partido governante é ainda pior do que Sarney e toda a malta patrimonialista que tem governado este país. Os patrimonialistas sempre quiseram "se arrumar", para usar a consagrada expressão cunhada pelo genial Chico Anísio. Os petistas querem muito mais, querem se perpetuar no poder à moda de Chávez, querem colocar o Brasil integralmente na agenda globalista da esquerda internacional.
Claro que o Estadão se esqueceu de dizer no editorial que a fonte dos diálogos divulgados são gravações que estavam sob a guarda de segredo de Justiça, o que fere não apenas a lei, como também os direitos individuais das pessoas arroladas no processo, incluindo o coronel Ribamar. Ainda uma vez a Polícia Federal foi usada como gerdame do partido governante, uma prática muito perigosa para as instituições democráticas.
Se o patrimonialismo é uma prática política deletéria, mais é ainda aquela que o partido governante tem feito e que não levanta suspeita alguma do editorialista, até porque tudo leva a crer que o jornal está mancomunado com seus interesses inconfessos dessa gente. Malhar o velho Sarney ficou muito fácil, sobretudo depois de ter sua privacidade telefônica, uma conversa com a própria neta, gravada. O golpe foi mortal. Não sei se mesmo Sarney agüentará a pressão que o fato está colocando na opinião pública.
Pelo andar da carruagem, a tática usada pelo velho Ribamar, de tentar administrar nos bastidores, não está funcionando, pois o inimigo é de outro calibre, tem outro ímpeto. Revolucionários sabem muito bem o que querem e não medem os meios para alcançar os objetivos. Sarney terá que ir para o revide, se quiser sobreviver não apenas no cargo, como também na vida política. Lula não é FHC e o PT não é o PSDB. É ver o que está sendo feito na Venezuela e em Honduras e em toda parte que gente da laia petista chegou ao poder. Nunca se esqueça, caro leitor, que apenas uns poucos votos no Senado, entre eles o de José Sarney, separam o PT do seu projeto político continuísta, em rumo do poder total. Eu realmente espero que Sarney não seja derrotado desta vez. É o melhor para o Brasil.

Ainda sobre a gripe suína e a FSP

Está muito interessante o post do blog Vi o mundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha. Mais um que concorda com o Entrelinhas: a Folha está fazendo terrorismo com a gripe suína. E a razão disto é simples, tem nome e sobrenome: José Serra. O texto abaixo praticamente prova esta tese...

Cuidado: para eleger Serra a Folha vai te matar

Atualizado em 26 de julho de 2009 às 21:29 | Publicado em 26 de julho de 2009 às 21:13

por Conceição Lemes*

Jornalismo de saúde é uma área em que não dá para, no dia seguinte, simplesmente dizer: erramos.
A essa altura, devido à reportagem malfeita por incompetência e/ou má-fé, muitas pessoas assumiram como verdadeira a informação mentirosa, distorcida, equivocada; algumas já tomaram o caminho errado. Minimizar o estrago não é fácil; revertê-lo 100%, impossível.
A Folha de S. Paulo não aprendeu isso com a febre amarela, quando cometeu – junto com o restante da mídia corporativa – um verdadeiro crime contra a saúde pública dos brasileiros.
No domingo retrasado, 19 de julho, reincidiu: “Reportagem da Folha sobre gripe suína é totalmente furada; uma irresponsabilidade”.
Só para relembrar, a chamada de capa era taxativa: Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses. A interna, da matéria propriamente dita, chutava bem mais alto: Gripe pode afetar até 67 milhões de brasileiros em oito semanas
Ao descer os olhos pela matéria, se descobria que os cálculos da reportagem se basearam num estudo de 2006 que visava o vírus H5N1, responsável pela gripe aviária. Não tem nada a ver com o vírus H1N1, causador da influenza A, também chamada de gripe A, nova gripe ou gripe suína.
Para alguém com informação na área de saúde ou médica, a estupidez do artigo e a intenção de disseminar o pânico eram flagrantes. Mas para a população em geral, não. O risco era provocar uma corrida desnecessária aos hospitais.
O Viomundo entrevistou o dr. Eduardo Hage, diretor da Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde. Foi o mesmo entrevistado pela Folha. As suspeitas se confirmaram.
“A reportagem da Folha do domingo [19 de julho] da Folha sobre gripe suína é totalmente furada”, alertou Eduardo Hage. “Uma irresponsibilidade.”
“Há um erro capital na reportagem, e jornalista foi alertado”, revelou o dr. Hage. “Os parâmetros do estudo do vírus H5N1 não valem para a nova gripe. Mesmo assim, o jornalista utilizou parâmetros do estudo para o vírus H5N1 para calcular quantas pessoas poderiam ser infectadas pelo novo vírus, quantas precisariam de cuidados médicos e quantas seriam internadas por complicações da doença.”
“Os parâmetros utilizados pela Folha de S. Paulo não têm base epidemiológica, estatística. É pura ilação, sem qualquer base científica. Foi um chute a quilômetros de distância do alvo”, acrescentou Hage. “Só espero que esses cálculos equivocados não sejam uma tentativa de gerar desinformação, como aconteceu na febre amarela.”
No próprio domingo, o Ministério da Saúde, por meio da sua assessoria de imprensa, enviou carta ao Painel do Leitor, na tentativa de restabelecer a verdade dos fatos. Foi publicada na edição de segunda-feira. “Não há modelos matemáticos disponíveis no mundo para se realizar uma projeção sobre o número de pessoas que serão afetadas pela influenza A”; “Todos os cálculos..., utilizados pela reportagem, são referentes a uma possível pandemia da gripe aviária, causado pelo vírus H5N1, entre outras. Os parâmetros não são válidos para a influenza A (H1N1).”
Ficou por isso mesmo. Mais uma vez o autor da matéria ignorou o alerta. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, ele responde sem responder, subestimando a inteligência dos leitores, como se todos fossem idiotas.
Neste domingo, ao ler a coluna Ombudsman, assinada pelo jornalista Carlos Eduardo Lins e Silva, uma grata surpresa, a começar pelo título -- No limite da irresponsabilidade.
No primeiro parágrafo, Carlos Eduardo diz tudo:
“A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008”.
Na sequência, arrola preocupações levantadas pelo Viomundo:
“É quase impossível ler isso [número de brasileiros que poderiam ser afetados e os de hospitalizações] e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.

Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que "por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto".
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente?”
Vários leitores se manifestaram ao ombudsman sobre a matéria: "leviana e irresponsável"; "se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento”; "trata-se claramente de sensacionalismo.”
“O pior”, termina Carlos Eduardo, “é que a Redação não admite o erro.”
O dr. Eduardo Hage alertou para o erro, o jornalista ignorou e foi em frente. O Ministério da Saúde mandou a carta ao jornal, ele deu ombros. O ombdusman cobrou, a redação não admitiu o erro.
Na certa, a esta altura, alguns devem estar me cobrando: “Se jornalismo de saúde é uma área em que não dá para simplesmente dizer 'erramos', como fica a Folha que nem admite o erro?”
Saúde é uma área em que não dá mesmo para a gente errar. Por isso, temos que ser extremamente cuidadosos, responsáveis, éticos. Afinal, estamos lidamos com o bem mais precioso de todo mundo: a vida.
Mas errar acontece. Aí, temos que irremediavelmente assumir o erro, destacando o equívoco e mostrando a informação correta. É o único de minimizar os “efeitos colaterais”.
Agora, errar é humano, perseverar no erro é burrice, diz o ditado popular. No caso da Folha, perseverar no erro parece má-fé. Reforça a hipótese de que o objetivo era gerar pânico na população, promover corrida aos hospitais e, aí, jogar a conta nas costas do governo federal.
Uma decisão que não foi do jornalista arrogante nem da redação, mas provavelmente do dono da Folha, Octávio Frias Filho, que nunca faria isso se tivesse, de fato, o rabo preso com leitores.
Será por que o ministro José Gomes Temporão é do ramo e está fazendo uma gestão competente e transparente, deixando no chinelo o ex-ministro José Serra?
Será que se o ministro atual fosse o governador José Serra isso teria acontecido?
Será que a intenção era tirar o foco de São Paulo e Rio Grande do Sul, estados com maior número de casos até o momento e governados pelo PSDB?
Será...? Será...? Será...? Não faltam conjecturas.
O fato é que se o jornalista Hélio Schwartsman, autor da matéria, e o senhor Otavinho tivessem passado, pelo menos, UMA HORA das suas vidas num pronto-socorro, como o do Hospital das Clínicas de São Paulo ou do Hospital Souza Aguiar, no Rio de Janeiro, não teriam sido tão levianos, irresponsáveis e inconsequentes com a saúde da população, inclusive a dos leitores da Folha.
Fazer política com notícias de saúde pode ser fatal. Afinal, jornalismo porco na área de saúde causa doenças físicas e emocionais, efeitos colaterais graves e pode até matar.
* Conceição Lemes é jornalista especializada em Medicina e Saúde.

Ombudsman concorda com este blog

É só ler o texto abaixo, do ombudsman da Folha de S. Paulo, Carlos Eduardo Lins da Silva, para entender o que já foi dito neste blog algumas vezes: a imprensa, FSP, especialmente, está exagerando no noticiário sobre a gripe suína. Uma coisa é publicar os fatos com responsabilidade, outra é disseminar o pânico. E não é preciso ser um gênio da raça para entender a motivação da Folha na cobertura da gripe suína: atingir a popularidade do governo federal, ora pois... Aliás, o candidato da Barão de Limeira, govrenador José Serra (PSDB), foi o tal super ministro de que área, mesmo? Simples como dois e dois são quatro... A seguir, a íntegra do texto de CELS:

No limite da irresponsabilidade

Ao ler na capa chamada sobre a gripe A, até os menos paranoicos devem ter achado que chances de contrair doença são enormes

A REPORTAGEM e principalmente a chamada de capa sobre a gripe A (H1N1) no domingo passado constituem um dos mais graves erros jornalísticos cometidos por este jornal desde que assumi o cargo, em abril de 2008.
O título da chamada, na parte superior da página, dizia: "Gripe suína deve atingir ao menos 35 milhões no país em 2 meses". A afirmação é taxativa e o número, impressionante.
Nas vésperas, os hospitais estavam sobrecarregados, com esperas de oito horas para atendimento.
Mesmo os menos paranoicos devem ter achado que suas chances de contrair a enfermidade são enormes. Quem estivesse febril e com tosse ao abrir o jornal pode ter procurado assistência médica.
O texto da chamada dizia que um modelo matemático do Ministério da Saúde "estima que de 35 milhões a 67 milhões de brasileiros podem [em vez de devem, como no título] ser afetados pela gripe suína em oito semanas (...). O número de hospitalizações iria de 205 mil a 4,4 milhões".
É quase impossível ler isso e não se alarmar. Está mais do que implícito que o modelo matemático citado decorre de estudos feitos a partir dos casos já constatados de gripe A (H1N1) no Brasil.
Mas não. Quem foi à página C5 (e não C4 para onde erradamente a chamada remetia) descobriu que o tal modelo matemático, publicado em abril de 2006, foi baseado em dados de pandemias anteriores e visavam formular cenários para a gripe aviária (H5N1).
Ali, o texto dizia que "por ser um esquema genérico e não um estudo específico para o atual vírus, são necessários alguns cuidados ao extrapolá-lo para o presente surto".
Ora, se era preciso cautela, por que o jornal foi tão imprudente? Ou, como pergunta o leitor Martim Silveira: "já que não tem base em nada nas circunstâncias atuais, qual a relevância de publicar algo que evidentemente só pode causar pânico numa população que já está abarrotando os postos de saúde por causa da gripe, quando os casos mal passam do milhar?"
Muitos leitores se manifestaram ao ombudsman. José Rubens Elias classificou a chamada de "leviana e irresponsável". José Roberto Teixeira Leite disse que "se o objetivo do jornal era espalhar pânico, conseguiu o intento". Para José Clauver de Aguiar Júnior, "trata-se claramente de sensacionalismo".
O pior é que a Redação não admite o erro. Em resposta à carta do Ministério da Saúde, que tentava restabelecer os fatos, respondeu com firulas formalistas como se o missivista e os leitores não soubessem ver o óbvio. Em resposta ao ombudsman, disse que considera a chamada e a reportagem "adequadas" e que "informar a genealogia do estudo na chamada teria sido interessante, mas não era absolutamente essencial".

Uma vida, uma sina

Foi só um dia fora de São Paulo (e do blog) e ao retornar, com tristeza, o autor do blog leu a notícia do acidente envolvendo Felipe Massa e Rubens Barrichelo. É realmente incrível o azar do eterno segundão da Fórmula 1, parece mesmo uma sina: além de não ganhar coisa alguma ao longo de tantos anos, o rapaz ainda consegue provocar, involuntariamente, um acidente quase faltal (rezemos para que não seja este o desenlace), com a grande promessa do automobilismo brasileiro, o talentoso Felipe Massa. Mas a verdade é que qualquer semelhança entre Rubinho e o governador José Serra (PSDB) é mera coincidência ou maledicência da oposição!! E vida longa a Felipe Massa.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Gripe suína e a histeria da mídia

Este blog publicou o comentário abaixo no dia 28 de abril deste ano. Parece que a advertência continua bem atual. A tal da nova gripe tem a mesma taxa de letalidade do que a gripe normal. Morrem 20 pessoas de verminose por semana no Brasil e a imprensa está fazendo um escarcéu danado por causa das tais vinte e tantas mortes desde o início da disseminação da doença no país. Seria ridículo se não fosse simplesmente irresponsável...

Um novo Ébola?

Ok, pode ser que a gripe suína seja mesmo muito grave, mas o alarde da mídia em torno da doença parece um pouco exagerada. Faz lembrar o tal do Ebola, o vírus que dizimaria meia África e deixar um rastro de desgraça pelo mundo afora. Na época (edição de 9 de agosto de 2000), a revista Veja (sempre ela) publicou a seguinte matéria:

Truque assassino
Descoberto mecanismo de infecção do vírus Ebola, que mata nove entre dez contaminados

O Ebola é um pesadelo. Capaz de liquidar suas vítimas em poucos dias, é o mais violento de todos os vírus. De cada dez pessoas contaminadas, nove morrem. Isso ocorre porque o microrganismo ataca veias e artérias de todo o corpo, provocando hemorragia generalizada. Certos órgãos, como o fígado e os rins, simplesmente se desfazem e o sangue jorra em tal profusão que sai pelos olhos e poros. Na semana passada, cientistas americanos anunciaram o primeiro passo para combater esse assassino cruel: a descoberta da proteína usada pelo Ebola para destruir as células, causando o rompimento dos vasos sanguíneos. Entender o mecanismo de infecção torna possível o desenvolvimento de recursos para controlá-lo. "Remédios exigem maior prazo de pesquisa, mas uma vacina pode ser desenvolvida com rapidez", disse a VEJA Gary Nabel, coordenador da pesquisa no Instituto Nacional de Saúde, responsável pelos estudos com o vírus, nos Estados Unidos.

A primeira epidemia de Ebola da qual se tem notícia matou 500 pessoas em 1976, no Zaire (atual Congo). Dezenove anos mais tarde, um novo surto, com 245 mortes, chocou o mundo com cenas dantescas. Temeu-se que o microrganismo se alastrasse de maneira incontrolável, causando uma catástrofe de proporções planetárias. O clima de pânico internacional foi transposto para o cinema no filme Epidemia, com Dustin Hoffman, em 1995. A preocupação justifica-se. O Ebola é um vírus rápido, com um período de incubação de duas a três semanas, que se espalha num piscar de olhos. Um simples espirro é capaz de lançar milhares de micróbios no ar. Pode ser transmitido por contato sexual, pelo sangue e por secreções de pessoas contaminadas. Mas, da mesma forma abrupta que apareceu, a epidemia se foi. Uma particularidade do Ebola é a capacidade de devastar vilas inteiras e depois sumir sem ninguém saber ao certo como nem por quê. Isso explica, em parte, que o microrganismo continue raro, restrito a algumas regiões da África. Impressiona que já se saiba tanto sobre a fisiologia de um vírus e tão pouco sobre seu comportamento. "Ainda precisamos descobrir onde ele existe na natureza e qual bicho serve de transmissor para o ser humano", diz Nabel. A descoberta de seu mecanismo de ação pode ajudar os pesquisadores a entender doenças parecidas, como a dengue hemorrágica e as infecções por hantavírus que ocorrem no Brasil.


Bem, a África continua por lá e os africanos também. Mundo afora, parece que não foi muita gente que morreu contaminado pelo "pesadelo" da Veja. Notícia ruim vende mais, muito mais, e os veículos de comunicação, especialmente os impressos, andam precisando reforçar o caixa. Portanto, ninguém se espante muito com as manchetes assustadoras sobre a gripe suína. Este blog continua achando que deve ser coisa de palmeirense... Aguardemos a capa de Veja deste domingo!

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Boa notícia

Na Agência Estado:

Alencar recebe alta após 15 dias de internação

FABIANA MARCHEZI

SÃO PAULO - Após 15 dias de internação, o vice-presidente da República, José Alencar, recebeu alta e deve deixar o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, por volta das 18h30 de hoje, segundo boletim divulgado pelo hospital.
Alencar estava internado desde o último dia 9, quando passou por uma cirurgia que durou seis horas para a correção de obstrução intestinal causada por tumores abdominais. O procedimento foi realizado pelos médicos Raul Cutait e Ademar Lopes.

Farra das passagens pede passagem

Já não era sem tempo o que vai relatado na matéria abaixo, da Folha Online. Michel Temer (PMDB-SP) é um político hábil, está aproveitando o vácuo da crise no Senado para tentar resolver a da Câmara com o menor rebuliço possível. Se vai conseguir ou não, são outros quinhentos. Mas que é um esperto, o nobre deputado, não resta a menor sombra de dúvida.

Temer vai abrir 44 processos administrativos contra servidores por venda de passagens

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), determinou nesta quinta-feira que a Corregedoria da Casa investigue a participação de deputados na venda da cota de passagens aéreas. Temer decidiu ainda abrir 44 processos administrativos contra servidores que tiveram o envolvimento confirmado pela comissão criada para apurar o comércio de bilhetes aéreos da Câmara.
O comando da Câmara decidiu manter em sigilo os nomes dos servidores e dos parlamentares que estão sob suspeita. Os deputados não foram ouvidos porque a comissão de sindicância era formada por funcionários e não pode ouvir depoimento.
O relatório da comissão não foi divulgado. Os técnicos analisaram se há ou não uma espécie de máfia das passagens. A suspeita é que funcionários de gabinetes vendiam bilhetes da cota dos parlamentares para agências de turismo. Essas empresas, por sua vez, revendiam as passagens para clientes e repassavam parte dos recursos para funcionários.

Cadê a crise que estava aqui?

Até a Míriam Leitão, quem diria, reconhece a boa noticia do dia... Do blog da colunista global:

Taxa de desemprego
As boas notícias do mercado de trabalho

Várias boas notícias no dado divulgado hoje pelo IBGE. A taxa de desemprego de junho caiu para 8,1% em relação ao 8,8% do mês de maio. E ficou estável em relação a junho o ano passado, que foi de 7,9%.
1) A primeira boa notícia é a queda em si, em mês em que sazonalmente deveria ter aumentado;
2) O primeiro semestre termina sem que a taxa de desemprego chegasse a dois dígitos, que era a previsão e o temor de vários analistas;
3) A renda real subiu 3% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Pesquisa Mensal de Emprego é calculada pelo IBGE em apenas seis cidades do país, mas que também são as maiores . A pergunta feita ao entrevistado é se ele procurou emprego no último mês. Se ele não procurou, não entra na estatística de desemprego. O economista André Urani me explicou agora há pouco que o mesmo entrevistado é visitado quatro meses seguidos, o que reduz essa distorção. Porque se ele não procurou em um mês, pode vir a procurar no outro.
— É uma espécie de painel. O mesmo pesquisado é entrevistado quatro meses seguidos, depois não é ouvido por oito meses, depois volta a ser ouvido. Isso dá ao indice o caráter de painel.
Apesar das boas notícias os especialistas mostram vários sinais de que o mercado de trabalho está fraco, não está criando os empregos que deveria. Mesmo assim, é preferível ter uma taxa de desemprego em queda do que em alta, no meio de uma crise global.

Sarney acha que foi Tarso

Do blog do jornalista Ricardo Noblat:

Sarney está irritado com o governo. E culpa Tarso

Vocês pensam que o senador José Sarney (PMDB-AP) está na defensiva?
Que nada!
Mandou um duro recado para Lula.
Está irritado com o ministro Tarso Genro, da Justiça, que poderia ter controlado melhor a Polícia Federal e impedido que vazasse gravações que o comprometem - e a sua família.
Desconfia que o governo faz jogo duplo: ao mesmo tempo que o defende, o sacrifica.
Lula respondeu que Tarso não teve culpa. Que a polícia não tem culpa. E que ele, Sarney, não deve se preocupar. Continuará blindado pelo governo.


Bem, é claro que Lula e Tarso não diriam a Sarney que estão por trás do vazamento das gravações. O que ainda não está claro é se Tarso agiu à revelia do chefe ou com o seu consentimento. Desta vez, apesar de alguns leitores duvidarem, parece que o governador José Serra nada tem a ver com o pato. Até porque, do ponto de vista dele, o que de melhor poderia acontecer agora é Sarney permanecer no comando do Senado, sangrando até o próximo ano. Ele poderia então posar de rapaz ético enquanto a candidata do governo à presidência teria de responder pelos descalabros no Senado. Já do ponto de vista de Lula, uma renúncia de Sarney, com nova eleição, quem sabe de um aliado menos problemático, seria uma solução bastante razoável para a atual crise. Mas ele terá que pagar caro para que o PMDB continue a seu lado. Ou não tão caro assim: será que Serra receberia o paxá do Maranhão de braços abertos? Política, como se pode ver, não é algo muito simples...

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Delenda Sarney?

A julgar pela reportagem da Folha Online, reproduzida abaixo, faz sentido a hipótese de que o vazamento das gravações envolvendo a família Sarney tenha partido do próprio governo. Pode parecer estranho, nesta altura do campeonato, o presidente Lula afagar Sarney com uma mão e bater com a outra. Ou mandar bater, tanto faz. Mas a política é assim mesmo, muitas vezes o que se diz em público não é o que se faz nos bastidores. Talvez o governo tenha se convencido de que não dá para carregar Sarney até 2010 e esteja, digamos assim, oferecendo a ele alguns "argumentos" de que é melhor um afastamento agora, rápido e quem sabe indolor, do que a permanência na presidência do Senado. Claro que isto cria um vácuo de poder e um problema político sério, mas às vezes é preciso cortar o mal pela raiz antes que ele se espraie e acabe virando algo ainda pior. Se Tarso acha normal o vazamento das gravações, é mesmo possível que Lula tenha ordenado o "delenda Sarney". E, como se sabe, "Roma locuta, causa finita"...

Tarso diz que vazamento de gravações em investigações é "natural"

MÁRCIO FALCÃO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) evitou comentar nesta quarta-feira o suposto vazamento de interceptações telefônicas realizadas pela Polícia Federal que indicaram a participação direta do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), na edição de atos secretos.
Tarso disse que se o inquérito não estiver em sigilo é um "vazamento normal". O ministro afirmou ainda que a Polícia Federal está proibida de usar politicamente as gravações.
"Não sei se houve vazamento porque não sei se o processo está em segredo de Justiça. Um inquérito dessa natureza está há muito tempo na jurisdição da Polícia Federal e, de repente, se esse processo vai para o Ministério Público e para a Justiça, os advogados têm acesso, as pessoas têm o direito de manusear o processo. Então é um vazamento natural, as pessoas, os advogados vazam", disse.
Segundo o ministro, a Polícia Federal mudou a linha de atuação porque, enquanto participava do debate político, passou por um "período negativo". "A Polícia Federal tem orientação severa de não participar do debate político, oferecendo fatos para o debate. Ela faz investigações técnicas, leva para o Ministério Público e consequentemente para a Justiça. O período em que a Polícia federal apresentava fatos e eles serviam para o debate político foi um período negativo e este não é mais um papel da Polícia Federal", afirmou.
Tarso negou que a declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva hoje pedindo ao novo procurador-geral da República, Roberto Gurgel, cuidado com a biografia dos investigados tenha relação com o presidente do Senado, José Sarney, envolvido em denúncias de irregularidades. No mês passado, o presidente Lula chegou a afirmar que "Sarney tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum".
"Acho que não. Existe todo um processo no Brasil de afirmação de solidez das instituições, do processo investigativo e como isso é impactante na sociedade. Quando o presidente reporta isso, é uma cautela que todos devem ter de não fazer prejulgamento", afirmou.
A Polícia Federal indiciou na semana passada o filho de Sarney, Fernando, por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e tráfico de influência.
Diálogos gravados pela Polícia Federal com autorização judicial, durante a Operação Boi Barrica e divulgados hoje, mostram a prática de nepotismo pela família com auxílio do ex-diretor-geral Agaciel Maia e aos atos secretos, segundo reportagem publicada do jornal "O Estado de S.Paulo".
Em um dos diálogos, o empresário Fernando Sarney, filho do senador, diz à filha, Maria Beatriz Sarney, que mandou Agaciel reservar uma vaga para o namorado dela, Henrique Dias Bernardes.
A reportagem informa que, em outra conversa, Fernando Sarney conversa com o filho João Fernando sobre o emprego dele como funcionário do senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA).
Em diálogo com o filho, alvo da investigação, José Sarney caiu na interceptação. Segundo a gravação, o senador se compromete a falar com Agaciel para sacramentar a nomeação. O namorado da neta foi nomeado oito dias depois, por ato secreto.

Decisão unânime

O corte de meio ponto percentual na Selic já era esperado pelo mercado, o que chamou atenção desta vez foi a decisão unânime no Copom, ao contrário da última reunião, quando a queda de um ponto foi por 6 votos a 2. Agora, com a taxa em 8,75%, será preciso resolver a questão do rendimento da caderneta de poupança para que os juros básicos possam ser reduzidos ainda mais. Resta saber se o nobre e chiliquento deputado Raul Jungmann (PPS-PE) vai deixar...
Em tempo: quando o presidente Lula assumiu o governo, em 2003, a Selic estava em 26,5%. Só para lembrar, o atual patamar é o mais baixo, em termos nominais e reais, desde que a Selic foi criada.

Mais gravações?

O jornalista Ricardo Noblat avisa que o Jornal Nacional da TV Globo desta noite apresentará mais gravações que complicam a vida do presidente do Senado, José Sarney. A ver.

Quem vazou as gravações de Sarney?

O material divulgado pelo Estadão de hoje faz parte de uma investigação da Polícia Federal. As gravações foram realizadas com autorização judicial. Diferentemente das denúncias feitas até aqui, que envolviam José Sarney e sua família no âmbito do Senado Federal - e que, portanto, poderiam ter origem em servidores da Casa insatisfeitos com a sua vitória na eleição interna –, desta vez as acusações foram vazadas por gente com acesso ao inquérito da PF. Ora, a Polícia Federal se reporta ao ministro Tarso Genro, da Justiça, que por sinal não parece ter muito controle sobre os subordinados. A pergunta que não quer calar é uma só: quem vazou o material para o Estadão? Duas são as hipóteses mais razoáveis: gente da PF ligada ao próprio Tarso Genro (uma parte do PT, como se sabe, não anda gostando nadinha da aproximação do PMDB com o presidente Lula); gente da PF ligada ao governador José Serra (PSDB) – sim, porque o tucano paulista deixou, digamos assim, muitos amigos entre os Federais... Neste momento, pouca gente sabe quem vazou. O presidente Sarney certamente sabe e os editores do Estadão, também. E durma-se com um barulho desses...

Sarney sifu com matérias do Estadão?

A situação do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), ficou ainda mais complicada com a publicação hoje de uma série de matérias no jornal O Estado de S. Paulo revelando ligações telefônicas do senador com familiares - filho e neto. O tom de bazófia em algumas conversas é o tipo da coisa que só faz crescer a indignação com o senador Sarney e sua família. Está ficando cada dia mais difícil para o presidente aguentar a pressão. Se sobreviver, terá sido por milagre, pois nesta altura do campeonato tudo indica que a pressão para derrubá-lo do cargo atingiu um nível semelhante a que foi imposta a Renan Calheiros (PMDB-AL). Difícil resistir...

Bolão da Selic

Quanto cairá a taxa básica de juros nesta quarta-feira? Na última reunião do Copom, o mercado esperava um corte menor do que o praticado pelo Banco Central. Agora, a expectativa é de um corte de meio ponto percentual, que seria a última do ano, de acordo com as previsões. Como as matérias dos grandes jornais sobre o assunto estão contaminadas pelo blá-blá-blá dos operadores do mercado financeiro, fica difícil separar o que é wishfull thinking – desejo puro e simples – e o que é análise justa e correta. Este blog tende a crer em um corte de meio ponto, mas não ficará surpreso se o Copom determinar 0,75 ou mesmo um ponto. Por uma razão simples: a atividade industrial continua muito fraca e não há risco de inflação para 2010. A ver.

terça-feira, 21 de julho de 2009

DEM não carrega pacote...

Do site Congresso em Foco:

DEM entra com ação no STF contra cotas raciais da UnB

Renata Camargo
O partido Democratas ajuizou uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o sistema de cotas raciais da Universidade de Brasília (UnB). Na ação, feita pela procuradora no Distrito Federal Roberta Fragoso Kaufmann, o partido pede que as cotas raciais sejam declaradas inconstitucionais e que sejam suspensas as matrículas de alunos cotistas aprovados no último vestibular da UnB. “É uma Ação objetivando acabar com as cotas raciais na UnB. Há pedido de liminar para suspender a matrícula dos alunos aprovados no último vestibular da UnB, cujo resultado foi divulgado na sexta-feira, dia 17”, informou ao Congresso em Foco a procuradora Roberta Kaufmann, que está atuando como advogada voluntária do DEM na ação.

A notícia acima também é daquelas que dispensa comentários. Mas faz lembrar a letra da música "A banca do distinto". É, o pessoal do DEM não carrega pacote...

Não fala com pobre, não dá mão a preto
Não carrega embrulho
Pra que tanta pose, doutor
Pra que esse orgulho
A bruxa que é cega esbarra na gente
E a vida estanca
O enfarte lhe pega, doutor
E acaba essa banca
A vaidade é assim, põe o bobo no alto
E retira a escada
Mas fica por perto esperando sentada
Mais cedo ou mais tarde ele acaba no chão
Mais alto o coqueiro, maior é o tombo do coco afinal
Todo mundo é igual quando a vida termina
Com terra em cima e na horizontal

Fim do cartão corporativo
e o debate que ninguém faz

A notícia abaixo já ganhou as manchetes dos portais. Muita gente vai elogiar, mas este blog avalia que se trata de um retrocesso. Pior, o fundamental na questão dos gastos dos altos funcionários públicos ficou de fora do decreto. Senão vejamos. O cartão corporativo oferece a possibilidade de maior transparência nos gastos, tanto que o tal escândalo dos cartões só ocorreu porque os dados relativos ao uso desta modalidade de pagamento são públicos.

Mas este é só um detalhe, a questão de fundo é mais importante e diz respeito à remuneração dos ministros, secretários executivos, presidentes de autarquias, enfim, do alto escalão da burocracia brasileira. O fato é que os salários deste pessoal são muito baixos, especialmente na comparação com a iniciativa privada. Um ministro ganhando R$ 8 mil é algo risível, o cargo exige uma responsabilidade enorme, deveria ser bem remunerado.

O que ocorre hoje é ridículo, em todas as esferas da administração pública - governos estaduais e prefeituras incluídas - o alto escalão acaba integrando conselhos de empresas estatais para complementar a remuneração com jetons e outros artifícios, como as tais diárias para viagens. Por que não pagar o justo a esses funcionários e acabar de vez com as diárias? É assim que funciona na iniciativa privada, seria salutar que ocorresse também no governo. Com um salário, digamos, de R$ 40 mil - que continua baixo para os padrões do que pagam empresas de grande porte aos seus executivos -, os ministros bancariam suas despesas tranquilamente. Talvez em ocasiões em que o funcionário esteja em função de representação do país no exterior o Estado pudesse pagar o dispêndio, fora daí, não. E ficaria proibido também o acúmulo e proventos, para acabar com esta palhaçada de conselhos e quetais, usada indistintamente por governos do PSDB e PT, é bom que se diga. É simples assim. Ou deveria ser.


Decreto presidencial acaba com cartão corporativo para ministros

Carolina Pimentel
Repórter da Agência Brasil

Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou hoje (21) decreto que estipula o pagamento de diárias para viagens de ministros em território nacional e reajusta as diárias pagas aos servidores da administração pública federal. A instituição das diárias foi uma das recomendações da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPI) dos Cartões Corporativos, encerrada há mais de um ano no Congresso Nacional.
Atualmente, os ministros pagavam as despesas com as viagens nacionais usando cartão corporativo ou suprimento de fundos, devido a uma decisão tomada na década de 1990 que revogou as diárias nacionais. O sistema já era usado pelos ministros apenas para as viagens internacionais.
Segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, as diárias para os ministros de Estado vão variar de R$ 458 a R$ 581. Conforme levantamento do ministério, os custos mais altos são nas cidades do Rio de Janeiro e Manaus. O dinheiro poderá ser usado para o pagamento de refeições, diárias de hotel e táxi.
O uso do recurso é livre. Se o ministro não usar todo o dinheiro, não necessita devolver, apenas em casos excepcionais, como, por exemplo, a duração da viagem for inferior ao previsto.
Com a implantação das diárias, os ministros não irão mais usar os cartões corporativos. “Não há cabimento usar cartão para despesa de viagem”, afirmou o controlador-geral da União, Jorge Hage, ao lado de Paulo Bernardo, após reunião com o presidente Lula, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB). “O cartão vai acabar.”
O piso das diárias para os servidores passou de R$ 85 para R$ 106. O teto foi reajustado de R$ 178 para R$ 224. Conforme Bernardo, o aumento foi feito com base no acúmulo da inflação desde 2003.
O governo equiparou também as diárias dos funcionários de nível médio aos de nível superior. Apesar de já ter avisado aos colegas de ministério para controlarem seu orçamentos neste ano e para 2010, Bernardo prevê R$ 200 milhões de gastos a mais no próximo ano por conta da instituição das diárias para ministros e o reajuste das pagas aos servidores.
Para 2009, o impacto está sendo calculado, mas deve ser aproximadamente de R$ 100 milhões. Bernardo ratificou que os ministérios não devem esperar verbas extras este ano. O decreto presidencial será publicado no Diário Oficial da União de amanhã (22).

Choque de gestão revolucionário em SP

Não dá para não reproduzir. Do blog do jornalista Luis Nassif, a nota dispensa comentários. Difícil saber qual medida é mais útil para o bravo povo bandeirante...

Duas leis de José Serra que passaram despercebidas:
SP proíbe a venda de banana por dúzia
Decreto do governador José Serra determina que fruta seja vendida apenas por quilo.
Quem desobedecer a lei terá de pagar multa que varia de R$ 297,60 a R$ 297.600.

Nova lei veta quentão em festa junina nas escolas estaduais de SP

da Folha de S.Paulo
O governador José Serra (PSDB) sancionou uma lei, publicada ontem no “Diário Oficial”, na qual a compra e a venda, o fornecimento (mesmo que seja gratuito) e o consumo de bebidas alcoólicas são proibidos nas escolas e faculdades técnicas da rede estadual de São Paulo.
A nova regra se aplica inclusive aos estudantes que já são maiores de idade e aos eventos promovidos pelas instituições de ensino fora de suas dependências.
Com isso, é o fim do quentão e do vinho quente, muito comuns nas festas juninas realizadas pelas unidades de ensino. O veto também se estende a bailes, festivais e até formaturas.
De acordo com a Casa Civil, o governo ainda vai analisar se o veto será aplicado também às universidades estaduais, como a USP, a Unesp e a Unicamp.
Em um primeiro momento, a tendência é que não seja aplicado, por conta da autonomia administrativa das universidades. Ficam de fora da proibição também as escolas particulares e as das redes municipais.
A medida proíbe todo tipo de bebida com teor alcoólico igual ou superior a 4,5 graus Gay-Lussac –gradação alcoólica média da cerveja comum.
O aluno que descumprir a nova proibição será punido de acordo com o regimento interno. A lei não prevê punição a quem fornecer bebida aos estudantes, mesmo que sejam servidores ou professores do Estado.
Fiscalização
Para Hebe Tolosa, presidente da Apaesp (associação de pais e alunos), já existem leis que vetam o comércio e o consumo de álcool nas escolas, como a que proíbe a compra de bebidas por menores de idade, e o governo deveria investir na fiscalização.
“Se o governo faz uma lei dessas é porque a bebida está entrando nas escolas”, diz.

Lula quer Ciro para o governo de SP

Na Folha Online:

Lula defende alianças em São Paulo e sinaliza apoio a Ciro Gomes

CHRISTIAN BAINES
colaboração para Folha Online, em Brasília

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta terça-feira a realização de alianças para vencer a disputa para o governo de São Paulo nas eleições de 2010. A posição do presidente sinaliza um possível apoio à candidatura do deputado Ciro Gomes (PSB-CE).

Quando perguntado se iria se encontrar com membros do PT nesta semana para discutir o nome candidato para as eleições do ano que vem, o presidente desconversou, mas fez questão de deixar clara sua posição.

"O PT já aprendeu. Tem 29 anos de história. Sabe perfeitamente que tem que fazer política de aliança para vencer as eleições", disse.

Apesar de Ciro negar a pretensão de disputar o governo de São Paulo, seu nome vem sendo cada vez citado como uma possibilidade de alternativa ao PT. O partido abriria mão de candidato próprio no Estado e centralizaria suas forças na candidatura nacional.

O presidente defende que o partido só deva ter a cabeça da chapa nos Estados que já governa. "As pessoas sabem o que eu penso. O PT tem que ter uma ação de responsabilidade. Saber qual a força que tem em cada Estado, qual a perspectiva de fazer ou não aliança política", disse.

O PT está em dificuldades para emplacar um nome para candidatura própria. O prefeito de Osasco, Emídio de Souza, defendido por uma ala do partido, sofre resistência por ser pouco conhecido na capital.

O outro possível nome no Estado é o do deputado federal Antônio Palocci (PT-SP), mas ainda é considerado frágil por causa das denúncias de quebra de sigilo bancário na época em que era ministro da Fazenda. O caso ainda está em análise no STF (Supremo Tribunal Federal).


Este blog continua duvidando das chances do deputado Ciro Gomes (PSB-CE) em São Paulo, pois o eleitorado paulista, especialmente do interior, é muito conservador e avesso a este tipo de candidatura, especialmente pelo fato de Ciro ser nordestino. Se a eleição fosse apenas na capital, onde residem tantos migrantes do Nordeste, ainda vá lá... Ou ainda se o deputado concorresse no Rio de Janeiro, que já importou Brizola do Rio Grande, seria possível dizer que ele teria boas chances. De qualquer forma, uma candidatura de Ciro em São Paulo incomodará duplamente o governador José Serra (PSDB), pois o deputado socialista é bem mais ferino em seus discursos do que os demais petistas cotados para a disputa e também porque forçará Serra a aceitar a presença de seu ex-desafeto Geraldo Alckmin na disputa, uma vez que Aloysio Nunes Ferreira teria poucas chances contra Ciro. Isto, é claro, se Gilberto Kassab (DEM) não copiar seu antecessor na prefeitura e sair para o governo no próximo ano. De qualquer forma, a eleição paulista será mais divertida com a presença de Ciro. Outro lado bom dessa história toda é que Patrícia Pillar ficará mais tempo no Estado...

Bob Jefferson elogia coluna de Lula

Roberto Jefferson é um analista político dos bons, melhor do que muito jornalista metido a especialista em política. No comentário abaixo, de seu blog, Jefferson analisa a estratégia de comunicação do presidente Lula e conclui: nesta área, ele é um craque. Palavra de quem entende do riscado.

O sucesso do novo colunista

Nesta terça-feira, Lula responde a perguntas sobre o Bolsa-Família, buracos nas estradas e perspectivas do governo para a educação. As questões escolhidas não deixam de trazer críticas ao governo, que Lula se esmera em tentar responder. O presidente pode não fazer muito sucesso na tradicional imprensa brasileira, mas os jornais estrangeiros já se debruçam na análise de sua espetacular popularidade. Le Figaro se derrama em elogios ao presidente, e confirma o acerto da estratégia de se comunicar com o povão por intermédio da publicação de uma coluna em jornais populares e regionais. Falem o que quiserem do Lula, mas ele é um craque, e agora na comunicação.
Postado por Roberto Jefferson às 11:32

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Alô, Jungmann, e o sequestro da poupança?

O deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE) fez um escarcéu em torno do tal "sequestro" da caderneta de poupança que o governo Lula iria praticar. O mundo gira, a Lusitana roda e nada como um dia após o outro para que as coisas se assentem. A reportagem abaixo, da Agência Estado, mostra que a poupança está mais forte do que nunca, rendendo mais do que outras aplicações. É, Lula pode até abraçar Collor de Mello, mas repetir as bobagens feitas pelo ex-presidente, são outros quinhentos. O pior é que Jungmann nem pediu desculpas ao distinto público pelos absurdos que falou...

CDB perde espaço para poupança

Título precisa pagar 103% do CDI para vencer a caderneta em aplicações de até seis meses. Em dois anos, empata com 94% do CDI

Yolanda Fordelone - AE

A queda da taxa Selic, que deve ser cortada novamente nesta quarta-feira, acirrou a competição da caderneta de poupança em relação aos Certificados de Depósito Bancários (CDB). Apesar destes papéis serem recomendados por especialistas como opção de investimento em renda fixa, avaliar a taxa oferecida para o título pós-fixado é cada vez mais importante. Em alguns casos, o porcentual do CDI pago pelo CDB precisa superar 100% para ganhar do retorno da poupança.

“Dependendo da quantia investida, essa porcentagem não é conseguida”, afirma o coordenador do Centro de Estudos de Finanças Pessoais e Empreendedorismo (Cefipe), Marcos Silvestre, explicando que o investidor precisa dispor de, pelo menos, R$ 50 mil para obter taxas de juros atrativas. “A competição realmente não está fácil para o CDB”, acrescenta.

A UNE que se cuide

A atuação da União Nacional dos estudantes contra a CPI da Petrobras irritou a grande imprensa. Nos últimos dias, diversos artigos de colunistas e mesmo reportagens questionam o "dinheiro público" que a entidade recebe. Bem, a Fiesp também recebe recursos públicos e colunista nenhum questiona a legitimidade. É bom a UNE se preparar, vem aí uma campanha midiática contra a organização.

domingo, 19 de julho de 2009

Para rolar de rir

Desta vez, Nivaldo Cordeiro se superou. Vale muito a pena ler na íntegra o texto abaixo, do Mídia Sem Máscara. A tese do Cordeirão é a seguinte: O jornal O Estado de S. Paulo está a serviço do PT para detonar Sarney e permitir a Lula o terceiro mandato. Desta forma, o melhor (na opinião do articulista do MSM) é o "corrupto" José Sarney resistir no cargo, do contrário Lula e o PT vão se esbaldar. O sagaz articulista só não explica se Arthur Virgílio e os tucanos que andam criticando tanto o presidente do Senado estão nesta jogada para enternizar o petismo ou são meros inocentes úteis. Nada como um cômico de primeira categoria para terminar o domingão, no fundo deve ser culpa da tal política que acabou com os hospícios no Brasil... Eles estão à solta!!

Sarney e o Estadão

Nivaldo Cordeiro | 19 Julho 2009
Media Watch - O Estado de São Paulo

Finalmente o velho coronel Ribamar do Maranhão, o Sarney, disse coisa com coisa ao discursar (ver íntegra) para o plenário vazio do Senado, ontem, já em recesso. Como ator político de longa data, eu não posso deixar de admirar o Sarney naquilo que tem de mais notável: sua capacidade de engolir sapos, de transcender os ataques verbais, de enxergar além da retórica. Ele tem também a noção exata do próprio poder pessoal e do seu próprio papel no processo, Nunca perde o senso do real. Infelizmente, seu nível moral é ínfimo e suas práticas políticas, sejam as eleitorais, sejam as parlamentares, são o que há de pior na matéria. Sarney viu que a mão do inimigo usa as páginas sujas do jornal Estadão como tribuna contra ele.
O jornal, por seu lado, não se fez de rogado e, em editorial (Aposta no esfriamento) da edição de hoje (18), entregou a rapadura, ao analisar o discurso. Não se limitou ao habitual enxovalhamento da figura do Sarney. Foi além, ao ameaçar o velho coronel Ribamar do Maranhão. Leiamos: "Curiosa a cabeça desses políticos. Eles acham, ou querem fazer crer, que a sequência de revelações que há meses mantêm o senador na berlinda não é escabrosa o bastante para resistir a uma nova temporada de possíveis denúncias, dessa vez referidas a uma personagem incomparavelmente maior, como a Petrobrás. A ideia por trás do argumento é que a imprensa não tem fôlego para fazer duas coisas ao mesmo tempo nem a sociedade manterá o interesse pelas lambanças no Senado quando começar o espetáculo da CPI". Por "imprensa" entenda-se Estadão ele mesmo, o único com acesso às fontes privilegiadas de informações fornecidas pelos arapongas do PT. O único veículo que se prestou a esse manobra suja do partido governante.
Quem tem acompanhado o que eu escrevo está muito bem informado desse movimento. Tenho apontado o viés estadônco há pelo menos dois meses. O Estadão tornou-se um aríete dos atuais ocupantes do Palácio do Planalto, contra o presidente do Senado. Como se sabe, o partido governante, o PT, e seu ministro da Justiça, usam de todos os meios legais e ilegais para praticar a luta política contra os adversários e inimigos. Escutas telefônicas ilegais e legais, tocaias escusas, busca em arquivos, nada escapa ao interesse dos militantes petistas infiltrados em todas as esferas de governo. O jornal Estadão não teria a capacidade investigativa de ter acesso ao farto e exclusivo material que tem noticiado contra Sarney, pelo qual tem dado supostos furos todos os dias. Sarney está certo: o Estadão está pautando a imprensa brasileira com seus supostos furos. A pergunta do milhão é: quem dá os furos ao Estadão? Claro, a única força capaz de fazê-lo, o PT.
Sarney sabe disso tanto quanto eu, mas não pode dizê-lo ao microfone. Tem que engolir o sapo e fazer sua defesa da forma que sempre fez, operando nos bastidores. O velho coronel Ribamar do Maranhão sabe que contrariou os interesses dominantes ao postular e ganhar a presidência do Senado e ao entronizar sua filha no governo do Maranhão, em manobra junto à Justiça Eleitoral. Por isso sofre o contra-ataque. Todavia, preciso dizer a você, meu caro leitor, que esses dois fatos, embora maiúsculos, não teriam sido suficientes para essa mobilização do PT, tão aguda e tão perene, objetivando a destituição de Sarney. O PT é mestre na mobilização da opinião pública. Ocorre que a tal opinião pública também tem limites: Sarney sabe qual é a fonte de seu poder, que é a base que dispõe de votos no Senado, em primeiro lugar, e suas relações de compadrios com a alta cúpula do Poder Judiciário (e Ministério Público), bem como ele mesmo, que sabe tudo dos bastidores da política. Um movimente de ataque que queira fazer pode destruir a base de poder de Lula. Sarney pode usar também a opinião pública conta seus atacantes, mas seria um movimento muito perigoso, abalaria as instituições.
E Lula sabe disso, por isso está o tempo todo afagando o velho coronel Ribamar do Maranhão. Tenta desvincular, de todas as formas, a sua pessoa da campanha insidiosa de vilipêndio do velho cacique maranhense. Sarney sabe que é jogo de cena, que, se Lula pudesse, dava-lhe um pontapé no traseiro sem dó e nem piedade. Mas Sarney é macaco velho o bastante para manter as aparências do "me engana que eu gosto".
O ponto é que essa campanha contra Sarney tem um componente estratégico que ainda não está de todo revelado. Em pauta, a sucessão presidencial. Aparentemente, Lula perdeu a oportunidade legal de ter um terceiro mandato. A derrota da CPMF demonstrou que, no Senado, os petralhas não formam maioria qualificada e Sarney é o líder da minoria, fato que usa para fazer valer o seu poder. Enquanto Sarney for presidente daquela Casa o PT não tem como criar um atalho que garanta seu nome à sucessão. Esse é o jogo real que se desenha. Para azar do PT e sorte dos brasileiros o coronel Ribamar do Maranhão está no meio do caminho dos petralhas. E ele não é de brincadeira. Fosse outro qualquer e já teria renunciado.
Caro leitor, observar os acontecimentos é algo realmente divertido e interessante e agora ganhou importância política maior. Se Sarney sucumbir penso que o PT caminhará a passos rápidos para empolgar o poder total. Torço para que o Sarney vença. Melhor dizendo, torço para que Sarney não seja derrotado. É a velha história: Deus escreve certo por linhas tortas. Não há mal que não seja portador de um bem. O velho Sarney, corrupto, nepotista, alpinistas social, um homem que merece os mais desabonadores adjetivos, tornou-se o grande obstáculo do PT na sua busca do poder total. Torço pelo Sarney.

Prá que discutir com madame?

Outro bom post de Luis Nassif, desta vez sobre artigo da impagável Danuza Leão. Duro não é a moça pensar o que pensa, nem escrever o que escreve, mas é a Folha publicar tamanhã bobagem. A seguir, o comentário de Nassif, reproduzido tal como saiu em seu blog.

Madame diz que a raça não melhora

DANUZA LEÃO
A fome
Está mais do que na hora de lei limitar a dois o número de filhos, e quem ultrapassar não ter mais Bolsa Família

SEGUNDO A ONU, vai a 1 bilhão o número de pessoas que passam fome no mundo; pois nem assim o governo Lula ataca com seriedade (nem sem) o problema do controle da natalidade. Sem esse controle, mais e mais gente nasce, e em alguns anos o bilhão vai se transformar em 2, 3, 4 bilhões. Quanto mais pobre é o país, quanto mais pobre a região do país, mais ignorante é a população, que, sem uma orientação para valer, vai continuar fazendo a única coisa que sabe: procriar.

Comentário

Isso que dá quando o parajornalismo de variedade se mete a opinar sobre tudo. A taxa de natalidade do país está em queda livre faz anos, justamente por conta das melhoriais sociais e dos programas de planejamento familiar oferecidos a famílias que podem escolher. Um dos grandes trunfos do país para as próximas décadas é a questão demográfica, justamente devido à redução do tamanho das filhas pobres.
E a Danuza, defensora dos modelos liberais, propõe um controle chinês sobre as famílias pobres.
Bom, como dizia Janet de Almeida, “prá que discutir com madame”:
Madame diz que a raça não melhora / que a vida piora / por causa do samba /. Madame diz que o samba é pecado / o samba, coitado / precisa acabar.

Mais um problema tucano

Abaixo, uma boa reportagem do Estadão sobre a falta de palanque do futuro candidato à presidência pelo PSDB no Rio de Janeiro. Se a solução for a candidatura de Ronaldo Cezar Coelho, os tucanos sairão do Rio com pouquíssimos votos. Bobear, atrás de Heloísa Helena (PSOL), se a vereadora alagoana de fato se candidatar. A seguir, na íntegra, a matéria do Estadão.

Tucanos buscam palanques no Rio para 2010

PSDB discute nomes para concorrer ao governo do Estado e fazer frente à candidatura presidencial do PT

Alexandre Rodrigues

Enquanto a ministra Dilma Rousseff, provável candidata do PT à sucessão de Lula, conta pelo menos três possíveis palanques no Rio, o PSDB amarga a ausência absoluta de um nome viável para apresentar o candidato tucano à Presidência no terceiro maior colégio eleitoral do País. Diante da relutância do deputado federal Fernando Gabeira (PV-RJ) em se candidatar ao governo estadual, o PSDB fluminense busca um plano B. Deve sacrificar um candidato próprio para estruturar a campanha de José Serra ou Aécio Neves no Estado e fazer frente à aliança entre Lula e o governador Sérgio Cabral (PMDB).
Fenômeno da eleição do ano passado, quando perdeu a prefeitura do Rio para Eduardo Paes (PMDB) por menos de 2% dos votos, Gabeira é o candidato dos sonhos dos tucanos. Aparece em segundo lugar, logo atrás de Cabral, nas pesquisas. "Estamos todos pendurados no Gabeira", admite um dos tucanos que o assediam. No entanto, o verde indica que prefere o Senado, onde poderia se destacar como introdutor de temas modernizantes após o mar de lama atual.
Tucanos têm gastado saliva em jantares e encontros com Gabeira, mas a pedra no sapato deles é o vereador Alfredo Sirkis, presidente do PV do Rio. Com base em pesquisas contratadas pelo partido, ele avalia que seria muito difícil bater a reeleição de Cabral, principalmente fora da capital. Gabeira ficaria sem mandato, desperdiçando uma eleição quase certa para o Senado. As sondagens o posicionam ao lado do senador Marcelo Crivella (PRB) para as duas vagas. Além disso, aos 68 anos, o verde não tem perfil para o governo estadual e ganhou telhado de vidro ao admitir deslizes no escândalo das passagens aéreas.
O último revés foi a decisão da Executiva Nacional do PV, no início do mês, de lançar candidato à Presidência em 2010 para marcar o discurso ambiental. Com isso, Gabeira só seria exclusivo dos tucanos no segundo turno. Embora ainda esperem do verde, que se diz indeciso, uma definição até setembro, os tucanos partiram em busca de alternativa.
Amigo do governador de São Paulo, o ex-deputado Ronaldo Cezar Coelho já se apresentou como pré-candidato ao governo do Estado pelo PSDB. Sem mandato desde 2006, quando perdeu a disputa pelo Senado, o ex-banqueiro teria pouco a perder para estruturar a candidatura tucana no Rio. Coelho tem acompanhado Serra em viagens e conversou sobre o Rio com o governador na semana passada em jogo final da Libertadores da América, em Belo Horizonte.
O prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, seria a opção natural se não sofresse rejeição dos tucanos da capital.Alguns avaliam que, com perfil populista controverso, Zito destoaria da candidatura Serra. Anularia votos da classe média carioca sem garantir os da Baixada.
O PSDB vem se enfraquecendo no Rio desde o fim do governo de Marcello Alencar, em 1998. O último golpe foi a saída de Eduardo Paes em 2007 para se tornar prefeito do Rio pelo PMDB.

Nassif e Amorim: Serra naufragou

Um longo post de Paulo Henrique Amorim, em seu blog, citando comentário de Luis Nassif, que vale a pena ser lido. Este blog não concorda com tudo que vai abaixo, mas a reflexão é muito interessante. Na íntegra, para os leitores do Entrelinhas.

Nassif: Serra naufragou.

Cadê o Serra? Ele perdeu a Arca
Extraído do Blog do Nassif: 18/07/2009 – 10:15

O último suspiro de Serra
Entenda melhor o que está por trás dessa escalada de CPIs, escândalos e tapiocas da mídia. A candidatura José Serra naufragou. Seus eleitores ainda não sabem, seus aliados desconfiam, Serra está quase convencido, mas naufragou. Política e economia têm pontos em comum. Algumas forças determinam o rumo do processo, que ganha uma dinâmica que a maioria das pessoas demora em perceber. Depois, torna-se quase impossível reverter, a não ser por alguma hecatombe – um grande escândalo. O início da derrocada O início da derrocada de Serra ocorreu simultaneamente com sua posse como novo governador de São Paulo. Oportunamente abordarei as razões desse fracasso.
Basicamente:
1. O estilo autoritário-centralizador e a falta de punch para a gestão. O Serra do Ministério da Saúde cedeu lugar a um político vazio, obcecado com a política rasteira. Seu tempo é utilizado para planejar maldades, utilizar a mão-de-gato para atingir adversários, jornalistas atacando colegas e adversários e sua tropa de choque atuando permanentemente para desestabilizar o governo.
2. Fechou-se a qualquer demanda da sociedade, de empresários, trabalhadores ou movimentos sociais.

3. Trocou programas e ideias pelo modo tradicional de fazer política: grandes gastos publicitários, obras viárias, intervenções suspeitíssimas no zoneamento municipal (comandado por Andrea Matarazzo), personalismo absurdo, a ponto de esconder o trabalho individual de cada secretário, uso de verbas da educação para agradar jornais. Ao contrário de Franco Montoro, apesar de ter alguns pesos-pesados em seu secretariado, só Serra aparece. Em vez de um estado-maior, passou a comandar um exército de cabos e sargentos em que só o general pode se pronunciar.
4. Abandonando qualquer veleidade de inovar na gestão, qual a marca de Serra? Perdeu a de bom gestor, perdeu a do sujeito aberto ao contato com linhas de pensamento diversas (que consolidou na Saúde), firmou a de um autoritário ameaçador (vide as pressões constantes sobre qualquer jornalista que ouse lhe fazer uma crítica).

5. No meio empresarial (indústria, construção civil), perdeu boa parte da base de apoio. O mercado o encara com um pé atrás. Setores industriais conseguem portas abertas para dialogar no governo federal, mas não são sequer recebidos no estadual. Há uma expectativa latente de guerra permanente com os movimentos sociais.
Sobraram, para sua base de apoio, a mídia velha e alguns grandes grupos empresariais de São Paulo – mas que também (os grupos) vêem a candidatura Dilma Rousseff com bons olhos.
A rede de interesses O PSDB já sabe que o único candidato capaz de surpreender na campanha é Aécio Neves. Deixou marca de boa gestão, mostrou espírito conciliador, tem-se apresentado como continuidade aprimorada do governo Lula – não como um governo de ruptura, imagem que pegou em Serra.
Será bem sucedido? Provavelmente não. Entre a herança autêntica de Lula – Dilma – e o genérico – Aécio – o eleitor ficará com o autêntico. Além disso, se Serra se tornou uma incógnita em relação ao financismo da economia, Aécio é uma certeza: com ele, voltaria com tudo o estilo Malan-Armínio de política econômica, momentaneamente derrotado pela crise global. Mas, em caso de qualquer desgaste maior da candidatura oficial, quem tem muito mais probabilidade de se beneficiar é Aécio, que representa o novo, não Serra, que passou a encarnar o velho.

Acontece que Serra tem três trunfos que estão amarrando o PSDB ao abraço de afogado com ele.
O primeiro, caixa fornida para bancar campanhas de aliados.
O segundo, o controle da Executiva do partido.
O terceiro, o apoio (até agora irrestrito) da mídia, que sonha com o salvador que, eleito, barrará a entrada de novos competidores no mercado.
Se desiste da candidatura, todos os que passaram a orbitar em torno dele terão trabalho redobrado para se recolocarem ante outro candidato. Os que deram apoio de primeira hora sempre terão a preferência. Fica-se, então, nessa, de apelar para os escândalos como último recurso capaz de inverter a dinâmica descendente de sua candidatura. E aí sobressai o pior de Serra.
Ressuscitando o caso Lunus

Em 2002, por exemplo, a candidatura Roseana Sarney estava ganhando essa dinâmica de crescimento. Ganhara a simpatia da mídia, o mercado ainda não confiava em Serra. Mas não tinha consistência. Não havia uma base orgânica garantindo-a junto à mídia e ao eleitorado do centro-sul. E havia a herança Sarney. Serra acionou, então, o Delegado Federal Marcelo Itagiba, procuradores de sua confiança no episódio que ficou conhecido como Caso Lunus – um flagrante sobre contribuições de campanha, fartamente divulgado pelo Jornal Nacional. Matou a candidatura Roseana. Ficou com a imagem de um chefe de KGB. A dinâmica atual da candidatura Dilma Rousseff é muito mais sólida que a de Roseana.
1. É apoiada pelo mais popular presidente da história moderna do país.

2. Fixou imagem de boa gestora. Conquistou diversos setores empresariais colocando-se à disposição para conversas e soluções. O Plano Habitacional saiu dessas conversas.

3. Dilma avança sobre as bases empresariais de Serra, e Serra se indispôs com todos os movimentos sociais por seu estilo autoritário.

4. Grande parte dessa loucura midiática de pretender desestabilizar o governo se deve ao receio de que Dilma não tenha o mesmo comportamento pacífico de Lula quando atacada. Mas ela tem acenado para a mídia, mostrando-se disposta a uma convivência pacífica. Não se sabe até que ponto será bem sucedida, mas mostrou jogo de cintura. Já Serra, embora tenha fechado com os proprietários de grupos de mídia, tem assustado cada vez mais com sua obsessão em pedir a cabeça de jornalistas, retaliar, responder agressivamente a qualquer crítica, por mais amena que seja. Se já tinha pendores autoritários, o exercício da governança de São Paulo mexeu definitivamente com sua cabeça. No poder, não terá a bonomia de FHC ou de Lula para encarar qualquer crítica da mídia ou de outros setores da economia.

5. A grande aposta de Serra – o agravamento da crise – não se confirmou. 2010 promete ser um ano de crescimento razoável.
Com esse quadro desfavorável, decidiu-se apertar o botão vermelho da CPI da Petrobrás. O caso Petrobras Com a CPI da Petrobras todos perderão, especialmente a empresa. Há um vasto acervo de escândalos escondidos do governo FHC, da passagem de Joel Rennó na presidência, aos gastos de marketing especialmente no período final do governo FHC.
Todos esses fatos foram escondidos devido ao acordo celebrado entre FHC e José Dirceu, visando garantir a governabilidade para Lula no início de seu governo. A um escândalo, real ou imaginário, aqui se devolverá um escândalo lá. A mídia perdeu o monopólio da escandalização. Até que grau de fervura ambos os lados suportarão? Lá sei eu.
O que dá para prever é que essa guerra poderá impor perdas para o governo; mas não haverá a menor possibilidade de Serra se beneficiar.
Apenas consolidará a convicção de que, com ele presidente, se terá um país conflagrado.
Dependendo da CPI da Petrobras, aguarde nos próximos meses uma virada gradual da mídia e de seus aliados em direção a Aécio.

Em tempo: amiga navegante pergunta: como o IG deixa o Nassif publicar isso ? Por isso o Conversa Afiada sugere, por experiência própria: Nassif, faz backup de tudo, antes que o Serra te tire do ar. PHA

sábado, 18 de julho de 2009

No Twitter: Serra sabe cantar Gonzagão

O Twitter vai se tornando, cada dia mais, obrigatório para os jornalistas. Os repórteres que cobrem política precisam ter um perfil para seguir de perto os queridos representantes do povo que lá estão, contando um pouco de suas vidas e trajetórias ou mandando recados aos eleitores e adversários. O governador José Serra (PSDB), por exemplo, tem o seu perfil e até que "tuita" com frequência. Hoje ele dedicou alguns comentários em seu microblog aos nordestinos. Aproveitou, como se pode ler abaixo, para reforçar o seu "passado operário" e revelou aos incautos que sabe cantar as músicas de Luiz Gonzaga. Este blog prefere não imaginar a mítica Asa Branca na voz do ilustre governador.

joseserra_
Nasci e me criei na Moóca, bairro operário e porta de entrada dos migrantes nordestinos. Foi na escola que aprendi a cantar Luis Gonzaga.

Em tempo: Fica a dica para jornalistas interessados em pautas divertidas: juntar as besteiras escritas por políticos no Twitter. ACM Neto no momento acompanha o jogo do Bahia pela segundona. Agripino Maia avisa que tem 3 reuniões neste primeiro sábado do recesso parlamentar. Serra, sempre ele, dá dicas sobre o trânsito... em Paris ("Os paulistanos reclamam com razão do trânsito de SP. Pois acreditem: fiquei 1h30 engarrafado em Paris. Sexta-feira aqui vira um inferno."). O mundo está mudando e a política também. O mico que os políticos pagam com a total falta de bom senso no uso das novas tecnologias sempre foi grande, mas agora é público. Alô, coleguinhas, é a pauta mais fácil do mundo!! Está quicando na área para vocês chutarem.

Veja vende entrevista, acusa jornalista

O que vai reproduzido abaixo são dois comentários postados no Twitter por Tão Gomes Pinto. Do jeito que está escrito, não cabe muita dúvida: o jornalista acusa a revista Veja de ter vendido uma entrevista nas páginas amarelas, no caso ao governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (DEM). Tão Gomes Pinto chega a dar até o preço do negócio, a bagatela de R$ 442 mil. Este blog acha a acusação meio pesada, é preciso provar este tipo de coisa. E a revista sempre pode alegar que o pagamento de publicidade do governo do Distrito Federal nada tem a ver com a entrevista nas amarelas... Mas Tão é macaca velha, jornalista da velha guarda, experiente, de forma que se faz uma acusação deste quilate, é porque tem como provar. A ver.

A Veja recebe e entrega a mercadoria no ato. A contra-partida está nas páginas amarelas desta edição. Adivinhem com quem? Arruda, claro

A entrevista acabou saindo barata. Só R$ 442 mil. Pagos pela Sec. de Educação do DF. Fora a mútua simpatia que uma ação dessas produz

A política está na web

Pode parecer irônico, mas o blog Fica Sarney é a prova cabal de que a política brasileira mudou. Sim, porque se tempos atrás a grande mídia, especialmente a impressa, era o canal de debate político por excelência, quase exclusivo, hoje este lugar vem sendo cada vez mais ocupado pelas chamadas novas mídias, especialmente a internet. O blog que defende Sarney é uma expressão deste movimento: o presidente do Senado começou a ser denunciado na grande imprensa? Logo alguém, pode até ser ele mesmo ou seus assessores (mas não parece ser o caso), monta uma espécie de bunker virtual em defesa do acusado. Não importa aqui o conteúdo reproduzido no blog, não é este o motivo desta nota, o fato é que a guerra dos argumentos políticos não se dá mais enviando cartas às redações dos jornais, mas publicando-os na web, seja em sites, blogs ou no Twitter. A comunicação é mais rápida e logo os jornalistas passam a buscar em alguns destes locais a referência que precisam para suas matérias. É mais efetivo, o alcance é maior e o custo, menor. Os acadêmicos de ciência política precisam começar a prestar atenção neste fenômeno, embora, obviamente, a centralidade do sistema midiático brasileiro ainda esteja na televisão, que é quem realmente faz a opinião da grande massa. O debate político, porém, está na web e isto merece estudo mais aprofundado.

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Precisão é tudo

Esta lá no G1, portal da gloriosa Rede Globo:

Espírito Santo
Homem é suspeito de engravidar menina de 11 anos


Bom, mulher é que não poderia ser... Agora, cá prá nós, o chapéu "Espírito Santo" de fato levanta uma ligeira dúvida sobre o verdadeiro autor da maldade.

O impagável João Mellão

Está ficando até engraçado. Os oitenta e tanto porcento de popularidade de Lula estão subindo à cabeça não do presidente, mas da oposição. O texto reproduzido abaixo, do "jornalista" João Mellão Neto – ex-deputado e ex-ministro de Fernando Henrique –, publicado no Estadão de hoje (bem como um outro artigo, melhorzinho nos argumentos, de Dora Kramer), tenta provar que Lula pode ser um "grande político", mas não é um "Estadista".

Cabem desde logo duas observações: alguém perguntou se Lula quer ser um "Estadista", ou pelo menos se deseja tal título a partir dos critérios de um liberal-direitóide como Jonhy Mellony? A julgar pela biografia do articulista do Estadão, que ainda de fraldas era janista de carteirinha, o grande Estadista que o Brasil já teve durou exatos 7 meses na presidência....

Em segundo lugar, realmente não deixa de ser divertido o desespero dos colunistas chapa-branca da gestão anterior, hoje ferrenhos oposicionistas ao atual governo. Dora Kramer e sua paixão escancarada pelo príncipe da sociologia não consegue perceber que sob Fernando Henrique Cardoso o Brasil foi à breca três vezes; sob Lula, pelo menos até agora, não foi nenhuma. Mellony, personagem um tanto mais obscuro, pergunta se o distinto público se a biografia de Lula é "recomendável" aos seus filhos. Bem, este blogueiro prefere mil vezes que seus pequenos mirem no exemplo do atual presidente, que saiu de pau de arara do sertão nordestino, veio para São Paulo, se fez na vida e acabou presidente do Brasil. Ou os leitores acham que seria melhor copiar os métodos e hábidos do ídolo de Mellony, o "saudoso" Jânio Quadros? É, com uma oposição deste quilate, a coisa fica mais fácil para Lula e Dilma...

O exemplo que Lula nos dá
João Mellão Neto

Talvez nunca antes na História um presidente tenha reunido tanto apoio, político e popular, quanto Lula. Há levantamentos que indicam ter ele alcançado a marca dos 80% de aprovação. Deve-se ter em mente que a unanimidade é inatingível. Nem mesmo Jesus Cristo a alcança, haja vista que há um determinado porcentual da população que não acredita nele.
Mas, como bem observou meu filho Ricardo, esse porcentual estratosférico lhe garante o título de grande político, não o de estadista. Estadista é alguém que deixa um legado - de feitos, comportamentos ou palavras - para as gerações seguintes. Vendo as coisas por esse prisma, qual é o legado de Lula?
Ele deixará para a posteridade alguma grande realização? Ele servirá de exemplo para alguma coisa? Existem pensamentos ou definições de sua lavra que ficarão na História?
A resposta é negativa para as três indagações. Lula não é mesmo um estadista.
Ao contrário. Por tudo o que fala e faz, ele deixa muito a desejar nesse quesito.
Os norte-americanos - que criaram a figura do presidente da República - revestem o titular do posto de um significado que transcende em muito as suas atribuições. O presidente é um rei temporário que se fez pelos seus próprios méritos. E, assim sendo, é uma referência para o comportamento de todos os seus concidadãos.
George Washington, o primeiro presidente, tinha essa noção muito clara. Como a América abrira mão de ungir um rei, era natural que depositasse na figura do presidente todas as expectativas que, em outras circunstâncias, seriam próprias de um monarca. Consciente de seu papel, ele governou os Estados Unidos por oito anos. E fez história.
Muitos dos seus procedimentos até hoje são seguidos.
Um deles é o culto à pessoa da primeira-dama. A própria expressão - primeira-dama - provém de sua época.
Outro é o exercício da presidência por apenas dois mandatos. A Constituição norte-americana, originalmente, permitia ao presidente se reeleger quantas vezes quisesse. George Washington, a seu tempo, recebeu numerosos apelos para se candidatar a novos mandatos. Mas entendeu que a alternância no posto era o principal sinal que distinguia um presidente de um rei e recusou-se a prosseguir. Todos os presidentes que se seguiram obedeceram fielmente à regra, com exceção de Franklin Roosevelt. Após a morte deste, no exercício do quarto mandato, o Congresso aprovou uma emenda constitucional proibindo expressamente a reeleição indefinida.
Os exemplos de George Washington deixam uma mensagem clara: o presidente não é gente como a gente. Ele tem de ser melhor do que a gente. É também para servir de referência que nós o colocamos lá.
Lula não tem sido uma boa referência. Ao contrário, os exemplos que ele deixará são negativos. Não se aconselha ninguém a segui-los.
O primeiro deles provém da instituição Bolsa-Família. Ela cria nas pessoas a falsa noção de que basta terem nascido pobres para que se tornem credoras do Estado. Cabe a este garantir-lhes uma renda mínima até o fim de sua vida.
Um dos efeitos não previstos pelos idealizadores do programa é que a quantia mensal recebida por família - mais de R$ 100, em média - é baixa unicamente pelos padrões do Sudeste. Nos rincões nacionais ela é suficiente para garantir o sustento de uma família sem que nenhum de seus membros trabalhe.
Ora, criar uma nação de pensionistas é algo que nenhum partido jamais ousou inscrever entre os seus objetivos. Pois o Bolsa-Família criou essa expectativa. Todo mundo doravante se acha no direito de viver à custa do Estado. E isso solapa de vez os alicerces da ética do trabalho.
Outro mau exemplo é o que nos é dado pela nossa política exterior. O governo brasileiro apoia irrestritamente todas as nações que insistem em transgredir as regras da boa convivência internacional.
Cuba e Venezuela rosnam para os Estados Unidos? Pois lá está o Brasil para prestar-lhes solidariedade. As eleições no Irã parecem ter sido fraudadas? Pois lá estamos nós de novo, para emprestar legitimidade ao processo. A Coreia do Norte afronta o mundo fazendo testes nucleares? Pois ela pode contar conosco para evitar, nos foros internacionais, que maiores sanções sejam adotadas.
Não é adotando posições como essas que o Brasil se fará valer. Somos uma nação emergente, sim. Estamos lutando para obter espaço? Sem dúvida. Mas para tanto não é necessário procurar chamar a atenção em razão de posicionamentos discutíveis, em favor de nações delinquentes.
Uma política externa consequente, lastreada na constância, na previsibilidade e na responsabilidade, faria mais pela imagem do Brasil do que todas as bravatas que têm pautado os nossos posicionamentos.
O terceiro mau exemplo que a era Lula nos está legando diz respeito à própria imagem do presidente em si.
Todos nós passamos a vida tentando incutir em nossos filhos a ideia de que sem estudos não se vai longe. Procuramos passar-lhes a noção de que somente por meio do zelo, da aplicação e do esforço é que se pode sonhar alcançar alguma coisa na vida. E tudo isso para quê?
Ninguém menos do que o nosso presidente se arvora em ser o exemplo contrário de tudo isso. Ele se vangloria de não ter estudado.
E procura passar a imagem de que, para vencer na vida, a diligência, o preparo e o esmero são valores inferiores à malandragem, à persuasão e à manha.
Então, é assim? Quem conquista um lugar ao sol são os mais espertos, e não os mais capazes?
Esses são os exemplos que Lula nos dá.
Será que posso recomendá-lo aos meus filhos?
João Mellão Neto, jornalista, deputado estadual, foi deputado federal, secretário e ministro de Estado

Rodini: Alma Carioca

Mais uma colaboração do craque Jorge Rodini para o Entrelinhas. Desta vez, uma homenagem à Cidade Maravilhosa.

Começo pelo Cristo, prova que eu existo
Belo e redentor, maravilha de ator
Imponente cartão postal, estátua nacional
Passeio em Copacabana , meio fio de semana
Praia em movimento, morenas ao vento
Por elas me derreto, caminho branco e preto
Na beira da lagoa, flanando à toa
Descubro um Rio seguro, não devia ter muro
Que bela vista, carioca capa de revista
Arcos da Lapa, moradores de qualquer mapa
Bondes de Santa Teresa, artistas sentados a mesa
Rebuliço cultural, Montmartre nacional
Parte do meu Rio, sua geografia remonta o vazio
E a Barra? E o Botânico jardim? É muito para mim
Viver no Paraíso , é muito mais do que preciso
Mas, tal qual Narciso, esta cidade é um grande aviso
Sua praia é um espelho, sua areia um tapete vermelho
Convidando os de fora, a mudar de alma na hora
Quem ouve este sotaque, remonta o almanaque
E o cidadão paulista , transforma-se no nativo ativista
Dos trem das onze do Jaçanã ao
jogo das quatro da tarde do Maracanã
O bloco de Ipanema, é parte do mesmo tema
No grande carnaval da minha vida,
o reencontro da pessoa querida
Onde tudo simboliza o que está aí,
os desvarios da Marquês de Sapucaí.

Sobre Sarney e Lula

Vale a pena ler o esclarecedor comentário do professor Hariovaldo Halmeida Prado sobre a relação entre José Sarney e Luiz Inácio. Hari sabe das coisas...

Alencar sofrerá nova operação

Está no Radar Online: o vice-presidente José Alencar deverá ser operado de novo amanhã, no hospital Sírio Libanês. É incrível a força de Alencar na luta contra a doença. Aos 77 anos, é preciso muita saúde para aguentar duas operações em quase uma semana. Este blog está na torcida por um bom resultado na intervenção.

Ciro e Aécio: Serra que se cuide

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), é um político esperto. Vende a imagem do bom moço, um tipo gente fina, que conversa com todo mundo e não tem inimigos. Ontem, recebeu Ciro Gomes (PSB) e Itamar Franco (agora no PPS) no Palácio da Liberdade. Na saída, Ciro desceu o sarrafo no governador paulista José Serra, correligionário de Aécio, que não disse palavra em defesa do colega.

Em 2006, Serra achava que sua candidatura à presidência da República era tão óbvia que dispensaria qualquer tipo de disputa interna no ninho tucano. Geraldo Alckmin, outro bom moço, carola e simplório, bateu o pé e se tornou candidato do partido à presidência do Brasil. Só foi perder o jeitão simpático e zen no segundo turno, quando, (mal) aconselhado pelos luas pretas que cuidavam de sua candidatura, partiu para o ataque no primeiro debate com o presidente Lula e acabou tendo menos votos no escrutínio final do que recebeu no primeiro, uma façanha.

É evidente que agora o clima é outro e Serra aprendeu a lição de 2006. Por outro lado, Aécio é bem mais hábil do que Alckmin e o encontro com Ciro Gomes não foi algo fortuito, fruto do acaso, mas uma jogada ensaiada e pensada para cutucar Serra. Não há nem no PT outro político tão contundente na oposição a Serra quanto Ciro e Aécio sabe perfeitamente disto. O jogo está só começando e se José Serra achar que já é o candidato do PSDB à sucessão de Lula, pode cair do cavalo. De novo.

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Retratos de um surto

As imagens da governadora Yeda Crusius (PSDB), orignalmente publicadas na Agência Estado, dispensam comentários. Como diria Chico Buarque, ela desatinou...





Yeda perdeu a cabeça

Nem é preciso comentar muito, a matéria abaixo, do portal Terra, fala por si. É realmente incacreditável que uma governadora de Estado possa dizer tamanha bobagem. Não apenas uma bobagem no senso estrito, porque é óbvio que professores não "torturam crianças", mas uma bobagem política. Com a declaração, a tucana Yeda só atrai para si mais antipatia. Bem, se ela desistir da reeleição, faria uma boa dupla compondo a chapa de José Serra (PSDB). O slogan poderia ser algo do tipo: "simpatia não, competência sim". Há controvérsias sobre o quesito competência, porém, especialmenteno caso da gaúcha...

Em tempo: a governadora realmente deve ter surtado hoje. Vejam o que escreveu agora pouco no Twitter:
"yedacrusiusGaúchos! Vocês sabem. São tantas denúncias, denúncias requentadas, que não consigo trabalhar. Não me sobra tempo nem para tuitar direito."

Com o perdão da má expressão, o pau comendo lá fora e a moça quer "tuitar direito"! Como diriam os jovens, ninguém merece... A seguir, a matéria do Terra.

Durante protesto, Yeda chama professores de "torturadores"

A governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), foi alvo de um protesto de professores na manhã desta quinta-feira. Manifestantes se posicionaram em frente a sua casa no bairro Vila Jardim, em Porto Alegre, para pedir o impeachment da governadora. Yeda, que alegou que seus netos tiveram dificuldade de sair de casa devido ao protesto, apresentou cartazes ao grupo dizendo: "vocês não são professores, torturam crianças".
De acordo com o comandante-geral da Polícia Militar, coronel João Carlos Trindade Lopes, seis pessoas foram detidas durante o protesto, organizado pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (Cpers/Sindicato). Entre os detidos, está a presidente da entidade, Rejane de Oliveira. A Polícia Militar (PM) tentou conter o grupo que, por volta das 8h30, já havia sido retirado do local.
Após a dispersão do protesto, os manifestantes seguiram em ônibus para o centro da capital, onde ocorrerá a segunda etapa da manifestação, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo estadual.
De acordo com informações da rádio Gaúcha, Yeda Crusius reagiu ao protesto, dizendo que os professores sabiam que havia crianças dentro da casa e que elas iriam para a escola realizar provas nesta quinta-feira.
"A violência e o absurdo são tão grandes que só posso descrever com os meus netos. Crianças de oito e 11 anos saem chorando de casa. (...) Vocês não são professores. Vocês são torturadores de crianças", afirmou Yeda à rádio.
Em nota divulgada no site do Cpers, a entidade afirma que o posicionamento do sindicato é de que "a governadora não tem mais legitimidade para ocupar o posto e deve ser imediatamente afastada".
"Acuada por indiciamentos de dois dos seus secretários pela Polícia Federal gaúcha, por corrupção e cada vez mais desacreditada nas pesquisas de opinião, a governadora Yeda Crusius tem evitado aparições públicas, mas não consegue evitar o desgaste de sua administração", diz a nota.

Denúncias
O governo de Yeda tem sido alvo de acusações desde a Operação Rodin, da Polícia Federal, que investigou um suposto esquema envolvendo fraudes em contratos de prestação de serviços da Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência (Fatec) e Fundação para o Desenvolvimento e Aperfeiçoamento da Educação e da Cultura (Fundae) para o Detran, e que causou o desvio de aproximadamente R$ 44 milhões dos cofres públicos, segundo estima o Ministério Público.
A situação ficou mais complicada depois que a revista Veja divulgou gravações mostrando conversas entre Marcelo Cavalcante, ex-assessor da governadora, e o empresário Lair Ferst, um dos coordenadores da campanha de Yeda e réu na Operação Rodin. O áudio indicaria o uso de caixa dois na campanha de Yeda para o governo do Estado.

Redação Terra

Ainda sobre a derrota do Cruzeiro

"Sabe o que o Serra foi fazer no Mineirão ontem à noite?", pergunta um leitor do blog do jornalista Paulo Henrique Amorim.
"Se acostumar com o vice-campeonato", arrematou o comentarista.
Como diria Ancelmo Góis: é, pode ser...

Jô Soares compara Lula a Churchill

Pode parecer incrível, e é. No seu programa de ontem à noite, na verdade madrugada de hoje, o apresentador Jô Soares reuniu as suas "meninas" para discutir política. Lá pelas tantas, o assunto foi o "abraço" de Lula a Fernando Collor. As tais meninas, todas jornalistas bem escoladas, mostraram-se indignadas. Pois foi Jô quem defendeu o presidente, anotando que a postura de Estadista exige mesmo este tipo de comportamento - relevar antigos desentendimentos e celebrar alianças que podem parecer estranhas. Para reforçar seu argumento, Jô lembrou o exemplo de Winston Churchill, o premiê inglês que se aliou a Stálin para derrotar Hitler. Até agora este blogueiro não entendeu se Jô quis elogiar Lula ou se estava sacaneando o presidente. Cartas para a redação!!

Dito e feito: êta Serra pé frio!!

Cruzeiro um, Estudiantes dois, em pleno Mineirão. Não foi por falta de aviso, o governador paulista deve ter abraçado longamente o Ramires. Quem viu, sabe: ele não jogou nada...

Mas é assim mesmo, não se pode ganhar sempre. Três vezes campeão da Libertadores é coisa para gente grande. No Brasil, só mesmo o glorioso tricolor do Morumbi. Sorry, periferia...

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Zebra no ar

Não é por nada, não, mas o autor do blog tem a ligeira impressão de que o clima não está muito bom para o Cruzeiro nesta noite. José Serra está no estádio, bobear visitou os atletas no vestiário. Está com uma cara que vai dar Estudiantes... A ver.

Não dá para não reproduzir

Do blog do jornalista Luis Nassif, uma resposta genial ao repórter Valdo Cruz, da Folha de S. Paulo. O que Nassif escreveu corrobora o artigo do autor deste blog para o Observatório da Imprensa.

Você sabia?

Valdo Cruz

BRASÍLIA - Você sabia que todo funcionário terceirizado do Senado tem de registrar presença diária num moderno sistema de controle de ponto acionado por digitais? E que os servidores contratados, com estabilidade e salários bem mais elevados, não têm de passar por esse tipo de controle?

Você sabia que, depois da crise no Senado, está faltando vaga na garagem da Casa porque servidores que não apareciam decidiram dar o ar da graça? E que alguns ficam ali, aguardando uma vaguinha, até por uma hora, sem fazer nada?

Você sabia que há TVs de LCD espalhadas pelo Senado com pouca serventia? Uma delas instalada no canto de um corredor, onde ninguém para. Você, com certeza, gostaria de saber o autor da ideia genial de fazer essas comprinhas.

Você sabia que há registro de um servidor, num determinado mês, ter recebido contracheque somando R$ 80 mil? E que muita gente costuma receber contracheques extras sem saber o motivo?

Etc. etc clique aqui para a íntegra

Comentário do Nassif

Voce sabia…

… que os jornalistas políticos de Brasília convivem diariamente com congressistas e funcionários?
… que as informações que hoje são divulgadas são de conhecimento do jornalismo político de Brasilia, e do Valdo Cruz, há anos?
… que, embora conhecidas, as bandalheiras não eram divulgadas porque não interessava naquele momentos aos jornais?
… que não se viu, até agora, nenhum jornal divulgar mordomias de jornalistas no Senado?
… que se apurar as responsabilidades desse período, as maiores falcatruas recairão sobre a Primeira Secretaria, dominada pelo DEM?
… que, pelo fato da intenção dos jornais ser derrubar Sarney - e não moralizar os costumes - nenhum jornal fez qualquer referência ao epicentro do escândalo, a Primeira Secretaria?
… que a hipocrisia é uma arma recorrente na cobertura jornalística?

Lula chama senadores de pizzaiolos

E não são? Falando sério, o presidente cometeu apenas uma injustiça: não citou os deputados.

Golpe de mestre de Aécio

No fundo, no fundo, Aécio Neves é mesmo um gênio. Ao convidar Serra para assistir a final da Libertadores ao seu lado, ganhou uma belíssima desculpa para a eventual derrota da equipe mineira: o pé frio era aquele careca ao seu lado...

Cruzeirenses, tremei: Serra verá o jogo

Ricardo Noblat, no Twitter: "Serra embarca logo mais para Belo Horizonte. Assistirá Cruzeiro x Estudiantes pela final da Copa Libertadores ao lado de Aécio Neves".

Não é por nada não, mas se este blog aconselha aos cruzeirenses todo o tipo de mandinga contra a má sorte. Com Serra na área, os argentinos já botaram uma mãozinha na taça...

Emprego em alta, de novo

Informações ainda não oficiais - os números serão divulgados amanhã - dão conta de que o número de empregos formais cresceu em junho. Segundo disse o presidente Lula em Maceió, ontem, foram 136 mil postos formais em junho, número ligeirametne superior aos 131 mil de maio. Sim, o crescimento do emprego formal foi bem maior em 2008, mas neste ritmo serão quase um milhão de novas vagas abertas em 2009, o ano da "maior crise da história do capitalismo", segundo a quase totalidade da imprensa tupiniquim. Nada mal atravessar uma crise tão violenta gerando um milhão de empregos, não?

Juro do cheque especial é o menor do Real

A reportagem abaixo, do portal G1, mostra uma realidade que tende a se apresentar no ano eleitoral de 2010: as taxas de juros praticadas no mercado - e não apenas a básica - serão as menores dos últimos 20 anos. A oposição, sem discurso para bater no governo, estava apostando na crise mundial para derrubar a popularidade do presidente Lula. Não deu certo e, pior, como consequência da crise foi criado um ambiente propício à queda mais forte da Selic e dos juros praticados pelos bancos e no mercado em geral. Se não houver novo tombo da economia americana, a tendência de queda dos juros deve prosseguir em 2010, pois a economia brasileira ainda não terá se recuperado sua total capacidade. A bandeira dos "juros extorsivos" também fugirá das mãos dos demos-tucanos. O que restará a eles? O discurso udenista do "governo mais corrupto da história" (não deu certo com Alckmin em 2006) ou as críticas ao "aumento dos gastos públicos" (para o povão, este tipo de crítica soa como "se esses caras ganharem, vão tirar o Bolsa Família e demitir um montão de servidores"). Realmente, não é nada promissor o cenário pré-eleitoral para a oposição...

Juro médio do cheque especial é o menor desde 1995, diz Anefac

Taxa média cobrada pelos bancos recuou para 7,54% ao mês em junho.
Crédito voltou ao nível de antes da crise, diz entidade.

Do G1, em São Paulo

A taxa de juros do cheque especial voltou a recuar em junho, segundo pesquisa da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac). De maio para junho, taxa de juros caiu de 7,59% ao mês para 7,54% - a menor da série histórica da Anefac, iniciada em 1995.
O levantamento mostrou que, das seis linhas de crédito para a pessoa física pesquisadas, apenas as taxas cobradas no cartão de crédito e no crédito para financiamento de veículos ficaram estáveis na passagem de maio para junho.
Além da taxa do cheque especial, tiveram queda os juros médios mensais do comércio (de 6,10% para 6,06%), do empréstimo pessoal em bancos (de 5,36% para 5,30%) e do empréstimo pessoal em financeiras (de 11,19% para 11,17%).
Com isso, a taxa média de juros para pessoa física caiu de 7,28% ao mês em maio para 7,26% em junho, na quinta redução consecutiva, segundo a Anefac. A taxa é a menor desde abril de 2008, quando ficou em 7,25%.
A pesquisa também mostrou redução na taxa média de juros para pessoas jurídicas, de 4,15% ao mês em maio para 4,12% em junho. A queda na taxa média veio puxada pelo recuo nos juros cobrados em desconto de duplicatas e desconto de cheques, de 3,59% para 3,54%, e de 3,71% para 3,65%, respectivamente.
Crédito volta ao nível pré-crise
Segundo Miguel de Oliveira, presidente da Anefac, os dados mostram o retorno das condições de crédito anteriores à crise em setembro de 2008, tanto no alongamento dos prazos dos financiamentos bem como na redução dos juros das operações de crédito. De acordo com ele, a melhora nas condições de crédito é resultado da melhora no cenário econômico e da redução da taxa básica de juros (Selic). “Em nossa opinião, tendo em vista os fatores listados no trabalho, as taxas de juros das operações de crédito bem como as condições de crédito (ampliação dos prazos, aumento do volume emprestado, maior flexibilidade) deverão melhorar neste segundo semestre”, afirma o executivo em nota.

Quem te viu, quem te vê

A foto ao lado, gentilmente roubada do blog Amigos do Presidente Lula, é esclarecedora das voltas que dá a política brasileira. Senão vejamos. Estão ali o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e o ex-presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP), atual prefeito de João Alfredo. O motivo da imagem é simples: Severino vai apoiar a candidatura de Guerra ao Senado. Pois bem, não é mesmo divertido? Tucanos, especialmente os do sudeste, adoravam dizer que Severino, aliado do presidente Lula, era o retrato do atraso do atual governo, embora muitos tenham votado no "rei do baixo clero" na eleição para a presidência da Câmara. Quando surgiu o tal "mensalinho" e o probo Fernando Gabeira (PV-RJ, abraços para a filhota, enviada ao Havaí com recursos públicos), dedo em riste, peitou o então presidente e pediu sua saída do cargo, os tucanos entraram em verdadeiro êxtase e acusaram o PT e o governo de terem se enlameado junto com a caca feita por Severino. Bem, o mundo gira, a Lusitana roda e eis que o presidente do PSDB, vejam bem, o presidente, não um reles soldado tucano, aparece todo faceiro, selando um acordo com o antigo Satanás da Câmara Federal. É, uma imagem muitas vezes diz mais do que mil palavras: as mãozinhas apertadas de Guerra e Severino revelam o volúvel coração tucano.

terça-feira, 14 de julho de 2009

DEM absolverá Sarney no Conselho de Ética

Está no blog do jornalista Josias de Souza a escalação dos "times" dos senadores que integram o Conselho de Ética, considerando a posição de cada um sobre o presidente da Casa. Ficou assim, segundo o colunista da Folha de S. Paulo:

Time de Sarney: Heráclito Fortes (DEM-PI), Eliseu Resende (DEM-MG), Wellington Salgado (PMDB-MG), Almeida Lima (PMDB-SE), Gilvam Borges (PMDB-AP), Paulo Duque (PMDB-RJ), Gim Argello (PMDB-DF), Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), João Pedro (PT-AM), João Ribeiro (PR-TO) e Inácio Arruda (PC do B-CE).

Equipe adversária: Demóstenes Torres (DEM-GO), Marisa Serrano (PSDB-MS), Sérgio Guerra (PSDB-PE) e João Durval (PDT-BA).

Se Josias estiver certo - e é provável que esteja - os impolutos Democratas serão três no Conselho, com dois votos favoráveis ao presidente Sarney. A política brasileira é mesmo divertida...

Como manipular uma notícia

Título da Folha Online:
Em Alagoas, Lula elogia Collor e Renan e diz que pretende ajudar a eleger sua sucessora

Agora o trecho da matéria em que Lula teria "elogiado" Collor e Renan: "No início do discurso, Lula elogiou os senadores Fernando Collor (PTB-AL) e Renan Calheiros (PMDB-AL), que pertencem a partidos da sua base aliada. "Eu quero aqui fazer Justiça ao comportamento do senador Collor e do senador Renan, que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado."

Então estamos conversados: para a Folha, uma frase protocolar de um presidente em uma cerimônia em que estão presentes dois senadores da República se transforma em um "elogio". O jornalista que escreveu a asneira certamente preferia que Lula descesse o sarrafo em Collor e Renan, parlamentares de sua base aliada, mas não foi o que aconteceu. Se Lula não tivesse dito palavra sobre os dois, a manchete da Folha seria algo assim: "Lula se omite sobre a crise no Senado e deixa de criticar Collor e Renan".

Em tempo: a cascata da Folha Online já virou manchete do portal...

Pausa para rir

O site Mídia Sem Máscara é uma fonte inesgotável de diversão. Na edição desta terça-feira, temos lá o mestre dos mestres, Olavo de Carvalho, reclamando da nova Encíclica do Papa Bento XVI. Olavão não gostou, achou a coisa muito moderninha e deitou o sarrafo no Santo Padre. Há também o grande Nivaldo Cordeiro, já conhecido dos leitores deste blog, em sua sempre atenta tarefa de achar esquerdismo nas páginas da Folha, Estadão, Globo e Veja. Desta vez, porém, o mais divertido é o artigo reproduzido abaixo, de um tal de Graça Salgueiro, sobre a "manipulação pró-esquerda" do jornal O Estado de S. Paulo. A vida é mesmo ingrata e até um Mesquita pode ser considerado um legítimo "esquerdista". Depende dos olhos de quem lê. Bem, considerando os "sólidos" argumentos expostos no artigo a seguir, o mais recomendável é dar umas boas gargalhadas e esquecer o assunto. Não, crianças, o Estadão definitivamente não é o Pravda do Foro de São Paulo...

Estadão mente e manipula informação pró-esquerda

Graça Salgueiro | 07 Julho 2009

Para completar a porcalhada desinformativa, havia na matéria os links de vários podcasts que tive o cuidado de ouvir um por um, e depois checar quem eram os "ilustres" autores de tão abalizadas opiniões. Destaco três deles por serem os mais expressivos da manipulação pró-comunistas que o Estadão escolheu para "informar" seus leitores sobre a situação daquele país centro-americano.

Meu amigo Nivaldo Cordeiro vem fazendo um excelente trabalho de media watch em relação ao jornal O Estado de São Paulo - Estadão -, e tem apontado com bastante precisão as mentiras e manipulações daquele periódico no caso de Honduras. Hoje, peço licença ao amigo para fazer o seu trabalho, considerando a matéria veiculada no último domingo, 5 de julho, intitulada "Impedido de voltar a Honduras, Zelaya chega a El Salvador".
Na referida matéria o autor pinta um quadro de horror e desrespeito aos direitos dos cidadãos se expressarem, afirmando que "milhares de manifestantes pró-Zelaya" foram agredidos pela Polícia e Forças Militares. Mas não cita que os detidos, até o momento, são desordeiros que teimam em desrespeitar o toque de recolher imposto pelo novo governo, uma medida preventiva justamente para evitar confrontos.
Até agora, pelo que se sabe de fontes fidedignas, a democracia tem sido respeitada - a partir mesmo do momento da deposição do golpista Zelaya -, a rotina do país segue seu curso normal e os distúrbios que ocorreram ficaram por conta de forasteiros nicaragüenses e cubanos contratados para este fim, que foram detidos e deportados aos seus países. Mas isto o público brasileiro não precisa conhecer.
Para completar a porcalhada desinformativa, havia na matéria os links de vários podcasts que tive o cuidado de ouvir um por um, e depois checar quem eram os "ilustres" autores de tão abalizadas opiniões. Destaco três deles por serem os mais expressivos da manipulação pró-comunistas que o Estadão escolheu para "informar" seus leitores sobre a situação daquele país centro-americano. Todos doutores com cursos fora do Brasil e, além de professores universitários, orientadores de mestrado e doutorado, quer dizer, são as máquinas que moldam as cabeças ocas dos novos mestres e doutores que serão multiplicadores do ideário comunista conforme determinou Gramsci.
No podcast "Professor da Unesp analisa Golpe de Estado em Honduras" o professor Luis Fernando Ayerbe reafirma a farsa do "golpe de Estado", defende a volta de Zelaya e acoberta o papel de José Miguel Insulza, Secretário Geral da OEA. Como seu sotaque hispânico é muito carregado, resolvi pesquisar sua biografia. Trata-se de um argentino radicado no Brasil há algumas décadas, autor de um livro que exalta os 50 anos da revolução cubana e que recebeu, não só por este livro mas por outros de teor marxista, um prêmio em 2003, outorgado pela "Casa de las Américas" de Cuba.
O outro professor, também da UNESP, Hector Luis Saint-Pierre - "coincidentemente" argentino radicado no Brasil -, diretor do Centro de Estudos Latino-Americanos daquela instituição, no podcast intitulado "Especialista teme que países sigam o exemplo" repete a história do "golpe militar" e a mesma baboseira do seu coleguinha de nacionalidade, universidade e ideologia.
E finalmente o empolado Ricardo Seitenfus, no podcast "Representante da OEA analisa atual situação em Honduras", além de reafirmar a mentira do "golpe", apóia Insulza em seu papel "democratizador" - como se a democracia tivesse sido interrompida por aqueles que fizeram nada menos do que defendê-la e respeitá-la - , afirmando que é inaceitável que hoje em dia se retorne ao fantasma dos "golpes militares". Querendo saber mais deste representante da OEA no Haiti, encontrei uma nota muito curiosa escrita por Diego Casagrande, e publicado pelo site Defes@Net em 2 de janeiro de 2008. Casagrande o entrevistava sobre questões das FARC e o doutor Seitenfus desconversou quando o jornalista lhe perguntou sobre as visitas de terroristas deste bando ao palácio do Governo quando Olívio Dutra era governador do estado do Rio Grande do Sul. Leiam a entrevista e vejam que primor!
É vergonhoso que a imprensa brasileira prime pela desinformação premeditada e que dê guarida e ouvidos a apenas um lado da opinião, amparada nos vários títulos universitários que os entrevistados possuem, em detrimento da informação correta e precisa como deve ser o papel da imprensa. Não foi ouvido ninguém "do outro lado", alguém que veja as coisas como elas de fato ocorreram e que faça uma análise isenta e sem ranços esquerdistas. E é este tipo de democracia caolha que esta gente se orgulha de defender e que tem a petulância de dizer que está "informando"!

Isto é incrível

O que vai abaixo é uma reportagem da Agência Estado sobre os últimos acontecimentos no PSOL. Pode parecer incrível, mas em uma bancada de 3 parlamentares, "um terço" já não obedece o líder. Este tipo de episódio faz lembrar aquela velha brincadeira de que a esquerda brasileira só se une na prisão. Na verdade – e muita gente pode até não acreditar –, o PSOL é uma agremiação constituída de várias alas e com disputas internas bem acaloradas.

Agora mesmo, um grupo está tramando contra a presidente do partido, vereadora Heloísa Helena. É, digamos assim, a "esquerda do PSOL", que não aceita o nome de Helena para a disputa presidencial do próximo ano e tenta viabilizar uma candidatura alternativa. Há quem diga a turma seja responsável pelos vazamentos de que Heloísa "não quer" disputar o cargo e prefere voltar ao Senado.
A seguir, a íntegra da reportagem sobre a crise da bancada federal do PSOL.

Com apenas 3 deputados, PSOL vive crise interna

SÃO PAULO - Nascido de uma dissidência do PT em 2004, o PSOL tem uma bancada de apenas três deputados, mas vive uma crise digna de partido grande. Irritada com o colega Ivan Valente (SP), líder do trio na Câmara dos Deputados, a gaúcha Luciana Genro enviou carta à direção partidária, na quinta-feira, acusando-o de machismo e desequilíbrio. Ivan reagiu e disse que a colega está isolada e tornou pública sua insatisfação em um ato de desespero.
No meio da confusão está o deputado Chico Alencar (RJ), que tenta apagar o incêndio. "Somos tão jovens e ainda incipientes que não suportamos uma desavença nesses termos. Há elementos de temperamento e de personalidade de cada um. Eles não precisam ser amigos, se tratar com ternura, mas é preciso se colocar no patamar da boa relação política", diz Alencar.
Nem mesmo a coesão do PSOL nas votações em plenário sobreviveu. A bancada se dividiu na votação de um dos itens da reforma eleitoral. Luciana foi a favor da liberação do uso de outdoors nas campanhas. Os outros dois deputados foram contrários. Por causa dessa divergência, a relação entre Luciana e Valente azedou de vez.
A deputada - filha do ministro da Justiça, o petista Tarso Genro - não gostou quando o líder disse que ela fez um "roubo de galinha" ao defender os outdoors, quando tinha sido destacada para falar em favor do uso de carros de som em campanhas. Luciana não reagiu de imediato, mas no dia seguinte mandou a carta indignada à Executiva Nacional do PSOL.
Reunião
Reunida na sexta-feira, a Executiva reiterou "apoio e confiança integral em seu líder na Câmara". Anunciou, no entanto, uma nova reunião, em data a ser definida, desta vez com a presença da presidente do partido, a vereadora de Maceió Heloísa Helena. "Não será por falta de moderadores que a crise deixará de ser superada", informa a nota do partido. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Ainda sobre Mainardi e Chico

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Observatório da Imprensa, ampliando comentário feito aqui sobre os ataques de Diogo Mainardi a Chico Buarque.

MAINARDI vs. CHICO
O rodapé de Gore Vidal

Muita gente já aconselhou este observador a não perder tempo com Diogo Mainardi. De fato, comentar os textos do colunista da revista Veja é até aborrecido, ele vive repetindo os mesmos preconceitos e destila seu ódio contra o presidente Lula. Mas vez por outra, quando Mainardi se supera, vale a pena registrar, digamos assim, o novo patamar alcançado.

E na edição desta semana (nº 2121, de 15/07/2009), Diogo Mainardi subiu mais um degrau. Seu texto, reproduzido ao final desta nota, é um retrato acabado do pensamento da ultradireita tupiniquim. Desta vez, ele escreve sobre o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, a quem qualifica de "uma fraude". Vale a pena ler a coisa toda apenas para perceber como são ridículos os "argumentos" do colunista do semanário mais lido do país.

A construção do texto é centrada na figura de uma tal Edna O´Brien, escritora irlandesa que "entendeu" a fraude chamada Chico Buarque e não conseguiu dormir em Paraty por causa da irritante "batucada" que não parava durante a noite. Pior, também não dormiu no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, por causa da festa de casamento do jogador Alexandre Pato. Bem, para resumir a história, Mainardi jantou com a azarada O´Brien e parece que Chico Buarque foi o grande assunto do repasto. Ela "entendeu" algo que Dioguinho sempre soube: Chico nada entende de literatura e o Brasil é um país atrasado, onde a batucada nunca silencia.

Grande escritor

Dá até preguiça comentar, mas vamos lá: Mainardi certamente conhece mais literatura do que Chico Buarque. Senão vejamos. O colunista de Veja, que atualmente vive no Rio de Janeiro, deve morrer de saudades de Veneza e do tempo em que se divertia na Itália discutindo alta literatura com o grande escritor norte-americano Gore Vidal. Há controvérsias, porém, se foi Vidal quem primeiro introduziu a literatura na vida de Dioguinho. De qualquer forma, Chico jamais teve este prazer, de maneira que Mainardi deve mesmo saber mais do que o compositor quando o assunto é literatura.

Apesar de seu profundo conhecimento, o colunista de Veja não se arrisca sozinho: para dizer que Chico Buarque é "uma fraude", precisa do aval de alguém do Velho Mundo, pois tem pelo menos a consciência de que uma palavra sua contra Chico não seria nem levada a sério (como de resto quase tudo que escreve).

Em um futuro que este observador espera não estar tão próximo, isto é, quando estivermos todos mortos, Chico Buarque vai aparecer nos livros de história como um dos maiores artistas brasileiros. Já o grande escritor, cineasta e colunista Diogo Mainardi talvez, vejam bem, talvez, acabe em algum dos rodapés da biografia de Gore Vidal (that brazilian boy...). Uma diferença e tanto.

***

Edna entendeu tudo

Diogo Mainardi # reproduzido de Veja, edição 2121, 15/07/09

Edna O’Brien está fazendo um conto sobre "Chico". Ela pronuncia "Chico" com um "T" na frente, como em Chico Marx. Por isso mesmo, "Chico", em seu conto, ganhou o nome de Harpo, como em Harpo Marx. Mas o inspirador da festejada escritora irlandesa – pode bater no peito – é o nosso "Chico": Chico Buarque.
Edna O´Brien conheceu "Chico" uma semana atrás, na Flip, em Paraty. Depois de participar de um debate, ela foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude. O que ela afirmou em seguida, durante o jantar? Que se espantou com a empáfia e com o desconhecimento literário dos dois autores. E o que ela repetiu para mim, alguns dias mais tarde, em outro jantar, no Rio de Janeiro? Que Chico Buarque era uma fraude, que ela se espantou com sua empáfia e com seu desconhecimento literário, e que se espantou mais ainda com sua facilidade para enganar a plateia da Flip.
No conto de Edna O´Brien, Chico Buarque – ou Harpo – é tratado como "Astro do rock". O personagem é inspirado em Chico Buarque, mas tem também umas pitadas de Bono, do U2, admirador de Edna O´Brien. A narradora – uma autora irlandesa – está numa feira literária no Brasil. De alguma maneira, ela é inserida no séquito de um cantor que, como Chico Buarque, se meteu a fazer romances. Há uma atmosfera onírica no conto. Essa atmosfera onírica foi estimulada pelo fato de Edna O´Brien, nas quatro noites que passou em Paraty, atormentada pela batucada permanente do lado de fora da janela de seu hotel, nunca ter dormido. Quando saiu de Paraty, ela se refugiou no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, mas continuou insone, atormentada pela festa de casamento de Pato, o jogador do Milan, com Sthefany Brito, a atriz de Chiquititas. Sthefany é com "Y", como Paraty, e "Chiquitita" tem um "T" na frente, como Chico Marx.
Eu já resenhei um romance de Chico Buarque: Benjamim. Nele, um homem à beira da morte relembra o passado, misturando realidade e sonho. Em Leite Derramado, seu último romance, um homem à beira da morte relembra o passado, misturando realidade e sonho. Chico Buarque, como Harpo, é o buzinador das letras: fon-fon. Ele está para a literatura assim como Dilma Rousseff está para as teses de mestrado. Ou assim como José Sarney está para Agaciel Maia. Edna O´Brien passou apenas uma semana no Brasil. Mas ela entendeu tudo: neste país fraudulento, o que mais espanta é a facilidade para enganar a plateia, enquanto a batucada continua do lado de fora.

Cadê a recessão que estava aqui (2)?

Estranha recessão, esta, na qual o comércio cresce 4% em relação a um mês bombástico de um ano de boom econômico. Abaixo, matéria do portal UOL a respeito dos dados divulgados hoje.

Após dois meses de queda, vendas no varejo crescem 4% e superam previsões

Da Redação
, em São Paulo
As vendas no varejo brasileiro subiram 4% em maio na comparação com igual período do passado e 0,8% em relação a abril, após dois meses seguidos de queda, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), nesta terça-feira.
Economistas consultados pela agência de informações Reuters previam um crescimento mês a mês de 0,4% e uma alta de 3% sobre maio de 2008.
No comparativo com maio de 2008, o volume de vendas foi maior em sete das dez atividades pesquisadas, com destaque para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, que verificaram acréscimo de 6,7%, o maior impacto na formação da taxa global do varejo.
Já na passagem de abril para maio, o levantamento mostra que sete das oito atividades do varejo verificaram elevação do volume de vendas, como Combustíveis e lubrificantes (+3,7%), Outros artigos de uso pessoal e doméstico, (+2,9%) e Livros, jornais, revistas e papelaria (+2,2%). Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo cresceram apenas 0,1%.
Com relação à receita nominal de vendas, foi verificada ampliação de 0,8% em maio, seguindo alta de 0,2% em abril e 0,1% em março. Comparada a maio do ano passado, a expansão apurada ficou em 8,9%. No acumulado do ano, houve incremento de 10,3%. Em 12 meses, a alta correspondeu a 12,7%.
No comércio varejista ampliado - varejo e mais as atividades de veículos, motos, partes e peças e de material de construção -, as vendas tiveram expansão de 3,7% e a receita nominal subiu 4,4% no mês em maio.
Levando em conta o comparativo com maio de 2008, o IBGE observou ampliação de 3,3% e de 4,9%, na ordem. No acumulado do ano, as taxas foram positivas em 2,7% e 5,1%, respectivamente.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Augusto Nunes e o mundo da fantasia

É impressionante o pessoal da Veja. Depois do Mainardi batendo em Chico Buarque, temos o texto abaixo, de Augusto Nunes. É daquele tipo que a gente sente vergonha pelo autor ter coragem de botar no papel - no caso, no blog - o que escreveu. Então tá: Lula não é "o cara" e ainda por cima é ruim de voto. É, deste jeito não dá nem para começar a conversar... Pensando melhor, é preciso dar a Augusto o benefício da dúvida: estaria o autor sóbrio quando escreveu o "artigo" que vai reproduzido a seguir?

Pesquisa não é urna, popularidade não é voto, intérprete não é Obama

Barack Obama, convém contar o caso como o caso foi, jamais disse que Lula é “o cara”. Só poderia ter dito isso se falasse português. Quem disse foi o intérprete. “That’s my man”, assim se referiu o presidente americano ao colega brasileiro. ”Esse é meu chapa”, ou “esse é dos meus”, ou “esse é gente minha” ─ qualquer dessas opções estaria de bom tamanho. Como conhece o chefe, o intérprete escolheu arbitrariamente a fórmula que incharia de orgulho o pastor vaidoso e induziria a balidos emocionados o rebanho cada vez mais jeca.
O confisco do título que Romário se atribuíra era o que faltava para que fosse promovido a senhor das urnas o dono de um currículo eleitoral pouco brilhante. Em 1982, Lula foi derrotado por Franco Montoro na disputa pelo governo de São Paulo. Elegeu-se deputado federal em 1986, mas perdeu para Fernando Collor a sucessão presidencial de 1989 ─ mesmo com o apoio, na segunda rodada, de Leonel Brizola, Mário Covas e Ulysses Guimarães.
Em 1994 e 1998, foi goleado por Fernando Henrique Cardoso no primeiro turno. Precisou do segundo para vencer José Serra em 2002 e, vejam só, Geraldo Alckmin em 2006. Os institutos de pesquisa já o haviam transformado num fenômeno de popularidade quando o presidente teve de engolir um segundo duelo com o concorrente ligeiramente mais carismático que qualquer vereador do Partido dos Aposentados da Nação.
Com o índice de popularidade já roçando os 100% (ou 103%, se a margem de erro oscilar para cima), Lula resolveu que Marta Suplicy seria prefeita e Micarla de Souza, não . “Marta vai ganhar em São Paulo”, decretou no fim de setembro em Nova Delhi. Empossada por Lula, a candidata do PT foi para casa levando sobre os ombros toneladas de votos em Gilberto Kassab. O eleitorado de Natal tampouco obedeceu à ordem do presidente, que transformara a vitória no Rio Grande do Norte em questão de honra. Micarla virou prefeita no primeiro turno.
O cara é mesmo bom de urna? Lula e seus devotos juram que sim, a oposição oficial acredita. O Brasil que pensa prefere pagar para ver. O currículo eleitoral informa que, por enquanto, o craque está mais para Sevilha que para Real Madrid.

As lacunas da cobertura da crise no Senado

Em primeira mão para os leitores do Entrelinhas, mais um artigo do autor do blog para o Observatório da Imprensa.

JORNALISMO POLÍTICO
As lacunas da cobertura da crise
Por Luiz Antonio Magalhães


O Congresso Nacional está em crise, mas para a grande imprensa tudo se resume a um nome: José Sarney. É certo que o presidente do Senado, eleito pelo Amapá e líder do PMDB do Maranhão, está cercado de encrencas, algumas delas tão complicadas de explicar como batom na cueca. Fazem bem os jornalistas em correr atrás das denúncias sobre o ex-presidente da República, mas fariam melhor, muito melhor, aliás, se conseguissem explicar ao distinto público o que está realmente em jogo no legislativo federal.
Para começo de conversa, a crise não se restringe ao Senado, embora as falcatruas da Câmara tenham sido ofuscadas pelos episódios que vieram à tona na Casa Alta do parlamento brasileiro. A rigor, os primeiros casos denunciados neste ano, sobre a farra das passagens aéreas, dizem respeito aos deputados federais, que transformaram as milhagens e os bilhetes não utilizados em mercadoria. A apuração não avançou muito, ficou na publicação de casos particulares – até o impoluto e probo Fernando Gabeira (PV-RJ) acabou admitindo que usou passagens da sua cota para a filhota viajar ao Havaí. O que jornal nenhum investigou foi a parte mais grave da história, pois o uso de bilhetes da cota pessoal de deputados para seus parentes, amigos ou namoradas é café pequeno perto do esquema que transformava as passagens e milhagens em mercadoria. Como se sabe, mercadorias são vendidas e compradas mediante pagamento. Quem embolsou os recursos? Quem operava o esquema? Ninguém sabe, ninguém viu. O assunto simplesmente morreu na imprensa tupiniquim.
Mesmo considerando apenas os fatos amplamente noticiados dos desmandos no Senado, a cobertura é repleta de lacunas. O foco em Sarney acaba fazendo com que muita coisa importante não seja publicada. A Primeira-Secretaria do Senado, comandada hoje por Heráclito Fortes (DEM-PI), é uma espécie de “prefeitura” da Casa. Entre as prerrogativas desta secretaria estão as de realizar licitações, nomear e demitir servidores e a de cuidar da execução do Orçamento do Senado. O primeiro-secretário também assina, depois do presidente, as atas das reuniões secretas. É muita coisa, mas do jeito que as reportagens dos jornalões têm sido publicadas, parece que só José Sarney sabia e cuidava das falcatruas. Ora, nos últimos anos o cargo tem sido ocupado exclusivamente por parlamentares do DEM, antigo PFL – antes de Heráclito, Efraim Moraes e Romeu Tuma foram os “prefeitos” do Senado. Apesar de tudo isto, nitidamente os democratas vem sendo poupados do tiroteio. Batom, só na cueca de Sarney (e de Renan Calheiros, os ex-presidentes da “Era Agaciel” Garibaldi Alves e Tião Viana também não estão sendo cobrados na mesma intensidade).
É evidente que Sarney tem culpa no cartório – foi ele quem nomeou Agaciel Maia diretor-geral do Senado, para começo de conversa –, mas a imprensa ainda não conseguiu esclarecer o que está por trás da guerra que vem sendo travada no Congresso Nacional, limitando-se a publicar denúncias vazadas na maior parte das vezes por funcionários do Senado ou gente com interesse direto na publicação das denúncias. Pior ainda, os jornalões e seus colunistas não estão conseguindo colocar as denúncias em um contexto que as explique. Para o leitor, fica parecendo que anteontem Sarney desembestou a praticar corrupção, a torto e a direito, praticando um verdadeiro harakiri político.
Ora, José Sarney não nasceu ontem nem tem vocação para se auto-imolar. O que os brasileiros estão tomando conhecimento neste momento são práticas muito antigas, anteriores até mesmo à primeira gestão de Sarney na presidência do Senado. Não foi de ontem para hoje que o Senado contratou 9,6 mil funcionários (contando os inativos, o número chega a espantosos 18 mil e nesta soma não estão os terceirizados e comissionados) para servir os 81 senadores, o que é um absurdo lógico e administrativo. Também não foi de ontem para hoje que começaram a ser assinados os atos secretos, agora cancelados pelo presidente da Casa, ou que começaram a se formar as filas para comprovar a presença e fazer jus às horas-extras. E o mais importante de tudo, não foi de ontem para hoje que a imprensa ficou sabendo de tanta imoralidade. Ao contrário, muitos dos jornalistas que parecem orgulhosos dos “furos” que estão dando na verdade deveriam estar com vergonha de jamais terem tocado no assunto antes...
Na verdade, a grande lacuna da atual cobertura da crise é mesmo a falta de contextualização. Sarney está sob intenso tiroteio porque a eleição para a Mesa Diretora do Senado precipitou, no Congresso, a verdadeira guerra que está sendo travada nos bastidores da política brasileira, qual seja a da sucessão do presidente Lula no próximo ano. Nem é tão difícil assim explicar as coisas: Sarney faz parte do PMDB governista, que decidiu romper com um acordo de cavalheiros e disputou o comando das duas casas parlamentares, quando o natural era o PT ficar com a presidência do Senado, cedendo a da Câmara ao PMDB. Curiosamente, a entrada de Sarney na disputa dividiu a oposição – ele recebeu apoio do DEM, mas não do PSDB. Com a vitória do senador do Amapá no Senado e do deputado Michel Temer (SP) na Câmara Federal, uma parcela substantiva do PT ficou incomodada com o que julgou “excesso de poder” dos peemedebistas. Ao mesmo tempo, boa parte dos tucanos, especialmente os próximos ao governador de São Paulo, José Serra, também não acharam muita graça em ter como comandante do Senado, justamente no período pré-eleitoral e durante a campanha de 2010, um político extremamente próximo do presidente Lula, capaz de influenciar decisivamente na costura das alianças estaduais e nacional.
Pode até parecer confuso, mas não é. São interesses conflitantes, mas como o mesmo objetivo: detonar não apenas Sarney, mas o que ele simboliza – o PMDB alinhado com Lula. Do ponto de vista dos “serristas”, enfraquecer esta ala peemedebista é um dos poucos jeitos de pelo menos tentar uma neutralidade do partido, detentor de muito tempo na propaganda eleitoral no rádio e televisão. Para uma parcela do PT, trata-se de preservar o seu quinhão na máquina governamental. Já os democratas optaram pelo apoio a alguém que no fundo, no fundo, é um dos seus. Nada disto aparece nas análises dos jornalões, que preferem apostar no espetáculo das notícias que chocam (e que esses mesmos jornalões já tinham conhecimento). Se o fazem por inocência, é apenas mau jornalismo. Se o fazem por interesse no resultado da eleição de 2010, é manipulação pura e simples. Nos dois casos, o leitor sai perdendo.

Queimando o colchão

O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), mandou cancelar os chamados atos secretos da Casa. A medida lembra um pouco a história do marido que manda queimar o colchão da cama em que flagrou a mulher com outro. O problema de fundo na crise não é propriamente este ou aquele ato secreto, mas um modus operandi que une todos os parlamentares do Congresso - da Câmara e do Senado, diga-se de passagem. O que precisa acontecer é uma regulamentação das práticas correntes no uso dos recursos públicos no poder legislativo. Não é concebível que o Senado disponha de 10 mil servidores, nem dá para aceitar que a Câmara comercialize passagens aéreas (atividade bem lucrativa, por sinal). Foi bom Sarney ter cancelado os atos secretos, é óbvio, mas tal medida não é suficiente para por um fim na crise que vive o legislativo federal.

Serra candidato à reeleição?

Boa sacada do jornalista Ivson Sá, em seu blog Coleguinhas, Uni-vos: o governador José Serra (PSDB) anda espalhando por aí que poderá ser candidato à reeleição em São Paulo. Para Ivson, trata-se de uma cascata destinada a poupar Serra do fogo – amigo e inimigo – e das naturais cobranças que a imprensa faria de um pré-candidato à presidência.

É exatamente isto. Serra não fala nada sobre coisa alguma, e quando abre a boca é para externar suas graves opiniões sobre amenidades e temas de menor importância. Talvez seja o primeiro caso de despolitização completa de uma candidatura. Serra quer vencer a eleição baseado em recall, exclusivamente. Complicado... Pelo menos o tucano conta com a simpatia da mídia e não precisa ficar respondendo perguntas sem nexo, como ocorre com Dilma Rousseff.

Tudo somado, os leitores podem ter certeza: Serra só não será candidato em 2010 à presidência da República se Aécio Neves passar-lhe a perna, como fez Geraldo Alckmin em 2006. O que também não é impossível de acontecer, pois Aécio é bem mais hábil do que o tacanho Geraldinho. Se Serra tomou um drible da vaca de Alckmin, Aécio é bem capaz de dar um chapéu no governador paulista. Desta vez, porém, este blog acha que Serra, nesta hipótese, chutará a canela do colega, coisa que não fez em 2002 com Alckmin, até por considerar aquela eleição perdida desde o começo.

Cadê a recessão que estava aqui?

A matéria abaixo, da Agência Reuters, revela que o mercado financeiro continua corrigindo a sua expectativa para o PIB brasileiro de 2009. Agora, a previsão é de declínio de apenas 0,34% no produto deste ano. Em mais algumas semanas este número vai zerar e provavelmente no segundo semestre já haverá previsão de algum crescimento neste ano. Mais um dado desanimador para as oposições, que apostavam em um número negativo para cair matando na política econômica de Lula. O problema é que, pelo menos até aqui, as medidas tomadas pelo governo estão surtindo efeito e o Brasil vai passando pela "maior crise do capitalismo" de maneira surpreendentemente positiva. Se continuar assim, no final, em 2010, o presidente poderá dizer que por aqui, foi só uma marolinha mesmo...

Mercado melhora previsão de PIB e vê inflação maior

Relatório Focus aponta retração de 0,34% do PIB este ano ante declínio de 0,50% na estimativa anterior

Daniela Machado

SÃO PAULO - O mercado melhorou a previsão para o desempenho da economia brasileira em 2009, mas elevou as estimativas de inflação deste e do próximo ano, mostrou o relatório Focus nesta segunda-feira, 13. As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central esperam agora retração de 0,34% do Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, ante estimativa anterior de declínio de 0,50%. Para 2010, a projeção continua sendo de crescimento de 3,5% da economia.
No caso da inflação, o prognóstico é de que o IPCA suba 4,50% em 2009 - ficando no centro da meta perseguida pelo BC -, frente à projeção anterior de 4,42%. O IPCA do próximo ano deve avançar 4,40%pelas novas estimativas, ante alta de 4,33% projetada na semana anterior.
A previsão para o juro básico foi mantida em 8,75% ao ano no final de 2009 e em 9,25% no encerramento de 2010. As instituições mantiveram pela terceira semana a perspectiva de que o Comitê de Política Monetária (Copom) reduza a Selic em 0,50 ponto porcentual na reunião da próxima semana, para 8,75%.
A estimativa para a produção industrial piorou, saindo de queda de 5,37% na semana anterior para declínio de 6,0%.

domingo, 12 de julho de 2009

Para ver e pensar

Foto "gentilmente retirada" do blog Nos dias de hoje. É uma frase e tanto, bom tema de reflexão para os coleguinhas, diplomados ou não...

Ainda sobre o deproma de jornalismo

Saiu na semana passada, na edição do Estadão de domingo (5/7), um texto antológico de Luís Fernando Verissimo, reproduzido abaixo para os leitores do Entrelinhas. Este blogueiro aposta que o "entrevistador" de Verissimo é formado em jornalismo, com muito orgulho, e ostenta seu canudo por aí. Um verdadeiro perigo público...

Entrevista
Meu caro: recebi a revista com minha entrevista, que você não quis fazer por e-mail, como eu tinha sugerido, nem com um gravador, como seria prudente. Confiou na sua memória e nas suas anotações e o resultado aí está. Começando já na primeira pergunta, sobre o meu método de trabalho.
Reconheço que não falo com muita clareza, mas definitivamente não, repito não, disse que antes de começar a escrever traçava uns miúdos, o que pode dar a entender que me preparo para o trabalho atacando sexualmente crianças portuguesas. O que eu disse foi que amiúde faço traços no papel, esperando que venha a inspiração. Também não sei de onde você tirou que só escrevo descalço e ouvindo Mozart.
Em outra pergunta, sobre o começo da minha carreira e as leituras que me influenciaram , onde está "corcundas libertários" deveria ser "concursos literários", e onde se lê "Frei Beto" deveria ser "Flaubert". Não me lembro exatamente o que disse sobre o Machado de Assis mas tenho certeza que não o chamei de "prótese motora". Talvez fosse algo como "protomoderno". Só saberíamos ao certo se você tivesse gravado!
Outra coisa. Sua pergunta sobre escritores brasileiros meus contemporâneos. Se eu for processado - e no caso do Paulo Coelho certamente serei, depois do que você botou na minha boca sobre ele - farei o possível para que você seja responsabilizado criminalmente. Não entendo como a expressão "fenômeno cultural", a respeito dos novos autores da era da informática, possa ter saído como "fedor monumental". Vou ter que telefonar para vários escritores amigos meus para desmentir o que está na entrevista, antes que mandem me bater.
Você também ouviu errado o nome da minha mulher. Ela ainda não leu a entrevista, mas fatalmente me perguntará sobre essa Lidia que, segundo você, é minha companheira e musa há tantos anos. Vai querer saber onde eu a mantenho escondida.
Meus dados biográficos também saíram errado. Eu não disse que fui adotado com um ano e pouco. Disse que nasci sem cabelo e por isso fui apelidado de "Coco". Na infância não gostava de andar pelado na rua. Gostava de jogar peladas na rua. E não consigo imaginar o que eu falei que levou você a escrever que na adolescência fui sequestrado por um casal de ciganos e levado para a Romênia. Eu deveria ter adivinhado que você entendera errado quando antes de escrever me perguntou se o certo era "Romênia" ou "Rumênia". Também não sei como o senador Heráclito Fortes entrou na minha lista de atores favoritos.
Por fim: eu disse que minha cor preferida era o vermelho. Saiu "azul". Foi o que mais doeu.

O exemplo de José Alencar

Impressionante a garra e a firmeza do vice-presidente José Alencar em sua luta de quase duas décadas contra o câncer. Aos 77 anos, Alencar é uma referência de força e determinação a todos que sofrem desta e de outras doenças. No começo os petistas criticaram muito, mas Lula acertou a mão ao escolher, lá em 2002, o empresário Alencar para compor a chapa. Difícil hoje pensar em alguém melhor. Ainda mais imaginando que Fernando Gabeira, o probo, poderia ter ficado com a vaga...

Diogo (who?) Mainardi: Chico é uma fraude

O texto abaixo, publicado na revista Veja, é um retrato acabado da ultradireita tupiniquim. O tal Mainardi escreve sobre o compositor e escritor Chico Buarque de Holanda, a quem qualifica de "uma fraude". Bem, vale a pena ler a coisa apenas para perceber como são ridículos os "argumentos" do colunista do semanário mais lido do país. A construção do texto é centrada na figura de uma tal Edna O'Brien, escritora irlandesa que "entendeu" a fraude chamada Chico Buarque e não conseguiu dormir em Paraty por causa da irritante "batucada" que não parava durante a noite. O tal Mainardi jantou com a tal O'Brien e parece que Chico Buarque foi o grande assunto do repasto. Ela "entendeu" o que Dioguinho sempre soube: Chico nada entende de literatura e o Brasil é um país atrasado, onde o batuque não para jamais.

Bem, isto posto, é quase desnecessário comentar. Mainardi vive no Rio de Janeiro, mas deve morrer de saudades de Veneza e do tempo em que se divertia discutindo alta literatura com Gore Vidal. Ele já declarou que não suporta o Brasil, mas pelo visto não tem sido muito feliz em convencer seus patrões a voltar para o berço da civilização... Para dizer que Chico Buarque é "uma fraude", precisa do aval de alguém de lá, do Velho Mundo, pois deve ter alguma consciência de que uma palavra sua contra Chico não seria nem levada a sério (como de resto tudo que escreve).

Em um futuro que este blogueiro espera não estar tão próximo, quando estivermos todos mortos, Chico Buarque vai aparecer nos livros de história como um dos maiores artistas brasileiros. Já Diogo Mainardi talvez, vejam bem, talvez, entre em algum rodapé da biografia de Gore Vidal (that brazilian boy...). Uma diferença e tanto.

Mainardi sabe disto, coitado, dá para imaginar o tamanho da frustração.

Edna entendeu tudo
Diogo Mainardi

"Edna O’Brien foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude. O que ela afirmou em seguida, durante o jantar? Que se espantou com a empáfia e com o desconhecimento literário dos dois autores"

Edna O’Brien está fazendo um conto sobre "Chico". Ela pronuncia "Chico" com um "T" na frente, como em Chico Marx. Por isso mesmo, "Chico", em seu conto, ganhou o nome de Harpo, como em Harpo Marx. Mas o inspirador da festejada escritora irlandesa – pode bater no peito – é o nosso "Chico": Chico Buarque.
Edna O’Brien conheceu "Chico" uma semana atrás, na Flip, em Paraty. Depois de participar de um debate, ela foi arrastada a um encontro entre Chico Buarque e Milton Hatoum. O que ela afirmou, assim que conseguiu escapar do encontro? Que Chico Buarque era uma fraude. O que ela afirmou em seguida, durante o jantar? Que se espantou com a empáfia e com o desconhecimento literário dos dois autores. E o que ela repetiu para mim, alguns dias mais tarde, em outro jantar, no Rio de Janeiro? Que Chico Buarque era uma fraude, que ela se espantou com sua empáfia e com seu desconhecimento literário, e que se espantou mais ainda com sua facilidade para enganar a plateia da Flip.
No conto de Edna O’Brien, Chico Buarque – ou Harpo – é tratado como "Astro do rock". O personagem é inspirado em Chico Buarque, mas tem também umas pitadas de Bono, do U2, admirador de Edna O’Brien. A narradora – uma autora irlandesa – está numa feira literária no Brasil. De alguma maneira, ela é inserida no séquito de um cantor que, como Chico Buarque, se meteu a fazer romances. Há uma atmosfera onírica no conto. Essa atmosfera onírica foi estimulada pelo fato de Edna O’Brien, nas quatro noites que passou em Paraty, atormentada pela batucada permanente do lado de fora da janela de seu hotel, nunca ter dormido. Quando saiu de Paraty, ela se refugiou no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, mas continuou insone, atormentada pela festa de casamento de Pato, o jogador do Milan, com Sthefany Brito, a atriz de Chiquititas. Sthefany é com "Y", como Paraty, e "Chiquitita" tem um "T" na frente, como Chico Marx.
Eu já resenhei um romance de Chico Buarque: Benjamim. Nele, um homem à beira da morte relembra o passado, misturando realidade e sonho. Em Leite Derramado, seu último romance, um homem à beira da morte relembra o passado, misturando realidade e sonho. Chico Buarque, como Harpo, é o buzinador das letras: fon-fon. Ele está para a literatura assim como Dilma Rousseff está para as teses de mestrado. Ou assim como José Sarney está para Agaciel Maia. Edna O’Brien passou apenas uma semana no Brasil. Mas ela entendeu tudo: neste país fraudulento, o que mais espanta é a facilidade para enganar a plateia, enquanto a batucada continua do lado de fora.

sábado, 11 de julho de 2009

De volta ao batente

A semana passou voando e já estamos de volta ao Entrelinhas. Sarney pelo visto continua onde estava e Arthur Virgílio, o tucano briguento, ainda não explicou se vai ressarcir os R$ 700 mil pagado pelo Senado para um tratamento de saúde de sua mamãe. Ou seja, nada mudou muito nos últimos sete dias.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

7 dias de ausência

O autor do blog já está com os primeiros sinais da síndrome de abstinência que certamente o acometará na próxima semana. Não, ao contrário do que pensam os maldosos, não se trata de nenhuma internação naquelas clínicas de recuperação em que o sujeito entra em um estado lastimável em função de seus vícios e sai ainda pior (com Jesus no Coração ou qualquer outra variante do fanatismo religioso). Não é o caso, ainda, do autor destas Entrelinhas, felizmente. A ausência se deve a um curto período de descanso, coisa que no passado remoto contava-se em 30 dias e era chamado de "férias". Até a próxima sexta-feira, o blogueiro se dedicará a prospecção de um futuro promissor, ou seja, vai passar a semana treinando o filho, que já dá boas pedaladas e tem um drible curto e seco que lembra um pouco o do centroavante Careca. A beira de completar 8 anos, o rapaz é a maior - mas não a única - esperança de futuro próspero para o progenitor. De qualquer forma, é preciso de um pouco de perseverança e treino, coisa que cabe ao pai proporcionar. Sim, é difícil não escrever, mesmo em férias, de maneira que sempre pode acontecer alguma edição extraordinária, diretamente de alguma lan house do litoral norte de São Paulo. Se nada de grande impacto acontecer, estaremos de volta no próximo final de semana. Como sempre, agradecemos a audiência, cada vez maior, e os comentários sempre inteligentes e perspicazes dos leitores, exceto aqueles relacionados às pausas esportivas do blog, em relação aos quais é concedido o devido desconto, porque não se deve esperar muita coisa de quem optou por sofrer na vida... Arrivederci, bambini!

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Porque Sarney permanece na Presidência

O presidente do Senado vai resistindo às pressões pela sua renúncia ou licença do cargo. A questão é mais simples do que parece: o governo não tem como substituir José Sarney (PMDB-AP) sem perder completamente a sua base de sustentação no Congresso. Sim, porque se Sarney renunciasse ou se afastasse do cargo pelo tal período de 60 dias, os senadores do PMDB partiriam para a retaliação. Nos bastidores do Congresso, há quem diga que o grupo poderia apoiar uma candidatura do senador democrata José Agripino Maia (RN) à presidência do Senado apenas como sinal de vingança pela falta de apoio a Sarney. Foi por esta razão que o PT recuou, e não por qualquer outro motivo mais nobre. Sem Sarney, o governo fica isolado no Senado, o que evidentemente não é nada bom para o presidente Lula (e nem para o país, pois significaria uma paralisia completa dos trabalhos parlamentares).

Sarney não nasceu ontem, tem muitos defeitos, a maior parte deles bem antiga, por sinal. Mas a verdade é que todos os seus colegas de Senado, sem exceção, têm exatamento os mesmos defeitos. Não existe um úncio parlamentar em todo o Congresso Nacional que possa bater no peio e dizer: "eu sou diferente, eu sou o ético". Não, nem mesmo Fernando Gabeira – vide as passagens da filhota para o Havaí ou o pagamento com recursos públicos de serviços privados prestados pela então namorada, atual esposa. Eduardo Suplicy, Cristovam Buarque, Chico Alencar, Pedro Simon, Heloísa Helena enfim, todos os deputados e senadores apontados pela mídia como puros e éticos já aprontaram bastante com o meu, o seu o nosso suado dinheiro que vai para o pagamento de tributos e depois vira piada nas mãos dos nobres parlamentares. A diferença entre eles é de ordem política e ideológica, uns defendem A, outros preferem B. Na prática parlamentar, são todos iguaizinhos.

Há, portanto, uma certa hipocrisia na grande imprensa ao noticiar os escândalos que envolvem José Sarney e seus familiares. A cobrança que se faz ao ex-presidente deveria, por justiça, ser a mesma para um Arthur Virgílio, paladino da ética para o alheio, porque para si, não cabe nenhuma, conforme se pôde observar no episódio dos R$ 723 mil utilizados para pagamento do tratamento de sua mãe - recursos esses, é claro, do Senado e que jamais poderiam ter a destinação que tiveram. Virgílio já devolveu a bufunfa? Vai pagar de uma vez ou parcelar a malfeitoria no lombo do contribuinte brasileiro? Repórter nenhum tem coragem de fazer tais perguntas ao tucano, mas conseguem ser mais duros com Sarney... Dois pesos, duas medidas, caso clássico.

No fundo, o melhor a ser feito neste momento é aproveitar a guerra que vem sendo travada no andar de baixo do Senado e Câmara - o funcionalismo das duas casas é que está fornecendo material e dossiês para a imprensa - para estabelecer regras mais rígidas para o uso da verba pública pelos deputados e senadores. Isto já começou na Câmara, de maneira ainda muito tímida, com a regulamentação do uso das passagens, e precisa ser ampliado.

Ainda sobre a ficha da Dilma

Versão mais completa, para o Observatório da Imprensa, de post publicado originalmente neste blog.

LEITURAS DA FOLHA
Jornal enrola os leitores com a ficha falsa de Dilma

Por Luiz Antonio Magalhães em 30/6/2009


"Peidei, mas não fui eu". Este observador pede desculpas pela má expressão, mas não há nada mais apropriado do que está frase, popularizada pelo cantor Lobão, para o texto reproduzido ao final desta nota, originalmente publicado na edição de domingo (28/6) da Folha de S. Paulo. Sim, pois foi a segunda vez que o jornal voltou ao assunto para se explicar, produzindo mais um clássico da arte de embromar os leitores. A história é simples. A Folha publicou uma "ficha policial" da ministra Dilma Rousseff, grosseiramente falsificada, e não consegue admitir que errou.

Na primeira retificação, o jornal da Barão de Limeira mandou brasa e escreveu que não era possível provar a autenticidade da ficha (leia-se: publicamos uma mentira sem checar). Agora, saiu o laudo encomendado pela ministra e, sim, a tal ficha é mesmo falsa.

A Folha, porém, não se deu por vencida e decidiu continuar enrolando seus leitores: não conseguiu admitir com todas as letras que publicou uma cascata e tentou salvar a sua pele. Mas a emenda saiu pior que o soneto, conforme os leitores deste Observatório podem constatar a seguir:

***

Dilma contrata laudos que negam autenticidade de ficha

Copyright Folha de S. Paulo, 28/06/09

Imagem ilustrava reportagem da Folha; peritos não se basearam no jornal impresso; Professores compararam imagens reproduzidas pela internet com papéis do Arquivo Público; Folha reconheceu que ficha chegou por e-mail

Da Reportagem Local

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, encaminhou à Folha dois laudos técnicos, por ela custeados, que apontaram "manipulações tipográficas" e "fabricação digital" em uma ficha reproduzida pela Folha na edição do último dia 5 de abril. A ficha contém dados e foto de Dilma e lista ações armadas feitas por organizações de esquerda nas quais a ministra militou nos anos 60. Dilma nega ter participado dessas ações. A imagem foi publicada pela Folha com a seguinte legenda: "Ficha de Dilma após ser presa com crimes atribuídos a ela, mas que ela não cometeu".

O laudo produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha concluiu: "O objeto deste laudo foi digitalmente fabricado, assim como as demais imagens aqui consideradas. A foto foi recortada e colada de uma outra fonte, o texto foi posteriormente adicionado digitalmente e é improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais". O laudo produzido pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília), chega às mesmas conclusões.

A ministra anexou o laudo da Unicamp em carta ao ombudsman da Folha. "Diante da prova técnica da falsidade do documento, solicito providências no sentido de que seja prestada informação clara e precisa acerca da "ficha" fraudulenta, nas mesmas condições editoriais de publicação da matéria por meio da qual ela foi amplamente divulgada, em 5 de abril de 2009", escreveu Dilma.Em reportagem publicada no dia 25 de abril, intitulada "Autenticidade de ficha de Dilma não é provada", a Folha reconheceu ter cometido dois erros na reportagem original. O primeiro foi afirmar, na Primeira Página, que a origem da ficha era "o arquivo [do] Dops". Na verdade, o jornal recebera a imagem por e-mail. O segundo foi tratar como verdadeira uma ficha cuja autenticidade não podia ser assegurada, bem como não podia ser descartada.

O jornal também publicou um Erramos com os mesmos esclarecimentos. A ministra se disse insatisfeita, questionou a nova reportagem e decidiu contratar um parecer técnico. Para a análise, os professores descartaram a imagem da ficha reproduzida pela Folha em sua edição impressa. Captaram na internet cinco imagens "com conteúdo similar ao utilizado pelo jornal Folha de S.Paulo". Dentre elas, escolheram como "objeto do laudo" a imagem divulgada no blog do jornalista Luiz Carlos Azenha, que reproduz artigos que criticam o jornal e questionam a autenticidade da ficha. Para os peritos, a imagem do blog era a que tinha "a maior riqueza de detalhes". Goldenstein disse à Folha que "todas as imagens são de uma mesma família" e que a qualidade da imagem publicada pelo jornal não é boa o suficiente para "análise nenhuma". Os professores compararam a imagem com documentos reais que supostamente teriam alguma semelhança (papel, caracteres) com a ficha questionada. Trata-se de cópias de fichas de presos pela ditadura, hoje abrigadas no Arquivo Público paulista. Escolheram as produzidas entre 1967 e 1969.

Contudo, no Erramos e na reportagem publicados no final de abril, a Folha havia explicado que a origem da ficha não era o Arquivo Público. A imagem não é datada -relaciona eventos ocorridos entre 1967 e 1969, mas pode ter sido produzida em data posterior. Para concluir que a fotografia foi "recortada e colada", os professores compararam a foto de Dilma com fotos que encontraram no mesmo arquivo. A ficha questionada não informa que a foto de