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Dois pesos e duas medidas

Os colunistas econômicos da grande imprensa provavelmente aplaudirão a medida do presidente norte-americano Barack Obama, relatada na reportagem abaixo, do site G1. Já quando o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, propõe que as empresas que recebem ajuda governamental ofereçam como contrapartida a manutenção dos empregos, a mesma turma cai matando, acusa o governo Lula de "inimigo do mercado". A cabecinha colonizada dos analistas não permite que percebam que a medida proposta por Lula é muito razoável sem que antes a mesma coisa (ou bem similar) tenha que ser feita lá na matriz...

Obama limita remuneração de executivos em US$ 500 mil por ano

Valor é válido para empresas que recebem ajuda do governo dos EUA.
Presidente também vai anunciar nova estratégia para reativar crédito.

Do G1, em São Paulo

Ampliar Foto Foto: Jonathan Ernst/Reuters Foto: Jonathan Ernst/Reuters
O presidente dos EUA, Barack Obama, e o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, nesta quarta (4) (Foto: Jonathan Ernst/Reuters).

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou nesta quarta-feira (4) que limitou a US$ 500 mil a remuneração máxima anual dos dirigentes das empresas que receberam ajuda do governo federal, segundo discurso divulgado antecipadamente pela Casa Branca.

"O que escandaliza as pessoas é que dirigentes sejam premiados por seus fracassos, sobretudo quando estes prêmios são pagos pelos contribuintes", disse Obama. Segundo ele, o limite "representa uma parte ínfima dos salários que ouvimos recentemente".

Os executivos poderão receber compensações adicionais por meio de planos envolvendo o pagamento em ações. No entanto, eles só terão direito a esses papéis após o banco ter devolvido o dinheiro que tomou emprestado do governo dos EUA. O pagamento para executivos que saem das empresas (paraquedas dourado) também será limitado.


As instituições financeiras que participarem do programa de salvamento promovido pelo Departamento do Tesouro terão também que detalhar os gastos com aviões corporativos, reformas de escritório e festas para os funcionários.

Nova estratégia

Além disso, Obama também adiantou que o Tesouro americano anunciará na próxima semana uma nova estratégia para relançar o reativar o mercado de crédito do país. Será uma "decisão que refletirá as lições de erros do passado e assentará as bases para o futuro", disse o presidente.

Na terça-feira, em entrevista à rede de televisão NBC, Obama já havia falado sobre a necessidade de impor limites à remuneração. "Se os contribuintes estão lhe ajudando, então você tem certas responsabilidades", afirmou.

Gritaria

A nova medida é uma resposta à "gritaria" provocada pelas altas remunerações recebidas por executivos de empresas que enfrentam sérias dificuldades em meio à crise financeira.

Cinco das maiores companhias que receberam recursos do plano de socorro de US$ 700 bilhões aprovado no governo Bush passam por problemas – mas seus altos executivos receberam mais de meio milhão de dólares nos últimos anos.

Recessão é 'desastre continuado' para as famílias americanas, diz Obama

De acordo com a rede de notícias Bloomberg, o novo limite não será retroativo a companhias que já receberam dinheiro do plano de socorro, mas elas terão que aceitar um monitoramento mais severo.

Segundo o jornal "New York Times", Kenneth D. Lewis, presidente do Bank of America, recebeu US$ 20 milhões em 2007. Já o presidente do Citigroup levou para casa US$ 3,1 milhões. Richard Wagoner, presidente da General Motors – que só este ano já demitiu mais de dois mil funcionários - ficou com US$ 14,4 milhões.

Críticas

No ultimo sábado, em seu pronunciamento semanal, o presidente dos EUA já havia criticado os pagamentos recebidos pelos executivos e o uso feito dos recursos do plano de resgate anterior.

"No ano passado o Congresso aprovou um plano para resgatar nosso sistema financeiro. Ainda que o pacote tenha ajudado a evitar um colapso financeiro, muitos estão frustrados com o resultado – e com razão. (...) Os bancos receberam ajuda, mas proprietários de imóveis, estudantes e pequenos negócios que necessitam de empréstimos foram deixados sós", apontou.

Agrado

O limite a ser imposto aos executivos também é um "agrado" do presidente aos congressistas, em seu esforço para ver aprovado o plano de US$ 819 bilhões para resgatar a economia do país. O pacote vem recebendo críticas de aliados e da oposição. Clair McCaskill, senadora democrata pelo estado do Missouri, já havia proposta um limite de US$ 400 mil aos pagamentos.

(Com informações da France Presse)

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