sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Sem bomba, Lula deve vitória a FHC

Se não houver mesmo a tal "bala de prata" para matar a candidatura à reeleição do presidente Lula e ele sair vitorioso das urnas no dia 29, o pessoal do PT deveria mandar construir na sede do partido um busto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e prestar homenagens diárias ao líder tucano. Afinal, FHC foi o melhor cabo eleitoral do presidente petista nesta campanha. Quando as coisas caminhavam perigosamente para um segundo turno acirrado, com o escândalo do dossiê pautando toda a imprensa, eis que o PT decide mudar de assunto e lembrar o passado privatista do tucanato. A estratégia desnorteou Geraldo Alckmin, que passou para a defensiva e não teve coragem de defender a obra de seu correligionário. E, bem no meio do tiroteio, vem a públicio Cardoso em pessoa, lembrando o saudoso Chacrinha, que costumava dizer "eu não vim para explicar, eu vim para confundir", e defende ele mesmo as privatizações feitas durante seu mandato. Pior: deixa escapar uma frase dúbia sobre a hipótese de vender a Petrobras, mais tarde desmentida. Era tudo que Alckmin não precisava...

Geraldo Alckmin ficou na defensiva não porque é contra as privatizações – ele foi o secretário de Desestatização do governo Mário Covas –, mas porque as pesquisas qualitativas de Luiz Gonzáles mostravam que a população brasileira reprova a prática. Ninguém imaginava que a reprovação fosse tão grande, mas o fato é que os tucanos não estavam preparados para contra-argumentar, ficaram sem saber muito bem o que fazer. Cardoso agiu por conta própria (e de seu ego) e entrou no debate na hora errada, favorecendo Lula.

A história um dia vai contar com mais detalhes este interessante período da vida nacional. Não será surpresa para este blog se um pesquisador um dia encontrar, escondidos entre os pertences mais íntimos do ex-presidente Cardoso, uma estrelinha vermelha e um velho adesivo, já desbotado, onde se poderá ler: "Lula Lá"...

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