sábado, 30 de setembro de 2006

Agora quem fala é o povo

Fim de campanha, últimas pesquisas divulgadas, chegou a a hora de falar quem até aqui observou os acontecimentos em silêncio: o povo brasileiro. Afinal, todo poder emana do povo e em seu nome deve ser exercido.

Alguns blogueiros já abriram seus votos - Noblat vai de Cristovam; Reinaldo Azevedo, de Bivar ou Eymael (ele está em dúvida)... O signatário dessas Entrelinhas prefere desejar a todos os leitores um bom voto neste domingo. Democracia é assim, a decisão sai das urnas.

Abstenção vai decidir a eleição

O presidente Lula tem cerca de 50% dos votos válidos, dizem os institutos de pesquisa. Precisa de 50% mais um voto para ser reeleito. Os demais candidatos precisam somar 50% mais um para provocar o segundo turno. A taxa de abstenção e votos nulos e brancos deverá decidir esta eleição. Se os nordestinos e os pobres comparecerem em massa, aumenta a chance de Lula vencer. Caso contrário, Alckmin e Lula disputarão no dia 29 de outubro o segundo escrutínio. A vida não está nada fácil para os petistas...

A sorte de Luiz Inácio

O avião da Gol que caiu no Mato Grosso está monopolizando o noticiário. As fotos da montanha de dinheiro petista que deveriam ter saído no alto das primeiras páginas caíram para abaixo da dobra dos jornais. Hoje, se o avião não tivesse caído, a conversa dos brasileiros giraria em torno do volume de notas das fotografias. Mas o avião caiu e ninguém mais fala em outra coisa senão no acidente. Lula é mesmo um homem de sorte.

Nas próximas horas, porém, saberemos o tamanho da encrenca que ele terá amanhã. Datafolha e Ibope divulgarão novas pesquisas e saberemos se a tendência é a reeleição no domingo ou segundo turno no dia 29. Nesta altura do campeonato, seria natural que houvesse segundo turno. Se Lula vencer no primeiro turno, dará ao público uma rara prova de força política.

Lula vence por 4 pontos, diz Vox Populi

O resultado da pesquisa Vox Populi mostra Lula reeleito com 4 pontos a mais do que seus adversários. A pesquisa foi feita nos dias 28 e 29 de setembro, portanto já capta, em parte, a ausência do candidato favorito no debate da TV Globo. Mais uma ducha de água fria na oposição. Agora resta a repercussão das fotos da dinheirama.

Se Lula vencer neste domingo, será uma prova de força política considerável. Em tese, a eleição caminha para o segundo turno, porque a saraivada de golpes da oposição em tese deve fazer algum efeito. Este blog continua recomendando aos cardíacos que não deixem de tomar o remedinho. Especialmente os cardíacos do PT...

sexta-feira, 29 de setembro de 2006

O dinheiro apareceu

Estão sendo divulgadas na internet as fotos do dinheiro que seria usado para a compra do dossiê Vedoin, que envolveria José Serra na máfia dos sanguessugas. As imagens são fortes e o que se vê é uma verdadeira montanha de dinheiro. As fotos foram vazadas inicialmente para a Agência Estado por uma fonte da Polícia Federal, mas já estão nas mãos de todos os veículos de comunicação.

Obviamente, o dinheiro estará nas primeiras páginas de todos os jornais de amanhã, véspera da eleição, e provavelmente também na capa da revista Veja. Não resta dúvida que algum efeito eleitoral a coisa deve ter, especialmente em São Paulo, especialmente para a candidatura de Aloizio Mercadante. Se o senador sonhava com um ministério importante em caso de derrota, pode começar a traçar novos planos, porque o presidente Lula não será maluco de dar ao desastrado candidato qualquer cargo no governo. Na verdade, Aloizio Mercadante está liqüidado politicamente após este episódio e passará o resto da vida tentando explicar que não sabia o que seu principal assessor estava fazendo para tentar virar o jogo em São Paulo.

Lula também deve ser um pouco afetado pelas fotos, mas a candidatura do presidente está tão blindada que neste momento é difícil imaginar uma reversão do atual cenário. Pode até haver segundo turno, pois a vantagem está se estreitando, mas o presidente continua firme e com o mesmo percentual de intenções de voto que teve ao longo de praticamente toda a campanha. Se Lula não cair pelo menos 5 pontos percentuais até domingo, Alckmin pode dar adeus aos sonhos de segundo turno. Este blog acha que as fotos não atingem ao presidente Lula diretamente – inclusive pela reação dura dos petistas, que acusam os tucanos de tentarem uma última e desesperada manobra eleitoreira para impedir a vitória do presidente-operário. E ao fim e ao cabo, pode ser isto mesmo: desespero da oposição.

O vencedor do debate foi... Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o grande vencedor do debate da TV Globo, ao não comparecer ao programa. As pesquisas qualitativas devem estar mostrando que o prejuízo de Lula ao não aparecer foi muito menor do que se estivesse lá, tendo que se deparar com a agressividade da candidata do PSOL, Heloísa Helena.

Alckmin simplesmente perdeu a chance de perguntar a Lula – se atrapalhou na sua vez. E teve, de resto, um desempenho sofrível no programa, de novo excessivamente robotizado, sem carisma ou garra para mostrar que tem cara de presidente da República.

Cristovam Buarque também bateu bastante em Lula, mas é até complicado entender o que ele diz, pelos problemas de dicção que apresenta. E entendendo as palavras, ainda assim é difícil acompanhar o raciocínio do pedetista...

A verdade é que apenas Heloísa Helena fala a linguagem do povo e era justamente ela que Lula precisava evitar. Se a TV Globo não aprontar outra "edição" do debate no Jornal Nacional, como fez em 1989, dificilmente Lula perde a eleição neste domingo.

A campanha acabou e agora é a vez de falar o povo brasileiro. A vitória de Lula nas urnas no dia 1° de outubro é certa, resta saber se ele conseguirá levar a eleição no primeiro turno ou terá de enfrentar um segundo escrutínio, que pode lhe complicar bastante a reeleição. No momento, porém, o blog continua apostando em uma vitória de Lula já no domingo, por pequena margem, é bem verdade, mas suficiente para desarmar o golpismo das forças de direita.

quinta-feira, 28 de setembro de 2006

Escapando dos tacapes


Charge do Agê, que estará na edição desta sexta-feira do DCI

Lula faz bem em não ir ao debate

Do ponto de vista do presidente Lula, a decisão de não comparecer ao debate é corretíssima. Não há como debater com a senadora Heloísa Helena, ela não tem compostura para uma conversa civilizada. Se houver segundo turno, Lula debaterá com Geraldo Alckmin sem problema algum. A audiência do programa deve cair bastante, mas a cadeira vazia de Lula vai apanhar bastante. Não havia muito o que fazer: o presidente perderia votos indo ou não indo, como este blog já alertou. Comparecendo, porém, o risco de um desastre era muito maior. Lula fez bem em voar para São Bernardo do Campo.

Jorge Rodini: segundo turno à vista?

Jorge Rodini, diretor do instituto Engrácia Garcia, escreve mais uma vez em "edição extraordinária" para este blog. Na análise abaixo, o especialista examina os dados do instituto Datafolha e afirma que o segundo turno na eleição presidencial está mais próximo, embora ainda não se possa dizer, com certeza estatística, que irá acontecer. A imprevisibilidade está virando marca da eleição de domingo.

Uma análise mais detalhada da Pesquisa Datafolha divulgada ontem aponta a seguinte situação regional, em termos de probabilidade de segunto turno:

1. No Sudeste (43,7% dos eleitores brasileiros): Lula 43% x Demais candidatos 50%, o que representa 3,1% do total de voto a favor de haver segundo turno. No Sul (15,1% do eleitorado), Lula tem 34% contra 55 % dos demais, o que significa mais 3,2% dos votos para ocorrência de segundo turno. No Norte /Centro-Oeste (14,1% dos eleitores), Lula tem 46% os demais 50%: mais 0,6% a favor de segundo escrutínio. O Nordeste (27,1% do eleitorado), porém, aponta Lula com 70% dos votos contra apenas 25% dos demais.

2. A avaliação de Ótimo/Bom do Presidente Lula está distribuída assim pelas regiões: No Nordeste 61%, no Sudeste 42%, no Sul 34% e no Norte /Centro-Oeste 47%.Em eleição com reeleição, historicamente, segundo Cesar Maia, a intenção de voto não é maior que avaliação ótimo/bom.Ora, isto está acontencendo no Nordeste (70% de intenção contra 61% de ótimo/bom). Nas demais regiões, a intenção de voto em Lula é igual sua avaliação positiva no Sul (34%), um ponto acima no Sudeste (43% de intenção x 42% de ótimo/bom) e um ponto acima no Norte/Centro-Oeste (46% de voto contra 47% de ótimo/bom).

3. Analisando a última pesquisa Datafolha, houve a seguinte variação na intenção de voto de Lula e demais candidatos, em termos regionais. No Sudeste, a diferença entre os demais e Lula era de 6 pontos percentuais, oscilou para 7 pontos; no Sul, era favorável aos demais em 18 pontos percentuais e cresceu para 21 pontos.No Nordeste, a diferença a favor de Lula era de 47 pontos percentuais e oscilou para 45 pontos. Em relação ao Norte/Centro-Oeste, Lula tinha 8 pontos percentuais de vantagem, agora tem uma desvantagem de 4 pontos percentuais (maior variação entre todas as regiões, onde Lula viu sua intenção diminuir de 50% para 46% e Alckmin aumentar sua intenção de 36% para 40%).

Síntese: A situação mudou nas regiões Norte e Centro-Oeste de modo bem favoável a Alckmin. Só não haveria segundo turno no Nordeste. Uma adequação da intenção de voto e avaliação positiva de Lula no Nordeste faria sua intenção estabilizar-se em torno de 61%, o que diminuiria, no mínimo em 2,5 pontos percentuais adiferença para os demais em nível nacional. Assim, uma potencialização de crescimento de Alckmin e demais candidatos no Sul e Sudeste, mesmo que tênue, pode garantir a existência de segundo turno.

Iglecias: ascensão e queda em marcha lenta

Em mais uma colaboração para este blog, o professor Wagner Iglecias comenta os números das duas últimas pesquisas Datafolha e Ibope. Vale a pena ler o artigo na íntegra. O sonho de segundo turno de Geraldo Alckmin parece estar mesmo cada vez mais distante.


No levantamento realizado pelo Datafolha em 01/09 Lula aparecia com 51% das intenções de voto, contra 27% de Geraldo Alckmin e 11% dos demais candidatos somados. Naquela ocasião eram 4% os que pretendiam anular o voto ou votar em branco e 6% os que estavam indecisos. A diferença entre as intenções de voto em Lula e nos demais candidatos batia o recorde de 12 pontos.

No intervalo de apenas 26 dias, no entanto, aquela diferença despencou para 5 pontos percentuais. Na pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira, 27/09, Lula aparece com 49% das intenções de voto. Alckmin, por sua vez, saltou para 33%, enquanto a soma dos demais candidatos permaneceu na casa dos 11%. Permaneceu inalterado o percentual daqueles que pretendem anular o voto ou votar em branco, na casa dos 4%. Caiu, porém, a quantidade dos que se declaram indecisos, que agora somam apenas 3%. Posto isto, o que as duas pesquisas Datafolha nos permitem concluir?


Em primeiro lugar que a questão da compra, por membros do PT, de um dossiê que envolveria políticos tucanos com a máfia das ambulâncias não teve grande impacto sobre as intenções de voto no presidente Lula, em que pese a farta cobertura de mídia que o caso vem tendo nas duas últimas semanas. A variação, de 51% para 49%, no intervalo de quase quatro semanas, pode ser considerada como dentro da margem de erro da pesquisa. O voto em Lula parece, pelo menos até aqui, fortemente consolidado.


Uma segunda conclusão é que Alckmin, por sua vez, vem experimentando, no mesmo período, um crescimento lento mas constante. Entre o levantamento de 01/09 e o de 27/09 o Datafolha fez outras três sondagens, e em todas elas o candidato tucano teve crescimento. Muito se especulou que o ex-governador de São Paulo estaria tomando votos de Heloísa Helena. Em verdade a somatória de votos dos demais candidatos permaneceu quase inalterada, pois se Heloísa perdeu alguns pontos cresceram as intenções de voto em Cristóvam Buarque e Ana Rangel. Assim, os seis pontos que Alckmin ganhou entre o primeiro Datafolha de setembro e este de agora se distribuiriam da seguinte maneira: 2 pontos de Lula, 1 ponto do conjunto dos demais candidatos e 3 pontos dos indecisos, que caíram pela metade neste último levantamento.


Por fim, embora as curvas demonstrem, nas cinco pesquisas feitas pelo instituto neste mês que antecede a eleição, que Lula oscila para baixo e Alckmin oscila para cima, ambos os movimentos são pouco mais que suaves. Alckmin parece subir mais por conta de, ao longo da campanha, ir se tornando mais conhecido, do que propriamente por algum outro fator como a questão do surgimento do mais recente escândalo envolvendo o PT. Mas a distância das intenções de voto entre ele e Lula caiu de 23% para 16% no período.


Como a quantidade de votos brancos e nulos, bem como de eleitores indecisos, deve manter-se nos níveis em que está, ao tucano parece apenas restar arrancar do eleitorado de Lula metade destes 5% que lhe faltam para provocar um segundo turno. Nesta hipótese, Lula cairia para 46,5% do total de votos, a mesma quantidade atingida pelos demais candidatos somados. E 2,5 pontos podem parecer pouco, mas são algo como 3 milhões de votos saindo diretamente da cesta de Lula para o balaio de Alckmin. É impossível que isso aconteça? Não. Mas não vai ser fácil.


Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP.

quarta-feira, 27 de setembro de 2006

Sobre os números do Datafolha e Ibope

Continua muito difícil a situação dos tucanos para reverter a liderança de Lula e forçar um segundo turno nas eleições presidenciais. Conforme os números divulgados pelos institutos Datafolha e Ibope, Lula venceria hoje as eleições com 53% dos votos válidos. Os números dos dois institutos divergem ligeiramente, mas a diferença de Lula para a soma de seus adversários é de 5 pontos percentuais no Ibope e 6 pontos no Datafolha – em ambos os casos, acima da margem de erro, que foi de 2 pontos. Alckmin subiu na pesquisa Datafolha e caiu no Ibope. Lula subiu no Ibope e permaneceu estável no Datafolha. Heloísa Helena e Cristovam Buarque também se mantiveram estáveis nos dois levantamentos.

Com esses números na mão e faltando 4 dias para a eleição, fica a pergunta: o jogo acabou? Game over, como dizem os jovens? Ainda não dá para bancar, pois há um evento importante nesta quinta-feira: o debate da TV Globo. Lula perderá votos comparecendo ou não ao programa, mas este blog acredita que o prejuízo será maior se Lula em pessoa aparecer nos estúdios da Vênus Platinada por uma razão simples: não há debate possível com a candidata do PSOL, Heloísa Helena, que pode simplesmente começar a xingar o presidente da República, sem a menor cerimônia. Se Lula não aparecer, vai apanhar bastante, mas a audiência tende a cair e os candidatos também terão que pensar em seus próprios problemas, de maneira que neste caso o desgaste tende a ser menor.

Outro fator relevante para decidir se haverá ou não segundo turno é a taxa de votos nulos e brancos e a abstenção. Os tucanos estão fazendo a dança da chuva no Nordeste, onde Lula lidera com mais de 40 pontos sobre Alckmin.

Neste sábado, o Datafolha solta mais uma pesquisa, desta vez com 14 mil entrevistas. Estatisticamente, a margem de erro cairá para um ou 1,5 ponto percentual. É muito pouco e instituto tem fama de não errar na reta final. Aos cardíacos, portanto, a recomendação continua valendo: tomem os seus remedinhos...

Os muy amigos de Geraldo

José Serra foi ao debate da TV Globo e pronunciou a palavra "Alckmin" em uma única resposta, não para dizer que se tratava do seu candidato à Presidência, mas para tentar mostrar que Quércia e Mercadante estavam generalizando ao usar o termo "governo do PSDB" para as gestões Covas e Alckmin. Ademais, Serra não fez uma única crítica contundente ao presidente Lula e quase não tocou na questão do Dossiê Vedoin.

Nas alterosas, o tucano Aécio Neves simplesmente fugiu do debate, abrindo um precedente para o presidente Lula fazer o mesmo.

Com amigos assim, Geraldo Alckmin não precisa de inimigos.

Dois pesos, duas medidas

A Folha de S. Paulo é um jornal engraçado: fez um grande carnaval sobre a tentativa de censura de uma reportagem sobre a arapongagem do governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB): página inteira, com direito ao governador mal na foto. Na edição desta terça-feira (27/09), a mesma Folha noticia um caso bem parecido, desta vez envolvendo o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB). Ao contrário de Requião, porém, a tentativa de censura de Aécio à exibição de reportagem da Folha no programa eleitoral de seu adversário Nilmário Miranda ganhou uma retranca de 3 colunas no pé da página 13, a penúltima do caderno Brasil.

Aviso aos navegantes

Geraldo Alckmin pode até ir para o segundo turno – pesquisa é pesquisa, eleição é eleição –, mas hoje, madrugada de quarta-feira, o tucanato não está nada seguro do desempenho do candidato nas urnas. O sentimento dominante é de que o pior da crise do dossiê já passou e que, Lula não comparecendo ao debate da TV Globo, a eleição caminha para um desfecho no primeiro turno. Ninguém fala assim em on, na frente das câmeras ou dos gravadores, mas nos bastidores a toalha está sendo jogada até em setores mais combativos, digamos assim, dos apoiadores de Alckmin. E este sentimento não tem nada a ver com a pesquisa CNT/Sensus, a qual é tida como "comprada" pelos tucanos. Na noite desta quarta, teremos mais uma rodada de pesquisas e se Lula não tiver caído mais um pouco é realmente difícil que ele compareça ao debate – Aécio Neves também não foi, é bom lembrar...

terça-feira, 26 de setembro de 2006

Para lembrar Bento Carneiro, o vampiro brasileiro


Charge do Agê que estará na edição de quarta-feira do DCI

Rodini: 3 opções à disposição do eleitor

Em "edição extraordinária", o diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia escreve ao blog para comentar a divulgação da pesquisa CNT/Sensus na manhã de hoje. E pelo que escreve, Rodini, um especialista no assunto, também acha que se a realidade é uma só, os números não deveriam estar tão discrepantes. Acompanhem abaixo o raciocínio do diretor do instituto Engrácia Garcia:

Em primeiro lugar, é esclarecedor apresentar os dados dos três Institutos que fizeram as mais recentes pesquisas nacionais.

1. DATAFOLHA - Campo em 22/09

Lula 49%
Alckmin 31%
HH 7%
CB 2%
Ana Rangel 1%

Lula 49%
Demais 41%
Diferença para haver segundo turno é de 8 pontos percentuais.

2. IBOPE - Campo 20 a 22/09


Lula 47%

Alckmin 33%
HH 8%
CB 2%
Ana Rangel 1%

Lula 47%
Demais 44%
Diferença para o segundo turno é de 3 pontos percentuais, dentro da margem de erro. Portanto, não poderíamos apontar com certeza estatística se haveria ou não o segundo turno.

3. Sensus- campo de 22 a 24/09

Lula 51,1%
Alckmin 27,5%
HH 5,7%
CB 1,4%
Ana Rangel 0,6%
Bivar 0,1%
Eymael 0,1%
Rui Pimenta 0,1%

Lula 51,1%
Demais 35,5%
Diferença para segundo turno é de 15,6 pontos percentuais

Sintese:
Pela pesquisa Datafolha, Lula teria 54% dos votos válido. Pelo Ibope, Lula teria 52% e pelo Instituto Sensus, Lula teria 59% dos votos válidos.

As diferenças são gritantes, especialmente no que se refere à pesquisa Sensus. Há diferenças totalmente fora das margens de erro, especialmente a intenção de voto de Alckmin, que pelo Ibope é de 33% (pela margem, de 31% a 35%) e pelo Sensus é de 27,5% (pela margem, de 30,5% a 24,5%).
Os eleitores agora podem escolher: segundo turno à vista (Ibope), segundo turno menos provável (Datafolha) e segundo turno praticamente impossível (Sensus).
Acho que, nesta hora, a todos cabe um pouco de bom senso.

Os números do Sensus são excelentes para Lula

O blogueiro Ricardo Noblat juntou alhos com bugalhos e confundiu seus leitores ao antecipar o resultado da pesquisa CNT/Sensus. Ontem, ele dizia que a diferença entre Lula e os demais candidatos somados era de 10 pontos percentuais na pesquisa. Na verdade, na pesquisa espontânea a diferença é de 13,6 pontos. Considerando os votos válidos, seriam 9 pontos percentuais.

Lula está com 51,1% das intenções de voto contra 27,5% de Geraldo Alckmin. Lula perdeu menos de meio ponto em relação ao levantamento anterior, feito há quase um mês, e Alckmin ganhou 8. Se o Sensus estiver correto, a reeleição de Lula ocorrerá por votação superior a de Fernando Henrique Cardoso, que em 1998 obteve 53% dos votos válidos. Lula teria hoje 59% dos válidos, diz o Sensus. A se confirmar, portanto, será a maior votação presidencial da história do Brasil, superando os 54% de Eurico Gaspar Dutra.

Ainda sobre as pesquisas

Na notinha do jornalista Ricardo Noblat sobre a pesquisa CNT/Sensus que dá vantagem de 10 pontos para o presidente Lula sobre a soma de seus adversários, bem no final, há uma informação relevante do jornalista: segundo ele, todas as fontes tucanas e pefelistas ouvidas duvidam da diferença aferida pelo Ibope, de apenas 3 pontos percentuais.

O jornalista Reinaldo Azevedo, porta-voz dos "radicalmente contra Lula", comenta em seu blog a pesquisa Sensus sem contestar diretamente os números ou dizer que o instituto é "comprado", como fazem os "tucanos-torcedores" e "pefelistas-torcedores" que afloram na blogosfera. Pelo comentário de Reinaldo, a parada não está definida pelo segundo turno, embora ele continue otimista. Quem viver, verá. A contagem regressiva está rolando. Faltam apenas 5 dias para o povo finalmente dizer o que quer.

Alckmin dirá que "é uma piada"?

A pesquisa Sensus que será divulgada às 11h da manhã desta terça-feira mostra diferença de 10 pontos percentuais entre Lula e todos os demais adversários juntos, adiantou o jornalista Ricardo Noblat em seu blog. Com este resultado, o presidente Lula seria reeleito por larga margem já no primeiro turno. A pesquisa está mais perto do que revelou o Datafolha e, confirmados os números, vai causar muita raiva entre tucanos e pefelistas. Será que Geraldo Alckmin dirá que a pesquisa "é uma piada" mais uma vez? Pelo visto, só o Ibope "não é uma piada" para o tucanato. No domingo, as urnas vão mostrar quem vai rir desta brincadeira toda... Feio mesmo é contestar a vontade popular.

segunda-feira, 25 de setembro de 2006

A dança das pesquisas começa amanhã

Primeiro sairá o CNT/Sensus, na terça. Depois, na quarta, Ibope e Datafolha, divulgados por quem realmente importa - a TV Globo. Na sexta, Vox Populi na TV Bandeirantes e no sábado à noite, véspera da decisão final, Datafolha e Ibope no Jornal Nacional. A semana realmente promete e o blog aconselha a petistas e tucanos que tenham problemas de coração que não se esqueçam de tomar os remedinhos.

É impossível prever hoje o que está ocorrendo no coração dos eleitores brasileiros. A classe média que já tinha ódio de Lula está com mais ódio ainda após o caso da tentativa de compra do dossiê. No povão, aparentemente, não houve grande reação. Qual é verdadeiramente a diferença entre Lula e os demais candidatos? As pesquisas da semana passada não foram conclusivas, de modo que só a partir de amanhã será possível fazer qualquer previsão sobre a ocorrência ou não de 2° turno na eleição presidencial.

O profeta e os aloprados


Charge do Agê que estará no DCI desta terça-feira

Tucanos apostam tudo em agressividade na reta final; PT tenta conter desgaste do "dossiêgate"

O clima tranquilo desta segunda-feira de poucas novidades sobre o escândalo do dossiê que envolveria José Serra com os sanguessugas não deve enganar ninguém. No PT e no PSDB, a situação é de acompanhamento frenético dos "trackings" – as pesquisas feitas por telefone para os comandos da campanha e que trazem resultados diários sobre o humor dos eleitores. Quem falar com tucanos, terá a notícia de que o tracking indica segundo turno com folga; quem ligar para os petistas, será informado de que a queda ocorrida da semana passada estancou e ainda dá para fechar a eleição no primeiro turno.

Nos próximos dias, novas pesquisas serão publicadas e só então o eleitor terá uma noção melhor da real situação eleitoral de Lula e Geraldo Alckmin – não dá para acreditar nas versões vazadas pelos partidos. Os atos dos candidatos, porém, revelam como está a confiança do comando das duas campanhas. Se Lula confirmar a ausência no debate da TV Globo, será porque o tracking petista realmente mostra a probabilidadee de a eleição terminar no primeiro turno. Do lado de Alckmin, não há muito o que o se fazer daqui até o pleito senão bater forte na questão do dossiê. Assim, o termômetro para perceber se Alckmin está confiante ou não no segundo turno será o grau de agressividade: quanto mais agressivo for o ataque, maior a diferença entre Lula e os demais candidatos. Se o segundo turno estiver garantido, é possível que Alckmin até abaixe um pouco o tom dos ataques para não passar uma imagem excessivamente agressiva.

De toda maneira, para uma eleição que caminhava para um desfecho óbvio, com a reeleição de Lula já no primeiro turno, não vai faltar emoção nesta reta final...

Jorge Rodini: o trinômio que definirá a eleição

Em mais uma colaboração para este blog, o diretor do instituto de pesquisas Engrácia Garcia, Jorge Rodini comenta a última pesquisa do instituto Datafolha e prevê uma disputa acirrada na reta final da campanha eleitoral deste ano. Os efeitos do escândalo do dossiê já caíram no colo de Lula, mas será o desempenho da economia o responsável pelo "desempate" da eleição presidencial, diz Jorge. Leia a seguir o comentário do especialista.

Analisando pesquisa nacional do instituto Datafolha com campo entre 21 e 22 de setembro, podemos fazer as seguintes observações:

A rejeição de Lula é maior entre os mais jovens (33%), entre as mulheres (32%), entre os eleitores de média (33%) e alta (43%) escolaridade. O que impresssiona é que agora Lula tem sua rejeição elevada entre os que ganham acima de 2 salários mínimos (de 2 a 5 SM, 34% , de 5a 10 SM, 38% e acima de 10 SM, 54%). Na região Sul, Lula tem sua maior rejeição (40% contra apenas 16% de Alckmin), enquanto no Sudeste o residente tem 35% e no Norte/Centro-Oeste , 32%.

Uma síntese a partir desses números: a falta de emprego para os jovens gera a rejeição neste segmento. A questão ética reflete a desconfiança das mulheres. Os homens ainda estão relevando os desvios, principalmente os mais pobres.

Do trinômio definidor da eleição, a Segurança – prejudicial a Alckmin – está um pouco arrefecida, a Corrupção caiu de vez no colo de Lula. Para desempatar, a Economia: para os menos favorecidos, a comida continua barata e Lula leva vantagem estratosférica; no entanto, em termos macro-econômicos, a economia não está gerando postos de trabalho capazes de suprir as necessidades, especialmente dos jovens.

Esta equação simples poderá definir a ida de Alckmin pra um segundo turno repleto de emoções.

sábado, 23 de setembro de 2006

Ibope vem melhor para Alckmin

Para os poucos e qualificados leitores que reclamaram da falta de autalização, cabe esclarecer que o blog não foi atualizado hoje por conta de um curso de jornalismo político que este blogueiro teve o prazer de ministrar no Comunique-se.

Conforme a previsão feita aqui, a Folha publicou neste sábado os números de seu instituto, já que havia algum avanço de Geraldo Alckmin. Neste domingo, informa o jornalista Ricardo Noblat, o Estadão vem com números ainda melhores para Alckmin - a diferença entre Lula e os demais candidatos estaria agora em 3 pontos percentuais. Os tucanos estão absolutamente eufóricos, em estado de graça, com as pesquisas Datafolha e Ibope. As duas, no entanto, indicam que, faltando 7 dias para a decisão das urnas, Lula seria reeleito presidente do Brasil. É bem verdade, há 15 dias o jogo estava muito mais complicado, o que explica a euforia.

O maior problema agora será uma vitória de Lula no primeiro turno: este blog intui que da euforia os tucanos passarão à depressão em instantes e o grande perigo será a reação que virá em seguida. Neste momento, Geraldo Alckmin corre sério risco de se tornar um López Obrador às avessas, da direita, e contestar a vontade popular expressa nas urnas no caso da vitória de Lula. A democracia brasileira é um tanto frágil e é melhor que não haja mais uma vez, pressão golpista da direita. Lula não é Jango nem o povo está realmente interessado em conflito político. Colocar fogo no palheiro é coisa de neo-lacerdistas de quinta categoria e o futuro dirá, na próxima semana, se essa gente realmente entende de fogueira.

sexta-feira, 22 de setembro de 2006

Tucanos eufóricos porque Lula só tem 51%

A tucanada está fazendo festa na noite desta sexta-feira. Os restaurantes Mássimo e Fasano não devem estar dando conta de tanta felicidade. A boa nova veio de pesquisa interna (humm...) e mostra que Lula hoje teria "apenas" 51% dos votos válidos. Ou seja, seria reeleito no primeiro turno. O motivo da festa é um só: a tucanada vislumbrou uma chance de tirar Lula do poder. Mais uma semana de pancadaria na mídia, não é impossível que consigam. Mas a verdade é que hoje, segundo os tucanos, o próximo presidente do Brasil tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva.

Não tem Datafolha hoje

Este blog errou. O Datafolha está em campo hoje e a pesquisa será finalizada para publicação amanhã ou domingo. Se os números estiverem bons para Alckmin, sai amanhã. Se não estiverem, a Folha tenta no sábado arrumar mais eleitores para o candidato tucano...

Os amigos de Geraldo


Charge do Agê, que estará na edição de segunda-feira do DCI

A desesperada luta tucana pelo segundo turno

O clima no PSDB nesta sexta-feira é de grande esperança de que a eleição presidencial vá para o segundo turno. Pesquisas internas do partido estariam a indicar um movimento do eleitorado que poderia proporcionar um segundo escrutínio em 29 de outubro. Evidentemente, faz parte da tática dos tucanos vazar para a imprensa que a situação está mudando e que a candidatura de Lula sentiu o golpe da crise do dossiê. Daqui a 45 minutos, porém, sai mais uma pesquisa Datafolha e será possível saber se a alegria tucana é blefe ou tem lastro na realidade.

Folha exagera na defesa de José Serra

A manchete da Folha de São Paulo de hoje – Vedoin isenta Serra do caso sanguessuga – é reveladora da postura do jornal e vale pelo editorial, ainda não escrito, recomendando voto em no candidato tucano ao governo paulista, José Serra. Nos últimos dias, aliás, a Folha está parecendo a Tribuna da Imprensa de 1954 ou o Correio da Manhã em 1961. Está só faltando a sequência de editoriais "Chega", "Basta" e "Fora" para o presidente Lula. Até o Estadão está procurando manter a compostura e disfarçar a alegria pela trapalhada petista no caso da tentativa de compra do dossiê envolvendo tucanos no casso dos sanguessugas.

quinta-feira, 21 de setembro de 2006

Pesquisas aliviam petistas, mas acompanhamento da crise do dossiê é diário

Duas pesquisas, duas boas notícias para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Ibope, Lula caiu um ponto e Alckmin subiu um. Vitória de Lula no primeiro turno, com alguma folga. No Vox Populi, situação ainda melhor: Lula subiu 1 ponto, Alckmin cresceu 2, mas Heloísa Helena caiu 3. Vitória também já no primeiro turno, por margem mais folgada.

O staff de Lula acredita que não houve mesmo, até aqui, contaminação na campanha presidencial pela crise da atrapalhada tentativa de compra do tal dossiê que envolveria José Serra com os sanguessugas. O pessoal de Alckmin, eufórico, sustenta o inverso. Como o eleitorado é o mesmo, alguém está bem errado nesta história.

Na verdade, são falsas e para consumo externo tanto a euforia tucana como a tranquilidade petista. Entre os tucanos, obviamente, existe um sentimento um pouco mais genuíno de otimismo, até porque a eleição já estava perdida e o caso do dossiê recolocou Geraldo Alckmin na disputa. Dos dois lados, porém, o que existe é um sentimento de apreensão. Do lado tucano, uma derrota no primeiro turno, nas atuais condições, será um desastre porque o povo terá julgado Lula nas urnas, dando um voto de confiança ao presidente. Um pedido de impedimento posterior pode até acontecer, mas virá enfraquecido. Uma derrota no segundo turno, por exemplo, legitimaria a luta tucana. Do ponto de vista do PT, não é nem preciso explicar. De uma vitória fácil, Lula passou para uma verdadeira guerra nesta reta final.

O signatário deste blog conversou hoje com Valter Pomar, terceiro vice-presidente do PT. O dirigente petista não acredita que a crise vá respingar no presidente Lula e contou que as pesquisas diárias feitas para o partido mostram estabilidade na intenção de votos dos eleitores brasileiros. Valter lamenta que ainda existam no PT militantes que "não aprenderam com a crise de 2005", mas assegura que o presidente Lula, desta vez, realmente não soube do que tramavam alguns de seus amigos. A reação dos envolvidos, conta Valter, era de quem não sabia nem como contar o que havia sido feito, ante a fúria do presidente. O dirigente petista também afirmou que não acredita na participação do candidato do partido ao governo paulista, Aloizio Mercadante, na desastrada operação, mas faz uma distinção entre a situação de Lula e Mercadante: "Eu posso te garantir que Lula não sabia do que estava acontecendo e a minha intuição política diz que Mercadante também não sabia", explicou.

Tudo somado, uma eleição que estava ganha na esfera federal e que caminhava para o segundo turno em São Paulo mudou completamente de figura. Agora, este blog aposta que Serra só perde para ele mesmo e que Lula enfrentará momentos bem tensos até o dia 1° de outubro. Pode ser que vença no primeiro turno – é o cenário mais provável hoje, 21 de setembro – ou no segundo escrutínio, mas vai ser uma verdadeira pedreira. Fazendo uma analogia bem ao gosto do presidente, a partida era para ser na rua Javari, com juiz caseiro e torcida a favor. Agora, será no La Bombonera, repleto de "argentinos" hostis e com juiz paraguaio. Dá para ganhar, porque no jogo de ida a vantagem foi grande, mas se a defesa não se portar bem, será difícil segurar os 11 do lado de lá...

O fogueteiro já foi embora...


Charge do Agê que está na edição desta quinta-feira do DCI

quarta-feira, 20 de setembro de 2006

Um mico em loja de louça

Esta quarta-feira foi mais um dia de cão para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Depois de muitas reuniões, ele decidiu demitir o coordenador de sua campanha, Ricardo Berzoini, que é simplesmente o presidente do PT. Não deve ser fácil afastar alguém assim, ainda mais faltando pouco mais de uma semana para a eleição. A notícia mais importante do dia, no entanto, não foi esta. O candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, também mandou para casa o coordenador de comunicação da campanha do PT paulista, Hamilton Lacerda, que confessou ter negociado com o revista IstoÉ a publicação da entrevista com Luiz Antonio e Darci Vedoin. É o primeiro assessor de Mercadante diretamente envolvido no caso.

Na verdade, para quem conhece melhor os bastidores petistas, já são três os envolvidos no escândalo que têm relação estreita com Mercadante: além do próprio Lacerda, Expedito Afonso Veloso e Osvaldo Bargas são velhos conhecidos do senador. Bargas também é muito próximo de Lula, até porque é casado com a secretária particular do presidente.

Ainda há muito o que descobrir sobre o episódio da suposta tentativa de compra do dossiê – sim, suposta tentativa, porque até agora não há prova material de que existiu um dossiê, o que realmente existe é a publicação de uma entrevista na revista IstoÉ e quase R$ 2 milhões em cash apreendidos com dois militantes petistas –, mas uma boa hipótese de trabalho é que a trapalhada tenha sido arquitetada a partir de São Paulo, com o conhecimento de gente muito próxima do presidente Lula, mas não do presidente. É realmente muito difícil acreditar que ele autorizaria uma ação de tamanho risco às vésperas da eleição, em vias de se consagrar nas urnas já no primeiro turno.

Fazendo a velha pergunta – cui prodest? (a quem aproveita?) –, e considerando a hipótese de que a operação tivesse sido bem sucedida, só há uma resposta possível: Aloizio Mercadante. Ele, bem mais do que Lula, teria interesse em desmoralizar o tucano José Serra e forçar um segundo turno em São Paulo. Não se trata aqui acusar o próprio Aloizio de nada – ele mesmo tem refutado com veemência que tenha tomado parte na coisa, mas é bastante plausível que a idéia e a execução da trapalhada tenha partido de gente ligada à campanha do PT paulista. Que o candidato não tivesse conhecimento da jogada é apenas um detalhe, revelador, aliás, do que se poderia esperar caso ele se tornasse governador de São Paulo.

Datafolha dá vitória de Lula no 1° turno, mas tucanos apostam em crescimento na reta final

O signatário deste blog esteve ontem com o ex-governador Geraldo Alckmin nos estúdios da Rede TV!, em Barueri (SP), onde o candidato tucano à Presidência participou do programa Vote Certo, apresentado por Marcelo Resende. Alckmin não se abala com as pesquisas e parece movido por uma confiança esotérica na passagem para o segundo turno. Ele gosta de dizer que em 2002 só passou para a primeira colocação nas pesquisas no dia 20 de setembro, 10 dias antes da eleição. Este blogueiro acha que essas coisas acontecem, assim como acontece de um sujeito como o lateral Josimar virar titular da seleção brasileira e ainda acertar um petardo no ângulo logo na estréia com a camisa amarela. Da mesma forma como o Josimar nunca mais acertou outro chute daqueles, a lei das probabilidades manda dizer que movimento igual ao de 2002 para o mesmo Geraldo Alckmin é uma possibilidade bastante remota.

A análise política deve levar em conta o plano racional, não o esotérico. Talvez Alckmin tenha recebido em sonho um recado do além de seu guru Josemaría Escrivá de Belaguer, fundador da Opus Dei, garantindo a vitória na eleição deste ano, mas a verdade é que a situação do candidato do PSDB é muito complicada eleitoralmente. Ele tem 10 dias para tentar mudar o voto de 7 milhões de brasileiros e forçar assim o segundo turno. Se não tivesse havido o escândalo dos dossiês, este blog já daria como sepultada a candidatura tucana. Com o caso, porém, há uma réstia de esperança para Alckmin. Na sexta-feira, o Datafolha fará outra pesquisa. Se Lula não tiver caído pelo menos 3 pontos, os tucanos podem começar a pensar no futuro.

terça-feira, 19 de setembro de 2006

Lorenzetti assume culpa, mas não explica recurso

O ex-dirigente da CUT e diretor licenciado do Banco de Santa Catarina Jorge Lorenzetti assumiu a culpa no caso da compra de dossiês. Ele enviou carta pedindo o afastamento das atividades que exercia no comitê da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e disse que "extrapolou" suas atribuições. Lorenzetti, porém, não explicou de onde vieram os recursos para pagar a operação. A questão toda agora é de onde vieram os quase R$ 2 milhões encontrados com os petistas presos. O caso pode virar um tsunami se a fonte dos recursos não for devidamente esclarecida.

Chance de 2° turno é pequena, diz Fátima Jordão

Longe das paixões e dos dossiês, uma excelente análise sobre a reta final das eleições está no Estadão de hoje, assinada por Fátima Pacheco Jordão. A íntegra do texto está abaixo:

Segundo turno, tão longe e tão perto

As chances de ocorrer um segundo turno ainda estão em perspectiva, mas são menores hoje do que há quatro semanas atrás, no início da propaganda de rádio e TV. Não porque os números, neste período, tenham melhorado para Lula, ou piorado para Alckmin. Ao contrário, houve até pequenos deslocamentos, que mostram o fôlego do candidato tucano, que passou de 26% dos votos válidos, no início de agosto, para 32%, enquanto Lula oscilou de 57% para 55% . Até a propaganda tucana foi percebida pelos eleitores como a melhor, como mostrou a pesquisa CNI-Ibope, publicada na última sexta-feira.

No entanto, as mudanças favoráveis ao tucano foram mais lentas do que o processo de consolidação de Lula, que está com 60% dos votos válidos, entre eleitores que declaram voto sem ajuda de lista de candidatos. Além do mais, cresceu onde parecia impossível, no Nordeste. Segundo o Ibope, em agosto Lula tinha 75% dos votos válidos na sua região de origem, em setembro chega a 78% (voto estimulado).

Um fator importante nessa arquitetura de Lula foi a construção de uma percepção positiva do seu desempenho de governo junto ao eleitorado. Hoje as pesquisas mostram como foi eficaz a estratégia do candidato de não se desvincular do governo. A superposição de papéis propiciou a formatação da agenda de presidente em moldes de campanha de um candidato. Nem a legislação, nem a vigilância da mídia conseguiram contrapor a astúcia dessa estratégia. Em junho os indicadores de avaliação positiva de governo superaram o patamar de 40%. Na propaganda de TV, a partir de 15 de agosto, o discurso de Lula foi o de enfatizar, para o eleitorado, feitos de seu governo e que estes estavam em sintonia com as demandas, sobretudo as dos mais pobres.

Os números da pesquisa CNI-Ibope são claros e contundentes. Entre junho e setembro, cresce de 34% para 49% a percepção de que o governo Lula vem obtendo melhores resultados no combate à fome e à pobreza. Da mesma maneira cai de 41% para 21% a crítica sobre ações governamentais para reduzir o desemprego. Os alvos foram acertados com precisão e sintonia fina.

As condições de qualidade de vida dos mais pobres certamente não melhoram nessas proporções, como também, as taxas de desemprego. Mudou para melhor, isto sim, acesso a bens de consumo, através de estratégias de crédito e de barateamento de componentes da cesta básica. Não é pouco, sobretudo para os mais pobres. Mas essa melhora não ocorreu nestes poucos meses.

Além do mais, a pesquisa CNI-Ibope aponta que o atributo 'honestidade' é ainda o mais demandado (57%) para o próximo presidente. Característica que Lula não tem como incorporar integralmente, a não ser pela a deliberada omissão da campanha tucana ou cálculo de parte do eleitorado, na linha do 'rouba, mas faz um pouco para os mais pobres' ou ainda: 'todos os políticos roubam'.

Essa postura é um dos cabos de sustentação da possível vitória de Lula no primeiro turno. Mas, por incômodo ou por inconsistência (a grande maioria quer um presidente honesto, mais do qualquer outra característica) o cabo pode se tornar apenas um fio de apoio, que esticado, acabe por mexer com as probabilidades das pesquisas publicadas até o momento.

Aliás, a candidatura Lula não está delineada pela divisória entre ricos e pobres de maneira uniforme em todo o Brasil. No Nordeste, lendo-se as pesquisas por Estado (Bahia, Ceará e Pernambuco), 60% a 70% dos eleitores com escolaridade média ou superior votam em Lula, assim como os que têm apenas educação fundamental, mais pobres. Já em São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, por exemplo, o eleitorado com ensino básico (e portanto de mais baixa renda) tende a levar a eleição para segundo turno. Há mais complexidade neste final de campanha do que os números e os fatos aparentam.

Em tempo, a pesquisa CNI-Ibope mostra que a definição de segundo turno tem um tamanho. Mantidos 9% de indecisos, votos nulos e em branco, os candidatos de oposição têm de tirar de Lula 5 pontos porcentuais. Lula precisaria recuar de 50% para 45% de intenção de voto estimulado e os candidatos de oposição, que na pesquisa CNI Ibope têm 41%, subiriam para 46%. Parece fácil, mas em duas semanas, não é. Só não é impossível.

Hoje é dia de Datafolha

Com um novo escândalo na praça, os números do instituto Datafolha que serão anunciados logo mais às 20h no Jornal Nacional estão sendo esperados com grande ansiedade entre os políticos. Façam as suas apostas. A deste blog são as seguintes: Lula 49%; Alckmin 29%, Heloísa 8% e Cristovam 2%, os demais somando 2%. Na soma dos votos válidos, dez pontos separariam Alckmin do segundo turno.

segunda-feira, 18 de setembro de 2006

A análise do presidente


Charge do Agê, que estará na edição desta terça-feira do DCI

Folha repetiu a manchete dois dias seguidos

No afã de defender o candidato do jornal ao governo paulista, José Serra, o pessoal que fecha a primeira página da Folha de S. Paulo cochilou e deu a mesma manchete dois dias seguidos. Vejam abaixo as edições de domingo e desta segunda-feira. Podiam pelo menos ter variado um pouco no título, não? A primeira capa é de domingo e a segunda, de hoje.




Diretor do Datafolha contesta Cesar Maia

A edição da Folha de São Paulo desta segunda-feira traz duas visões sobre a questão do "não-voto", como gosta de dizer o prefeito do Rio de Janeiro, Cesar Maia. Segundo maia, a soma de brancos, nulos e abstenções favorecerá Geraldo Alckmin porque os nordestinos e pobres tendem a faltar mais e errar mais o voto. Não é o que pensa o diretor do Datafolha, Mauro Paulino. Leia a opinião de cada um, abaixo. Os trechos em vermelho destacam os antagonismos.

Mauro Paulino

2º turno: a missão

SETE MILHÕES de votos. É o que a oposição precisa tomar de Lula, nos próximos 13 dias, para sonhar com o segundo turno. Isto se os sem-candidato permanecerem próximos dos 10% como em 2002. Se crescerem, favorecem Lula.
Por diferentes métodos os institutos chegam a um mesmo resultado em suas últimas pesquisas: metade dos brasileiros pretende reeleger Lula já no primeiro turno. Retratam as opiniões até o meio da semana passada e não contemplam, portanto, o horário eleitoral de quinta e sábado nem as notícias do final de semana. A convergência em um mesmo número reforça a certeza estatística dessa proporção.
Como as pesquisas não apuram os votos concretizados e sim as intenções dos eleitores antes de votar e não podem prever quantos se ausentarão das urnas, alguns fatores têm sido lembrados para elevar a esperança de segundo turno. O alerta mais repetido lembra que a abstenção é mais concentrada no Nordeste e está relacionada à baixa renda e escolaridade dos eleitores.
Coincide com o perfil do eleitor de Lula e, por isso, ele perderia cerca de sete pontos nas urnas. É um exagero partidário.
A estatística Renata Nunes, do Datafolha, apurou a média das abstenções e dos votos brancos e nulos em cada Estado nas duas últimas eleições presidenciais e, como exercício, recalculou os percentuais da última pesquisa a partir da média histórica de votos válidos. Constatou que Lula perderia apenas um ponto, insuficiente para viabilizar o segundo turno.
Lembra também que grande parte das abstenções refere-se a eleitores que mudaram de cidade, não transferiram o título e preferem justificar o voto a viajar para votar.
Mais provável, e pouco lembrada, é a possibilidade de parte dos eleitores não conseguir traduzir sua intenção em voto. Em 98, estudo feito por Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha, mostrou que pelo menos 14% dos que votaram para presidente erraram ao digitar o número na urna eletrônica. A seqüência de votação não segue a ordem lógica de ir do cargo mais importante para o menos importante, começando pelos deputados. Assim, alguns eleitores se confundem e votam para deputado achando que estão votando para presidente.
Como 56% dos eleitores de Lula têm baixa escolaridade, esse é um fator a ser considerado. Por outro lado, conhecer o número do candidato é fundamental para concretizar o voto.
Até a semana passada, 53% dos eleitores de Lula acertavam seu número contra apenas 37% entre os de Alckmin.
Para não depender de fatores extra-campo os tucanos devem concentrar-se em mudar opiniões dos 83% de brasileiros cuja soma das rendas no domicílio fica abaixo de R$ 1.750. Sem o apoio deles, ninguém se elege presidente.
MAURO PAULINO é diretor-geral do instituto Datafolha


ENTREVISTA DA 2ª/CESAR MAIA

PFL vai se separar do PSDB se Alckmin perder, diz prefeito

CATIA SEABRA

Na condição de crítico, o prefeito do Rio, Cesar Maia, aponta a desorganização do PSDB como obstáculo à ida de Geraldo Alckmin ao segundo turno: "O PFL foi muito mais o partido do Alckmin que o PSDB". Embora aposte na abstenção dos eleitores de Lula, Maia decreta o divórcio entre PSDB e PFL em caso de derrota: "Alckmin não ganha a eleição, o PFL vai ter candidato à Presidência, inexoravelmente".

FOLHA - Como o sr. avalia o cenário eleitoral?
CESAR MAIA - Uma campanha polarizada como esta exigiria que o candidato de oposição desse maior nitidez à polarização. Numa eleição com reeleição, onde a avaliação do governo é normal, o eleitor precisa ter razões para que o governo não continue.

FOLHA - O programa do candidato não dá essas razões?
MAIA - O problema é o tempo. Na TV, tem de dar o tom na entrada: se muda ao longo da campanha, passa ao eleitor que é apelação. Nestas eleições há um quadro novo. Uma região garantiria a vitória do Lula em primeiro turno: Norte e Nordeste. Um processo delicado.

FOLHA - Qual?
MAIA - A base de legitimação do Lula vai ser muito baixa. Como se governa eleito por uma concentração espetacular de votos numa só região? Do ponto de vista da estabilidade, o segundo turno é agregador. São dez minutos de TV para cada um dizer o que vai fazer, porque por enquanto eles só dizem o que fizeram. Lula fez coisas do arco da velha, Alckmin fez coisas maravilhosas em São Paulo. Do ponto de vista de jogar para frente, são generalidades.

FOLHA - Falta programa de governo?
MAIA - Certamente, tem documento. Mas o eleitor não percebe essas propostas. Lula diz que fez um monte de coisas, o eleitor fica cético. Ele mente demais na TV, mas alguma coisa ele fez. O Alckmin fez muito em São Paulo. E para frente? É um homem de bem, sério. Está bem, é uma preliminar. Agora, o que ganho com isso?

FOLHA - O sr. acha mesmo que pode haver segundo turno?
MAIA - Pode. Os institutos não conseguem pesquisar a população que não pode votar, porque ela não é atingível, mas ela é da base da amostra. Os presos estão. Uma pessoa imobilizada, doente, está. O Datafolha diz que são 10% de brancos, nulos e indecisos. No dia da votação vamos ter 25%, no mínimo, de abstenção, brancos e nulos. Essa parte que não foi amostrada é proporcionalmente maior para que candidato? Para o eleitor do Lula, que é o eleitor mais pobre. O Datafolha colocou segundo turno de dois salários mínimos para cima. Só de zero a dois é que não colocou. E zero a dois, mais da metade está no Nordeste.O Nordeste tem em geral o dobro da abstenção do Sudeste e do Sul. O preso, em geral, são as pessoas mais pobres. As pessoas que têm maior dificuldade de mobilidade, em geral, são as pessoas mais pobres. As pessoas que migram, normalmente, no Brasil são as pessoas mais pobres, que não puderam ainda fazer a atualização do seu título eleitoral...

FOLHA - Lula é afetado pelo perfil do eleitor?
MAIA - É, duplamente. Pelos segmentos de renda menor e pela concentração regional. São dez pontos. Se o Alckmin conseguir tirar dessa diferença uns quatro pontos, cinco, a abstenção resolve o resto, e vamos para o segundo turno.

FOLHA - O que ele precisa mudar?
MAIA - Primeiro, a campanha tem um núcleo central e não tem núcleos regionais num país continental. Você não tem articulação com as pesquisas locais para que se dê informação à campanha presidencial a respeito dos aspectos regionais. Não há orientação. A tática melhor é em direção aos que negam voto ou àqueles que estão no voto dele? Ele deve chegar na televisão e falar de educação popular, do "dose certa" etc.? Está tentando entrar no eleitor do Lula. Por que vai ficar disputando com Lula?

FOLHA - É errado tentar conquistar o eleitorado do Lula?
MAIA - Não pode abandonar. Mas ele tem que falar para o eleitor dele. Tem de dizer por que o outro não é competente. Ele tem um medo tremendo de dizer o nome do outro. O cara é presidente, está aí há quatro anos, candidato à reeleição, ele diz: "Está errado". O contraste tem de ser mais contundente. A crítica que ele faz ao Lula não é suficiente para o eleitor mudar.

FOLHA - O sr. acha que ele tem medo de falar o nome do Lula?
MAIA - Ele tem uma linha de comunicação. Você já viu o programa do Serra? Vejo todo dia. É igualzinho ao do Alckmin. O mesmo texto, é um programa igual. Você tem um candidato, que é um candidato à reeleição do PSDB, que é o Serra, com um currículo mais amplo e que faz um programa igual ao programa de alguém que quer derrubar o candidato do governo. Alguma coisa está errada.

FOLHA - Com essa fórmula, dá para chegar ao segundo turno?
MAIA - Dá. Porque o Alckmin está crescendo um, meio, um; a Heloísa parada, os outros parados. Dá. Agora, chegando na eleição com a manchete dos jornais "Lula vai ganhar no primeiro turno" e você [com terço na mão] rezando para a abstenção ter uma proporção ainda maior do que imaginava.

FOLHA - E se as manchetes forem "Lula está dez pontos na frente"?
MAIA - Se disser que Lula está com seis pontos na frente, sete, Alckmin vai rezar. Se disser: "está com três", Alckmin vai para o segundo turno. Se disser que está com dez, não tem chance, acabou.

FOLHA - Falta comunicação?
MAIA - Falta coordenação.

FOLHA - Em janeiro o sr. disse que abriria mão da candidatura à Presidência em favor de Serra. O Alckmin foi escolhido. O PSDB errou?
MAIA - Não sei se o PSDB julgou mal. Se o PSDB não ganha o Estado de São Paulo, desaparece. Na inauguração do comitê do Paulo Renato, Fernando Henrique disse: "Precisamos reconstruir o PSDB". O PSDB sai dessa campanha completamente esfacelado. Se antes se dizia que o PSDB era um partido paulista, eu diria: ele é exclusivamente paulista. Acabou. E o FHC percebe isso. Quer dizer, o Aécio, em Minas, o que é? O PSDB? O que aconteceu no Ceará? Então, sai em frangalhos. Se o PSDB não ganha as eleições de São Paulo, ele vai ter que começar de novo.

FOLHA - O que o sr. achou dessa carta do Fernando Henrique?
MAIA - Uma carta daquela é ruim, de quem já está tratando do dia seguinte da eleição. Muito interessante para ser lida no dia 2 de outubro. Agora, no dia 10 de setembro? Tenho convicção que pode dar segundo turno. Ele, o quadro mais importante destacadamente do PSDB, não.

FOLHA - Nesse caso o sr. fica com Aécio?
MAIA - Aí eu não sei, porque aí é um outro jogo, sabe? A reeleição faz isso. Faço eleição hoje e estou trabalhando com 2008 e 2010. Olho o quadro eleitoral do Rio e vejo quem não pode se fortalecer, porque vai ser um candidato muito forte para derrotar em 2008. Em 2010? Trabalho com esse nível de pragmatismo. Como disse na convenção do PFL para o Alckmin: "Você vai ganhar a eleição e é o candidato do PFL à reeleição". O Alckmin não ganha a eleição, o PFL vai ter candidato à Presidência da República, inexoravelmente. Porque o PSDB sai fraco. O PFL sai forte desta eleição. Muito mais unido. Muito mais estruturado.

FOLHA - Acha que Tasso contribuiu para o esfacelamento do partido?
MAIA - Às vezes em que estive direta ou indiretamente em reuniões com o Tasso, acho que ele certamente não foi o problema. Tasso estava na linha de abrir com confronto. Queria trazer o Lavareda, que tinha essa visão da campanha. Foi feita a opção pelo candidato.

FOLHA - Então o problema é o candidato?
MAIA - Não. O problema era o grupo do candidato. Tinha uma história de sucesso que tentou repetir em quadro diferente. Por maior talento que tenha o homem de publicidade, que é o Gonzalez, quem diz o que quer comunicar é o político.

FOLHA - O sr. já disse que o PSDB iria inviabilizar a ida do Alckmin ao segundo turno. Ainda pensa assim?
MAIA - Se eu disse que a desorganização do PSDB seria um obstáculo à ida dele ao segundo turno, está se confirmando. Isso o ACM falou. O Tasso ficou dez dias no interior do Ceará. Coincidência ou não, depois desses dez dias, o Cid Gomes passou à frente. Chamei atenção lá na frente que o PSDB estava dividido. Aí o Tasso deu um troco no Rodrigo -filho do papai etc.- e deu uma chamuscada. Mas era isso. Recebi aqui o prefeito de Juazeiro, que é Tasso, e me disse: lá a orientação nossa é tudo contra o Lúcio Alcântara. Eles vão desmontar a candidatura deles por que existe um partido informal que é Ciro Gomes-Tasso Jereissati. O Germano Rigotto me pediu: "Telefone para o Alckmin e diz para tirar a Yeda que vou apoiá-lo". O PSDB não teve condição de fazer isso. Não teve condições de tirar a Abadia...

FOLHA - Na Bahia...
MAIA - O Imbassahy. Para quem tem o PFL com uma estrutura verticalizada, como na Bahia, querer derrotar o PFL para o Senado é um duro golpe no coração da ACM. Pela experiência que teve com o PT em 2004 e pela importância que dá ao Alckmin, ACM acabou até relegando ao segundo plano. Mas que doeu, doeu. Custava ter levado o Imbassahy para deputado federal? Tá bem. Jutahy prometeu no túmulo do pai fazer oposição a vida inteira. Essas coisas são inacreditáveis. Então tira o Jutahy de presidente. É tão simples. Volta em dezembro. O partido que não tem condições de fazer o deslocamento de um quadro menor! Se fosse um Tasso... Mas um deputado, um líder medíocre...

FOLHA - E o caso da Roseana?
MAIA - Não tinha muito jeito. A reunião na casa dela com Alckmin foi muito ruim. Ela pediu para ele não ir ao Maranhão. Por todas as razões do mundo, ela carrega uma mágoa gigantesca: ela atribui a mágoa ao coração do governo FHC. Na hora que se colocou o grampo sob a hipótese de tráfico de drogas no Maranhão. E essa máquina fez o acompanhamento dos recursos de pré-campanha. Porque aquele recurso era para pré-campanha, por exigência do marqueteiro que queria receber em caixa dois. Quando essa mágoa bate, bate forte...

FOLHA - Os casos mais emblemáticos?
MAIA - São Abadia [DF] e Yeda [RS]. O interesse é do Alckmin. Não é nosso, não. Em Santa Catarina, o Bornhausen conseguiu fazer uma costura e engoliu todas as razões de conflito com Luiz Henrique. O PFL fez todos os gestos de agregação. O PFL foi muito mais o partido do Alckmin do que o PSDB.

FOLHA - O sr. acha que tem reciprocidade?
MAIA - Não importa. O tipo de contato com Alckmin foi afiançando que os compromissos são para valer. Não tenho dúvida que o Alckmin entende os problemas do Rio. Sabe quem está fazendo a campanha para ele. Como presidente, reconheceria a liderança do Rio.

FOLHA - Mas, ao mesmo tempo, ele não acolhe as propostas para o programa de TV?
MAIA - Ele já errou. Não adianta fazer uma reversão do programa que só vai piorar. Errou na partida. Imaginar em fazer uma reunião do Conselho Político em julho em que estavam todos eufóricos e o coordenador de comunicação chegou no encerramento... É que estava todo mundo com humor tão alto, e o otimismo tão grande...

FOLHA - O senhor acredita no divórcio para as próximas eleições?
MAIA - O Bornhausen falou que, se não ganharmos a eleição, o divórcio será inexorável. Nas eleições, vários partidos não cumprirão a cláusula de barreira. Minha opinião é que a direção fernandohenriquista do PSDB tentará agregar o PPS e o PV e empurrar o partido para a esquerda. E melhorar a imagem do partido. Isso daí vai levar inevitavelmente a uma separação pela organicidade do PFL. O PFL é de centro-direita. À medida que o PSDB vá buscar, enquanto oposição, se perder a eleição, o caminho mais à esquerda, é inexorável essa separação. Vai haver.

FOLHA - Como o senhor vê o do Alckmin? O programa é limpinho.
MAIA - Um dia desses vi num programa do Alckmin, ou do Serra, que um conjunto habitacional foi entregue. O sujeito morava num barraco; aí, o sujeito chega na casa dele e tem um carro na garagem. Um carro. Como sai do barraco e tem um carro? Talvez nem seja dele. Mas o cara edita. Não pode passar. É um programa muito asséptico. Como é água mesmo? Insípido, inodoro...

FOLHA - É o chuchu?
MAIA - Mas não é ele. O que esses marqueteiros estão fazendo com os políticos é enquadrar no teleprompter. É uma barbaridade. O cara está acostumado com o William Bonner, com a Fátima Bernardes. O Lula também. Falam sobre transporte, emoção, casa popular... As feições não mudam. O Lula faz uma movimentação com a mão direita para acompanhar o teleprompter. O Alckmin lê bem o teleprompter. Ele pensa que lê bem. Quem lê bem é o William Bonner.

FOLHA - Já fez as pazes com Aécio.
MAIA - Ele está em campanha. Não tem tempo para isso.

FOLHA - Mas o que acha dele desde então?
MAIA - Desde então ou desde sempre? O Aécio procura seguir uma escola política superada, que é a escola mineira caricaturizada, que são as boas saídas, que é o marquês do Paraná, um ministério de composição de todas as forças políticas, a imagem do Alkmin, do Benedito Valadares, do Tancredo... Não sei se ele consegue fazer isso passando realidade...

FOLHA - O sr. acredita nu ma aliança entre Alckmin e Aécio para a presidência do partido?
MAIA - O Alckmin pode ser convidado, mas não tem lastro partidário para, numa hipótese de derrota, disputar a Presidência. O Aécio, ao que eu saiba, ainda não saiu de Minas.

FOLHA - E o sr. é candidato?
MAIA - Se estivesse na Inglaterra, diria que sou. No Brasil não há como fazer essa previsão antes. Evidentemente participo do jogo de 2006 olhando para MG, SP, sou do Sudeste também, e olhando para o quadro nacional, posicionando o PFL através de mim. Os outros que se posicionem no PFL através de cada um deles. Não estou nesse jogo fortalecendo meus adversários do mesmo campo. Do outro campo, a gente não pode fazer nada. A gente participa de 2006 se diferenciando. Eu me diferenciei do Aécio. Uma coisinha ali, uma batidinha aqui. Agora a gente tem uma equação Serra. Ele saiu uma vez. Sai a segunda?

FOLHA - O sr. acha que vai ser um impeditivo para ele?
MAIA - Vai ser um constrangimento. Não vai ser uma solução fácil para ele. O que é isso? Saiu com ano e meio? Depois sai com três anos e três meses? Vai ser presidente? Vai ser secretário-geral da ONU? Saiu de São Paulo para São Paulo, aí sai de novo e entrega a um deputado que não é exatamente uma liderança popular eufórica. Vai ter dificuldade. Ele sabe disso.

Só Freud pode mudar a eleição brasileira

Quando saiu a última pesquisa do instituto Datafolha do dia 5 de setembro, data em que os tucanos previam a reação de Geraldo Alckmin nas pesquisas, este blog, em face dos numeros favoráveis a Lula, escreveu o seguinte: "Faltam apenas 25 dias para a eleição. Lula só perderá o pleito se inventar uma besteira sem precedentes na história política brasileira. A verdade é que Alckmin não tem mais o que fazer para mudar o rumo da história. Só um erro de Lula é capaz de modificar o cenário atual." Agora, dia 18 de setembro, faltando 12 dias para o pleito, este blog reitera a análise feita no dia 5 e acrescenta: nesta altura do campeonato, só Freud será capaz não de explicar, mas de mudar os rumos da eleição presidencial.

Para quem "chegou agora", como diriam os velhos locutores de futebol, vamos traduzir: na sexta-feira, a revista IstoÉ publicou uma entrevista bombástica com Luiz Antonio e Darci Vedoin em que eles acusam José Serra de ter participado do esquema dos sanguessugas. Um dia antes, porém, a Polícia Federal já prendia em São Paulo o advogado Gedimar Passos e o empresário Valdebran Padilha, que supostamente negociavam com os Vedoin a compra de provas do envolvimento de Serra na máfia das ambulâncias. Gedimar e Valdebran seriam ligados ao PT e estavam com R$ 1,7 milhão em espécie, para pagar as provas. Na sexta, Luiz Antonio Vedoin também foi preso. A questão passou a ser então de onde veio o dinheiro. Valdebran falou em "alguém do PT paulista" e Gedimar disse que foi um tal de "Freud ou Froidi". A PF investiga se este tal de Freud não é Freud Godoy, assessor da presidência da República e chefe da segurança da primeira-dama, dona Marisa Letícia.

Ainda é cedo para dizer que o Freud de Gedimar é o mesmo Freud da presidência. Também não dá para descartar que Gedimar e Valdebran estejam tentando apenas passar a culpa para frente. Os petistas mais paranóicos já falam em uma "armação" de Serra no episódio, mas, francamente... Serra pode ser tudo, mas burro não é: montar um plano em que a peça central é uma acusação a si próprio supera todos os limites de maquiavelismo. Não é uma armação de Serra, certamente, mas pode haver mais gente envolvida tentando agora passar a conta para o colo de Lula.

Se, no entanto, o Freud da presidência realmente foi o responsável pela negociação, aí o caldo entorna, mesmo que o presidente Lula nada tenha a ver com o que fez o seu assessor. Será um segundo Gregório Fortunato na história brasileira. A solução poderá não ser igual – a história se repete como farsa –, mas, da mesma maneira que ocorreu nos casos do caseiro e do mensalão, o presidente sairá bastante desgastado com mais este episódio.

Nesta altura do campeonato, portanto, é lícito dizer que Freud pode, sim, mudar o rumo da história. Falta pouco tempo para a eleição, é possível que Lula vença no primeiro turno e, caso Freud seja mesmo Freud Godoy, consiga abafar o episódio no cenário pós-vitória, sempre euforicamente favorável ao vitorioso. Também é possível que Lula vença e Freud continue a lhe atormentar a alma no próximo mandato. E, por fim, é possível que o pai da psicanálise acabe dando a mãozinha que Geraldo Alckmin precisava para levar a eleição para o segundo turno. Façam as suas apostas...

sábado, 16 de setembro de 2006

O que vem por aí

A publicação da bomba contra José Serra ne revista IstoÉ e a subsequente prisão do acusador de Serra e de um petista que estaria supostamente negociando a compra de provas de tais acusações tornou-se a verdadeira bomba de final de campanha. É óbvio que o assunto vai ser explorado pelo tucanato, mas é preciso ir devagar com o andor. Há algumas hipóteses de trabalho que podem ser elaboradas neste momento. Vamos a elas:

1. O PT paulista está realmente envolvido no episódio e uma rápida investigação prova este envolvimento. Neste caso, a candidatura de Mercadante está liquidada e Serra usará o fato para consolidar a vitória já no primeiro turno. Lula também será afetado, provavelmente em menor escala, mas cresce a chance de segundo turno na eleição presidencial. É o pior cenário para o PT e o melhor para o PSDB.

2. A investigação mostra que não se trata de uma "armação" petista e a versão de envolvimento de Serra com os sanguessugas "cola" no candidato tucano. Neste caso, quem vai sofrer as consequências é, obviamente, José Serra. Ainda assim, o PT sai chamuscado pelas versões que correm na imprensa neste momento. Tanto Serra como Lula estão muito na frente de seus adversários e têm gordura para queimar. Falta muito pouco tempo para a eleição e, ainda que percam votos, podem vencer a eleição no primeiro turno

3. Começa na eleição um "efeito tsunami", a partir de mais um escândalo na seara petista. Isto poderia trazer um caráter de instabilidade na campanha. Até Heloísa Helena poderia ser beneficiada pela lama tucano-petista. Ou Quércia, em São Paulo.

4. A denúncia repercute na imprensa, mas sem efeitos eleitorais. Corrupção não é mais assunto do povão, que estaria analisando as coisas de outra ótica - a econômica. Neste caso, nada muda nas intenções de voto.

Este blog, neste momento, acha que o cenário 4 é o mais provável. Mas vale lembrar o ditado espanhol: Yo no creo en brujas, pero que las hay...

Uma boa reflexão sobre uma grande confusão

Vale a pena ler o que escreveu Mauro Malin para o Observatório da Imprensa sobre os últimos acontecimentos. Voltamos ao assunto em seguida.

Vedoin, Época, Veja, IstoÉ

Sucessivamente, as três revistas semanais brasileiras foram usadas pelo empresário-bandido-réu-confesso Luiz Antônio Vedoin para fazer revelações administradas em doses medidas segundo suas próprias conveniências - como não podia deixar de ser, a menos que se imaginasse que o cidadão se havia transformado num herói da República, como, por sinal, se imaginou ter ocorrido no caso do ex-deputado Roberto Jefferson.

Os jornalistas dizem que diante do furo, com a exibição de documentos, só lhes cabe publicar o material. Não é bem assim. Há relatos de furos semelhantes que jamais vieram à tona, porque a empresa jornalística preferiu usar a reportagem como instrumento de barganha para resolver problemas ou obter vantagens. Nada muito diferente do que fazia o velho Chateubriand nos Associados.

Existem também simpatias, empatias, idiossincracias. Recentemente, a trajetória do ex-deputado federal Emerson Kapaz foi tratada com parcimônia em toda a mídia e ele até ganhou da Folha de S. Paulo uma espécie de "direito de resposta" em que não se vêem as acusações, só a defesa. Havia uma anedota curiosa a mencionar, mas ela não foi captada pelos radares das redações. Em 2005, Kapaz coordenou, no projeto DNA Brasil, o grupo de trabalho que se ocupava do tema "Somos ou estamos corruptos?". Parece piada, mas é verdade.

Não estaria na hora de se repensar os critérios - e até mesmo as técnicas - usados nessas reportagens com denúncias bombásticas? Não para livrar políticos proeminentes de acusações bem documentadas. Seria catastrófico. Mas também seria catastrófico passar a idéia de que os veículos de imprensa são manipuláveis por criminosos. Eles são manipuláveis, sim. Mas não num grau que contamine todo o seu trabalho jornalístico.

Em tempo: usa-se aqui a palavra criminoso para designar toda e qualquer pessoa que fere a lei. Seja caixa dois, propina, estelionato, falsidade ideológica, sonegação, furto, roubo, latrocínio, seqüestro, etc. Existe uma faixa em que todos os delinqüentes convivem. Os traficantes e os consumidores. Os doadores e os beneficiários de dinheiros escusos. E assim por diante.

Repito o que escrevi em artigo publicado pelo Diário de S. Paulo em novembro de 2003: "Existe uma vastíssima zona cinzenta em que indivíduos das classes de renda alta e média e grupos do submundo se cruzam o tempo todo. É onde se acham serviços de contrabandistas, ´piratas´, doleiros, prostitutas, traficantes de drogas ilegais, policiais, juízes e outras autoridades subordináveis. E onde empresas que já escorregaram para a informalidade dão mais uma volta no parafuso e compram matéria-prima ou mercadoria roubada. Sem falar na extensão da lavagem de dinheiro, capítulo obscuro e preocupante".

Hoje, seria indispensável acrescentar uma menção a relações espúrias entre fornecedores e o Estado. Em todos os poderes e escalões da República.

sexta-feira, 15 de setembro de 2006

Alimentando sanguessugas


Charge do Agê, que será publicada na segunda-feira, no DCI

Bomba contra Serra já está nas bancas

A IstoÉ realmente publicou a entrevista com Luiz Antonio e Darci Vedoin e o leitor já encontra a revista nas bancas. O que está lá é nitroglicerina pura e pode realmente mudar a eleição paulista. Para ler a íntegra da matéria, clique aqui.

Segundo informações do Blog do Noblat, Luiz Antonio Vedoin acaba de ser preso pela Polícia Federal. Ele estaria negociando a venda de provas contra Serra e também contra Geraldo Alckmin. Vai ser um fim de semana difícil para o tucanato.

Jorge Rodini: Lula virou grife

Em seu comentário da semana, o diretor do instituto Engrácia Garcia, Jorge Rodini, analisa a tranquila situação de Lula nas pesquisas de intenção de voto, mas adverte: ainda há como fazer a população saber que o presidente também erra... A seguir, o comentário de Rodini:

"O Presidente Lula está se tornando um fenômeno, porque consegue ter ao seu lado a maioria da população sofrida do Brasil. Mas não é só isto: nNo Nordeste, conforme temos dito, Lula é o Messias prometedor de uma vida terrena menos difícil... Nas demais regiões, incluindo Sul e Sudeste, passou a ser grife, marca...

A marca não é desonesta, não vê, não tem partido, não tem defeito... Tem nome, estilo, seja ele qual for.
Lula consolida a imagem de inatingível, a não ser que as ações de alguém de sua família façam que o povo o enxergue novamente como ser humanno que acerta, mas também erra.. "

A hora da verdade de Conde Serra


Charge do Agê que está na edição desta sexta do DCI

Uma eleição sem emoções e sem debate

A campanha eleitoral já caminha para o seu desfecho e, a despeito do que escreveram muitos analistas e especialistas em ciência política, o Brasil talvez esteja vivendo a mais calma eleição desde a redemocratização do País. Há cerca de um ano, muita gente chegou a dizer que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nem sequer seria candidato, por causa do escândalo do mensalão. Depois, quando Lula começou a se recuperar, os professores de política diziam que ele teria muita dificuldade para se reeleger porque a campanha seria duríssima, uma pancadaria só. Até agora, a pancadaria toda se resumiu às marchinhas sobre dólares na cueca e decepção com o governo. Pouco, muito pouco. A rigor, quase neda.

E de fato, toda a emoção desta eleição, pelo menos a presidencial, pode ter acabado no dia em que a candidatura Anthony Garotinho foi sepultada, após a desesperada greve de fome que acabou deixando o ex-governador em uma situação ridícula de ter que finalizar o movimento sem que nenhuma de suas reivindicações tivesse sido atendida. Garotinho era a garantia de que a eleição seria decidida no segundo turno. Se tivesse conseguido viabilizar a sua candidatura pelo PMDB ou mesmo pelo PSC – Garotinho poderia ter mudado de partido no ano passado –, o ex-governador do Rio faria uma campanha certamente bem mais agressiva do que a de Alckmin, até porque ele poderia criticar a política econômica de Lula, coisa que o tucano não consegue fazer, uma vez que os petistas deram sequência ao que vinha sendo feito pelo PSDB nos 8 anos de Fernando Henrique Cardoso.

Por outro lado, depois de um ano de fortes emoções no campo moral, com o mensalão, vampiros, sanguessugas e a casa de tolerância de Antonio Palocci, o eleitorado parece ter aprendido que também os petistas, como os demais políticos, não são propriamente "puros", o que apenas os faz iguais aos demais. Iguais por iguais, o povão parece ter relevado o argumento moral da política e passou a prestar atenção em outras coisas para decidir em quem votar. Assim, a suposta "pancadaria" de Alckmin contra Lula vem fazendo efeito muito pequeno, quase nulo, a julgar pelas pesquisas. Uma boa imagem é dizer que Alckmin prega para convertidos, coisa que também faz a candidata do PSOL, Heloísa Helena.

A senadora alagoana, por sinal, começou bem a campanha, tentando se diferenciar politicamente, fazendo a crítica ao modelo econômico, mas acabou se perdendo em seu próprio labirinto e agora, pateticamente, tenta competir com Alckmin para ver quem fala mais da corrupção no governo Lula. Somando o estilo udenista de Geraldo e Helena ao autismo educacional do senador Cristovam Buarque, a verdade é que niguém até agora chegou a fazer realmente ameaçar o líder das pesquisas, que, olimpicamente ignora qualquer tentativa de debate e segue vendendo o Brasil Grande que fundou em 1° de janeiro de 2003.

Ao fim e ao cabo, Lula deve ser reeleito menos pelos seus méritos do que pelos erros crassos de todos os candidatos da oposição.

Vem bomba por aí e é contra Serra

O candidato tucano ao governo de São Paulo, José Serra, deve começar esta sexta-feira bem nervoso. Pesquisa Ibope revelou que a diferença entre ele e os demais candidatos é agora de apenas dez pontos percentuais. Já foi de mais de 20 no mês passado. E a revista IstoÉ deve apresentar uma bomba: o chefão da Planan, Luiz Antonio Vedoin, em entrevista ao semanário, conta que pagou propina para... José Serra. Sim, ele mesmo, José Serra. Se a matéria e o envolvimento de Serra na máfia das ambulâncias forem confirmados, a campanha eleitoral vai pegar fogo nesta reta final.

Quem conhece Serra de perto aposta que as coisas não vão ficar assim, sem resposta. E o perigo é a resposta de Serra. O tucano tem uma ficha corrida de dar medo: já trucidou Roseana Sarney e Ciro Gomes em poucos dias, para viabilizar sua candidatura à presidência em 2002. Agora, é tudo ou nada. Se Serra perder a eleição para o governo do Estado de São Paulo, não pode voltar para a prefeitura e estará aposentado para a política. Sem cargo, Serra não é ninguém. Especialmente porque Aécio Neves não perde a reeleição em Minas por mais nada neste momento. O mundo gira, a Lusitana roda e, ironia das ironias, quem sabe o PSDB não cai no colo de Aécio justamente quando tantos analistas acham que ele é que sairá do partido.

quinta-feira, 14 de setembro de 2006

Se a torre não atrapalhar...


Charge do Agê que está na edição desta quarta-feira do DCI

O debate mais chato da história

Foi difícil acompanhar na noite de ontem o debate da TV Gazeta entre os presidenciáveis Geraldo Alckmin, Heloísa Helena e Cristovam Buarque. Os três se uniram para criticar o presidente Lula pela ausência no programa, mas a verdade é que ele fez bem em não comparecer, dado o nível do encontro, para lá de sofrível. A coisa foi tão ruim que não dá nem sequer para apontar um vencedor no debate. O jornalista Carlos Marchi tentou fazer uma gracinha – dirigiu uma pergunta ao presidente Lula –, mas nem isto a apresentadora Maria Lydia permitiu. Se a eleição terminar no primeiro turno, terá sido um castigo justo para a oposição, por ter escolhido candidatos tão ruins para concorrer neste ano. E não foi por falta de alternativas: podiam estar ali, representando PSDB, PSOL e PDT, gente como José Serra, Plínio de Arruda Sampaio e Nilo Batista. Gente com idéias na cabeça e capacidade de debater projetos para o Brasil, e não picuinhas e generalidades.

quarta-feira, 13 de setembro de 2006

Tucanos em guerra


Charge do Agê que está na edição desta quarta no DCI

Lula aumenta dianteira sobre Alckmin em SP

Pesquisa que será divulgada sexta-feira no DCI revela que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva amplicou a dianteira sobre o tucano Geraldo Alckmin no Estado de São Paulo. Pode parecer incrível, mas nesta reta final da eleição, Lula está conseguindo ganhar uns pontinhos no campo do adversário e Alckmin patina em sua própria casa.

Hoje é dia de debate

A TV Gazeta vai realizar hoje mais um debate entre os presidenciáveis. Lula não vai e será divertido acompanhar a performance de Geraldo Alckmin e Heloísa Helena nesta reta final da campanha. Fontes do PSOL dizem que Heloísa desta vez não vai poupar o cada vez mais desesperado Alckmin.

Sexta-feira tem nova pesquisa, desta vez do Ibope, instituto que o PSDB contratou para fazer os levantamentos telefônicos diários para a campanha presidencial. Tudo caminha para a definição no primeiro turno, mas as equipes do PT e PSDB fazem agora o monitoramento fino do humor dos eleitores. Qualquer oscilação é motivo de stress, mas a verdade é que é muito difícil acreditar em uma mudança grande da opinião dos eleitores a tão pouco tempo do pleito.

terça-feira, 12 de setembro de 2006

Lula é osso duro de roer

A pesquisa do instituto Datafolha divulgada no Jornal Nacional da TV Globo revela que os boatos que circularam hoje dando conta de uma subida de Alckmin e queda de Lula não passavam de... boatos. Os números mostram também que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva é mesmo osso duro de roer. O candidato à reeleição pelo PT está a um passo de vencer a eleição deste ano sem a necessidade de segundo turno. Se a eleição fosse hoje, 18 dias antes do pleito, Lula venceria no primeiro turno, com 56% dos votos válidos - excluindo brancos e nulos, que é como o Tribunal Superior Eleitoral calcula.

De acordo com a pesquisa, a taxa de intenção de voto de Lula oscilou de 51% para 50% - dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. Em seguida, aparece o candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, cuja taxa de intenção de voto oscilou de 27% para 28%. A taxa de intenção de voto na candidata do PSOL, Heloisa Helena, permaneceu estável em 9%. Os candidatos Cristovam Buarque (PDT) e Ana Maria Rangel (PRP) tiveram 1%. José Maria Eymael (PSDC), Luciano Bivar (PSL) e Rui Pimenta (PCO) não pontuaram.

O instituto também simulou um segundo turno entre o presidente e o ex-governador de São Paulo. O petista venceria com 55% dos vots, contra 38% do tucano. Na última pesquisa, o placar era 55% para Lula e 37% para Alckmin.

O Datafolha ouviu 3.817 eleitores entre os dias 11 e 12 de setembro (estas segunda e terça) em 217 municípios de 25 unidades da federação. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral com o número 16.883/2006.

Suspense eleitoral: é dia de pesquisa

Os tucanos estão trabalhando a todo vapor na disseminação de boatos dando conta que Geraldo Alckmin subiu mais um pouco na pesquisa do Datafolha que será anunciada às 20h de hoje no Jornal Nacional. Este blog não duvida que Alckmin tenha subido, mas duvida que os dados do Datafolha já tenham vazado. O suspense é grande porque se a pesquisa apontar a manutenção do cenário, a confusa campanha tucana vai entrar em uma fase de crise aberta.

Geraldo Alckmin suspende a campanha

Definitivamente, está em crise a candidatura da aliança PSDB-PFL à presidência da República. Na manhã de hoje, o candidato Geraldo Alckmin esteve na Força Sindical e anunciou o cancelamento de todas as demais atividades do dia – até um almoço com empresários na poderosa Fiesp foi suspenso. Alckmin alegou que iria gravar programas eleitorais, mas não conseguiu sequer contar aos jornalistas onde seria a tal gravação. O ex-governador aparentava abatimento e se mostrou irritado com as questões sobre a crise tucana, noticiada pela Folha de S. Paulo hoje, que teria motivado a saída de José Henrique Reis Lobo da coordenação da campanha de Alckmin (clique aqui para ler a notícia da crise). Só há uma salvação para Alckmin: o Datafolha apresentar bons números na pesquisa que será divulgada na noite de hoje, no Jornal Nacional.

A julgar pelo que noticiou o jornalista Cláudio Humberto em sua coluna, porém, as pesquisas não estão lá essas coisas para o tucano. E ele também não está mais tão paciente com o instituto que contratou. Abaixo, a íntegra da notinha de CH:

O candidato tucano Geraldo Alckmin está à beira de um ataque de nervos: ele se impacientou com a própria estagnação nas pesquisas e ofendeu o dono do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. O incidente ocorreu no final de semana, durante reunião com o presidente do PSDB, Tasso Jereissati. Em São Paulo, Alckmin admitiu a aliados que perdeu a cabeça, quase agrediu Montenegro, mas não se arrepende. O teor do bate-boca não foi revelado.

segunda-feira, 11 de setembro de 2006

Prometeu, mas não entregou

O cacique baiano Antonio Carlos Magalhães (PFL) havia dito que levaria 500 prefeitos de seu Estado para um ato de apoio a Geraldo Alckmin (PSDB). O tal ato foi hoje. Segundo a agência Reuters, eram "quase 200" os alcaídes reunidos pelo babalorixá. Na Agência Estado, o número sobe para 280, mas é preciso dar um desconto, pois o Grupo Estado é aquele que viu na última pesquisa do Ibope um "grande avanço" de Alckmin (clique aqui para ler o comentário de Luiz Weis a este respeito). De toda maneira, na conta mais favorável a Magalhães e Alckmin, ficaram faltando 220 prefeitos. Não importa, Alckmin deve ter a-d-o-r-a-d-o a manifestação de apreço encomendada pelo seu aliado. Que, aliás, anda dizendo por aí, em alto e bom som, que esta eleição já era...

Old Friends...


Charge do Agê, que estará no DCI desta terça-feira

Para bom entendedor...

... meia palavra basta. Aécio Neves definitivamente não gostou da carta do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Traduzindo o "mineirês" das declarações do governador, reproduzidas abaixo de matéria da Folha Online, o que se tem é muito simples: Aécio quer distância de FHC. Muita distância.
Aécio diz que carta de FHC tem sido valorizada além da conta

O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), candidato à reeleição, disse que tem sido dada "uma valorização muito grande" à carta publicada no site do partido pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e que não comentaria seu conteúdo porque FHC "deve ter tido suas razões".

A carta publicada por FHC faz duras críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o tucano afirma que o PSDB "tapou o sol com a peneira" no caso do ex-governador Eduardo Azeredo, quando foi acusado de ter usado caixa dois na campanha de 1998.

"A maior contribuição que eu dou ao grande projeto do PSDB é não criar mais polêmica. A contribuição que dou é essa, pedindo votos para Geraldo Alckmin [candidato à Presidência] para que o Brasil encerre este ciclo de governo do PT, que não tem sido bom para o país", afirmou o candidato mineiro.

Para ele, o que interessa ao PSDB é a campanha de Alckmin e que o melhor é evitar comentar ações que "mais desagregam do que agregam".

Aécio disse ainda que o fato de FHC ter publicado uma carta considerada polêmica em período eleitoral não denota que ele tenha se sentido "esquecido" pelos tucanos nas eleições, conforme acusam opositores.

"Quem faz campanha olha para a frente. Não faz uma campanha política apenas olhando para trás. O Geraldo tem lembrado sempre muitos aspectos positivos do governo Fernando Henrique. Eu não acho que ele tenha sido deixado de lado. Agora, o candidato é o Alckmin e nós estamos discutindo o governo a partir de 2007 e não os governos passados", completou o governador de Minas.

Nova pesquisa do Datafolha sai amanhã

O instituto Datafolha está em campo hoje e amanhã, pesquisando o cenário da sucessão presidencial. Este blog, que não consulta videntes, acha que Alckmin sobe um ou dois pontos e Lula cai um ou dois. Heloísa Helena também caiu um ou dois. Qualquer coisa diferente disto será motivo de comemoração para Lula ou Alckmin: se o tucano crescer menos e ou o presidente ficar estável, a festa será no Palácio do Planalto; se Lula cair mais do que 2 pontos ou Alckmin subir acima deste patamar, a festa será nas finas residências dos bairros dos Jardins e Alto de Pinheiros, em São Paulo.

domingo, 10 de setembro de 2006

sábado, 9 de setembro de 2006

Ainda sobre a denúncia de Veja

Tem gente achando que a "bomba" de Veja contra o governo federal é a reportagem sobre a distribuição de cartilhas oficiais por intermédio do PT – denúncia que está sendo apurada pelo Tribunal de Contas da União. A matéria é assinada por Márcio Aith, o mesmo jornalista que escreveu o já célebre texto em que foi "denunciada" a existência de uma conta do presidente Lula no exterior, embora a reportagem reconhecesse que não havia como provar a existência de tal conta. É bem possível que Aith tenha ido ao TCU com a esperança de conseguir algo explosivo contra o governo Lula e tenha saido de lá com um pequeno traque, para não voltar à redação de mãos abanando...

O tiro de Fernando Henrique saiu pela culatra?

Se a intenção do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com a longa carta divulgada durante o feriado era animar a candidatura de Geraldo Alckmin, o tiro certamente saiu pela culatra: os principais jornais do país destacam na edição deste sábado que a carta agravou a crise na campanha tucana – a Folha de S. Paulo dá manchete para o assunto. O problema todo é que os aliados de Alckmin estão achando que Fernando Henrique deu a vitória de Lula como fato consumado. E de fato a carta deixa transparecer este sentimento, embora em nenhum momento o ex-presidente o explicite.

O problema todo é saber a intenção original de FHC. Ele não nasceu ontem e certamente refletiu bastante antes de divulgar a carta. Se o fizesse depois das eleições, o documento seria visto como tentativa de assumir o comando do partido "na marra". Agora, dá margem a diversas interpretações. Talvez seja este mesmo o principal objetivo: provocar polêmica e atrair atenção para si. Fernando Henrique pode ser muita coisa, mas bobo, não é.

sexta-feira, 8 de setembro de 2006

Veja abortou "denúncia" contra o governo

Um passarinho de bico longo contou a este blog que a revista Veja estava preparando uma capa com "novas denúncias" contra o governo federal. Não deu detalhes sobre a reportagem, mas disse que poderia ser algo grave, com a intenção de prejudicar a candidatura do presidente Lula. A operação parece ter sido abortada (ou adiada), pois a capa da semana da revista é sobre o site You Tube. Faltam 3 capas de Veja antes da eleição. A última, da véspera do pleito, não conta, pois não haveria tempo hábil para qualquer repercussão política. Portanto, na prática serão duas capas antes da eleição. Lula que se cuide...

Está muito fácil para ser verdade...

Muita gente já dá como certa a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva já no primeiro turno, dia 1° de outubro. De fato, se nada bombástico ocorrer, Alckmin pode até subir um pouco, mas Lula liquida a fatura sem necessidade de segundo escrutínio. O problema todo é o tal "se" da frase anterior. Os últimos 15 dias de campanha são sempre os mais tensos. Tem gente no PFL e PSDB defendendo que Alckmin baixe de vez o nível e parta para um ataque mais feroz contra Lula. Nos bastidores, circulam histórias de que haveria uma "bomba" para ser disparada contra o governo e que poderia afetar o candidato-presidente.

No fim de julho, o jornalista Carlos Chagas escreveu que, quando setembro chegasse, surgiriam fatos novos sobre a morte de Celso Daniel que poderiam complicar a situação não do presidente, mas de alguns de seus auxiliares. Setembro chegou e nada aconteceu. O jornalista Reinaldo Azevedo também está noticiando, em seu blog, a chegada "para breve" de denúncias que podem constranger o governo, mas nega terem a ver com a morte de Daniel.

Em 2002, na reta final da campanha, circularam versões de que Serra iria "mostrar a fita" – havia diversas versões para o conteúdo da suposta gravação, que prejudicaria o PT, mas nunca foi divulgada. Pode ser, portanto, que os boatos da semana não passem de... boatos. Mas como prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém, é bom o PT ficar esperto e se preparar para eventuais ataques no final desta campanha.