terça-feira, 3 de outubro de 2006

As disputas de segundo turno nos Estados poderão definir resultado da eleição presidencial

Pouca gente está olhando para este fator, mas em 10 Estados brasileiros o jogo eleitoral continua rolando e certamente vai influenciar na votação presidencial. É claro que muitas vezes a votação do candidato ao governo "descola" da votação presidencial, mas é razoável supor que no segundo turno a polarização tende a ocorrer nas duas esferas – estadual e federal. Assim, é importante observar as alianças que estão se formando nesses 10 Estados. Vamos a elas:

Maranhão: Roseana Sarney (PFL) e Jackson Lago (PDT) se enfrentarão. No primeiro turno, Roseana fingiu, fingiu, mas no final pediu votos abertamente para Lula. O presidente teve 78% dos votos válidos por lá e Alckmin, 12%. O PFL vai tentar a neutralidade de Roseana, mas dificilmente ela cumprirá qualquer acordo: seu pai, José Sarney, é lulista de carteirinha. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 3,1 milhões.

Pará: A disputa será entre a petista Ana Júlia e o tucano Almir Gabriel. Em tese, uma eleição equilibrada, mas a senadora do PT pode levar vantagem pelo apoio que receberá do deputado Jader Barbalho, outro lulista de carteirinha. Alckmin deverá tentar "colar" em Gabriel e bater forte em Barbalho. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 3,3 milhões.

Rio Grande do Norte: A governadora Vilma Faria (PSB) tem o apoio de Lula e terá uma eleição duríssima contra o senador Garibaldi Filho (PMDB). No primeiro turno, Lula teve 60% dos votos e Alckmin, 30% no Rio Grande do Norte. A aposta do tucano será tentar diminuir esta diferença e chegar mais próximo da votação de Garibaldi, mas o problema todo é que o PMDB local está dividido entre Alckmin e Lula. O tucano não deve esperar grande melhora na sua votação entre os eleitores potiguares. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 1,78 milhão.

Paraíba: Mais um Estado onde o presidente Lula deve ter apoio do PMDB, uma vez que o adversário do senador José Maranhão será o governador Cássio Cunha Lima, do PSDB. No primeiro turno, Lula deu apoio ao peemedebista e ainda defendeu o senador Ney Suassuna, envolvido no escândalo dos sanguessugas. O presidente teve 65% dos votos no Estado e deve repetir a performance, até porque Cássio é um dos tucanos mais afáveis com Lula. Certamente Alckmin terá dificuldade para superar os 27% que obteve no primeiro turno. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 2,1 milhões.

Pernambuco: No estado natal de Lula, a eleição será entre o ex-ministro Eduardo Campos (PSB), neto de Miguel Arraes, e Mendonça Filho (PFL). Campos terá o apoio de Humberto Costa (PT) e cerra fileiras com Lula. Alckmin terá a força de Jarbas Vasconcelos, eleito senador pelo PMDB, mas também enfrentará dificuldade para reverter a popularidade de Lula, que conseguiu 70% do total de votos dos pernambucanos em 1° de outubro. Alckmin teve 22% e se chegar a 30% já terá conseguido uma façanha. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 4,7 milhões.

Goiás: É mais um Estado em que Lula e Alckmin já têm lado. O presidente estará no palanque de Maguito Vilela (PMDB) para tentar reverter o resultado do primeiro turno, que foi favorável a Alckmin e Alcides Rodrigues (PP), candidato do senador eleito Marconi Perillo. Maguito teve 41% e Lula 40%. Rodrigues não venceu por pouco, teve 48% e Alckmin superou os 50%. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 3,09 milhões.

Rio de Janeiro: Os cariocas vão se defrontar com a situação mais esquizofrênica de toda a campanha eleitoral, parecida com o célebre poema de Drumond: Denise Frossard ama Alckmin que ama Garotinho que ama Cabral que ama Lula. Os palanques serão separados: Alckmin sobe no de Frossard, mas sem a presença de Garotinho; Lula sobe no de Cabral, mas Garotinho, que apóia o candidato do PMDB, não subirá. Desta loucura toda temos que Alckmin ganhará votos nos redutos de Garotinho, mas perderá votos entre os eleitores de Frossard que rejeitam o ex-governador e sua mulher Rosinha Matheus. Lula, por outro lado, ganha votos correndo o estado ao lado do favorito Sérgio Cabral, mas também atrai a rejeição dos 18% de eleitores cariocas de Heloísa Helena, que tendem a votar em Denise Frossard. Será interessante acompanhar o resultado desta eleição maluca e cruzar os dados da votação para governo e para presidente. No primeiro turno, Lula venceu com 49% no Rio. Alckmin teve 28%. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 9,2 milhões.

Paraná: Os três Estados do Sul são os mais problemáticos para Lula. No Paraná, o governador Roberto Requião (PMDB) deve ser levado a apoiar Lula, uma vez que seu adversário Osmar Dias (PDT) já declarou que está com Geraldo Alckmin. Na verdade, a questão do apoio é mais complicada para Requião, que não gostaria de se contaminar com a rejeição ao presidente na região Sul, onde Alckmin teve sua melhor votação, com 55%. No Paraná, o tucano conseguiu 53%. Lula tentará diminuir a diferença colando em Requião, governador que aitem alta popularidade, especialmente no interior. Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 5,9 milhões.

Santa Catarina: O governador Luiz Henrique, candidato à reeleição, fechou com o PSDB local e apóia Alckmin. Lula não terá apoio formal no Estado, o que dificulta bastante o seu trabalho de convencer os catarinenses a mudar de lado – Alckmin teve 56% do total de votos no Estado. Esperidião Amin (PP), adversário de Luiz Henrique, até deve ser simpático a Lula, mas o presidente terá mesmo que lutar sozinho . Total de eleitores que votaram no primeiro turno no Estado: 3,58 milhões.

Rio Grande do Sul: Outra parada duríssima para Lula, embora o cenário pudesse ser ainda pior. Se Olívio Dutra (PT) estivesse enfrentando o governador Germano Rigotto (PMDB) no segundo escrutínio, o PSDB não hesitaria em apoiar o atual ocupante do palácio do Piratini e as coisas estariam ainda pior para o presidente. Olívio enfrentará Yeda Cruisius e Rigotto já prometeu ficar neutro, embora os deputados do PMDB queiram apoiar Yeda e Alckmin. Paradoxalmente, o melhor para Lula era que Rigotto e Yeda se enfrentassem, pois neste caso PT e PMDB estariam unidos em torno da sua candidatura. Olívio, porém, tem a vantagem de já ter passado pelo governo gaúcho e de ostentar um forte vínculo local, coisa que o eleitorado do Rio Grande aprecia. Yeda, para quem não sabe, é paulista. Faz muita diferença.

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