Em alguns casos, os gastos dos cartões de crédito corporativo por gente do primeiro escalão do governo Lula, que vêm sendo apontados de maneira quase histérica na grande imprensa, são verdadeiros atestados de honestidade de quem os utilizou. É o caso do presidente do Incra, Rolf Hackbart, que gastou, de acordo com a cada vez mais udenista Folha de S. Paulo, a monstruosa quantia de R$ 655,98 em 2006. Sim, são seiscentos e cinquenta e cinco reais e noventa e oito centavos, o que não paga nem os vinhos tomados no Fasano por Fernando Henrique, Aécio Neves, Tasso Jereissati e José Serra naquele famoso jantar em que os quatro tentavam emparedar Geraldo Alkcmin, em 2006, para fazer de Serra o candidato do PSDB à presidência. No ano em que Hackbart mais usou o cartão (2004), ele gastou, ainda segundo a Folha, R$ 8.415,60. Uma média de R$ 23 por dia. Ou os jornalistas não sabem fazer contas ou estão de má-fé...
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
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