domingo, 29 de outubro de 2006

O segundo turno fortaleceu Lula













Acabou a guerra e Luiz Inácio Lula da Silva saiu desta eleição maior do que entrou. Pode parecer uma piada, mas com os 58 milhões de votos que obteve neste domingo, o presidente reeleito deveria agradecer aos céus pela desastrada Operação Tabajara, que levou a disputa eleitoral para o segundo turno. O raciocínio é simples: se Lula tivesse vencido no primeiro turno, teria obtido uma maioria bem mais estreita, algo em torno de 51% , 52% dos votos válidos. Começaria a sua segunda gestão emparedado por denúncias de corrupção no primeiro mandato e precisaria realizar uma exaustiva negociação para obter maioria no Congresso. Graças aos "aloprados", porém, a eleição foi para uma segunda rodada e Lula obteve uma vitória magnífica, praticamente do tamanho da que conseguiu em 2002.

É preciso ler os números com atenção: a votação de hoje – 60% dos votos válidos – foi um ponto percentual menor do que a de 2002, contra José Serra. Em 2002, porém, Lula estava na oposição, enfrentando um candidato que nem sequer conseguia defender o governo do qual fez parte. A economia patinava, o dólar estava na casa dos R$ 4, o risco-país passava de 2 mil pontos. Havia quase que uma unanimidade de que a situação brasileira era catastrófica. Na vitória de 2006, a história foi diferente: Lula estava defendendo o governo e o candidato da oposição focou o seu discurso nas denúncias de corrupção da atual administração federal e em uma crítica feroz à "falta de crescimento" do Brasil. Mesmo assim, Lula repetiu a votação de 2002.

As explicações para o tamanho da vitória de Lula serão muitas: alguns dirão que foi a economia, outros que o carisma do presidente preponderou e não vai faltar engenheiro de obra feita para afirmar que na verdade, foi a oposição que perdeu, ao escolher Alckmin. Vamos com calma. Apesar de Geraldo Alckmin ter obtido menos votos do que no primeiro turno, ele ganhou de Lula em 7 Estados – Serra venceu em apenas um em 2002. Ninguém acreditava muito no "picolé de chuchu, mas ele se mostrou competitivo no primeiro turno.

Quanto à economia, se é verdade que o Brasil melhorou, não houve o tal espetáculo do crescimento e o país está crescendo menos do que os demais países da região, de forma que não dá para aplicar o bordão "é a economia, estúpido". O carisma de Lula é grande, mas também não cabem nele os 60% dos votos válidos obtidos neste segundo turno. Na verdade, este blog acredita que uma conjunção de fatores levou a uma vitória tão extraordinária do presidente Lula – incluídos os três recém citados. Além deles e da rejeição do povão às privatizações tucanas, porém, é preciso levar em conta uma questão que foi pouco falada ao longo da campanha: as oposições vieram para a eleição sem um projeto alternativo ao de Lula. E não foi só Alckmin, é bom que se diga: Cristovam Buarque e Heloísa Helena também não conseguiram mostrar em detalhes o que poderiam fazer de diferente. Cristovam apenas dizia que daria mais dinheiro para a educação e a senadora do PSOL, nos poucos momentos em que não estava vociferando contra os "dólares nas genitálias masculinas", era incapaz de explicar o que faria no Palácio do Planalto. Alckmin, ao longo do segundo turno, também não explicou o que significava o seu "choque de gestão". Ora, ninguém troca o certo pelo duvidoso, como bem sintetizou a letra do jingle de Lula.

Lula venceu porque a aprovação ao seu governo é alta (53% dizem que é ótimo ou bom e quase 30%, que é regular) e porque a oposição não tinha o que oferecer. A primeira coisa para tentar tirar um presidente popular do cargo é dizer o que vai ser feito no lugar. Ninguém ofereceu o básico, portanto, o povão preferiu continuar com o feijão-com-arroz lulista a colocar o país em uma nova aventura. É simples assim.

Lula é reeleito presidente do Brasil

Já não dá mais para Geraldo Alckmin. Matematicamente, Lula está reeleito, com pouco mais de 60% dos votos válidos. Até agora, ele tem 50 milhões de votos e Alckmin, 33 milhões – no primeiro turno, o tucano chegou a 39 milhões e deve ficar abaixo deste patamar na eleição de hoje, o que seria inédito em uma disputa presidencial.

Boca de urna: Requião, Ana Júlia, Yeda, Lago, Cabral e Campos serão governadores

De acordo com os números das pesquisas de boca de urna do Ibope divulgados agora pela TV Globo, serão eleitos governadores de seus estados os candidatos Roberto Requião (PMDB), no Paraná; Ana Júlia Carepa (PT), no Pará; Jackson Lago (PDT), no Maranhão; Eduardo Campos (PSB), no Pernambuco; Sérgio Cabral (PMDB), no Rio de Janeiro; Luiz Henrique da Silveira (PMDB), em Santa Catarina; e Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul.

Confirmados esses resultados, o PMDB é o grande vitorioso na eleição estadual, com 7 governos e ainda a possibilidade de vitória na Paraíba, onde não foi feita pesquisa.

Agora quem fala é o povo

Mais uma vez em menos de 30 dias, chegou a hora de falar o povo brasileiro. Muita gente não gosta, acha muito ruim esse negócio de delegar ao povaréu a tarefa de escolher o chefe da Nação, mas democracia é assim: na hora da decisão, cada cabeça é um voto e a soma diz o que o País realmente quer para os próximos 4 anos. Se dependesse dos tantos çábios que pontificam na imprensa, a parada já estaria resolvida e Geraldo Alckmin seria o presidente entre 2007 e 2010. É chato para alguns, mas é assim na democracia: quem escolhe é o povo e Lula está com a mão na faixa.

A campanha de 2006 e o seu significado ainda estão por ser explicados - tarefa na qual este blog promete se empenhar a partir de segunda-feira, com um breve intervalo entre os dias 1 e 15 de novembro –, mas a hora ainda não é de explicar, e sim de desejar a todos um bom voto, com os olhos voltados para o futuro do Brasil e a construção de uma Nação menos desigual, em que todos possam ter uma vida melhor.

sábado, 28 de outubro de 2006

Tucano diz que vai para Dagobah...

Augusto Franco não é um tucano qualquer. Trabalhou com Ruth Cardoso no Comunidade Solidária, é amigo de Fernando Henrique, andou prestando serviços à prefeitura paulistana sob José Serra. Ao longo da campanha, Franco fez muitas críticas ao PSDB, mas nesta reta final parece ter perdido o juízo ou o senso do ridículo. Em seus sites Augusto de Franco e Democracia, ele publica hoje uma série de artigos sobre Dagobah, o local onde o mestre Jedi Yoda, da série Guerra nas Estrelas, teria se exilado por 20 anos após a vitória do lado negro da Força, representado por Darth Vader. Franco faz uma analogia mequetrefe entre Lula e Darth Vader - deve achar que Gabriel Chalita poderá ser o próximo Luke Skywalker – e diz que está se recolhendo para Dagobah, sabe-se lá se por duas décadas mesmo ou até algum piedoso correligionário lhe oferecer um bom carguinho no aparelho estatal paulista (alguém aí falou em aparelhamento?).

Augusto de Franco, coitado, é apenas um exemplo de quão devastadora será a vitória do presidente Lula no ninho tucano. Que vem por aí uma crise no PSDB, e das grandes, não resta dúvida. O tamanho da crise vai depender muito do comportamento de duas lideranças: José Serra e Aécio Neves. Se Aécio sair do partido logo, o PSDB fica na mão de Serra, pois Alckmin, outro coitado, não terá nem com quem fazer acordo para se fazer respeitado. Aécio permanecendo, o jogo fica mais equilibrado e o PSDB corre o risco de passar pelo mesmo problema de 2006 em 2010.

Mas é de fato muito cedo para especular sobre o futuro das lideranças tucanas – a prudência recomenda pelo menso esperar até 2008. Quanto a Augusto de Franco, por fim, este blog lhe deseja uma boa viagem a Dagobah, carregando a obra completa – são 38 livros, se não falha a memória – do filósofo Chalita. Não farão muita falta.

Datafolha e Ibope: Lula 22 pontos à frente

As duas pesquisas realizadas hoje apontam a vitória do presidente Lula por 22 pontos percentuais de diferença sobre Geraldo Alckmin, conforme relata matéria abaixo, do site G1.

Que Lula vai ganhar, ninguém mais duvida neste país, como ele gosta de dizer. nem Geraldo Alckmin crê em virada. Sendo assim, este blog passa a aceitar apostas para o número de votos que o presidente terá neste domingo. O homem com mais votos em uma única eleição na história mundial é George W. Bush, que obteve 58,8 milhões em 2004. Em 2002, Lula obteve quase 53 milhões. Para Lula superar a votação de Bush, a abstenção precisa ser baixa. Este blog acha que Lula chega a 60 milhões, mas não passa muito disto.

A seguir, a matéria do G1:


LULA CHEGA AO DIA DA ELEIÇÃO COM MAIS DE 20 PONTOS DE VANTAGEM
Pesquisas de Datafolha e Ibope apontam vantagem de 21 e 22 pontos, respectivamente, sobre Geraldo Alckmin

Pesquisas do Datafolha e do Ibope divulgadas neste sábado (28) pelo “Jornal Nacional”, da TV Globo, apontam vantagem de mais de 20 pontos percentuais de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre Geraldo Alckmin (PSDB) nas intenções de voto para presidente.
Datafolha
Pelo Datafolha, o candidato petista continua com os 21 pontos de vantagem, já que ambos mantiveram os mesmos percentuais do levantamento anterior: 58% (Lula) e 37% (Alckmin). Os brancos e nulos somaram 3% e os indecisos, 2%.
Segundo o Datafolha, o candidato do PT seria reeleito com 61% dos votos válidos, enquanto o tucano teria 39%. Os dois presidenciáveis mantiveram os mesmos percentuais da pesquisa anterior, que foi divulgada na última terça-feira (24).
A margem de erro do Datafolha é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Com isso, Lula teria entre 59% e 63% dos votos válidos, enquanto o percentual de Alckmin ficaria entre 37% e 41%.
A pesquisa do Datafolha foi realizada nesta sexta-feira (27) e sábado (28) e registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número 23522/2006. O instituto entrevistou 12.561 eleitores em 356 municípios do País.
Ibope
No levantamento do Ibope, Lula também se manteve estável, com 58% das intenções de voto, enquanto Alckmin oscilou positivamente um ponto, de 35% para 36%. Os brancos e nulos somaram 3% e os indecisos, também 3%
Considerando apenas os votos válidos (sem brancos, nulos e indecisos), o instituto indica quadro semelhante ao do Datafolha. Pelo Ibope, Lula também teria 61% dos votos contra 39% de Alckmin. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Registrado no TSE sob o número 23522/2006, o levantamento do Ibope foi realizado neste sábado, véspera do segundo turno da eleição. O instituto ouviu 8.680 eleitores em 465 municípios.

Ricardo Musse: debate na Rede Globo foi bem mais tenso do que se poderia prever

Este blog tem a honra de contar a partir de hoje com a colaboração de Ricardo Musse, professor do departamento de sociologia da Universidade de São Paulo, doutor em Filosofia pela USP e um dos maiores especialistas brasileiros em sociologia histórica do marxismo. Neste primeiro texto, Musse analisa o debate da TV Globo e afirma que a tensão e o nervosismo dominaram o programa. A seguir, a íntegra do comentário do professor:

O debate foi tenso, muito mais do que era previsível, tendo em vista que a eleição – como apontam todas as pesquisas – já está decidida. O que se jogava ali era o tamanho da vitória de Lula. A diferença entre os votos é irrelevante para decidir o resultado da eleição, basta ter um voto a mais, mas é decisiva para o futuro político dos dois candidatos. Uma margem ampla garante a Lula facilidades na negociação política, na “governabilidade”. Uma margem estreita qualifica Alckmin para postular a presidência em 2010.

O nervosismo dos candidatos, mais evidente no primeiro bloco, menor ao final, advinha também das regras e da parafernália do modelo imposto pela Rede Globo. Eles demoraram a se localizar no espaço, a aprenderem para qual câmara olhar. O cuidado em não errar era maior que o esforço de acertar. Utilizaram pouco um recurso que, diferentemente dos outros debates, este permitia: quem falava por último podia fazer afirmações fortes contra o adversário sem ser contestado. Não havia como retrucar na fala seguinte, recurso utilizado recorrentemente nos debates anteriores.

Alckmin entrou no debate com a vantagem do franco-atirador. Sua tarefa consistia em semear a dúvida no eleitor que entre um turno e outro decidiu-se por Lula. Desempenhou-se bem nesse ponto, mas logo tornou a exagerar no tom e recaiu no erro mais primário de sua campanha – dizer que tudo vai mal num país em que o governo detém indíces recordes de apovação.

A tarefa de Lula era mais difícil, consistia em não perder os votos de milhões de eleitores que agragou a sua campnha nesse segundo turno. Procurou afastar-se de temas e posições polêmicas e sentiu-se pouco à vontade neste papel. Teve seus melhores momentos quando Alckmin o forçou a tomar posição. Na situação de confronto seu discurso (como se deu ao longo do segundo turno) encaminhou-se para a esquerda e transmitiu ao eleitor uma maior credibilidade.

Ainda sobre o debate

Foi meio patético ver o tucano Geraldo Alckmin acusar Lula de "privatista" na questão da Amazônia, no debate da TV Globo. Não dá para entender por que o PSDB não assume de vez que é, sim, favorável às privatizações e defende o que foi feito durante o governo Fernando Henrique Cardoso. Pode não dar voto, mas seria mais digno. No Brasil, a direita não gosta de dizer que é... direita. Alckmin mesmo não falou outro dia que estava "à esquerda" de Lula. Quem escuta um troço desses deveria reclamar no Procon - ou propaganda enganosa é em outro departamento?

Mais do mesmo no debate da TV Globo

Ninguém aguenta mais ouvir Lula e Alckmin falando de números que, a rigor, só as assessorias dos candidatos conhecem em detalhes. Para o eleitor, a coisa toda é de pouca valia: ninguém vai mudar de opinião se o número de Alckmin estiver errado e o de Lula, correto. O voto já está muito cristalizado e os debates foram momentos apenas para os dois postulantes à presidência aparecerem na telinha um pouco mais do que no horário eleitoral. Evidentemente, o confronto é sempre mais fácil para quem está na oposição – Lula sabe bem disto –, mas debates só mudam a história em casos excepcionais, como um desastre na performance de um ou de outro. A rigor, este programa da Globo não deve ter grande influência no resultado da eleição. O jogo está jogado e no domingo, Lula deverá ser reeleito. A questão agora é saber se ele terá mais ou menos votos, proporcionalmente, do que em 2002. Se tiver mais, seu governo começará muito mais forte do que a oposição imaginou durante todo o processo. Se tiver menos, terá que calçar as tais sandálias da humildade e negociar bastante. Faz parte da democracia e é bom que seja assim.

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Um debate que perdeu o brilho

Quando a eleição de 1° de outubro acabou e o resultado indicou a realização de segundo turno, muita gente imaginou que o debate desta noite, na TV Globo, seria o ápice de uma campanha tensa e dramática. Chegou a hora do derradeiro encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva e Geraldo Alckmin e o clima é bem outro – a impressão que se tem é que ninguém está ligando a mínima para o debate. É óbvio que nenhum dos dois candidatos pode errar demais, porém, como observou o prefeito Cesar Maia em seu ex-blog, já não há tempo para uma mudança significativa de opinião no eleitorado. No fundo, o debate vai servir para os dois lados marcarem algumas posições: Alckmin pode tanto manter a postura "Mike Tyson" e sinalizar que pretende disputar o tal "terceiro turno" ou então amainar o discurso e falar para o seu público interno, inaugurando assim a guerra pela presidência do PSDB. Lula, de sua parte, também poderá mandar recados ou pistas sobre o comportamento de seu governo no próximo mandato. Neste final de campanha, ele talvez tenha ido mais à esquerda do que pretendia e, portanto, alguma concessão para a esquerda terá que ser feita, mesmo a contragosto. Por outro lado, é provável que o presidente sinalize, muito nas entrelinhas, "mais do mesmo" da política econômica ortodoxa que vem adotando. Tudo somado, a eleição provavelmente não muda nada com o debate de hoje e o Brasil muda quase nada com a eleição deste ano. A confirmar.

A cara do Brasil


A reta final da campanha eleitoral na lente
da repórter Elza Fiúza, da Agência Brasil

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Tucanos discutem se Serra também perderia

O maior debate nos blogs e sites tucanos já não é mais sobre os erros de todas as pesquisas às vésperas do segundo turno (seria engraçado mesmo todos os institutos errarem e só o tal do tracking do Geraldo acertar...), e sim sobre a correção da escolha de Geraldo Alckmin para disputar a presidência. Vingança é um prato que se come frio e gente que sempre defendeu a candidatura de José Serra agora começa a colocar a cabeça de fora e lembrar o velho bordão: "não digam que eu não avisei".

Engenheiro de obra feita, porém, é a coisa mais fácil de se achar por aí e a história que não aconteceu jamais será contada, portanto ninguém pode dizer com certeza que Serra estaria em melhor posição do que Geraldo Alckmin. Este blog tem um palpite a respeito de como as coisas se sucederiam se Serra fosse o candidato do PSDB. Em primeiro lugar, os tucanos teriam muita dificuldade para achar um candidato viável para o governo paulista – é lícito supor que a indicação seria de Alckmin, caso ele fosse preterido na disputa presidencial. Os nomes aventados no início do ano eram os dos secretários Gabriel Chalita, Emanuel Fernandes ou mesmo Saulo de Castro Abreu Filho, todos muito fracos. Neste cenário, também seria razoável supor que Aloizio Mercadante iniciasse a campanha na frente. No plano federal, talvez Serra conseguisse chegar ao patamar dos 30% mais rápido do que Alckmin, até por ser mais conhecido Brasil afora.

A partir deste ponto, a especulação torna-se mais difícil. A estratégia de Serra na campanha para o governo do Estado foi exatamente igual à de Alckmin no plano federal – até o marqueteiro foi o mesmo. Serra faria tudo diferente? Se fizesse, daria certo?

A verdade é que Lula estando blindado contra as denúncias de corrupção, o que sobra para discutir é a economia. E como a economia vai bem, o discurso de mudança não funciona. Assim, Serra teria muitas dificuldades para crescer. Ironicamente, é possível supor que sem um tucano forte concorrendo ao governo de São Paulo, não haveria tentativa de compra de dossiê e, portanto, a eleição talvez fosse decidida no primeiro turno. O maior risco seria o PSDB perder o governo federal e também São Paulo, o que praticamente liquidaria o partido.

Deus escreve certo por linhas tortas e Alckmin pode realmente ter prestado um serviço a seu partido, quando insistiu em candidatar-se à Presidência. Os serristas não vão gostar, mas talvez José Serra, no íntimo, saiba que tudo isto é bem plausível.

Pesquisas Vox Populi e Sensus mostram Lula acima de 60% das intenções de voto

As pesquisas divulgadas nesta quinta-feira representam uma verdadeira pá de cal nas esperanças do tucano de virar o jogo. Pelos números do instituto Sensus, o presidente Lula tem 24 pontos a mais do que Alckmin na conta da pesquisa estimulada (57,5% a 33,5%). Considerando os votos válidos, Lula teria 63,2% e Alckmin, 36,8% – uma diferença de 26,4 pontos percentuais.

O levantamento do Sensus mostra ainda que Lula tem 74,8% dos votos no Nordeste, contra 18,6% de Alckmin. No Sudeste, o petista aparece com 50,9%, e o tucano com 36,7%. No Norte e Centro-Oeste, Lula vence Alckmin por 58,3% a 38,4%. A disputa é acirrada no Sul, segundo a pesquisa. Lula tem 45,5% contra 45,2% do adversário.

Os números do Vox Populi também não são nada animadores para Alckmin: Lula, em alta, estava com 61% das intenções de voto e Alckmin, em baixa, tinha 39%, considerados os votos válidos. Na pesquisa estimulada, Lula teria 57% e Alckmin, 37%.

quarta-feira, 25 de outubro de 2006

O calendário das pesquisas

Confira abaixo, em matéria da Agência Etado, as próximas pesquisas eleitorais que serão divulgadas entre amanhã e domingo.

Ibope e Datafolha registram mais pesquisas no TSE

Levantamentos poderão ser divulgados no sábado

Flavio Leonel


SÃO PAULO - Os institutos Ibope e Datafolha registraram mais duas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno das eleições presidenciais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). De acordo com dados atualizados nesta quarta-feira no site do tribunal, os institutos encaminharam os protocolos de registros ao TSE na segunda-feira.

Segundo a Lei Eleitoral, os institutos são obrigados a fazer o registro da sondagem de opinião no TSE no prazo de até cinco dias antes da divulgação dos resultados, o que indica que os levantamentos poderão ser divulgados a partir do sábado (28).

O Ibope informou ao TSE que pretende entrevistar 8.680 brasileiros entre a sexta-feira (27) e o sábado, mesmo período de realização da pesquisa do Datafolha, que deverá entrevistar 12.820 pessoas.

A pesquisa do Ibope foi registrada com o número 23498/2006 e encomendada pela Globo Comunicação e Participações (TV Globo). Já o levantamento do Datafolha foi registrado com o número 23522/2006 e foi encomendado em conjunto pela empresa Folha da Manhã, que edita o jornal Folha de S. Paulo, e pela Globo.

As duas pesquisas se juntam às já previstas para divulgação nesta semana. Além do levantamento de terça-feira do Datafolha, que apontou aumento da vantagem do presidente e candidato à reeleição pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, sobre o presidenciável da coligação PSDB-PFL, Geraldo Alckmin (PSDB), de 19 para 21 pontos (58% a 37%), são aguardadas pesquisas dos institutos Sensus (registro 23029/2006), Vox Populi (23301/2006) e Ibope (23351/2006).

A pesquisa do Vox Populi, contratada pela Editora Confiança, que publica a revista Carta Capital, entrevistou 2 mil pessoas do País entre a segunda e a terça-feira, mas, por conta da circulação da revista começar na sexta-feira, deverá ser divulgada somente os dias 26 e 27.

O levantamento do Ibope, foi contratado pela TV Globo e está entrevistando 3.010 pessoas de diferentes Estados desde a segunda até amanhã, data provável da divulgação.

No decorrer da semana, também deverão ser registrados no TSE, para divulgação no domingo, após o horário de votação do País, as tradicionais pesquisas de boca-de-urna.

Falta de projeto derrotou Alckmin

A eleição presidencial caminha para o desfecho esperado, com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por ampla margem de votos. É bem verdade que o percurso foi mais complicado para Lula do que se imaginava, com a disputa sendo postergada para o 2° turno após o episódio da tentativa de compra de um suposto dossiê contra políticos tucanos.

No PSDB, poucas lideranças ainda tentam disfarçar algum otimismo com a eleição de domingo, mas nos bastidores o que se vê é o início de uma crise – situação natural em qualquer derrota, é bom que se diga – para lavar a roupa suja e achar os culpados para o desfecho infeliz. O senador Álvaro Dias (PR), por exemplo, se antecipou e já encontrou um: o marqueteiro Luiz Gonzáles. Segundo relato de Ricardo Noblat, em seu blog, Dias afirmou o seguinte: “O programa do Alckmin é inferior ao programa do Lula. Faltou emoção, indignação e criatividade. Faltou estratégia e comunicação competente.”

O senador certamente entende muito de eleição – acaba de ser reeleito com folga no Paraná –, mas este blog vê o processo de forma diferente. A derrocada de Alckmin não se deu pelo tipo de trabalho concebido por Luiz Gonzáles, mas foi a derrota de uma estratégia que apostava única e exclusivamente no desgaste político de Lula para vencê-lo nas urnas.

De fato, o maior problema da candidatura de Geraldo Alckmin foi a ausência de um projeto alternativo para o Brasil. O máximo que o tucano conseguiu dizer ao longo da campanha é que iria cortar gastos e juros, diminuir impostos e “pisar no acelerador” para o País crescer. Se fosse fácil assim, o gerente de qualquer loja do Pão de Açúcar seria um ótimo presidente da República...

Na verdade, Alckmin não conseguiu dizer bem ao certo o que iria fazer porque quase não tem divergências em relação à gestão do presidente Lula. Apresenta, sim, divergências na dosagem do remédio, mas a prescrição é a mesma. O viés conservador em aspectos sociais comportamentais é diferença menor, na essência Alckmin defende a política econômica praticada hoje. Desta forma, sem projeto alternativo e com um candidato sem carisma algum, a tática tucana que sobrou foi a do foco na "ética", com um discurso udenista que a população logo rejeitou, talvez lembrando o antigo ditado: “Não se fala em corda em casa de enforcado”.

Tucanos já estão jogando a toalha

Basta uma rápida navegada pelos blogs e sites tucanos ou "anti-lulistas" para perceber que o clima entre os apoiadores de Geraldo Alckmin é de grande decepção com a pesquisa Datafolha divulgada ontem. O jornalista Reinaldo Azevedo, por exemplo, escreveu o seguinte: "É claro que não dá mais. Segundo o Datafolha, cujo levantamento foi feito ontem e hoje, Lula oscilou de 57% para 58%, e Alckmin, de 38% para 37%. Nos votos válidos, Lula cresce um ponto, e Alckmin cai um. A diferença, que era de 20 pontos no Datafolha, agora está em 22. É o número que o Vox Pupuli apontava na semana passada. No caso do Ibope, já são 24. Digamos que a diferença seja a metade: 10 ou 11 pontos. Ainda assim, não dá mais." Além de comentar a derrota anunciada, Reinaldo também já começou a "lavar a roupa suja" e diz que José Serra deveria ter sido o candidato à Presidência.

O prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia (PFL), tenta animar a sua tropa e joga todas as fichas no último debate da TV Globo, mas reconhece que a situação é muito difícil. A eleição parece decidida e a maior parte dos líderes partidários que de fato contam já estão pensando no dia seguinte – na governabilidade e no novo desenho político que o segundo mandato terá. Também já é possível ouvir comentários sobre o ministério – Marta Suplicy e Delfim Netto, por exemplo, poderão ser caras novas no governo.

terça-feira, 24 de outubro de 2006

Datafolha: Lula 61% x 39% Alckmin

Este blog acertou. Lula subiu um ponto, Alckmin caiu um. A parada está quase decidida. Sexta-feira, tem Ibope e Vox Populi e no sábado à noite, Datafolha de novo.

Os grandes amigos de Geraldo Alckmin


Charge do Agê que estará na edição do DCI de quarta-feira

Jorge Rodini: a importância dos debates

Em mais uma colaboração para o Entrelinhas, Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia de pesquisas envia um comentário sobre o debate de ontem entre Geraldo Alckmin e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para Rodini, os debates podem, sim, mudar uma eleição. Leia abaixo o comentário do especialista.


O debate entre os presidenciáveis, ontem, na Rede Record foi o melhor dos três realizados neste segundo turno. Um debate pode, sim, mudar os caminhos de umna campanha eleitoral. Muito mais pelo que os candidatos não dizem do que pelo que afirmam. Alckmin, ontem, foi incisivo sem ser grosseiro. Conseguiu atacar, nas entrelinhas. Foi programático, sem ser muito detalhista. Lula tentou manter seu enorme eleitorado usando emoção quando falava do Nordeste. Foi cansativo na repetição de algumas expressões e tropeçou na gramática em várias situações.

Alckmin pareceu um pouco nervoso no início e Lula irônico demais no meio do debate.
Alckmin achou o tom e Lula está muito senhor de si, extremamente confiante na vitória.

Engraçado alguém ainda achar que debate não tem tanta importância. Claro que tem: dois homens que almejam governar o Brasil têm muito o que aprender com este fantástico elemento democrático, tão esperado pelo povo brasileiro. Que se preparem ainda mais para o grande debate de idéias e programas da Rede Globo, na quinta-fiera.

Datafolha vem aí

Faltam poucas horas para a divulgação da pesquisa Datafolha realizada ontem e hoje. Este blog não consulta videntes, mas tem o palpite de que a diferença entre Lula e Alckmin vai oscilar na margem de erro, a favor de Lula. Em votos válidos, 61% a 39% para o presidente. Sem os Ipods e outros prêmios que os blogs ricos podem oferecer, o Entrelinhas aceita palpites sobre os números da pesquisa.

O debate dos marqueteiros

O debate da TV Record foi, de longe, o mais monitorado pelos marqueteiros dos candidatos à Presidência. Se no programa da TV Bandeirantes o Brasil conheceu a porção "pitbull" de Geraldo Alckmin e no SBT ele recuou em demasia, na Record o tucano tentou ser firme, mas sem perder a ternura. Lula, por outro lado, está afiado e com respostas na ponta da língua para qualquer tipo de provocação. Usou a ironia algumas vezes, mas não tantas quanto no debate do SBT, e também abandonou a leitura exaustiva dos números e realizações de seu governo. Tudo isto é resultado do trabalho dos marqueteiros, que procuram sanar os pontos fracos apontados pelas pesquisas qualitativas e reforçar o que foi considerado bom pelos entrevistados na performance anterior de seus clientes-candidatos.

O maior problema deste tipo de preparação para os debates é que eles estão ficando muito repetitivos. Ninguém aguenta mais ouvir Alckmin dizer que é diferente de Lula – se fosse igual, não estaria tentando evitar a reeleição do atual presidente, por certo...

De fato, quem acompanha mais de perto os discursos dos dois candidatos já é capaz de antecipar, no tempo em que a pergunta está sendo formulada, o que cada qual vai dizer em seguida.
Também é possível perceber melhor as estratégias de Lula e Alckmin. O ex-governador de São Paulo, por exemplo, incorporou aquela maneira meio piegas que a senadora Heloísa Helena tinha de abrir o programa agradecendo o "carinho, as flores e os beijinhos das crianças e dos homens e mulheres de bem deste país". Alckmin só não agradeceu os beijinhos, de resto fez tudo igual. Soou bem estranho, mas vai saber o que as qualitativas dizem... Talvez seja o único jeito encontrado por Luiz Gonzáles para atrair o eleitorado da candidata do PSOL Lula, por sua vez, exagerou um pouco na ênfase para a sua política externa - de fato, é um ponto forte de seu governo, mas duas perguntas quase seguidas sobre o mesmo assunto, com os mesmos argumentos sendo repetidos de parte a parte, é um teste para a paciência até do pessoal do Itamaraty. Alckmin também tentou "desconstruir" a boa imagem de Lula entre os nordestinos, mas talvez o tiro tenha saído pela culatra, porque a resposta do presidente foi muito boa e indignada, frente a uma tréplica quase assustada do candidato tucano.

Ao fim e ao cabo, os dois candidatos tiveram bons e maus momentos e talvez o resultado final tenha sido um empate ou uma vitória magra de qualquer um deles, a gosto do freguês – lulistas terão preferido o desempenho do presidente; alquimistas dirão que o vitorioso foi o pitbull light que entrou em campo nesta segunda-feira. É bom lembrar, e talvez seja este o ponto crucial desta reta final da campanha, que Alckmin continua resistindo a desferir ataques pessoais contra o candidato à reeleição. A tal bombástica capa da revista Veja, conforme este blog previu, ficou de fora do debate. O problema todo é que se Alckmin citar a denúncia sobre o filho do presidente, pode mais uma vez dar a Lula o papel de vítima que ele tem utilizado com bastante eficiência. Se não houver um desastre no debate final, na TV Globo, é realmente pouco provável que Geraldo Alckmin consiga uma virada. Nesta terça, mais emoção: vem aí a pesquisa Datafolha, que será divulgada logo mais, às 20h, no Jornal Nacional da TV Globo.

segunda-feira, 23 de outubro de 2006

Sobre o debate desta noite

Os poucos e fiéis leitores deste blog estão ansiosos para saber como será o debate desta noite na TV Record. É difícil prever. Geraldo Alckmin precisa apresentar algo novo, tentar surpeender o seu adversário, porque as pesquisas mostram que se o pleito fosse hoje, Lula seria reeleito por larga margem. Por outro lado, se Alckmin voltar ao estilo "Mike Tyson", poderá ser surpreendido, uma vez que Lula certamente já tem uma tática montada para este tipo de combate. Para Lula, um debate parecido com o do SBT seria o ideal – mesmo uma derrota discreta no encontro seria suficiente para manter a grande distância que o separa do tucano nas pesquisas.

O signatário dessas Entrelinhas estará nos estúdios da Record, na Barra Funda, para conferir a temperatura política. A aposta do blog é que o encontro será um meio-termo entre a explosão de tensão do primeiro debate e a sonolência do segundo. Os adversários estão se estudando, já conhecem os pontos fortes e fracos do oponente e deverão fazer um jogo mais cerebral, com foco no que as pesquisas qualitativas dos últimos dias têm apontado de positivo e negativo nos discursos e programas televisivos dos candidatos. Este blog também não acredita, por fim, que os assuntos familiares do presidente e do ex-governador paulista venham à tona no programa de hoje.

Lula bate Alckmin por 59% a 28% no Rio

O presidente Lula está nadando de braçada no Rio de Janeiro, conforme revela a matéria abaixo, da Agência Estado. Enquanto o presidente conseguiu agregar 10 pontos percentuais em relação à sua votação no primeiro turno no Estado, Alckmin não ganhou um voto sequer, patinando na faixa dos 28%. Em tese, os números revelam que todos os eleitores cariocas que votaram em Heloísa Helena ou Cristovam Buarque estão decididos agora a ir de Lula, anular ou votar em branco, mas não em Geraldo Alckmin. Como se pode ver, o acordo com Anthony Garotinho não parece ter sido boa estratégia para o candidato tucano.

Lula leva votos de candidatos derrotados no Rio

Eleitores de candidatos ao governo tendem a votar em Lula

Adriana Chiarini


RIO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tende a receber no Estado do Rio de Janeiro a maior parte dos votos de eleitores de candidatos que não passaram para o segundo turno, indicam as pesquisas de opinião.

Entre os fluminenses, Lula está com 59% das intenções de voto para presidente e o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, com 28%, segundo pesquisa do Ibope realizada entre segunda e quarta-feira da semana passada para a Globo. No primeiro turno, Lula teve 49,19% dos votos válidos no Estado do Rio e Alckmin, 28,86%.

As intenções de voto em Lula aumentaram em relação à pesquisa anterior do Ibope no Estado, realizada entre 9 e 11 de outubro, que mostrou 57% de intenções de voto nele. Já Alckmin, caiu de 31% de intenções de voto em Alckmin para os 28%.

Na campanha para o segundo turno, Lula se aliou ao candidato a governador pelo PMDB Sérgio Cabral, que tem 60% das intenções de voto, de acordo com a pesquisa do Ibope da semana passado. De acordo com o Ibope, 72% dos eleitores de Cabral pretendem votar em Lula.

Já Alckmin é aliado da candidata Denise Frossard (PPS), que está com 30% das intenções de voto, e que logo após o primeiro turno chegou a dizer que votaria nulo para presidente.

O motivo é que Alckmin tirou fotos com o ex-governador do Rio Anthony Garotinho e de sua esposa, a governadora Rosinha Matheus, que foram lhe declarar apoio. Isso abriu uma crise com Frossard e um dos principais aliados de Alckmin no Estado, o prefeito do Rio, Cesar Maia (PFL). Frossard, que durante toda a campanha criticou Cabral, por ser aliado do casal.

Outro aliado de Alckmin, o candidato do PSDB ao governo do Rio, Eduardo Paes, derrotado no primeiro turno, declarou apoio a Cabral nesse segundo turno.

Além disso, o Rio foi capital do País, tem ainda grande número de órgãos federais e funcionários públicos. Também sedia estatais como a Petrobras, que teve sua sede "abraçada" na semana passada em ato promovido pelo PT. Apesar do tucano negar, a campanha de Lula insiste em que um eventual governo tucano demitiria funcionários públicos, cortaria seus salários e privatizaria a Petrobras, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil.

No Rio, no primeiro turno os candidatos à Presidência pelo PSOL, Heloísa Helena, e pelo PDT, Cristovam Buarque, foram proporcionalmente mais votados que em todo o País. Heloísa teve 17,13% dos votos válidos e Cristovam Buarque, do PDT, recebeu 4,47% dos votos válidos no Estado. No total do País, Heloísa ficou com 6,85% dos votos válidos e o pedetista com 2,64%.

Fernando Henrique volta a atacar

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participou nesta segunda-feira de evento de campanha do PSDB. Discursou e bateu forte no presidente Lula, a quem se referiu como "fanfarrão". Pelo visto, o pessoal do marketing de Alckmin não conseguiu convencer o ex-presidente a tomar o famoso chá do sumiço e o resultado é que cada vez que FHC abre a boca, Lula sobe mais um pouco nas pesquisas. A campanha do PT deve estar em festa nesta tarde, com mais um gol contra do tucanato.

Datafolha será divulgado no JN de amanhã

Apenas para complementar a nota de ontem, a pesquisa Datafolha está em campo nesta segunda e também amanhã, terça-feira. Com isto, não deve haver vazamento dos números na noite de hoje. A pesquisa foi contratada pelo jornal Folha de S. Paulo e pela TV Globo e vai entrevistar 7 mil eleitores.

sábado, 21 de outubro de 2006

Datafolha vai a campo na segunda

O instituto Datafolha já registrou pesquisa no TSE e estará em campo na segunda-feira. A pesquisa deve sair na edição de terça da Folha de São Paulo, mas os dados devem vazar na noite de segunda, quando o jornal estiver rodando. Aliás, a edição nacional da Folha deve começar a rodar justamente quando Alckmin e Lula estarão juntos, debatendo na TV Record.

A verdade é que se o presidente Lula mantiver a dianteira na pesquisa de segunda, Alckmin pode preparar o discurso de derrota para o domingo. Muita gente do PSDB, por sinal, já jogou a toalha e não acredita mais na virada. Dizem por aí que só o vereador José Aníbal tem certeza da vitória de Geraldo, mas este blog apurou que se trata de intriga interna do tucanato, uma maldade com o bom Aníbal. O problema todo é que os tucanos esperavam uma bomba na Veja e o que veio foi mesmo um traque, algo que nem sequer poderá ser usado na campanha tucana, porque pode se tornar mais um tiro no pé, como a já famosa pergunta de um transfigurado Alckmin no primeiro debate do segundo turno. "De onde veio o dinheiro sujo para comprar o dossiê fajuto?" Alckmin não vai esquecer tão cedo a pergunta que fez a Lula, até porque talvez tenham sido essas as palavras que enterraram a sua candidatura presidencial.

Professores dizem não a Geraldo (2)

A pedidos, o blog publica abaixo uma lista com os nomes mais conhecidos entre os mais 500 professores que assinaram o manifesto contra a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). É um time de peso, que desmistifica a idéia de que o presidente Lula só tem apoio entre os mais pobres e menos escolarizados. A julgar pelos nomes abaixo, a elite universitária está mesmo fechada com Lula.

Filosofia
Bento Prado Júnior (UFSCar)
Paulo Arantes (USP)
Carlos Nelson Coutinho (UFRJ)
Marilena Chauí (USP)
Newton Bignotto (UFMG)
João Quartim de Moraes (Unicamp)
Olgaria Matos (USP)
Otilia Fiori Arantes (USP)
Sérgio Cardoso (USP)
Vladimir Safatle (USP)
Wolfgang Leo Maar (UFSCar)
Ricardo Fabbrini (PUC-SP)
Rodrigo Duarte (UFMG)
Guido Antônio de Almeida (UFRJ)
Raul Landim Filho (UFRJ)
Arley Moreno (Unicamp)
Isabel Maria Loureiro (Unesp-Marília)
Marcelo Jasmin (PUC-RJ)

Marcos Lutz Muller (Unicamp)
Maria das Graças de Souza (USP)
Rosa Maria Dias (UERJ)
Vinicius Berlendis de Figueiredo (UFPR)
Marcelo Perine (PUC-SP)

História

Luiz Felipe de Alencastro (Sorbonne-Paris)
Luiz Alberto de Vianna Moniz Bandeira (UnB)
João José Reis (UFBA)
Francisco Carlos Teixeira Da Silva (UFRJ)
Ronaldo Vainfas (UFF)
Sidney Chalhoub
(Unicamp)
Ilmar Rohloff de Mattos (PUC-Rio)
Maria Aparecida de Aquino (USP)
Francisco Alambert (USP)
Pedro Puntoni (USP)

Crítica literária

Luiz Costa Lima (UERJ)
João Adolfo Hansen (USP)
Walnice Nogueira Galvão (USP)
Maria Luiza Ramos (UFMG)

Haquira Osakabe (Unicamp)
Flávio Kothe (UnB)
Flávio Aguiar (USP)
Wander Melo Miranda (UFMG)
Mamede Jarouche (USP)
Nádia Battella Gotlib (USP)
Vilma Areâs (Unicamp)

Antonio Arnoni Prado (Unicamp)
Tânia Pellegrini (UFSCar)
Cilaine Alves Cunha (USP)
Luiz Roncari (USP)
Sandra Guardini T. Vasconcelos (USP)
Zenir Campos Reis (USP)
Benjamin Abdalla Jr. (USP)
Francisco Foot Hardman (Unicamp)
Roberta Barni (USP)
Salete de Almeida Cara (USP)

Ciências Sociais

Maria Victória Benevides (USP)
Otávio Velho (UFRJ)
Maria Célia Paoli (USP)

Heloisa Martins (USP)
Maria Lygia Quartim de Moraes (Unicamp)
Emir Sader (UERJ)
José Ricardo Ramalho (UFRJ)
José Sérgio Leite Lopes (UFRJ)
José Vicente Tavares (URGS)
Giuseppe Cocco (UFRJ)
Celso Frederico (USP)

Ladislau Dowbor (PUC-SP)
Ricardo Musse (USP)
Ruy Braga (USP)
Célia Quirino (USP)

Walquíria Leão Rego (Unicamp)
Reginaldo Moraes (Unicamp)
Adalberto Cardoso (IUPERJ)
Laura Tavares (UFRJ)

Leonardo Avritzer (UFMG)
Liliana Segnini (Unicamp)
Celi Scalon (UFRJ)
Cibele Rizek (USP)

Bernardo Ricupero (USP)
Federico Neiburg (UFRJ)
João Roberto Martins Filho (UFSCar)
Iram Jácome Rodrigues (USP)
Rubem Murilo Leão Rego (Unicamp)
Evelina Dagnino (Unicamp)

Roberto Grün (UFSCar)
Angela Maria Carneiro Araújo (Unicamp)
Juarez Guimarães (UFMG)

Outros

Educação - Afrânio Catani (USP), Luiz Antônio Cunha (UFRJ), Pablo Gentili (UERJ)
Economia - Paul Singer (USP), Maria Rita Loureiro (USP)
Urbanismo - Ermínia Maricato (USP)
Comunicação - Ivana Bentes (UFRJ),
José Arbex Jr. (PUC-SP), Marcos Dantas (PUC-Rio), Venício Lima (UnB), Maria Aparecida Bacegga (USP)
Psicologia - Maria Helena Souza Patto (PUC-SP), Richard Simanke (UFSCar)

A montanha pariu um rato

A matéria de Veja sobre o filho de Lula está abaixo, na íntegra. É fraca, não traz nada de muito novo, apenas ilações e suposições. Uma baixaria que só tem precedentes no uso de Lurian por Collor de Mello, em 1989. Geraldo Alckmin não terá coragem sequer de perguntar a respeito nos próximos debates. Este blog tem a impressão de que foi um tiro na culatra: Lula e o PT poderão deitar, rolar e acusar Alckmin de desespero, de tentar usar baixarias para tentar virar o jogo. Esta imagem pode colar e ajudar Lula a obter uma votação consagradora.


"Porque não pode todo
mundo ser o Ronaldinho"

Eis a explicação do presidente
Lula para o tremendo sucesso
de seu filho Fábio Luís, que coincide
com o mandato presidencial do pai


Alexandre Oltramari

Como aconteceria com qualquer pai, o presidente Lula tem demonstrado o orgulho que sente pelo sucesso de seu filho Fábio Luís Lula da Silva. Aos 31 anos, Lulinha, apelido que ele detesta, é um empresário bem-sucedido. É sócio de uma produtora, a Gamecorp, que, com um capital de apenas 100.000 reais, conseguiu fazer um negócio extraordinário: vendeu parte de suas ações à Telemar, a maior empresa de telefonia do país, por 5,2 milhões de reais. Como a Telemar tem capital público e é uma concessionária de serviço público, a sociedade com o filho do presidente sempre causou estranheza. Na segunda-feira passada, em entrevista ao programa Roda Viva, Lula teve de falar em público sobre os negócios do filho. "Não posso impedir que ele trabalhe. Vale para o meu filho o que vale para os 190 milhões de brasileiros. Se têm alguma dúvida, acionem ele", afirmou. Dois dias depois, em entrevista à Folha de S.Paulo, o assunto Lulinha voltou ao foco. Os jornalistas lhe apresentaram uma questão formulada por um leitor do jornal, que não foi identificado. A pergunta dizia o seguinte: "Tenho 61 anos, sou pai de quatro filhos adultos, todos com curso superior, mas com dificuldades de bons empregos ou de empreender. Como é que o seu filho conseguiu virar empresário, sócio da Telemar, com capital vultoso de 5 milhões de reais?".

Em sua resposta, o presidente Lula começou explicando que seu filho virou sócio da Gamecorp quando a empresa, fundada por alguns amigos em Campinas, já tinha mais de dez anos de vida. "Eles fizeram um negócio que deu certo. Deu tão certo que até muita gente ficou com inveja", disse. Em seguida, o presidente fez menção às suspeitas que cercam a sociedade da Gamecorp com a Telemar. "Se alguém souber de alguma coisa que meu filho tenha cometido de errado, é simples: o meu filho está subordinado à mesma Constituição a que eu estou", disse o presidente, fazendo logo depois uma divagação comparativa que já nasceu imortal: "Porque deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho". Os entrevistadores gostaram do paralelo estabelecido pelo presidente entre seu filho e o astro do futebol e perguntaram se não seria mais fácil virar um Ronaldinho quando se é filho do presidente. Lula respondeu: "Não é mais fácil, pelo contrário, é muito mais difícil. E eu tenho orgulho porque o fato de ser presidente da República não mudou um milímetro o hábito dos meus filhos".


Antonio Milena
Michel Filho/Ag. O Globo
DUAS PERGUNTAS
Sede da Gamecorp em São Paulo (à esq.) e o prédio da Telemar, no Rio de Janeiro: por que a telefônica optou pela Gamecorp e por que a sociedade foi montada de modo a ficar sob sigilo?

Pouco ou nada se sabe dos hábitos dos filhos de Lula antes ou depois de o pai receber a faixa presidencial. Mas a trajetória profissional de Fábio Luís mudou e muito. Foi só depois da posse que seus dons fenomenais começaram a se expressar – e com tal intensidade a ponto de o pai ver nele um Ronaldinho dos negócios. Ele mostrou talento para as comunicações e, como se lerá nesta reportagem de VEJA, para a atividade de lobista junto ao governo. A reportagem revela que o filho do presidente associou-se ao lobista Alexandre Paes dos Santos, um personagem explosivo, que responde a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência. Esse dom do filho do presidente se revelaria ainda no episódio de sua associação com a Telemar.

Sabe-se agora que os 15 milhões de reais investidos pela Telemar na empresa de Lulinha não foram um investimento qualquer. As circunstâncias sugerem que o objetivo mais óbvio seria comprar o acesso que o filho do presidente tem a altas figuras da República. O setor de telefonia estava e está em uma guerra em que, a se repetir a tendência mundial, haverá apenas um ou dois vencedores. Ganhar fatias do adversário é vital. Houve uma corrida entre grandes empresas de telecomunicações para ver quem conseguia alinhar o filho do presidente entre seu time de lobistas. A Telemar venceu. A maior empresa de telecomunicações do Brasil em faturamento e em número de telefones fixos instalados, e com 64% do território nacional coberto por ela, a Telemar é uma empresa cujo faturamento anual supera 7 bilhões de dólares. A aposta na associação com Lulinha acabou não sendo muito produtiva para a Telemar porque o escândalo veio à tona. Mas foi por pouco. O governo negociava a queda de barreiras legais que impedem a atuação nacional de empresas de telefonia fixa. Além disso, por orientação do governo, fundos de pensão de estatais preparavam-se para vender fatias relevantes de sua participação acionária no setor. Quem estivesse mais perto do poder se sairia melhor.


Vidal Cavalcante/AE
GRATIDÃO DO PRESIDENTE
Kalil Bittar, sócio de Lulinha, a quem Lula chegou a fazer uma homenagem no Alvorada pela ajuda que dá a seu filho

O Ronaldinho do presidente Lula é mesmo um fenômeno. Formado em biologia, ele ainda era chamado de Lulinha, apelido que os amigos hoje evitam, quando trabalhava como monitor no zoológico de São Paulo, com um salário de 600 reais por mês. Para reforçar seus ganhos, dava aulas de inglês e computação. Do ponto de vista profissional e financeiro, vivia uma situação que parece ser muito semelhante à dos quatro filhos com curso superior do leitor da Folha. Em dezembro de 2003, no entanto, quando Lula estava em via de completar seu primeiro ano no Palácio do Planalto, Lulinha começou sua decolagem rumo à galeria exclusiva dos indivíduos fenomenais. Junto com Kalil e Fernando Bittar, filhos de Jacó Bittar, ex-prefeito de Campinas e um velho amigo do presidente, Fábio Luís tornou-se sócio da Gamecorp, empresa de games que ainda se chamava G4 Entretenimento e Tecnologia Digital. Até aqui a trajetória de Fábio Luís lembra a dos geniozinhos americanos do Vale do Silício que se enfurnam em uma garagem e saem de lá com uma idéia matadora de vanguarda como o Google ou o YouTube, projetando-se para o estrelato dos negócios multimilionários. A Gamecorp continuou a expandir-se. Em junho deste ano, fechou um contrato com a Rede Bandeirantes para alugar seis horas de programação diária no Canal 21. Depois que o contrato foi firmado, a emissora mudou de nome: de Canal 21, passou a chamar-se PlayTV. Oficialmente, trata-se de um arrendamento de horário.

Em janeiro de 2005, apenas um ano depois da chegada de Lulinha à empresa, a Gamecorp já estava recebendo o aporte milionário de 5,2 milhões de reais da Telemar – e Lulinha já era um empreendedor de raro sucesso. A Gamecorp dera um salto estratosférico, coisa rara mesmo num mercado em expansão, como é o caso da internet e dos jogos eletrônicos. A sociedade entre a Telemar e a Gamecorp se materializou por meio de uma operação complexa, que envolveu uma terceira empresa e uma compra de debêntures seguida de conversão quase imediata em ações. O procedimento visava a ocultar a entrada da Telemar no negócio. VEJA revelou a associação em julho do ano passado.

O caso de Lulinha tem uma complexidade maior. Sua relação com a Telemar não se esgota nos interesses de ambos na Gamecorp. O filho do presidente foi acionado para defender interesses maiores da Telemar junto ao governo que o pai chefia. Em especial, em setores em que se estudava uma mudança na legislação de telecomunicações que beneficiava a Telemar. VEJA descobriu agora que a mudança na lei foi tratada por Lulinha e seu sócio Kalil Bittar com altos funcionários do governo. O assunto levou a dupla a três encontros com Daniel Goldberg, titular da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça (SDE). Em um desses encontros, ocorrido no início de 2005, Lulinha e Kalil, já então sócios da Telemar, sondaram o secretário sobre a posição que a SDE tomaria caso a Telemar comprasse a concorrente Brasil Telecom – fusão que a lei proíbe ainda hoje. Goldberg, ciente do obstáculo legal, disse que o negócio só seria possível mediante mudança na lei. O estouro do escândalo Lulinha abortou os esforços para mudar a legislação e favorecer o sócio do filho do presidente.

Quando a Telemar fez uma oferta de compra à Brasil Telecom, o mercado interpretou o movimento como um sinal de que a mudança na lei era dada como certa. Paralelamente à oferta, estavam em plena efervescência os encontros de Lulinha e Kalil com Goldberg para tratar dos bastidores da negociação entre duas gigantes da telefonia. Oficialmente nada disso ocorreu. O assessor de Lulinha e Kalil, o jornalista Cláudio Sá, diz que, se houve encontros com Goldberg, foram contatos meramente sociais. Mas do que eles falaram? "Encontros sociais. Aperta a mão. Como vai? Tudo bem? Tudo certo? Esse tipo de coisa", responde o assessor. Goldberg diz que não foi nada disso. Ele conta que conversou com Lulinha e Kalil para aconselhá-los a contratar uma "consultoria tributária e um escritório de advocacia". É bastante improvável que essa seja toda a verdade porque, nessa época, a Gamecorp já tinha consultor. Era Antoninho Marmo Trevisan, amigão do presidente.

A constatação que se esconde por trás disso é a de que Lulinha, depois de receber a bolada da Telemar, começou a comportar-se como lobista da empresa junto ao governo de seu pai. Pode-se afirmar com certeza que em pelo menos um encontro oficial Lulinha tratou de ajudá-la. Antes de entrar o dinheiro da Telemar o lobby da dupla Lulinha-Kalil era feito justamente em favor da concorrente, a Brasil Telecom. Com a ajuda de Lulinha e Kalil, Yon Moreira da Silva, da Brasil Telecom, conseguiu ser recebido pelo presidente Lula em uma audiência que, curiosamente, não constou da agenda oficial do Palácio do Planalto. Ela foi marcada por César Alvarez, assessor especial da Presidência, e durou quase duas horas – sem mais ninguém na sala. Sobre o que Yon Moreira e o presidente conversaram? Segundo Yon Moreira, sobre o projeto Computador Conectado, que visaria difundir a venda de computadores populares e o acesso gratuito à internet. "Lula ficou impressionado com o projeto que apresentei a ele", diz Yon. "Houve uma sintonia entre nós. Mas não falamos nenhuma palavra sobre o filho dele." Yon Moreira completa: "Lula queria que os pobres do Brasil tivessem acesso à internet, e eu tinha o melhor projeto para realizar esse sonho". O auxílio de Lulinha e Kalil ao então diretor da Brasil Telecom é grave à luz de uma informação adicional: o encontro ocorreu no mesmo período em que o representante da empresa pagava 60.000 reais mensais a Lulinha e Kalil a pretexto de patrocinar um programa de games da dupla exibido pela Rede Bandeirantes. Essa é a mais simples e clara demonstração de um lobby empresarial junto ao governo: a Brasil Telecom patrocinava Lulinha e Kalil e, ao mesmo tempo, a dupla abria as portas da sala do presidente da República à Brasil Telecom. Parece inocente. Não é. Como esses encontros ocorreram a portas fechadas e como os interesses das teles eram (e são) bilionários, qualquer simpatia do governo por um ou outro contendor é decisiva.


Ricardo Benichio
Pedro Rubens
MAUS LOBISTAS
Os movimentos de Lulinha e Kalil incluíram serviços para a empresária Arlette Siaretta (acima, à esq.), a quem levaram até o Palácio da Alvorada; ajuda ao então diretor da Brasil Telecom, Yon Moreira da Silva (abaixo, à esq.); e sondagem sobre a Telemar junto a Daniel Goldberg, secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça
Rafael Jacinto/Valor/Folha Imagem
Elza Fioesa/ABR

Em suas visitas a Brasília, Lulinha e Kalil ocupavam uma sala no escritório do lobista Alexandre Paes dos Santos, conhecido como APS (veja reportagem). O escritório de APS está instalado em uma imponente mansão com quatro andares e elevador na sofisticada região do Lago Sul. Ali, com regularidade mensal, Lulinha e Kalil despacharam por quase dois anos, entre o fim de 2003 e julho do ano passado. A sala usada pela dupla tem 40 metros quadrados. Fica bem ao lado da sala do lobista APS. Há algumas semanas, estava mobiliada com duas mesas. Todas as cadeiras eram vermelhas. Havia dois computadores, duas linhas telefônicas, uma impressora e um único quadro na parede. Lulinha e Kalil tinham ramais privativos, o 8118 e o 8130. Sobre sua relação com a dupla Lulinha-Kalil, APS diz apenas: "Eu emprestei a sala, mas não tenho a menor idéia do que eles faziam lá". Seria ingênuo esperar que dissesse alguma coisa mais comprometedora sobre os vizinhos de sala e colegas por dois anos.

Além da sala, APS também colocou sua frota à disposição da dupla. Quando Lulinha e Kalil começaram a freqüentar o escritório do lobista, seus deslocamentos por Brasília eram feitos em Ford Fiesta. Com cerca de 1,90 metro de altura, Kalil reclamou que o Fiesta era desconfortável e disse que gostaria de um carro mais espaçoso. APS substituiu o Fiesta por um Omega. Enquanto despachavam na mansão de APS durante o dia, Kalil e Lulinha eram hospedados na Granja do Torto ou no Palácio da Alvorada, residências oficiais da Presidência da República. Quando isso não era possível, Kalil ia para o hotel Blue Tree, a menos de 1 quilômetro do Alvorada. Não se conhecem bem as razões pelas quais Lulinha e Kalil mantinham uma sala no escritório do lobista de métodos heterodoxos. O que faziam ali? Por que despachavam dali? Em busca dessas respostas, VEJA descobriu que a sala foi cedida a Lulinha e Kalil como parte de um acordo dele com a francesa Arlette Siaretta, dona do grupo Casablanca, um conglomerado de 54 empresas que, entre outras atividades, faz produção de filmes e eventos, gravação de comerciais e distribuição de DVDs.

Em 2002, Arlette Siaretta e APS se tornaram sócios num projeto de transmissão de imagens digital via satélite. Desde então, a mansão do lobista passou a funcionar como filial informal da empresa Casablanca em Brasília. "Ela me pediu a sala e eu cedi", diz APS. Mas por que a Casablanca teria interesse em instalar Lulinha e Kalil em sua filial informal em Brasília? Apesar de ser dona de metade do mercado de finalização de comerciais no país, Arlette Siaretta tinha um problemão no início do governo de Lula. Ligada ao PSDB e produtora das últimas três campanhas presidenciais tucanas, a empresária encontrou no PT uma muralha que lhe barrava negócios com o governo federal e as estatais, até então uma de suas grandes fontes de receita. Arlette Siaretta precisava de alguém para lhe abrir as portas do governo.

No fim de 2003, o sócio de Lulinha apareceu em seu escritório, em São Paulo, prometendo exatamente aquilo de que a empresária precisava – portas abertas. "Você tem uma grande empresa. Eu tenho acesso às pessoas que decidem. Podemos ganhar dinheiro juntos", teria dito Kalil, conforme o relato feito a VEJA por uma testemunha do encontro. Arlette Siaretta adorou a idéia. Fecharam negócio: Kalil receberia 5% das transações no governo que a Casablanca conseguisse por seu intermédio. Não poderia haver escolha melhor. Os "meninos" do presidente entregaram o que prometeram. Pois bem, Siaretta continuou tendo no governo petista a mesma participação que tinha no mercado nos oito anos dos tucanos, algo em torno de 50% de todos os contratos de filmes feitos para as empresas de publicidade que prestam serviço ao governo.

Não se sabe por que Arlette Siaretta confiou em Kalil. Procurada por VEJA em cinco oportunidades, a empresária não quis dar entrevista. Sabe-se, porém, que uma das melhores credenciais de Kalil para dizer-se influente foi sua proximidade com Lulinha – que, registre-se, não esteve presente na negociação com Siaretta. A pedido de Kalil, a empresária até concordou em trabalhar com Alberto Lima, conhecido como Beto Lima, amigão de Kalil (há quinze anos) e de Lulinha (há nove anos). Dono de um bar em Campinas que falira em agosto de 2003, Beto Lima passou a despachar diariamente na sede da Casablanca, em São Paulo. Siaretta mandou imprimir cartões de visita com seu nome e a custear suas despesas com passagens aéreas e hospedagem no triângulo São Paulo–Brasília–Rio de Janeiro. Assim como Kalil e Lulinha, Beto Lima também passou a usar o escritório de APS em Brasília, que lhe servia de apoio para suas visitas às principais agências de publicidade que trabalham para o governo e para estatais. Beto Lima dá sua versão: "Minha função é prospectar novos negócios para a Casablanca. Usei o escritório como base operacional, apenas para dar e receber telefonemas".

Em julho de 2004, a turma deu uma grande exibição de sua influência para Arlette Siaretta. O cineasta Aníbal Massaini Neto, diretor de Pelé Eterno, um documentário sobre a vida do craque, queria exibir seu trabalho ao presidente Lula, mas não conseguia romper o bloqueio. Arlette Siaretta, que produziu o filme, colocou em movimento sua engrenagem: acionou Beto Lima, que acionou Kalil, que acionou Lulinha – que marcou uma sessão de cinema no Alvorada com a presença do pai. A exibição aconteceu na noite de 13 de julho de 2004. Depois, houve um jantar, com arroz, feijão, peixe e farofa, além de uísque e charutos cubanos. Estavam todos lá: Lulinha, Kalil, Beto Lima, além de Siaretta. A certa altura, já empolgado, Lula fez um discurso no qual começou afirmando admirar duas pessoas na vida. A platéia apostou que uma seria Pelé, o astro do filme e presente à festa. Mas não. Lula disse que admirava Abraham Lincoln e – tchan, tchan, tchan, tchannn ­ Kalil Bittar. Era a gratidão por tudo de bom que Kalil já fizera por Lulinha. A empresária Arlette Siaretta ficou muito satisfeita com o resultado do jantar, pelo acesso que conseguira e pelo prestígio de seus colaboradores.

Lulinha e Kalil mantêm-se mergulhados no mutismo sobre a real dimensão dos negócios e interesses que ajudaram em Brasília. Não falam também sobre seus despachos na sala ao lado da do lobista APS, bem como sobre suas andanças por empresas privadas e gabinetes federais. O assessor da dupla, procurado por VEJA, conversou com a revista. Disse que Kalil esteve na mansão do lobista APS, mas que Lulinha jamais colocou os pés lá. APS desmente o assessor de Kalil e Lulinha. Ele confirma que o filho do presidente despachava no escritório cedido por ele. Quando VEJA quis saber sobre outros detalhes, o assessor disse que Lulinha e Kalil não prestariam nenhum esclarecimento adicional. As investidas de lobista de Lulinha em Brasília e suas conexões empresariais merecem um esclarecimento mais pormenorizado. Todo pai tem direito de ver no filho um Ronaldinho e na filha uma Gisele Bündchen. Da mesma forma é vital tentar entender o mistério por trás de certas transformações extraordinárias dos filhos de presidentes, em especial quando elas ocorrem durante o ápice de poder dos pais.



O lobista mais enrolado da República


Fotos Ana Araújo
aújo
BIOGRAFIA LONGA
O lobista Alexandre Paes dos Santos, o APS, que hoje despacha numa mansão de quatro andares: corrupção, contrabando, pagamento de propina...

O lobista Alexandre Paes do Santos é homem de relações perigosas e de uma vasta ficha criminal. APS, como ficou conhecido em Brasília, fez carreira – e, posteriormente, fama policial – no submundo das negociatas da Esplanada dos Ministérios, aproximando-se de raposas da política e cultivando a imagem de personagem misterioso e poderoso. As estripulias de APS nas sombras de Brasília vieram a público em 2001, quando a Polícia Federal apreendeu a agenda do lobista. Ali, escondia-se o inventário das atividades subterrâneas de APS, como pagamentos de propinas a parlamentares e funcionários do governo, histórias de chantagens e esquemas de superfaturamento em contratos com órgãos públicos. Minucioso e detalhista, o lobista anotava na agenda valores de suborno ao lado da letra "K", que os investigadores descobriram tratar-se de um código que correspondia ao acréscimo de três zeros ao valor registrado. Ao lado de nomes de deputados e servidores públicos havia, por exemplo, a inscrição "50K" (ou 50 000, reais ou dólares).

O escândalo foi um golpe para o lobista. Ele perdeu seus trinta clientes e passou a responder a três inquéritos da Polícia Federal, por suspeitas de corrupção, contrabando e tráfico de influência – investigações que se mantêm até hoje. Apesar da turbulência e da notoriedade, APS conseguiu se reerguer. Recuperou boa parte dos clientes e voltou a despachar numa espaçosa mansão, com quatro andares e elevador. Mas o sossego de APS pode durar pouco. Um de seus clientes, a Telecom Italia, está enrolado numa investigação de promotores de Milão, na Itália. Eles apuram a existência de um caixa secreto da Telecom Italia, que seria usado para pagar propina a autoridades de vários países – inclusive, é claro, do Brasil.

sexta-feira, 20 de outubro de 2006

Veja atacará o filho de Lula

Abaixo, o resumo da chamada de capa da revista Veja desta semana. A matéria ainda não está disponível no site. Vem chumbo contra o presidente, resta saber se a matéria se sustenta.

"Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho" - Ao tentar explicar o tremendo sucesso de seu filho Fábio Luis, cujo enriquecimento é um caso raro no mundo dos negócios, o presidente Lula disse: "Deve haver um milhão de pais reclamando: por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho."

Sem bomba, Lula deve vitória a FHC

Se não houver mesmo a tal "bala de prata" para matar a candidatura à reeleição do presidente Lula e ele sair vitorioso das urnas no dia 29, o pessoal do PT deveria mandar construir na sede do partido um busto do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e prestar homenagens diárias ao líder tucano. Afinal, FHC foi o melhor cabo eleitoral do presidente petista nesta campanha. Quando as coisas caminhavam perigosamente para um segundo turno acirrado, com o escândalo do dossiê pautando toda a imprensa, eis que o PT decide mudar de assunto e lembrar o passado privatista do tucanato. A estratégia desnorteou Geraldo Alckmin, que passou para a defensiva e não teve coragem de defender a obra de seu correligionário. E, bem no meio do tiroteio, vem a públicio Cardoso em pessoa, lembrando o saudoso Chacrinha, que costumava dizer "eu não vim para explicar, eu vim para confundir", e defende ele mesmo as privatizações feitas durante seu mandato. Pior: deixa escapar uma frase dúbia sobre a hipótese de vender a Petrobras, mais tarde desmentida. Era tudo que Alckmin não precisava...

Geraldo Alckmin ficou na defensiva não porque é contra as privatizações – ele foi o secretário de Desestatização do governo Mário Covas –, mas porque as pesquisas qualitativas de Luiz Gonzáles mostravam que a população brasileira reprova a prática. Ninguém imaginava que a reprovação fosse tão grande, mas o fato é que os tucanos não estavam preparados para contra-argumentar, ficaram sem saber muito bem o que fazer. Cardoso agiu por conta própria (e de seu ego) e entrou no debate na hora errada, favorecendo Lula.

A história um dia vai contar com mais detalhes este interessante período da vida nacional. Não será surpresa para este blog se um pesquisador um dia encontrar, escondidos entre os pertences mais íntimos do ex-presidente Cardoso, uma estrelinha vermelha e um velho adesivo, já desbotado, onde se poderá ler: "Lula Lá"...

Elite da Educação diz não a Geraldo

Mais de 500 professores universitários divulgaram hoje um manifesto contra a candidatura de Geraldo Alckmin (PSDB). É mais uma prova de que não são apenas os pobres e nordestinos que votam no presidente Lula. Também é interessante notar que entre os signatários do manifesto há vários integrantes do PSOL. Leia abaixo o manifesto e confira os professores que assinaram o documento.

Dizemos "Não!" a Geraldo Alckmin

Nós, professores universitários, vimos a público afirmar que não há justificativa alguma para levar novamente o PSDB à presidência, votando em Geraldo Alckmin. Embora com tendências políticas distintas e posições eleitorais muitas vezes divergentes, estamos unidos pela mesma certeza de que a candidatura Alckmin não representa, sob nenhum aspecto, a implementação dos avanços necessários ao desenvolvimento econômico com justiça social. Ao contrário, Geraldo Alckmin no poder será o coroamento de um retrocesso direitista que ficou claro em seu discurso eleitoral, todo ele baseado em bravatas contra impostos e "gastança" pública, promessas de redução do Estado, de reformismo infinito da previdência e laivos de indignação contra a corrupção (cujo duto iniciou-se em seu próprio partido). Com essas propostas ele nada mais fará do que um candidato de direita faria em qualquer parte do mundo. Acrescente-se a isto uma simpatia temerária por entidades como a Opus Dei.

Para nós, professores, é claro que um possível governo Geraldo Alckmin será a re-edição dos anos FHC com sua política de sucateamento das universidades públicas. Vale a pena lembrar que, sob o PSDB, as universidades federais chegaram a um déficit de 7.000 professores, sendo que muitas delas terminavam o ano sem dinheiro para pagar sequer contas de luz. Nas universidades estaduais paulistas, esta política educacional desastrosa foi seguida à risca por Geraldo Alckmin quando governador de São Paulo.

Poucas pessoas sabem que o valor da hora-aula no Estado de São Paulo não passa de R$ 5,30. Poucos também são aqueles que têm à disposição os dados do INEP (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) demonstrando que a qualidade do ensino paulista é pior que a média do Brasil. Situação que não podia ser diferente, já que a comissão de fiscalização e controle da Assembléia Legislativa paulista rejeitou as contas do governador de 2004, devido, entre outras coisas, a um saldo acumulado de R$ 209 mi dos recursos do FUNDEF que jamais foram investidos na educação, cujo destino se desconhece. Para finalizar, Alckmin vetou o aumento no montante do ICMS destinado às universidades paulistas, o que as colocou em situação extremamente frágil diante das ampliações feitas nos últimos anos.

Geraldo Alckmin tentou escapar de todas estas questões ao transformar sua campanha eleitoral em uma grande cruzada em favor da ética. No entanto, quem enuncia julgamentos morais deve ter legitimidade para tanto. Este não é o caso de alguém, como ele, que passou todo o seu governo engavetando pedidos de CPIs para que se apurassem suspeitas de compra de deputados estaduais via Nossa Caixa, de corrupção em órgãos públicos como a CDHU, o Rodoanel, as privatizações de São Paulo, a subvenção à revista de seu acupunturista, entre outros. São mais de 60 CPIs arquivadas. Por outro lado, o Tribunal de Contas do Estado julgou irregular centenas de contratos em várias áreas da administração, como Metrô, Cetesb, CDHU, Nossa Caixa, Departamento de Estradas de Rodagem, Fundação para o Desenvolvimento da Educação, Dersa, Sabesp. Diante disso, nenhuma indignação ética pode justificar a escolha de Geraldo Alckmin.

Adalberto Cardoso (IUPERJ) Adilar Antonio Cigolini (UFPR) Adir Casaro Nascimento (UFMS) Adma Muhana (FFLCH-USP) Adriana Fresquet (UFRJ) Adriana Mattar Maamari (UEL-PR) Afrânio Catani (FE-USP) Akemi Ino (EESC-USP) Alarcon Agra do Ó (UFPB) Aldenor Gomes da Silva (UFRN) Alexandre de Oliveira Torres Carrasco (Unifesp) Alexandre Ferreira da Costa (UFG) Alexandre Fortes (UFRRJ) Alexandre Pilati (UnB) Alexandre Silva Virginio (UFRGS) Amarilio Ferreira Jr. (UFSCar) Ana Cecília de Souza Bastos (UFBA) Ana Célia Castro (UFRJ) Ana Laura dos Reis Correa (UnB) Ana Lucia Lucas Martins (UFRRJ) Ana Lúcia Machado de Oliveira (UERJ) Ana Lydia Santiago (UFMG) Ana Maria Cavaliere(UFRJ) Ana Maria Motta Ribeiro (UFF) Ana Maria Saul (PUC-SP) Ana Míriam Wuensch (UnB) Analice de Lima Palombini (UFRGS) Ananias José de Freitas (PUC-MG) André Laino (UFF) André Matias Nepomuceno (UnB) Andréa de Paula Teixeira (UFRJ) Andréia Guerini (UFSC) Anete Abramowicz (UFSCar) Angela Maria Carneiro Araújo (Unicamp) Angela Medeiros Santi (UFRJ) Angelita Matos Souza (Facamp) Angelita Pereira de Lima (UFG) Ângelo Ricardo de Souza (UFPR) Anna Carolina Lo Bianco (UFRJ) Anna Maria Lunardi Padilha (UNIMEP) Anselmo Pessoa Neto (UFG) Antônia Vitória Soares Aranha (UFMG) Antonio Arnoni Prado (IEL-Unicamp) Antônio Carlos Lopes Fernandes Júnior (UFBA) Antonio Ilio Bittencourt Bastos (UFBA) Antonio Raimundo Costa Pinheiro (Instituto Sarah Kubistchek-RJ) Antonio Teixeira (UFMG) Antonio Valverde (PUC-SP) Antonio Zelaquett Koury (UFF) Aparecida Neri de Souza (Unicamp) Arlenice Almeida da Silva (Unesp-Marília) Arlete Moysés Rodrigues (Unicamp) Arley Moreno (Unicamp) Augusto Bach (Unioeste-PR) Aurélio Gonçalves de Lacerda (UFBA) Beatriz Heredia (UFRJ) Beatriz Paiva (UFSC) Benedito A. 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Barros (F.Sumare-SP) Durval Muniz de Albuquerque Júnior (UFRN) Edílson Crema (IF-USP) Edna Amancio de Souza (FACINTER-PR) Ednalva Maciel Neves (UFMA) Edson Domingos Fagundes (UTF-PR) Eduardo Brandão (FFLCH-USP) Eduardo Rolin de Oliveira (UFRGS) Edvaldo Aparecido Bergamo (UFG) Eládio Vilmar Weschenfelder (UPF) Elcio Verçosa(UFAL) Elene Cristina Pereira Maia (UFMG) Elenize Cristina O. da Silva (UFRR) Eleonora Menicucci de Oliveira (UNIFESP) Emir Sader (UERJ) Eleonora Ziller Camenietzki (UFRJ) Eliana da Silva Tavares (FURG) Eliane Leão (UFG) Elina Pessanha (IFCS-UFRJ) Elizabethe Cristina Fagundes de Souza (UFRN) Eloísa Pilati (Michelangelo-DF) Elso Drigo Filho (Unesp) Elyeser Szturm (UnB) Emmanuel Appel (UFPR) Emmanuel Tourinho (UFPA) Erly Catarina de Moura (UFPA) Ermínia Maricato (FAU-USP) Ernani Pinheiro Chaves (UFPA) Ernesto Kemp (Unicamp) Ernesto Perini Santos (UFMG) Ethel Menezes Rocha (UFRJ) Evelina Dagnino (Unicamp) Fabiana Lopes da Cunha (Unesp) Fabiano Gontijo (UFPI) Fabio Akcelrud Durão (IEL-Unicamp) Fábio Gomes Goveia (UFES) Fatima Machado (UFAL) Fátima Simões (FE-USP) Federico Neiburg (UFRJ) Fernando Antonio Azevedo (UFSCar) Fernando Pinheiro (FFLCH-USP) Fernando Teixeira da Silva (Unicamp) Filipe Ceppas de Carvalho e Faria (PUC-Rio) Firmino Fernandes Sisto (USF) Flávio Aguiar (FFLCH-USP) Flávio de Campos (FFLCH-USP) Flávio Kothe (UnB) Flávio Villaça (FAU-USP) Flávius Márcus Lana de Vasconcelos (PUC-MG) Francisco Alambert (FFLCH-USP) Francisco Assis de Queiroz (FFLCH-USP) Francisco Carlos Camargo (ESPM) Francisco Carlos Teixeira Da Silva (UFRJ) Francisco Foot Hardman (IEL-Unicamp) Francisco Segnini (FAU-USP) Gabriel Albuquerque (UFAM) Gabriel Pugliese (ESP-SP) Gabriela Neves Delgado (UFMG) Gabriela Pellegrino Soares (FFLCH-USP) Gabriele Cornelli (UnB) Gelsom Rozentino de Almeida (UERJ) Gelson Luiz de Albuquerque (UFSC) Geraldo Balduino Horn (UFPR) Geraldo Élvio Magalhães (UFMG) Germana H. 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