sexta-feira, 31 de agosto de 2007

Kassab imita Jânio e agrada conservadores















A matéria abaixo é da Folha Online e revela bem o estilo que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), vem imprimindo à sua gestão na capital. Depois do Cidade Limpa, programa que mudou a cara de São Paulo com a retirada de outdoors e regulamentação das fachadas de estabelecimentos comerciais, o prefeito se dedica a criar fatos midiáticos de alta repercussão e baixo custo, como fazia o falecido prefeito Jânio Quadros. A intenção do fechamento de bordéis de luxo é uma só: chamar atenção da imprensa e ganhar a confiança dos segmentos conservadores da sociedade. Mais um pouco, o prefeito vai proibir o biquini nos clubes e a briga de galo. Não fosse a ausência de carisma, poder-se-ia dizer que Jânio Quadros já tem um sucessor à altura. Ah, além do carisma, falta também a Eloá...
A seguir, a íntegra da matéria da Folha.

Depois do Bahamas, força-tarefa fecha boate Café Millenium

Uma força-tarefa interditou a boate Café Millenium, que fica na Aclimação (zona sul de São Paulo), às 21h de ontem (30). Representantes das polícias Civil e Militar, do Ministério Público Estadual e da Subprefeitura do Ipiranga estiveram no local e encontraram indícios de que o estabelecimento seja uma casa de prostituição. Quatro pessoas foram presas.

De acordo com a Secretaria da Segurança Pública, os suspeitos presos são três homens --de 26, 32 e 35 anos-- e uma mulher de 35 anos. Os nomes deles não foram divulgados.

Como o crime de manter casa de prostituição é inafiançável, os quatro permaneciam presos na seccional central de São Paulo, na manhã desta sexta-feira.

No momento da operação, havia dezenas de pessoas no local, entre clientes e funcionários da boate. No estabelecimento foram apreendidos um álbum com fotos de mulheres; uma lista com nomes de funcionários e outra com números de quartos e de preservativos; e recibos de lavanderias e táxis; além de três computadores, um revólver calibre 38 e um celular.

Por parte da subprefeitura, a boate foi lacrada por não ter alvará de funcionamento. Foi aplicada uma multa de R$ 50 mil --metade pela boate e metade pelo hotel que há no prédio.

Por telefone, a reportagem não conseguiu localizar representantes da gerência do Café Millenium, para saber se há intenção de recorrer da interdição da casa.

Outdoors polêmicos

Em setembro de 2005, o Café Millenium e a boate Romanza, que fica em Pinheiros (zona oeste de São Paulo), foram fechados pela prefeitura com blocos de concreto por terem instalado outdoors com conteúdo pornográfico em diversos pontos da cidade. Os anúncios estavam em pontos que integravam a rota dos espectadores da corrida de F-1 que ocorreria dias depois, no autódromo de Interlagos (zona sul de São Paulo).

Bahamas

Concorrente do Café Millenium, o Bahamas, do empresário Oscar Maroni Filho, também foi interditado terça-feira (28), por ordem do TJ (Tribunal de Justiça).

O estabelecimento foi fechado a pedido do subprefeito da Vila Mariana, Fábio Lepique. Ele cassou o alvará de funcionamento da casa noturna com base em uma entrevista concedida por Maroni Filho. Na entrevista, ele declarou que a boate promove a prostituição. "Sim, é prostituição de luxo sim, não vamos ser hipócritas."

Maroni Filho está preso há quase 20 dias, em São Paulo, acusado de formação de quadrilha e exploração da prostituição.

Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br

Quarta-feira é o dia D de Renan

A semana termina sem a definição da cassação do presidente do Senado, que foi adiada para a próxima semana. A cada manobra protelatória, piora a situação política de Renan Calheiros (PMDB-AL). Pela votação de ontem no Conselho de Ética, sobre o voto aberto, são apenas 5 os aliados de Calheiros. O palpite deste blog é que o pedido de cassação passa no Conselho na próxima quarta. Em Plenário, a situação é um pouco mais complicada de se fazer prognóstico. O que já dá para dizer é que Calheiros não parece muito disposto a fazer um acordo para preservar o mandato em troca da presidência da Casa: ele vai até o fim, não deve renunciar no meio do caminho.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Recordar é viver...

O jornalista Eduardo Bresciani reparou em algo muito interessante: a turma que agora luta para que o voto seja aberto na sessão do Conselho de Ética do Senado que julgará a cassação do mandato do senador Renan Calheiros, presidente da Casa, é a mesma que, em 2003, ajudou a derrubar a PEC que instituía o voto aberto em votações no Congresso. Um pouco de coerência não faria mal a ninguém...

Oposição derrubou proposta de voto aberto em 2003

30/08 - 13:50 - Eduardo Bresciani, do Último Segundo/Santafé Idéia

A mesma oposição que agora briga no Conselho de Ética contra o voto secreto no processo do senador Renan Calheiros (PMDB-AL) foi fundamental para derrubar uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que instituía o voto aberto no Congresso. Os líderes do PSDB, Arthur Virgílio, e do DEM, José Agripino votaram contra a proposta, assim como o presidente do PSDB, Tasso Jereissati.

A votação da PEC 38/2000, de autoria do senador Tião Viana (PT-AC), foi derrotada em plenário em votação nominal em 13 de março de 2003 por 37 votos a 29. Além dos líderes da oposição, votaram contra a proposta vários senadores que hoje reclamam da possibilidade de votação secreta no Conselho, como Sérgio Guerra (PSDB-PE). Outras figuras expressivas da oposição também votaram contra, como o ex-vice-presidente Marco Maciel (DEM-PE) e o ex-presidente do DEM, Jorge Bornhausen.

Não foram apenas oposicionistas que derrubaram a proposta. O próprio Renan Calheiros votou contra a idéia, assim como o presidente do Conselho de Ética, Leomar Quintanilha (PMDB-TO) e o líder do PMDB, Valdir Raupp.

Dos 16 membros do Conselho, oito estavam presentes no dia da votação. Almeida Lima (PMDB-AL), Augusto Botelho (PT-RR) e Heráclito Fortes (DEM-PI), além de Guerra e Quintanilha, votaram contra. Demóstenes Torres (DEM-TO) e Eduardo Suplicy (PT-SP) foram favoráveis à PEC. Romeu Tuma (DEM-SP) não votou porque estava presidindo a sessão.

Amaciando Dirceu

Já está rendendo polêmica a declaração do ministro Ricardo Lewandowski, do STF (Supremo Tribunal Federal), de que "todo mundo votou com a faca no pescoço" na admissibilidade das denúncias do Procurador Geral da República contra os 40 acusados de envolvimento no escândalo do mensalão, agora réus em diversos processos. Lewandowski também disse que "a tendência era amaciar" no caso do ex-ministro José Dirceu, mas a pressão da imprensa teria impedido que isto ocorresse.

Todas as declarações do ministro teriam sido feitas em uma conversa particular, ao telefone celular, com um tal "Marcelo". A repórter Vera Magalhães, da Folha de S. Paulo, jantava no mesmo restaurante em que Lewandowski e ouviu a conversa. Não há por que duvidar da seriedade da repórter, de forma que deve ter sido mesmo isto o que ocorreu, mas chama a atenção o fato de que as declarações cairam do céu para Dirceu, que poderá alegar que até um ministro do Supremo já reconheceu a intimidação da imprensa no julgamento em questão. Os adeptos da teoria conspiratória podem dizer que Lewandowski percebeu a repórter da Folha e usou o jornal para mandar o seu recado e de certa forma pagar uma dívida com Dirceu. É tão pouco provável como a existência de bruxas. Mas, como diz o ditado espanhol, "yo no creo en brujas, pero que las hay, las hay..."

PS: o restaurante em que a repórter ouviu a conversa do ministro tem como um dos sócios o advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, grande amigo e defensor de Dirceu em algumas causas. Vera Magalhães, porém, não é nada próxima do ex-ministro, pelo contrário: trabalhava para o direitoso Reinaldo Azevedo na revista Primeira Leitura e era, digamos assim, "da confiança" do chefe. Este blog suspeita que a repórter caiu como uma patinha na jogada de Lewandowski, que queria, sim, ver a sua conversa nos jornais do dia seguinte.

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Mudança importante: Lacerda na Abin

Na versão da Folha Online, o que se segue é talvez a notícia mais relevante do dia. Polícia Federal e Abin são dois órgãos sensíveis, para dizer o mínimo, do governo federal. Aparentemente, Lula está mexendo com bastante cuidado nos dois órgãos. Só nos próximos dias será possível saber os reflexos das duas modificações. A Polícia Federal, em especial, é um verdadeiro ninho de vespas...


Lula transfere Lacerda para Abin; PF será comandada por secretário de segurança

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

A partir da próxima semana o diretor-geral da PF (Polícia Federal), Paulo Lacerda, assumirá o comando da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). No lugar de Lacerda, ficará o também delegado da PF Luiz Fernando Corrêa, atual secretário nacional de Segurança Pública. As mudanças foram definidas nesta quarta-feira numa reunião entre o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e o ministro Tarso Genro (Justiça).

A Folha Online apurou que o presidente e Tarso conversaram à tarde. Eles definiram que tanto Lacerda como Corrêa tomarão posse já na próxima segunda-feira. Durante a reunião, o presidente e o ministro acertaram as mudanças, mas ainda não conseguiram fechar outras alterações.
Sérgio Lima/Folha Imagem
Paulo Lacerda deixa o comando da Polícia Federal para assumir diretoria-geral da Abin
Paulo Lacerda deixa o comando da Polícia Federal para assumir diretoria-geral da Abin

Não ficou definido quem será nomeado para a Secretaria Nacional de Segurança Pública --órgão ligado ao Ministério da Justiça-- nem para onde vai Márcio Paulo Buzanelli, atual diretor-geral da Abin.

O diretor-geral da Polícia Federal, Paulo Lacerda, informou anteontem a assessores e diretores da instituição que não ficaria no cargo. Mas não disse que seria nomeado para Abin.
Desde a saída do ex-ministro Márcio Thomaz Bastos, Lacerda afirmava que deixaria o cargo. Na ocasião, ele disse que ficaria até o final do segundo mandato do presidente Lula.

Corrêa passou a integrar o grupo dos assessores de confiança de Lula, depois que ajudou a elaborar o Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania) e a coordenar a segurança dos Jogos Pan-Americanos no Rio.

No Pronasci, Corrêa acompanhou as análises sobre as 94 ações entre projetos sociais e mudança na legislação para abarcar atividades preventivas e repressivas ao crime. Já nos Jogos Pan-Americanos, houve o que integrantes do que governo chamavam de "batismo de fogo" dele no esforço de garantir a segurança.

Um dos cotados para a Secretaria Nacional de Segurança Pública é Antonio Carlos Biscaia. O ex-deputado do PT é atualmente o secretário nacional de Justiça.

Vai começar a debandada?

A notinha abaixo, do blog do jornalista James Akel, revela um movimento que está só começando. Tão logo o Supremo Tribunal Federal julgue o mérito da regra da titularidade dos mandatos – e a expectativa é que as trocas de partido continuem liberadas até a aprovação do projeto que tramita no Congresso – mais parlamentares deixarão a oposição rumo à base aliada. É tudo que Lula precisa para aprovar a CPMF, especialmente no Senado Federal.

DEBANDADA
Alexandre Thiollier, suplente do senador Tuma, informou ao partido Democratas, ex-PFL, que não pertence mais ao partido.
Os Democratas vão dizer que não tem importância.
Eu digo que pela porteira que passa um boi, passa uma boiada.
E pode não sobrar quase ninguém pra contar a história.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Mensalão: denunciados agora são réus

Os blogs direitosos estão em verdadeira comemoração mental com as decisões do Supremo Tribunal Federal de admitir a grande maioria das denúncias do Procurador Geral da República contra os supostos envolvidos no tal escândalo do mensalão. Ora, a admissão do processo era absolutamente esperada pelos advogados de todos os denunciados. Ademais, o processo em curso revela que no governo do presidente Lula não há a figura do "engavetador-geral" da República, o saudoso Geraldo Brindeiro: o procurador Antonio Fernando não apenas foi nomeado por Lula como reconduzido por ele. A verdade é uma só: está tudo acontecendo dentro da normalidade democrática e do rito judicial correto. Agora os processos começam a correr e finalmente os réus terão o direito de ampla defesa. Parte da imprensa e os direitosos querem mostrar que saíram todos condenados do STF, o que absolutamente não é verdade: a partida está só começando...

A festa do mensalão

O que vai abaixo é o artigo do autor destas Entrelinhas para o Correio da Cidadania.

Em tempos um tanto conturbados pela crise financeira nos Estados Unidos, começou um espetáculo novo, o tal julgamento do Mensalão.

A grande imprensa adora espetáculos e está dando ampla cobertura para o evento. Os empolados ministros do Supremo Tribunal Federal se esforçam para sair bem na fita e criar fatos midiáticos, como foi a tal troca de mensagens eletrônicas flagradas pelo fotógrafo Ricardo Stucker e divulgadas primeiro pelo jornal O Globo.
Aliás, não deixa de ser interessante, antes de entrar no mérito da questão, notar como o noticiário hoje obedece a velocidade e ritmo da cobertura em tempo real: o acidente com o avião da TAM levou os membros das CPIs do Apagão Aéreo à condição de xerifes da Nação, porém por poucos dias, até a entrada em cena do General Patton tupiniquim, o grande (enorme, na verdade, com seus quase 2 metros) Nelson Jobim, que tem mostrado bastante serviço à frente do ministério da Defesa.

Para azar de Jobim, que monopolizaria o noticiário por mais algumas semanas se o mar estivesse calmo, eis que as bolsas mundiais começaram a despencar a partir do anúncio do BNP Paribas de suspender as operações de crédito imobiliário norte-americano. Foi a vez de brilharem os economistas-palpiteiros de plantão, alguns antevendo o caos sistêmico e completo, outros garantindo que a crise era "localizada" e sem efeitos relevantes para os chamados países emergentes, entre os quais figura o Brasil. Uma semana depois, as bolsas voltaram a subir e o assunto começou a sair da pauta – notícia boa não vende jornal...

Tudo somado, entre a crise aérea e o mais recente espetáculo do Mensalão não se passaram 30 dias, mas a vida em tempo real é assim mesmo, uma disputa feroz pelos 15 minutos de fama.

Voltando então para o julgamento em curso, a primeira observação que se pode fazer é a de que a imprensa está tratando do assunto de forma equivocada. Não existe nenhum mensaleiro sendo julgado, nem mesmo o inefável José Dirceu, verdadeira unanimidade na antipatia dos maiores veículos de comunicação do país. Sim, é isto mesmo, não há julgamento algum em curso. O que o Supremo está julgando é a admissibilidade das denúncias do Procurador Geral da República. As denúncias que forem admitidas vão se transformar em processos e, como este ainda é um país democrático, os acusados terão garantido o direito de se defender. É lento, é chato? Tem gente que acha, mas esta coluna admite que prefere a lentidão e a chatice a julgamentos e execuções sumárias.

Como a opinião pública felizmente não é composta de néscios e beócios, logo mais ficará claro que ninguém foi "julgado" e muito menos condenado pelo STF no caso do mensalão. Sem novidades sobre o assunto, porque os processos têm um rito determinado e as possibilidades de postergar os julgamentos são grandes, o assunto também vai sumir da pauta em breve, provavelmente ainda no final desta semana, quando finalmente serão votados, no Conselho de Ética do Senado, os relatórios sobre o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL).

E se Renan manobrar mais um pouco, deve conseguir adiar a votação da sua cassação no Plenário. Com sorte, Calheiros ganha mais um mês e o seu calvário terá como competidor, em outubro, o ensaio de Mônica Veloso na Playboy, isto se nenhuma outra namorada de políticos brasilienses aparecer por aí para tirar de Mônica seus 15 segundos de fama...

segunda-feira, 27 de agosto de 2007

Serra e Aécio, Ciro e Aécio ou ...

Está na Folha de S. Paulo desta segunda a afirmação de Aécio Neves de que ele e o governador José Serra, ambos tucanos, estarão juntos na eleição de 2010. Se alguém não é bobo neste país, como diria o presidente Lula, este alguém chama-se Aécio Neves. O governador de Minas sabe que ainda é muito cedo para este tipo de especulação e há, no próprio partido tucano, quem trabalhe para que Aécio seja vice de Ciro Gomes (PSB) em uma chapa de consenso, com o aval do presidente Lula.

Claro que nesta altura do campeonato Aécio não pode dizer outra coisa senão o que afirmou à Folha, mas o próprio Serra não acredita em um pingo do que diz seu colega mineiro. Aécio joga bem o pesado jogo do Poder e é jovem para aguardar o momento certo de disputar a Presidência. No momento, Aécio é um grande nome para a vice-presidência e sabe disto: não pode se reeleger governador e é extremamente popular em um estado chave do país. Há petistas, inclusive, que sonham com a chapa Lula-Aécio, caso o governador deixe o PSDB. Pode ser até em 2010...

Sugestão de slogan para o Cansei

"Dura Lex Sed Lex, no cabelo só Gumex". O pessoal da velha guarda vai entender...

Dória Júnior na Veja: uso Gumex

A revista Veja entrevistou o líder do movimento Cansei e empresário João Dória Júnior. A entrevista merece ser lida por todos os estudiosos da realidade brasileira. Este blog gostou especialmente da questão (e da resposta) sobre os problemas, digamos assim, capilares de Dória Jr. , conforme vai a seguir:

Veja – É verdade que o senhor usa gel desde os 9 anos de idade?
Doria Jr. – É que papai usava. Eu o via usar – era Gumex que se chamava naquela época – e comecei a usar também. Uso até hoje.

Esta é a revista que luta para derrubar o presidente Lula e este é o
"agitador das massas" do movimento que tem tal intenção. Tudo isto posto, não perderá dinheiro quem apostar que será quase uma barbada para o presidente da República conquistar um terceiro mandato. Agora ou em 2014...

Outubro é mês chave para a crise?

Vinicius Torres Freire, editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo, foi um dos primeiros jornalistas brasileiros a escrever com freqüência sobre a "iminente" crise dos crédtios "subprime" no mercado imobiliário norte-americano, já no início deste ano. A ênfase de Vinicius era tanta que parecia até conter um certo grau de exagero. Pois não é que Vinicius estava de férias quando a crise começou? Ele voltou logo em seguida e desde então seus artigos não deixam de ter um certo tom de "não digam que não avisei" ou "eu não disse...". O fato é que o jornalista da Folha estava bem antenado e vale a pena prestar atenção ao que ele escreve sobre este assunto em particular. No artigo deste último domingo, reproduzido abaixo, Vinicius de certa forma estabelece uma data-chave para as turbulências no mercado financeiro, qual seja a do mês de outubro. O evento mais importante, porém, será a definição do Fed sobre a taxa básica de juros nos Estados Unidos. Não é uma decisão fácil: se abaixar, será o reconhecimento de que a economia real foi de alguma forma afetada pela crise; não abaixando, pode provocar nova corrida aos bancos. No grande cassino financeiro internacional, a jogatina segue, mas parece ser a hora do crupiê distribuir as cartas... A seguir, a íntegra do artigo de Torres Freire.

As pedras no caminho até outubro

OS POVOS DOS mercados falavam muito de férias em jornais, blogs, TVs e até em relatórios técnicos, na sexta passada.
Agosto é o mês da folga de verão no mundo rico. É clichê falar da modorra de agosto, da redução do nível de negócios, em especial nas Bolsas. Os indicadores financeiros mais importantes também pareciam relaxar no final de semana. Depois do pânico nas Bolsas na quinta, 16 de agosto, e do menos comentado, mas talvez mais importante, pânico do mercado de crédito na segunda, 20, fica a impressão de que virá uma trégua.
Os sinais de trégua ou de fé na queda dos juros nos EUA estão nos números. Um indicador de que os donos do dinheiro estão avessos a arriscar o capital é o nível dos juros dos títulos da dívida pública americana. Quando há fuga do risco, aumenta a compra de títulos do Tesouro, que passam a render menos juros. No dia do pânico do crédito, quando quase ninguém queria conceder empréstimos, a taxa dos títulos de um mês caiu a 2,47%. No início de agosto, tais papéis pagavam 5,05%. Na sexta passada, haviam voltado a 4,24%.
O Índice de Volatilidade (VIX) da Chicago Board Options Exchange, que mede a expectativa de volatilidade na Bolsa americana, bateu em 32,68 no dia 16, do pânico nas Bolsas. Na sexta, estava em 20,72.
Investidores parecem ter perdido seu breve receio do "carry trade". Isto é, tomar empréstimos em geral em ienes (com juros reais negativos, ou quase) e aplicar em moedas de países com altas taxas de juros, moedas que se valorizaram na semana. Quanto às ações, o índice do Morgan Stanley para 25 países "emergentes" (MSCI Index) subiu mais de 8% desde o pânico da quinta, 16.
O Fed, o banco central dos EUA, facilita cada vez mais a concessão de crédito -na sexta-feira, o Fed de Nova York, o interlocutor de Wall Street, reafirmou que aceita como garantia títulos ora bem malvistos no mercado, como as notas promissórias garantidas por ativos ("asset backed commercial papers").
O crédito ainda está algo travado devido à aversão a esses papéis garantidos não só por ativos como títulos lastreados em prestações imobiliárias, mas também àqueles atrelados a outras dívidas, como as de cartão de crédito -saber o preço desses papéis é um problema. O nível de "commercial papers" no mercado caiu US$ 144 bilhões em agosto, para US$ 2,04 trilhões. Há estimativa de que caia outro tanto, o que encarece o crédito para empresas.
Deve haver incerteza pelo menos até outubro. Vão sair vários indicadores da economia real nos EUA, alguns deles já cobrindo o período de crise. O calote em hipotecas vai crescer, pois os juros estão mais altos e muitos contratos serão reajustados.
Haverá mais desemprego em imobiliárias, financeiras, construção civil, menos lucros nas empresas que fornecem insumos para a construção. Não se sabe se a recessão imobiliária afetará outros setores nos EUA.
Não se saberá até outubro se os lucros foram afetados pela crise. Não se sabe se o mercado continuará a temer o aparecimento de derivativos de crédito podres em fundos e bancos. Não se sabe como a finança reagirá à possível manutenção da taxa básica de juros nos EUA. Tudo isso pode render confusão. Ou não.

sábado, 25 de agosto de 2007

Postagem 1000

O comentário anterior, sobre o caráter do governo tucano de José Serra, foi o milésimo, informa o contador do blogger, ferramenta utilizada para publicação destas Entrelinhas. Foram mil comentários desde 5 de junho de 2006, ou uma média de 2,2 comentários diários ao longo desses primeiros 446 dias do blog. Não é pouca coisa...

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Serra deixa criança com câncer a ver navios

Esta notícia é dica do Fernando Rizollo, foi publicada no site Vermelho e revela o caráter dos atuais ocupantes do Palácio dos Bandeirantes. Simplesmente assustador.


Governo tucano de SP dá as costas para meninos com câncer

A empresária Claudia Bonfiglioli, presidente da Casa Hope, de apoio a crianças com câncer em São Paulo, declara estar indignada com a ameaça de fechamento de um dos seus três núcleos, de atendimento a transplantados de medula óssea, pois o governo estadual informou que ''não tem disponibilidade'' para ajudar a iniciativa filantrópica. A alegação foi que os serviços da Casa Hope "estão além da qualidade que os transplantados necessitam".
A Casa Hope solicitou ao governo do Estado ajuda para que o núcleo continuasse em funcionamento. De forma simplista, foi informada através do Departamento de Transplantados do Hospital das Clínicas (HC) que a única alternativa é a "captação de recursos via iniciativa privada através do Fumcad" (Fundo Municipal dos direitos da criança e do adolescente), mais especificamente nos laboratórios privados "pois estes sim têm dinheiro e o Estado no momento não tem esta disponibilidade"... A negativa exime o governo paulista de qualquer responsabilidade, alegando ainda que os serviços prestados pela Casa Hope "estão além da qualidade que os transplantados necessitam".
''A grande indignação da presidente é que o trabalho da Casa Hope é reconhecido como referência na qualidade do atendimento prestado aos seus pacientes e acompanhantes e de forma nenhuma poderá aceitar como sugestão abaixar a qualidade dos serviços prestados para reduzir custos como foi sugerido pelo departamento de transplantes do HC'', informa a assessoria de imprensa da entidade sem fins lucrativos.
A Casa Hope, sem esta contribuição do Estado, periga fechar este núcleo (que funciona há 10 anos) por falta de recursos. Com isso comprometerá o tratamento de 40 pessoas (adultos e crianças carentes), oriundas de todo o país, que a Hope abriga em São Paulo para que continuem seu tratamento após a alta hospitalar.

Márcio França: bloco de esquerda prepara
candidatura de Ciro Gomes à presidência

Em entrevista ao programa Panorama do Brasil, produzido pela TVB (afiliada do SBT na região metropolitana de Campinas e na baixada santista), o deputado federal Márcio França (PSB-SP) revelou que o bloco de esquerda formado para atuar na Câmara Federal (PSB, PDT, PCdoB, PMN, PHS e PRB) está se preparando para caminhar unido na eleição presidencial de 2010 e reconheceu que Ciro Gomes (PSB-CE) é hoje o nome mais forte para encabeçar a chapa. Para Márcio França, a base aliada deverá concorrer com dois nomes na próxima eleição – ele duvida que o PT não lance candidato e acredita que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se inclina por nome do Rio Grandeo do Sul para a cabeça de chapa (os ministros Tarso Genro e Dilma Rousseff são gaúchos e petistas...).

A íntegra da entrevista com Márcio França, em que ele discute também o setor portuário, cuja gerência está atualmente a cargo do PSB, com a secretaria dos Portos, com status de ministério, será transmitida em breve e reproduzida também no jornal DCI.

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Brasil mais perto do investment grade

Na versão da Folha Online, a notícia do dia para a economia brasileira:

23/08/2007 - 16h48 - Moody's eleva rating do Brasil

A Moody's informou nesta quinta-feira que elevou os principais ratings (notas de risco de crédito) do Brasil --que mede o risco de investimento.

As outras agências de classificação de risco --Fitch Ratings e Standard & Poor's-- já tinham tomado esta decisão em maio. No mesmo mês a Moody's colocou os ratings do país "em revisão", elevando-as agora.

Os ratings dos títulos do governo em moeda estrangeira e moeda local foram elevados de "Ba2" para "Ba1". Com a mudança, o Brasil fica a apenas um degrau do "grau de investimento" para as três agências.

O teto soberano para os títulos em moeda estrangeira foi elevado de "Ba1/NP" para "Baa3/P-3", marcando a primeira vez em que foi assignado "grau de investimento" a esses papéis. O teto soberano para depósitos bancários em moeda estrangeira também foi elevado de "Ba3" para "Ba2". Já o teto de curto prazo para depósitos em moeda estrangeira segue como "Not Prime", e os tetos do Brasil para depósitos em moeda local e para títulos em moeda local permanecem em A1.

Segundo a agência de classificação de risco norte-americana, a elevação reflete "a melhoria observada no perfil de endividamento geral do governo, a antecipação de uma redução mais acelerada dos indicadores de endividamento do governo no futuro próximo, e a esperada continuação de fortalecimento dos indicadores de dívida externa."

"Os indicadores de vulnerabilidade externa do Brasil têm apresentado reduções contínuas" explicou o analista sênior da Moody's, Mauro Leos, através de nota. "A contínua acumulação de reservas internacionais propicia um colchão financeiro e deve servir como defesa contra choques externos, que poderiam se materializar na eventualidade de um ciclo adverso de eventos atingir a economia brasileira."

Ainda de acordo com o analista, o Brasil se apresentou em boas condições em relação aos demais mercados emergentes para "enfrentar o arrefecimento das condições econômicas externas". Para ele, o país possui "sólida posição de reservas internacionais" e "estrutura de exportação diversificada que limita exposições a determinados produtos e regiões."

Leos ainda elogiou a mudança do perfil da dívida brasileira --com aumento da participação de títulos prefixados e alongamento do perfil-- e a manutenção de políticas macroeconômicas que assegurem uma inflação baixa, a manutenção do superávit primário e a redução dos gastos primários.

Futuro

Segundo a Moody's, o país ainda enfrenta "importantes desafios de crédito, inclusive necessidades significativas de financiamento bruto em termos absolutos e relativos." Para superá-los no médio prazo, o governo precisaria melhorar ainda mais o perfil da dívida e avançar em outros pontos, como as reformas previdenciária e fiscal e a ampliação da infra-estrutura local.

"Prospectos de fortalecimento adicional dos fundamentos de crédito do Brasil irão depender de melhorias substanciais nas finanças públicas, que se espera que venham ocorrer de uma forma gradual", explicou Leos.

Luiz Weis: a hipocrisia dos cansados

Luiz Weis não é nenhum "petralha", como gostam de dizer os direitosos. Ao contrário, é editorialista do jornal O Estado de S. Paulo, que também não é nada simpático ao governo Lula. Tudo isto para reforçar que a análise de Weis sobre o movimento Cansei merece ser lida até o fim. Trata-se de uma reflexão lúcida, embora este blog não concorde com tudo que vai abaixo:


A indignação seletiva

Na véspera da manifestação do Cansei, na sexta-feira passada, em São Paulo, um amigo tentava persuadir o outro a participar do ato na Sé - contra, entre outras coisas, a corrupção. Em dado momento, o convidado arregalou os olhos: “Mas você não pagou outro dia R$ 400 para se livrar de uma obrigação legal?” (Perdoe o leitor a escassez de detalhes do relato verídico: é para proteger o culpado, como se diz.)

Impossível saber, obviamente, quantos dos manifestantes daquela tarde já não fizeram, ao menos uma vez, o mesmo que o cansado cuja incoerência o amigo não perdoou. Em todo caso, admita-se, apenas para raciocinar, a implausível hipótese de que, entre as 1.500 pessoas reunidas diante da catedral, aquela fosse a única que tivesse alguma vez cometido um ilícito do gênero.

Ainda assim, a história serviria perfeitamente bem para simbolizar o que o movimento tem de marcante - a hipocrisia. Diga-se desde logo que, entre os freqüentadores da arena pública nacional, esse traço não é exclusivo dos cansados; não torna menos condenáveis a impunidade, a violência, os impostos altos e os outros malfeitos contra os quais protestam; e não atinge, vai sem dizer, o seu sagrado direito de ir às ruas.

Uma parte da hipocrisia é a da parábola do homem que aponta o argueiro no olho alheio, evitando reparar na trave do seu próprio - o roto rindo do esfarrapado, como fala o povo. Alguns dos mais vistosos protagonistas do evento têm escassa ou nenhuma autoridade moral para denunciar os podres - reais - do Brasil, como se não tivessem contribuído com o próprio baldinho para o lameiro que (só) agora os horroriza.

Outra parte é a da agenda política encoberta pelas justas causas invocadas para o exercício de cidadania. Trata-se, evidentemente, de fazer o que os partidos de oposição parecem haver desistido: bater pesado no governo e, em especial, no presidente. A tanto chegou a hipocrisia que um dos pais do movimento disse que não ouviu os gritos de “fora, Lula” ao fim do ato. Deve ter sido o único na praça.

Raivosos por raivosos, primários por primários, antes os que pregavam sem disfarces “fora, FHC”. Mas não só a audição é seletiva na cansaçolândia - a indignação também. E aí a hipocrisia sobe ao pódio. Ninguém será ingênuo de imaginar que uma corrente se organize para pôr a boca no mundo contra tudo o que a cansa no seu país. Ou por serem demasiadas as mazelas, ou por cansarem algumas pessoas mais do que outras, quando cansam.

Umas, por exemplo, não suportam o desgoverno que deixou correr o apagão aéreo. Outras tampouco suportavam o desgoverno que deixou acontecer o apagão propriamente dito. Umas estão fartas de ouvir do presidente que não sabia disso, nem daquilo - incertas quanto ao que seria pior: ele não saber ou alegar não saber. Outras, também “por aqui”, pelo menos se lembram dos motivos pelos quais o antecessor era comparado a Maria Antonieta.

De todo modo, sendo o Brasil o que é - e o que até os cegos enxergam -, chega a ser inconcebível um protesto abrangente que não se dirija em primeiro lugar ao que nos devia manter cobertos de vergonha: o vasto repertório de injustiças que configuram o apartheid social brasileiro. E que protesto é esse que ignora a monumental incultura cívica que perpassa a sociedade de alto a baixo, da qual o desrespeito à lei é o carro-chefe?

Uma e outra são coisas nossas mesmo, robustas construções históricas erguidas com a cumplicidade de um Estado submetido aos predadores impunes dos bens públicos. Coisa igualmente nossa é a incultura civil, o corriqueiro comportamento anti-social de tantos, que degrada em barbárie as relações cotidianas nas já insuportáveis metrópoles nacionais - sporche, brutte e cattive, diriam os italianos -, São Paulo puxando a fila.

Que tal protestar também contra a arrogância e o preconceito dos que só não se cansam dos seus privilégios? Inesquecível, a propósito, o comentário entreouvido certo dia de um bem-apessoado cavalheiro. Ele culpava o presidente Lula pela catástrofe do Airbus da TAM. E culpava uma parte dos concidadãos por Lula ser presidente. “Esperar o quê”, perguntava o distinto, “se no Brasil analfabeto pode votar?”

Sábado último, no jornal O Globo, o senador e ex-presidenciável Cristovam Buarque escreveu Cansei, também, em que acrescenta 20 fundos motivos de fadiga aos do pessoal da Sé. “Cansei da tolerância passiva ante os dois muros nos quais o Brasil esbarra: o muro do atraso e o muro da desigualdade”, acusa, por exemplo. Mas a desesperança, que ele rejeita, é um luxo para poucos.

A ela podem se entregar apenas os que, sob Lula, não deixaram de fazer três boas refeições ao dia - ao contrário. Muitos deles desdenham do Bolsa-Família como reles assistencialismo e se recusam a reconhecer a competência do governo em tocar um programa que, segundo o insuspeito Ipea, melhorou substancialmente a vida da população alcançada - na qual os 40% mais pobres ficam com 80% dos recursos.

O desdém ainda é o menos letal dos ingredientes do simulacro de debate público que anda por aí. Na velha e na nova mídia, o rancor recíproco de lulistas e antilulistas é de deixar qualquer um desesperançado. A amarga ironia é que eles se agridem como se cada lado fosse o avesso do outro. Se já não houvesse provas de sobra da alienação política compartilhada, bastaria essa assintonia com a realidade para escancarar o abismo entre fatos e percepções.

Assim como uns repelem a idéia de que o Brasil avançou com Fernando Henrique, os que gritam “fora, Lula” não conseguem ver que o avanço prossegue. O atual governo aprofundou as políticas macroeconômicas do outro e aperfeiçoou as políticas sociais que começaram com aquele. No futuro, especula um acadêmico, por sinal eleitor de Lula, o período 1995-2010 será percebido como uma coisa só. Vá dizer isso aos exaltados do PT. Vá dizer isso aos cansados da Sé.

Luiz Weis é jornalista

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

Uma Margarida vale ao menos 6 Cansei

A matéria abaixo, da Agência Brasil, paradoxalmente revela a "força" do movimento Cansei. João Dória Jr. e seus ursinhos amestrados não conseguem levar para as ruas um sexto do público que as mulheres trabalhadoras conseguiram juntar em Brasília. Claro, os blogs direitosos dirão que os 30 mil foram à capital federal com dinheiro da Viúva e coisa e tal. Bobagem: o que os movimentos sociais devem ter gasto com a manifestação das Margaridas não passa de uma fração do que o Cansei gastou nos anúncios de meia página divulgados em todos os grandes jornais nacionais. Um anúncio desses sairia por algo em torno de R$ 150 mil por veiculação, tabela cheia, nos grandes jornais. Supondo que o desconto tenha sido de 50%, a brincadeira cai para R$ 75 mil. Basta somar: foram cinco dias em pelo menos 4 grandes jornais, totalizando R$ 1.500.000 só em anúncios, sem contar eventuais cachês de artistas e o custo da organização propriamente dita. Como a direita gosta de pensar monetariamente, poderia tentar desvendar tal enigma...

PM estima em 30 mil número de participantes da Marcha das Margaridas

Da Agência Brasil

13h04-A Polícia Militar estimou que cerca de 30 mil participantes da Marcha das Margaridas ocupavam a Esplanada dos Ministérios até o meio-dia. Agora a tarde, as manifestantes voltam ao Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade para a assembléia final do movimento. O Palácio do Planalto confirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai ao encontro das militantes.

Entre as reivindicações do movimento estão o combate à pobreza, à fome e à violência sexista. De acordo com a coordenadora de Mulheres, da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Carmem Foro, lembrou que esses são problemas muito antigos e não é admissível que as mulheres ainda sejam as mais atingidas.

Ela afirmou que Lula “já sabe das reivindicações” e que o movimento “só está aqui para reafirmá-las”. No documento que as manifestantes pretendem entregar ao governo constam reivindicações de direitos previdenciários, acesso à água, à terra, à segurança alimentar e à igualdade de gênero.

A Marcha das Margaridas recebeu esse nome em memória de Margarida Maria Alves, líder sindical assassinada em 1983, a mando de fazendeiros de Alagoa Grande (PB). Até hoje ninguém foi punido

A marcha é organizada pela Contag e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e conta com a parceria do Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais do Nordeste (MTR-NE), Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), Movimento de Mulheres da Amazônia (MMA), Marcha Mundial das Mulheres (MMM), Rede de Mulheres Rurais da América Latina e do Caribe (Redelac) e Coordenação das Organizações dos Produtores Familiares do Mercosul (Cooprofam).

Governador Serra manda a tropa
de choque da PM retirar estudantes

A notícia abaixo, na versão da Folha Online, é reveladora do caráter do governo tucano de José Serra em São Paulo. Se da primeira vez ele dormiu no ponto e permitiu a ocupação da reitoria da USP, agora já deu sinais de que não vai tolerar este tipo de manifestação democrática. Como dizia o ex-governador Geraldo Alckmin, "ocupou, vai desocupar". No pau, com o chamado Choque da Polícia Militar - a mesma tropa que entra em presídios rebelados –, que é para não dar a menor chance para os manifestantes. Se o presidente Lula tivesse feito algo parecido em qualquer universidade federal, os blogueiros da direita já estariam anunciando o início da ditadura petista no país. Sendo Serra, dirão que ele apenas "cumpriu a lei"...

PM retira manifestantes da Faculdade de Direito da USP
da Folha Online

Policiais da tropa de choque da Polícia Militar invadiram, por volta das 2h30 desta quarta-feira, a Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no Largo São Francisco, região central da cidade de São Paulo. No momento da ação, havia aproximadamente 400 manifestantes dentro da faculdade, aglomerados na sala dos estudantes.

Os estudantes estavam no local desde a tarde de terça (21). O ato faz parte da Semana de Jornada de Lutas, movimento nacional promovido por 40 entidades, como a UNE (União Nacional dos Estudantes) e o MST (Movimento dos Sem-Terra), pela melhoria do ensino.

A situação ficou tensa quando a PM entrou no local. Não há informações de pessoas feridas. Todos os invasores foram retirados do prédio e obrigados a ficarem sentados no chão.

Invasão

Ontem, cerca de 600 manifestantes, entre estudantes e integrantes de movimentos sociais, invadiram por volta das 19h o prédio da Faculdade de Direito.

A pauta de reivindicação do movimento, que afirma não ser contra nenhum governo específico, tem 18 pontos. Entre eles estão a erradicação do analfabetismo, o aumento de vagas em universidades públicas e o controle do ensino privado.

Havia aulas no largo São Francisco quando os invasores chegaram. Eles não obrigaram ninguém a deixar o prédio, mas um show do cantor Tom Zé e o barulho da manifestação impediram a finalização das aulas. O grupo fez uma barricada com móveis para impedir o trânsito na passarela que liga os dois prédios da faculdade. Não houve registros de violência.

com Folha de S.Paulo e Agência Folha

terça-feira, 21 de agosto de 2007

Mário Magalhães: a pergunta que faltou

Está muito boa a primeira nota da crítica interna do Ombudsman da Folha, o cada vez melhor Mário Magalhães, sobre a boa vontade do jornal em publicar as bobagens que fala o presidente Fernando Henrique Cardoso. Como já notou Paulo Henrique Amorim, Cardoso fala besteira em português, mas quando dá entrevistas em inglês (para veículos internacionais), trata de reconhecer os avanços do governo Lula. Cardoso deve achar que os brasileiros são todos uns monoglotas, como o presidente. Não são e Lula, de sua parte, tem quem traduza interessantes análises de seu antecessor. A seguir, o comentário de Magalhães.

A Folha faz bem em publicar as opiniões de Fernando Henrique Cardoso sobre assuntos relevantes, como hoje, tratando do mensalão ("Só julgamento põe fim ao caso, diz FHC", pág. A10).

Mas faz mal quando não é crítica ao abordar o ex-presidente. Ele "lamentou que tenha demorado tanto (dois anos) para que o caso chegasse ao STF". E acrescentou: "No Brasil, a Justiça é morosa".

Por que o jornal não indagou o que o líder do PSDB pensa do desempenho do atual procurador-geral da República em comparação com o de um antecessor, indicado por FHC, que se notabilizou como "engavetador-geral da República"?

Estamos em agosto

Terremotos no Peru, crise financeira internacional, mensalão de volta ao noticiário... E ainda faltam10 dias para agosto terminar. Banho de sal grosso e folha de arruda pode até não funcionar, mas mal à saúde certamente não faz...

segunda-feira, 20 de agosto de 2007

Todos de olho na crise

Tucanos, democratas, petistas, peemedebistas das várias alas da agremiação, líderes dos partidos de gravitam em torno da oposição e governo e até mesmo os radicais do PSOL, neste momento todo mundo está naquela velha posição de deixar tudo como está para ver como é que fica. A crise que abalou os mercados financeiros na semana passada e que deu uma trégua nesta segunda-feira ainda é uma grande incógnita até para banqueiros experientes e demanda um certo tempo para ser corretamente avaliada.

Conforme já foi escrito aqui, pode ser desde um espirro até uma pneumonia. Como o doente é o irmão gigante do Norte, ainda que a coisa se limite a um espirro, alguma consequência vai haver no resto do mundo, tamanha a força gravitacional, digamos assim, da economia norte-americana. Se for uma pneumonia, evidentemente as consequências vão ser muito duras não para o Brasil em particular, mas para a economia de praticamente todos os países.

Em termos da política local, até agora a crise não teve consequências práticas no Brasil exatamente porque os debates da hora são sobre o alcance dos problemas na economia americana, ou melhor dizendo, está em curso um grande esforço, de todos os lados, em tentar compreender o que vem pela frente. Só com um quadro mais claro do cenário futuro os protagonistas poderão fazer suas apostas. Evidentemente, se tudo não passar de um espirro, o maior beneficiado será o presidente Lula, que até aqui vem sendo sustentado pelo crescimento da economia nacional. Uma crise de verdade, das bravas, pode fazer o povão mudar de humor com bastante rapidez. Mas é preciso também atentar para um complicador: quanto tempo levaria para que os efeitos do "contágio" da crise chegassem ao Brasil? De todos esses fatores depende o grau de disputa política daqui para frente, já com vistas às eleições de 2008. A palavra-chave é crise externa, mas as incertezas ainda são enormes.

Cantor Luciano lança novo movimento

Está muito boa a entrevista, publicada hoje na Folha, da jornalista Mônica Bergamo com o cantor sertanejo Luciano, que faz dupla com Zezé Di Camargo. Tendo em vista que saiu no mesmo dia do artigo de Fernando de Barros e Silva, reproduzido na nota anterior, é possível dizer que a turma da Barão de Limeira não vai muito com a cara do João Dória Jr. ou do tal D'Urso, da OAB-SP. Quanto ao movimento lançado pelo filho mais novo de Francisco, este blog espera que as adesões ocorram em grande número, mas sem demonstrações públicas ou atos de apoio, digamos assim, explícitos por parte dos aderentes...

"Zezé é Zezé. Eu sou eu"
Mônica Bergamo

O cantor Luciano recusou convite para entrar no "Cansei". O irmão dele, Zezé Di Camargo, aderiu, mas ainda assim Luciano diz que a manifestação é oportunista e que agora vai "lançar o movimento "Caguei'".

FOLHA - Por que não aderiu ao "Cansei"?
LUCIANO CAMARGO - Como é que eu vou apoiar um movimento liderado por alguém que promove desfile de cachorros [o empresário João Doria]? Essas pessoas cansaram de quê? Os artistas só estão aderindo porque foram convidados por amigos. A maioria não tem coragem de dizer não. Eu tenho. Este é mais um movimento oportunista. As pessoas que estão nesse movimento não cansaram de coisa nenhuma.

FOLHA - O Zezé aderiu.
LUCIANO - O Zezé é o Zezé, eu sou eu.

FOLHA - Você já disse que se arrepende de ter apoiado o candidato Lula na eleição.
LUCIANO - Eu não me arrependo. Eu me decepcionei. Mas nem acho que o "Cansei" é para derrubar o Lula. Aquilo ali [Lula] nem com reza brava cai. Mas o "Cansei" tem uma classe elitista por trás, que nunca pegou fila para entrar num avião. É um movimento político. Estavam só esperando um momento oportuno para lançar. Protesto é ir para a frente do prédio da TAM. Eu cansei desse "Cansei". Vou lançar o "Caguei". Caguei para o "Cansei".

Fernando de Barros e Silva explica o Cansei

Um bom artigo sobre o Cansei está na página 2 da Folha de S. Paulo desta segunda. Vale a pena ler na íntegra:

Lula, o Pom-Pom e o cansaço
FERNANDO DE BARROS E SILVA
SÃO PAULO - A política brasileira no segundo mandato acomodou-se em dois pólos, mais complementares do que antagônicos. O primeiro é o PL -ou Partido do Lula, em que coabitam, acotovelando-se, 11 partidos, unidos pela causa comum da fisiologia, além do que restou de movimentos sociais e sindicalismo.
O outro pólo é o do Partido da Oposição Mais ou Menos, que podemos batizar de Pom-Pom, mais sugestivo. O Pom-Pom abriga basicamente o que o moinho do PL não tragou: os tucanos, que lhe definem o caráter equívoco (nem isso nem aquilo), e os Democratas, que vêm a reboque, mais estridentes, sem força própria para se desgarrar.
Entre o PL e o Pom-Pom há mais conveniências e pontos em comum do que divergências de fundo. Se a economia internacional deixar, irão todos nessa toada cordial e cautelosa até as eleições de 2008.
Vive-se no país uma situação de convergência no marasmo, em que os conflitos sociais parecem ter sido anestesiados por Lula, o gestor insuperável da miséria. O Pom-Pom não sabe o que propor de diferente.
A despeito disso, à margem dos partidos há uma novidade política regressiva em curso. O "Cansei" traduz uma insatisfação difusa contra o governo -ou será contra a figura do presidente, nordestino, de origem pobre, pouco letrado?
Trata-se de um movimento de direita tosco e provinciano, liderado por uma espécie de lúmpen da elite paulistana. João Dória Jr. inventou para si um intermezzo "cívico", entre a temporada de verão, quando funciona como camelô da mercadoria alheia em resorts na Bahia, e a de inverno, quando promove concursos de cachorro de madame em Campos do Jordão.
Em um mês, o "Cansei" fez saudações ao Exército, patrocinou patriotadas, mobilizou a ira dos pequenos proprietários, produziu uma gafe sintomática de preconceito contra o Piauí e invocou até o Todo-Poderoso: "Deus está cansado", disse o padre das celebridades. O que a "Caras" está esperando?

domingo, 19 de agosto de 2007

Sobre o Cansei, imagens que não mentem

O que vai abaixo são imagens que fazem parte de um post do Blog do Petta, dica do Blog do Alê. Segundo Alê Porto, não tem Photoshop algum, é só a propaganda do Cansei e a capa da revista Caras. Não sendo montagem, dá para perceber que o movimento capitaneado pela OAB-SP e por João Dória Jr, o caixa da campanha de Alckmin, é totalmente apolítico, apartidário e só existe para o bem do Brasil...





Panfleto oficial e capa da revista lembram o antigo aviso
das novelas da Globo: toda semelhança é mera coincidência...

Demissão por ataque à língua e à lógica

Se verdadeiro o relato abaixo, da jornalista Dora Kramer, publicado no Estadão deste domingo, este blog recomenda a demissão sumária de Milton Zuanazzi do cargo de diretor-presidente da Anac. Não por incompetência, mas por crime de assassinato duplo e qualificado. Duplo, porque matou a língua portuguesa e a lógica formal de uma só vez; qualificado, porque certamente o desastroso texto foi lido por ao menos um assessor de imprensa. Ou de imprença, vai saber...


O duelista

Por e-mail, o diretor-presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, enviou a seguinte mensagem:

“Como V.Sa. tem verbalizado constantemente em sua coluna, diga-se, uma das mais respeitadas do País, procurando estender o esteriotipo de que sou incompetente para exercer o cargo de diretor-presidente da Anac, acusando-me de ser uma mera indicação política, desconhecendo dessa forma como se deu minha indicação, quais foram os critérios, qual meu conhecimento acumulado em anos de vida pública, venho propor-lhe um debate sobre aviação brasileira e o papel da agência reguladora.

“De minha parte irei sozinho, portanto desacompanhado de qualquer assessor. Pelo seu lado, de pronto, permito-lhe que seja acompanhada por quantos assessores necessitar, inclusive de expertos em aviação (aliás apareceram tantos nestes últimos tempos, que não lhe faltarão opções).

“Nosso debate, ou sabatina, como quiser, pode-se dar em local fechado ou aberto, com ou sem platéia, de acordo com vossa vontade. Requisito que a senhora prepara-se ao máximo, pois é do meu desejo não deixar nada sem resposta.

“Espero com isso que a adjetivação constante da palavra ‘incompetência’ seja expressa como instrumento da verdade, ou cale-se para sempre.

“Quero somente registrar que não se trata de entrevista ou programa para a mídia, mas sim de expormos onde está a verdade, se em nossos procedimentos ou nas suas matérias jornalísticas.

“Saudando-a, fico no aguardo de sua resposta.”

No último parágrafo, quando esclarece que seu intuito não é dar entrevista - maneira habitual de se relacionarem profissionalmente jornalistas e autoridades -, o senhor Zuanazzi confirma a impressão inicial de que faz mesmo uma convocação para um duelo.

Desnecessário ao diretor-presidente da Anac terçar armas com quem quer que seja, “em local aberto ou fechado”.

Seus dotes no manejo dos problemas da aviação brasileira já estão sobejamente demonstrados e foram amplamente analisados no decorrer da crise dita por ele mesmo inexistente.

Desconhecidos, no entanto - até agora - eram seus atributos de duelista no terreno do idioma. Para não tombar combalida, como tomba assassinada a língua pátria no texto acima, nos termos propostos declino do combate.

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Quem não sabia, ficou sabendo

Um adendo sobre o Cansei: reportagens informam que os parentes das vítimas do acidente com o Airbus da TAM, ocorrido um mês atrás, se irritaram com o ato desta sexta-feira e disseram aos jornalistas que foram "usados" pelos cansados organizadores.

Antes tarde do que nunca: estranho mesmo é os parentes não terem percebido desde o início a óbvia intenção do Cansei de usar o acidente como desculpa para tentar mobilizar a opinião pública contra o governo federal. Felizmente, até agora sem sucesso...

Cansados e fracassados

O movimento Cansei fracassou. Na segunda tentativa de mobilizar a população para combater o governo Lula, após uma semana de intensos investimentos na mídia e farta distribuição de panfletos convocando para os atos em São Paulo e Porto Alegre, tudo que os cansados conseguiram foi levar 2 mil pessoas à Praça da Sé, em São Paulo, e 200 ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre. Na soma, foi menos gente do que ao casamento da filha de Geraldo Alckmin, que reuniu 5 mil convidados... O número de pessoas importa, sim. Só a baiana Ivete Sangalo, que esteve no ato, seria capaz de levar três vezes mais gente se divulgasse que cantaria duas ou três músicas, de graça, ao meio dia na praça da Sé... Mas nem os curiosos aderiram, e havia pelo menos meia dúzia de famosos em torno dos quais sempre junta gente.

A verdade é que o Cansei não tem a menor base social. Os organizadores temiam que militantes do PT provocassem alguma confusão na praça da Sé, mas nada disto aconteceu. Os golpistas puderam fazer o ato com tranqüilidade, inclusive com os brados de "Fora Lula", sem nenhuma ocorrência grave, salvo talvez a irritação de Hebe Camargo com os próprios manifestantes, que a chamaram de "malufista". Ao final, cantaram o hino nacional, mas deveriam mesmo ter cantado o hino do movimento...

Tudo somado, este blog aposta que, depois do fracasso retumbante, os cansados não retomarão fôlego e o movimento acaba por WO, até o final do ano.

Charge do Dia


Do Angeli, publicada na Folha de hoje.

Cansei: líder pode ser demitido da Philips

A matéria abaixo, da Folha, revela mais uma trapalhada do presidente da Philips no Brasil. Circula na internet a informação de que a matriz já ordenou que ele tire a empresa do movimento Cansei. Zottolo só não teria sido demitido ainda porque seus chefes avaliam que o ato teria repercussão ainda mais negativa para a companhia. A demonstração de preconceito com nordestinos não deve ajudar muito Zottolo neste momento... Ademais, o desastrado executivo conseguiu juntar um governador petista, um senador democrata e o peemedebista Mão Santa, um dos mais ferinos críticos do governo Lula. Não é pouca coisa!


Líder do 'Cansei" desdenha Piauí, é chamado de "tolo" e pede desculpa

Presidente da Philips, Paulo Zottolo, diz que, se o Estado deixar de existir, "ninguém vai ficar chateado'

Impacto negativo da frase obrigou executivo a pedir desculpas; para governador, "acabou o tempo em que se fazia piadinha" com Estado

MÔNICA BERGAMO
COLUNISTA DA FOLHA

Uma frase do presidente da Philips, Paulo Zottolo, afirmando que "se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado", gerou constrangimento entre os organizadores do movimento "Cansei", do qual Zottolo é um dos líderes. E uniu políticos do PT, do DEM e do PMDB em críticas ao empresário. No fim da tarde de ontem, Zottolo pediu desculpas pela "frase infeliz".
A declaração foi publicada ontem pelo jornal "Valor Econômico". Numa entrevista em que explicava sua adesão ao "Cansei", Zottolo afirmou: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir, ninguém vai ficar chateado".
O governador do Piauí, Wellington Dias, do PT, reagiu afirmando que enviaria ao presidente Lula, ao Congresso Nacional, aos governadores do Nordeste e até ao governador de São Paulo, José Serra, um ofício pedindo "posicionamento de repúdio" às declarações do presidente da Philips. "Não podemos aceitar que qualquer pessoa do Brasil ou do mundo nos trate com tamanho desrespeito. Nós não aceitamos esse tipo de deboche. Ainda mais de uma multinacional com atuação em todo o país, inclusive em nosso Estado. Acabou o tempo em que se fazia piadinha com o Piauí."
Os senadores piauienses Heráclito Fortes, do DEM, e Mão Santa, do PMDB, ocuparam a tribuna do Senado para protestar. Afirmando que Zottolo é "megalomaníaco", Fortes disse que "para comandar uma campanha como o "Cansei", é preciso no mínimo ter equilíbrio e respeitar os Estados da federação. Também cansei de arrogância e prepotência".
Ao se referir a Zottolo, Mão Santa afirmou: "Ó tolo, ignorante, imbecil, cansado, a primeira capital planejada deste país foi Teresina. Eis um ignorante marcado pela própria destinação. Leia o nome dele: Zottolo. É um tolo, um arrogante tolo, porque tem uns dólares da Philips".
Depois das manifestações, o empresário telefonou ao governador Wellington Dias e ao senador Heráclito Fortes para pedir desculpas. "Foi uma frase infeliz. Eu estou me retratando", afirmou Zottolo à Folha.
O empresário diz que falou "dentro de um contexto. Eu quis dizer o seguinte: o Piauí hoje é um Estado pouco conhecido no Brasil. As pessoas não sabem o que tem no Piauí. Quando eu disse que o Piauí não faz falta, eu quis dizer que, como poucas pessoas conhecem o Estado, para eles tanto faz como tanto fez. Não é o meu caso. Eu, particularmente conheço bem o Piauí. Já fui quatro vezes ao Estado. A Philips tem um trabalho social grande no Piauí".
Zottolo prosseguiu: "O que eu quis dizer foi isso: o Piauí é desconhecido, e eu não quero que o Brasil seja um Piauí. O brasileiro tem que conhecer o brasileiro. E o objetivo do "Cansei" é despertar dentro de nós mesmos o entendimento de por que nós estamos de repente parados, e não consternados, com toda essa situação. Talvez seja a falta de conhecimento nosso mesmo. E foi aí que entrou a história do Piauí, entendeu? O Piauí é um Estado que tanto faz como tanto fez, no sentido de que o brasileiro o conhece pouco".
O ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo (DEM) reprovou as declarações do presidente da Philips. "Só fala mal do Piauí quem não conhece a história do Brasil", diz ele. "O homem americano nasceu no Piauí e bandeirantes paulistas colonizaram o Estado. Quem fala mal do meu Piauí querido não sabe nada do Brasil."


Diz-me com quem andas...

... que te direi quem és, conforme pode ser conferido abaixo, em notícia do blog do Ancelmo Gois. Fernando Henrique Cardoso deve morrer de inveja dessas coisas. No íntimo, ele gostaria muito de ser, digamos assim, aceito na família do maior historiador brasileiro. Mas não é: o ex-operário que saiu de Garanhuns para chegar na presidência do Brasil, ele sim, janta com a mãe de Chico e mulher do grande Sérgio. Não é para quem quer, é para quem pode... FH que se contente em dividir os talheres com o João Dória Jr., o cansado.

Lula vai jantar com a família Hollanda

Lula, que está no Rio para vários compromissos, telefonou há pouco para a amiga Maria Amélia Buarque de Hollanda, 97 anos, e avisou que vai jantar em seu apartamento, em Copacabana.

Dona Memélia, como a família e os amigos a tratam, é viúva de Sérgio Buarque de Hollanda, o grande brasileiro que participou da fundação do PT, e mãe orgulhosa de sete filhos - o professor de economia Sergito (que reprovou Zélia Cardoso de Mello na faculdade), o advogado Álvaro, a psicóloga e fotógrafa Maria do Carmo, a Pii, as cantoras Ana de Hollanda, Cristina e Miúcha, e Chico Buarque.

Dos filhos, não estarão lá, com certeza, Pii, que mora em Olinda, e Miúcha, que está no Japão.

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

A crise e os chutes

Tanto o discurso olímpico do governo sobre a "blindagem" do Brasil à crise internacional que estaria se iniciando a partir do mercado imobiliário norte-americano quanto o catastrofismo dos que torcem para a economia brasileira piorar apenas para prejudicar a popularidade do presidente Lula estão claramente exagerados. Por um lado, ainda é cedo para saber a gravidade do problema, que tanto pode ser um espirro mais forte, porém restrito aos mercados financeiros, como uma pneumonia, envolvendo um órgão vital da superpotência que lidera a economia mundial. No primeiro caso, de fato o Brasil sofrerá pouco ou quase nada; no segundo, dificilmente escapará ileso. O discurso catastrofista também é exagerado porque nitidamente não se trata de uma crise com origem na economia real dos Estados Unidos e os organismos financeiros internacionais, bancos centrais à frente, têm muita bala para impedir que o problema se torne sistêmico. Como diria o gaiato, muita calma nesta hora... Em poucos dias será possível ter uma visão melhor do tamanho da encrenca.

Jorge Rodini: crise, que crise?

Em nova colaboração para o blog, Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas, analisa as consequências das turbulências no mercado financeiro internacional para o Brasil. A seguir, a íntegra do comentário:

A turbulência no mercado imobiliário americano já está servindo de lição para economistas, jornalistas econômicos, ministros, ex-ministros, consultores financeiros e até para o nosso presidente Lulaflon.

Segundo esses gurus, a tal crise americana de farto crédito e muito risco não afetaria o Brasil, pois o país verde-amarelo tem um excesso de reservas internacionais, sólida base econômica, balança comercial excepcional, estando descolado do olho do furacão americano.

É óbvio que estamos diante de mais uma bravata nacionalista. Todos seremos afetados pela crise americana, em maior ou menor escala. Acabou-se a era do crédito fácil em nível mundial. Essa inadimplência do americano comum pode ter sido proveniente da alta de juros na maior potência do Mundo, que vai levá-lo ao menor consumo, inclusive de produtos asiáticos. Assim, os tigres ficarão menos famintos... e seus investimentos provalvelmente irão encolher.

Ao mesmo tempo, investidores internacionais tendem a retirar suas aplicações nos países emergentes (leia-se Brasil) para arrefecer suas perdas nos mercados principais. Neste mesmo espaço temporal, a inflação americana pode começar a ficar fora de controle, minimizando a probabilidade de queda substancial nos juros, que estimularia a retomada do crescimento e minimizaria as novas inadimplências. Quem está pagando em dia começa a cortar o consumo e estoque de outros bens para se precaver.

Espero que este ciclo todo não de concretize, mas que é possível, é. Os gurus sempre querem se antecipar, mas se esquecem de estudar a história. As crises, no mundo de hoje, propagam-se numa velocidade de internet.

Devemos ter muito cuidado com estes rompantes. A crise existe e tem que ser muito bem administrada, tanto pelos bancos centrais europeus e americano, e muito mais pelos governos, inclusive pelo nosso.

Perdemos a onda mundial de excepcional crescimento e agora podemos afundar neste maremoto. Passou da hora de governar.

Como dizia um velho amigo meu, ao invés de se aventurar por mares nunca dantes navegados, devemos todos " por a bóinha e vir para o raso", especialmente nossos gurus.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

CPMF: 1 a 0 para o governo

Está bem longe de terminar a novela da CPMF no Congresso, mas a aprovação da admissibilidade da emenda, na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Federal, foi uma pequena vitória do governo, sobretudo pela sinalização, já ontem, do relator Eduardo Cunha (PMDB-RJ) de não partilhar o imposto do cheque com estados e municípios. É possível que no final aconteça uma grande negociação para garantir a aprovação da polêmica matéria no Senado, onde a oposição tem mais votos, mas o fato é que, do ponto de vista do presidente Lula, o jogo começou bem, com menos turbulências do que se esperava. A ver como a tramitação prossegue. Como diz o ditado, cada dia, sua agonia...

Cansei não avisa o Bispo

Será que D. Odilo vai deixar o pessoal fazer política na Catederal? O que vai abaixo está na Folha desta quarta-feira...


D. Odilo diz desconhecer ato do "Cansei" na Catedral da Sé

Movimento, que promove encontro nesta sexta-feira, recebe adesão de artistas

Padre responsável pela administração da igreja autorizou ato, no dia em que o acidente com avião da TAM vai completar um mês

LEANDRO BEGUOCI
DA REPORTAGEM LOCAL

O arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, diz não ter sido consultado pelo Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o "Cansei", sobre o ato que o grupo pretende fazer dentro da Catedral da Sé na próxima sexta-feira.
"Não sou promotor deste evento, não fui consultado nem sei quem autorizou", disse o arcebispo, surpreso quando indagado pela Folha a respeito do evento. Ele declarou que vai conversar com a direção da catedral paulistana e só depois voltará a falar sobre o assunto.
O movimento liderado pelo presidente da OAB-SP, Luiz Flávio Borges D'Urso, e por empresários fará às 13h um encontro com representantes de várias religiões para lembrar o aniversário de um mês do acidente com o avião da TAM.
O "Cansei" diz ser apartidário e nega se opor ao governo do presidente Lula. Ontem, D'Urso voltou a rebater as críticas contra o grupo. "O "Cansei" não é um movimento de elite, é um movimento que contempla todas as camadas da sociedade", disse ele. "Para ser contra o Cansei, só quem for a favor da corrupção, da criminalidade."
Segundo a assessoria da arquidiocese, a autorização para o uso da catedral foi dada pelo padre Pedro Fenech, responsável pela administração da igreja. O padre-cantor Antonio Maria deve representar a Igreja Católica no ato. Ele abençoou a união entre o jogador Ronaldo e a modelo Daniella Cicarelli, na França, em 2005.

Artistas
O "Cansei" apresentou ontem uma série de adesões de pessoas famosas ao grupo.
A cantora Ivete Sangalo, contratada da Philips, uma das empresas apoiadoras do "Cansei", já aparece nos novos cartazes da organização. Ela é irmã do empresário Jesus Sangalo, um dos fundadores do movimento.
A atriz Regina Duarte também participa do "Cansei". Em 2002, ela disse no programa de TV do então candidato tucano à Presidência, José Serra, ter "medo" do PT.
As apresentadoras Ana Maria Braga, da TV Globo, e Hebe Camargo, do SBT, também aderiram e estão em peças publicitárias do grupo. Elas são próximas à família de Geraldo Alckmin, candidato do PSDB à Presidência, em 2006, e foram ao casamento da filha do tucano, Sophia, em julho.
O nadador e medalhista olímpico Fernando Scherer, as atrizes Christiane Torloni, Irene Ravache e Luana Piovani, os cantores Agnaldo Rayol, Daniela Mercury, Seu Jorge e Zezé di Camargo (que apoiou Lula em 2002) também participam do "Cansei".
D'Urso nega que a presença de artistas seja uma maneira de aumentar o número de participantes na sexta. "Não se pode medir a força do movimento pelo número de pessoas que estiverem concentradas. Quantas pessoas virão? Pouco importa, nós estaremos lá."
O "Cansei" tomou forma dentro do escritório do empresário João Doria Jr, que promoveu almoços para arrecadar recursos para a campanha de Alckmin à Presidência. Entre os slogans do grupo estão frases como "cansei do caos aéreo" e "de CPIs que não dão em nada".



Uma resposta a Ali Kamel

O saboroso texto abaixo saiu no Hora do Povo. É longo, mas vale a pena ir até o fim da desconstrução dos argumentos do diretor do Globo, realizada pelo jornalista Carlos Lopes. Além de inteligente, o texto é engraçado.


Kamel e o teste das mentiras

“A grande imprensa está sob ataque” – assim começa o artigo de Ali Kamel, publicado há alguns dias em “O Globo”.

“Grande imprensa” é como Kamel, ex-editor assistente da “Veja” e atualmente diretor de jornalismo da Rede Globo, chama a mídia golpista. Parafraseando um dito célebre, essa imprensa só lhe parece “grande” porque Kamel vive em permanente genuflexão. No entanto, mesmo nessa posição incômoda, ele esforça-se por dar cambalhotas: tudo é invertido - naturalmente, o país é que esteve sob ataque dessa mídia. Por isso, ela levou a pior. É dessa última parte do negócio que Kamel está se queixando.

Porém, não é a imprensa, grande ou pequena, que Kamel quer defender. Ele está defendendo apenas a si próprio, ao seu lauto salário - e à sua incompetência, que levou a “Globo” a uma situação inédita de acelerado descrédito. Kamel é, sem dúvida, o mais inepto diretor de jornalismo que a “Globo” já teve. Inclusive, e sobretudo, do ponto de vista do ilusionismo e da prestidigitação que são chamados de jornalismo pela “Globo”. Kamel é incapaz de disfarçar os truques que está tentando fazer. Assim, o “jornalismo” torna-se inútil, e, pior que isso, um risco para a própria “Globo”, além de um estrupício para os anunciantes, que são associados, sem querer, à desonestidade flagrante do veículo onde anunciam.

Voltemos ao seu artigo. Diz ele: “na cobertura da tragédia da TAM, a grande imprensa se portou como devia. Não é pitonisa, como não é adivinha, desde o primeiro instante foi, honestamente, testando hipóteses, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

Resumindo: a mídia não erra. Não mente. Não falseia nem falsifica. Ela apenas “testa hipóteses”. Não tem culpa se a hipótese é falsa. Para que ela noticiasse apenas os fatos, seria necessário que ela fosse “pitonisa” ou “adivinha” (o que, aliás, é a mesma coisa).

Kamel não explica porque o “testar hipóteses” que preconiza como o supra-sumo da atividade jornalística é sempre contra o mesmo lado e a favor do mesmo outro lado.

CALÚNIAS

Mas é interessante essa nova teoria jornalística. “Testando hipóteses”? Sim, leitor, foi isso o que o sujeito escreveu. Ao invés de noticiar os fatos, a imprensa tem que “testar hipóteses”. Será possível forma mais desastrada de confessar a mentira, ainda por cima defendendo que é muito justo mentir? Só se ele escrevesse algo como: “desde o primeiro instante a mídia golpista foi, honestamente, mentindo, montando um quebra-cabeça que está longe do fim”.

Mas, dessa honestidade o sr. Ali Kamel realmente não é capaz. Nem que um raio o atingisse no caminho para a Barra da Tijuca (lá é a central de novelas e não de jornalismo? Perdão, leitores, pela compreensível confusão).

Continuemos: jornalismo que, em vez de noticiar os fatos, fica “testando hipóteses” é mentira, calúnia, e não jornalismo. Pois é exatamente esse o “jornalismo” que Kamel defende. Não por acaso, seu primeiro cargo de importância foi na “Veja”, que não faz outra coisa: fica “testando hipóteses” que interessam aos seus donos. Kamel levou essa tecnologia para a “Globo” – que, desde que ele deu com os costados lá, não faz outra coisa senão seguir a “Veja” com alguns dias de atraso.

Porém, vejamos algumas hipóteses que ele testou recentemente:

1) Às vésperas do primeiro turno das eleições passadas, Kamel “testou a hipótese” de que não existia um avião da Gol, com 154 pessoas a bordo, que estava desaparecido. Todos os telejornais daquele dia divulgaram o desaparecimento, menos um: o “Jornal Nacional”. Kamel “testou essa hipótese” porque achou que a divulgação do desaparecimento do avião ofuscaria o “teste” de outra “hipótese”: a de atribuir, dois dias antes das eleições e com o programa eleitoral gratuito encerrado, ao presidente Lula a compra de um dossiê, com a exibição escandalosa das imagens do dinheiro com que alguns aloprados tentaram adquiri-lo – imagens, de resto, inteiramente ilegais. Tudo isso para “testar” outra “hipótese”: a de que o presidente Lula não fosse o eleito. As três “hipóteses” eram falsas, mas Kamel, segundo seu parecer, não errou. Estava apenas “testando hipóteses”. Afinal, o rapaz não é “pitonisa”.

2) Em seguida, Kamel “testou a hipótese” de que a queda do avião da Gol não havia sido provocada pelos dois irresponsáveis pilotos norte-americanos do Legacy, como era evidente, mas pelo controle de vôo da Aeronáutica. A hipótese também era falsa. Mas Kamel também não errou. O problema é que ele não “adivinha”. Por isso, estava “testando a hipótese” da realidade ser falsa e do falso ser realidade.

3) Mas Kamel não desanimou: arrumou uma nova hipótese para testar: a de que o irmão mais velho do presidente da República, Vavá, um homem idoso, pobre e doente, era um terrível gênio do tráfico de influência. Nada havia que indicasse qualquer influência de Vavá no governo ou na máquina administrativa, nenhum suposto pedido seu havia sido atendido – e, aliás, nem feito. Seria o primeiro cidadão a traficar influência sem ter influência. Mas isso são questões de somenos importância. Importante era “testar a hipótese” – que também era falsa, mas o importante é testar. A realidade, que se dane.

4) Convicto, Kamel continuou seus experimentos, sempre “testando hipóteses”: diante de uma vaia claramente armada pelo ilustre filósofo do factóide, César Maia, Kamel insistiu que eram “vaias espontâneas” ao presidente. Ele realmente estava bem informado: segundo vários relatos, Kamel participou de uma reunião onde a vaia espontânea foi discutida – e armada. Portanto, a vaia só poderia ser espontânea, ora essa. O problema é que todo mundo viu que não foi. Mas o importante é que a hipótese foi testada, isto é, a vaia apareceu no “Jornal Nacional”.

5) Por último, nesse resumo das atividades científicas de Kamel: menos de uma hora após a queda do avião da TAM, a “Globo” já tinha lançado a hipótese de que o problema era a pista que o governo reformara, que a falta de “grooving” causara o acidente, e que a culpa era do presidente Lula. Não se sabia nada sobre as condições do pouso, a caixa-preta não havia sido encontrada, não havia nem mesmo palpite de algum técnico, mas Kamel, dinâmico como sempre, já estava “testando” a sua hipótese: a culpa é do Lula. O teste deu errado. Ou, melhor, deu certo, porque, como se sabe, a mídia não erra. A “hipótese” é que era falsa.

FABRICAÇÃO

Referindo-se a estudos sobre a mídia que apontam a cavalar falta de isenção contra Lula nos meses anteriores às eleições, diz ele: “tais estudos se esquecem apenas de contar que todo o noticiário sobre o mensalão e outros escândalos foi considerado prova de desequilíbrio contra Lula. Ora, se é assim, qual seria a alternativa para que o estudo apontasse equilíbrio? Não noticiar os escândalos? Mas isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção”.

Não é uma gracinha? Os caras fabricam um escândalo, não conseguem provar nada, passam por cima de todas as evidências e provas, tentam dar um golpe, difamam, insultam e caluniam, e depois acham uma injustiça que se aponte que essa porcaria toda era mera tentativa golpista. Segundo Kamel, se não divulgasse o que ele mesmo fabricou, “isso sim seria perder o equilíbrio e a isenção”. Ou seja, as hipóteses que Kamel testa são sempre contra Lula porque Lula é sempre culpado, não importa o que faça – ou deixe de fazer.

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Revista vai publicar artigos de Fidel

Deu no Comunique-se:

Fidel Castro é o novo colunista da Caros Amigos

Da Redação

Por meio de uma amiga da redação da revista Caros Amigos que vive em Cuba, o contato com o presidente do país não foi difícil. Além de aceitar que os textos que escreve periodicamente nos jornais cubanos fossem publicados na revista brasileira, Fidel autorizou ser considerado colunista do veículo.

“Fidel Castro resolveu escrever. De pouco tempo para cá, passou a pôr no papel e na imprensa cubana o que chamou de Reflexões, abordando os mais variados temas. Vendo isso, resolvemos fazer uma consulta a Cuba: Caros Amigos seria autorizada a publicar um texto de Fidel mensalmente, incluindo-o entre seus colunistas? A resposta foi positiva, e eis aí uma nova estréia a comemorar”, diz o editorial da publicação do mês de agosto.

Nessa primeira coluna, Fidel fala sobre os atletas que desertaram no Pan. A Caros Amigos não quis comentar como seria o fato do presidente de um país visto como cerceador da liberdade de imprensa escrever para a revista.

Votação da CPMF pode encerrar legislatura

Pouca gente está dando bola para o embate em curso no Congresso, mas a verdade é que a votação da prorrogação da CPMF e da DRU é a única votação que realmente importa para o governo nesta legislatura. Lula não tem planos de aprovar uma nova reforma da Previdência e as mudanças na legislação tributária que poderão vir a ser debatidas no legislativo são de trâmite tranqüilo, porque só será encaminhado o que for consensual entre os governadores (ou seja, quase nada). Idem para reforma política e mudanças na legislação trabalhista. Tudo somado, a verdade é que o governo Lula só voltará a precisar de fato do Congresso para aprovar as suas Medidas Provisórias, com maioria simples... A grande disputa está em curso agora e será interessante acompanhar o desdobramento desta votação para medir a força política da aliança em torno do presidente.

Guardem este nome

José Eduardo Cardozo corre por fora, mas tem grandes chances de ser o candidato do PT à prefeitura de São Paulo em 2008.

Papelão ondulado e a força de Lula

A matéria abaixo, na versão da Folha Online, é mais uma da série "É a economia, estúpido", que ajuda a explicar por que não tem mensalão nem dossiês e muito menos crise aérea que derrube a popularidade do presidente Lula. No Planalto, as atenções estão voltadas para Washington e os dedos estã cruzados para que os mercados recuperem a tranqüilidade, garantindo mais alguns anos de bonança. Se isto ocorrer, Lula sai consagrado do governo. Do contrário, o que vem pela frente é uma incógnita.

Termômetro da economia, vendas de papelão ondulado crescem 6,1% em julho

As vendas de papelão ondulado tiveram crescimento de 6,1% em julho na comparação com o mesmo mês do ano passado, totalizando 187,5 mil toneladas, segundo balanço da ABPO (Associação Brasileira do Papelão Ondulado). Na comparação com junho, as expedições tiveram queda de 2,73%.

No acumulado de janeiro a julho, foram comercializadas 1,317 milhão de toneladas, número 5,9% superior na comparação com o total vendido nos primeiros sete meses do ano passado.

Os números superaram as previsões do setor, de acordo com Paulo Sérgio Peres, presidente da ABPO. A associação destacou as vendas de embalagens para os setores de produtos alimentícios, químicos e derivados (higiene e limpeza), além de fruticultura e floricultura.

O setor de papelão ondulado --utilizado para embalagens-- é visto como um 'termômetro' do nível de atividade geral, porque tende a refletir o ritmo de expansão da economia. A oscilação das vendas serve como indício das expectativas dos empresários, o que repercute no ritmo das encomendas e da produção do setor.

Se essa indústria vende menos do que o esperado, por exemplo, o comportamento das vendas pode ser um sinal de que os clientes estão menos otimistas com o futuro dos seus negócios e, portanto, optaram por reduzir o ritmo das encomendas e da produção.

Lembrando Cláudio Abramo

Vale a pena ler o artigo abaixo, sobre um gigante do jornalismo brasileiro, publicado na Folha desta terça.


Cláudio Abramo, jornalista marceneiro

ROBERTO MÜLLER FILHO

QUANDO RECEBI o convite para escrever sobre Cláudio Abramo, com quem trabalhei várias vezes nesta Folha e de quem fui amigo o tempo todo, tive uma espécie de medo e desejo irresistível de aceitar. Passados 20 anos de sua morte, ele ainda é o melhor de todos.
Herdei-lhe uma bengala, preciosa lembrança que guardo com grande carinho. Por via das dúvidas, ela está, enquanto escrevo, ao meu lado. Talvez para inspirar-me, quem sabe para tê-la ao alcance dos olhos, para evitar que Cláudio a utilize como reprimenda à ousadia de escrever sobre ele, seja pela pobreza do texto que estou produzindo, seja constrangido pelos elogios que certamente escorrerão do teclado enquanto tento conter a emoção que a lembrança de sua figura majestosa desperta.
Explico-me: o pouco que aprendi sobre jornalismo devo ao muito que ele sabia. Cláudio adotou-me assim que soube que eu estivera preso num navio-presídio, Raul Soares, onde descarregavam subversivos da Baixada Santista e de outros lugares.
Fez-me repórter, depois editor de economia, por duas vezes, quando implantava a reforma deste jornal, após ter feito, jovem ainda, a de "O Estado de S. Paulo". Leu meus textos, corrigiu-os impiedosamente. Com ele aprendi também a editar.
Algum tempo depois de sua vinda para a Folha, Cláudio comandou a grande mudança para o método de composição a frio, que aposentou a linotipia. Na fase inicial da mudança, a luta contra o tempo era implacável, horários rígidos de fechamento.
Lembro-me dele retirando os diagramas das editorias mesmo que ainda incompletos. Nos espaços vazios, entravam calhaus. Mas ele ajudava com sua experiência e genialidade. Havia um título de alto de página, de uma coluna, acho que eram quatro linhas de sete toques, dificílimo de fazer, sobretudo quando pressionados pela urgência do fechamento. De sua enorme mesa ao centro da ampla redação que comandava, Cláudio anunciava que chegara a hora de entregar os diagramas. Não raro, quando pedíamos clemência, alegando que faltava apenas produzir o maldito título de uma coluna, ele pedia que disséssemos de que a matéria tratava e, de pronto, ditava-nos, lá de seu posto, com impressionante exatidão, as tais quatro linhas de sete toques.
Aos jornalistas que aprendemos com ele, e fomos tantos, de tantas gerações, ficaram lições de forma e de conteúdo. De ética e de caráter. Autodidata, Cláudio falava fluentemente cinco línguas e escrevia em português e inglês. Leu muito, tinha uma cultura humanista admirável. As reportagens e colunas que escreveu ao longo da vida são impecáveis. Mas gostava mesmo era de ser marceneiro. A propósito, Cláudio era bom nisso também. Fazia bons móveis e dizia que a ética do jornalista, assim como a do marceneiro, era a mesma, ou seja, só havia uma ética, a do cidadão.
Modesto, não se levava a sério. Mas levava muito a sério a profissão. Fazia o trabalho com paixão. Participou de todos os embates políticos de seu tempo. Sempre do lado dos oprimidos. Foi vítima da ditadura como profissional e cidadão. Preso com sua mulher Radhá, manteve a altivez e a irreverência com os poderosos.
No comando, Cláudio era exigente, transmitia-nos técnica e regras de conduta. Aprendi com ele que é possível, embora não seja fácil, combinar emoção e isenção ao reportar os episódios que cobríamos.
Mas Cláudio era, sobretudo, justo e combinava isso com generosidade. Gostava de recrutar jovens, aos quais ensinava pelo exemplo. Houve um dia em que, constrange-me revelar, aprendi com ele uma preciosa lição de integridade. Testemunhei conversa tensa entre ele e Octavio Frias de Oliveira, uma de tantas, fruto de uma curiosa relação de respeito e farpas.
Cláudio tentava convencer Frias de que a Folha, que já se tornara o jornal de maior tiragem no Estado, precisava agregar influência. Recomendava a criação de uma ou duas páginas de opinião, com a contribuição de jornalistas notórios e respeitáveis. Apresentou três nomes famosos. Ante a resistência inicial de Frias, saiu fechando abruptamente a porta.
Atônito, temendo pela reação que o gesto pudesse provocar, atrevi-me a sugerir paciência a Frias, argumentando que Cláudio era um tanto irascível, mas certamente um grande jornalista. Recebi mal-humorada resposta, mais ou menos nesses termos: "E você acha que, se eu não soubesse disso, toleraria tal temperamento?".
Depois, fui ter com Cláudio e argumentei que os três nomes que ele sugerira eram competentes, mas nem sempre falavam bem dele. E foi aí que me veio a lição, inesquecível como um bofetão: "Eu sei, mas são grandes jornalistas e têm direito ao trabalho".
É por tudo isso que ele faz tanta falta.
ROBERTO MÜLLER FILHO, 65, jornalista, é diretor da edição brasileira da "Harvard Business Review" e da revista "Razão Contábil". Foi diretor da "Gazeta Mercantil" e editor de economia da Folha .

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Renan não vai se afastar ou renunciar

A cada diz que passa fica mais difícil a situação de Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado. Apesar das dificuldades crescentes que ele próprio reconhece, Renan tem dito a seus assessores que não vai deixar o cargo por vontade própria, isto é, não se afastará temporariamente e muito menos renunciará. Renan não é bobo e sabe que já é carta fora do baralho. Mas vai dificultar o jogo e forçar os seus pares a votar a sua cassação. Em outras palavras, o processo vai ser longo e penoso. O presidente do Senado ainda reluta em contar o que sabe, mas vem sendo pressionado a contra-atacar. Pode sobrar muito podre para o pessoal do DEM e do PSDB.

Jorge Rodini: começou o jogo

Em mais uma colaboração para este blog, Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia, analisa o resultado da pesquisa Datafolha sobre o quadro eleitoral na capital de São Paulo. A seguir, a íntegra do comentário:

A pesquisa Datafolha divulgada neste final de semana revela que o recall de Alckmin pela participação nas eleições presidenciais de 2006 pode ser determinante no resultado final em 2008. O prefeito Kassab tem seu melhor desempenho entre os homens e os mais idosos. Sua base predominante é composta pelos de nível médio e superior e os mais ricos. O ex-governador Alckmin tem perfil econômico e educacional semelhante ao do alcaide, porém é mais forte no público feminino e mais jovem.

Quando Kassab não é colocado na simulação, Alckmin amealha votos de segmento deste eleitorado em que não é tão forte (homens acima de 34 anos), deixando-o quase imbatível.

Marta Suplicy tem sua rejeição aumentada entre os mais instruídos e mais ricos, apesar de muito bem votada nos segmentos mais sofridos da população paulistana.

Geraldo Alckmin será, a partir desta pesquisa, intimado a concorrer no pleito paulistano, até porque precisa manter seu nome em evidência para uma postlação maior e 2010. Por outro lado Kassab mostrou ser competitivo, dotado de perfil autoritário e considerado inteligente, com um baú razoável de votos.

Maluf é Maluf... Sempre vai ter bons votos em São Paulo, apesar dos ventos uivantes do exterior.

Neste imbróglio todo, a disputa será preponderante para as eleições presidenciais. Será que o PT perde força? E Marta? Vale a pena correr o risco de perder para Alckmin? Para ela, seria ótimo que Alckmin não disputasse esta eleição, mas falta combinar com o tucano, que tem mostrado muito preparo e vontade nas palestras que tem ministrado.

O sangue começa a circular com mais força no eleitorado paulistano e de todo o País. O jogo político já começou. É preciso saber jogar.