sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Uma eleição sem emoções e sem debate

A campanha eleitoral já caminha para o seu desfecho e, a despeito do que escreveram muitos analistas e especialistas em ciência política, o Brasil talvez esteja vivendo a mais calma eleição desde a redemocratização do País. Há cerca de um ano, muita gente chegou a dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem sequer seria candidato, por causa do escândalo do mensalão. Depois, quando Lula começou a se recuperar, os professores de política diziam que ele teria muita dificuldade para se reeleger porque a campanha seria duríssima, uma pancadaria só. Até agora, a pancadaria toda se resumiu às marchinhas sobre dólares na cueca e decepção com o governo. Pouco, muito pouco. A rigor, quase neda.

E de fato, toda a emoção desta eleição, pelo menos a presidencial, pode ter acabado no dia em que a candidatura Anthony Garotinho foi sepultada, após a desesperada greve de fome que acabou deixando o ex-governador em uma situação ridícula de ter que finalizar o movimento sem que nenhuma de suas reivindicações tivesse sido atendida. Garotinho era a garantia de que a eleição seria decidida no segundo turno. Se tivesse conseguido viabilizar a sua candidatura pelo PMDB ou mesmo pelo PSC – Garotinho poderia ter mudado de partido no ano passado –, o ex-governador do Rio faria uma campanha certamente bem mais agressiva do que a de Alckmin, até porque ele poderia criticar a política econômica de Lula, coisa que o tucano não consegue fazer, uma vez que os petistas deram sequência ao que vinha sendo feito pelo PSDB nos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso.

Por outro lado, depois de um ano de fortes emoções no campo moral, com o mensalão, vampiros, sanguessugas e a casa de tolerância de Antonio Palocci, o eleitorado parece ter aprendido que também os petistas, como os demais políticos, não são propriamente "puros", o que apenas os faz iguais aos demais. Iguais por iguais, o povão parece ter relevado o argumento moral da política e passou a prestar atenção em outras coisas para decidir em quem votar. Assim, a suposta "pancadaria" de Alckmin contra Lula vem fazendo efeito muito pequeno, quase nulo, a julgar pelas pesquisas. Uma boa imagem é dizer que Alckmin prega para convertidos, coisa que também faz a candidata do PSOL, Heloísa Helena.

A senadora alagoana, por sinal, começou bem a campanha, tentando se diferenciar politicamente, fazendo a crítica ao modelo econômico, mas acabou se perdendo em seu próprio labirinto e agora, pateticamente, tenta competir com Alckmin para ver quem fala mais da corrupção no governo Lula. Somando o estilo udenista de Geraldo e Helena ao autismo educacional do senador Cristovam Buarque, a verdade é que niguém até agora chegou a fazer realmente ameaçar o líder das pesquisas, que, olimpicamente ignora qualquer tentativa de debate e segue vendendo o Brasil Grande que fundou em 1° de janeiro de 2003.

Ao fim e ao cabo, Lula deve ser reeleito menos pelos seus méritos do que pelos erros crassos de todos os candidatos da oposição.

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