Ninguém aguenta mais ouvir Lula e Alckmin falando de números que, a rigor, só as assessorias dos candidatos conhecem em detalhes. Para o eleitor, a coisa toda é de pouca valia: ninguém vai mudar de opinião se o número de Alckmin estiver errado e o de Lula, correto. O voto já está muito cristalizado e os debates foram momentos apenas para os dois postulantes à presidência aparecerem na telinha um pouco mais do que no horário eleitoral. Evidentemente, o confronto é sempre mais fácil para quem está na oposição – Lula sabe bem disto –, mas debates só mudam a história em casos excepcionais, como um desastre na performance de um ou de outro. A rigor, este programa da Globo não deve ter grande influência no resultado da eleição. O jogo está jogado e no domingo, Lula deverá ser reeleito. A questão agora é saber se ele terá mais ou menos votos, proporcionalmente, do que em 2002. Se tiver mais, seu governo começará muito mais forte do que a oposição imaginou durante todo o processo. Se tiver menos, terá que calçar as tais sandálias da humildade e negociar bastante. Faz parte da democracia e é bom que seja assim.
Tom Cardoso faz justiça a um grande jornalista Se vivo estivesse, o gaúcho Tarso de Castro certamente estaria indignado com o que se passa no Brasil e no mundo. Irreverente, gênio, mulherengo, brizolista entusiasmado e sobretudo um libertário, Tarso não suportaria esses tempos de ascensão de valores conservadores. O colunista que assina esta dica decidiu ser jornalista muito cedo, aos 12 anos de idade, justamente pela admiração que nutria por Tarso, então colunista da Folha de S. Paulo. Lia diariamente tudo que ele escrevia, nem sempre entendia algumas tiradas e ironias, mas acompanhou a trajetória até sua morte precoce, em 1991, aos 49 anos, de cirrose hepática, decorrente, claro, do alcoolismo que nunca admitiu tratar. O livro de Tom Cardoso recupera este personagem fundamental na história do jornalismo brasileiro, senão pela obra completa, mas pelo fato de ter fundado, em 1969, o jornal Pasquim, que veio a se transformar no baluarte da resistência à ditadura militar no perío...
Comentários
Postar um comentário
O Entrelinhas não censura comentaristas, mas não publica ofensas pessoais e comentários com uso de expressões chulas. Os comentários serão moderados, mas são sempre muito bem vindos.