quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Obama decepciona os extremos

Se há uma coisa que une os analistas ultraconservadores e os ultraesquerdistas, esta coisa é a idéia de quem quer que governe os Estados Unidos, governará em nome do status quo e sem grandes mudanças na política e na economia. Em outras palavras, Democratas ou Republicanos, tanto faz, o presidente estaria a serviço do imperialismo (para a ultraesquerda) ou não teria forças para enfrentar o Senhor Mercado e a Liberdade Individual (para a ultradireita).

O post reproduzido abaixo, do colunista de Veja Reinaldo Azevedo, já revela uma certa decepção da ultradireita com Obama. Reinaldão passou a campanha e o período pré-posse dizendo que Obama seria um George W. Bush ligeiramente mais light. Agora, o jornalista parece estar revendo o seu conceito, mais um pouco vai estar comparando o líder norte-americano a Hugo Chávez. Não deixa de ser engraçado ver Reinaldão dar o braço a torcer.

Na ultraesquerda, a postura é a mesma, com o sinal invertido. Como a turma espera que Obama comece a desapropriar os bancos, ordene a retirada das tropas do Iraque no primeiro mês de governo, entre outras sandices impossíveis de serem executadas sem que o presidente seja deposto do cargo, legalmente, diga-se de passagem, então a turma já o coloca entre os carrascos imperialistas, na companhia do cowboy Ronald Reagan, Bush pai e filho, Clinton e todos os ex-presidentes americanos.

Barack Obama não é uma coisa nem outra, o tempo ainda vai dizer o que ele é. Uma coisa, porém, já pode ser ressaltada: o novo presidente dos EUA usa a mídia com muita competência e vem criando fatos políticos em profusão, como a medida relatada no post de Azevedo, que vai a seguir, na íntegra.

DEMAGOGIA DO BARACK

Demagógica e cretina a medida do presidente Barack Obama, que exige que os dirigentes de empresas que receberem auxílio do governo tenham um salário de, no máximo, US$ 500 mil anuais. Leiam este trecho de reportagem da Folha:

“Vivemos na América. Não renegamos a riqueza e não invejamos quem consegue ser bem-sucedido. E acreditamos que o sucesso deva ser recompensado. Mas a América renega os executivos recompensados pelo seu fracasso, especialmente os subsidiados pelos contribuintes, que estão pessoalmente passando por tempos difíceis", disse Obama. O anúncio foi feito ao lado do secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, que deixou de recolher milhares de dólares em impostos e que quase teve sua indicação rejeitada pelo Senado.

Pois é... As coisas estão começando a se complicar. Esse moralismo babaca excita, gera calor, mas não gera solução. Certo, certo, em tempos bicudos, é provável que os tais executivos não encontrem alternativa e aceitem a imposição. Mas duvido que os melhores — e as empresas precisarão dos melhores — não busquem alternativas. Embora Obama tenha prometido reconstruir a América, a verdade é que ela não foi destruída. Ainda restam por lá mercado e economia...

As coisas estão assumindo contornos um tanto estranhos. Já sabemos que Obama se preocupa com os direitos dos terroristas, o que demonstra a sua largueza de espírito. Há também os direitos dos executivos, que terroristas não são. Desde que assumiu, Obama decidiu caçar seus marajás. Com esse jeitão latino-americano de fazer política, podemos lhe fornecer tecnologia...

Sem contar que tanto moralismo contrasta com sua trupe, que não chega a ser composta dos primeiros alunos no curso de moral e civismo. Ai, América, América, quantos erros ainda se cometerão em seu nome!

2 comentários:

  1. Quércia passou o facão lá no diário ?
    sinto muito

    abs

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  2. Mas até que o Reinaldão está sendo coerente. Sacanagem mesmo é ver alguns elogiando a medida do Obama ao mesmo tempo que criticaram o ministro do trabalho brasileiro por querer cobrar comprometimento social dos que recebem apoio governamental e, na maior cara-de-pau do mundo, saem demitindo na primeira noticiazinha de retração do comércio. Houve um colunista famoso da grande mídia que disse que era intromissão, por parte do governo brasileiro, nas sagradas decisões privadas das grandes empresas. O que dizer, então, da medida do Obama, vinda de um país que na escola de malandragem liberal foi expulso?!

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