segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Serra dá "aumento responsável" em SP

Os tucanos e democratas vivem criticando a política do presidente Lula para o salário mínimo. Acham que o governo federal tem concedido aumentos reais maiores do que a economia brasileira suporta. Criticam também a política de reajuste salarial do funcionalismo público. A notícia abaixo, da Folha Online, revela que o governador José Serra (PSDB) concedeu um aumento no salário mínimo paulista de 12,2%, elevando o piso além do estabelecido pelo presidente. Em São Paulo, o mínimo valerá R$ 505.

Palmas para Serra, ele faz bem em imitar o presidente Lula, mais uma vez. O que chama atenção na matéria, porém, é a justificativa do secretário Guilherme Afif Domingos para a medida: trata-se de um "aumento responsável" no salário mínimo local. É realmente divertido ler este tipo de coisa, esta preocupação com a diferenciação no que é indiferenciável. Mas o mais interessante é a falta de senso da imprensa, que não se atreve a fazer uma pergunta básica ao secretário: qual o valor de aumento ele acha "responsável" para o salário mínimo nacional? Menos do que foi concedido por Lula? Muito menos? Ou o presidente está correto ao tentar proteger os mais pobres? Ainda que Afif não respondesse, teria pelo menos ouvido alguma pergunta mais incisiva, incômoda. Mas este não é absolutamente o caso na mídia tupiniquim...

Serra envia projeto com aumento do mínimo de SP maior que o piso nacional

THIAGO FARIA, da Folha Online

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), assinou e encaminhou hoje à Assembleia Legislativa projeto de lei que institui novos valores para os pisos salariais do Estado. Pela proposta, a primeira faixa do piso regional de São Paulo terá um aumento de 12,22% e passará de R$ 450 para R$ 505.

O reajuste proposto por Serra é superior ao último aumento do salário mínimo federal, que passou de R$ 415 para R$ 465, representando um aumento de 11,29%.

Pela proposta de Serra, o piso regional de São Paulo é dividido em três faixas salariais. Na primeira faixa estão trabalhadores domésticos, rurais, serventes, pescadores, motoboys, entre outros.

A segunda faixa, que inclui cabeleireiros, manicures e carteiros, sobe de R$ 475 para R$ 530 --um aumento de 11,57%.

A terceira inclui administradores agropecuários, trabalhadores de serviços de higiene e saúde, chefes de serviços de transporte, entre outros, que passam a ter como piso R$ 545 frente aos atuais R$ 505 --aumento de 7,92%.

"São aumentos responsáveis, que podem ser absorvidos pela economia paulista, defendendo a renda sem causar desempregos", disse Serra.

O secretário estadual de Emprego e Relações do Trabalho, Guilherme Afif Domingos, afirmou que os aumentos foram calculados com base na inflação e no PIB de 2007. Segundo ele, é preciso ter cautela por causa do atual momento da economia. "Tem que tomar cuidado para não gerar desemprego e/ou informalidade", disse o secretário.

O evento foi acompanhado por representantes de quatro centrais sindicais, que, segundo o governador, aprovaram o reajuste.

De acordo com o presidente da UGT (União Geral dos Trabalhadores), Ricardo Patah, o aumento foi superior a qualquer acordo obtido por categoria em 2008.

O projeto agora segue para aprovação na Assembleia Legislativa de São Paulo, e a expectativa de Serra é que seja aprovado em março e passe a vigorar em abril.

2 comentários:

  1. Luiz, tire-me uma dúvida: ao contrário do aumento do salário mínimo nacional, que repercurte em salários de pessoas que trabalham em órgãos públicos e pelo menos em parte na Previdência, o que o Serra faz estoura no bolso de quem, por exemplo, paga por mês a um prestador de serviço, correto? Ou seja, ele pode querer se mostrar o bonzinho que for, mas tais medidas não significam nenhum centavo de despesa ao Estado, ao contrário do malabarismo que o governo federal tem ao reajustar o mínimo. É isso mesmo?

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  2. Tenho certeza que a patuléia vai entrar com a bunda!

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