sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Aliados, peró no mucho...

A nota reproduzida abaixo é do jornalista Lauro Jardim, da revista Veja, e faz bastante sentido. Colunistas da grande imprensa dão de barato a chapa Serra presidente, Alckmin governador de São Paulo, Quércia senador. Alguns incluem o democrata Guilherme Afif também como candidato a senador. O problema é que a conta não fecha.

Quércia exige exclusividade na candidatura ao Senado - sim, serão duas as vagas em disputa, mas se a aliança PSDB-DEM-PMDB lançar outro nome forte, as chances do ex-governador se eleger seriam obviamente reduzidas, pois ele teria que disputar votos no mesmo campo do eleitorado. Já a candidatura de Geraldo Alckmin ao governo é o sonho dos... alckministas, que tentam criar um fato consumado, como fizeram, comtotal sucesso, em 2006.

Mesmo a candidatura de Serra não pode ser considerada favas contadas, pois Aécio Neves não é nenhum júnior da política e vai criar embaraços até a definição do nome tucano que concorrerá em 2010 à presidência. E do lado do DEM, Gilberto Kassab e mesmo Afif Domingos são nomes bem interessantes para a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes. Este blog não consulta videntes, mas acredita que Kassab vai acabar aceitando o "chamado das bases" e disputará o governo. Com apoio, é claro, de Serra. Isto só não acontecerá se o atual governador perder a parada para Aécio e concorrer à reeleição.

Mas a aposta mais ousada do Entrelinhas é a de que Aécio será, sim, candidato, mas não pelo PSDB e tampouco pelo PMDB. Há uma consulta ao TSE sobre a possiblidade de políticos fundarem um novo partido e levarem consigo o tempo na televisão e o reparte do Fundo Partidário. Aécio é hábil, teria todas as condições de criar uma nova agremiação e trazer deputados do PMDB, PDT, PSB e do próprio PSDB.

Com uma bancada de 100 parlamentares, é possível sonhar em concorrer em pé de igualdade com os demais candidatos, Serra incluído. O governador mineiro sairia com muito mais votos em seu Estado do que Serra em São Paulo. E contaria com a simpatia discreta do presidente Lula, o que também ajuda bastante.

Tudo somado, muita água vai rolar debaixo da ponte até janeiro do próximo ano, quando o cenário deverá começar a ficar mais claro. Mesmo no front petista é cedo para dizer que a ministra Dilma Rousseff defenderá o governo federal nas urnas em 2010, embora sem dúvida a cada dia que passa a candidatura da chefe da Casa Civil esteja mais consolidada.
A seguir, a nota de Lauro Jardim:

Rolo paulista
Se o ingresso de Geraldo Alckmin no secretariado de José Serra serviu como trunfo para o governador paulista no âmbito nacional, regionalmente a situação tem se complicado. Aliados de Alckmin têm apresentado a prefeitos do interior do estado uma pesquisa que mostra o ex-governador liderando as intenções de votos na disputa ao Palácio dos Bandeirantes em 2010.

Para não deixar o assunto prosperar, o Democratas já fez chegar aos alckmistas que o compromisso de apoiar os tucanos em São Paulo se restringe ao nome de Aloysio Nunes Ferreira. Se Alckmin se tornar o candidato do PSDB, o DEM promete lançar na disputa Gilberto Kassab, que derrotou o tucano no ano passado.

2 comentários:

  1. Luiz, acho que tem jornalista "de nome" que vai ser demitido... Tirando as até engraçadas baboseiras da análise que faz (como a insinuação de que Serra é esquerdista, que no fundo defende os movimentos sociais, mas é tomado pelos malvados instintos do ex-PFL... oh, coitado!, é uma alma boa, mas contaminada por esse mundo cruel!), Kennedy Alencar cometeu esse deslize ao final de seu texto: "[Serra] ainda mantém uma certa tendência autoritária a querer controlar o noticiário, a tentar evitar perguntas embaraçosas, a editar jornais, rádios e TVs".

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  2. A questão primeira é saber quais as regras do jogo. Porque se permanecer o entendimento do TSE (q foi válido para as presidenciais de 2006) de que aliados nacionalmente não poderão se aliar aos adversários no plano regional, a candidatura Quercia senador corre sérios riscos caso o PMDB forneça o vice da Dilma. Nesse caso, Quercia não poderia contar com o apoio tucano nem democrata.

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