quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Jorge Rodini: segundo turno à vista?

Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia, escreve mais uma vez em "edição extraordinária" para este blog. Na análise abaixo, o especialista examina os dados do instituto Datafolha e afirma que o segundo turno na eleição presidencial está mais próximo, embora ainda não se possa dizer, com certeza estatística, que irá acontecer. A imprevisibilidade está virando marca da eleição de domingo.

Uma análise mais detalhada da Pesquisa Datafolha divulgada ontem aponta a seguinte situação regional, em termos de probabilidade de segunto turno:

1. No Sudeste (43,7% dos eleitores brasileiros): Lula 43% x Demais candidatos 50%, o que representa 3,1% do total de voto a favor de haver segundo turno. No Sul (15,1% do eleitorado), Lula tem 34% contra 55 % dos demais, o que significa mais 3,2% dos votos para ocorrência de segundo turno. No Norte /Centro-Oeste (14,1% dos eleitores), Lula tem 46% os demais 50%: mais 0,6% a favor de segundo escrutínio. O Nordeste (27,1% do eleitorado), porém, aponta Lula com 70% dos votos contra apenas 25% dos demais.

2. A avaliação de Ótimo/Bom do Presidente Lula está distribuída assim pelas regiões: No Nordeste 61%, no Sudeste 42%, no Sul 34% e no Norte /Centro-Oeste 47%.Em eleição com reeleição, historicamente, segundo Cesar Maia, a intenção de voto não é maior que avaliação ótimo/bom.Ora, isto está acontencendo no Nordeste (70% de intenção contra 61% de ótimo/bom). Nas demais regiões, a intenção de voto em Lula é igual sua avaliação positiva no Sul (34%), um ponto acima no Sudeste (43% de intenção x 42% de ótimo/bom) e um ponto acima no Norte/Centro-Oeste (46% de voto contra 47% de ótimo/bom).

3. Analisando a última pesquisa Datafolha, houve a seguinte variação na intenção de voto de Lula e demais candidatos, em termos regionais. No Sudeste, a diferença entre os demais e Lula era de 6 pontos percentuais, oscilou para 7 pontos; no Sul, era favorável aos demais em 18 pontos percentuais e cresceu para 21 pontos.No Nordeste, a diferença a favor de Lula era de 47 pontos percentuais e oscilou para 45 pontos. Em relação ao Norte/Centro-Oeste, Lula tinha 8 pontos percentuais de vantagem, agora tem uma desvantagem de 4 pontos percentuais (maior variação entre todas as regiões, onde Lula viu sua intenção diminuir de 50% para 46% e Alckmin aumentar sua intenção de 36% para 40%).

Síntese: A situação mudou nas regiões Norte e Centro-Oeste de modo bem favoável a Alckmin. Só não haveria segundo turno no Nordeste. Uma adequação da intenção de voto e avaliação positiva de Lula no Nordeste faria sua intenção estabilizar-se em torno de 61%, o que diminuiria, no mínimo em 2,5 pontos percentuais adiferença para os demais em nível nacional. Assim, uma potencialização de crescimento de Alckmin e demais candidatos no Sul e Sudeste, mesmo que tênue, pode garantir a existência de segundo turno.

Um comentário:

  1. Você poderia perguntar ao Jorge Rodini a respeito das enormes diferenças nas amostras de escolaridade das pesquisas. Esses dados determinam as diferenças nos resultados divulgados. O Datafolha usou 49% no ensino fundamental, o Sensus 62%. Alguém está mentindo.

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